03 julho 2009

O biodiesel que vem da água

Estudos apontam vantagens do uso de microalgas



Pesquisadores trabalham no uso de microalgas como fonte de biocombustível. Um experimento do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) descobriu que algumas microalgas encontradas no litoral do Brasil têm capacidade para produzir pelo menos 40 mil litros de biodiesel por hectare por ano. Esses estudos vêm apontando que a produtividade das microalgas é superior a qualquer outra matriz vegetal conhecida. Responsável pela pesquisa, o biólogo Sérgio Lourenço afirma que dependendo da espécie e da técnica de cultivo, os valores podem chegar a 100 mil litros por hectare por ano.

Mas o rendimento por área não é a maior vantagem. As microalgas são cultivadas em meio líquido, não exigem terras férteis. Os insumos necessários são água, luz e nutrientes.

Segundo o pesquisador, as microalgas são os organismos fotossintetizantes mais eficientes conhecidos. Isso quer dizer que usam a luz do sol para converter CO2 e água em biomassa. A captura de gás carbônico da atmosfera é outro benefício. Quando o biodiesel for queimado, haverá geração de CO2, mas apenas o que já estava circulando na atmosfera.

Esse potencial para a produção de biodiesel ocorre, entre outros fatores, porque são organismos unicelulares e como não têm caule, raízes, folhas e flores, toda a biomassa é aproveitada. A esperança sobre essa possibilidade é grande, embora os custos de produção sejam muito altos. Para a extração do óleo, o pesquisador afirma que podem ser usadas as mesmas usinas que beneficiam o óleo de grãos, com algumas adaptações.

– As microalgas vão entrar na matriz energética do mundo, mas é difícil prever quando – diz Lourenço, explicando que o cultivo pode ocorrer em sistema aberto ou fechado.

É certo que a crise mundial deu uma freada nos investimentos em torno do assunto. Mesmo assim, o pesquisador aguarda para breve investimentos da Petrobras junto aos trabalhos da UFF. Porém na área da aviação existem boas perspectivas para o uso de microalgas para a produção de bioquerosene.

Hermanos em pânico

Correio conversa com residente em hospital de Buenos Aires, que relata a situação no país



Alana Rizzo

Com os termômetros registrando temperaturas abaixo de zero, o vírus H1N1 se alastra por Buenos Aires e seus arredores, deixando os hermanos assustados. Escolas suspenderam as aulas, grávidas foram dispensadas do trabalho e até a Suprema Corte adiantou o recesso com medo da gripe suína. Máscaras e álcool em gel sumiram das prateleiras das farmácias. O governo da capital decretou, na quarta-feira, emergência sanitária por 90 dias. Desde então, algumas medidas já foram adotadas.

Entre elas a redução da burocracia para a compra de insumos e a contratação temporária de pessoal para as unidades de saúde. O Ministério da Saúde confirma pelo menos 44 mortes e 1.587 casos no país. O 0800 do governo argentino, para tirar dúvidas sobre a doença, já recebeu 33.985 chamadas.

Ontem, o Correio Braziliense conversou, por telefone, com a residente de medicina Paula Roumieo. Ela trabalha em um hospital na Grande Buenos Aires e está assustada com a mudança na rotina de trabalho da unidade de saúde. Profissionais usam duas máscaras cirúrgicas e trocam a cada três horas para evitar o contágio. Leitos estão lotados e o fluxo de pacientes é intenso. Somente em um plantão, Paula conta que mais de 400 pessoas foram atendidas e quase a totalidade apresentava sintomas de gripe, como febre de mais de 38º, dores no corpo, coriza.

“O governo demorou muito para tomar as medidas primárias”, critica a residente. O México, onde foi identificada a primeira vítima da doença no mundo, deveria, segundo ela, ter sido usado como modelo. “Lá, eles conseguiram evitar a disseminação do vírus”, diz, citando como exemplo, o fechamento de serviços não essenciais, de museus, cinemas e até mesmo do comércio por cinco dias. A orientação do governo mexicano — que só agora foi adotada pelo argentino — era de que os moradores evitassem sair de casa. “O ideal mesmo é não ficar doente. Se isso não acontecer, é importante procurar logo um médico e começar o tratamento”, diz Paula, alertando para a falta de informação das pessoas. A dica da argentina para os brasileiros que pretendem visitar o país vizinho é cautela. Especialmente, para quem pretende ficar em Buenos Aires e tem baixa imunidade.

Dados do Ministério da Saúde da Argentina mostram que o problema está concentrado na capital e nos arredores. Dos registros de internação, 95% das pessoas moram nessa região. Mas o medo também toma conta do interior. Operadores de agências de turismo decidiram remarcar para depois de 21 de julho as viagens para Bariloche e para Rio Negro. Os dois destinos são bastante procurados nesta época do ano por estudantes secundaristas que estão formando.

O NÚMERO

Dois países, duas medidas

737 casos confirmados da doença no Brasil
1 morte, no Rio Grande do Sul
1.587 casos da doença na Argentina
44 mortes confirmadas em território argentino

Preocupação na fronteira

A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçaram as ações de combate e prevenção ao vírus influenza H1N1 na fronteira do Brasil com Argentina e Uruguai. Os profissionais que atuam nos sete postos de controle da agência na região vão receber apoio de outros oito pontos nas cidades brasileiras que ficam na área. Para entrar no Brasil, caminhões, táxis, ônibus e veículos particulares são revistados. Além da análise dos documentos, é passada a recomendação de que motoristas e passageiros usem máscaras para atravessar a fronteira.

