25 junho 2009

Gripe suína fecha o Santo Inácio

Colégio suspende aulas por uma semana, depois de alunos terem diagnóstico confirmado

O Colégio Santo Inácio, em Botafogo, suspendeu as aulas de todas as séries depois que dois alunos tiveram casos confirmados de gripe suína. Outros dois estudantes estão sob suspeita, à espera de confirmação de diagnóstico. O afastamento atinge um total de 4.900 alunos e mais de 500 profissionais – entre professores e funcionários. A previsão é que as aulas sejam retomadas na terça-feira. A Escola Parque, na Gávea, também tem um aluno do 9º ano com caso confirmado.

A decisão do Santo Inácio de suspender as aulas de todas as séries ocorreu à tarde, com a suspeita de um novo caso da nova gripe no 3º ano do ensino médio. De manhã, a direção do colégio havia suspendido as aulas de todas as turmas do 7º e do 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio, depois que dois estudantes tiveram o diagnóstico da doença confirmado e um estava à espera de diagnóstico. A decisão de suspender as aulas para todos os alunos se deveu à pressão dos pais.

– Não sei se avisaram ao vírus da gripe suína que só os alunos de algumas séries correm o risco de pegar a doença. Por isso, como tenho quatro filhos no colégio, em séries diferentes, vou deixar todo mundo em casa – diz o coordenador editorial da Editora Record, Sérgio França.

Máscaras

Por precaução, alguns alunos que estudam no turno da tarde foram para escola usando máscaras. O colégio Santo Inácio informou que, seguindo orientação das autoridades de saúde pública, interditou áreas de uso comum, como laboratórios e salas de informática. As salas de aula estão com as portas e janelas abertas e com os aparelhos de ar condicionado desligados. Os alunos adoentados estão sendo tratados em casa.

A escola informou que os infectados com o vírus H1N1 são uma aluna do 1º ano do Ensino Médio que teria contraído a doença durante uma viagem aos Estados Unidos, onde participou de um festival de dança; e um aluno do 9º ano do ensino fundamental, que adquiriu o vírus num contato com um primo que voltou de viagem ao exterior.

A aluna do 1º ano é do grêmio estudantil e participou de uma reunião com o grupo na última quintafeira.

Nesse encontro, estavam presentes alunos do 9º ano do ensino fundamental e também do 1º, do 2º e do 3º ano do ensino médio.

Escola Parque

Na Escola Parque, na Gávea, a direção confirmou o caso de um aluno da turma 903, do 9º ano. A família informou o fato à escola na terça-feira. A escola comunicou o caso aos outros pais ontem. A Escola Parque buscou orientação do Centro de Vigilância Estratégica em Saúde, que coordena os assuntos relacionados à gripe suína no Rio. O centro recomendou que os alunos que tiveram contato com o estudante infectado não compareçam às aulas e fiquem em isolamento domiciliar. Segundo a escola, nas outras séries, a rotina continua normal. Mas muitos alunos, por conta própria, estão faltando às aulas.

Pediatras acham que é positiva a decisão de suspender as aulas. Para Isabela Ballalai, a medida se justifica uma vez que tem como objetivo evitar a propagação da doença.

– Nesse sentido é válido. Mas é bom ressaltar que a letalidade da doença é baixa e nem mesmo suas manifestações aqui no Brasil têm sido graves – diz.

O presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eitam Berezin, faz uma recomendação especial. As crianças que não foram vacinadas contra gripe sazonal devem fazê-lo.

– Como estamos na temporada da gripe sazonal, pelo menos já elimina uma hipótese.

Mais duas escolas de São Paulo decidiram ontem antecipar as férias de parte ou de todas as turmas como medida de precaução contra a gripe suína, elevando a oito o total de instituições paulistas afetadas. Lá, oito mil alunos estão sem aula.

