28 junho 2008

Macacos morrem com suspeita de febre amarela em Guaíra



LUCAS REIS
DA FOLHA RIBEIRÃO

A morte de dez macacos com suspeita de febre amarela em Guaíra (432 km de São Paulo) fez com que a prefeitura fechasse o zoológico da cidade e a Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) realizasse um bloqueio vacinal na zona rural.

Os animais, encontrados mortos nos últimos 20 dias, foram congelados e enviados ao Instituto Adolfo Lutz (em São Paulo) para análise. Dos dez macacos mortos, nove foram encontrados em uma mata que fica a 200 metros do zoológico - todos eram sagüis.

O décimo animal, da espécie bugio, apareceu morto na zona rural de Guaíra. Ele é justamente o que apresenta as maiores suspeitas da doença, segundo o secretário da Saúde da cidade, Cássio Luiz Rosinha.

"Exame preliminar feito pelos veterinários do zoológico mostrou que o [macaco] bugio tem a maior suspeita [de febre amarela], pois tem sinal da doença", disse o secretário.

Na quarta e na quinta-feira, agentes da Sucen percorreram a mata em busca de mosquitos e outros animais mortos, mas não encontraram nada. O zoológico foi fechado na última segunda-feira.

Guaíra é uma das cidades listadas pelo Ministério da Saúde como área de risco de febre amarela em São Paulo.

Segundo Elói Junqueira Lélis, diretor do zoológico e médico veterinário, a área ficará fechada até que os resultados dos exames sejam revelados. Em março, um macaco foi encontrado morto no zoológico, mas exames descartaram a doença.

A prefeitura vai ampliar a vacinação para atingir toda a população da cidade. Arrastões de vacina serão feitos nos bairros e principalmente na área rural.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que vai aguardar o resultado dos exames para tomar novas medidas de prevenção no local. Por enquanto, seguem a vacinação e o bloqueio de rotina.

Em junho, duas mortes por febre amarela ocorreram na região de Ribeirão Preto - foram os primeiros casos em oito anos no Estado de São Paulo.

BALEIAS: JAPÃO CONTINUARÁ PROGRAMA DE CAÇA "CIENTÍFICA"



A reunião anual da Comissão Internacional da Baleia (CIB) terminou ontem em Santiago, Chile, sem que os países contrários à caça tenham conseguido frear o programa de caça "científica" do Japão. O país asiático é o líder do bloco que pressiona pela suspensão à moratória à caça comercial, em vigor desde 1986. Seu programa de "pesquisa letal" se permite matar mil animais por ano. A carne é vendida no mercado interno. A CIB também não aprovou neste ano, mais uma vez, a proposta brasileira de criar um santuário de baleias no Atlântico Sul.

27 junho 2008

Lufthansa critica plano de incluir aviação civil no comércio de emissões

Os planos da União Européia (UE) de incluir companhias aéreas no comércio de créditos de carbono foram duramente criticados pela alemã Lufthansa. Segundo esses planos, a partir de 2012 serão introduzidos limites para as emissões de gases causadores do efeito estufa. As empresas teriam de adquirir em leilões o correspondente a 15% de suas emissões de dióxido de carbono (CO2).

Veja a matéria completa em:
http://www.aeronautabrasil.blogspot.com/

"Profecias" de Orlando Villas Boas sobre a Amazônia

No Dia Mundial do Meio Ambiente, um alerta feito pelo maior sertanista brasileiro, Orlando Villas Boas. Pouco antes de morrer, ele denunciou interesses norte-americanos na Amazônia e fez uma profecia sobre o futuro de terras indígenas na região.

General Augusto Heleno sobre a Amazônia

Mudança climática causa epidemia de alergia na Europa


Por Julio Godoy

Berlim – A mudança climática está causando transtornos sanitários na Europa, devido a novas e prolongadas manifestações alérgicas, alertam as autoridades. A mais importante das “novas” alergias que afetam a saúde da população européia é a causada pela ambrósia comum (Ambrosia artemisiifolia), uma erva que desencadeia a chamada “febre do feno”. A planta, que chega a um metro de altura, é nativa da América do Norte, mas foi levada à Europa há várias décadas, segundo biólogos e autoridades sanitárias da Alemanha. Devido às temperaturas mais altas dos últimos tempos, se propagou por este país, França, Hungria e Itália, entre outros.

