17 fevereiro 2008

Goiás confirma a 11ª morte pela febre amarela


FELIPE BÄCHTOLD

O número de mortos por febre amarela no país desde o fim de dezembro chegou a 11 com a confirmação, ontem, da morte de um garimpeiro do interior de Goiás por causa da doença.
A vítima tinha 53 anos e morreu na sexta-feira da semana passada no Hospital de Doenças Tropicais de Goiânia. Ele trabalhava em um garimpo em Crixás (321 km de Goiânia).

Segundo a Secretaria da Saúde de Goiás, o garimpeiro, que não teve o nome divulgado, se recusou a tomar a vacina contra a doença. O exame que confirmou a causa da morte foi realizado por um laboratório ligado ao governo do Estado.

A vítima foi hospitalizada em Crixás no dia 21 de janeiro. Como tinha sintomas da doença, ele foi transferido no mesmo dia para Goiânia, onde morreu no dia 25. A cidade onde ele trabalhava registrou recentemente mortes de macacos por suspeita de febre amarela.

Outros cinco casos de febre amarela, de vítimas que se curaram, já foram confirmados em Goiás. O governo do Estado investiga outros 11 casos suspeitos, incluindo seis mortes.

Em Mato Grosso do Sul, um exame preliminar apontou que um empresário do interior do Estado morreu na semana passada devido à febre amarela. Se confirmada, a morte será a primeira deste ano de uma vítima que contraiu a doença fora de Goiás. Todos os mortos contraíram a moléstia em Goiás.

Crocodilo brasileiro é "elo perdido" na evolução de réptil


SÉRGIO RANGEL
DA SUCURSAL DO RIO

Cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Museu de Paleontologia de Monte Alto (SP) apresentaram ontem o fóssil de um animal de 80 milhões de anos da classe dos crocodilos. Batizado de Montealtosuchus arrudacamposi, ele seria o "elo perdido" entre crocodilos primitivos e de forma moderna.

"É uma grande descoberta para o entendimento da evolução do crocodilo ao longos dos milhões de anos", disse Felipe de Vasconcellos, um dos autores da análise do fóssil achado em Monte Alto.

O animal tem caraterísticas intermediárias entre duas fases da evolução dos crocodilos. "O crânio mais curto e alto é uma semelhança com os primitivos. Já as articulações do crânio e da mandíbula, suas pernas e vértebras têm mais semelhanças com os atuais", diz Vasconcellos. Acredita-se que o Montealtosuchus fosse ágil, tinha patas mais longas, era carnívoro e terrestre.

"As órbitas dos olhos deles têm posição lateral, como um animal terrestre, como um cavalo, uma vaca", afirma o cientista. "Este é um grande indicativo de que ele passava grande parte do tempo em terra. Já os olhos dos crocodilos atuais ficam em cima do crânio para se manter dentro da água."

Além da cidade do interior paulista, o nome do animal se inspirou em Antônio Celso de Arruda Campos, 73, que encontrou o fóssil em 2004. Ele é diretor do museu de Monte Alto.