Cheia do rio Negro em Manaus supera recorde histórico


Em São Paulo O rio Negro subiu mais dois centímetros em Manaus, no Amazonas, e estabeleceu um novo recorde histórico. Hoje, a medição indicou uma altura de 29,71 metros, superando o antigo recorde histórico de 29,69 metros, alcançado ontem e registrado pela primeira vez em 1953. A medição do rio é feita desde 1902, portanto é possível dizer que a cheia é a maior, pelo menos, dos últimos 107 anos. De acordo com Alice Amorim, técnica em hidrologia do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a tendência é que as águas continuem subindo mais lentamente e estabilizem, começando a baixar a partir da semana que vem.

A previsão é feita com base na medição de duas estações à montante de Manaus, em Tefé e Coari, onde o rio Solimões já estabilizou e começa a baixar. O alto volume das águas do Solimões funciona como uma represa para o rio Negro, provocando alagamentos em Manaus.

As chuvas estão concentradas na região oeste da Amazônia, a chamada "Cabeça do Cachorro", região de São Gabriel da Cachoeira. Esse volume de água no rio Negro corre para Manaus, mas o efeito nas enchentes não deve ser tão significativo. "Quem manda é o Solimões. As enchentes em Manaus são mais em função do represamento do que das águas que vem do próprio rio Negro", explica Alice.

As maiores alturas do rio Negro são registradas de maio a julho, sendo que 77% das cheias máximas são registradas em junho.

De acordo com a Defesa Civil de Manaus, 11 bairros da cidade sofreram com os alagamentos, atingindo mais de 4 mil famílias. Os bairros mais afetados são Raimundo e Glória - na zona oeste - e Raiz, na zona sul.

As inundações causadas já atingem pontos turísticos de Manaus, como o Relógio Municipal, o prédio da Alfândega, a Feira Manaus Moderna e a praia da Ponta Negra. Parte das avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro, no centro, foram interditadas.

*Com informações da 'Folha Online' e da 'Agência Brasil'

Aumento de casos de gripe suína no RS faz governo mudar atendimento aos doentes


Flávio Ilha
Em Porto Alegre

O avanço da gripe suína nas regiões que fazem fronteira com Argentina e Uruguai obrigou o governo gaúcho a alterar a estratégia de combate ao vírus H1N1. Em uma reunião que se estendeu pela noite da quarta-feira (24), a Secretaria da Saúde do Estado determinou a descentralização no atendimento aos doentes e a criação de um posto permanente de atendimento no Hospital Conceição, em Porto Alegre, para que haja maior rapidez no diagnóstico.

Segundo o secretário da Saúde, Osmar Terra, com a mudança, o paciente com suspeita de gripe que não apresentar sintomas graves da doença não precisará ser atendido em serviços de emergência centralizados. "Nosso objetivo é que todos os hospitais e postos de saúde do Estado possam atuar no combate à epidemia", disse.

A medida também serve para restringir a circulação de pessoas que podem estar infectadas. "Mais de 95% dos casos confirmados foram tratados em casa, sem necessidade de internação", avaliou.

O secretário recomendou ainda que as prefeituras estudem a possibilidade de estender até as 22h o horário de atendimento nos postos de saúde.

O número de casos confirmados no Rio Grande do Sul subiu de apenas 2 até o último final de semana para 37 hoje. Mas nenhum dos pacientes, segundo Terra, contraiu a doença no Estado. Outras 22 pessoas seguem como suspeitas de contaminação, sendo 17 casos em São Gabriel, cidade a noroeste de Porto Alegre que apresenta a maior concentração de infecções do Rio Grande do Sul.

A adolescente gaúcha de 14 anos que contraiu a doença em Buenos Aires continua em estado grave na UTI do Hospital Universitário de Santa Maria. Um caminhoneiro que voltou da Argentina também está internado em estado grave no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo.

O prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves, decretou situação de emergência no município. Além de restringir a circulação de pessoas e de proibir a realização de atividades públicas, como missas e festas, a prefeitura intensificou a distribuição de panfletos de esclarecimento à população.

"Vamos manter [o estado de emergência] enquanto a população estiver sob risco", disse Gonçalves. A filha do prefeito, de 14 anos, teve a doença confirmada. O irmão dela, de 11 anos, também está com os sintomas da gripe.

