10 julho 2009

Gripe suína: Sete dias longe do trabalho

Para prevenir a propagação do novo vírus, governo recomenda quarentena a quem tiver gripe de qualquer tipo

POR PÂMELA OLIVEIRA, RIO DE JANEIRO – O Dia

Brasília - Qualquer pessoa com diagnóstico de gripe (mesmo sem saber se é a suína) deve fazer quarentena voluntária por 7 dias — o que significa ficar longe do trabalho ou escola —, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Gerson Penna.

A recomendação do órgão federal é que, ao sentir sintomas gripais — como tosse e febre ou febre e dor de garganta — o cidadão procure seu médico, da rede pública ou particular. O profissional de saúde irá constatar, através de exame clínico comum, se o paciente está ou não gripado, e tem orientação do governo a dar o atestado médico em caso positivo.

O teste de sangue para verificar se o vírus é o da gripe suína não será feito, por determinação do Ministério da Saúde, uma vez que os laboratórios governamentais que o fazem estão sobrecarregados. Só serão analisadas amostras de pacientes com sintomas muito graves de gripe, que estejam necessitando ser hospitalizados.

A quarentena mesmo em caso de sintomas leves, segundo Penna, tem por objetivo evitar a possibilidade de propagação da gripe suína. “Como os sintomas da gripe A (suína) e da gripe sazonal (comum) se confundem, e a letalidade de ambas é igual, a recomendação é que as pessoas procurem seus médicos. A recomendação para evitar o agravamento do caso e a disseminação da doença é ficar em casa por sete dias”.

O secretário explicou que nos casos graves de gripe suína pode haver mutação do gene. “Por isso exames serão restritos a estes casos. Teste de diagnóstico não interfere no tratamento, mas na vigilância”.

OUTRA ESCOLA SEM AULA

Questionado sobre a atitude dos EUA, que por considerar a propagação do vírus inevitável tem mantido escolas e empresas funcionando mesmo com casos de gripe, Penna disse que cada país tem independência para definir orientações. No Rio, o Colégio Marista São José, na Tijuca, informou em comunicado no seu site, ontem, que decidiu suspender aulas da semana que vem, como medida preventiva. Mais de 3 alunos por turma de algumas séries têm sintomas gripais.

Doente não pode ir direto ao Fundão

 Hospitais de referência para tratamento de gripe suína passarão a atender somente pacientes com encaminhamento de outras unidades de saúde, públicas ou privadas. Isso significa que não adiante procurar por conta própria os hospitais de referência, que no Rio são Fundão, Iaserj, Hospital Evandro Chagas e Hospital Pedro Ernesto.

A recomendação é do Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância de Influenza do Ministério da Saúde. Além de terem de ser recomendados, os pacientes devem preencher critérios de risco para complicações por gripe: ter mais de 60 anos, câncer, Aids ou usar droga imunossupressora.

O grupo também inclui gestantes e pessoas com doenças crônicas, como hemoglobinopatias, diabetes, cardiopatias, pneumopatias e doenças renais.

09 julho 2009

Niterói registra mais dois casos de gripe suína no município

Luiz Gustavo Schmitt – O Fluminense

O número de casos confirmados de gripe suína em Niterói chegou a oito, ontem, com a divulgação de mais dois casos. O surgimento de novas pessoas infectadas levou escolas particulares a tomarem medidas de precaução contra o vírus. Após a escola Me Ninar, em Itaipu, ter antecipado as férias dos alunos desde terça-feira, colégios como o São Vicente de Paulo, em Icaraí, orientam professores a dar aulas com ar-condicionado desligado mantendo janelas e portas abertas.

De acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio (Sinepe-RJ) – que abrange Niterói, Itaboraí e Maricá, entre outras cidades, até agora, com exceção da escola Me Ninar, nenhum outro colégio da região teve que liberar os alunos para as férias mais cedo.

Como medida de esclarecimento, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) vai enviar uma carta técnica às instituições de ensino amanhã, com diretrizes do Ministério da Saúde sobre os riscos de transmissão da nova gripe.

