28 julho 2009

Aeronave é desinfectada no Recife

Vanessa Beltrão

Um avião da empresa aérea Gol, que veio de Brasília para o Recife, teve que ser esvaziado, na tarde de ontem, após uma passageira de 26 anos apresentar sintomas da gripe A (H1N1).

Segundo a coordenadora da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Pernambuco, Milca Adegas, a jovem estava tossindo muito e foi encaminhada ao Hospital Universitário Oswaldo Cruz, em Santo Amaro, referência na área de infectologia no Estado. “Isso é um protocolo normal da Anvisa.

Foi feita a limpeza e a desinfecção do avião”, explica.

De acordo com a infectologista do HUOC, Polyana Monteiro, a jovem foi atendida no hospital e liberada. “O estado de saúde dela não era grave e ela não tinha nenhuma doença crônica”, explicou.

A aeronave pousou no Recife às 11h54 de ontem e os 120 passageiros foram retirados da aeronave, que passou por um procedimento de desinfecção. Ainda de acordo com Milca, o avião só pôde decolar novamente após um período de duas horas, tempo necessário para o produto utilizado na desinfecção agir.

Todas as pessoas que estavam no avião tiveram que preencher o Cadastro da Vigilância Sanitária, onde constam os dados pessoais dos passageiros. "As pessoas que estavam sentadas mais próximas a jovem que apresentou os sintomas serão monitoradas pelo Estado e todos estão orientados a procurar um hospital ao sentir algum sintoma", completa Milca.

Parte dos passageiros seguiu viagem. O avião voltou a decolar às 15h29 com destino ao Rio de Janeiro. Pernambuco tem 26 casos confirmados da doença.

Epidemia deverá adiar volta às aulas

A rápida expansão do vírus H1N1 deverá retardar a volta das aulas em parte dos sistemas de ensino no Rio Grande do Sul.

 

 

 

Redes municipais e escolas privadas já anunciaram que vão adiar o retorno das atividades, e o governo estadual deverá decidir até quinta-feira se altera o calendário original. A maior parte dos colégios previa a volta às aulas na próxima segunda-feira – na semana em que a epidemia deverá quadruplicar em relação ao estágio atual, conforme a Secretaria Estadual da Saúde.

O titular da Saúde no Estado, Osmar Terra, estima que o número de pessoas infectadas pela nova gripe deverá saltar do atual patamar de 10 mil casos para aproximadamente 20 mil até a próxima segunda, e dobrar novamente ao longo da semana seguinte, chegando a cerca de 40 mil gaúchos afetados devido à progressão geométrica dos contágios. Nesse período, o H1N1 também deve se alastrar com maior força pela Capital.

Embora considere que adiar as aulas teria um impacto modesto no controle da doença, já que as escolas não são as únicas fontes de contaminação, Terra admite que o comitê estadual de acompanhamento da gripe A discute essa possibilidade na tentativa de diminuir o ritmo da epidemia.

– Esses alunos acabariam indo para outros lugares, como shopping, que também facilitam a transmissão. O vírus pode entrar em casa pelo pai ou pela mãe. Mas há quem entenda que pode ajudar – afirma o secretário.

Prefeituras como a de Caxias não têm previsão de retorno

A decisão deverá ser tomada por Terra, pela secretária estadual da Educação, Mariza Abreu, e pela governadora Yeda Crusius até quinta-feira. Para o infectologista do Hospital de Clínicas Luciano Goldani, a medida pode ser uma maneira de dificultar a disseminação do H1N1, ao evitar a aglomeração de crianças e adolescentes em sala de aula. Mas, para ter maior impacto sobre o avanço da epidemia, ele sustenta que a decisão deveria ser tomada de forma homogênea:

– Não adianta algumas escolas abrirem, outras ficarem fechadas. Para esse adiamento ter um maior efeito, teria de ser adotado de forma abrangente em todo o Estado – acredita.

Em outros sistemas de ensino, as aulas já vêm sendo adiadas de forma pontual. Prefeituras como a de Caxias do Sul, na Serra, já informaram que não têm previsão definida para a volta dos alunos ligados à rede municipal. Conforme a assessoria de imprensa da prefeitura caxiense, a rede deverá aguardar um posicionamento da Secretaria Municipal da Saúde.