O chefe do serviço de infectologia do Hospital Conceição, Breno dos Santos, criticou o estado de "histeria coletiva" da população em relação à doença.

Segundo ele, o nível de mortalidade da doença é inferior ao de uma gripe comum e as pessoas em estado grave apresentaram debilidades anteriores ao quadro de infecção. "Pessoas que têm uma vida saudável não precisam se preocupar", disse.

24 junho 2009

Gripe suína já atinge mais de 100 países


Em São Paulo

Os casos de influenza A (H1N1) - gripe suína - no mundo já somam 55.867, de acordo com o último boletim divulgado hoje (24) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao todo, 109 países foram atingidos pela doença e 238 pessoas morreram. Foram confirmados mais de 3.000 novos casos desde a última segunda-feira (22), quando havia 52.160 ocorrências. O maior número de pessoas infectadas foi registrado nos Estados Unidos (21.449), seguido pelo México (7.847), o Canadá (6.457), o Chile (4.315) e a Austrália (2.857).

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 94 novos casos de gripe suína - 334 no total. Os Estados mais afetados são: São Paulo (50), Minas Gerais (17) e Rio de Janeiro (13). Duzentas e dezoito pessoas estão sendo monitoradas.

Na tarde de ontem, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, pediu que sejam adiadas as viagens para países com risco de contaminação pela gripe suína, entre eles Argentina e Chile. A recomendação - e não proibição, ressaltou o ministro - vale em especial para pessoas com 60 anos ou mais, crianças com até dois anos e pessoas com baixa imunidade.

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo também recomendou que viagens para a América do Sul sejam evitadas. Um balanço da Secretaria aponta que 40% dos 116 casos da gripe registrados em São Paulo até o dia 22 junho foram de pacientes que se infectaram durante viagem para a Argentina.

Temporão também afirmou que o Brasil só deverá contar com uma vacina contra o vírus da gripe no inverno de 2010. Ele disse que três grandes laboratórios trabalham no desenvolvimento da vacina, que deve estar disponível no hemisfério Norte no inverno deste ano, a partir de outubro.

*Com informações da Agência Brasil

23 junho 2009

Secretário de Saúde em quarentena

Brasil já tem 131 casos. Escola em São Paulo com alunos doentes antecipa férias

A gripe suína parece não estar poupando nem as autoridades de saúde no Brasil. O secretário estadual de Saúde do Rio, Sérgio Côrtes, está com sintomas da doença. Ele está em casa em quarentena. Sérgio Côrtes começou a apresentar sintomas após voltar de viagem aos EUA na última terça-feira. As pessoas que tiveram contato com ele também estão sendo monitoradas.

O secretário estadual está co sintomas como febre e dor no corpo. Amostras para análise laboratorial foram colhidas e encaminhadas para a Fiocruz. A mulher de Côrtes, que viajou com ele, o acompanha em casa enquanto aguardam o resultado do exame.

São Paulo dispara

Foram confirmados ontem 17 novos casos da gripe suína no Brasil, que agora tem um total de 131 ocorrências. Dos nos novos episódios, 14 foram registrados em São Paulo, dois em Goiás e um no Rio Grande do Norte. Assim, São Paulo dispara no número de ocorrências, com 55 registros. No Rio, o número de casos é de 15 pacientes infectados.

A situação em São Paulo já está afetando o cotidiano. O colégio Pueri Domus antecipou as férias escolares, depois que dois alunos tiveram diagnóstico confirmado da doença. Segundo a assessoria, os alunos deveriam ter aulas até o dia 26 de junho, mas o o semestre foi encerrado ontem.

Um estudante do Pueri Domus, que tem 12 anos, eve a doença, num caso confirmado há dez dias. Ele pegou a doença da própria mãe, que havia viajado ao exterior.

Outro estudante do colégio, do 6º ano, viajou para a Argentina no último feriado e apresentou os sintomas no retorno ao país. O resultado do exame feito pelo Instituto Adolfo Lutz saiu ontem e confirmou o diagnóstico.

