22 julho 2009

Marinha suspende aulas em escolas

O Dia

A Marinha suspendeu as aulas na Escola Naval e no Centro de Instrução Almirante Alexandrino, de formação de praças. A medida foi adotada devido ao crescimento do número de casos de militares com os sintomas de gripe. As aulas estão interrompidas até segunda-feira, quando será feita nova avaliação. Profissionais que trabalham na Escola Naval afirmam que há 34 pessoas com sintomas, o que não é confirmado oficialmente.

Ainda ontem, a instituição comunicou a morte do cabo Alexandre Pinto Ferreira, 35, sexta-feira, em consequência de uma parada cardiorrespiratória. Apesar de apresentar febre alta, tosse e secreção, a Marinha não informou se investiga se o cabo foi vítima de gripe suína. Ele integrava a tripulação do Navio-Escola Brasil, que estava atracado no Chile. Médicos tentaram reanimá-lo, mas ele não resistiu.

Inquérito foi aberto para apurar a morte.

Entre as 21 mortes confirmadas no Brasil, apenas uma foi registrada em paciente idoso: uma mulher de 68 anos, moradora de São Paulo. Para o infectologista Antônio Pignatari, do Hospital Nove de Julho, em São Paulo, o dado pode revelar a ocorrência do que os especialistas chamam de “proteção cruzada”. “Acredito que os idosos estão com uma certa proteção relacionada à vacinação contra a gripe sazonal”, diz o especialista.

Hoje, a Austrália realizará os primeiros testes no mundo de uma vacina contra a gripe suína. A empresa australiana CSL fará os experimentos com 240 voluntários com idades entre 18 e 64 anos.

Pandemia de gripe ameaça arrastar recessão para 2010

Assis Moreira, de Genebra – Valor

Uma pandemia da gripe A/H1N1 pode trazer deflação e retardar por um ou dois anos a recuperação da economia mundial, segundo diferentes estudos. Na Europa, governos e empresas se preparam para evitar um bloqueio brutal da economia se o vírus se propagar rapidamente.

Um estudo do Banco Mundial estima que o custo econômico da pandemia poderá variar de 0,7% a 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global, dependendo da gravidade da doença. A cifra menor leva em conta um cenário de "catástrofe modesta", como a epidemia de gripe de Hong Kong, de 1968/69, que matou cerca de 1 milhão de pessoas no mundo. A estimativa maior se refere à gripe espanhola de 1918-1919, que teria feito pelo menos 30 milhões de mortos.

No caso de uma gripe séria, 70% dos custos econômicos resultarão do absenteísmo e do esforço individual para evitar a infecção, segundo o banco.

Até agora, o maior custo econômico da epidemia se concentrou no México, segundo o Banco Mundial. O tráfego Aéreo e a ocupação dos hotéis caíram 80% no país. A receita do turismo desabou 43%. Na capital mexicana, a menor atividade de hotéis, restaurantes e transportes poderá reduzir o PIB em 2,2% no segundo trimestre.

Baseada ainda na experiência de pandemias anteriores e na evolução da gripe A, a consultoria britânica Oxford Economics estima que 30% da população do mundo contrairá o vírus. Nesse caso, o PIB mundial pode cair 3,8%, representando perda de US$ 2,5 trilhões. Isso representa um choque duas vezes mais severo que a recessão prevista para este ano pelo FMI.

A gripe A poderá afetar a economia tanto por efeitos de oferta como de demanda, nota a consultoria britânica. A infecção e as mortes implicam que os empregados não serão capazes de ir para o trabalho, que as pessoas evitarão espaços públicos como aeroportos, estações de trem, restaurantes, cinema e shopping centers.

Na prática, a gripe A ameaça empurrar a economia mundial para a deflação, declínio geral de preços causado pela baixa da produção e da atividade em geral, alerta a consultoria. Quando as pessoas cortam suas despesas, ou hesitam em investir, as forças da deflação surgem mais fortemente e, entre as consequências, estão mais desemprego e menos consumo.

No Reino Unido, a combalida economia pode sofrer contração de 4,5% este ano, a maior queda desde 1945, segundo um centro de estudos, The Ernst & Young Item Club. Se o pior cenário da pandemia da gripe se concretizar, a contração pode ser 1,2 ponto percentual superior em 2010.