Entre os estabelecimentos particulares, cada um deve avaliar o melhor momento para reabrir as salas de aula. A orientação geral do Sindicato dos Estabelecimentos do Ensino Privado no Estado (Sinepe/RS) é para que, ao menos por enquanto, cada diretoria tome a decisão que considerar mais adequada frente à situação da epidemia em sua região.

– Enquanto não há uma decisão governamental, pedimos que cada escola tenha a sensibilidade de avaliar o quadro na sua região para adiar ou não a volta às aulas – afirma o presidente da entidade, Osvino Toillier.

O sindicato pede ainda que, nos casos em que for determinada a retomada da rotina, famílias com estudantes com sintomas da gripe A evitem enviá-los para a escola.

– Estamos pedindo que os colégios recomendem aos pais não mandar os filhos, caso estejam doentes – relata.

A situação atual

- Rede estadual – Originalmente, marcou a volta às aulas para 3 de agosto. O governo deverá emitir uma orientação nos próximos dias confirmando ou postergando a data. O assunto já vem sendo discutido pelo comitê de acompanhamento da gripe A no Estado, mas a última palavra deverá ser da governadora Yeda Crusius.

- Redes municipais – Até o momento, algumas redes entraram em férias e já anunciaram que não têm previsão de retorno. Outras aguardam os próximos dias para ter uma definição.

- Colégios particulares – Por enquanto, a orientação do Sinepe/RS é de que cada escola avalie a situação no seu município para definir a data de volta. Também pede às famílias que, em caso de retorno, evitem mandar alunos com sintomas de gripe para o colégio. As orientações podem mudar conforme posicionamento do governo estadual e do comitê de acompanhamento da gripe A.

- Universidades – As aulas na UFRGS devem ser retomadas no dia 3. Segundo a assessoria de imprensa, até ontem não havia discussão sobre uma eventual alteração na data de retorno. A PUCRS também deve recomeçar as atividades no dia 3.

Exército vai reforçar campanha de prevenção à Gripe Suína na fronteira com o Acre

 

 

O Exército Brasileiro anunciou que está reforçando o seu efetivo em Assis Brasil, Brasiléia e Epitaciolândia, cidades acreanas fronteiriças, visando garantir uma fiscalização maior para evitar a proliferação da Gripe Suína no país.

Estes municípios estão entre as 24 cidades de fronteira espalhadas pelo país, que receberão o reforço do Exército. Os trabalhos militares serão no sentido de ajudar na divulgação de informações sobre a prevenção contra a Gripe A H1N1.

O número de 78 militares - dois a oito militares por cidade - solicitado pela Anvisa poderá ser ampliado se houver necessidade. As tarefas envolvem a distribuição de impressos e o auxílio no preenchimento de declarações.

O objetivo do trabalho dos militares é prestar esclarecimentos aos viajantes que cruzam as fronteiras do Brasil, especialmente com a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, sem descartar esforços também no Norte e Centro-Oeste do país.

No Rio Grande do Sul, o Exército atuará nos municí-pios de Porto Xavier, Aceguá, Santana do Livramento, Jaguarão, Itaqui, Porto do Lucena, Porto Vera Cruz, Porto Mauá e Porto Soberbo. No Paraná, em Foz do Iguaçu e Guaíra. Em Roraima, serão atendidos Paracaima e Bonfim. Em Mato Grosso do Sul, os militares estarão em Mundo Novo, Corumbá e Ponta Porã.

Ainda receberão o trabalho de prevenção as cidades de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, Guajará-Mirim, em Rondônia, Corixa, em Mato Grosso, Oiapoque, no Amapá, e Tabatinga, no Amazonas.

O Exército também poderá instalar hospitais de campanha, se for necessário, na eventualidade de aumento no número de casos.

Divergências na relação entre governo e estados

Nas regiões em que o vírus é uma ameaça mais grave, secretários de Saúde e especialistas contestam o ministério. Surto em Campinas fecha creche por tempo indeterminado

Ullisses Campbell – Correio Braziliense

São Paulo — Com uma ajuda nada providencial do tempo frio, a gripe suína avança nas cidades do Sul e do Sudeste. Em São Paulo, o número de mortes chegou a 20 e a Secretaria de Saúde do estado já estuda um plano emergencial para conter a proliferação da doença — um exemplo é multiplicar os postos de atendimento, até com a ajuda do Exército em diversas cidades do interior. A mais recente vítima da nova gripe no estado é uma mulher de 32 anos, moradora do município de São Carlos, a 230km da capital. O que mais chama a atenção para esse óbito é que a mulher estava saudável até contrair o vírus e morrer em menos de 48 horas.

