08 maio 2009

Enchente leva cobras e jacarés para perto de casas no Pará

Norte e Nordeste contabilizam mais estragos causados pelas chuvas.

No Piauí, fornecimento de energia teve que ser cortado.

Do G1, com informações do Bom Dia Brasil

A chuva causa prejuízos no Pará. Em Santarém, a água subiu tanto que quase alcança os telhados das casas. Há cobras e jacarés no entorno dos imóveis e as famílias temem que as crianças caiam na água. Nesta quinta-feira (7), devem chegar cestas básicas na região oeste, a mais prejudicada pelas cheias.

Segundo a Defesa Civil, dez mil cestas básicas foram enviadas para as 165 mil pessoas atingidas pelas enchentes no estado. E subiu para 31 o número de municípios em situação de emergência no Pará.

O Rio Amazonas avançou sobre as comunidades da área rural de Santarém. Cada vez que a água sobe muito, os moradores fazem um novo assoalho. Em uma, o piso de madeira agora está bem perto do teto. “Já levantei o assoalho três vezes”, diz um morador.

Cobras e jacarés são uma ameaça. Uma mulher que tem três filhas encontrou uma serpente dentro de casa. “Já escapou de morder a gente, já matamos tanta cobra. Em uma árvore, matamos cinco”, conta.

A água contaminada é outro perigo para os moradores. Em muitos locais, não há água potável.

Uma embarcação da Marinha levou roupas para os moradores que também sofrem com a falta de comida.

A prefeitura de Porto de Moz informou que só naquele município quatro pessoas morreram afogadas, incluindo três crianças. “A vigilância tem que ser redobrada. Às vezes acontece de não ter vigilância e a criança cair na área”, comenta uma autoridade.

Amazonas

No Amazonas, mais dois municípios entraram na lista dos mais atingidos: Uarini e Silves. Agora, são 43 as cidades afetadas pela cheia do Rio Amazonas.

A situação mais grave é no interior do estado: 20 mil famílias estão desabrigadas. No sul do Amazonas, uma criança morreu afogada.

Em Manaus, o Rio Negro sobe, em média, três centímetros por dia. A água começa a atingir o centro histórico. Faltam dez centímetros para o nível atingir a cota de alerta.

Bahia

Em Salvador, chovia forte no início da manhã desta quinta-feira. A maior preocupação é com as áreas de risco. São 1.077 pontos. Segundo especialistas, 70% das construções da cidade são irregulares.

A chuva provocou o deslizamento de um barranco. A Defesa Civil aconselhou as famílias a deixarem o local. Segundo a prefeitura, os moradores foram realocados.

As buscas a uma menina de 6 anos devem ser retomadas. Ela e a mãe foram arrastadas pela enxurrada e desapareceram, na terça-feira (5). O corpo da mulher e de um rapaz de 20 anos foram encontrados na quarta-feira (6).

Maranhão

No Maranhão, outro estado atingido pela chuva, a preocupação é com o risco de desabastecimento. A maior parte dos legumes, frutas, verduras e produtos industrializados que abastece São Luís e outros municípios sai de outros estados. Sete rodovias federais estão com problemas graves. A BR-316, que liga o Nordeste ao Norte do país, e a BR-010, que liga o Norte ao Centro-Oeste, são os principais corredores de entrada desses produtos. Uma das soluções encontradas para liberar o tráfico na BR-316 é uma ponte metálica que o Exército está levando do Rio Grande do Sul e só deve chegar na próxima semana.

Piauí

No Piauí, já são 50 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. Subiu para 29 o número de municípios em situação de emergência por causa da chuva. A situação é mais grave na região norte. Na cidade de Barras, 60% das casas, incluindo o centro comercial, estão debaixo d’água.

No interior, o nível dos rios subiu tanto que ameaça os cabos de transmissão de energia elétrica.

Por questão de segurança, a companhia energética do Piauí suspendeu parcialmente o fornecimento de luz para 14 cidades.

Em Teresina, voltou a chover durante a noite de quarta. São 15 mil desabrigados ou desalojados na capital. E a Polícia Militar teve que acionar 240 homens para evitar saques nas casas atingidas pela enchente.

Chuvas afetam quase 800 mil

Segundo Secretaria Nacional de Defesa Civil, número de mortes chega a 38 e há prejuízos causados pelo mau tempo em 10 estados. Maior preocupação agora é com novos deslizamentos de terra e doenças

As chuvas que atingem principalmente o Norte e o Nordeste do país continuam causando estragos de proporções assustadoras. Balanço da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) divulgado ontem diz que 796.878 pessoas foram afetadas de alguma forma pelas tempestades em 10 estados. A quantidade de municípios afetados é de 287. Cresceu também o número de mortos, que chega a 38. O Ceará é o estado com mais vítimas (12). Em seguida, vêm Maranhão (nove), Bahia (sete), Amazonas (cinco), Alagoas (quatro) e Santa Catarina (uma). O órgão do Ministério da Integração Nacional, no entanto, informa que o número deve ser maior, pois podem haver ocorrências em cidades do interior ainda não registradas.

Em Salvador, o Corpo de Bombeiros informou ontem ter localizado, pela manhã, o corpo de Milton Ramos dos Santos, 39 anos. Ele estava desaparecido desde a terça-feira, dia em que a chuva foi mais intensa na capital baiana. Nesse dia, ele tentou atravessar o córrego que passa pelo Parque São Cristóvão e foi surpreendido pela força da correnteza. Os bombeiros ainda buscam a menina Beatriz, 6 anos, arrastada pela correnteza também na terça, com a mãe, Fernanda Bispo dos Santos, 27 anos.