A inquietação sobre o impacto econômico da gripe A aumenta na Europa também. Governos criam "células de continuidade econômica" para garantir atividades centrais, como bancária e financeira, distribuição, comunicações eletrônicas, correios etc.

A France Telecom, por exemplo, prepara a encomenda de 40 milhões de máscaras para duas semanas de uso por seus funcionários. Outras empresas preparam um cenário em que trabalhadores terão de dormir nas fábricas. Na Suíça, a companhia ferroviária elabora um plano para não faltar condutores.

As autoridades sanitárias insistem que não há razões, por enquanto, para pânico. Mas há o temor de que a gripe volte firme agora no segundo semestre.

A Organização Mundial da Saude (OMS) contabiliza até agora 700 mortes de gripe A. Mas a gripe normal, que ocorre todo ano, mata entre 200 mil e 1,5 milhão de pessoas por ano. Em caso de pandemia séria, porém, a estimativa é que em muitos países 1 em cada 40 pessoas pode morrer.

Cientistas notam que as populações mais jovens e pessoas com doenças crônicas são as mais vulneráveis, em parte porque até 33% das pessoas com mais de 60 anos ou mais parecem ter alguma imunidade contra a gripe A.

Influenza sazonal continua matando mais

Emilio Santanna – O Estado de São Paulo

Enquanto as mortes por gripe suína no Brasil se concentram principalmente em pacientes jovens e adultos, o perfil dos óbitos da influenza sazonal é o oposto. Os idosos são tradicionalmente a população mais atingida. Entre os que têm mais de 80 anos, o risco é maior.

Um estudo do Ministério da Saúde aponta para a tendência de crescimento das mortes em decorrência da gripe e fatores e causas relacionadas, como a pneumonia, em idosos com mais de 80 anos. De acordo com a pesquisa, as pessoas com mais de 80 anos chegam a apresentar um risco de morte cerca de 12 vezes maior do que a população entre 60 e 69 anos.

O estudo analisou 579.951 óbitos por gripe e causas associadas (pneumonias, bronquites e obstruções respiratórias) entre 1992 e 2005. O aumento médio do risco foi de 2,5 óbitos por mil idosos em 1992 para 3,3 em 2005.

Mesmo em meio à epidemia de gripe suína, o perigo da influenza sazonal não pode ser esquecido, dizem os especialistas. "A maior parte dos casos que continuam chegando aos hospitais é de gripe sazonal", diz o infectologista Antônio Pignatari, do Hospital Nove de Julho.O infectologista chama a atenção para o perigo que a doença continua representando. "Não é possível que não tenhamos nenhuma morte por gripe sazonal", diz.

Segundo o secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, as mortes por gripe suína neste ano são menores dos que as registradas por gripe sazonal no mesmo período de 2008.

No mundo, mais de 740 óbitos

Pelo menos 300 registros foram nos últimos 15 dias

Jamil Chade, GENEBRA – O Estado de São Paulo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirma a morte de mais de 740 pessoas em razão da gripe suína - um aumento de 300 registros em 15 dias. A propagação do vírus A(H1N1) faz com que países europeus preparem grandes campanhas de vacinação. A esperança é de que a vacina chegue antes do próximo inverno. No total, os governos de países ricos encomendaram US$ 4,3 bilhões em vacina.

A OMS deixou de contar cada caso, pois mais de 1 milhão de pessoas teriam sido infectadas pela nova gripe. Os últimos dados da entidade revelam que seriam "mais de 100 mil", mas admitiu que a disseminação estava ocorrendo a um ritmo "sem precedentes". O último balanço, do dia 6, indicava 429 mortes.

Em estudo publicado na semana passada, a OMS alerta que os principais grupos de risco não são os mesmos da gripe sazonal e que, portanto, as prioridades em termos de vacinação não seriam as mesmas. Um dos destaques é o alto número de adultos até 50 anos e saudáveis. Esse grupo responderia por mais da metade das mortes. A gripe sazonal atinge crianças e, principalmente, idosos.

Obesos, pessoas com problemas respiratórios e grávidas são grupos de risco, e o Reino Unido chegou a sugerir que gestantes deixem de viajar. "Cada governo terá de optar como vai querer priorizar a vacinação", disse Marie-Paule Kieny, diretora de vacinas da OMS.