Seis pessoas morreram vítimas da doença na Argentina. Até o momento, as autoridades de saúde do país têm confirmados 946 infectados. O Chile também já registrou quatro mortes e mais de 3 mil casos. A doença vem avançando rápido nestes dois países, devido, segundo especialistas, ao frio provocado pelo inverno.

Além dos casos de pacientes brasileiros que pegaram a doença no exterior, o Brsail já tem 23 casos de transmissão autóctone (ocorrida dentro do território nacional), mas o Ministério da Saúde considera que todos têm vínculos com pacientes procedentes do exterior, o que configuraria uma situação de transmissão limitada. Segundo a Organizãção Mundial de Saúde, apenas México, Estados Unidos, Canadá, Chile e Austrália são considerados os países com transmissão sustentada da gripe suína.

Até o momento, 88 países têm casos confirmados e divulgados da doença, de acordo com informações dos governos ou da OMS. Do total, 35 têm casos autóctones, como o Brasil.

O último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a gripe suína divulgado hoje eleva para 44.287 o número de casos confirmados no mundo, o que representa um aumento de cinco mil ocorrências em apenas dois dias. O país com maior número de doentes ainda é os EUA, com 17.855 pessoas infectadas.

São Gabriel fecha escolas


Em função do surgimento de casos suspeitos de gripe A, o prefeito de São Gabriel, Rossano Gonçalves, decretou ontem situação de emergência no município da Campanha.

A possibilidade da transmissão da doença levou o prefeito a proibir, por tempo indeterminado, qualquer aglomeração de pessoas. Todos as escolas e creches, a partir de hoje, estão com as aulas suspensas. Festas, bailes e até missas não podem acontecer.

As medidas foram anunciadas depois que uma estudante de 14 anos voltou da Argentina com sintomas da doença. A confirmação, no entanto, ainda não ocorreu. Segundo a diretora da Secretaria de Saúde de São Gabriel, Catia Raposo, ontem havia 17 casos suspeitos – são pessoas que teriam tido contato com a menina.

– Perdemos o controle, já que pessoas que tiveram contato com a menina que pode estar com a gripe foram a lugares públicos e fechados – explica o secretário de Saúde do município, Paulo Fernado Forgiarini.

A reação da prefeitura é considerada excessiva pelo diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz.

– Não somos contrários, mas neste momento, não é necessário tomar medidas tão radicais. Até porque não há nada confirmado. O procedimento padrão é isolar a pesssoa suspeita e isso está funcionando até agora – diz.

Colégio tem aluno infectado e decide suspender atividades

O Colégio Farroupilha, um dos mais tradicionais de Porto Alegre, decidiu suspender todas as suas atividades até o dia 29 após a confirmação de que um dos 2.150 alunos foi infectado com a gripe A.

A medida causou apreensão entre pais e alunos, que lotaram o Hospital Conceição para fazer exames ontem. A corrida causou problemas no atendimento da casa de saúde. Em três horas, na noite de ontem, pelo menos 70 pessoas da escola procuraram a instituição, referência para os casos dessa enfermidade.

A chefe da equipe de Vigilância das Doenças Transmissíveis da Secretaria Municipal de Saúde, Maria de Fátima de Bem, alerta que as pessoas sem sintomas não devem procurar o hospital, pois o vírus só é detectado em pacientes doentes.

– Quem preferir pode procurar qualquer outra unidade de saúde, não precisa ser só o Conceição. – ressaltou.

As aulas no Farroupilha serão recuperadas em julho. O aluno, que tem 13 anos e estuda na 8ª série, fazia intercâmbio na Alemanha. Retornou há cerca de uma semana, com sintomas.

– Suspendemos todas as aulas. A ideia era que apenas a turma desse aluno tivesse as aulas interrompidas, mas prevenir é melhor do que remediar – explica o diretor do Farroupilha, Roberto Py.

O diretor do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Francisco Paz, afirmou que a medida do estabelecimento de ensino foi excessiva.