A Sedec informou que estão sendo enviados para as cidades alimentos, material de limpeza e kits de abrigo. Foram disponibilizadas 92.150 cestas contendo arroz, feijão, açúcar, óleo, leite em pó, farinha de mandioca e macarrão.

Entulhos e riscos à saúde

Mesmo quando os temporais dão trégua, os problemas continuam. No Piauí, onde o sol voltou a aparecer, o governo estadual e as prefeituras começaram ontem o trabalho de recuperação dos danos provocados por uma das maiores enchentes da história local. As autoridades estão preocupadas com os riscos à saúde da população. São esperados casos de doenças pós-enchentes, como verminoses, complicações respiratórias, dermatites e, nos casos mais graves, hepatites e leptospirose.

O prejuízo é enorme. Em todo o estado, 59 mil pessoas tiveram de deixar suas casas. Na capital, à medida que as águas do Rio Poti baixam, surgem ruas e casas destruídas e tomadas pela lama, que em alguns locais chega a 40cm de espessura. Em muitos lugares, o asfalto terá de ser recapeado. Teresina sofre também com a falta de combustível.

Desabamento

Em Salvador, depois de seis dias de chuvas, a principal preocupação é retirar moradores dos cerca de 160 imóveis ameaçados de desabamento. Mesmo com o risco, muitos se recusam a deixar suas casas . “E vou aonde? E quem vai cuidar das minhas coisas?”, perguntava ontem o motorista Aílton Carlos Cruz, 32 anos, que mora com a mulher, Maria Alcina, e três filhos pequenos em uma casa simples na encosta na margem da Avenida Ogunjá.

Em São Luís, as águas também começam a baixar. Os desabrigados, cerca de 800, voltam às suas casas condenadas pela Defesa Civil e tentam salvar o que podem, A maioria das residências atingidas pelas enchentes foi construída em local inadequado para a moradia, em áreas de invasão. No bairro de Salinas do Sacavém, por exemplo, em que o acesso é difícil até mesmo em épocas normais, morreram duas pessoas soterradas pelo concreto de uma escada que levava ao alto de um morro. As chuvas fortes arrancaram a escada e a lançaram sobre a casa em que estavam as vítimas, um casal.

O Ministério da Saúde anunciou que até o fim desta semana chegará ao Maranhão um carregamento de 265 mil unidades de 15 tipos de medicamentos, entre eles penicilina, paracetamol, diclofenaco de potássio, seringas descartáveis e ataduras.

1 em cada 13 cidades decretou emergência

São 141 os municípios do Nordeste onde essa situação já é oficial devido às enchentes; mortes

desde abril chegam a 34

Exército mobilizou 710 homens para atuar no Piauí, no Maranhão e no Ceará; tropas devem ficar

na região por pelo menos 30 dias

DA AGÊNCIA FOLHA

Pelo menos uma em cada 13 cidades do Nordeste já decretou situação de emergência por causa das chuvas que atingem a região desde o início de abril.

São 141 municípios em seis Estados (BA, CE, MA, PE, PI e RN). Não há cidades sob emergência em Alagoas e na Paraíba, embora os dois tenham sido atingidos pelos temporais. O total de mortes já chega a 34. Ontem foram confirmadas cinco mortes -três no Ceará, uma na Bahia e outra no Maranhão.

Com o reconhecimento da situação de emergência, um município pode fazer compras sem licitação, entre outras facilidades. A Defesa Civil avalia os casos. Se os pedidos forem homologados, os municípios passam a receber os benefícios.

Ajuda militar

O Exército mobilizou 710 homens para atuar em 11 municípios no Maranhão, no Piauí e no Ceará. Os militares trabalham em resgate de vítimas, transporte de pessoas e móveis e distribuição de donativos.

O maior contingente está no Maranhão -Estado com o maior número de cidades em situação de emergência (61 das 217) e com nove mortes-, onde as tropas tentam recuperar duas rodovias federais.

Uma ponte militar flutuante está sendo levada de caminhão do Rio Grande do Sul para recompor um trecho da BR-316, entre São Luís e Trizidela do Vale. A viagem deve levar pelo menos seis dias.

Segundo o Comando Militar do Nordeste, há 437 militares trabalhando em seis cidades maranhenses, incluindo São Luís. Outros 123 atuam em Teresina e em Barras, no Piauí. As tropas devem permanecer nos Estados por ao menos 30 dias.

Em Salvador (BA), onde o número de famílias atingidas chega a 225, o corpo de uma mulher arrastada pela enxurrada foi localizado ontem, elevando a seis os mortos na cidade.

No Ceará, outras três mortes causadas pelas chuvas também foram confirmadas ontem, todas por afogamento. Com isso, o Estado é o que mais tem mortes: 12. Abrigos improvisados em salas de aulas, inundações e falta de acesso exigiram o cancelamento das aulas em ao menos 84 escolas da rede estadual.

Verba inútil

O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse que é inútil enviar dinheiro já para reconstruir os Estados atingidos pelas cheias, já que as cidades estão "debaixo d"água".

Segundo ele, até uma medida emergencial, como a liberação de R$ 300 por família para retirálas de abrigos e custear o aluguel de moradias, é inócua, porque é "difícil encontrar casa para alugar nesta situação". O ministro participou de reunião com o governo da Paraíba para avaliar a situação no Estado.

No entendimento de Geddel, responsável pela Defesa Civil, a solução definitiva dos problemas causados pelas chuvas não depende só do Estado, mas também das pessoas que assumem o risco de viver em áreas impróprias, como encostas e margens de rios.

