22 novembro 2008

Na surdina e em crise, frota baleeira japonesa segue para a Antártica

Segundo informações divulgadas pela imprensa do Japão, cota de baleias a serem caçadas será 20% menor do que na temporada passada.



Tóquio, Japão — Ativistas do Grenpeace marcaram na manhã desta segunda-feira (17/11) a saída da frota baleeira do Japão do porto de Innoshima com faixas informando que a caça às baleias está sob julgamento e que o programa baleeiro suga milhões de dólares de impostos pagos por cidadãos japoneses.

A frota tentou deixar o Japão na surdina, após o cancelamento da tradicional cerimônia festiva de despedida da frota, promovida no porto de Shimonoseki. Com a presença apenas dos familiares da tripulação e autoridades da indústria baleeira, o navio-fábrica Nisshin Maru deixou Innoshima em direção ao Santuário de Baleias do Oceano Antártico.

A indústria baleeira japonesa está em crise. A mídia informa, com base em fontes da indústria, que a cota de baleias a serem mortas foi reduzida em 20%. A Agência Japonesa de Pesca, no entanto, diz que o total de 935 baleias minke e 50 fins serão mortas, mesmo número da temporada passada.

Foi também revelado que pela primeira vez na história a frota vai navegar sem uma tripulação 100% japonesa, com vários integrantes se recusando a viajar depois do escândalo de contrabando de carne de baleia ter sido revelado ao público pelo Greenpeace. E como não se bastasse, foi anunciado que o restaurante Yushin, que vende carne de baleia em Tóquio, será fechado em 2010 devido a problemas financeiros.

O cargueiro Oriental Bluebird, responsável pelo reabastecimento da frota baleeira, foi recentemente multado pelas autoridades panamenhas e não acompanhará os navios japoneses ao Oceano Antártico, o que deve ter impacto significativo na capacidade de transporte de carne de baleia de volta ao Japão.

"A confusão existente na indústria baleeira e a reação despropositada das autoridades japonesas contra os ativistas do Greenpeace, Junichi Sato e Toru Suzuki, mostram que o trabalho da organização no Japão está gerando frutos, ao revelar ao público um programa baleeiro caro e sem sentido", afirma Jun Hoshinkawa, diretor executivo do Greenpeace Japão. "O mercado de carne de baleia no Japão entrou em colapso. É a hora dos cidadãos japoneses, que pagam impostos, exigir que o governo pare de subsidiar esse programa falido, e trazer de volta ao porto a frota baleeira."

O Greenpeace vai focar seus esforços para acabar com a caça às baleias dentro do Japão, onde 71% do público não apóia o programa baleeiro japonês.

Rochas em caverna na China registram os efeitos de mudanças climáticas dos últimos séculos

Minerais mostram que períodos de seca coincidiram com queda de dinastias que governavam o país


WASHINGTON - Uma estalagmite crescendo do chão de uma caverna na China está fornecendo pistas sobre o final de diversas dinastias na história chinesa. Construída vagarosamente por minerais pingando com água há 1.810 anos, as substâncias químicas na pedra contam uma história de ciclos de monções fortes e fracos. Monções são as chuvas que irrigam os campos que alimentam milhões de pessoas.

Períodos de seca coincidiram com o desaparecimento das dinastias Tang, Yuan e Ming, disseram os pesquisadores na edição de sexta-feira, 7, da revista Science.

Além disso, a equipe liderada por Pingzhong Zhang, da Universidade de Lanzhou, na China, notou uma mudança nos ciclos por volta de 1960, o que eles disseram que pode indicar que os gases estufa emitidos pelos humanos tornaram-se uma influência dominante para as monções.
A caverna de Wanxiang fica na província de Gansu, onde 80% das chuvas ocorre entre maio e setembro.

Concentrações químicas na estalagmite indicam uma série de flutuações durando de um a vários séculos, e acompanham os dados europeus da idade do gelo e do período medieval quente.

Houve flutuações de uma década entre 190 e 530 d.C., o final da dinastia Han e a maior parte da Era da Desunião, disseram os pesquisadores. De 530 a 850 as monções declinaram, cobrindo o final da Era da Desunião, a dinastia Sui e a dinastia Tang.