Seu pólen causa em muitas pessoas a febre do feno, que se caracteriza por espirros, nariz úmido, coceira nos olhos e fortes ataques de asma e conjuntivite. Também foram registrados casos de infecções cutâneas por contato com a ambrósia. “Como floresce no verão, e até outubro, está prolongando pelo menos em dois meses a temporada européia considerada normal de alergias”, disse à IPS o meteorologista Thomas Duemmel, da Universidade Livre de Berlim. Para este especialista, outras plantas alérgicas, como a bétula , o avelaneiro e a castanha da Índia florescem no começo da primavera e até meados de maio.

Ao somar-se à ambrósia, a temporada de alergias começa em princípios de março e pode se estender até outubro. “As temperaturas mais altas aumentaram o período de floração de todas estas plantas, piorando as afecções alérgicas de milhões de pessoas”, disse Duemmel. A proliferação da ambrósia é preocupante “porque uma única árvore pode produzir até um bilhão de partículas de pólen que, com a ajuda do vento, chegam a se espalhar por centenas de quilômetros”, acrescentou.

“Temos de frear isto, porque a planta produz um dos polens mais alérgicos que se conhece”, afirmou à IPS o biólogo Stefan Nawrath, especialista em ambrósia do Instituto para a Ecologia, a Evolução e a Diversidade, da Universidade de Frankfurt, 450 quilômetros ao sul de Berlim. “Dez grãos de pólen de ambrósia por metro cúbico de ar são suficientes para causar dores de cabeça, rinite e inclusive asma”, acrescentou. O estatal Instituto Julius Kühn para a pesquisa em botânica informou que a ambrósia é “a planta da América do Norte que mais causa alergia”.

Em uma pesquisa, o Instituto afirma que, “devido ao seu florescimento tardio, é infértil em regiões mais frias do mundo, e, portanto não pode proliferar”. Devido às altas temperaturas associadas à mudança climática, “é importante pesquisar quais condições climáticas tornam possível a fertilização das sementes de ambrósia”, acrescenta. Estas preocupações sanitárias são tão sérias que várias agências de salubridade da Alemanha aprovaram um plano para exterminar a ambrósia. Em algumas regiões da França e da Itália, pelo menos 12% da população são alérgicos ao pólen da ambrósia. Além disso, “pode ser uma praga para a agricultura, porque reduzi a produtividade dos campos”, explicou Nawrath à IPS. Na Alemanha, a incidência de alergias causadas pela mudança climática aumentou acentuadamente desde o pós-guerra.

Informes oficiais indicam que a porcentagem da população do ocidente da Alemanha que sofre da febre do feno ou de outras formas de polinosis passou de 20% entre os nascidos no período de 1942 a 1951, para 27% entre os nascidos de 1962 a 1971. a Sociedade Alemã de Alergologia e Imunologia vai mais além, pois estima que atualmente um terço da população do país sofre alguma forma de alergia. Em seu “Livro branco sobre alergias na Alemanha”, a entidade afirma que estas enfermidades “aumentaram drasticamente nos últimos anos. Agora, as mortes causadas por asma alérgica são mais numerosas do que as causadas por acidentes de trânsito”.

O aumento está necessariamente vinculado às mudanças no meio ambiente, disse Heidrun Behrendt, diretora de pesquisas sobre alergia e imunologia na Universidade Técnica de Munique, 500 quilômetros a sudeste de Berlim. “A predisposição genética às alergias não pode crescer substancialmente dentro de uma determinada população. Portanto, temos que buscar explicações para o aumento das doenças alérgicas nas mudanças ambientais”, disse Behrendt em uma entrevista.

A especialista e sua equipe de pesquisadores descobriram que os sinalizadores celulares lipido-dependentes do pólen (conhecidos pela sigla alemã Palms) desencadeiam a doença ao provocar a interação entre o pólen alérgico e partículas químicas contaminantes presentes no ar, como as emitidas pelos meios de transporte. “Pudemos demonstrar que os grãos de pólen e os contaminantes do ar liberam Palms, e isso explica o aumento das alergias”, disse Behrendt.

Segundo o estudo, os Palms ativam as células infectadas e eliminam as células que permitem a imunização do organismo humano, abrindo caminho para as alergias. Isto explicaria o motivo de muitas pessoas sofrerem mais alergias em zonas de muita contaminação do ar, sejam aéreas com um intenso trânsito de veículos ou próximas de indústrias químicas.

