30 agosto 2008

Sociedade debate a Política Nacional de Mudanças Climáticas



No dia 1º de setembro, no auditório da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo (SP), será lançada a consulta à sociedade civil para a formulação da Política Nacional de Mudanças Climáticas.

O evento é promovido pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV (GVces), Observatório do Clima, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e ONGs.

“Não se trata da elaboração de um projeto de lei, já que existe um processo em curso no Congresso Nacional neste sentido, mas da construção de um documento que possa contribuir para este processo, com inovações e sugestões provenientes da sociedade civil organizada”, explica Fábio Feldmann.

O encontro pretende ampliar a participação pública no debate para a formulação de uma política para o país sobre o temas. Além da liderança das organizações mencionadas, a iniciativa conta com o apoio do físico José Goldemberg, Fábio Feldmann, FBDS – Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, TNC – The Nature Conservancy, Fundação O Boticário, SPVS - Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental, Conservação Internacional, Fundação SOS Mata Atlântica, ISA - Instituto Socioambiental e IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil, e está aberta para adesão de novas instituições.

A iniciativa também promoverá consultas públicas no Rio de Janeiro e em Brasília, de setembro a novembro, quando será entregue o documento final ao Congresso Nacional.

Para Goldemberg, a Política Nacional de Mudanças Climáticas deve contemplar uma meta de redução das emissões de gases de efeito estufa de 20% abaixo da linha de base de 1990 até o ano de 2020.

Segundo ele, “esta redução poderá incluir reflorestamento e captura de carbono, a fixação de metas intermediárias e metas setoriais”.

O documento-base, disponível para a consulta pública no endereço http://www.oc.org.br/, sugere para a Política Nacional de Mudança do Clima:

- A garantia de que a sociedade brasileira promova todos os esforços necessários para assegurar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que impeça uma interferência perigosa do homem no sistema climático, em prazo suficiente para que os ecossistemas possam se adaptar naturalmente às mudanças do clima;

- Assegurar que a produção de alimentos não seja ameaçada e que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável.

- Princípios, conceitos e diretrizes da Política, bem como os instrumentos para sua operacionalização e estratégias de mitigação e adaptação para diferentes setores da economia, entre outros.

Serviço

Av. Nove de Julho, 2029 - Auditório da FGV, das 14h às 17h
Inscrições obrigatórias no endereço: http://http//ces.fgvsp.br/pnmc/presenca/

29 agosto 2008

Reserva abriga 26 áreas de garimpo ilegal de diamante

Falta de regulamentação de artigo da Constituição impede exploração em terra indígena

Projeto de lei em fase final de tramitação prevê repasse de ao menos 4% da receita de atividades de mineração a comunidades indígenas


BRENO COSTA
DA AGÊNCIA FOLHA

Área marcada pelo embate entre produtores de arroz e índios, a terra indígena Raposa Serra do Sol (RR) esconde outras riquezas, que atualmente não podem ser exploradas devido a um impedimento legal – que pode ser extinto em breve, com o apoio do governo.

Segundo mapas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) produzidos em 2005, existem, dentro dos limites da terra, 26 áreas ativas de garimpo de diamante. Todas essas áreas são ilegais – a exploração mineral em terras indígenas não é permitida, por falta de regulamentação do artigo 231 da Constituição, que condiciona a pesquisa mineral em áreas indígenas à autorização do Congresso Nacional.

A Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais do IBGE disse que os dados foram repassados pelo DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) e que não foram mais atualizados.

Sem citar números, o chefe do DNPM em Roraima, Eugênio Tavares, disse à Folha que sabe da existência de garimpos, em atividade no local ainda hoje, conduzidos por índios. Tavares afirmou que não pode precisar nem a quantidade de garimpos e envolvidos nem a localização exata das áreas.

Segundo ele, a extração ilegal de que tem conhecimento fica na região do rio Maú, fronteira com a Guiana, na área da Raposa. Tavares afirmou que a Superintendência da Polícia Federal em Boa Vista sobrevoou a região no primeiro semestre deste ano e constatou a presença de índios num garimpo.

