28 fevereiro 2008

Madeira que encheria 250 caminhões some no Pará

TAILÂNDIA (PA) - Os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) não encontraram nem rastro de uma imensa carga de madeira que estava escondida além da margem esquerda do rio Moju, a cerca de 30 quilômetros do Centro de Tailândia, onde está sendo realizada a maior operação de repressão ao desmatamento da Amazônia.

Quando o helicóptero do Ibama sobrevoou a área, os agentes perceberam que não havia mais nada lá. Na semana passada, as autoridades do governo avaliaram que madeireiros tinham escondido no local pelo menos 5 mil metros cúbicos, carga que encheria 250 caminhões.

A operação frustrada de apreensão da madeira além do rio Moju foi mais uma trapalhada do Ibama, que na operação Arco de Fogo tem atuado com muito amadorismo, na opinião de alguns policiais federais que participam da ação.

Na segunda-feira, ao se dirigir à primeira madeireira que seria fiscalizada, os agentes do Ibama passaram pela DK - o alvo planejado com semanas de antecedência - e foram bater na madeireira Segredo, cerca de quinhentos metros à frente. Descoberto o erro, recuaram até a DK, na rodovia PA-150. Cada erro desses dá um grande trabalho à Polícia Federal e à Força Nacional de Segurança, que acompanham os agentes do Ibama. São obrigados a parar o trânsito, a manobrar seus carros e a guardar as armas.

A busca infrutífera atrás da madeira que estaria a 30 quilômetros fez o Ibama e seus parceiros de operação perderem mais de duas horas e meia. Por volta de 2h, eles seguiram por uma estrada de terra até o rio, onde aguardaram por uma balsa. Lá, tiveram de impedir a passagem de motos, bicicletas e até de pedestres.

Cerca de 30 minutos depois da chegada dos carros da PF e da Força Nacional, o helicóptero do Ibama fez alguns sobrevôos sobre a área. Em seguida, foi possível ouvir pelo rádio dos carros da Força Nacional: "Não há mais madeira. Vamos voltar para outra madeireira".

"Videocassetada"

Novas manobras foram feitas. Os veículos tiveram de subir uma rampa escorregadia e o comboio seguiu em frente, até encontrar a Madeflora, isso por volta das 11h30. Mas não havia ninguém responsável pela empresa. Houve nova espera, até que chegasse o gerente e a ele fossem pedidos os documentos. "Parece que estamos participando de uma gravação para as videocassetadas", disse um policial federal, referindo-se a um quadro do programa "Domingão do Faustão", da TV Globo.

Soma-se a tudo isso o pouco número de agentes do Ibama na área. O instituto apresentou 24 e homologou poderes para que 10 funcionários da Secretaria do Meio Ambiente do Pará (Sema) também fizessem a fiscalização. Mas é tudo muito lento. O trabalho iniciado na segunda-feira na DK Madeiras continuou durante todo o dia de ontem. Pelos cálculos do coordenador da operação, Bruno Versiani, do Ibama, serão necessários pelo menos dois meses até que o trabalho de fiscalização das madeireiras termine só em Tailândia, que fica a 235 quilômetros ao Sul de Belém.

Só uma ação na estréia

Com o apoio de soldados da Força Nacional e de agentes federais, fiscais do Ibama invadem madeireira. Hoje, carvoarias ilegais serão o alvo



No primeiro dia de ação de campo da Operação Arco de Fogo, fiscais do Ibama, acompanhados por um forte aparato militar, invadiram ontem a DK Madeireira, no centro de Tailândia.

Soldados da Força Nacional de Segurança (FNS) e policiais federais armados com metralhadoras e escopetas participaram da ação. De acordo com levantamentos preliminares, havia no local entre 800 metros cúbicos e mil metros cúbicos de madeira de procedência ilegal. A multa para a madeireira, segundo o ecólogo Bruno Versiani, coordenador do Ibama na operação, pode variar de R$ 100 a R$ 500 por metro cúbico de madeira ilegal apreendida.

