30 novembro 2007

Amazonas e Roraima sentem reflexos de terremoto ocorrido em Martinica


Os reflexos do terremoto ocorrido em Martinica, a leste do Caribe, foram sentidos em Manaus (AM) nesta quinta-feira (29), por volta das 16 horas, horário de Brasília. O abalo também foi percebido em Boa Vista (RR).

De acordo com o geólogo do Serviço Geológico do Brasil, Raimundo Gato Dantona, o abalo em Martinica atingiu 7,4 graus na escala Richter. Apesar do susto no Brasil, ele diz que não há motivo para preocupações.

"Sentir reflexos de um terremoto como esse é comum por causa da magnitude do abalo. Como o tremor foi forte, os reflexos se propagaram e as ondas desse abalo chegaram até o país. Ainda assim, isso não foi no Brasil e não há porque pensar que algo vá ocorrer por aqui por causa disso".

Segundo o secretário de Defesa Civil de Manaus, Antônio Carlos Marques, apesar da surpresa de quem estava nas zonas central, sul, oeste, centro-sul e centro-oeste da cidade, não houve nenhum registro grave de ocorrências.

Ele informou que houve apenas nove chamadas para atender às reclamações sobre tremores. Ao longo do dia, 75 ocorrências foram notificadas, sendo 47 de alagamentos, por causa da forte chuva que caiu na cidade.

"As ocorrências relacionadas ao terremoto foram sobre tremores de prédios. Mas as equipes da Defesa Civil estiveram nos locais para averigüar se havia problemas na estrutura dos prédios e, depois da vistoria, os prédios foram liberados, mediante a certeza de que nenhum prejuízo pudesse ocorrer".

Petrobras esclarece acidente na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro


A Petrobras informa que às 22h40m de quarta-feira, dia 28, ocorreu um vazamento de gás, seguido de incêndio, no navio Noble Roger Eason NS-15, da empresa Noble, que presta serviços à Petrobras no campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos, a 120 quilometros da costa. Sete empregados da Petrobras e da empresa contratada ficaram feridos. Segundo as avaliações preliminares, nenhum empregado corre risco de morte.

Os primeiros socorros às vítimas foram prestados pelo médico que trabalha a bordo e logo em seguida os feridos foram resgatados por uma unidade aeromédica a serviço da Petrobras. Dos sete feridos, cinco foram transferidos para o Rio de Janeiro e dois para Macaé.

O navio Noble Roger Eason NS-15 presta serviço de perfuração e o acidente ocorreu durante operação de reentrada num dos poços do campo. Logo que o fogo começou, a brigada de incêndio da embarcação passou a combatê-lo e as chamas foram debeladas.

O Plano de Contingência da Petrobras foi imediatamente acionado e um barco de apoio foi enviado ao local. Para garantir a segurança das instalações e do meio ambiente a empresa fez uma inspeção submarina, constatando que o poço está em condições seguras. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Capitania dos Portos foram notificadas oficialmente da ocorrência. A Petrobras já instalou comissão para apurar as causas do acidente e, junto com a Noble, está prestando toda a assistência às famílias das vítimas.

Os trabalhos de perfuração estão interrompidos até que sejam retomadas as condições normais de operação.

Indonésia perdeu 24 ilhas nos últimos anos


O arquipélago indonésio perdeu 24 ilhas nos últimos anos, devido especialmente às catástrofes naturais e agressões ao meio ambiente, informou nesta quinta-feira (29) o ministro de Assuntos Marítimos, Freddy Numberi.

O anúncio foi feito poucos dias antes de seu país receber uma conferência crucial sobre a mudança climática numa reunião organizada em Bali.

A Indonésia, quarto país mais populoso do mundo, se vê particularmente ameaçado com este fenômeno.

"Os cientistas alertam que a Indonésia poderia perder pelo menos 2.000 ilhas daqui até 2030", segundo Numberi.

O desaparecimento das 20 ilhas na província de Riau e no arquipélago das Mil Ilhas se deve aos danos ambientais e à exploração humana.

As quatro outras desaparecidas foram varridas do mapa do país pela tsunami de 26 de dezembro de 2004, catástrofe que provocou 168.000 mortes ao norte de Sumatra.

No total, o número de ilhas deste arquipélago passou de 17.504 a 17.480, segundo o ministro.