As atividades de fiscalização na região viraram "brincadeira de gato e rato", segundo o chefe do DNPM no Estado. Tavares diz que, quando as autoridades se aproximam da região, os índios cruzam a fronteira.

"Quando se sentem prejudicados, os índios ficam pressionando a Funai. Agora, como são eles, não falam nada."

A Funai confirmou, por meio de nota, a existência de garimpos na região, mas não deixou claro se os responsáveis pela extração são índios ou brancos.

O potencial minerário da região - que envolve, além de diamantes, reservas não quantificadas de ouro e outros minérios - está prestes a se abrir para a exploração de empresas, através de licitações.

Projeto de lei substitutivo ao apresentado em 1996 pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), atual líder do governo no Senado, está em fase final de tramitação.

Em julho, o projeto, que prevê repasse de ao menos 4% da receita proveniente de atividades de mineração a comunidades indígenas, recebeu parecer favorável do deputado Eduardo Valverde (PTRO), relator de comissão especial criada em 2005 para tratar do tema.

Como a posição da comissão especial tem caráter conclusivo, o relator diz que pretende encaminhar o projeto de volta ao Senado ainda neste ano.

A intenção dele é aguardar o desfecho do julgamento sobre a terra no Supremo Tribunal Federal, interrompido anteontem após pedido de vista do ministro Carlos Alberto Direito.

O projeto substitutivo foi apresentado pelo governo.

Tavares diz haver cerca de 800 processos de requisição de autorização de pesquisa de minérios em terrenos da região parados, no aguardo de uma eventual mudança na lei.

25 agosto 2008

PREMIER NORUEGUÊS PRETENDE DEBATER PRESERVAÇÃO COM LULA



Rosana Hessel - A repórter viajou a convite da embaixada da Noruega

Oslo (Noruega), 25 de Agosto de 2008 - Em meio à movimentação do mercado em torno da descoberta do petróleo do pré-sal no litoral brasileiro, Jens Stoltenberg, primeiro-ministro da Noruega, quinto maior exportador mundial de petróleo, se prepara para uma visita de Estado ao Brasil a partir de 15 de setembro. Stoltenberg virá ao País com uma pauta focada em três pontos principais: a cooperação política e integração entre os dois países, a questão da economia e energia e, por último, meio ambiente.

"Estou bastante ansioso para ir ao Brasil. Estamos muito impressionados com o desenvolvimento econômico brasileiro nos últimos anos. O País se tornou uma potência global e estamos interessados e ansiosos em estabelecer um relacionamento mais próximo entre os dois governos", disse o premiê norueguês para um grupo de quatro jornalistas brasileiros, em seu escritório em Oslo, a capital norueguesa, na sexta-feira.

O primeiro-ministro elogiou as iniciativas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de buscar alternativas de fontes de energias renováveis, como o desenvolvimento de biocombustíveis, e também o combate à pobreza no País. Stoltenberg visitará o Rio de Janeiro, Brasília e Manaus, onde visitará áreas da floresta amazônica.

A floresta amazônica, junto com o petróleo, será o assunto principal das conversas de Stoltenberg com Lula. Durante a visita ao Brasil, o premier anunciará uma doação do governo norueguês para o fundo brasileiro de preservação da Amazônia. O valor não foi revelado pelo premier. "Ele será divulgado durante a assinatura do acordo", afirmou.

"Cerca de 20% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa são resultados do desmatamento. A Amazônia é importante porque é a maior floresta tropical do mundo, e vamos concentrar nossos esforços para cooperar com o governo brasileiro no combate ao desmatamento da Amazônia", disse Stoltenberg. Ele procurou destacar o sistema de monitoramento das florestas brasileiras e o fato de o governo brasileiro ter conseguido reduzir o desmatamento nos últimos anos. "Vamos ajudar o governo brasileiro a combater o desmatamento da Amazônia e a única coisa que vamos querer em troca é a preservação dela. Não temos uma segunda agenda", afirmou.

De acordo com o premier, já existe um intercâmbio entre os dois países nesse sentido e a troca de informações tem sido constante, tanto em nível técnico quanto no âmbito nível ministerial. "Estamos impressionados com a estrutura de monitoramento da floresta do Brasil. Isso não existe nos outros países", acrescentou.