A DK tem licença ambiental para funcionar, apresentou cadastro técnico federal e documentação comprovando origem de mil metros cúbicos de madeira que se encontravam em seus pátios de estocagem. Foi a única investida do dia. Doze funcionários do Ibama fiscalizaram toda a documentação da madeireira, cubaram os estoques no pátio de estocagem e mediram e identificaram as toras.

Bruno Versiani reconheceu a morosidade do primeiro dia de operação. Se forem vistoriadas todas as madeireiras de Tailândia, a Arco de Fogo teria que ficar mais de dois meses no município. O ecólogo assegurou, de qualquer forma, que a partir de hoje, com a chegada de mais funcionários do Ibama, os trabalhos serão direcionados em várias frentes. “Vamos fazer um serviço bem feito”, prometeu Bruno Versiani.

Carvoarias

Com o uso de helicópteros, a Operação Arco de Fogo vai centrar fogo, a partir de hoje, nas carvoarias ilegais do município. Madeireiros da região estimam que há mais de quatro mil fornos de carvão funcionando irregularmente na região. Tailândia, às margens da PA-150, é um dos maiores fornecedores de carvão vegetal para as usinas siderúrgicas de ferro gusa de Marabá, no sudeste paraense, a 280km de distância.

Em plena zona urbana há fornos em funcionamento, inclusive nos fundos de serrarias, aproveitando as sobras da industrialização da madeira. Os coordenadores da operação mantêm sigilo sobre a investida contra as carvoarias, mas a ordem é aplicar um golpe definitivo no transporte de carvão vegetal ilegal pela PA-150.

27 fevereiro 2008

Noruega inaugura "cofre" global de sementes no Ártico

Banco mundial de sementes, aberto hoje, guardará até 4,5 milhões de amostras das espécies de interesse agrícola

Projeto quer preservar as principais cultivares para permitir que a agricultura seja retomada caso ocorra alguma catástrofe global

LETÍCIA FONSECA-SOURANDER
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM BRUXELAS

Bem perto do Pólo Norte, uma montanha gelada guarda o tesouro genético do planeta. Trata do projeto mais ousado de preservação da vida vegetal, inaugurado hoje no arquipélago norueguês de Svalbard.

O objetivo é conservar até 4,5 milhões de amostras de sementes e 2 bilhões de sementes de todas as espécies cultivadas pelo ser humano. Esse patrimônio, mantido em segurança máxima, estará protegido de catástrofes naturais e até mesmo de guerras nucleares.

"É o último refúgio das lavouras do mundo", diz Cary Fowler, diretor da Global Crop Diversity Trust, organização, criada pela FAO (órgão das Nações Unidas para agricultura), que coordena o projeto juntamente com a Noruega.

As primeiras amostras de sementes serão colocadas nesta manhã no Banco Internacional de Sementes de Svalbard, durante a cerimônia de inauguração, pelo premiê norueguês, Jens Stoltenberg, e pela a ambientalista queniana e Prêmio Nobel da Paz, Wangari Maathai. O projeto já recebeu cerca de 100 milhões de sementes doadas por cem países.

O Brasil deve enviar em breve a sua contribuição, por meio do do Cenargen (Centro Nacional de Recursos Genéticos), da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

"A Noruega está orgulhosa por ter um papel central ao proteger não apenas sementes, mas os alicerces da civilização humana", disse Stoltenberg.

A escolha de abrigar o bunker ecológico nesse remoto arquipélago acima do Círculo Polar Ártico não foi por acaso. Além de ter clima e geologia ideais, Svalbard é distante o bastante para manter em segurança a herança genética vegetal.

A nova Arca de Noé fica escondida no final de um túnel de 120 metros, escavado em rochas geladas a 70 metros de profundidade e será mantida a -18C. Essa caverna de alta tecnologia, construída nos últimos 11 meses numa montanha de Longyearbyen - uma das cidades do arquipélago - é equipada com portas de aço blindadas, câmeras e detectores de movimentos e será monitorada remotamente, da Suécia.

As mudanças climáticas foram inicialmente o que impulsionou o projeto, mas não foram o único motivo. Nos últimos anos, mais de 40 países tiveram os seus bancos de sementes destruídos: em guerras como no Iraque e no Afeganistão, ou em inundações e outros desastres ecológicos, como o recente tufão nas Filipinas.