A conferência de Bali, de 3 a 14 de dezembro, permitirá traçar uma agenda de negociações para prolongar o protocolo de Kyoto sobre a redução dos gases que produzem o efeito estufa, afirmam os especialistas.

28 novembro 2007

E agora, Amazônia?



Flávio Garcia

Enquanto se discutem e se negociam interesses político-partidários no País, com indiscutível ausência de novos referenciais para o desenvolvimento nacional, o mundo globalizado, em contrapartida, acaba de definir seus novos parâmetros, em termos de exigência ao suprimento de matérias-primas para seus complexos agroindustriais. Ou seja: novas áreas para suprir, pelo maior tempo possível, as exigências de manutenção dos interesses dos grandes grupos, seus empreendimentos, suprimento de mercado e, conseqüentemente, dos blocos de países hegemônicos a que pertencem.

Nesse particular, destaca-se a abrangência alcançada pela territorialidade da Amazônia brasileira, em sua incomparável riqueza em biodiversidade e pluralidade mineral, rarefação humana e facilidades para construção e montagem de estruturas destinadas ao escoamento do que for necessário.

E que, diga-se, já se encontram em execução, tendo à frente agências governamentais de outros países e grupos privados multinacionais, inclusas as ações de planejamento setorializado.

Tudo, evidentemente, favorecido pelo conjunto de interesses e aquiescência da elite dirigente do País, entre políticos e empresariado, comprometidos, há tempos, com a desnacionalização de grandes setores estratégicos da sócio-economia brasileira. Avulta, entre outros exemplos, a vigência, desde 1996, de legislação federal específica, a Lei Kandir, que concede isenção tributária a todos os produtos e serviços destinados à exportação!

Essa lei, apresentada como uma espécie de "providência complementar" às Áreas de Livre Comércio, que existia na Região Amazônica desde 1990 e a transformara numa Cayman brasileira, pelos incentivos, concessões e destribuições de toda ordem, típicas da ilha caribenha.

Esses relatos, tão preocupantes e verdadeiros, exigiram, em janeiro de 2006, seis reportagens publicadas no jornal "Correio Braziliense", de Brasília, para cobrir essa temática amazônica, a partir da visão integrada do jornalista Leonel Rocha.

A falta dessa visão integrada, no trato das situações e interesses nacionais, na região, pela quase totalidade dos organismos e membros dos poderes Executivo e Legislativo, é que tem perpetuado a problemática ali vigente, como se as partes nada tivessem a relacionar-se uma com as outras e com o todo, como era e é de se esperar. Afinal, nada acontece isoladamente, sem causas e efeitos!

Questões indígenas, regulamentação e ocupação de terras públicas e privadas, criação e gestão de parques e reservas naturais, circulação e transporte, com ênfase à navegação fluvial, mineração, agroindustrialização, desmatamentos e queimadas, tudo isso continua guardando pouquíssimo relacionamento com direitos, causas, conseqüências e interesses a que dizem respeito, no âmbito do planejamento, das intenções e das responsabilidades governamentais e privadas.

Daí que, da incontestável negligência, desinteresse de acompanhamento e fiscalização dessas questões, mais a insuficiência no repasse de recursos exigíveis e, muitas vezes, emergenciais, atingiu-se o quase total abandono de uma das áreas de maior riqueza e potencialidade em biodiversidade do planeta, o chamado Estuário Amazônico, onde se encontra a Ilha de Marajó. Atualmente, esse estuário é o único portal de entrada e saída da grande Amazônia brasileira, na parte oriental, rumo aos grandes mercados consumidores norte-americanos, europeus e asiáticos.

A constatação acima referida é como se fosse exigência histórica dos interesses dos grandes mercados, a cada dia mais ávidos por matérias-primas, como demonstram as diuturnas remessas de minérios da Serra dos Carajás. No caso do ouro, poucos brasileiros conhecem os volumes exportados!

Há, também, o caso da recente Lei nº 11.284/2006, recém-surgida, que trata das Concessões Florestais e Gestão das Florestas Públicas Brasileiras, localizadas quase totalmente na Amazônia, que passarão a ser exploradas, em grande parte, pelos consórcios madeireiros multinacionais.

