13 outubro 2007

UFRGS deixa de usar animais para treinar estudantes de medicina



Anestesiar animais de rua, na maioria cães, para ensinar procedimentos médicos como suturas, incisões e punções deixou de fazer parte da rotina dos professores e alunos de medicina da UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A direção do curso montou um laboratório para as aulas práticas de técnica operatória com simuladores plásticos e sangue artificial.

"Queríamos acabar com um problema que sempre existiu nas faculdades de medicina. Algumas criam os animais para usá-los nas aulas, ainda vivos. Mas, e depois, o que se faz com eles? Uma eutanásia provocada? Alguém vai passar a cuidar deles?", questiona o diretor da faculdade de medicina, Mauro Czepienewski.

Czepienewski diz que os estudantes e professores se deparavam com um problema moral, de ter que abrir um cão vivo e, em seguida, descartá-lo.

"Nos víamos diante da questão: acabar com a vida para preservar a vida. Por isso, passamos a nos dedicar a uma alternativa", afirma.

O projeto custou R$ 300 mil, fora a manutenção dos equipamentos e reposição de material cujo preço varia de R$ 200 (pele artificial) a R$ 8.200 (um torso equipado com artérias e veias).

O professor adjunto de urologia e um dos coordenadores do Laboratório de Técnica Operatória e Habilidades Cirúrgicas, Milton Berger, 51, afirma que os alunos se sentem muito mais seguros para aprender.

"O novo método tranqüiliza. Muitos tinham pena de treinar em cães. Os simuladores são mais próximos ao corpo humano, além de acabar com uma série de implicações morais."

No laboratório, os alunos utilizam braços e pedaços de pele falsos para aprender a suturar e fazer incisões, além de um torso, onde fazem punções e colhem sangue (artificial).

Também são realizadas práticas mais complexas, como suturas dos intestinos grosso e delgado em um material que simula os órgãos a ponto de a mucosa e a textura serem semelhantes às do corpo.

Cientistas se baseiam em sapo para criar adesivo reutilizável



Sapos de árvores inspiraram cientistas indianos a criar uma fita adesiva que não perde sua aderência quando utilizada mais de uma vez. Liderada por Abhijit Majumder, do Instituto Indiano de Tecnologia (IIT), uma equipe de pesquisadores estudou a ponta dos dedos destes animais para descobrir o que os fazem grudar e desgrudar em superfícies. E copiaram a idéia.

Quando uma fita adesiva comum é arrancada de uma superfície, rachaduras se propagam pelo adesivo, a partir do ponto onde a fita está sendo despregada. Desse modo, a fita pode, novamente, ser colada, mas as rachaduras permanecem - o que prejudica sua aderência.

Os pesquisadores descobriram que diversos pequenos sulcos nas pontas dos dedos dos sapos aumentam sua adesão a uma superfície. Tais "impressões digitais" previnem a propagação de rachaduras quando o pé do animal desgruda da superfície.

Baseado nisso, os cientistas criaram camadas elásticas compostas por sulcos cheios de ar e fluidos e as juntaram com uma outra camada adesiva. O resultado: fitas adesivas com aderência 30 vezes maior que adesivos comuns e com a possibilidade de serem despregadas e reutilizadas.

O estudo, que será publicado na edição desta sexta-feira (12), da revista científica Science, foi patrocinada pelo IIT e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia da Índia.

Restaurante ecológico londrino aponta tendências



O sucesso de um restaurante em Londres indica uma nova tendência na capital britânica: casas que adotam práticas para reduzir, o máximo possível, o seu impacto no meio ambiente.

Incluído na nova edição do London Restaurant Guide, o guia de restaurantes de Londres, o restaurante Acorn House, em King's Cross (região central), tem recebido críticas elogiosas de jornais como The Times e Independent. Para o Observer, trata-se do "restaurante mais ético da Grã-Bretanha".

A Acorn House diz usar ingredientes produzidos de forma sustentável por produtores independentes, transformar todas as sobras em adubo ou lixo reciclável e tentar usar fontes renováveis de energia.

Recentemente, em um jantar e palestra em Londres, o chef da Acorn House, Arthur Pott-Dawson, disse que seu sonho é abolir o papel higiênico nos banheiros do restaurante. E insistiu em apagar todas as luzes para economizar eletricidade.

À luz de velas, a platéia saboreou uma seleção de legumes orgânicos cultivados no jardim de Pott-Dawson, mussarela fresca do tipo burata, frutas e merengue orgânicos, vinhos orgânicos e suco de maçã industrializado, também orgânico.