O governo do Paraná também pediu ajuda ao Exército para montar tendas e atender a população que reclama de sintomas da gripe suína. Só na região de Curitiba, foram anunciadas quatro mortes de pacientes, sendo dois deles jovens com idade entre 25 e 30 anos. “Há uma grande desinformação entre a população e boa parte dessa divergência ocorre porque o Ministério da Saúde diz uma coisa e os especialistas nos estados dizem outra”, reclama o subsecretário de Saúde de Curitiba, Carlos Colasso.

Uma das divergências apontadas pelo subsecretário estaria na febre. “Um protocolo do Ministério da Saúde define que, para ser caracterizado como ‘suspeito’, o paciente tem que apresentar febre, no entanto, um paciente curitibano morreu no interior do Rio Grande do Sul, na semana passada, sem apresentar quadro febril. Na sexta-feira, saiu o resultado do exame que comprovou que ele teve gripe suína”, conta Colasso.

Segundo disse ao Correio o diretor do Hospital Emílio Ribas, David Uip, como se trata de uma doença nova e de um vírus desconhecido, tudo o que se afirmar hoje sobre a pandemia pode mudar amanhã. “Não sabemos quase nada sobre esse vírus. A situação é tão crítica que ele pode mudar e tornar-se resistente aos medicamentos de que dispomos hoje para tratar a doença”, alertou Uip.

O infectologista Aníbal Valle, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, chama a atenção para o excesso de cautela com que o governo vem tratando a doença. “Fomos orientados por um protocolo para tranquilizar a população, mas o número de mortes aumenta a cada dia, o que deixa todo mundo preocupado. Outro ponto que começa a gerar controvérsia é atenuar os efeitos dessa gripe, comparando-a com a gripe comum. Como se trata de um vírus novo, precisamos de mais informações e não as temos no momento”, diz o infectologista.

Na cidade de Campinas, a 93km de São Paulo, a prefeitura anunciou ontem que manterá uma creche fechada por tempo indeterminado por causa de um surto de gripe suína que fez 12 vítimas não fatais só na semana passada. Uma das pacientes, uma pedagoga, está numa Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), com sintomas da doença. Outros três funcionários apresentam os sintomas, mas não têm complicações.

A Secretaria da Saúde de Osasco também anunciou ontem mais duas mortes, sendo que uma é de um homem de 37 anos que chamou a atenção pelo fato de ter corpo atlético e, segundo familiares, ser uma pessoa saudável. A outra vítima é uma mulher de 57 anos que apresentava complicações respiratórias antes mesmo de contrair a nova doença.

No Rio, a Secretaria de Saúde e Defesa Cilvil informou que os hospitais do estado têm 55 mulheres grávidas internadas com suspeita de nova gripe.

Risco para todo mundo

Os dados do Ministério da Saúde revelam o que os especialistas de todo o país já afirmavam:

“Não há como definir um grupo de risco para a gripe suína”, explica o infectologista Artur Timermann. De acordo com boletim divulgado no site do ministério, mais de 66% dos 222 pacientes que foram infectados pelo vírus e tiveram complicações respiratórias não apresentavam histórico de doenças.

No início da pandemia, o governo sustentou que idosos, crianças com menos de dois anos e portadores de doenças crônicas teriam prioridade no tratamento com o antiviral Tamiflu e deveriam receber atenção especial. “Esse é o grupo de risco para a gripe comum. Foi um despautério colocar o mesmo grupo para a nova gripe. O grupo de risco para essa pandemia engloba todos nós”, afirma Timermann.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado, explica que, por ser uma doença nova, a gripe suína tem se propagado com facilidade entre adultos jovens, de 19 a 45 anos.

