04 novembro 2007

Mamífero planador é o primo mais próximo de macacos e humanos



Anote este nome: colugo. Você muito provavelmente não tem a mínima idéia do que se trata, então aí vai um resumo: pequeno, felpudo, com uma membrana gigantesca de pele entre os membros que lhe permite planar - e agora, de acordo com um grupo de pesquisadores, ele também está sacramentado como o parente mais próximo dos os primatas, o grupo que inclui o homem e todos os outros macacos.

A reclassificação do bicho como um primatomorfo, ou seja, como a coisa mais próxima de um primata sem ser um primata, está num artigo na revista especializada americana "Science" desta semana. No trabalho capitaneado por William J. Murphy, da Universidade do Texas A&M, uma comparação genética abrangente, envolvendo vários primatas (como humanos, chimpanzés, orangotangos e lêmures) e outros mamíferos, ajudou a resolver o que ele define como "uma controvérsia muito antiga".

"Até hoje não se sabia se os parentes mais próximos dos primatas eram os colugos, os musaranhos-arborícolas ou ambos", declarou Murphy ao programa de rádio online da "Science". É difícil saber quais das duas opções é uma esquisitice maior. Enquanto os colugos, também chamados de lêmures-voadores, parecem o cruzamento mal-ajambrado de um morcego com um esquilo, os musaranhos-arborícolas lembram ratazanas pós-atropelamento.

Não é exatamente o tipo de parente que as pessoas gostam de apresentar para a namorada. Os colugos, em especial, "parecem fantasmas no meio da mata, planando feito morcegos ou pipas. São bem esquisitos mesmo", afirma Murphy.

Mesmo assim, a anatomia das espécies atuais e a dos fósseis deixa claro que as duas bizarrices estão bem próximas dos primatas. Para tirar a prova dos nove e ver qual era o mais próximo de nós, Murphy e companhia examinaram quase 200 mil éxons --os pedaços dos genes que servem de base para a produção de proteínas. Modificações em éxons compartilhadas entre primatas e seus parentes poderiam resolver o enigma, raciocinou a equipe.

De fato, após um árduo processo de comparação genética, a estratégia deu certo. Pequenas diferenças, representadas, por exemplo, pelo sumiço de pedaços de DNA, colocaram os colugos definitivamente como o grupo-irmão dos primatas, como se diz no jargão científico.

Para ser mais preciso, eles estimam que os colugos e nós primatas formávamos um único grupo até uns 85 milhões de anos atrás, quando houve a divergência que daria origem aos mamíferos planadores. Os achados podem parecer mera curiosidade biológica - mas estão longe disso, segundo Murphy.

"A questão aqui é saber quais mudanças anatômicas e moleculares aconteceram ao longo da evolução para que os primatas surgissem", afirma o pesquisador americano. Assim, por mais maluco que pareça, entender os colugos pode ser um passo importante para entender a nós mesmos.

Anfíbios de 330 milhões de anos deixam 'impressão corporal' em rocha


Pegadas de dinossauros e de outras criaturas extintas são relativamente comuns no registro fóssil, mas uma impressão de corpo inteiro deixada por um bicho extinto nunca tinha sido vista - até agora.

Pesquisadores do Museu de História Natural do Novo México (Estados Unidos) revelaram essa estranha "pegada corporal" deixada por anfíbios de 330 milhões de anos, parecidos com salamandras. As marcas revelam, entre outras coisas, que os bichos já tinham pele totalmente lisa, como a de seus parentes modernos.

Incêndio no Parque da Chapada Diamantina é controlado


O incêndio que atingiu a região do parque da Chapada Diamantina, na Bahia, foi controlado na quinta-feira (01), pelos 30 brigadistas da unidade e voluntários, segundo informações do Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.

Na sexta-feira (02), restava um foco de incêndio na região de Ibiquara, próxima a Mucugê, fora dos limites do Parque, mas com risco de atingi-lo. Por isso, os brigadistas continuam com o monitoramento da Chapada, com quatro veículos de apoio e com o sistema de comunicação funcionando perfeitamente, para, no caso de detecção de novos focos, realizarem um trabalho rápido e eficiente ao combate do fogo.

No Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, uma equipe com 20 brigadistas realiza as atividades de rescaldo de um incêndio causado pela queda de um raio em área de pastagem com grande volume de combustível acumulado.