"Por enquanto, os casos confirmados em Niterói apresentam quadro clínico leve. Quanto à escola de Itaipu, em que os alunos foram liberados para férias, agimos dessa forma por medida de prevenção. Vale ressaltar que até agora o nível de letalidade dessa gripe é menor do que o de uma influenza comum", explicou o secretário de Saúde, Alkamir Issa.

Informativo - No Colégio São Vicente, informativos sobre a doença foram colocados nos murais. Segundo a coordenação, na próxima segunda-feira haverá uma palestra sobre o tema. A finalidade é conscientizar as pessoas que viajam para o exterior – sobretudo para os países mais afetados, como Argentina e México. Na semana passada, a escola enviou uma circular aos representantes dos alunos com informações sobre os riscos e solicitando que os viajantes fiquem dez dias em casa, apenas como prevenção.

"Aprovo a atitude da escola, de enviar a circular e promover debates. O esclarecimento sempre é benéfico. Na circular, pediram para tomar cuidado com as viagens e manter as crianças em observação. Se todos fizerem isso, tudo ficará tranquilo", opinou Maria Genésia Santana, 70 anos, avó de Pedro, aluno do colégio.

"Estou preocupada sim, mas não há motivos para pânico", disse a mãe de duas alunas da instituição, a médica Simone Sardemberg. (Colaborou Caroline Durand)

País já tem 977 casos de gripe suína

Ministério da Saúde diz que 57% se infectaram no exterior; Rio tem 102 ocorrências

Em dois dias, o Brasil confirmou mais 72 casos de gripe suína, elevando para 977 o total de casos no país. O estado que teve maior número de novos doentes foi São Paulo, com 42 ocorrências. O Rio de Janeiro registrou 11, passando a contabilizar 102 ocorrências. O Rio Grande do Sul apresentou 7 novas notificações e a Bahia, 3. Maranhão e Pernambuco têm dois casos novos cada, e Acre, Ceará, Paraná, Paraíba e Rio Grande do Norte têm um cada.

Dos 977 casos confirmados, 563 (57,6%) foram de pessoas que se infectaram no exterior e 278 (28,5%) de transmissão autóctone, ocorrida dentro do território nacional. Outros 136 casos permaneciam em investigação. Os casos foram importados, principalmente, da Argentina, Estados Unidos e Chile.

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, garantiu que todos os casos autóctones têm vínculos epidemiológicos com pacientes procedentes do exterior. Por isso, o Ministério da Saúde considera que, até o momento, a transmissão no Brasil é limitada.

De acordo com o Ministério da Saúde, praticamente todos os pacientes com gripe suína já receberam alta ou estão em processo de recuperação. Mas este não é o caso de um paciente de Minas Gerais, internado no Hospital das Clínicas (HC), em Belo Horizonte. Ele apresentou piora no quadro respiratório e, de acordo com o boletim médico, seu estado é gravíssimo. Em isolamento hospitalar há mais de uma semana, o homem respira com ajuda de aparelhos.

No último domingo, a seleção feminina de handebol volta do Chile, onde foi disputar o PanAmericano, com duas integrantes com sintomas da nova gripe. A armadora Mayara e a fisioterapeuta Ana Sheila estão em observação e aguardam resultado dos exames. Mayara mora no interior do Paraná, onde o governador Roberto Requião decidiu adotar, junto dos governadores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, estratégias unificadas contra a gripe A. Uma das medidas planejadas é a implantação de observatórios nos estados para impedir a propagação da nova gripe. Esses sistemas de vigilância sanitária devem ser montados nas áreas de fronteira com Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. No Rio Grande do Sul, o Exército vai ajudar a reforçar o controle sanitário contra a gripe suína nas fronteiras com o Uruguai e a Argentina.

07 julho 2009

Exército combaterá gripe suína na fronteira

Nos postos entre Brasil e Argentina, soldados vão ajudar na orientação aos viajantes e na entrega de declarações de saúde

País já soma 905 casos confirmados da doença; balanços divulgados pelo ministério passarão de diários para semanais

PABLO SOLANO

RODRIGO VIZEU

DA AGÊNCIA FOLHA

O Exército vai enviar militares a postos de fronteira no Rio Grande do Sul para ajudar no combate à gripe A (H1N1), conhecida como gripe suína.