É de se imaginar o imenso volume de madeiras a ser retirado e exportado, tudo isento de taxas e tributos específicos à exportação, nos termos da Lei Kandir. Um maná em lucratividade para os grandes conglomerados exportadores! E, como se não bastasse, já tramita na Câmara dos Deputados, depois da aprovação pelo Senado, o projeto de lei (nº 2.403/03) para isenção fiscal de produtos industrializados (IPI), a partir de matérias-primas de origem amazônica.

Vale dizer, produtos oriundos dos segmentos animal, vegetal, mineral, "agrossilvopastoril" (para não dizer gado e madeira), agroindustrial e certamente outros, na medida dos contínuos interesses mercadológicos externos. Essa proposição, salvo juízo dos autores e beneficiados, pode transformar a Amazônia brasileira na maior Área de Livre Comércio do Planeta!

Naturalmente, em função de suas riquezas, diversidade, potencialidade de recursos e extensão territorial, sempre haverá lugar para mais algum pretendente. Daí que, no outro extremo da região, em sua porção ocidental, abarcando os estados do Acre, parte de Rondônia e do Amazonas, novos e inimagináveis interesses já concluíram negociações para, no curto prazo, concluir e inaugurar rodovias que, em diferentes direções, levam ao Oceano Pacífico, através do vizinho Peru.

Abrem-se e se oferecem, dessa forma, os recursos naturais estratégicos da Amazônia brasileira às ilimitadas exigências dos mercados asiáticos, vale dizer, China, Japão e Índia, num primeiro momento. Esses interesses e negociações devem ter sido conduzidos pelo governo brasileiro sob "segredo de Estado", posto que nenhum meio de comunicação do País tratou desses fatos nos últimos cinco anos, embora envolvam ações nos âmbitos federal e estaduais, inclusive na iniciativa privada.

Só agora, após publicação pelo "Engenheiro", jornal da Federação Nacional dos Engenheiros (Ano IX, nº 64, setembro de 2007), se obteve um quadro bastante elucidativo do que se designou Rodovia Transoceânica do Pacífico. Essa obra, certamente, transformará aquela porção territorial do País em verdadeiro "empório" dos produtos e transações a serem efetivadas e exportados.

Empolgados com os reflexos de uma possível integração mercadológica, de serviços e obras de engenharia, entre as partes envolvidas, os autores dos textos do "Engenheiro" não trataram, como deviam, da inquestionável exigência de preocupação com os reflexos sócio-ambientais e de preservação dos recursos naturais amazônicos, que esse tipo de ação, de sentido intercontinental-globalizante, vai ocasionar!

Por tudo isso, e após informes e consultas a estudiosos e especialistas em diversas áreas, inclusive consultores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chegou-se a consenso quanto ao dever de nosso governo de informar à sociedade brasileira sobre quais mecanismos, específicos e permanentes, acompanharão e fiscalizarão o conjunto dessas atividades, para impedir uma possível perda de controle sobre as explorações e retiradas de produtos.

Caso contrário, da inexistência ou ineficiência desses mecanismos de controle, pode-se concluir que terá início a maior devastação e predação dos recursos naturais na história da humanidade. Sem falar das repercussões de alcance sócio-econômico desses empreendimentos, que nem é bom imaginar!

Com a palavra, as autoridades brasileiros! E agora, Amazônia? (!)...

Flávio Garcia é engenheiro-agrônomo

Bispo retoma greve de fome

Dom Luiz Cappio Flavio radicaliza e inicia manifestação contra transposição do Rio São Francisco



SALVADOR - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, de 61 anos, resolveu voltar a fazer greve de fome para protestar contra as obras de transposição do Rio São Francisco, que estão sendo realizadas por tropas do exército no Norte da Bahia. A manifestação, que começou às 10 horas de ontem, em Sobradinho (BA), 554 quilômetros a Noroeste de Salvador, localizada na margem do rio, ocorre dois anos e um mês depois que o religioso encerrou um jejum de 11 dias, pelo mesmo motivo.

"Naquela época, o governo e eu assinamos um acordo que previa o encerramento da transposição e o início de um grande debate da sociedade em torno do desenvolvimento das populações que vivem nas regiões abastecidas pelo rio", conta. "Este recomeço é um protesto desesperado porque o governo não cumpriu o acordo".

A greve de fome foi iniciada no momento em que Cappio protocolou uma carta para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o bispo ressalta que há "propostas para garantir o abastecimento de água para toda a população do Semi-Árido com as ações previstas no Atlas do Nordeste apresentadas pela Agência Nacional das Águas (Ana) e as ações desenvolvidas pela Articulação do Semi-Árido (ASA)", fazendo com que a transposição seja desnecessária.