"É preciso um trabalho de convencimento [para retirá-las] que não é fácil."

(RENATA BAPTISTA, GUSTAVO HENNEMANN, SÍLVIA FREIRE E FÁBIO GUIBU)

 

Mar quente põe em risco indústria do camarão

DA REUTERS

Uma indústria pesqueira de US$ 500 milhões pode ser vulnerável à mudança climática. Um estudo publicado hoje sugere que o aquecimento do oceano pode bagunçar o ciclo de vida de uma espécie comercial de camarão, levando-o a pôr ovos quando não há comida para alimentar suas larvas.
Qualquer dano aos estoques do camarão-ártico -uma variedade pequena, popular em saladas no hemisfério Norte- poderia desencadear um efeito cascata na cadeia alimentar oceânica e afetar desde algas até bacalhaus, afirmaram especialistas canadenses.
"O camarão é o equivalente marinho do canário na mina de carvão. É um indicador da mudança climática", disse Peter Koeller, do Instituto de Oceanografia de Bedford. Ele é o autor principal do estudo, publicado na revista "Science".
Koeller e colegas afirmam que o camarão coordena o período de acasalamento para que seus ovos eclodam na época do ano em que as algas que alimentam suas larvas são mais abundantes.
"Eles evoluíram para se acasalar no ano anterior, na época certa para aproveitar a proliferação das algas na primavera [boreal]", disse Koeller.
Os ovos levam entre 6 e 10 meses para incubar no inverno. "Mas a mudança climática poderia cortar a ligação entre temperatura do mar e comida", afirmou. Temperaturas mais altas poderiam fazer o acasalamento ocorrer mais cedo. Dessa forma, os ovos eclodiriam antes do pico de florescimento das algas, matando as larvas de fome. Esse efeito, no entanto, não foi observado pelo estudo.
Essa espécie responde por 70% das 500 mil toneladas de camarão de água fria pescadas por ano no mundo todo.

OMS registra 2.384 pessoas com gripe suína; Brasil confirma 4 casos

da Folha Online

O número de casos de gripe suína confirmados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) atingiu os 2.384 casos em 24 países, incluindo 44 mortos --42 no México e dois nos Estados Unidos. O novo balanço da organização não inclui, ainda, os quatro casos da doença, denominada oficialmente gripe A (H1N1), confirmados nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde do Brasil.

A lista da epidemia é liderada pelo México, país mais afetado pela gripe suína, que registra 1.112 casos confirmados em laboratório, incluindo 42 mortes.

Segundo a OMS, os EUA registram a infecção em 896 pessoas, incluindo duas mortes. O novo número apresenta 254 casos a mais que o relatório anterior da OMS.

O terceiro lugar por número de casos é ocupado pelo Canadá, com 214 pessoas afetadas.

Na Europa, a Espanha apresenta o maior número de doentes (81), seguida do Reino Unido (32).

A doença é registrada ainda na Alemanha (10), Nova Zelândia (5), França (5), Israel (6), El Salvador (2), Itália (5), Áustria (1), China (1 em Hong Kong), Colômbia (1), Costa Rica (1), Guatemala (1), Dinamarca (1), Irlanda (1), Holanda (2), Coreia do Sul (3), Polônia (1), Portugal (1), Polônia (1), Suécia (1) e Suíça (1).

A organização sanitária repetiu que não recomenda restringir as viagens por causa deste surto de gripe, mas assinala que as pessoas doentes com viagens programadas devem atrasá-las. A organização pede ainda que as pessoas que viajaram a locais com grande contaminação e apresentam sintomas da gripe busquem atendimento médico.

"Estas recomendações constituem medidas de precaução que podem limitar a propagação de muitas doenças transmissíveis, incluindo a gripe", diz a OMS.

Brasil

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, confirmou na noite desta quinta-feira quatro casos de gripe suína no Brasil. Há casos em três Estados: São Paulo (2), Rio (1) e Minas (1). Os pacientes são adultos e passam bem, afirmou o ministro. Todos contraíram a doença no exterior --três estiveram no México e um, nos EUA. O Brasil tem outros 15 casos suspeitos.

Três dos quatro pacientes já receberam alta médica. Temporão afirma que nenhum deles oferece risco de contaminar outras pessoas.

Para o ministro, a confirmação da doença não muda a estratégia do Brasil para se prevenir contra a gripe suína, já que todas as medidas preventivas foram tomadas com antecedência. Ele afirma que a população deve evitar a automedicação. "Todos os casos são importados, e o vírus não circula no Brasil", afirmou.

Segundo o ministro, outros 15 casos suspeitos da doença ainda são analisados no país. Os exames laboratoriais que confirmam ou descartam a contaminação pela doença podem sair nesta sexta-feira. Outros 93 casos foram descartados.

Pacientes brasileiros

Em São Paulo, um dos casos confirmados é de um rapaz de 24 anos que esteve no México entre os dias 17 e 22 de abril. Ele apresentou os sintomas no dia 24 e ficou internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas por dez dias, informou a Secretaria Estadual da Saúde.

O outro paciente de São Paulo, um homem de 48 anos, esteve nos EUA entre os dias 19 e 28 de abril. Ele apresentou os sintomas no dia 29 e também foi atendido no Emílio Ribas, onde foi medicado e mantido sob monitoramento. De acordo com o ministério, ele não ficou internado, e nenhum dos familiares manifestou sintomas da doença.

Em Minas, o paciente --que esteve no México entre os dias 22 e 27 de abril-- também já teve alta. Ele começou a manifestar os sintomas dia 26 e foi internado quando chegou ao Brasil. Ele recebeu alta no dia 29 e permaneceu em isolamento domiciliar até quarta-feira (6).