Medo de contágio no STJ

Tribunal confirma, em comunicado interno, que funcionária apresentou sintomas da doença, após viagem

Renato Alves

Servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ) temem ser contaminados pela gripe suína. Uma funcionária saiu de licença médica com sintomas do vírus A H1N1 há uma semana. Ela chegou a trabalhar por seis dias no tribunal, onde circulam até 7 mil pessoas diariamente. O chefe do setor até sugeriu a suspensão dos serviços por sete dias, para evitar a propagação da doença, mas a direção do órgão não adotou a ideia. Com isso, técnicos da área passaram a trabalhar de máscara cirúrgica.

Na tentativa de tranquilizar os trabalhadores, a Secretaria de Serviços Integrados de Saúde (SIS) do STJ divulgou uma nota oficial na intranet do tribunal, no fim da tarde de ontem. “A SIS comunica a todos os servidores e terceirizados da Corte que está atenta e monitorando de perto, como é de seu dever, o caso da funcionária que, ao regressar de viagem recente, apresentou os sintomas da gripe H1N1(...) A referida servidora passa bem, apresentando um quadro progressivo de melhora, encontrando-se de repouso em casa, sob medicação específica”, informou.

Por meio da nota, os médicos do tribunal explicaram que a servidora teve o último contato com colegas na unidade de trabalho no último dia 16. “(…) portanto já superado o prazo de risco de contágio, que é de sete dias. Não há necessidade de uso de máscaras como forma de prevenção ou redução do contato com o vírus, neste caso específico do tribunal, não havendo, até agora, qualquer descrição de contágio por pessoas assintomáticas, que mantiveram contato com infectados”, ressaltou o comunicado interno.

Os médicos só não informaram se a servidora é um dos dois pacientes de Brasília que ontem a Secretaria de Saúde do Distrito Federal confirmou como portadores do vírus A H1N1. A assessoria de comunicação do STJ informou apenas que a manifestação do tribunal se deu por meio de tal nota interna e nada mais tinha a acrescentar. São agora 13 casos confirmados da doença na capital.

Mudança na rotina

Os casos de gripe A têm causado mudanças na rotina de escolas e até de uma grande mineradora. A Vale colocou 90 funcionários em período de quarentena domiciliar após a confirmação de que um funcionário que presta serviço à empresa foi infectado pelo vírus da nova doença. Os empregados retornam somente na próxima segunda-feira. E o andar onde eles trabalham, no Edifício Santos Dumont, no centro do Rio de Janeiro, foi isolado pela companhia.

No Rio Grande do Sul, um tradicional colégio de Porto Alegre suspendeu ontem as aulas por uma semana. A decisão foi anunciada um dia depois de a Secretaria de Saúde estadual confirmar que um aluno também contraiu o vírus. Ele chegou da Alemanha na semana passada e participou das aulas.

Em São Paulo, mais um colégio decidiu antecipar as férias ontem pelo mesmo motivo. Ao todo, três escolas da capital paulista suspenderam as aulas por causa da gripe A. Uma escola em Belo Horizonte também antecipou ontem o recesso após a confirmação de que alunos contraíram a doença.

Procedimento de rotina

Durante o voo TAM 8009, vindo de Buenos Aires, o comandante da aeronave, que pousou em Brasília ontem à noite, se limitou a ler a mensagem padrão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a respeito dos sintomas da gripe A H1N1. O aviso é semelhante ao divulgado no saguão do Aeroporto Juscelino Kubitschek. No país vizinho, poucos foram os passageiros que notaram cuidados adotados pelos argentinos. “Na rua, só vi uma senhora (usando máscara). No noticiário local, o pouco que a gente viu não se falou nada”, disse o médico Fernando Leão, 45 anos.

Alguns passageiros afirmaram que, no voo de ida, os comissários usaram um spray antisséptico e, na chegada à capital argentina, preencheram um formulário médico. Mas nenhum brasileiro afirmou ter adotado medidas específicas antes de embarcar.