Aos 36 anos de idade, Arthur Pott-Dawson já trabalhou em casas que são referência na gastronomia internacional. Foi treinado no badalado River Cafe, à margem do Tâmisa, e depois foi convidado pelo chef celebridade Jamie Oliver para integrar sua equipe no famoso Fifteen, no bairro de Islington, no norte de Londres.

Em entrevista à BBC Brasil, ele disse que não quer impor sua visão, apenas deseja que as pessoas se conscientizem de como seu comportamento afeta o meio ambiente e de que há alternativas possíveis ao atual estilo de vida.

A Acorn House está em funcionamento há um ano, e segundo Pott-Dawson, a idéia de um restaurante ecológico já provou ser viável financeiramente.

"Se você compra os produtos da estação, sai mais barato. Estamos recebendo um grande apoio do público e não estamos perdendo dinheiro. Dentro de seis meses ou um ano seremos um modelo comercial de sucesso."

Pott-Dawson conta que no River Cafe aprendeu a só trabalhar com os melhores ingredientes. Hoje, no comando da Acorn House, diz que a filosofia continua a mesma, nunca menos do que "o melhor". A diferença, ele explica, é que o melhor tem de ser também produzido localmente.

"Estou usando produtos da estação produzidos localmente por pessoas em quem confio. Em vez de comprar peixe do Pacífico ou do Atlântico, eu compro um produto que vem de perto, mas só aceito o melhor."

Entre os restaurantes londrinos que estão agregando princípios de preservação do ambiente às suas práticas, estão também Konstam, Vitaorganic Café, Pumpkin e The Duke of Cambridge.

Especialistas dizem que as questões envolvidas são complexas e que ainda é difícil quantificar a contribuição real de iniciativas como essas.A organização ambientalista britânica Friends of the Earth, no entanto, dá seu aval a casas como a Acorn House.

"É fantástico ver empresas como a Acorn House, que priorizam e promovem a sustentabilidade. Muitos outros restaurantes poderiam, com facilidade, usar produtos locais e reduzir ou reciclar as sobras mais efetivamente", disse Nicky Stocks, porta-voz da entidade."

Pesquisas de opinião mostram quão preocupadas as pessoas estão com a ameaça que a mudança climática representa. "Empresas inteligentes deveriam reconhecer isto e oferecer soluções para o consumidor".

A indústria de alimentos é conhecida pelo grande desperdício, algo que preocupa Pott-Dawson.

"Todas as sobras de comida - cabeças de peixe, restos de carne, pão - cem por cento dos resíduos orgânicos viram adubo e vão para a terra", afirma.

"Eu tento reutilizar todo o material usado como embalagem e também as caixas. Recuso produtos que vêm com excesso de embalagem, mas quando não dá para evitar, reciclo o material."

O menu da Acorn House oferece opções de porções menores, medida que, segundo o seu dono, também visa a redução do desperdício.

"Temos porções do tamanho que você quiser, para evitar o impacto do desperdício sobre o seu corpo e sobre o meio ambiente."

Algo que há muito ele gostaria de abolir é o papel higiênico. "Vou tentar (abolir o papel higiênico) no próximo restaurante", disse Pott-Dawson.

"Os japoneses, por exemplo, usam um sistema que é como um bidê, que lava e depois seca você, é como um secador de cabelo."

"O que as pessoas não entendem é que, mesmo quando se usa papel reciclado, há desperdício, porque é preciso muita energia para reciclar."

Pott-Dawson reconhece que o sistema do bidê japonês usa água e eletricidade, mas diz que é possível usar eletricidade produzida por fontes renováveis.

"Não vamos mudar o mundo mas queremos conscientizar o público a quebrar os padrões da normalidade."

No Acorn House os clientes são incentivados a beber água filtrada, servida de graça, ao invés da engarrafada.

O restaurante aboliu o ar condicionado, usando água fria de um canal atrás do prédio para refrigerar o ambiente. A iluminação é feita com lâmpadas de baixo consumo de eletricidade.

Entregas que chegam e saem do restaurante são feitas com veículos que usam biocombustíveis ou energia elétrica.

Pott-Dawson disse, no entanto, que está repensando o uso de biocombustíveis. Segundo ele, esses combustíveis têm efeito danoso sobre o terceiro mundo.

"Em escala global, muito dinheiro está sendo investido, por exemplo, em óleo de palmeira africano, prejudicando o meio ambiente e as economias locais."