O governo da Noruega criou um fundo de preservação das florestas tropicais. O parlamento da Noruega aprovou este ano para esse fundo a liberação de US$ 3 bilhões que serão aplicados nos próximos cinco anos, mas esse valor poderá ser maior ainda, informou o premier. Em junho, a Noruega doou junto com o governo britânico 100 milhões de libras (R$ 301,6 milhões) para o governo do Congo para serem aplicados no fundo de preservação das florestas tropicais do pais africano. "A preservação das florestas tropicais é a forma mais barata e eficaz para a diminuição dos gases causadores do efeito estufa", lembrou o coordenador de programas da Rainforest Foundation da Noruega, Torkjell Leira, com base em estudos ambientais.

24 agosto 2008

Tratamento de esgoto ainda é obstáculo para saneamento no país, diz secretário



Luana Lourenço

O baixo percentual de tratamento de esgoto no país – apenas 30% – é o principal gargalo da implementação das diretrizes apontadas pela Lei do Saneamento, que além do aceso aos serviços de esgoto sanitário, prevê tratamento de água, drenagem urbana e destinação correta para os resíduos sólidos. A avaliação é do secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegar Tiscoski.

Até quinta-feira (21), o assunto será tema do seminário Saneamento Ambiental no Brasil, Avanços e Desafios do Poder Público, organizado pela organização não-governamental ambientalista Instituto Biosfera, que debaterá a situação atual e as estratégias para melhoria do saneamento nas cinco regiões do país.

Na avaliação de Tiscoski, que participou hoje (19/08) da abertura do seminário, a reunião vai permitir troca de experiências e apresentação de modelos de gestão bem-sucedidos em alguns estados para auxiliar a elaboração e implementação de propostas em regiões como Norte e Nordeste, onde a falta de acesso ao saneamento é mais crítica.

“Alguns políticos de antigamente tinham a imagem de que investir em saneamento significava enterrar obras. Hoje, a população reconhece e cobra o saneamento como fundamental, necessário para qualidade de vida”, acrescenta.

O secretário estima que para universalizar o acesso ao saneamento no Brasil são necessários cerca de R$ 180 bilhões. Segundo Tiscoski, nos últimos cinco anos, o governo investiu R$ 12 bilhões e até 2011, outros R$ 40 bilhões serão liberados para as ações na área, no chamado PAC do Saneamento.

“É um processo lento para trazer os benefícios que a população necessita, mas já se começa a ter uma virada”, pondera. “Pela histórica falta de investimentos maciços na área, haviam poucos projetos ou estavam defasados. Agora, o setor começou a acordar”, avalia Tiscoski.

Novas RPPNs protegem mais de 14 mil ha no Mato Grosso Sul

Área representa 11% do total de terras privadas protegidas no estado, que conta com 37 RPPNs

Campo Grande - Três Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) foram criadas no começo de agosto no Mato Grosso do Sul para proteger 14.280 hectares de ecossistemas e de espécies nativas. Agora o estado tem 37 RPPNs que protegem, no total, 128.199 hectares, sendo o segundo estado brasileiro em quantidade de áreas protegidas por terras privadas, ficando atrás do Mato Grosso, que possui 170.980 hectares de reservas. A criação das RPPNs é fundamental para a conservação da biodiversidade, ainda mais em um estado como o Mato Grosso do Sul, onde 90% das terras pertencem a proprietários privados, explica Laércio Machado de Sousa, presidente da Associação dos Proprietários de RPPN do estado, a Repams.

Heitor Miraglia Herrera, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz e proprietário da recém-criada RPPN Alegria, com 1.128 hectares, localizada em Corumbá (MS), considera que as reservas privadas têm papel fundamental na manutenção da biodiversidade da região. “É visível a velocidade com que o homem vem modificando o ambiente natural. Por isso, decidi manter em minha propriedade uma área destinada para a conservação”, diz Herrera. A RPPN Alegria foi criada com recursos do primeiro Edital do Programa de Incentivo às RPPNs do Pantanal, lançado no ano de 2005. No início deste mês, a proposta de criação dessa RPPN foi aprovada pelo órgão ambiental do estado. Desenvolvido pela ONG Conservação Internacional (CI-Brasil) em parceria com a Repams, o programa, que este ano lançou seu terceiro edital, visa auxiliar proprietários rurais da bacia do Alto Paraguai na criação e na implementação de reservas particulares em suas propriedades.