“A gente ficou preocupada em se divertir muito e conhecer argentinos hermosos’ (bonitos)”, brincou a relações públicas Fernanda Pereira, 40 anos. Ela viajou com a amiga Nanan Catalão para Buenos Aires e notou o uso de máscaras apenas em agentes dos aeroportos por onde passou. Na espera pelo desembarque da filha, Miriam Sócrates, 60 anos, afirmou não ter visto nada alarmante quando esteve lá, há uma semana. Na escola onde é orientadora, no entanto, foram adotadas medidas preventivas.

Prevenção demorou a decolar

Especialista critica atuação do governo no combate ao avanço da doença. Anvisa anuncia reforço em portos e aeroportos

Diego Moraes – Correio Braziliense

O governo demorou para reforçar as ações de vigilância contra a gripe A H1N1 com passageiros que vêm do Mercosul para o Brasil. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo Correio. De sexta-feira para cá, foram confirmados 109 novos casos da doença no país. Somente no Distrito Federal, o número de infectados pelo vírus saltou de três para 13 desde a semana passada.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou ontem que vai intensificar a prevenção nas áreas de fronteira, portos e aeroportos brasileiros, especialmente com passageiros que desembarcam da Argentina e do Chile.

Pelas novas regras, os passageiros terão de preencher um formulário, chamado de Declaração de Saúde do Viajante (DSV). A ideia é ampliar o monitoramento dos passageiros que entram no país. O documento será obrigatório para a entrada no território brasileiro, no caso dos passageiros que vêm do Mercosul.

O formulário será entregue dentro do avião e deverá ser apresentado no desembarque. A Anvisa vai colocar ao todo 500 mil formulários nos locais com grande fluxo de passageiros. As empresas aéreas terão ainda que fornecer a lista de passageiros no desembarque. O governo também deve remanejar funcionários para reforçar o efetivo no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e em pontos de fronteira.

O infectologista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Carranza avalia que o governo devia ter anunciado essa decisão antes, logo após a constatação do aumento de casos confirmados da doença nos países da América do Sul. “Esse cuidado deve ser tomado para ter maior controle da propagação da doença”, afirma.

O especialista disse que viajou para o Peru há duas semanas e preencheu formulários de controle no país para declarar se estava ou não com sintomas da doença. Mas, na volta ao Brasil, o procedimento não foi adotado. “Mais de 80% dos casos da gripe suína confirmados entre os brasileiros são de pessoas que vieram do exterior. Por isso, temos que buscar esse tipo de prevenção”, afirma.

O infectologista Artur Timerman atendeu ontem em seu consultório, em São Paulo, dois pacientes com sintomas da nova gripe. Eles retornaram da Argentina recentemente — um na sexta-feira e o outro no domingo. “Acho que as medidas anunciadas pelo governo hoje (ontem) poderiam ter vindo antes e são necessárias para conter o avanço da doença.”

O Ministério da Saúde informou que não havia nenhuma justificativa para reforçar a vigilância nas fronteiras do Mercosul antes. E que todas as medidas adotadas seguem critérios técnicos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o ministério, a medida anunciada ontem ocorreu devido ao aumento no número de casos, principalmente na Argentina e no Chile.

Na Argentina, sete pessoas já morreram por causa da gripe A. O número de casos confirmados passa de 1.100. No Chile, houve menos mortes — quatro. Mas o número de infectados supera a marca de 4 mil.

Desde sexta-feira, o número de casos de gripe A H1N1 confirmados no país aumentou de 131 para 240, segundo o Ministério da Saúde. No Distrito Federal, as confirmações saltaram de três na semana passada para 13, conforme o boletim divulgado ontem pela Secretaria de Saúde. O órgão informou que boa parte dos infectados esteve na Argentina no último feriado, o que explicaria o aumento repentino.

O infectologista David Uip afirma que a chegada do inverno também é um fator que contribui para a propagação do novo vírus — assim como acontece com a gripe comum. “O aumento era esperado.

Com o inverno, as pessoas ficam mais aglomeradas e a imunidade diminui, o que é favorável ao vírus.

Também acredito que as viagens no último feriado possam ser um dos motivos para o aumento no número de casos”, afirma Uip. Ele avalia que as medidas do governo em relação aos passageiros do Mercosul são uma maneira eficaz de manter a doença sob controle. “Até porque não adianta restringir viagens”, avalia.