Apenas o paciente cujo caso foi confirmado no Rio continua internado. De acordo com Temporão, ele retornou do México no último dia 3, está internado desde terça-feira (5) e passa bem. Um outro paciente que também está internado no isolamento do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, ligado à UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), teve contato com o jovem de 21 anos que teve diagnóstico confirmado para a gripe suína.

Com Efe

07 maio 2009

Usina autuada por usar madeira ilegal

Usina Vitória abriga serraria que utiliza toras de mata atlântica

Jornal do Commercio

Seis meses depois de denunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego por uso de mão de obra escrava, a Usina Vitória, em Palmares, a 120 quilômetros do Recife, na Zona da Mata sul, voltou ontem a ser alvo de uma ação do governo federal. Dessa vez foi o Ibama que autuou a empresa por abrigar no seu parque industrial uma serraria abastecida por madeira ilegal. As toras são de mata atlântica, que tem o corte proibido por lei federal.

“A serraria funciona no pátio da indústria e é abastecida com madeira de árvores de remanescentes florestais da região”, afirma o coordenador de operações do Ibama, Alberto Rodrigues. Segundo ele, a serraria pertence à usina ou é arrendada pela empresa, que pertence a José Bartolomeu de Almeida Melo, conhecido como Beto da Usina, também prefeito de Palmares.

Beto da Usina diz que o Ibama se enganou. “Tem uma serraria lá, mas fica num terreno vizinho. Sou dono da usina, mas a serraria não é minha”, garantiu. Alberto Rodrigues informou que as máquinas e as toras encontradas ontem no local foram recolhidas por integrantes do Exército que acompanharam a segunda etapa da Operação Sucupira, iniciada semana passada.

Na primeira etapa, concluída na última sexta-feira, o Ibama, a Agência Pernambucana de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) e a Polícia Rodoviária Federal fecharam 18 serrarias irregulares. A ação resultou ainda na aplicação de mais de R$ 1 milhão em multas e no recolhimento de máquinas e de cabos encontrados numa fábrica de vassoura. Mais de 300 toras de espécies da mata atlântica foram apreendidas.

A operação se estendeu, segundo Rodrigues, para que os fiscais finalizassem o trabalho e porque o Ibama recebeu novas denúncias. Ontem, seis fiscais atuaram em Gameleira, a 93 quilômetros do Recife, na mesma região, e cinco em Palmares. As empresas autuadas, segundo o Ibama, não têm cadastro técnico federal ou licença ambiental. Além da multa, os donos de serraria responderão por crime ambiental, ficando sujeitos a penas que podem chegar a três anos de prisão.

Na serraria da Usina Vitória, a equipe recolheu 100 toras de sucupira e 17 máquinas. Em Gameleira, os fiscais encontraram outra serraria no fundo de uma residência. No local havia dez toras de árvores nativas e duas máquinas. O material também está sendo retirado.

DEVASTAÇÃO

Os remanescentes de mata atlântica em Pernambuco estão reduzidos a menos de 5% da cobertura original. Essas ilhas de floresta cercadas por cidades ou canaviais formam o Centro Pernambuco, uma área rica em endemismos, ou seja, na ocorrência de espécies exclusivas. O centro abrange ainda as florestas de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

O Centro Pernambuco abriga dois terços das espécies de aves e 8% das plantas vasculares da mata atlântica brasileira. Além de reduzido, esse trecho da floresta atlântica é o que apresenta o mais crítico estado de conservação. Cientistas estimam a existência de mais de 2.250 espécies de plantas, 124 de mamíferos, 96 de répteis e anfíbios e 434 de aves na área.

Chuvas fazem 30 vítimas no país

Quatro mortes são confirmadas em Salvador e Russas, no Ceará, estado que registra o maior número de óbitos — nove. São Luís decreta estado de emergência e Justiça do Piauí determina ponto facultativo

Correio Braziliense

A chuva não dá trégua para as regiões Norte e Nordeste. Meteorologistas preveem que o mau tempo deve continuar nos próximos dias, devido ao calor e à alta umidade do ar. Com isso, os estragos continuam e o número de vítimas cresce. Segundo balanço da Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, 737.934 pessoas já foram afetadas pelo mau tempo. Os dados colhidos pela Sedec contabilizam ainda 24 mortes em cinco estados: Ceará (9), Maranhão (6), Alagoas (4), Amazonas (4) e Santa Catarina (1). As informações não incluem os seis óbitos confirmados em Salvador, por isso o número de mortos já chega a 30.

Duas das mais recentes vítimas são Fernanda Bispo, 27 anos, e Rodrigo Cassiano da Silva, 20, ambos de Salvador. Ela havia desaparecido na tarde de terça-feira, quando foi levada pela enxurrada com a filha Beatriz, 6 anos. O corpo da jovem foi localizado ontem a cerca de 2km do local do acidente, preso na vegetação do Rio Camurujipe, perto da Rótula do Abacaxi, importante entroncamento viário da cidade. A criança continua desaparecida. Já Rodrigo morreu devido a um deslizamento de terra que atingiu um imóvel no Bairro de Pirajá, também na terça-feira. Seu corpo foi resgatado ontem debaixo da terra e de entulhos.

Com as confirmações, já são seis vítimas em Salvador. A primeira foi um bebê de 1 mês que teve a casa invadida por uma pedra que despencou de um morro no Bairro do Cosme Velho, na periferia da cidade, no dia 22. As outras três eram homens entre 20 e 22 anos que estavam com Rodrigo no momento do acidente de terça-feira. Somente entre a meia-noite e o meio-dia de ontem, a Coordenação da Defesa Civil (Codesal) registrou 145 deslizamentos na capital baiana.