Cappio afirma que está disposto a morrer "pela vida do rio e a do povo". "Só há duas formas de eu interromper este protesto: se as tropas do Exército saírem dos locais onde estão sendo realizadas as obras ou se forem arquivados definitivamente os projetos de transposição", garante.

Estado do RS trata menos de 15% do esgoto produzido



Um estudo apresentado ontem revelou que 14,77% da população gaúcha dispõem de tratamento de esgoto. O levantamento, feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido do Instituto Trata Brasil (ITB), colocou o Rio Grande do Sul em 16º lugar no ranking de esgotamento sanitário.

A FGV destacou o Estado entre os piores neste quesito. "É um ponto fora da curva", comentou o coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri. Segundo ele, embora o Rio Grande do Sul seja um estado bem desenvolvido em vários pontos, o acesso a esgoto tratado é baixo.

Por outro lado, São Paulo aparece na ponta de cima, com índice de 85%. Dos 50 municípios com maior taxa de acesso, 44 estão em território paulista. Mesma situação das dez cidades com maior acesso a esgoto, começando por São Caetano do Sul, líder do ranking com 98,64%.

Atualmente, apenas 47% dos brasileiros têm acesso à rede geral de esgoto. "Para uma nação que pretende integrar o grupo de países mais desenvolvidos, o Brasil não pode ficar mais à mercê de estatísticas tão ruins como estas", comentou o presidente do ITB, Luis Felli.

Apesar da gravidade, o avanço da rede de esgoto no País é bem inferior em comparação a outros serviços públicos como o abastecimento de água, coleta de lixo ou eletricidade. O levantamento também demonstra que não só a quantidade, mas a qualidade do serviço de coleta e tratamento de esgoto é inferior a outros serviços públicos. "A ONU já definiu que 2008 será o ano internacional do saneamento básico. Esperamos que seja possível conectar o movimento nacional a essa corrente mundial", declarou Néri.

O Brasil investe apenas um terço do que seria necessário nas obras de ampliação da rede de esgoto - 0,22% do PIB, enquanto o ideal seria 0,63%. E com isso, informou o estudo, o País só conhecerá a universalização do serviço quando comemorar 300 anos de Independência, em 2122.

26 novembro 2007

Desastres naturais pioram no Tibete devido ao aquecimento global



O aquecimento global está causando o aumento e agravamento dos desastres naturais no planalto tibetano, considerado um dos barômetros da mudança climática no planeta, alertaram meteorologistas chineses citados nesta quarta-feira (21) pela imprensa estatal.

"Os desastres naturais como as secas, os deslizamentos de terra, as tempestades de neve e os incêndios são agora mais freqüentes e calamitosos. O número de vítimas mortais é maior e as perdas econômicas maiores", disse Song Shanyun, diretor do Escritório Meteorológico da região autônoma do Tibete, no sudoeste do país.

Além disso, ressaltou, a diminuição da neve, o retrocesso das geleiras, a seca das pradarias e a expansão dos desertos "ameaçam cada vez mais o ecossistema da região".

A temperatura no planalto tibetano, o mais alto do mundo, sobe de 3 a 4 graus por década, acima da média mundial.

"O aumento da temperatura no Tibete é só uma miniatura da tendência do aquecimento global", disse Zhang Hezhen, um engenheiro citado hoje pela agência "Xinhua".

Eletrobrás conclui que apenas Belo Monte é viável



A Eletronorte informou nesta terça-feira (20) que a Eletrobrás já entregou para a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica o estudo de inventário do rio Xingu, no Pará. A revisão do levantamento, executada nos últimos dois anos, apontou que apenas o aproveitamento hidrelétrico Belo Monte é viável para ser desenvolvido no rio. Outras duas alternativas estudadas foram descartadas.

Segundo a nota da estatal, o projeto de Belo Monte terá capacidade de 11,181 mil megawatts (MW) e alagará uma área de 441 quilômetros quadrados. A empresa alega que esta relação entre potência instalada e área inundada do empreendimento é a melhor da história da hidreletricidade do País.