O gerente do programa Cerrado-Pantanal da CI-Brasil, Sandro Menezes Silva, afirma que não é apenas a biodiversidade que ganha com as RPPNs, mas também o proprietário. “O reconhecimento da RPPN Alegria representa mais uma importante etapa na consolidação das reservas privadas no Mato Grosso do Sul uma vez que demonstra que a conservação da biodiversidade e a produção podem caminhar juntas para a proteção do Pantanal. As RPPNs são um bom exemplo de serviços ambientais que proprietários rurais podem prestar à sociedade”, afirma Menezes. Segundo Albertina Maria de Oliveira, proprietária da RPPN Duas Pedras, de 152 hectares, localizada em Bandeirantes (MS), a criação de uma RPPN mostra como é possível aliar preservação e desenvolvimento. “Acredito que minha atitude pode ajudar a manter amostras de plantas e de animais para meus netos e, conseqüentemente, para o futuro da humanidade”, diz Oliveira.

Sousa, presidente da Repams, afirma que a disposição dos proprietários rurais em contribuir para a proteção da biodiversidade pode ser incentivada e orientada por associações como a Repams, que oferecem tanto apoio financeiro como técnico para a criação de reservas privadas. Em cinco anos de atividades, a Repams ajudou a criar 20 RPPNs no Mato Grosso do Sul por meio de apoio financeiro e técnico. “A criação de RPPNs não apenas contribui para a conservação da biodiversidade local, mas também possibilita ganhos em qualidade ambiental nas próprias fazendas”, diz Sousa.

Iniciativa privada e conservação - Uma das três reservas privadas criadas neste mês é a RPPN Engenheiro Eliezer Batista, que pertence ao Grupo MMX. A reserva, localizada em Corumbá (MS), protege 13 mil hectares e foi criada com apoio técnico da ONG Instituto Homem Pantaneiro (IHP). Ângelo Rabelo, do IHP, explica que a ONG propôs a criação de uma área natural ao Grupo MMX com o objetivo de mostrar à empresa como ela poderia colaborar de maneira espontânea em ações de conservação, o que, consequentemente, contribuiria para sua credibilidade. “Esperamos que outros empreendedores apóiem causas relevantes para sociedade, como é o caso da proteção de ambientes de grande diversidade ecológica e que agora estão protegidos de forma perpétua pela RPPN EEB”, salienta Rabelo. Eike Batista, empresário e proprietário do Grupo MMX afirma que quer tornar a reserva um modelo para a participação da iniciativa privada no esforço de conservação do Pantanal. “Acredito que as empresas podem ir além de suas obrigações legais contribuindo com o ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade de maneira decisiva para a concretização de uma política nacional de proteção da natureza”, conclui.

Associação de Proprietários de RPPNs do Mato Grosso do Sul - REPAMSA

REPAMS é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, com sede no estado de Mato Grosso do Su, criada em 2003. Congrega proprietários de RPPNs – Reservas Particulares do Patrimônio Natural, sendo seu principal objetivo preservar o meio ambiente em áreas particulares, contribuindo, dessa forma, para o aumento, em área e qualidade, das unidades de conservação. A REPAMS promove a divulgação das reservas privadas, e de seus objetivos de conservação, e atua em parceria com o poder público e ONGs no apoio à gestão de reservas existentes e na criação de novas RPPNs. Para mais informações sobre a REPAMS, visite o nosso escritório à rua Michel Scaff, 105, Sala 11, Condomínio Alta Vista, Bairro Chácara Cachoeira - CEP 79.040-860 - Campo Grande/MS, ou pelo site www.repams.org.br

Conservação Internacional - CI-Brasil

A Conservação Internacional (CI) foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global - e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza. Como uma organização não-governamental global, a CI atua em mais de 40 países, em quatro continentes. A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente. A Conservação Internacional (CI-Brasil) tem sede em Belo Horizonte - MG. Outros escritórios estão estrategicamente localizados em Brasília-DF, Belém-PA, Campo Grande-MS, Salvador-BA e Caravelas-BA.