O Ministério da Saúde informou que foram confirmados 44 novos casos de gripe suína no Brasil. Os pacientes são dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Santa Catarina. No total, já foram registrados 737 casos confirmados de infecção pelo vírus A (H1N1) desde 8 de maio. Em Manaus, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, informou que, nos próximos 15 dias, mais três laboratórios no país passarão a fazer testes de diagnóstico da gripe.

Navio traz paciente com malária ao porto do Rio



Um navio vindo da África aportou no Rio com um tripulante contaminado pelo protozoário da malária.

A embarcação atracou no porto na noite de quarta-feira, e o comandante teria escondido o doente, mas a Vigilância Sanitária chegou ao marinheiro por uma denúncia. Para especialista, não há risco de contágio.

De acordo com o Sindicato dos Estivadores e Trabalhadores em Estiva de Minérios do Rio de Janeiro (Setem-RJ), a embarcação era fretada pela Wilson Sons Agência Marítima e começou a ser descarregada na manhã de ontem. Os estivadores perceberam que a tripulação do navio escondia algo, e, logo em seguida, uma bandeira amarela foi erguida. O sinal indica doença infecciosa a bordo.

A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes dos Trabalhadores Portuários pediu à Vigilância Sanitária para fazer uma vistoria. O grupo encontrou o doente e confirmou o caso de malária. Os outros tripulantes fizeram exame de sangue e, pelos resultados, não foram infectados.

Segundo a Anvisa, o comandante e a empresa que fretava o navio receberão um auto de infração por esconderem o caso. O valor só será estipulado ao final do processo.

De acordo com o infectologista da UFRJ Edimilson Migowski, a presença do doente não representa risco de contaminação a outras pessoas. Ele disse que a malária é uma doença endêmica no Norte e é comum pessoas retornarem da região com a enfermidade. Migowski julga o isolamento e hospitalização eficazes no tratamento dos doentes.

Rio Grande do Sul registra 16 casos em um dia

Triagem de pacientes é feita em containers e barracas militares



Carlos Souza
Porto Alegre

Cerca de 850 pessoas já passaram pela triagem que está sendo feita em um container em frente ao Hospital Conceição e em duas barracas da Aeronáutica armadas diante do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. O objetivo é evitar que as pessoas com suspeita de gripe A procurem os setores de emergência dos hospitais. Ontem, no município de Caxias do Sul, o Hospital Geral instalou uma unidade de saúde em um ônibus também para a triagem de pacientes.

Boletim divulgado ontem pela Secretaria estadual da Saúde indica que o Rio Grande do Sul contabiliza 106 casos confirmados da gripe A, ou seja, 16 a mais que os 90 registrados na quarta-feira.

Os casos suspeitos somam 192.

Segundo os dados mais recentes do Hospital Conceição, 807 pessoas buscaram informações ou foram examinadas para detectar a doença no container instalado pela instituição no último dia 25. Do total, apenas 59 tiveram que fazer exames, como coleta de secreção nasal, para confirmar a presença do vírus.

Até o meio da tarde de ontem, 39 pessoas haviam sido atendidas nas barracas militares, mas somente duas tiveram que fazer exames específicos para confirmar a gripe A. Uma delas é uma criança de 3 anos que chegou, segunda-feira, da Espanha com sintomas da doença. O vice-presidente médico do Hospital de Clínicas, Sergio Pinto Ribeiro, elogiou o atendimento nas barracas que, segundo ele, é mais rápido e evita que os casos suspeitos cheguem à emergência, o que reduz o risco de contaminação de outros pacientes.

30 junho 2009

Cheia recorde do rio Negro faz Iranduba (AM) decretar calamidade pública


KÁTIA BRASIL
da Agência Folha, em Manaus

A cheia do rio Negro, que já atingiu o maior nível da história em Manaus, levou um município do Amazonas a decretar estado de calamidade pública. Iranduba (região metropolitana de Manaus), de 33 mil habitantes, tem 1.200 desabrigados, segundo a prefeitura.

O prefeito Raimundo Nonato Lopes (PMDB) afirmou que 41 escolas de Iranduba tiveram as aulas suspensas e servem de abrigos. Os prejuízos na agricultura e nas olarias somam R$ 1,5 milhão.

Na região, a situação é mais grave no distrito de Cacau Pirêra. A situação obrigou a instalação de 6 km de passarelas de madeira sobre áreas inundadas para que a população possa se locomover pelas ruas.

O decreto de calamidade pública, do último dia 17, ainda não foi homologado pelo governo estadual.

Recorde

Desde março, os rios da bacia amazônica estão com suas cotas altas. Nesta segunda-feira, o rio Negro atingiu o nível de 29,75 metros, um novo recorde, e continua subindo um centímetro por dia, mesmo sem chuvas. O nível considerado normal nesta época do ano é de 27,76 metros.

Em Manaus, onde já foi decretada situação de emergência, a cheia do Negro afeta 18 mil pessoas. Há 73 famílias desabrigadas. No centro da cidade, a água inundou o prédio centenário da Alfândega, órgão responsável pelo despacho aduaneiro das indústrias da Zona Franca de Manaus.