O texto ainda diz que a exclusão dos outros dois aproveitamentos "se deveu ao contexto institucional, socioeconômico e energético do setor elétrico brasileiro", de modo que, com isso, apenas Belo Monte aproveitará o desnível concentrado no trecho da Volta Grande do Xingu.

Na avaliação da Eletronorte, a nova abordagem para o rio Xingu difere dos estudos de inventários executados durante a década de 1970 e 1980, quando foi descoberto um potencial de 20 mil MW, mas que a construção das hidrelétricas alagaria uma área de 18,3 mil quilômetros quadrados.

Entregue o levantamento à Aneel, a Eletrobrás aguardará a aprovação da atualização do inventário para dar início ao estudo de viabilidade para disponibilizar Belo Monte para leilão, o que deve ocorrer dentro de dois anos.

EUA exportam lixo eletrônico para países pobres, dizem ativistas



A maioria dos norte-americanos acredita que está contribuindo com o ambiente quando recicla seus computadores antigos, televisores e telefones celulares. Mas quando fazem isso, mesmo com as melhores das intenções, estão contribuindo para uma tendência global relacionada ao lixo eletrônico (também chamado de e-waste) que polui outros países. Isso porque, afirmam ativistas, os EUA enviam grande parte desse tipo de lixo a outros países.

Segundo a organização não-governamental Greenpeace, a cada ano os eletrônicos descartados somam até 50 milhões de toneladas de lixo - “se a quantidade gerada anualmente fosse colocada em contêineres de um trem, seus vagões carregados dariam uma volta ao redor do mundo”, compara a ONG ambientalista. Apesar de não haver dados específicos sobre essa prática dos Estados Unidos, ativistas estimam que de 50% a 80% das até 400 mil toneladas de eletrônicos colocados para reciclagem anualmente nos EUA acabem indo parar em outros países. Com isso, trabalhadores de países como a Índia, China e Nigéria têm de extrair metais, vidros e outros itens recicláveis, se expondo e também ao ambiente a uma mistura de elementos químicos tóxicos.

“Esse lixo está sendo reciclado, mas da maneira mais horrível que você pode imaginar”, afirmou Jim Puckett, da Basel Action Network, organização de Seattle (EUA) que deu o alerta sobre a “exportação” dos EUA para autoridades de Hong Kong. “Estamos preservando o nosso ambiente, mas contaminando todo o resto do mundo”, continuou em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Preço baixo - Ainda de acordo com a agência, os responsáveis pelos programas de coleta de itens recicláveis – empresas, escolas, prefeituras – geralmente contratam as empresas que cobram menos pelo serviço e não querem saber o que acontece com os produtos descartados. Muitas empresas simplesmente vendem os itens mais caros e depois repassam a custos muito baixos os produtos que sobraram àqueles que exportam o lixo eletrônico.

“Muitas pessoas conseguem realizar esse tipo de exportação”, disse John Bekiaris, diretor-executivo da empresa HMR USA, que coleta equipamentos de tecnologia da informação de empresas em São Francisco, nos EUA.

‘Segunda mão’ - Muitos desses exportadores afirmam que seu trabalho tem como objetivo levar produtos usados para que sejam aproveitados em países pobres. Em setembro, depois de receber um alerta de ativistas, autoridades de Hong Kong interceptaram dois contêineres tinham centenas de monitores antigos e televisores descartados por norte-americanos.

Como a China proíbe a importação de lixo eletrônico, os dois contêineres foram enviados de volta aos Estados Unidos. Segundo Vincent Yu, responsável pela empresa Fortune Sky USA, que realizou o transporte da carga, a companhia achava que estava exportando computadores de segunda mão, e não monitores e televisores velhos. Essa mesma empresa exporta computadores e outros componentes usados para a China, Malásia, Vietnã e outros países asiáticos.

”Há um grande mercado para computadores que as pessoas não usam mais. Não acho que isso vai causar poluição. Se as peças ainda podem ser usadas, é uma iniciativa boa para todos”, disse Yu, à agência de notícias Associated Press.

“A reutilização de equipamentos usados não passa de uma desculpa. É o novo passaporte para a exportação do lixo eletrônico”, afirmou Puckett, da Basel Action Network.

Para muitos ativistas, a resposta para esse problema pode ser a criação de leis que obriguem os fabricantes de eletrônicos a reciclar seus próprios produtos, depois de usados. Essas leis encorajariam as empresas a produzir equipamentos facilmente recicláveis e com menos elementos químicos perigosos. Confira abaixo algumas dicas para minimizar os impactos no ambiente causados pelo uso da tecnologia.