Eletronuclear apresenta solução para lixo nuclear para próximos 500 anos



LORENNA RODRIGUES

A Eletronuclear e a Cnem (Comissão Nacional de Energia Nuclear) apresentaram hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma proposta de destinação do lixo nuclear que manterá os rejeitos em segurança pelos próximos 500 anos.

Segundo a Folha Online apurou, há um "grau de consenso elevado" em torno da proposta, que não foi detalhada.

Lula se reuniu nesta segunda-feira (21/08) por mais de duas horas com 11 ministros para discutir a política nuclear brasileira. Fontes que tiveram acesso à reunião disseram que os ministros apresentarão em 60 dias ao presidente uma proposta para um novo programa nuclear no país.

O ponto central para que o programa deslanche é que se encontre a solução "mais definitiva possível" para a questão dos rejeitos nucleares. Ao conceder a licença prévia para a construção de Angra 3, o Ibama exigiu que se encontrasse uma solução mais segura e duradora do que a que existe hoje, em que o lixo das usinas Angra 1 e 2 é armazenado em piscinas de resfriamento na própria usina.

A Folha Online apurou que o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) achou a proposta apresentada hoje consistente, mas pediu mais detalhamentos. Quase todos os ministros que formam o Conselho de Desenvolvimento da Política Nuclear concordam que é necessário aumentar a participação da energia nuclear na matriz energética brasileira.

Na reunião de hoje, foi discutida ainda a construção de novas usinas nucleares e de um submarino com propulsão nuclear, mas a decisão sobre ambos assuntos será em reuniões posteriores.

Gestores das Unidades de Conservação na Amazônia afirmam estar isolados

Em manifesto, profissionais da área cobram do Ministério do Meio Ambiente uma gestão equilibrada e forte para o setor

Os gestores de Unidades de Conservação na Amazônia denunciam, em manifesto ao Ministério do Meio Ambiente, a situação de abandono e isolamento em que vive a área ambiental federal. Servidores da Asibama do Distrito Federal (Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA) uniram-se aos servidores no protesto.

"Não temos apoio institucional. Não temos segurança jurídica. Não conseguimos operar recursos financeiros. Não passamos a ter uma política de RH definida. Não temos um canal de comunicação confiável com a sede. Não desburocratizamos nada. Não temos quaisquer estruturas estaduais ou regionais de apoio ou representação do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), sendo que nos resta, cada vez menos, o apoio do Ibama nos estados", atesta o documento encaminhado ao ministério.

Em 2007, a criação do Instituto Chico Mendes por meio da MP 366/2007, convertida na Lei 11.516/2007 agravou a já complicada situação das instituições públicas e dos servidores. Na avaliação dos profissionais do setor, o processo que levou ao nascimento do Instituto teve "natureza sigilosa, totalmente contrária aos princípios democráticos".

A divisão da área ambiental federal gerou uma "competição esquizofrência" entre Ibama e Instituto Chico Mendes por recursos financeiros e humanos, o que resultou em uma instabilidade institucional. A expectativa dos servidores é de que o ministro Carlos Minc consiga reverter o quadro de abandono do poder público que levou a Amazônia e o resto do País à cruel realidade atual.

Borracha difícil de apagar



Thiago Romero

Em 2006, foram reciclados no Brasil 48,1 milhões de pneus que não prestam mais para uso em automóveis, o equivalente a 240,6 mil toneladas. No mesmo ano foram produzidas no país cerca de 54,5 milhões de unidades. Outras 28,6 milhões foram importadas, sendo parte comprada para reforma e venda como pneus meia-vida.

Considerando que 18,7 milhões de peças foram exportadas no mesmo ano, fica evidente a existência de um preocupante passivo ambiental de, pelo menos, 16,3 milhões de pneus de automóvel que teriam sido dispensados na natureza naquele ano.