Na França, as autoridades já compraram 94 milhões de doses para seus 64 milhões de habitantes. No Reino Unido, são 60 milhões de doses para 61 milhões de habitantes. Na Alemanha, com 80 milhões de pessoas, 50 milhões de doses foram compradas.

"O vírus já não pode ser detido e todos os necessitarão de vacina. Virtualmente, os 6,8 bilhões de habitantes do planeta poderão ser infectados", disse o porta-voz da OMS, Gregory Hartl. A entidade insiste que, apesar da alta velocidade de disseminação, o vírus atua de forma suave na maioria dos casos e muitos sequer sabem que foram contaminados.

Enquanto isso, segundo o Financial Times, empresas que produzem antivirais e vacinas devem anunciar lucros em seus próximos balanços, mesmo diante da recessão econômica.

SP confirma mais 6 mortes por gripe suína

No Rio, 4 pessoas são internadas no Hospital do Fundão com suspeita da doença, sendo uma em estado gravíssimo

Maria Elisa Alves, Wagner Gomes e Carlos Souza – O Globo

SÃO PAULO, RIO e PORTO ALEGRE. Foram confirmadas ontem mais seis mortes por gripe suína somente no estado de São Paulo, além de uma no Paraná, elevando para 22 o total de óbitos no país (11 no Rio Grande do Sul, nove em São Paulo, um no Paraná e um no Rio). Entre as novas mortes em São Paulo, quatro são de moradores da capital, uma de um morador de Campinas e outra de uma moradora de Osasco. As vítimas paulistas são cinco mulheres - de 68, de 44, de 26, de 23 e de 27 anos, esta última grávida - e um homem de 50. O bebê da grávida foi salvo. A primeira morte no Paraná, em Indaiatuba, foi de uma mulher também de 23 anos.

No Rio, mais quatro pessoas com suspeita da doença foram internadas, entre segunda-feira e ontem, no Departamento de Doenças Infectocontagiosas do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Fundão. O estado de uma delas, segundo a chefe do serviço, Regina Moreira, é gravíssimo. O hospital não informou idade ou sexo das vítimas.

Padre gaúcho tira até pia de água benta de igreja

Por precaução, colégios da Marinha como o Centro de Instrução Almirante Alexandrino e a Escola Naval anteciparam as férias nos cursos de formação, programadas para 27 de julho.

Em Niterói, o menino de 12 anos internado em estado grave na UTI do Hospital Santa Cruz está melhorando, segundo a Secretaria de Saúde local, mas ainda respira com auxílio de aparelhos.

Na cidade gaúcha de Passo Fundo, onde dois homens morreram com a gripe, duas grávidas morreram com suspeita da doença e outras sete pessoas estão internadas com sintomas, medidas drásticas foram tomadas para evitar o contágio: o pároco local mandou retirar a pia de água benta da catedral; o presídio limitou a visita aos presos a um parente, a fim de evitar aglomerações; e, na universidade, as formaturas marcadas para os próximos dias não acontecerão em grandes cerimônias solenes, mas sim nos gabinetes de cada faculdade. O reinício das aulas do segundo semestre foi adiado em uma semana. Uma mulher de 25 anos que deu à luz há poucos dias na cidade morreu ontem com suspeita da doença.

A Organização Mundial de Saúde informou que a gripe suína já provocou mais de 700 mortes no mundo e que está se propagando no nível internacional a uma velocidade sem precedentes, segundo o site do jornal espanhol "El País". Em todos os prognósticos, o outono no Hemisfério Norte vai elevar o número de contágios, mas vários países já começaram a se preparar com reservas de antirretrovirais. O último balanço publicado no site da OMS, em 6 de julho, mostrava 429 mortos pelo vírus H1N1. Embora a vacina contra a gripe ainda não esteja pronta, alguns países já planejam campanhas de vacinação.

Autoridades francesas compraram 94 milhões de doses, suficientes para imunizar mais de 70% da população. O Reino Unido comprou, até agora, 60 milhões de doses, suficientes para quase a metade da população.

Segundo a agência France Press, o governo egípcio recomendou aos peregrinos muçulmanos mais vulneráveis, como grávidas e idosos, que evitem ir a Meca este ano por causa da nova gripe. O país registrou domingo a primeira morte por gripe suína.

Segundo a Reuters, cinco integrantes do Royal Ballet de Londres voltaram de Cuba – onde fizeram cinco apresentações na semana passada, pela primeira vez - com o vírus, mas já se recuperaram.