CO2 pode deixar trabalhadores doentes e reduzir a concentração


Os altos níveis de dióxido de carbono (CO2) no ar dos escritórios podem deixar os trabalhadores doentes e reduzir o nível de concentração no trabalho, diz um estudo da Universidade de Middlesex, na Inglaterra, divulgado nesta sexta-feira (16).

O alto nível de CO2 pode causar dor de cabeça, problemas na vista e uma sensação geral de cansaço, acrescenta a pesquisa da universidade e da empresa de consultoria KPMG.

Os especialistas analisaram a saúde de 300 adultos e descobriram que o CO2 no ar estava afetando a sua concentração.

A diretora de saúde da KPMG, Julie Bennett, que trabalhou na pesquisa com especialistas da Universidade de Middlesex, disse que são muitos os escritórios britânicos que apresentam altas concentrações de CO2.

"Se os trabalhadores se sentem sonolentos, apáticos e sem poder se concentrar no escritório, pode ser que o motivo não seja a rotina ou a tensão do trabalho. Talvez os níveis de CO2 no ar estejam muito altos", apontou.

Segundo a pesquisa, a ventilação natural nos escritórios modernos é mínima, devido ao isolamento térmico.

O estudo avalia que as faltas ao trabalho por doença e o tempo gasto para atender a queixas pela má qualidade do ar estão custando às empresas altas somas.

"As companhias deveriam verificar os níveis de CO2 em seus edifícios, para que a redução dos níveis de produtividade não custem milhares de libras", disse Bennett.

Mudanças climáticas podem empurrar países de volta para a pobreza, alerta ONU


Kelly Oliveira

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou hoje (sábado), na Espanha, que as mudanças no clima podem empurrar os países em desenvolvimento de volta para a “armadilha da pobreza” e desfazer o progresso alcançado com as Metas do Milênio, esforço mundial liderado pela ONU para até 2015 erradicar a fome e a pobreza, reduzir a mortalidade infantil, promover a igualdade entre os sexos e garantir da sustentabilidade ambiental.

“É por isso que países industrializados precisam continuar a liderar a batalha contra as mudanças climáticas. Mas ao mesmo tempo, não podemos ignorar a realidade de que se os países em desenvolvimento falharem no esforço conjunto, pode não restar solução viável”, disse Ban Ki-moon, em entrevista coletiva divulgada pela assessoria de imprensa da ONU.

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU lançado hoje, as vulnerabilidades às mudanças climáticas podem aumentar por fatores como insegurança alimentar, pobreza, conflitos e incidências de doenças como aids.

Para os cientistas, a adaptação às mudanças climáticas pode reduzir essa vulnerabilidade, especialmente quando aliada a iniciativas em setores como água, agricultura, infraestrutura, saúde humana, turismo, transporte e energia. "Existem opções viáveis de adaptação que podem ser implementadas em alguns setores a baixo custo e/ou com alto nível de custo benefício”, diz o relatório.

Para o pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante do IPCC, Paulo Artaxo, a distribuição das riquezas do nosso planeta ainda é “muito injusta” e precisa ser revista. “Um americano médio emite mais de 10 vezes o que um brasileiro médio emite e quase 50 vezes mais do que um indiano e chinês. Essa desigualdade é impossível de ser mantida.”

Lixo é despejado a céu aberto em 136 municípios paranaenses


O Paraná produz diariamente 20 mil toneladas de lixo . Em 136 municípios, porém, não há aterro sanitário e os resíduos são despejados em locais impróprios, a céu aberto e sem nenhum preparo. O chorume, líquido produzido a partir da decomposição do material, é absorvido pelo solo e acaba contaminando os córregos. Segundo o ParanáTV 1ª edição, Guarapuava, na região central do estado, é uma das cidades onde a situação é mais grave.O município foi notificado pelo IAP - Instituto Ambiental do Paraná e será obrigado a construir um aterro sanitário. A cidade produz 75 toneladas de lixo por dia, que são depositados no lixão. A secretaria municipal do Meio Ambiente calcula que 35% no material recolhido poderia ser reciclado.