Estado do Rio anuncia projeto para acabar com lixões



O governo do estado pretende acabar, o mais breve possível, com os lixões existentes em território fluminense, substituindo-os por aterros sanitários ou por outra forma ambientalmente adequada de tratar os resíduos sólidos. Este é o objetivo principal do projeto Lixão Zero, anunciado pela secretária do Ambiente, Marilene Ramos, nesta segunda-feira, pela manhã, no Palácio Guanabara, depois de uma reunião com o governador em exercício e secretário de Obras, Luiz Fernando Pezão.

Segundo Marilene, o projeto é dividido em duas linhas de atuação: o financiamento e construção de aterros sanitários consorciados, já em fase de execução, e a concessão de incentivos financeiros para os municípios que não conseguirem se consorciar e querem ter seu lixo tratado adequadamente. Neste último caso, cujo modelo está sendo formatado pelo governo estadual, com base no Programa de Compra de lixo Tratado (Prodes), do governo federal, a prefeitura define o tipo de tratamento que será dado ao lixo e investe na execução do projeto.

- A idéia é que o município encontre a solução para tratar o seu lixo. A Secretaria do Ambiente não vai entrar no mérito do tipo de solução, se será aterro sanitário ou se será incineração ou se o aterro será público ou privado - esclarece Marilene Ramos.

Definida a opção, se ela for viável técnica e ambientalmente, a Secretaria do Ambiente assinará um contrato com a respectiva prefeitura para o depósito em um banco oficial dos recursos correspondentes ao orçamento da obra. Quando o sistema começar a operar, a prefeitura poderá resgatar, durante os cinco próximos anos, os recursos investidos.

- Se o município não estiver tratando adequadamente seu lixo, a prefeitura perde o direito ao resgate. Desta forma, pelo menos durante cinco anos, haverá a garantia de que os resíduos sólidos terão uma destinação adequada - completou a secretária, acreditando que o sistema ecologicamente correto, uma vez instalado, não sofrerá retrocesso.

Sobre a outra linha de trabalho, a secretária informou que há recursos, no valor de R$ 60 milhões - R$ 40 milhões da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), do Ministério da Saúde, e R$ 20 milhões do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam), da Secretaria do Ambiente -, para financiar a construção de quatro aterros consorciados.

Os consórcios já formados e com projetos prontos são os de Teresópolis, cujo aterro deverá ser o primeiro a ser implantado, de Valença, Paracambi e Quissamã. Cada município líder se associa a quatro ou cinco cidades do entorno para ter um aterro sanitário comum. Depois de concedida a licença ambiental, a licitação e gerenciamento da construção dos aterros ficarão a cargo da Secretaria Estadual de Obras, a quem a Secretaria do Ambiente repassará os recursos. Os aterros prontos serão entregues aos consórcios que se comprometem a operá-los adequadamente.

- Um aterro sanitário mal operado se torna lixão em pouco tempo - adverte Marilene Ramos, acrescentando que a fiscalização da Secretaria nesses locais será contínua e rigorosa.

A secretária acredita que o primeiro aterro consorciado deverá ser inaugurado dentro de, no máximo, um ano, disse ainda que há lixões em todas as cidades, mas que alguns já foram ou estão sendo transformados em aterros sanitários, como em Nova Iguaçu, São Gonçalo e Niterói. Tanto a desativação do Lixão de Gramacho quanto à construção do aterro sanitário de Paciência, na Zona Oeste do Rio, é da prefeitura carioca.

- Paciência é uma solução para o município do Rio. A prefeitura carioca está contratando uma empresa privada para construí-lo e operá-lo. Ao estado coube apenas agilizar o licenciamento para sua construção. Só com o aterro de Paciência é que o Lixão de Gramacho poderá ser desativado. Quando isto ocorrer, os gases produzidos pelo lixão serão industrializados e vendidos no mercado de energia, reduzindo o impacto ambiental do lugar - finalizou Marilene Ramos.

Abertas as inscrições para o prêmio Von Martius de sustentabilidade 2008

Inscrições de projetos vão até 26 de setembro


Foi aberta ontem (16/06) as inscrições para o Prêmio von Martius de Sustentabilidade, um dos mais importantes da área. Os interessados podem acessar o site http://www.premiovonmartius.com.br/, no qual a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, promotora do Prêmio, disponibiliza informações sobre o regulamento, inscrições, histórico da premiação etc. O prazo para inscrever os trabalhos vai até o dia 26 de setembro e a cerimônia de entrega aos vencedores será realizada em 11 de novembro, em Curitiba.