A preocupação dos especialistas é quanto à propagação. Embora o H1N1 tenha demonstrado baixo grau de letalidade, eles afirmam que a proliferação ajuda a fortalecer o vírus. “Parece ser um de rápida mutação, que vem da mesma linha do que causou a gripe espanhola”, avalia o infectologista Cesar Carranza.

Gripe suína tem 240 casos

OMS faz alerta para avanço da doença no Brasil

Jornal do Brasil

Os números da gripe suína têm crescido num volume considerável a cada dia. No fim de semana, sábado e domingo, foram confirmados 84 episódios da doença. Ontem, mais 25 se somaram à lista que já contabiliza 240 ocorrências no país. São Paulo é o estado mais atingido pela doença, com 110 registros. O Rio tem 30.

Em São Paulo, três escolas anteciparam as férias, em função de inúmeros casos de alunos que tiveram diagnóstico confirmado. A antecipação das férias afetou um universo de 3.400 estudantes.

A Organização Mundial da Saúde informou ontem que está preocupada com a situação no Cone Sul e adverte que o Brasil deve esperar um aumento ainda maior de casos nas próximas semanas, diante da temporada de inverno que começou.

– Estamos acompanhando a situação no Cone Sul com especial atenção – afirmou o porta-voz da OMS, Gregory Hartl.

Ele aponta que, em apenas três dias, mais de 1,1 mil novos casos foram registrados no Chile, que soma agora 4.135 ocorrências, com seis mortes. Na Argentina já foram confirmados 1.118 casos da gripe suína e sete mortes.

A Anvisa anunciou ontem que vai reforçar o controle nas fronteiras com os países do Mercosul, em função do crescente número de casos.

Chuvas podem levar à maior cheia da história do Rio Negro

Bairros de Manaus são alagados, mas famílias não deixam casas

Brasília – Jornal do Brasil

O Rio Negro superou ontem em quatro centímetros a segunda maior cheia já registrada, em 1976, quando a marca foi de 29,61 metros de profundidade. O rio atingiu a altura de 29,65 metros.

– Estamos também a apenas quatro centímetros da maior cheia já registrada, em 1953, quando a máxima chegou a 29,69 metros – explicou Valderino Pereira, funcionário do Porto de Manaus, há 30 anos responsável pela medição da régua do rio Negro e que fornece informações ao Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

Segundo as previsões meteorológicas do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), as chuvas desta semana devem fazer com que o rio Negro atinja esta marca recorde da enchente de 1953. Com a cheia, além de pontos alagados no centro de Manaus e em bairros das zonas sul e oeste, a Ponta Negra virou atração turística. Famosa por suas praias de rio, o calçadão agora virou piscina natural e ficou lotado de pessoas durante o último fim de semana.

O rio Negro está subindo em média dois centímetros por dia, segundo a Defesa Civil municipal.

Ao menos 11 bairros localizados na orla do rio Negro estão alagados. Nesses locais, a prefeitura está construindo passarelas de madeira para a circulação da população. Segundo a Defesa Civil, mais de 10 mil metros foram construídos desde abril.

Ao todo, 18 mil pessoas foram atingidas pela cheia, mas poucas famílias aceitaram ir para abrigos, apesar das casas inundadas. As primeiras remoções ocorreram semana passada no bairro Betânia, e, nesse fim de semana, mais 77 pessoas foram alojadas em creches da prefeitura.

Segundo a Defesa Civil, os moradores preferem ficar nos bairros e construir as "marombas", um piso de madeira provisório refeito cada vez que o nível da água sobe. A madeira é doada pela prefeitura.

Ao menos três áreas públicas da cidade também estão alagadas: o parque do Mindú, a praia da Ponta Negra e o mercado da avenida Manaus Moderna.