A nova gripe já matou 816 pessoas em todo o mundo, conforme balanço oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número de infectados passa de 134.500. O continente americano é o mais afetado, com mais de 87.900 casos e 707 mortes. Na Europa, são 16.550 contaminados e 34 mortes. A região do Pacífico tem 21.577 casos e 30 mortes. No Sudeste Asiático já há 7.358 infectados e 44 mortes, enquanto no Mediterrâneo Oriental houve 890 confirmações e uma morte. (DM)

Gripe expõe falhas na estratégia internacional para lidar com saúde

OMS não tem conseguido contabilizar casos e mortes e também não fechou protocolo de distribuição de vacinas

Jamil Chade – O Estado de São Paulo

A pandemia de gripe suína revela que ainda não existe uma coordenação internacional para lidar com problemas globais de saúde. Pressionada politicamente e refém de interesses comerciais, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), não conta com uma estratégia de vacinação nem de distribuição de antivirais. Além disso, não conseguiu contabilizar os casos de gripe a contento nem criar um fundo para lidar com a doença.

Ontem, a OMS decidiu publicar novos números de casos. Seriam 134,5 mil em todo o mundo, com 816 mortes. Mas esses números são de 22 de julho e só foram divulgados cinco dias depois. A região mais afetada seria o continente americano, com 87,9 mil casos, contra 16,5 mil na Europa e 21,5 mil no Oeste Pacífico. As Américas teriam mais de dois terços dos casos e 86% das mortes, com 707 óbitos entre os 816 contabilizados.

Mas o próprio comunicado deixa claro que os números não representam a realidade. Só no Reino Unido seriam mais de 100 mil casos e 1 milhão nos Estados Unidos. Os desencontros da OMS foram inúmeros em pouco mais de três meses.

Além disso, a OMS não recomenda se escolas devem ou não ser fechadas. Na semana passada, o órgão admitiu que o maior número de casos foi inicialmente registrado em pessoas entre 12 e 17 anos, mas que, com a expansão da doença, a média de idade havia subido. Fechar escolas teria uma função, mas com custos proibitivos. Portanto, não recomendou estratégia.

Outra confusão se refere aos números de vítimas. A princípio, a OMS pediu que os governos reportassem os casos. Semanas depois, a entidade pediu aos países que não enviassem todos os dados, pois não conseguiam processá-los. O argumento oficial era de que os governos não deveriam gastar recursos com testes e que só mortes deveriam ser registradas. Mas ontem a OMS voltou a publicar dados, agora regionais. Na própria OMS, funcionários dizem que não há controle do que é recomendado nem qual mensagem deve ser passada.

VACINA

A entidade também não consegue montar uma estratégia de vacinação. Originalmente, a diretora da OMS, Margaret Chan, afirmou que a vacina teria de começar a ser produzida assim que decretada a pandemia. Quando isso ocorreu, Chan mudou de ideia porque as empresas deveriam concluir a produção de vacinas sazonais que já estava em andamento. Agora, ela está de férias. A OMS convocou então farmacêuticas de todo o mundo para que fosse montada uma estratégia de vacinação e de distribuição de antivirais. Três meses depois, não há estratégia. "Não temos uma política para isso, vamos explorar todas as opções?, diz o porta-voz Gregory Hartl.

Mesmo que essas vacinas chegassem hoje, a OMS não definiu quem deve ser vacinado primeiro. A única recomendação é para que pessoas que trabalham nos sistemas de saúde sejam os primeiros, para permitir que os serviços sigam funcionando. A OMS deixou claro que é contra quebra de patentes para a fabricação de remédios.

IDAS E VINDAS

Nomes: Em três meses de doença, foram três nomes. Nos primeiros dias, era gripe suína. Após protestos, a OMS mudou o nome para gripe A(H1N1). No mês passado, a terceira mudança: gripe pandêmica A(H1N1) 2009

Pandemia: A OMS anunciou em abril que declararia pandemia quando o vírus chegasse a mais de dois continentes. Mas a pandemia só foi declarada em 11 de junho, quando havia quase 30 mil casos em mais de 70 países

Contagem de vítimas: A OMS decretou a primeira pandemia do século 21 pedindo inicialmente que todos os governos reportassem os casos da gripe suína à entidade. Mas há duas semanas alertou que não havia mais como contar caso a caso e anunciou que não publicaria mais números. Ontem, voltou a publicar números, agora regionais

Vacina: A entidade não consegue montar uma estratégia de vacinação. Não há plano de distribuição nem fundos nem quais populações serão priorizadas

País deve importar 36mil doses de vacina

O Instituto Butantã pretende negociar até segunda-feira a compra de 36 mil doses de vacinas – metade para gripe sazonal e metade para A(H1N1),afirma Isaías Raw, presidente da Fundação Butantã.