Transgênico não entra

Além destas catástrofes, o material dos bancos genéticos também corre perigo por causa de más políticas de gestão, falta de verbas e descuido. Hoje, 1.400 bancos de sementes no planeta armazenam cerca de 6,5 milhões de amostras. O Brasil tem o 7º maior banco genético vegetal do mundo, com 100 mil amostras de sementes. Segundo Fowles, "a intenção de Svalbard é de ser uma rede de segurança para todos os bancos, inclusive o do Brasil".

A transferência de sementes de um país ao Banco Internacional de Sementes de Svalbard será regida por um acordo entre o governo norueguês, proprietário do banco, e o país doador, dono do material genético. Sementes transgênicas são as únicas proibidas de entrar nesse santuário vegetal congelado.

"A lei norueguesa efetivamente proíbe a importação de sementes geneticamente modificadas e sua armazenagem em Svalbard", disse à Folha Julian Laird, diretor de Desenvolvimento e Comunicações do Global Crop Diversity Trust.

A construção do Banco Internacional de Sementes de Svalbard custou US$ 9 milhões à Noruega.

O local do banco resiste a atividades vulcânicas, sísmicas e ao aumento do nível do mar. A área tem baixo nível de radiação, fundamental para a manutenção do DNA das plantas. No frio em que será mantido o banco, sementes de trigo, cevada e ervilha podem sobreviver mais de 10 mil anos.

Em caso de falta de energia, as sementes não serão prejudicadas: o permafrost - solo permanentemente congelado - impede que a temperatura suba acima de -3,5C , garantindo a sobrevivência das sementes por até 200 anos.

Elas só poderão ser usadas, porém, quando as cópias originais forem perdidas. De acordo com estatísticas da FAO, no último século, 75% da diversidade genética de centenas de milhares de espécies de plantas desapareceu. Dos 7 mil tipos de plantas já cultivadas pelo ser humanos, só 150 espécies estão no cardápio hoje.

Quando for a hora de fechar as portas, a arca de Svalbard entrará em hibernação, como os ursos-polares que habitam o arquipélago. E a biodiversidade agrícola mundial vai estar sã e salva nas entranhas geladas do extremo norte.

26 fevereiro 2008

Governo dos EUA quer discutir devastação


O Brasil não terá como fugir do tema do desmatamento nas negociações internacionais sobre meio ambiente e a questão da manutenção das florestas já é um assunto incontornável” para as principais diplomacias do mundo. O alerta foi feito ontem, em Genebra, por um dos principais formuladores da política ambiental dos Estados Unidos, Daniel Reifsnyder.

O norte-americano, que chefia o Departamento de Meio Ambiente da Secretaria de Estado, estima que não há como forçar um acordo com o Brasil para limitar o desmatamento. Mas alerta que uma solução terá de ser encontrada para o problema. “Os níveis de emissões de CO² do Brasil não são muito grandes. Mas o problema é que o desmatamento de florestas pode representar até 20% de todas as emissões. Por isso, a preservação da cobertura florestal é essencial”, afirmou Reifsnyder, que tem em seu currículo a negociação de mais de 15 acordos ambientais em nome da Casa Branca. “A questão da floresta não sairá da agenda internacional. Não há como escapar dessa realidade”, disse.

O governo norte-americano — que até hoje não assinou o Protocolo de Kyoto — quer que os países emergentes, como o Brasil, aceitem negociar no âmbito do G-8, neste ano, uma meta global de longo prazo para a redução de emissões de CO². O grupo de países industrializados é presidido em 2008 pelo Japão, mas terá Brasil, China, Índia, México e África do Sul como convidados a debater uma série de assuntos.

Nos últimos anos, países como Alemanha e França têm insistido na necessidade de Brasil, China e Índia também aceitarem metas de corte de emissões de CO². Os países emergentes, porém, alegam que não poderiam aceitar tais restrições, temendo perdas no crescimento econômico. “Aceitamos a tese do crescimento econômico e queremos trabalhar em uma solução que considere esse aspecto”, afirmou Reifsnyder.