COLABOROU Paulo Marqueiro

21 julho 2009

Febre amarela coloca três cidades em risco

Zero Hora

Três municípios passaram a integrar a lista de risco da febre amarela após a confirmação de que um macaco morreu da doença, no final de abril, em Triunfo.

As secretarias de Saúde de Triunfo, Montenegro e Nova Santa Rita começaram a vacinar toda a população no final de semana. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, com os três municípios, o número de cidades consideradas áreas de risco passa para 293 no Estado.

O macaco infectado foi encontrado na localidade de Vendinha, em Triunfo. O resultado do laudo chegou há cerca de uma semana.

Situação de emergência

Correio Braziliense

As prefeituras de Uruguaiana, na fronteira com Argentina, e de Barra do Quarai, na fronteira com Uruguai, decretaram situação de emergência para enfrentar possíveis surtos da gripe provocada pelo vírus A (H1N1) em seus territórios. Em São Gabriel e Itaqui, outros dois municípios do Rio Grande do Sul que haviam recorrido à mesma medida em junho, os decretos já foram revogados.

O prefeito de Uruguaiana, Sanchotene Felice, que assinou o decreto no domingo, justificou sua decisão pela previsível necessidade de agilizar a compra de medicamentos e equipamentos e contratação de médicos e pessoal de apoio se a demanda pelos serviços de saúde seguir em alta nos próximos dias. A média diária de atendimentos na rede municipal saltou de 300 para 800 nos últimos dias. O município de 133 mil habitantes, principal porta de acesso da Argentina ao Brasil, já registrou três óbitos.

Em Barra do Quarai, o decreto foi assinado pelo prefeito Maher Jaber (PT) ontem. Ele também explicou sua decisão pela necessidade de reforçar o atendimento de saúde básica no município de 4 mil habitantes, que transitam para Uruguaiana, a 60 quilômetros, e também para a Argentina e para o Uruguai, países com os quais faz fronteira. No posto de saúde de Quarai, a média de atendimentos subiu de 25 para 80 por dia.

Já adaptada aos novos protocolos do Ministério da Saúde, a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul entrou na segunda fase do combate à gripe suína. A prioridade não é mais a contenção, mas a ampliação do sistema de atendimento e, sobretudo, a qualificação da assistência aos casos graves. Os testes para a confirmação da doença passarão a ser feitos apenas para os pacientes internados.

TIRA-DÚVIDAS

Autor do livro A história da humanidade contada pelos vírus, o infectologista Stefan Cunha Ujvari responde algumas perguntas enviadas pelos leitores por e-mail. Veja abaixo as respostas.

1. Em quais situações o uso da máscara é indicado?

Apenas ao chegar perto de um paciente com gripe, sendo que “perto” significa menos de 1m de distância. Em ambiente aglomerado, ainda não temos uma epidemia tão intensa que indique a necessidade de máscara. Portanto, apenas ao chegar a menos de 1m da pessoa gripada. Vale lembrar que a máscara deve cobrir o nariz e a boca. Ao ser retirada, deve-se lavar a mão.

2. Quem já pegou a gripe suína e se curou fica imune?

Neste momento, fica imune ao vírus da gripe suína, porém, não sabemos ainda se o vírus circulará muito tempo e se retornará no ano que vem com mutação que faça as pessoas se tornarem novamente susceptíveis. A mutação não significa que o torna mais agressivo. É muito raro isso acontecer.

3. É perigoso comer carne de porco?

Não há qualquer relação.

4. Até que ponto o álcool em gel protege?

Álcool em gel com concentração de álcool de até 70% é tão eficaz quanto lavar as mãos com sabonete. Portanto, o álcool em gel 70% substitui a lavagem das mãos. Nesse caso, é aplicado nas mãos e o ideal é esfregá-las até secar. Esse processo deve durar cerca de 20 a 30 segundos.

5. O isolamento do paciente doente funciona?

Funciona muito para conter a epidemia em casa. O gripado deve ficar em um quarto específico para ele na casa, com janelas e portas abertas para ventilar o ambiente. Os objetos pessoais devem ser apenas do paciente doente. Deve-se tossir e espirrar em um lenço descartável e lavar as mãos logo em seguida. O quarto deve ser limpo regularmente.

6. Uma gripe normal pode se transformar em gripe suína?

Não. São dois vírus influenza geneticamente diferentes.