As monções permaneceram fracas, com outra queda grande entre 910 e 930, então subindo e permanecendo fortes até 1020.

Os pesquisadores descobriram que depois de 1020 as monções variaram mas foram geralmente fortes, até uma queda forte intensa 1340 e 1360. Elas permaneceram fracas, com bastante flutuação, até um forte aumento entre 1850 e 1880.

De acordo com os pesquisadores, o período de seca contribuiu para a queda da dinastia Tang e dos maias, na América. Ele também pode ter contribuído para a falta de unidade durante o período das cinco dinastias e dos dez reinados, disseram.

Sistema de tratamento de esgoto inovador limpa Lagoa de Araruama



Biólogos, acadêmicos de engenharia florestal, gestores ambientais e até advogados integrados a comitês de bacias do Rio de Janeiro, Bahia e Minas Gerais se surpreenderam com os resultados obtidos com o tratamento de esgoto na Lagoa de Araruama, na Região dos Lagos. A recuperação da lagoa, a partir da implantação pela Prolagos do sistema de coleta e tratamento de esgoto em "tempo seco" foi o tema da visita técnica de uma comissão multidisciplinar à Região dos Lagos, por sugestão do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ).

O grupo participante do Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, no Rio de Janeiro, foi conhecer como funciona o sistema nos municípios da região. O sistema de captação e tratamento de esgoto em "tempo seco", implantado a partir de 2003, vem sendo citado pelas instituições estaduais de recursos hídricos como exemplo de recuperação ambiental, devido à melhora visível da Lagoa de Araruama, que apresentava um alto grau de poluição.

À época, a concessionária adotou o sistema em "tempo seco" por decisão de órgãos fiscalizadores como Ministério Público, prefeituras, CILSJ, Comitê de Bacia Lagos São João e outras entidades e instituições, que perceberam ser o mais viável para recuperar e salvar a lagoa da degradação ambiental a curto prazo.

Técnicos avaliam danos causados por produto tóxico no Paraíba do Sul

Houve mortandade de peixes e a captação de água para alguns municípios da região ainda está suspensa.



A Secretaria do Ambiente faz hoje uma vistoria no Rio Paraíba do Sul, no sul do estado. Técnicos querem avaliar os danos causados pelo vazamento de um pesticida tóxico nas águas.

Os moradores do sul do estado estão preocupados com a qualidade da água do Rio Paraíba do Sul que é o principal da região. Hoje a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, faz uma vistoria para saber o impacto do vazamento. A inspeção do Rio Paraíba do Sul será acompanhada por agentes da Coordenadoria de Combates aos Crimes Ambientais e Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

A Servatis também será vistoriada. A empresa reconheceu ser a responsável pelo despejo de um produto tóxico usado na fabricação de inseticida que acabou provocando a mortandade de peixes no Rio Paraíba do Sul.

Técnicos da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA), dizem que o vazamento teria acontecido na última terça-feira às 15h causado por uma falha no descarregamento de um dos caminhões da empresa.

A Servatis informou em nota que o vazamento foi provocado por um acidente. As cidades de Quatis e Três Rios continuam com a captação suspensa.

A empresa foi autuada pela FEEMA, mas o valor ainda não foi definido. O resultado da ánalise da água coleta no Paraíba do Sul deve ser divulgado na semana que vem.

20 novembro 2008

Mortandade de peixes no Paraíba do Sul intriga especialistas

A Agência de Meio Ambiente do município já recolheu material para análise para verificar se há algum tipo de contaminação e adverte: ninguém deve comer o pescado nem usar a água do rio.



A mortandade de peixes no Rio Paraíba do Sul, em Resende, intriga ambientalistas e autoridades. A Agência de Meio Ambiente do município já recolheu material para análise para verificar se há algum tipo de contaminação e adverte que por enquanto ninguém deve comer o pescado nem usar a água do rio.

O dono e o encarregado de uma fazenda às margens do rio Paraíba do Sul passaram o dia recolhendo uma grande quantidade de peixes mortos. De acordo com Matheus, o problema aconteceu às 6h, quando ele reunia o gado. “Passei aqui e o rio estava com muito peixe morrendo. Senti um cheiro forte de veneno”, conta.