Outras duas mortes foram confirmadas em Russas, no Ceará, estado que contabiliza nove vítimas e 134 feridos. Os desalojados — que estão em casas de amigos ou parentes— somam 24.364. Outros 16.363 estão desabrigados e foram removidos para ginásios e escolas. Em um dia, o número de cidades atingidas subiu de 55 para 65. O governador Cid Gomes disse que pediu auxílio do governo federal durante encontro ontem com o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira, em Brasília. A situação é mais grave no norte do estado. Mais de 100 açudes transbordaram, e o nível do Rio Acaraú continua alto. Em algumas cidades, por conta da interdição de estradas, falta comida e água potável.

Em Chava, que fica na divisa com o estado do Piauí, algumas localidades foram devastadas e estão sem água, luz e comunicação. O receio agora é com um possível arrombamento do açúde Itaúna, o que causaria uma tragédia. As águas alimentaram dois rios que cortam a cidade, como o Ubatuba, e provocaram as inundações. Já em Pentecoste, toda a população ficou isolada depois que uma ponte foi destruída.

Paralisação

A situação continua crítica também no Maranhão e no Piauí. O prefeito de São Luís, João Castelo, decretou estado de emergência no município por um período de 180 dias. Segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil, até terça-feira, 41 cidades do Maranhão estavam em situação de emergência, com 47.323 pessoas desalojadas ou desabrigadas. Seis pessoas já morreram no estado em decorrência de enchentes, que já causaram prejuízos a 128.791 pessoas.

No Piauí, a Justiça paralisou todas as atividades por conta da chuva e do estado de calamidade pública em que se encontra Teresina. Ontem, decretaram ponto facultativo o Tribunal de Contas da União, o Tribunal de Justiça do Piauí e o Tribunal Regional do Trabalho. As redes estadual e municipal de ensino também estão com as aulas suspensas. Apenas o atendimento dos serviços de saúde foram mantidos. A prefeitura também decretou ponto facultativo para as secretarias, exceto as consideradas serviços essenciais. Só na capital, os desabrigados chegam a 15 mil. O estado vive a maior cheia do Rio Poti já registrada nos últimos 30 anos. Há cerca de 48 mil atingidos pelas cheias em 61 municípios, dos quais 23 já decretaram situação de emergência.

06 maio 2009

México registra mais de mil casos de gripe suína; mortos chegam a 42


O ministro de Saúde mexicano, José Angel Córdova, anunciou nesta quarta-feira que o número de casos de gripe suína, oficialmente denominada gripe A (H1N1), chegou a 1.070 no país. O número de mortos também subiu significativamente de 29 para 42.

Estes números ainda não foram confirmados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que registra, no México, 822 casos, incluindo 29 mortes.

O anúncio foi feito em meio à retomada da rotina e das atividades comerciais no México, paralisado durante o fim de semana em uma tentativa de conter a epidemia da gripe suína que atinge severamente o país.

O ministro Córdova informou que duas das novas mortes foram registradas nesta terça-feira e que uma delas era um paciente internado há vários dias.

Córdova explicou ainda que o aumento significativo no número de casos de gripe suína é resultado de testes realizados em amostras antigas e que, por isso, o governo mexicano mantém o otimismo com a queda em novos contágios.

Balanço

Segundo o mais recente relatório da OMS, há 1.516 pessoas infectadas pela gripe suína em todo o mundo. Além do México, os Estados Unidos registram 403 casos da doença, incluindo o bebê mexicano que morreu na semana passada no Estado do Texas. O relatório da OMS não considera a segunda morte anunciada pelo governo americano, a de uma mulher, também no Texas.

A Guatemala entrou para a lista de países oficialmente afetados pela doença, com um caso diagnosticado. Outros países com casos confirmados da doença, sem nenhuma morte, são: Canadá (165), Espanha (57), Reino Unido (27), Alemanha (9), Nova Zelândia (6), Israel (4), El Salvador (2), França (4), Áustria (1), China (1, em Hong Kong), Colômbia (1), Coreia do Sul (2), Costa Rica (1), Dinamarca (1), Irlanda (1), Itália (5), Holanda (1), Portugal (1) e Suíça (1).

O comunicado reitera que restrições de viagens não são necessárias --quem apresenta sintomas da doença, entretanto, é aconselhado a adiar viagens-- e que o consumo de carne de porco cozida não traz riscos de infecção.

Com Efe, France Presse e Assocuated Press

Vai a 172 total de cidades afetadas pela estiagem no RS


São Paulo - Subiu para 172 o número de municípios gaúchos que decretaram estado de emergência em razão da estiagem que atinge o Rio Grande do Sul desde o início do ano. A agricultura nas regiões norte e noroeste do Estado é a mais afetada com a falta de chuva.

Segundo a Defesa Civil Estadual, somente ontem mais 12 cidades decretaram estado de emergência: Catuípe, Charrua, Gentil, Marcelino Ramos, Nova Alvorada, Nova Ramada, Novo Tiradentes, Paim Filho, Salto do Jacuí, São Jorge, Tunas e Ronda Alta.

A previsão para os próximos dias em praticamente todo o Estado é de tempo seco. Dos 172 municípios vítimas da estiagem, 18 já haviam decretado estado de emergência em dezembro de 2008 e prorrogaram em março deste ano. Outras 33 cidades, que decretaram somente neste ano, prorrogaram o estado de emergência depois do prazo legal de 90 dias após o primeiro decreto.