Em Minas Gerais, duas unidades registram ocorrência de fogo. Na Reserva Biológica da Mata Escura, a brigada da Rebio e de voluntários do Caparaó contam com o apoio no campo de duas caminhonetes e do helicóptero do Ibama.

No Parque Nacional da Serra do Cipó, dois fiscais fizeram a primeira avaliação do foco de incêndio e já se solicitaram uma unidade aérea pois o local é de difícil acesso.

Proliferação de algas azuis no São Francisco começou em setembro



Desde o início de setembro parte do Rio São Francisco sofre com a proliferação de cianoalgas, ou algas azuis. São espécies, que apesar de fazer parte da fauna aquática, se desenvolvem rapidamente em determinadas condições – poluição e variações climáticas, por exemplo – e podem liberar toxinas que contaminam a água e a carne dos peixes.

“A poluição é um problema recorrente da região porque o Rio das Velhas (um dos principais afluentes do São Francisco) drena a região metropolitana de Belo Horizonte, que é a área mais densamente povoada da Bacia do São Francisco”, aponta o professor e pesquisador da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais Alexandre Godinho. Por conta do ecesso de algas, o governo do estado proibiu a pesca em 600 quilômetros da bacia, de 16 a 31 de outubro.

Apesar de reconhecer o lançamento direto de esgoto nos rios, o chefe do laboratório central da Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Aires Horta, atribui a proliferação das algas principalmente a fatores climáticos. “O longo período de estiagem que nós tivemos esse ano, com falta de chuva, e, conseqüentemente, nível mais baixo dos rios e água muito límpida foi o fator principal para o desenvolvimento desses organismos”, enumera.

“Se fosse só o clima, como eles argumentam, outros rios também estariam contaminados. Isso se concentrou no (Rio das) Velhas por causa dos elevadíssimos índices de poluição”, aponta o representante da Comissão Pastoral da Terra que atua em comunidades do São Francisco, Alexandre Gonçalves.

Na avaliação de Alexandre Godinho, além dos impactos imediatos, a poluição na Bacia do São Francisco também acarreta prejuízos a longo prazo. De acordo com o pesquisador, a degradação do hábitat dos peixes atrapalha a piracema – período de reprodução. “Não só dificulta a etapa da reprodução, como a sobrevivência dos filhotes, o que diminui a abundância dos peixes. Com a redução do pescado, há a conseqüente diminuição da renda dos pescadores e da economia local”, aponta.

Por causa do alta concentração de toxinas na água, o governo mineiro chegou a proibir a pesca em trechos do Rio das Velhas e do São Francisco. A expectativa da autoridades é que a situação dos rios melhore com a chegada do período chuvoso. “O início das chuvas na região metropolitana de Belo Horizonte já começou a ter reflexos lá [nos rios]. A tendência é que a situação volte ao normal em menos de um mês”, avalia o representante da Copasa.

O representante do Sisema - Sistema Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais, Paulo Carvalho, reconhece que esperar a chuva resolver o problema é apenas uma solução emergencial. “Estamos vigilantes em relação a agressões ambientais”, afirmou. Segundo Carvalho, o governo mineiro está investindo em medidas “de longo prazo”, como a construção de estações de tratamento de esgoto e de gerenciamento de resíduos sólidos.

Um terço das espécies de peixes da Europa 'está ameaçada'



Um terço do total das espécies de peixes da Europa está sob ameaça de extinção, apontou um estudo publicado no livro Handbook of European Freshwater Fishes (Guia dos Peixes de Água Doce da Europa).

O trabalho, realizado em parceria com a organização ambiental internacional World Conservation Union (IUCN) indica que 200 das 522 espécies de peixes de água doce do continente (38%) podem desaparecer, e afirma que 12 já estão extintas.

De acordo com uma "lista vermelha" elaborada pela Conservation Union, os peixes europeus estão muito mais ameaçados do que outras espécies, como aves e mamíferos.

A pesquisa aponta que o desenvolvimento econômico e o crescimento da população européia nos últimos 100 anos são as principais ameaças às espécies.

As secas de lagos e rios, que têm sido freqüentes durante os meses de verão por causa do aquecimento global, já levaram à extinção de algumas espécies migratórias, aponta o estudo.