Desde 2007, a cerimônia de premiação é realizada de maneira rotativa pelas capitais do Brasil. Desta forma, a Câmara Brasil-Alemanha acredita estar difundindo ainda mais o Prêmio em todo o País, bem como incentivando a inscrição de projetos de várias regiões brasileiras.

No ano passado, o Rio de Janeiro sediou a entrega do prêmio. A escolha de Curitiba como sede da 9ª edição do Prêmio von Martius de Sustentabilidade deve-se ao forte vínculo da cidade com as questões ambientais, o que inclui a preocupação com a manutenção de sua área verde. Hoje, Curitiba detém os mais altos índices de áreas verdes entre as metrópoles do País. Os seus mais de 30 parques e bosques totalizam 82 milhões de metros quadrados, o que corresponde a 52m2 de área verde por habitante, três vezes maior do que a área mínima recomendada pela ONU.

A cerimônia de entrega do Prêmio von Martius de Sustentabilidade será este ano, mais uma vez, carbon free. Isto será feito em parceria com a BRTÜV, empresa especializada em certificação e qualificação de produtos e serviços. Ela fará um levantamento de todas as emissões de gás carbônico relacionadas ao evento e identificará a forma mais adequada para a sua neutralização. “Essa importante parceria reforça o compromisso do Prêmio von Martius de Sustentabilidade com o desenvolvimento sustentável, especialmente com relação ao meio ambiente”, afirma Ricardo Rose, Diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Câmara Brasil-Alemanha

Sobre o Prêmio von Martius de Sustentabilidade

O Prêmio von Martius de Sustentabilidade reconhece projetos de todo o Brasil – concluídos ou em realização – que promovam o desenvolvimento econômico, social e cultural alinhado com o conceito de desenvolvimento sustentável. Podem concorrer iniciativas de empresas, instituições públicas ou privadas, indivíduos e organizações não governamentais, associadas ou não à entidade promotora. Dividido em três categorias – Humanidade, Tecnologia e Natureza –, o Prêmio reúne mais de 1.400 projetos inscritos em apenas oito anos.

O Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2008 conta com o patrocínio das empresas: Faber-Castell, Henkel, Petrobras e Tetra Pak além do apoio das seguintes instituições: Ministério do Meio Ambiente do Brasil, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), do World Wide Fund for Nature (WWF), InWEnt e Gráfica Bandeirantes. O Prêmio von Martius de Sustentabilidade é o único concurso de projetos ambientais do Brasil a dispor de compensação de carbono certificada pela BR TÜV.

Gás de lixo pode produzir 15% da energia do Brasil

Técnica incentiva manejo correto de resíduo e ajuda a combater o efeito estufa

Apesar do potencial, estudo realizado para o Ministério das Minas e Energia privilegia energias eólica e solar como alternativas



André Lobato*

O lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15% da energia elétrica total consumida no país. A estimativa consta no Plano Decenal de Produção de Energia 2008/ 2017 e considera todo o lixo recolhido nestes municípios. O documento deveria ser lançado ainda neste mês e está em fase final de elaboração.

Apesar dessa previsão, o Ministério de Minas e Energia - que encomenda o relatório desde 2006, para balizar suas ações- não tem planos de realizar leilões com a energia do lixo nos próximos anos. Segundo o governo, as prioridades em fontes renováveis são eólica, solar e hidrelétrica.

A falta de perspectivas aumenta a defasagem do Brasil na tecnologia de eletricidade produzida por meio do lixo, na avaliação do professor Luciano Bastos, responsável pelo capítulo que avalia esse potencial no plano decenal a ser lançado.

Bastos, que é pesquisador do Ivig (Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais), diz que a única usina construída especialmente para aproveitar o potencial energético dos dejetos é a termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, com capacidade de 200 kW por mês, suficiente para abastecer 2.300 casas.

Além dessa usina, há os aterros sanitários Novagerar, em Nova Iguaçu (zona metropolitana do Rio), Bandeirantes e São João, em São Paulo, que utilizam o gás metano resultante da decomposição natural da matéria orgânica.

Carbono à venda

A transformação de lixo em energia teria ainda duas conseqüências benéficas, na opinião de pesquisadores. A primeira é incentivar a armazenagem correta dos resíduos, que passam a ser matéria-prima. Dados do IBGE de 2000 indicam que 63,3% dos municípios brasileiros tratam o lixo de forma errada - em geral apenas determinam o terreno em que os detritos devem ser jogados.