Dois fenômenos contribuem para a cheia recorde do Amazonas. Um deles são as chuvas fortes registradas desde outubro do ano passado. O outro é o degelo na Cordilheira dos Andes, no Peru, desaguando nas várias calhas dos rios da região. Há ainda o fenômeno La Niña, que é o resfriamento das águas superficiais do Oceano Pacífico. (Com agências)

22 junho 2009

Avanço da doença preocupa o estado

Luciane Evans – Estado de Minas

A ameaça que se alastra pelo mundo deixa em alerta Minas Gerais. Só no início desta semana, mais nove casos de gripe suína foram confirmados no estado, sendo que os três últimos foram comprovados ontem. Já são 14 pessoas com diagnóstico positivo de contaminação pelo vírus influenza A (H1N1). No Brasil, foram confirmados ontem mais 17 casos, totalizando 96 em todo o país.

O fato de os números em Minas terem mais que dobrado em apenas três dias pode ser explicado, segundo a gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Márcia Cortez, pelo período de férias nos Estados Unidos, país que lidera o ranking de casos confirmados no mundo, com 17.855, sendo 45 fatais. “Muitos estão voltando daquele país, ou em decorrência da crise econômica ou apenas para visitar parentes que moram aqui”, destaca, enfatizando que, por causa do aumento, o trabalho de vigilância no estado estará mais atuante. “O que faremos é intensificar e apressar o máximo possível as coletas de amostras dos casos suspeitos”, revela.

Uma das medidas da SES foi passar para o nível 2 o Plano Estadual de Enfrentamento da Influenza A de Minas Gerais. A iniciativa se deve ao fato de que Minas registrou o primeiro caso de transmissão da doença dentro do próprio território. O paciente, de 45 anos, contraiu o vírus após buscar no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, no dia 6, três pessoas que tiveram a doença confirmada, depois que chegaram da Flórida, nos Estados Unidos, onde moram. “Foi a primeira vez que tivemos esse tipo de transmissão domiciliar, ou seja, ele não precisou viajar para contrariar a gripe”, diz a especialista, admitindo que há preocupação da SES diante da novidade. “Esse fator aumenta a nossa sensibilidade de captar casos o mais rápido possível.”

De acordo com o último balanço da SES, divulgado ontem, há ainda 16 casos suspeitos que estão sendo investigados, e 73 que já foram descartados. Segundo a secretaria, até ontem, dois pacientes estavam em isolamento hospitalar na capital. São duas crianças, que permanecem no Hospital das Clínicas: uma de 5 meses e outra de 6. Ambas estão com tosse e febre, mas em estado clínico estável.

No país, o Ministério da Saúde confirmou ontem 17 casos da nova gripe, totalizando 96. Outros 80 são suspeitos. Entre as novas confirmações, além das três em Minas, sete são de São Paulo, cinco de Santa Catarina e dois do Rio de Janeiro. Do total, dois são de transmissão dentro do território nacional, de pacientes que tiveram contato com pessoas procedentes do exterior, que já tinham sido diagnosticadas com a doença. São Paulo é o estado com maior número de casos (34), seguido por Santa Catarina (24), Minas Gerais (14), Rio de Janeiro (13), Tocantins (quatro), Distrito Federal (três), Mato Grosso (dois), Bahia (um) e Rio Grande do Sul (um).

NO MUNDO

O número de mortos no México pela gripe suína chegou a 113, depois que o governo confirmou quatro novas mortes relacionadas à infecção pelo influenza A (H1N1). O país, considerado o epicentro da doença, continua concentrando o maior número de mortes provocadas pela nova gripe, em meio aos 6.970 infectados. Na Argentina, houve quatro mortes causadas pela gripe e, no Chile, outras três. O governo chileno decretou estado de emergência sanitária em todo o país, que tem 3.125 doentes.

DENGUE EM QUEDA

Depois do temor de uma nova epidemia de dengue em Belo Horizonte, o risco está afastado, pelo menos até o momento. De acordo com o último balanço da Secretaria Municipal de Saúde, a capital registrou queda de 93,15% nos casos, em comparação com a última semana, passando de 175 novos registros para 12. Ao todo, já foram notificados 20.934 casos da doença na cidade. Desse total, 11.361 foram confirmados.