Uma força-tarefa com a participação de militares e funcionários das prefeituras e do governo do Estado pretende monitorar a circulação de viajantes em 14 pontos por onde passam pessoas vindas da Argentina e do Uruguai.

Os soldados devem atuar apenas na orientação aos viajantes e na distribuição de declarações de saúde.

Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército disse que as ações a serem desenvolvidas em apoio à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estão em "fase de planejamento".

O Comando Militar do Sul também foi autorizado pelo Ministério da Defesa a colaborar em ações na fronteira em Santa Catarina e no Paraná.

De acordo com o secretário da Saúde do RS, Osmar Terra, os militares devem reforçar o trabalho em cidades como Porto Mauá (581 km de Porto Alegre), onde a prefeitura tirou um enfermeiro da rede de atendimento local para distribuir panfletos e máscaras no atracadouro da balsa vinda da Argentina, pelo rio Uruguai.

Mutações

O epidemiologista Pedro Tauil, da UnB (Universidade de Brasília), disse que o reforço no controle de fronteiras é importante para diminuir a probabilidade de o vírus sofrer mutações. "A cada novo infectado, o vírus se replica e há a chance de mutação, aí você pode ter um vírus mais ou menos letal."

Na Argentina, a associação de empresários do setor teatral anunciou que os espetáculos serão suspensos por dez dias, após a queda de público.

Novos casos

O Ministério da Saúde confirmou ontem 20 novos casos da doença. O país soma agora 905 casos -a maioria já teve alta ou está em recuperação.

Ontem, o ministério anunciou que o balanço de novos casos passará a ser divulgado apenas uma vez por semana a partir do dia 12 - até agora, os balanços eram diários. Nesta semana, serão divulgados balanços amanhã e na sexta-feira.

O ministério alegou que a mudança vai adequar o monitoramento ao novo protocolo para a gripe suína, alterado na última sexta-feira. A partir de agora, o encaminhamento a hospitais de referência e os exames de confirmação só serão adotados se o médico avaliar que o quadro é grave ou que o paciente é de risco.

O ministério informou que, com o balanço semanal, a área técnica terá mais tempo para analisar os dados. Um dos fatores que influenciou na decisão, de acordo com o órgão, foi a perspectiva de aumento do número de casos por conta do inverno e do período de férias.

Colaborou a Sucursal de Brasília

Mancha de óleo misteriosa na Baía

Técnicos do Inea fazem inspeções para descobrir origem do vazamento

Jacqueline Costa – O Globo

As águas da Baía de Guanabara amanheceram ontem manchadas de óleo, nas proximidades da Ponte RioNiterói. Uma das manchas se estendeu da altura do vão central até base naval da Ilha de Mocanguê, área com grande fluxo de embarcações. Através de nota, o Comando do 1º Distrito Naval disse que as manchas não são provenientes de navios da Marinha. A Capitania dos Portos do Rio de Janeiro enviou uma lancha ao local e recolheu amostra do material para análise. A Marinha não identificou a origem do vazamento.

Segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), o Plano de Emergência para a Baía de Guanabara foi acionado e técnicos do serviço de poluição acidental fizeram, ontem à tarde, inspeções nas empresas localizadas no entorno da baía para verificar a origem do problema. Também não conseguiram identificar o local de onde surgiram as manchas.

De acordo com o Inea, hoje será feito um sobrevoo para verificar se as manchas foram dissipadas. Ainda no fim da tarde de ontem, a quantidade de óleo na água já havia diminuído consideravelmente, resultado da evaporação do combustível.

Um dos maiores vazamentos da Baía de Guanabara aconteceu na madrugada de 18 de janeiro de 2000. Cerca de 1,3 milhão de litros de óleo de um duto da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) transformaram a paisagem do local. O derramamento comprometeu a pesca em diversos pontos da baía, como a Ilha do Governador, Magé e São Gonçalo. Em poucas horas, praias, manguezais e a fauna da região sucumbiram à contaminação. Aves agonizaram na areia.