O IAP determinou a construção de uma cerca em volta do lixão. A prefeitura também foi obrigada a implantar vigilância durante o dia e a noite no local. O objetivo é impedir a entrada de cerca de 150 catadores no terreno. A medida, no entanto, desagradou quem vive da recolha de material reciclado. Eles alegam que esta seria sua única fonte de renda.

Em uma reunião entre representantes dos coletores, do IAP e da prefeitura ficou definido que os coletores podem ficar no lixão por mais dois meses. Depois deste período, eles serão inseridos em um projeto de coleta seletiva. A construção do aterro sanitário, no entanto, ainda deve demorar dois anos, segundo estimativa da prefeitura.

Cupim pode ajudar madeira a se tornar biocombustível



As bactérias que habitam os intestinos dos cupins e permitem que eles façam a digestão da celulose podem desempenhar um papel importante como agentes bioquímicos da transformação da madeira em biocombustível, afirmou uma equipe de pesquisadores que analisou o sistema microbiano muito complexo dos xilófagos, animais que se alimentam de madeira.

Perigosos por devorarem estruturas de casas, os cupins "fazem parte de um grupo de organismos extremamente competentes na transformação da madeira" constataram os cientistas em um estudo publicado nesta semana pela revista britânica "Nature".

"O intestino dos cupins é minúsculo, mas funciona como um bioreator de uma eficácia surpreendente", segundo Andreas Brune, do Instituto Max Planck de microbiologia terrestre em Marburg, na Alemanha.

Os trabalhos sobre o metagenoma dos cupins Nasutitermes, ou seja, a análise genética das células microbianas presentes em seu intestino, permitiu a constatação da presença de inúmeras bactérias responsáveis pela hidrólise da celulose e do xilênio, dois polímeros que podem ser utilizados para fabricar biocombustíveis.

"O meio microbiano do intestino dos cupins pode, teoricamente, transformar uma folha de papel A4 em dois litros de hidrogênio", acrescentou Brune, detalhando que a "biodiversidade e a bioquímica ainda pouco exploradas do intestino dos cupins é uma fonte promissora de novas capacidades catalíticas".

O estudo publicado na "Nature" é "a primeira análise global de um sistema microbiano especializado na transformação da lignocelulose vegetal", afirmaram seus autores, entre eles Falk Warneke do Joint Genome Institute americano.

As centenas de espécies dos microrganismos presentes no intestino dos cupins se dividem em duas categorias, explicou Brune, autor de um comentário sobre o artigo também publicado na "Nature": o primeiro grupo é de bactérias que são parentes distantes das presentes nos intestinos dos ruminantes, especialmente em vacas.

A segunda categoria transforma o dióxido de carbono em acetato de celulose, uma fibra comumente utilizada na indústria para a fabricação de adesivos e de filmes fotográficos.

Brasil desperdiça 45% da água captada



De toda a água que se retira de mananciais para abastecer as capitais brasileiras, quase a metade (45%) se perde antes de chegar às casas e atender a população. A principal causa são os vazamentos na rede.

Porto Velho tem a pior situação entre as capitais em termos percentuais - 78,8% - e o Rio de Janeiro tem a maior perda se for levado em conta o volume total jogado fora - o equivalente a 618 piscinas olímpicas.

Em São Paulo, a perda é menor do que a média das capitais e fica em 30,8% - em 2001, a estimativa era de 33,5%. Mesmo assim, o extravio ainda é muito superior ao considerado aceitável por especialistas - entre 15% e 20%. O Japão, por exemplo, tem perda de apenas 4%.

O problema não é novo. Em 2002, o Ministério das Cidades estimava a perda nacional de água em 40%. Desde então, a situação piorou.

Para chegar à quantidade de água perdida na rede, a conta é a seguinte: faz-se a subtração entre o que é retirado dos mananciais (a medição acontece nas Estações de Tratamento de Água) e o que é consumido pela população. Por isso, acaba sendo computado como perda, além de vazamentos, os erros de medição, as fraudes nos hidrômetros e as ligações clandestinas de água.

Segundo a Sabesp, por exemplo, os vazamentos são responsáveis por 65% do total perdido na capital paulista.

Esses e outros dados sobre abastecimento e consumo de água serão apresentados pelo ISA ( Instituto Socioambiental) na próxima quarta-feira (21), no evento de lançamento da campanha "De Olho nos Mananciais", apoiada pela modelo Gisele Bündchen. A top model cedeu sua imagem para a divulgação da iniciativa.