O produto serviria para imunizar profissionais de saúde que participam do esforço de combate à doença.

"É a prioridade em todos os países", aponta Raw. As vacinas viriam envasadas, o que inviabiliza a adição de adjuvantes – substâncias que aumentam o rendimento e permitem imunizar mais pessoas.

Raw recorda que ainda não recebeu as cepas atenuadas do vírus A(H1N1) para a produção da vacina. O instituto informou ter estrutura para fabricar 44,3 milhões de doses em um ano. No próximo dia 3, haverá reunião como Ministério da Saúde para decidir o tipo e a quantidade da vacina que deverá ser produzida.

(ALEXANDREGONÇALVES)

Amazonas adere a plano ambiental

Jornal do Brasil

O Ministério do Meio Ambiente recebe nesta quinta-feira o Plano de Prevenção e Controle de Desmatamento formulado pelo governo do Amazonas. A notícia renova as esperanças daqueles que lutam por um Brasil ambientalmente correto e por um planeta ecologicamente viável. Em toda a Região Amazônica, o Amazonas é o estado com o maior percentual de áreas verdes preservadas (98%), além de ser o de maior extensão territorial (mais de 1,5 milhão de quilômetros quadrados). Uma vez celebrado o acordo, caberá à sociedade cobrar dos governantes o cumprimento das metas contidas no documento e a fiscalização dos programas nele contemplados.

O Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal tem como meta a redução do desflorestamento por meio de estratégias de conservação e uso sustentável dos recursos florestais de cada estado. O projeto é fruto de decreto presidencial assinado em julho de 2003, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabeleceu um grupo interministerial com a finalidade de propor medidas e coordenar ações que visem à redução dos índices de desmatamento na Amazônia Legal. Mais de 10 ministérios (entre eles a Casa Civil, Agricultura, Defesa, Meio Ambiente, Energia e Transportes) fazem parte do grupo de trabalho, que tem se reunido com frequência há mais de cinco anos – embora somente agora tenha conseguido o engajamento formal de um governo estadual da Região Norte.

A aprovação do plano pelo ministério é a condição para que os estados da região Amazônica possam ter acesso ao Fundo Amazônia – coordenado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – que dispõe de recursos para a implementação das ações propostas nos planos estaduais. No caso do Amazonas, o ponto de partida são as iniciativas já em curso desde 2003, quando as políticas públicas de desenvolvimento sustentável começaram a ser implantadas pelo programa Zona Franca Verde.

O sucesso de um programa de tal vulto, no entanto, depende fundamentalmente da participação da sociedade. Nesse sentido, os amazonenses parecem dispostos a contribuir. A última audiência pública (exigida como um dos pré-requisitos para que cada estado da região defina as ações, atividades e metas dos planos), realizada semana passada em Manaus, reuniu cerca de 250 pessoas entre representantes de instituições locais do setor público e privado, de organizações não governamentais, de lideranças comunitárias e ambientais. Desde de junho já foram promovidas seis audiências públicas – além de Manaus, os municípios de Lábrea, Apuí, Humaitá, Tefé e Parintins também promoveram consultas. Evidência de que há massa crítica para o sucesso do plano.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Nádia Ferreira, o plano está estruturado sob três eixos temáticos: ordenamento territorial, controle ambiental e fomento a atividades produtivas sustentáveis, e inclui propostas para redução do desmatamento até 2012.

Ações ambientais articuladas entre as três esferas de governo são essenciais para desenhar o Brasil do século 21: mais verde, mais justo, mais sustentável.

Com mais 7 casos, número de mortes no país chega a 45

Governo recomenda a alunos com gripe que deixem de ir à escola

Wagner Gomes – O Globo

SÃO PAULO. Mais sete mortes por gripe suína foram confirmadas ontem no Brasil: quatro em São Paulo e três no Paraná (todas em Curitiba). Nem todas as vítimas tinham problemas de saúde que pudessem contribuir para o agravamento da doença. Agora, o número de mortos no país já chega a 45.

São 20 casos em São Paulo, 16 no Rio Grande do Sul, cinco no Rio e quatro no Paraná.