Outro benefício seria econômico: assim como outras fontes de energia renovável, o lixo pode gerar créditos de carbono e favorecer o Brasil nas negociações sobre mudanças climáticas. A geração de créditos se deve à queima do metano, produto natural da decomposição orgânica. Este gás é mais danoso ao aquecimento global do que o gás carbônico CO2 -mas é eliminado com a combustão.

O aterro Novagerar foi o primeiro do mundo a vender créditos pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), do Protocolo de Kyoto. "Nossa intenção é deixar de ser uma empresa de resíduos e passar a ser de energia", diz a diretora Adriana Felipeto. A empresa calcula que o investimento necessário para gerar seis megawatts (energia para 24 mil casas) será de US$ 6 milhões.

Para Felipeto, empresas com ações na Bolsa têm mais interesse em comprar a energia do lixo e, por isso, a demanda deve aumentar com o grau de investimento, pois mais companhias devem abrir capital.

"Há um reconhecimento claro da importância do aproveitamento da energia do lixo", diz Manoel Avelino, presidente da Arcadis Logos Engenharia - sócia nos aterros Bandeirantes e São João.

A energia gerada no Bandeirantes (20 MW ou 160 mil casas) é usada pelo Unibanco e a do São João (24.8 MW ou 198,4 mil casas) é vendida para grandes consumidores, como shopping centers. Bastos afirma que, diferentemente das usinas, os aterros não são projetados para gerar energia, apenas armazenar lixo, e por isso são menos eficientes.

Atraso tecnológico

Para Sabetai Calderoni, doutor em ciências pela USP e especialista em reciclagem, há três razões para o atraso brasileiro na produção: 1) as parcerias público-privadas, maiores facilitadoras dos processos de reciclagem no seu entender, são recentes; 2) o interesse na manutenção dos investimentos em aterros; 3) só recentemente os preços de disposição ficaram mais caros.

O assessor de comunicação da Empresa de Pesquisa Energética, instituição ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo decênio, Oldon Machado, diz que o plano decenal tem números sobre os investimentos necessários, mas não específica as fontes alternativas mencionadas.

2.300 casas podem ser abastecidas por mês com a eletricidade de uma termelétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro feita especialmente para aproveitar a energia do lixo.

* Colaborando para a Folha.

Etanol brasileiro é sustentável, afirma ONU



A Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que parte da resistência ao uso do etanol vem da oposição dos interesses ligados ao petróleo. Ontem, o secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, ressaltou que o etanol brasileiro "não gera desmatamento e é sustentável", mas criticou os biocombustíveis de outras fontes. Para ele, apenas o etanol que seja produzido de forma sustentável fará parte de uma solução final para garantir a redução de emissões de gás carbônico no mundo. E ainda alertou: "Uma solução climática no mundo não passa por abandonar um combustível por outro. Todos terão de estar envolvidos."

De Boer lidera os esforços da ONU para conseguir que, até o final de 2009, um acordo internacional estabeleça regras para reduzir as emissões de gás carbônico. Em sua avaliação, o mundo precisará de investimentos de até US$ 300 bilhões para reduzir as emissões até 2030 aos níveis de 1990. Pouco, em comparação com os US$ 20 trilhões que serão necessários em termos de investimentoA no setor de energia até 2030 para alimentar o mundo.

No que se refere ao etanol, De Boer admitiu que o assunto não é bem recebido pelos produtores de petróleo. "Cada país e setor tem seu interesse", disse. "O pessoal do petróleo não gosta desse debate", admitiu. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já alertou no início do mês em Roma que os "dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão".

Mas o representante da ONU também alerta que os países emergentes e produtores de etanol devem aceitar debater um espaço para o petróleo e tecnologias limpas para esse setor. "O que precisamos é que todos se sentem à mesa para discutir. A solução para a questão climática não será a de escolher entre um ou outro combustível", disse. Ele nega que a solução nas emissões de gás carbônico tenha de passar pela substituição de combustíveis no mundo. "O que queremos é reduzir as emissões. Esse é o objetivo", reforçou.

Para ele, o debate sobre o futuro do etanol precisa ser mais sofisticado. Em sua avaliação, o critério de sustentabilidade será o que determinará se o etanol poderá ou não fazer parte de uma solução climática no mundo. "O biocombustível de óleo de palma desmata. Há também o etanol de milho, que está gerando a alta nos preços dos alimentos", alertou.