Muitos criticam a decisão de Pott-Dawson de não importar produtos de países à longa distância. Os críticos argumentam que, se o primeiro mundo parar de comprar do terceiro, as populações desses países vão sofrer.

"O primeiro mundo criou uma economia de mercado onde nós dizemos ao Brasil para produzir soja. Mas a soja não vai ajudar o Brasil a ser auto-sustentável, só vai tornar os ricos do Brasil mais ricos."

"Além disso, a soja está matando a floresta. Temos de voltar a uma economia local de mercado ao invés de termos o primeiro mundo ditando para o terceiro mundo o que deve produzir."

Biocombustíveis - ainda há obstáculos a superar



A produção de combustíveis a partir de plantas tem sido incentivada por representar uma oportunidade para se reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa na atmosfera, uma vez que substitui o uso de petróleo - um dos combustíveis que ao ser queimado emite CO2 e contribui enormemente para o aquecimento global.

O que se questiona agora é se todo o processo de elaboração dos biocombustíveis também é ecologicamente adequado. Em alguns casos, o processamento dos vegetais utiliza mais combustíveis fósseis do que as fontes de deveria substituir.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o etanol é produzido a partir do milho - cultivo que mais causa erosão no solo, além de exigir uso intenso de herbicidas e fertilizantes à base de nitrogênio. Além disso, grande parte das usinas dependem da queima de gás natural ou carvão na geração de vapor para a destilação.

A utilização de soja ao invés de milho é menos prejudicial, no entanto, ambientalistas temem o aumento de preço desses alimentos, o que pode incentivar a produção e o avanço sobre áreas de conservação.

Enquanto essas questões são levantadas, a produção agrícola para o processamento dos biocumbustíveis bate recordes. Os americanos estão prestes a colher a maior safra de milho desde a Segunda Guerra Mundial - e cerca de um quinto da colheita será destinado à produção de etanol, mais do que o dobro do usado há cinco anos.

Cientistas acreditam que a solução para a produção de biocombustíveius não ameaçarem o fornecimento de alimentos é desenvolver combustíveis a partir de matéria vegetal que não sirva de alimento, como caules, gramíneas, árvores de crescimento rápido e até mesmo algas.

Quadro mais animador - O Brasil se destaca na produção de etanol desde a década de 1920, com uma forte intensificação nos anos 70 - quando o governo criou um programa para se desvincular da importação de petróleo. Os incentivos para a geração de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar foram retomados recentemente e o país vem sendo apontado como exemplo na produção de biocombustíveis pela comunidade internacional.

Ao contrário do que ocorre com o milho, no qual o amido contido no grão tem de ser transformado em açúcar com a ajuda de dispendiosas enzimas antes de ser fermentado, o próprio caule da cana-de-açúcar já é constituído por 20% de açúcar - e ela começa a fermentar logo depois de ser cortada. Um canavial produz de 5,7 mil a 7,6 mil litros de etanol por hectare, mais que o dobro do verificado com um milharal.

A maioria das usinas brasileiras não usa combustíveis fósseis nem eletricidade da rede convencional – as necessidades energéticas são supridas com a queima do bagaço da própria cana.

A opção brasileira, entretanto, não está isenta de problemas. Começando pela colheita manual, um trabalho pesado e opressivo que leva cortadores à morte por exaustão. A queima dos canaviais pré-colheita lança fuligem na atmosfera e libera metano e óxido nitroso – gases que contribuem para o efeito estufa. A expansão do plantio também é uma ameaça, pois pode acirrar o desmatamento principalmente de áreas de cerrado e da Amazônia.

Etanol de celulose - Para evitar o confronto entre produção de etanol e suprimento de alimento, pesquisadores procuram alternativas para os biocombustíveis. Usinas experimentais dos Estados Unidos já estão aproveitando as gramíneas perenes das pradarias americanas. Mas, apesar de o princípio por trás do etanol de celulose ser simples, produzi-lo com custo similar ao da gasolina ainda é um desafio.

Atualmente o processo utilizado recupera 45% do teor energético da biomassa sob forma de álcool – enquanto o aproveitamento energético do carbono bruto ao ser refinado é de 85%. Pesquisadores ainda buscam alternativas para tornar o etanol de celulose mais competitivo - para isso precisam desenvolver meios melhores de romper a celulose. Uma possibilidade são micróbios e enzimas geneticamente modificados e extraídos do intestino dos cupins - os processadores naturais da energia contida na celulose.

