17 junho 2009

Navio naufraga e derrama 5 mil litros de óleo no Rio Negro

Juliana Maya Repórter da Rádio Nacional da Amazônia – Agência Brasil

Brasília - Um navio usado para empurrar balsas naufragou em Manaus e derramou cerca de 5 mil litros de óleo combustível, que se espalharam por quase um quilômetro no Rio Negro.

Segundo informações do 9º Distrito Naval da Marinha em Manaus, o navio empurrador afundou por volta da meia noite de ontem (15), quando estava atracado no porto da empresa responsável, a J. F. de Oliveira Navegação Limitada. O acidente não teve vítimas.

Ainda de acordo com a Marinha, a empresa tomou providências para minimizar os danos ambientais, usando barreiras de contenção para tentar evitar que o combustível se espalhe ainda mais pela orla fluvial de Manaus e retirando parte do óleo da superfície. A Marinha informa que vai abrir um inquérito administrativo para apurar as causas do acidente.

Segundo o gerente de fiscalização da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Manaus, César Lopes, a empresa responsável pela embarcação já foi multada em cerca de R$ 90 mil e tem a obrigação de reparar os danos causados ao meio ambiente.

Ele afirma ainda que a secretaria vai apurar a denúncia de que a empresa estaria jogando sabão em pó no rio para dissolver as manchas de óleo. O gerente diz que, caso isso seja comprovado, a empresa poderá pagar uma nova multa.

“Eles estão propícios a receber um novo auto de infração em cima do acontecido. Inclusive, nós estamos até verificando aqui o tipo de dano que poderia ser causado com esse tipo de produto misturado com o óleo.”

Segundo Lopes, o local está sendo monitorado pela Secretaria de Meio Ambiente e somente após estudos mais detalhados é que o órgão vai poder saber a dimensão dos danos causados tanto ao meio ambiente quanto às comunidades que vivem nas margens do rio. Ele acrescenta que a empresa ainda não se pronunciou sobre as causas do naufrágio.

Até o fechamento desta matéria, a reportagem não havia conseguido falar com o responsável pela empresa J. F. de Oliveira Navegação Limitada.

Brasileiros descobrem variante do vírus H1N1

Cientistas do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, realizam o sequenciamento genético do microorganismo. Cepa não é mais letal

Rodrigo Craveiro – Correio Braziliense

O projeto envolveu entre 15 e 20 cientistas brasileiros. Foram usados microscópios eletrônicos de última geração, capazes de ampliar a imagem de um microorganismo em até 1 milhão de vezes. Os especialistas se debruçaram então sobre o vírus H1N1 retirado da secreção respiratória de um paciente de 26 anos que apresentou os sintomas da gripe suína ao retornar de uma viagem ao México. Em 24 de abril, o rapaz foi internado com a doença no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Dos laboratórios do Instituto Adolfo Lutz, entidade subordinada à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, os especialistas anunciaram ontem que detectaram naquela amostra uma variante diferente do H1N1, dotada de leve mutação. O “novo vírus” recebeu então o nome de A/São Paulo/1454/H1N1. Pela primeira vez, o Brasil conseguiu isolar e realizar o completo sequenciamento genético do vírus que já infectou 35.928 pessoas — inclusive 79 brasileiros — em 76 países e matou 163 .

Em entrevista ao Correio, por telefone, Clélia Aranda, coordenadora de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo e responsável pela pesquisa, afirmou que o processo de isolamento já era de domínio do Instituto Adolfo Lutz, membro de uma rede laboratorial mundial de detecção de vírus influenza. “Nós ainda não tínhamos uma caracterização do vírus pandêmico H1N1 no Brasil, mas apenas um perfil parcial da matriz identificada na Fiocruz. Agora, podemos determinar qual é o tipo de vírus que existia em um brasileiro, participar do mapeamento genético no mundo e comparar nossa variante do H1N1 com aquelas caracterizadas em outros países”, explicou. “Ao contrapormos nossa amostra à do vírus H1N1 inicial, chamado de ‘Califórnia’, percebemos um pouco de mutação.”

De acordo com Clélia, as mutações já eram esperadas, dado o próprio comportamento do H1N1.

“Essa primeira identificação não apontou uma maior virulência. Trata-se de uma mutação pequena”, garantiu a cientista. Ao ser transmitido entre pessoas, o influenza se desenvolve nas células, a fim de se multiplicar, e produz “cópias” nem sempre totalmente idênticas. O Instituto Adolfo Lutz tem buscado isolar as cepas após a confirmação de casos positivos da doença. Diante do surgimento do A/São Paulo/1454/H1N1, Clélia não vê motivos para pânico. “As medidas que adotamos até agora serão mantidas. Não há necessidade de modificação. O que temos é um avanço, pois poderemos comparar outros possíveis vírus isolados no território brasileiro.”