La Niña e Zona de Convergência Intertropical explicam chuvas no Norte e Nordeste e seca no Sul



Guilherme Balza
Em São Paulo

As regiões Nordeste e Norte do Brasil, que estão sofrendo com fortes chuvas nas últimas semanas, devem voltar a ser atingidas por temporais hoje, segundo previsão do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

As chuvas já provocaram 18 mortes nos Estados do Ceará, do Maranhão e da Bahia, além de deixar mais de 483 mil desalojados nos três Estados e ainda no Piauí, no Pará e no Amazonas, segundo números das Defesas Civis estaduais.

A ocorrência simultânea do fenômeno La Niña e da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) no hemisfério sul é a causa do excesso de chuvas nessas regiões e da estiagem no Rio Grande do Sul e, de acordo com a meteorologista Olívia Nunes, da Somar Meteorologia, a situação deve permanecer como está até o fim de maio.

Nas últimas semanas, as chuvas castigaram gravemente os Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia, Paraíba, Alagoas, Amazonas e Pará. Ao mesmo tempo, no Rio Grande do Sul, 172 municípios decretaram situação de emergência em razão da estiagem. Na semana que vem, 21 cidades decidiram fazer uma "greve" de cinco dias para chamar a atenção do Estado para o problema.

"A ZCIT se forma pelo encontro dos ventos úmidos do hemisfério sul e do hemisfério norte e age sobre o Norte e Nordeste do Brasil durante o verão e o outono", afirma Olívia. "É um fenômeno que causa chuvas nessas regiões intensas e impede que a umidade desça para o interior do sul do país, o que causa estiagem nessa região", diz Olívia.

O La Niña, por sua vez, é responsável pelo esfriamento das águas do Oceano Pacífico. Como consequência deste fenômeno, as águas do Atlântico sofrem um leve aquecimento para que haja um equilíbrio na temperatura atmosférica. De acordo com a meteorologista, a ocorrência dos dois fenômenos é comum nesta época do ano.

"A diferença é que nesse ano a temperatura da água do Atlântico no Nordeste subiu mais do que o normal. Isso causou mais evaporação, e, consequentemente, mais chuvas", afirma Olívia.

Segundo a meteorologista, o La Niña já enfraqueceu e as águas do Pacífico na região do Peru começaram a esquentar. "A temperatura da água no Pacífico já está perto da normalidade. O oceano responde às alterações climáticas em um certo tempo, mas o efeito na atmosfera é mais demorado."

Para Olívia, as condições do tempo no Brasil devem permanecer como estão até o fim de maio. "No fim do mês, a ZCIT migra para o hemisfério norte, a umidade na Amazônia tende a diminuir e deve voltar a chover no sul", afirma.

05 maio 2009

OMS confirma mais de mil casos



A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ontem que já existem 1.085 casos confirmados de gripe suína em todo o mundo, sendo que 26 deles resultaram em mortes. Em uma conferência telefônica, o médico Keiji Fukuda, diretor-geral adjunto da OMS para Segurança de Saúde e Meio Ambiente, disse que há preocupações de que o vírus da gripe A (H1N1), nome pelo qual a OMS passou a denominar a doença, possa atingir o Hemisfério Sul, onde o inverno se aproxima.

Fukuda explicou que para elevar o risco de alerta de pandemia para o nível 6 seria necessário que o "vírus estivesse estabelecido em partes diferentes do mundo". Atualmente, o alerta de risco de pandemia da OMS está no nível 5. Fukuda, disse que os casos da doença estão deixando de ser moderados e que podem levar à morte. Ele afirmou também que a OMS está monitorando a situação de perto.

Apesar das declarações do médico, a chefe da OMS, Margaret Chan, garantiu que a elevação do nível de alerta não seria motivo para pânico.

"A fase 6 não significa, absolutamente, que estamos nos aproximando do fim do mundo", avisou ela. "É importante deixar claro esse ponto ou, se anunciarmos o nível 6, causaremos uma onda de pânico desnecessária."

A OMS elevou na semana passada para 5 o nível de alerta para uma pandemia do vírus H1N1, em uma escala de 1 a 6. O nível 5 significa que uma pandemia é "iminente".

A chefe da OMS defendeu ainda a decisão tomada na sexta-feira, por autoridades em Hong Kong, de fechar um hotel e colocar aproximadamente 300 pessoas em quarentena, após o teste de um hóspede mexicano ter dado positivo para influenza H1N1. "Hong Kong é uma comunidade com uma densidade populacional muito grande, é um foco de comunicações internacional", apontou ela.

Já o prefeito da Cidade do México, Marcelo Ebrard, afirmou que o nível de alerta na capital mexicana foi reduzido de vermelho para laranja.

Além disso, foi anunciada a reabertura dos restaurantes da cidade a partir de amanhã. Já representantes de entidades de saúde pública estudam a possibilidade de elevarem o nível de risco de pandemia para o nível mais alto.

