14 abril 2008

Nokia diz que celular "verde" ainda demora para chegar ao mercado



Celulares feitos a partir de materiais reciclados ainda levarão alguns anos para chegarem às mãos dos consumidores, informou um diretor da área ambiental da Nokia. Para a fabricante de celulares, os aparelhos reciclados incentivarão a demanda pelo produto.

"Acreditamos que será um fator de competitividade", disse Markus Terho, da unidade de assuntos ambientais da companhia finlandesa.

A Nokia já realiza a reciclagem de celulares e de materiais usados em telefones. Durante a Mobile World Congress, feira de telecomunicações realizada em fevereiro em Barcelona, o presidente-executivo da empresa Olli-Pekka Kallasvuo, introduziu o conceito de "ecophone" desenvolvido pela companhia.

O diretor da área ambiental afirmou que o tempo ainda necessário para tais celulares alcancem o mercado deve-se ainda à falta de disponibilidade de materiais reciclados em grande quantidade.

"Está a alguns anos de distância", disse Terho, acrescentando que de 40% a 60% dos componentes metálicos usados nos atuais modelos da Nokia são reciclados.

Brasil tem salto em descoberta de sapos



Afra Balazina

Só no ano passado foram descritos 17 novos sapos, pererecas e rãs no Brasil. E pesquisadores avaliam que nos próximos anos o Brasil poderá finalmente conhecer toda a sua diversidade de anfíbios - um total estimado em mil espécies.

Hoje, são 825 espécies conhecidas. Em 2006 e 2005, foram descritas 13 e 12 espécies, respectivamente, contra nove em 1997 e cinco em 1990.

Entre as novas descobertas está a do sapo Sphaenorhynchus caramaschii, da mata atlântica, que só se distingue de outra espécie (S. surdus) pelo canto que utiliza para atrair a fêmea.

"Dezenas de novas espécies [de anfíbios] estão sendo descritas neste momento, devendo ser oficialmente incorporadas à lista brasileira nos próximos anos", afirma o biólogo Célio Haddad, professor do departamento de Zoologia da Unesp de Rio Claro.

Segundo ele, há uma revolução em andamento no campo em razão do uso da genética molecular. Análises de DNA têm permitido descobrir que certas populações aparentemente idênticas são, na verdade, espécies distintas.

Haddad diz que o número de descrições também tem aumentado em razão da atuação de mais pesquisadores e também de iniciativas como o programa Biota, inventário da biodiversidade paulista patrocinado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Mesmo assim, ele avalia que o trabalho poderia ser mais ágil.

Há um total de 90 espécies que aparecem, por exemplo, com "dados deficientes" na Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, publicada pela Fundação Biodiversitas em 2005. Nesse caso, faltam informações sobre onde a espécie ocorre, se está em risco e quando foi avistada. O temor constante é que extinções ocorram antes de as espécies serem plenamente conhecidas.

Sem nojo

Alguns anfíbios parecem ter verrugas na pele; outros dão a impressão de serem gosmentos. Haddad e dois colegas (Cynthia Prado, também da Unesp, e Luís Felipe Toledo, da Universidade Federal do Paraná) dão neste mês um bom argumento - ou ao menos uma boa ferramenta - para as pessoas vencerem o nojo e conhecerem melhor os animais.

O trio lança em abril o livro "Anfíbios da Mata Atlântica", um guia com 180 espécies que pode servir para estudantes e pesquisadores que realizam atividades de campo. O livro traz uma espécie que ainda não foi descrita - o sapinho-vermelho -, mas a maioria dos animais retratados são fáceis de encontrar nas matas.

Outro instrumento para os observadores de batráquios que estará disponível em breve é o CD "Guia Interativo dos Anfíbios Anuros do Cerrado, Campo Rupestre e Pantanal". Além de mostrar imagens dos bichos e seus habitats, ele traz os cantos de 68 sapos, rãs e pererecas. Alguns lembram grilos, martelos, pássaros e apitos.

Ameaças

A maior ameaça hoje para os anfíbios é a perda de seus habitats. "Muitos estão hoje confinados a pequenas populações isoladas e vulneráveis", diz Ana Carnaval, pesquisadora brasileira da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

O problema da fragmentação é mais grave na mata atlântica, embora o número de extinções reais ainda seja motivo de debate.

Outra ameaça em potencial é o quitrídio, um fungo que tem dizimado anfíbios no exterior e já ocorre no Brasil. A doença, que tem sido associada com o aquecimento global, infecta a pele dos sapos, matando-os por asfixia - já que eles dependem da pele para respirar.