É o que destaca um estudo feito por Carlos Alberto Lagarinhos e Jorge Alberto Tenório, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho, que apresenta as tecnologias utilizadas no Brasil para a reutilização, reciclagem e valorização energética do produto, foi publicado na revista Polímeros.

O estudo também avaliou o passivo ambiental de 2002 a 2006, com base em dados coletados em instituições como a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Ao calcular o número de pneus produzidos, importados, exportados e reciclados nesse período, temos uma média de 14,9 milhões de pneus que teriam sido gerados e descartados na natureza anualmente, uma vez que supostamente não houve coleta e destinação correta desse material”, disse Lagarinhos à Agência FAPESP.

O estudo lembra que em 1999 foi aprovada no Brasil a resolução nº 258 do Conama, que instituiu a responsabilidade do produtor e do importador pelo ciclo total do produto. De acordo com a resolução, desde 2002 os fabricantes e importadores de pneus no Brasil devem coletar e dar a destinação final para as peças usadas, sendo os distribuidores, revendedores, reformadores e consumidores finais também co-responsáveis pela coleta dos pneus servíveis e inservíveis (que não têm mais uso em veículos). Estima-se que um pneu leve mais de 500 anos para se decompor na natureza.

Segundo Lagarinhos, um dos pontos positivos da resolução foi a criação do cálculo que permite estabelecer o objetivo para a reciclagem de pneus, cujo percentual precisa estar acima do nível de produção a fim de eliminar o passivo ambiental existente.

“De 2002 a 2006, apenas no primeiro ano foi atingido o objetivo de reciclagem do Conama. Ou seja, de cada quatro pneus produzidos, um foi reciclado, atingindo o índice de 25% estabelecido pela resolução”, disse.

Para 2003, 2004 e 2005, a resolução nº 258 estabeleceu que o índice aumentaria, respectivamente, para 50%, 100% e 125%, porcentagem que se mantém até hoje. Ou seja, atualmente, de cada quatro pneus produzidos em todo o país, teoricamente é preciso reciclar cinco unidades, deixando de jogá-las no meio ambiente.

Economia com a reciclagem

O estudo aponta ainda que, de 2002 a 2006, foram recicladas 805,2 mil toneladas de pneus inservíveis no Brasil, o equivalente a 161 milhões de peças.

A quantidade reciclada, em unidades ou peso, é reportada anualmente pelas empresas de reciclagem e associações ao Ibama por meio do Relatório Anual de Atividades do Cadastro Técnico Federal (CTF). No caso dos pneus importados, a reciclagem de pneus antecede a liberação dos pneus novos importados.

“A resolução nº 258, apesar de estar em vigor e subsidiar a aplicação de multas pelo Ibama aos fabricantes de pneus e empresas que não cumpriram as metas de reciclagem, está desde 2005 em avaliação pelo instituto, seguindo o cronograma previsto no documento que a criou”, explicou Lagarinhos.

Entre as vantagens da recapagem e recauchutagem de pneus estão o emprego de apenas 25% do material utilizado na fabricação de um pneu novo e a economia de 57 litros de petróleo por pneu reformado. “Isso representa uma economia de 798 milhões de litros de óleo diesel por ano ao Brasil”, disse.

Segundo o pesquisador, na Europa 20% dos veículos de passeio e utilitários, 50% da frota de caminhões e 98% dos aviões das linhas aéreas internacionais utilizam pneus remoldados. No Brasil esse mercado está crescendo e, em 2006, foram produzidos 2,4 milhões de pneus remoldados.

Ainda são escassos, segundo Lagarinhos, os estudos sobre o volume de pneus produzidos, reciclados e dispensados na natureza no Brasil. “Calcula-se, segundo dados da literatura científica, a existência de pelo menos 100 milhões de unidades descartadas no meio ambiente. Esse número leva em conta toda a produção da indústria de pneus, desde sua implementação no país no fim da década de 1930”, apontou.

O descarte de pneus usados chega a atingir, anualmente, a marca de quase um bilhão de unidades em todo o mundo, segundo dados da Associação Japonesa dos Fabricantes de Pneus Automotivos.