04 maio 2009

Disputa ambiental



Luiz Carlos Azedo

Mais um racha no governo Lula por causa da questão ambiental. O relator da MP 458/2009, que altera a legislação para ocupação da Amazônia, deputado Asdrubal Bentes (PMDB-PA), quer reduzir a reserva legal das posses de terras na região 80% para 50% das áreas ocupadas. O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes (PMDB), a favor do lobby do agronegócio, defende a mudança, mas o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (PV), trabalha contra a aprovação nos bastidores da Câmara. Recentemente, em outra medidas provisória, Minc foi derrotado por causa da intervenção da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, em favor de um dispositivo que autoriza a duplicação de estradas, com mudança de traçado, sem licença ambiental. É o caso da antiga Manaus-Porto Velho (BR-319), construída em plena selva pelos militares, mas que foi engolida pela floresta. O governo quer reconstruir a estrada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

No sábado, em Ribeirão Preto, Stephanes fez coro com o lobby agrícola e defendeu as alterações no Código Florestal Brasileiro pela MP 458/2009, com o argumento de que a produção agropecuária está mais sustentável do que quando foi instituído o diploma legal, em 1965. “As tecnologias de manejo vêm sendo alteradas ao longo do tempo. Plantar soja 20, 30 anos atrás, por exemplo, não era sustentável. Hoje já é altamente sustentável, uma vez que protege e recupera o solo e sequestra mais dióxido de carbono. Da mesma forma tivemos diversos avanços da cana”, destacou Stephanes. Segundo ele, o Código precisa ser corrigido, pois algumas das proibições são absurdas.

“Hoje, as leis não deixam produzir e também não protegem”, criticou.

Polêmica

Na semana passada, durante reunião conjunta de 11 comissões do Senado, as senadoras Katia Aberu (DEM-GO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT-AC), se digladiaram por causa da mudança. A petista defende a manutenção do percentual de 80% de reserva legal nas terras amazônicas. E que o limite para regularização de áreas em até 400 hectares. Toda a discussão feita dentro do governo, em 2005, era de que regularizando áreas de até 400 hectares, isso alcançaria cerca de 80% das propriedades da Amazônia. Agora, o limite vai até 1,5 mil. “É preocupante é o fato de que toda a regularização se dá em cima de um processo declaratório. O que deve ser a base são informações coletadas a partir de vistorias. Pois, se se parte do pressuposto de que todos vão falar a verdade, sinceramente, não estamos na Amazônia nem no Brasil, estaríamos no céu”, critica Marina Silva.

A polêmica divide o governo e a oposição e transcende a legalização das terras ocupadas pelo MST, que seria um dos objetivos da MP. A ideia original do projeto era criar mecanismos para regularizar a situação dos posseiros e garantir a preservação da Amazônia, mas sofreu grandes modificações. Estão sendo flexibilizadas salvaguardas ambientais para a transferências a particulares de terras públicas que correspondem a 64 milhões de hectares, em lotes que vão de 100 até 1,5 mil hectares. No Pará, há um conflito aberto entre fazendeiros e posseiros ligados ao MST, agravado pela falta de fiscalização e descumprimento de decisões judiciais. Segundo Kátia Abreu, 90% das terras da Região Norte não estão regularizadas e 111 reintegrações ainda não foram cumpridas. A senadora admite, porém, que é preciso ter cuidado para que a MP não se torne uma armadilha e vire compra e venda de terras. “É uma questão pura e simples de reintegração de posse de mais de 500 mil propriedades em situação desregularizada”, argumenta. “Esperamos essa MP há muitos anos. Acreditamos que ela nos ajude a avançar no sentido de ajudar os produtores rurais.”

“Hoje, as leis não deixam produzir e também não protegem”
Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Brasília tem dois suspeitos

Criança é internada no Hran após mãe notificar gripe durante voo. Um homem recebe tratamento no hospital



Viviane Vaz

Brasília entrou na rota do combate direto à ameaça da gripe suína. Ontem a Secretaria de Saúde do Distrito Federal indicou que há dois casos suspeitos e um em monitoramento. A estudante Viliane da Silva Aguiar, 24 anos, vivia havia dois anos e meio em Barcelona, Espanha, e resolveu voltar ao Brasil para visitar os pais em Rondônia, trazendo a filha, Ana Hilda, de um ano e sete meses. A menina teve febre e catarro cinco dias atrás, segundo a mãe. Durante o voo da TAM de São Paulo para Rondônia, com escala em Brasília, Viliane escutou um aviso sonoro. Com medo de problemas, achou melhor comunicar que a filha tinha ficado gripada. Até ontem a Espanha contabilizava 40 infecções pelo vírus H1N1. O segundo caso suspeito é de um homem internado no Hran desde a manhã de ontem .

Assim que chegaram ao Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, na manhã de ontem, Viliane e a filha foram levadas por funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran), centro de referência para tratar suspeitas de gripe suína na capital. “Eu não deveria ter saído da Espanha”, disse a mãe, arrependida. Ela contou que os médicos colheram sangue dela e da filha para exames. Também pretendiam interná-las por 10 dias. “Eu não quero ser internada aqui, porque quero ir embora para Rondônia. Não é justo comigo e com minha família”, revelou ao Correio, destacando que não se importaria caso a internação fosse perto de casa. De acordo com Viliane, a Anvisa tinha proibido a empresa aérea de deixar que ela embarcasse no próximo voo para Rondônia, na noite de ontem.

O gerente-geral de portos e aeroportos da Anvisa, Paulo Coury, explicou à reportagem que a criança está sob cuidado do Estado. “Na realidade não houve recusa da mãe em momento algum, foi só a falta de compreensão com a questão da saúde pública. Mas agora está tudo resolvido, a criança já está internada e a mãe vai ficar no isolamento junto com ela”, afirmou Paulo. Questionado se o Estado pode intervir, caso o suposto doente com gripe suína se recuse a participar de exames, o funcionário respondeu: “Em nome da saúde, o Estado pode fazer uma porção de coisas, mas isso até agora não foi necessário”.