O Grupo Executivo Interministerial, integrado por 16 órgãos do governo federal, recomenda que todos os alunos com sintomas de gripe evitem retornar às aulas até estarem totalmente recuperados. As alterações nos calendários do ano letivo devem ser decididas por estados e municípios.

Em São Paulo, duas das mortes ocorreram em Osasco, onde já tinham ocorrido outros três óbitos por gripe suína. A prefeitura instalou três barracas do Exército em hospitais para atender a casos suspeitos.

No Rio Grande do Sul, 101 pessoas estão internadas em UTIs devido à gripe suína. Com as cinco mortes confirmadas no último domingo, o estado soma 16 óbitos. De acordo com números do governo, o Rio Grande do Sul tem pelo menos dez mil casos da doença, vivendo uma epidemia de gripe suína.

27 julho 2009

Pesquisa ratifica previsão de subida do nível médio do mar

Da Reportagem Local – Folha de São Paulo

Um modelo matemático independente, apresentado ontem por meio de um artigo científico na revista "Nature Geoscience", mostra que o nível médio do mar vai subir entre 7 e 82 centímetros até 2100, por causa das mudanças climáticas globais.

Os dados praticamente coincidem com as previsões feitas pelo IPCC, o painel do clima da ONU (Organização das Nações Unidas).

O estudo realizado por Mark Siddall (Observatório da Terra Lamont Doherty, EUA) e colaboradores é baseado nas oscilações do nível médio do mar ao longo dos últimos 22 mil anos.

A metodologia utilizada na pesquisa é diferente da empregada pelo IPCC, que não analisou um mesmo intervalo tão grande de tempo.

Pelos dados do painel internacional, a subida média do nível do mar ficará entre 18 e 59 centímetros. Essa alteração está atrelada a uma subida nos termômetros do planeta de 1 a 6C.

Dados divulgados no início deste ano mostram que a velocidade de subida do nível do mar, entre 1993 e 2008, foi quase o dobro daquela verificada na maior parte do século 20. Esses resultados não saíram de modelos, mas de medições reais.

O grupo que fez essas análises calcula que, até 2100, também por causa do aquecimento global, a linha d'água oceânica estará até 1,80 metro mais alta.

Rio Grande do Sul confirma mais 5 mortes pela nova doença

Estelita Hass Carazzai

Da Agência Folha

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul confirmou ontem cinco novas mortes causadas pela gripe suína. Com isso, o número de mortos pela nova gripe chega a 38 no país e a 16 no Estado. O Estado de São Paulo registra outras 16, Rio de Janeiro, cinco, e Paraná, uma.

Entre os cinco casos confirmados estão duas gestantes, uma diabética de 63 anos e um homem com problemas cardíacos. A quinta morte é de um homem de 20 anos, que não apresentava fatores de risco, segundo a Secretaria da Saúde. O Ministério da Saúde ainda não confirmou as mortes.

O secretário da Saúde do Estado, Osmar Terra, estima que 10 mil pessoas têm ou já tiveram a doença no Estado.

As cinco mortes confirmadas ocorreram entre o dia 16 e anteontem, em quatro cidades: Caxias do Sul (a 137 km de Porto Alegre), Passo Fundo (315 km), Uruguaiana (635 km) e Montenegro (71 km).

A Secretaria da Saúde informou que nenhum dos mortos esteve no exterior nem teve contato com viajantes.

Em Caxias do Sul, na serra gaúcha, a vítima foi um marceneiro de 36 anos, cardiopata, que morreu no dia 16. No mesmo dia, uma gestante de 31 anos, funcionária de um frigorífico, morreu em Passo Fundo. A cidade, no norte do Estado, também registrou a morte no dia 20 de outra gestante de 25 anos, técnica de enfermagem.

No caso das mulheres grávidas, a secretaria não informou o mês de gestação nem se os bebês sobreviveram.

A quarta morte ocorreu em Uruguaiana, no extremo sul do Estado, no dia 18 de julho. A vítima era uma mulher de 63 anos, aposentada e diabética.

A última morte foi registrada anteontem, em Montenegro. O homem, de 20 anos, morava em São Sebastião do Caí e trabalhava numa fábrica de calçados.

Terra disse que o Estado contará com o apoio de médicos e barracas do Exército a partir de hoje. O Estado pedirá ao Ministério da Saúde que suspenda a realização de cirurgias eletivas no SUS para liberar leitos para pacientes da gripe suína.