Método

O estudo atual contemplou a identificação das bases do H1N1 e o sequenciamento dos genes do microorganismo, por meio de equipamentos. O primeiro passo foi submeter a amostra de secreção respiratória à reação da polimerase em cadeia em tempo real (PCR). A técnica consiste em produzir várias cópias de um determinado fragmento gênico. Por meio dela, o biólogo molecular Claudio Macchi e sua equipe constataram que se tratava de um novo subtipo viral. O isolamento foi realizado em abril pela virologista Terezinha Maria de Paiva. “O que fizemos foi cultivar o H1N1 nas células, até que ele crescesse, se desenvolvesse e se reproduzisse. Depois, fizemos o sequenciamento genético”, afirmou Clélia. No Departamento de Microscopia Eletrônica do Adolfo Lutz, os cientistas Marli Ueda e Jonas Kisielius identificaram várias partículas do vírus a partir da cultura infectada. Eles usaram um microscópio de US$ 650 mil, capaz de mostrar até estruturas internas do vírus.

Durante o processo de sequenciamento genético da nova cepa, os especialistas se concentraram nas sequências nucleotídicas completas de dois segmentos de genes: o 4 (codificador da proteína Hemaglutina e responsável pela virulência) e o 7 (codificador das proteínas da matriz). A análise molecular revelou que o segmento 4 — para o qual são produzidos anticorpos protetores — apresentou um número discreto de alterações nucleotídicas e de amino-ácidos, com taxas de similaridade em torno de 99,7% e 99,5%, respectivamente, em relação ao H1N1 “Califórnia”. “Essa caracterização é uma linha de base para compararmos com os próximos isolamentos. Aí teremos condições de responder se existem diferentes estirpes do H1N1 no Brasil”, comentou Clélia. “Tudo nos leva a crer que o desenvolvimento da vacina anunciada pela Novartis vá proteger contra a caracterização feita por nós”, concluiu.

16 junho 2009

Autoridades confirmam o terceiro caso de gripe suína no DF

Secretaria de Saúde revela que paciente voltou recentemente de viagem da Argentina e está fora de perigo. Brasil registra mais cinco infecções

Da Redação – Correio Braziliense

Mais um caso de contaminação pelo vírus A(H1N1) foi confirmado no Distrito Federal, aumentando para três o número de pessoas em Brasília que contraíram a doença. O paciente é um homem que voltou recentemente de viagem da Argentina. Ele apresentou sintomas leves da infecção — febre, tosse, dor de cabeça, dor de garganta e dores musculares — e foi atendido no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). O doente está em isolamento domiciliar e recebe tratamento médico. De acordo com informações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, sua evolução clínica é considerada satisfatória. Esse é um dos cinco casos de gripe suína confirmados até a noite de ontem em todo o Brasil, dentre os novos 1.277 registrados em todo o mundo.

A subsecretária de Vigilância à Saúde da Secretaria, Disney Antezana, explicou que a tendência é de aumento no número de casos. “Este é um vírus de alta transmissibilidade e estamos percebendo um aumento de casos não só no Hemisfério Norte, mas também no Sul. Especialmente na América do Sul”, afirmou. O Brasil possui 74 pacientes contaminados pela doença, sendo que 44 (59,5%) são mulheres e 58 (78,4%) provavelmente se infectaram em outros países. Pelo menos 18 contraíram a infecção de forma autóctone (ocorrida dentro do território nacional).

Dos casos registrados no Brasil, 31 envolvem pessoas vindas dos Estados Unidos — inclusive as duas mulheres que contraíram a doença e foram tratadas em Brasília —, 13 da Argentina, quatro do Canadá, três do México, duas do Reino Unido e uma da Europa, sem ter o país definido. Há 79 brasileiros suspeitos de terem contraído a doença, inclusive uma mulher no DF que se encontra em isolamento domiciliar. Até agora, 480 casos foram descartados. O Ministério da Saúde considera a transmissão no país ainda limitada e argumenta que não há evidência de sustentabilidade de contaminação entre pessoas.

Ocorrências

Até a noite de ontem, 81 países haviam confirmado 37.205 ocorrências da gripe A(H1N1). A doença provocou a morte de 164 dos infectados. As vítimas da doença, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), normalmente já eram portadoras de algum problema de saúde crônico. Os dados dos EUA, do Canadá e da OMS são da última sexta-feira, pois os dois países e a organização decidiram atualizar as informações apenas uma vez por semana. Na quinta-feira passada, a gripe suína atingiu o nível 6 de pandemia, o último da escala. No entanto, isso se deu por causa da ampla distribuição geográfica da doença — a enfermidade é considerada “moderada” pelas autoridades sanitárias, com baixa letalidade (de 0,45%). No Brasil, ela também possui baixo índice de hospitalização, de 2% a 4%.