A idéia da Casa Branca é de que uma taxa de corte de CO² seja estabelecida para os próximos 20 ou 30 anos. “Passaremos então a negociar qual será a responsabilidade de cada um dos governos nessa visão para o futuro, inclusive a responsabilidade dos emergentes e como podemos ajudá-los”, afirmou. O norte-americano, que afirma ter passado os últimos anos debatendo como convencer os emergentes a aceitar uma meta de redução de CO², admite que um acordo com o Brasil nunca conseguirá ser imposto. “Se fizermos isso, eles (brasileiros) vão abandonar o processo, como nós fizemos com (o Protocolo de) Kyoto”, afirmou. “Precisamos construir uma nova forma de confiança entre os governos e, assim, tenho certeza de que as negociações vão poder continuar”, disse. “Sabemos que esses países são contrários a metas específicas. Mas acreditamos que há uma chance de se negociar pelo menos uma visão comum de quanto o mundo precisa reduzir em termos de emissões”, completou Reifsnyder.

Contra o “boi pirata”

Embrapa revela crescimento “assustador” da pecuária na Amazônia. Ministério do Meio Ambiente diz que parte do rebanho ocupa áreas de derrubadas ilegais e estuda duro pacote de medidas para criadores

Leonel Rocha


``O que está acontecendo é uma rapina. Mais de 70% dos desmatamentos foram para a formação de pastos para a pecuária`` (Marina Silva, ministra do Meio Ambiente)

Um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter afirmado que não se poderia “culpar ninguém” pelo crescimento do desmatamento na Amazônia no último semestre do ano passado, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e os principais assessores da área apontaram a pecuária extensiva como a grande vilã das derrubadas. Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável pela fiscalização das florestas, estudam a adoção de medidas duras pelo governo para impedir a comercialização do que eles chamam de “boi pirata”, o animal criado nas fazendas formadas em áreas de desmate ilegal. “O que está acontecendo é uma rapina. Mais de 70% dos desmatamentos foram para a formação de pastos para a pecuária”, disse Marina.

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) utilizados pelos assessores do Ministério do Meio Ambiente mostram que a criação de gado na Amazônia registrou um crescimento muito acima das demais regiões do país nos últimos anos. Entre 1995 e 2005 o percentual do rebanho bovino criado na Amazônia cresceu de pouco mais de 20% para cerca de 37% do total de cabeças do país. As maiores taxas foram registradas no Mato Grosso, no Pará e em Rondônia, onde ocorreram as mais extensas derrubadas de florestas.

No Centro-Oeste, região onde desde 1990 pasta o maior rebanho brasileiro, o número de cabeças também cresceu e hoje está em segundo lugar em exemplares, perdendo apenas para a Amazônia Legal. Nas regiões Sudeste, Sul e Nordeste, o rebanho encolheu.

Idéias polêmicas

Para tentar manter sob controle as taxas de desmatamento, os assessores de Marina Silva já sugeriram à ministra a suspensão de financiamentos de bancos oficiais à pecuária. Os créditos para custeio e investimento do setor passariam a ser exceções. Além disso, estuda-se a adoção de embargos de fazendas localizadas em áreas de corte ilegal da floresta e bloqueio na comercialização de carnes produzidas em regiões de derrubada clandestina. Segundo os técnicos, os frigoríficos que colaborarem com a fiscalização não serão responsabilizados pela carne sem origem identificada. Outra idéia em estudo é informar aos maiores exportadores brasileiros uma lista de pecuaristas instalados ilegalmente em áreas embargadas.

Além disso, os técnicos do Ibama estão sugerindo o monitoramento da origem das carnes compradas pelos maiores supermercados. “Vamos responsabilizar todos os envolvidos na cadeia de produção ilegal de carne”, avisou o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Tasso Azevedo. A intenção é fechar uma parceria com as maiores redes de supermercados para que elas também exijam do fornecedor uma espécie de certificado de origem da carne bovina que revendem. Azevedo também sugere que o governo exija de todos os pecuaristas a implantação de plano de manejo nas fazendas.

Crise anunciada

Além das medidas repressivas de curto prazo, o Ministério do Meio Ambiente também estuda mudanças na lei que cria os critérios para o cálculo do índice de produtividade das fazendas de gado.