"Com 200 espécies ameaçadas de extinção, precisamos agir agora para evitar uma tragédia", afirmou William Darwall, do Programa de Espécies do World Conservation Union.

"Estas espécies são parte importante da nossa herança e importantes para o equilíbrio do ecossistema, do qual dependemos", acrescentou Darwall. "Muitas destas espécies podem ser salvas por meio de medidas relativamente simples."

Além de informações sobre peixes de água doce, o guia apresenta também dados sobre 24 espécies marinhas que são encontradas em água doce.

Entre as espécies mais ameaçadas estão a enguia européia (espécie Aanguilla anguilla) e o góbio (Gobio delyamurei).

A espécie de peixe Coregonus oxyrunchus não é mais observada no continente desde 1940 e acredita-se que já está extinta. O peixe era comum na bacia sul do Mar do Norte, mas desapareceu.

Não se sabe a causa exata da extinção, mas biólogos acreditam que poluição e destruição do habitat foram alguns dos fatores.

Usina de Balbina é dez vezes pior para efeito estufa que termelétrica, estima pesquisador



Inaugurada no final da década de 80, a Usina Hidrelétrica de Balbina, no Amazonas, é citada como um erro histórico por cientistas e gestores pela baixa geração em relação à área alagada, e pelas conseqüências disso. Balbina é apontada como problemática também no que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa, considerados causadores do aquecimento global. A liberação de dióxido de carbono e metano é superior à de uma usina térmica de mesmo potencial energético.

“O índice de emissão de Balbina é dez vezes maior que o de uma termelétrica a carvão. Ela emite 3 toneladas de carbono por megawatt-hora; em uma térmica esse índice é de 0,3 tonelada de carbono por megawatt-hora”, compara Alexandre Kemenes, pesquisador do Inpa - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Os valores de carbono consideram tanto o dióxido de carbono (CO2) quanto o metano (CH4).

Segundo Kemenes, que durante quatro anos estudou as emissões na represa e a jusante dela (rio abaixo), os altos níveis de gases do efeito estufa da usina podem ser explicados por três motivos principais: a grande área do reservatório, o não-desmatamento da área antes do alagamento e a estabilidade climática da região amazônica – que cria extratos de diferentes temperaturas na água, com diferentes concentrações de gases. “Em Balbina, só 8% da área total (da represa) foi desmatada. Antes de ser alagada, a floresta estava absorvendo carbono, depois, morreu. Além de deixar de absorver, passou a emitir carbono. O problema é duplo”, comenta.

Balbina é responsável por 3 milhões de toneladas de carbono por ano, segundo o pesquisador. O diretor da Coppe/UFRJ - Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro questiona os números e afirma que Kemenes errou na metodologia, o que extrapolou os dados. “Ele errou porque pegou metano do lugar errado, muito fundo”, pondera. Kemenes coletou metano ao longo do rio, cerca de 30 metros. Para Pinguelli, o correto seria captar entre 15 e 30 metros. Como a concentração do gás aumenta com a profundidade, os resultados teriam sido superestimados.

“Não há consenso. Eles estão questionando, mas também não certeza; não têm trabalhos sobre isso”, responde Kemenes. Apesar das divergências numéricas, estudos da Coppe também confirmam que Balbina emite mais gases de efeito estufa que uma termelétrica.

Na avaliação do presidente da EPE - Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, a usina é um caso isolado no cenário energético brasileiro. “Balbina é só uma exceção que confirma a regra. Não pode ser tomada como referência para se supor que hidrelétricas emitam gás metano de maneira significativa”.


De acordo com o relatório Emissões de Dióxido de Carbono e de Metano pelos Reservatórios Hidrelétricos Brasileiros, da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima, além de Balbina, outras duas hidrelétricas brasileiras, Samuel (RO) e Três Marias (MG), têm emissões maiores que termelétricas de mesmo potencial.

Com um lago de 2.360 quilômetros quadrados, o potencial energético da usina é de 250 megawatts. Com uma área semelhante, a Hidrelétrica de Tucuruí, também na Amazônia, produz cerca de 4.240 megawatts, por exemplo. “Balbina é a pior usina brasileira”, avalia o professor Luiz Pinguelli Rosa, da Coppe.