Até o fim da tarde, dezenas de peixes mortos estavam descendo o rio Paraíba. Foi preciso várias viagens de barco para tirar os peixes da água. O pecuarista disse que está preocupado com o gado que se alimenta de capim nas margens e bebe água do rio. “Pode ocorrer uma intoxicação ou até a morte de uma vaca”, fala Altair Jardim.

Segundo as primeiras investigações de autoridades ambientais, a quantidade de peixes mortos foi vista a cerca de um quilômetro rio abaixo depois do Pólo Industrial de Resende, onde existem pelo menos dez grandes empresas atuando. Algumas trabalhando com produtos altamente tóxicos.

A Agência de Meio Ambiente de Resende, recolheu amostras da água e dos peixes para que sejam feitas analises clínicas. “Para que nós tenhamos a identificação da substância que deve ter sido lançada ao rio e sabendo qual substância possamos identificar o responsável pelo acidente”, conta Luiz Felipe César.

Prefeituras que captam água do Paraíba, foram avisadas sobre o problema. O ambientalista alerta também a população para que não consuma os peixes. “A substância pode ser tóxica portanto é preferível que esses peixes não sejam consumidos”.

A Feema, órgão estadual de controle do meio ambiente, também recolheu amostras para análise.

As prefeituras de Porto Real e Quatis suspenderam a captação de água do rio Paraíba até que o resultado dos exames seja divulgado. Em Barra Mansa e Volta Redonda, as coordenadorias de meio ambiente informaram que estão monitorando a situação.

Seca no Nordeste leva 291 municípios a decretar emergência

Sete Estados sofrem com a falta d`água; abastecimento dos moradores das áreas atingidas depende de carros-pipa



FÁBIO GUIBU, KAMILA FERNANDES e LUIZ FRANCISCO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM RECIFE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM FORTALEZA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR

A seca que atinge o Nordeste já levou 291 municípios de sete Estados da região a decretar situação de emergência. Nas áreas atingidas, o abastecimento dos moradores depende de carros-pipa.

A estiagem dizima lavouras e obriga até hospitais a adiar cirurgias por falta d"água. Sem chuva e com os plantios destruídos, sertanejos estão sem alimento. No Piauí, onde o governo decidiu antecipar o decreto de situação de emergência em 60 municípios para solicitar ajuda federal, o Estado já distribuiu 28 mil cestas básicas em cidades como Acauã e São Julião, onde a seca provocou perdas de 80% nas safras de milho e feijão.

No Ceará, onde a estiagem afeta 55 municípios, 30 cidades estão em situação de emergência. Carros-pipa contratados pelo Exército atendem 18 localidades. Em outras 25, o socorro é feito pelas prefeituras.

No Estado, a pior situação está no sudoeste. Em Antonina do Norte (512 km de Fortaleza), não chove desde maio. O único açude da localidade está com 29,9% da sua capacidade de armazenamento.

Cirurgias

Na Bahia, há duas semanas 24 cirurgias marcadas em um hospital de Itabuna foram canceladas ou transferidas para outras unidades, por falta de água. Nas paredes do Hospital Manoel Novaes, pelo menos cinco cartazes pedem para que todos economizem água.

Dos 417 municípios baianos, 88 estão em situação de emergência. Outras 42 cidades que também sofrem com os efeitos da seca tiveram o decreto assinado pelo governador Jaques Wagner (PT) expirado.

Segundo a Defesa Civil do Estado, o governo já construiu 8.000 cisternas para amenizar os problemas, que afetam aproximadamente 800 mil pessoas.

Só em dezembro

Em Pernambuco, 390 mil pessoas sofrem com a estiagem. Prefeitos de 48 dos 184 municípios do Estado já decretaram situação de emergência. Em Alagoas, 29 prefeituras também estão em situação emergencial devido à seca.

A situação se repete em nove cidades de Sergipe e em mais 27 do Rio Grande do Norte, onde os militares socorrem com carros-pipa 24 localidades.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia em Recife, só deve chover no semi-árido no final de dezembro.

De acordo com o chefe do setor de meteorologia, Ednaldo Correia de Araújo, a estiagem nesta época do do ano é considerada normal para a região.