Pela legislação atual, fazenda produtiva é a que tem um boi por hectare, em média. A idéia é aumentar o número de cabeças para três por hectare. Segundo Tasso Azevedo, essa mudança reduziria a um terço a necessidade de área para a produção de carne, acabando com a pressão por novos pastos. As medidas para reprimir o desmate ilegal e o controle da produção de carne bovina podem ser tomadas tendo como base o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter a devastação da Floresta Amazônica, acreditam os ambientalistas.

O maior problema será conseguir dobrar o Ministério da Agricultura e a bancada ruralista no Congresso sobre a necessidade dessas medidas, quase todas fora da alçada do Ministério do Meio Ambiente — principalmente depois que o próprio presidente da República deu declarações amenizando as primeiras acusações da área ambiental do governo contra produtores de soja e pecuaristas. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, não quis se pronunciar sobre as informações divulgadas por Marina.

Baleia abre crise entre Japão e Austrália

Governo australiano divulga fotos de caça japonesa na Antártida, chamando-a de "matança indiscriminada" de cetáceos

Imagem que mostraria fêmea e filhote sendo içados a bordo de navio é chamada de propaganda enganosa pelo governo do Japão

DA REDAÇÃO

O conflito entre os governos da Austrália e do Japão envolvendo a caça à baleia na Antártida ganhou ontem contornos de crise diplomática. A Austrália divulgou fotos de baleeiros japoneses arpoando baleias minke e arrastando suas carcaças para dentro de um navio, chamando a atividade de matança "indiscriminada".

O Japão negou que uma das imagens mostrasse uma mãe e um filhote abatidos e acusou o governo australiano de fazer ativismo sobre o tema, o que poderia prejudicar as relações entre os dois países.

As fotos divulgadas ontem foram mais uma etapa da campanha do novo governo australiano pelo fim da caça anual à baleia praticada pelo Japão no oceano Austral.

Elas foram feitas a bordo do Oceanic Viking, um navio da Alfândega australiana enviado às águas da Antártida para espionar a frota baleeira japonesa e coletar evidências para basear uma ação legal que Canberra quer mover contra Tóquio. O objetivo da ação é mostrar que os japoneses praticam caça comercial na Antártida - e não científica, como eles alegam-, o que viola um tratado internacional que declara o oceano Austral santuário para baleias.

Por trás da ação há uma dupla estratégia diplomática australiana: primeiro, o país fatura com turismo de observação de baleias e é um dos líderes do bloco de nações conservacionistas (integrado também pelo Brasil) que quer banir para sempre, no âmbito da Comissão Internacional da Baleia, a caça comercial (suspensa desde 1986 por uma moratória).

Depois, a Austrália considera a Antártida o seu quintal. Chegou a incluir parte do oceano Austral em sua zona econômica exclusiva, numa contradição com um tratado internacional segundo o qual o continente antártico é território internacional, só podendo ser explorado para pesquisa e turismo.

"Enganação"

"Fica explícito nessas imagens que isto é uma matança indiscriminada de baleias, quando você tem uma mãe e seu filhote mortos desse jeito", disse o ministro do Ambiente da Austrália, Peter Garrett. "Dizer que isso é científico é continuar a enganação que contorna esse tema desde o primeiro dia", afirmou Garrett, ambientalista que fez fama nos anos 1980 como líder da banda de rock "ecológico" Midnight Oil.

A "enganação" à qual Garrett se referiu é o fato de que o Japão burla a moratória à caça comercial afirmando que mata centenas de baleias todos os anos para fazer pesquisa científica. Na prática, a carne abastece o mercado consumidor japonês, já que carne de baleia é uma comida tradicional.

As imagens divulgadas pelo governo australiano incluem um filme de um arpão sendo disparado na direção de uma baleia, que se debate ao ser arrastada na direção do navio. O animal enfim pára de se mover e jaz imóvel na água tingida de sangue, com o arpão perfurando seu corpo.

Uma fotografia mostra duas baleias - uma bem maior que a outra - sendo arrastadas por cabos para o interior de um navio do ICR (Instituto de Pesquisa de Cetáceos).