Cana-de-açúcar invade zona biodiversa do cerrado



Pablo Solano

Uma total de 142 mil hectares de cerrado - o equivalente ao tamanho da cidade de São Paulo - considerados prioritários para abrigar unidades de conservação foram transformados em canavial na safra 2006/2007. Os dados são de estudo do ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza).

O cerrado é o segundo bioma mais ameaçado pelo desmatamento no Brasil. Com 39% de sua área desmatada, fica somente atrás da mata atlântica, da qual restam de 7% a 24% (dependendo da conta que se faça). Ambientalistas temem que a febre dos biocombustíveis acelere a devastação do cerrado e empurre a pecuária de lá para a Amazônia.

O Ministério do Meio Ambiente atualizou em 2007 seu mapa das áreas dos vários biomas brasileiros que devem receber prioridade para o estabelecimento de unidades de conservação pelo Instituto Chico Mendes. Foi nesse mapa que se baseou o estudo do ISPN.

Os dados da atualização foram cruzados com informações do Canasat, um sistema de sensoriamento remoto criado para mapear as áreas com canaviais em oito Estados brasileiros.
A lista é liderada por São Paulo (86 mil hectares desmatados), seguido por Minas Gerais (25 mil), Goiás (13 mil), Mato Grosso (12 mil) e Mato Grosso do Sul (6.000).

Para o coordenador de política públicas do ISPN, Nilo D'Avila, a solução para o problema depende de políticas do governo federal para incentivar a expansão da cana em áreas subutilizadas por outras culturas.

Sertãozinho

Segundo o estudo do ISPN, 60,5% do desmatamento em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no cerrado ocorreu no Estado de São Paulo -maior produtor de açúcar e álcool do país.

Na região de Sertãozinho, por exemplo, duas áreas consideradas prioritárias para a preservação, uma classificada pelo Ministério do Meio Ambiente como "extremamente alta" e outra como "muito alta", estão sendo ocupadas pela cana.

Dentro da área de prioridade "extremamente alta" funciona uma usina. Além disso, outras duas usinas funcionam nas proximidades, o que impulsiona a devastação. De acordo com D'Avila, as áreas podem receber parques de suporte à reserva biológica de Sertãozinho, uma unidade de conservação já estabelecida no local.

Ambas, de acordo ele, poderiam ser ligadas à atual reserva biológica por meio das matas ciliares e dos rios da região e colaborariam para preservar as espécies locais.

D'Avila também afirma que a região é importante para a preservação de características da transição entre a mata atlântica e o cerrado.

Goianésia

Apesar de São Paulo concentrar o maior índice de desmatamento do estudo, o Centro-Oeste é apontado por D'Avila como a região onde existem mais áreas com características originais de cerrado que podem ser desmatadas.

Ele aponta como exemplo as proximidades da cidade de Goianésia, no Estado de Goiás, onde o avanço dos canaviais coloca em risco atividades agroextrativistas na região.

"Lá existe uma série de produtos muito consumidos regionalmente e que sustentam quantidade significativa de famílias", afirma D'Avila.

Porto Alegre tem 50 postos de recolhimento de óleo de fritura



O Projeto de Reciclagem de Óleo de Fritura do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) completou dez meses de vigência contabilizando o aumento do número de postos de coleta. Agora já são 50 pontos, espalhados pelos quatros cantos da Capital, onde a população porto-alegrense pode entregar o óleo de fritura - uma parte deles está instalada em escolas.

Neste período, o total arrecadado ultrapassa 12 mil litros. Com a criação do projeto, síndicos têm se motivado a contratar empresas conveniadas com o DMLU para realizar a coleta nos condomínios. A experiência de Porto Alegre também tem servido de modelo para outros municípios, que vêm buscar informações sobre o funcionamento da iniciativa. Entre os exemplos, o DMLU destaca Recife, em Pernambuco, e Alvorada e Cachoeirinha, na Região Metropolitana, além de empresas de Canoas e São Paulo.

Conveniadas com o departamento, as empresas Celgon, Faros, Oleoplan e Ecológica coletam os óleos dos postos de recolhimento e os encaminham para reciclagem. A Celgon utiliza o óleo para alimentar as caldeiras e também comercializa para fábricas de sabão e de biodiesel. Já a Faros produz uma farinha-base que servirá como pré-ração. A Oleoplan e a Ecológica estão desenvolvendo projetos de biodiesel.