Paulo também reconheceu que Viliane “está altamente ansiosa para chegar ao seu destino final”. Segundo ele, será necessário um prazo entre 24 e 48 horas para um exame diagnosticar a causa do mal-estar da criança. Já a subsecretária de Atenção à Saúde do DF, Disney Antezana, disse ao Correio que “a partir do momento em que o exame chega ao Instituto Adolfo Lutz, 72 horas é o prazo que foi dado”.

No caso de pessoas com suspeita de gripe suína cujo destino não for Brasília, e que prefiram ser internadas em hospitais próximos aos familiares, Disney explicou que a análise será individual. “Nós lidamos com essa situação, Brasília é um ponto onde os aviões fazem escala e que eventualmente as pessoas vão parar aqui. A Anvisa vai detectar (as suspeitas), junto com a Infraero. A Secretaria de Saúde tentará dar a resposta mais correta a esse casos”, esclareceu.

Sem máscara

Procurada pela reportagem, a TAM informou que desconhece o fato de que algum passageiro com os sintomas da doença tenha sido transportado pela empresa ontem, de São Paulo para Brasília, ou em qualquer outra rota nacional. Viliane viajou de São Paulo a Brasília sem utilizar máscara. “Foi a bordo do avião que ela sentiu isto e não temos máscaras disponíveis para todos os voos domésticos”, esclareceu Paulo. Ele disse que por enquanto a máscara é usada em voos provenientes do México e alguns dos Estados Unidos. “Nao existe ainda a informação de outros voos que tenham a necessidade de máscara.”

O funcionário da Anvisa explicou como é feito o procedimento nos aeroportos. “Existe um informe sonoro dentro do avião, pedindo para que alguma pessoa vinda de áreas afetadas, com sintomas de febre alta e tosse, se identifique ao comandante. O piloto passa a informação para a torre de controle e isso alerta todo um processo de fiscalização mais acurada”, disse Paulo. Ele contou que a Anvisa está intensificando a fiscalização e a entrega de informações na porta da aeronave assim que ele encosta na plataforma de embarque (finger). E lembrou que o informe sonoro é dado nos voos internacionais e domésticos para que as pessoas se identifiquem e a saúde pública tome as providências.

Colaborou Rodrigo Couto

Piauí tem 30 mil desabrigados pelas chuvas

Cidades de Maranhão, Ceará e Bahia estão em situação de emergência; trens entre Teresina e Fortaleza são parados



Efrém Ribeiro

TERESINA, SÃO LUÍS E FORTALEZA. Pelo menos 30 mil pessoas estão desabrigadas em 30 municípios do Piauí em decorrência das chuvas dos últimos dias. Cinco cidades já decretaram estado de calamidade pública. Em Teresina, os rios Parnaíba e Poty transbordaram. O prefeito Silvio Mendes (PSDB) decretou estado de alerta máximo diante do aumento do nível da água do Rio Poty, o maior desde 2004. O governador Wellington Dias anunciou ontem que homens do Exército vão atuar a partir de hoje, especialmente nas cidades mais afetadas: Barra, Esperantina, Caxingó e Pirapuruca.

As chuvas também provocaram transtornos no Maranhão, no Ceará e na Bahia. Pelo menos 39 municípios maranhenses tiveram problemas por causa das enchentes. Há 29 cidades em situação de emergência e uma em estado de calamidade pública: Monção, a 240km de São Luís. Na capital maranhense, parte de um casarão no Centro desabou ontem. É o terceiro prédio atingido neste ano. Outros 35 estão ameaçados.

No Ceará, mais de cinco mil pessoas estão sem casa

São Luís teve o abril mais chuvoso dos últimos 24 anos. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), foram 707,6 milímetros de chuva, quando a média do período é de 472,6 milímetros. Pelo menos 85 mil pessoas foram atingidas em outros municípios e seis rodovias federais estão com o tráfego prejudicado.

No Ceará, 52 cidades sofrem com as enchentes. Quatro pessoas morreram e, segundo a Defesa Civil, até sexta-feira passada havia 5.892 desabrigados.

No Piauí, as lavouras de arroz, feijão e milho dos municípios foram destruídas. Segundo o secretário de Defesa Civil do estado, Fernando Monteiro, há famílias abrigadas em ginásios e escolas.

O lavrador Luiz Francisco, de Esperantina, contou que a enchente arrastou móveis e eletrodomésticos:

- Na enxurrada desce muito lixo e as famílias perdem casas, móveis e eletrodomésticos, causando grande angústia.

Em Cantinho do Sul, na zona rural de Teresina, onde casas ficaram ilhadas, o transporte é feito com canoas e cavalos. Os moradores temem mais perdas, porque as águas das lagoas e do Rio Poty continuam subindo.

Ontem, a Companhia Transnordestina anunciou o bloqueio do tráfego de trens entre Teresina e Fortaleza (CE). O abastecimento de combustíveis em Teresina e cidades do interior pode ser comprometido, já que o trem é o principal transporte para a distribuição de gasolina no estado. Em Miguel Alves, a 110km da capital, 146 famílias estão desabrigadas, e os moradores estão usando canoas para sair de casa.

O agricultor Benedito Gomes Borges teve sua residência no povoado Alegria, zona rural de Teresina, invadida pelas águas, e perdeu a lavoura. Ele tentou salvar pelo menos as galinhas que estavam no teto de uma casa de palha, para que não fossem arrastadas pela correnteza:

- A casa era minha, mas não é mais, é do rio.

A lavadeira Maria das Graças de Macedo, de 48 anos, amanheceu ontem chorando porque sua casa na Nova Brasília, Zona Norte de Teresina, caiu:

- Perdi tudo. Minhas roupas não prestam mais. A cama é de metal, mas ficou debaixo dos escombros.

* Com o G1