Hideki Moronuki, chefe do departamento baleeiro da agência japonesa da Pesca, negou que a foto mostrasse uma baleia-bebê. "A frota pratica amostragem aleatória, o que significa que eles pegam baleias grandes e pequenas. Isso não é uma mãe e um filhote."

O ICR postou em sua página na internet uma nota oficial cujo título é: "As fotos da Alfândega australiana enganam o público". Segundo a nota, assinada pelo diretor do órgão, Minoru Morimoto, as fotos "criaram uma propaganda emocional perigosa que poderia causar sérios danos ao relacionamento entre nossos países".

O Japão planejava caçar neste ano 50 baleias jubarte, uma espécie em perigo, mas desistiu devido à condenação internacional ao plano. A quota de abate desta temporada ficou restrita a 935 baleias minke e 50 baleias fin.

Com Associated Press

25 fevereiro 2008

Controle de plantas invasoras fica ecológico



Patricia Knebel

O controle das plantas invasoras em culturas como do café, soja e cítricos pode ser feito agora de uma forma eficiente e, ao mesmo tempo, ecológica. Pelo menos é o que promete a Sayyou Brasil com o lançamento do Eletroherb, produto que vem sendo desenvolvido há mais de dez anos e que utiliza o método da erradicação através da eletrocussão.

A máquina é uma espécie de bateria gigante, com o lado positivo conectado na planta e o negativo ligado direito na terra. A tecnologia é própria e já foi patenteada no Brasil, nos Estados Unidos e no Japão. Para funcionar, o Eletroherb precisa apenas de um trator e de uma pessoa para controlá-lo.

O equipamento é acoplado na tomada de força do veículo e o motor aciona o sistema, produ-zindo descarga elétrica através de aplicadores. É esse efeito que erradica as invasoras. Os choques de alta voltagem atingem o sistema radicular das plantas, alterando a sua fisiologia de forma irreversível. Assim, o mato perde a capacidade de absorver água, oxigênio e nutrientes, morrendo em poucos dias.

O foco comercial inicial é o mercado de café que, de acordo com o sócio e engenheiro da empresa, Jeancarlo Schwager, tem um potencial total de 3 mil máquinas no País. "A nossa meta é suprir esse mercado em sua totalidade em menos de dez anos", projeta. Cada máquina custa cerca de R$ 85 mil, no caso da cultura de café. Para a soja e os citros, foram feitas algumas adaptações, principalmente no tamanho e potência do choque. Mas o gestor afirma que os equipamentos já estão prontos para serem comercializados.

O concorrente direto do equipamento é o herbicida, que tem como desvantagem, entretanto, o fato de agredir o meio ambiente. O método por eletrocussão, ao eliminar o uso de produtos químicos, não deixa resíduos no solo, não polui os mananciais de água e atenua os riscos de contaminação de seres humanos e animais. Além disso, de acordo com Schwager, o Eletroherb consegue atingir tanto as plantas de folhas largas quanto as estreitas, além das anuais e perenes. Já outros procedimentos usados atualmente, como a roçadeira e a trincha, são ecológicos, mas cortam apenas superficialmente, deixando a raiz dentro da terra. E, com isso, o mato continua competindo com a cultura principal.

A estimativa da Sayyou Brasil é de que a aplicação do Eletroherb em lavouras adultas de café tenha um custo operacional de R$ 23,21 por hectare. Nas lavouras de citros, a média é de R$ 50,00 e, na de soja, o custo da aplicação do Eletroherb fica em R$ 41,50 por hectare.

A Sayyou Brasil está focada no mercado de equipamentos industriais agrícolas e tem sede em São Bernardo do Campo, São Paulo. A empresa foi fundada em 1992 com participação majoritária da companhia japonesa Sayyou Corporation, financiadora do equipamento industrial agrícola Eletroherb.

Os investimentos iniciais aplicados no desenvolvimento e industrialização do maquinário foram de US$ 1 milhão. A partir de 2000, foram aplicados mais R$ 1 milhão para o sistema atingir o estágio de comercialização. Atualmente, o capital da empresa é 100% nacional.