As informações foram obtidas no Snis (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, e têm como referência o ano de 2004. Os dados de São Paulo foram atualizados pela Sabesp e são de 2007.

Segundo Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do ISA, para alterar o quadro atual é necessário combate intenso aos vazamentos. "O atendimento rápido é muito importante. É preciso ter um sistema eficaz de monitoramento para notar os problemas e resolvê-los."

A instituição ressalta que a participação da população é essencial: as pessoas devem avisar as empresas sobre os vazamentos e cobrar o reparo.

Para José Aurélio Boranga, presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), é imprescindível investir em tecnologia e trocar a tubulação antiga.

De acordo com ele, as maiores perdas ocorrem nos ramais --pontos em que a água deixa a rede da rua e segue para as casas. "Fazer conserto em ramal é perder dinheiro. Quando há vazamento, precisa trocar."

Segundo as associações brasileiras de empresas estaduais (Aesbe) e de concessionárias (Abcon) de saneamento básico, seriam aceitáveis índices de perdas sempre abaixo de 20%, o que é raro no Brasil.

O superintendente-executivo da Aesbe, Walder Suriani, aponta o déficit tecnológico na estrutura do sistema e dos materiais empregados nas tubulações de água. "O material empregado no Brasil é frágil. Usamos tubos de 100 m com juntas a cada seis metros (o que permite mais vazamentos)'', diz.

O presidente da Abcon, Fernando Mangabeira, afirma que os resultados demoram a aparecer. A empresa que ele dirige, a Águas de Limeira, do interior de SP, levou sete anos para fazer caírem as perdas de 45% para 18%. "Não pode parar de investir, é preciso manter essa estratégia sempre."

Fechando a torneira - Saiba como economizar água:

Banho - Feche a torneira ao se ensaboar. Uma ducha aberta durante 15 minutos consome 135 litros; no mesmo período, um chuveiro elétrico consome 45 litros. Se o uso foi reduzido para cinco minutos, o consumo cai para 45 litros, no caso da ducha, e para 15 litros, no caso do chuveiro elétrico.

Escovar os dentes - Molhe a escova e feche a torneira enquanto escova os dentes e enxágüe a boca com um copo de água. Cinco minutos com a torneira aberta gastam 12 litros.

Lavar o rosto - Não demore. Um minuto com a torneira meio aberta gasta 2,5 litros.

Barbear - Cinco minutos gastam 12 litros. Fechando a torneira, o consumo cai para dois ou três litros.

Vaso sanitário - Seis segundos de acionamento gastam de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias fabricadas a partir de 2001 necessitam de menos tempo para a limpeza e consomem seis litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, o gasto pode chegar a 30 litros. Mantenha a válvula da descarga regulada e conserte vazamentos assim que forem notados. Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa.

Lavar a louça - Primeiro, limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira para novo enxágüe. Lavando louça com a torneira meio aberta por 15 minutos são utilizados 117 litros. Com economia, o consumo chega a 20 litros. Uma lavadora de louça com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros - utilize-a somente quando estiver cheia.

Lavar a roupa - A lavadora de roupas com capacidade de cinco quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com capacidade total. No tanque, a torneira aberta por 15 minutos gasta até 279 litros. Deixar acumular a roupa e coloque água no tanque para ensaboar, mantendo a torneira fechada. Aproveite a água do enxágüe para lavar o quintal.

Jardim - Molhar as plantas por 10 minutos pode consumir 186 litros. Use um regador em vez de utilizar a mangueira. No verão, regue pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, regue um dia sim, um dia não, pela manhã. Com uma mangueira com esguicho-revólver, a economia chega a 96 litros por dia.

Piscina - Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e ao vento perde aproximadamente 3.785 litros por mês por evaporação - suficientes para suprir as necessidades de água potável de uma família de quatro pessoas por cerca de um ano e meio (considerando o consumo médio de dois litros por habitante por dia). Com uma cobertura plástica, a perda é reduzida em 90%.

Calçada - Use a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio de casa. Se houver sujeira localizada, use um pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça. Com mangueira, em 15 minutos, são perdidos 279 litros de água.

Carro - Use um balde e um pano para lavar o carro em vez de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem. Muita gente gasta até 30 minutos lavando o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzi-lo, lave o carro somente uma vez por mês e usando um balde - nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.