Algas salvadoras - Muitos dos cientistas que se debruçam sobre a questão acreditam que as algas são o agente que mais se aproxima da solução ideal. Elas se desenvolvem em água suja e até na água do mar, exigindo pouco além de luz do sol e CO2 para prosperar.

Um aempresa americana aperfeiçoou um processo no qual algas colocadas em sacos plásticos sugam o CO2 presente nas emissões das chaminés das usinas elétricas. Além de reduzirem os gases do efeito estufa, as algas absorvem outros poluentes emitidos pelas usinas.

Algumas espécies produzem amido, que por sua vez pode ser transformado em etanol; outras geram minúsculas gotas de um óleo que, refinado, se torna biodiesel ou mesmo combustível para aviões a jato.

O diferencial das algas é que elas podem dobrar de massa em poucas horas. Enquanto cada hectare de milho produz cerca de 2 500 litros de etanol por ano e 1 hectare de soja, cerca de 560 litros de biodiesel, teoricamente cada hectare de algas pode gerar mais de 45 mil litros de biocombustível no mesmo período. Outra vantagem em relação às plantações tradicionais é não depender de safra para serem colhidas – as algas estão disponíveis todos os dias.

Assim como no etanol de celulose, o maior desafio é reduzir o custo da alga-combustível, pois o negócio só se tornará viável quando ficar mais barato que o óleo diesel.

A camada de gelo na Groenlândia derrete mais rápido do que o previsto



A camada de gelo da Groenlândia está derretendo muito mais rápido do que o previsto pelos especialistas, segundo o resultado de uma nova pesquisa do Centro Espacial da Dinamarca (DTU) divulgada nesta quinta-feira (11).

Segundo o estudo, o degelo é agora quatro vezes mais rápido do que no início da década, o que faz com que as geleiras do sudeste da Groenlândia deixem cair no mar todos os anos icebergs equivalentes a um cubo de gelo gigante de 6,5 km de extensão.

"Até 2004, a massa de geleiras no sudeste da ilha perdia de 50 a 100 km3 todos os anos. Atualmente perde 300 km3 anuais. Um aumento de 400% muito preocupante", assegura o pesquisador do DTU e responsável pelo estudo, Abbas Khan.

Se esse ritmo continuar, "o nível dos oceanos aumentará 60 centímetros ao longo deste século, enquanto que os especialistas em clima da ONU previam um aumento de 20 a 60 centímetros", detalhou Khan.

"Desconhecemos se é devido à mudança climática o a outros fatores. O que fazemos é constatar uma situação alarmante", concluiu.

Os pesquisadores mediram o degelo graças a estações GPS ultra-sensíveis nas montanhas ao longo de todo o campo de gelo da Groenlândia.

No estudo, publicado na edição on-line da revista Geophysical Research Letters, colaborou também a Universidade de Colorado (Estados Unidos).

ONU destaca ajuda árabe para preservar a camada de ozônio



A ONU destacou, no Cairo, a contribuição "extraordinária" do mundo árabe no cumprimento do Protocolo de Montreal, que tem como objetivo a redução das emissões de substâncias prejudiciais à camada de ozônio.

O secretário-executivo do Departamento de Ozônio do Pnuma - Programa do Meio Ambiente da ONU, Marco González, anunciou que os países do mundo árabe reduziram o consumo de PAO - Potencial de Esgotamento da Camada de Ozônio de 35 mil toneladas anuais para 10 mil em dez anos.

Em um seminário do Pnuma para analisar os 20 anos de vigência do Protocolo, assinado por 190 países, González classificou a redução observada nos países árabes como "extraordinária" e agradeceu o compromisso dos Governos da região em atingir a meta.

"Entre tantas notícias negativas, tenho que comunicar o sucesso da cooperação internacional representado pelo Protocolo de Montreal e dizer à população que os esforços no combate aos problemas ambientais dão resultados", acrescentou.

O dirigente também acrescentou que o acordo de Montreal promoverá uma redução do uso de clorofluorcarbonos (CFC) entre cinco e seis vezes maior que o Protocolo de Kyoto, caso este último seja aplicado totalmente.

O Protocolo de Kyoto, assinado por 125 países em 1997, foi o primeiro a estipular limites para as emissões de gases causadores do efeito estufa nos países industrializados.

Mustafa Tolba, ex-diretor-executivo do Pnuma afirmou que "o Protocolo de Montreal é a única experiência bem-sucedida de cooperação internacional sobre o Meio Ambiente".

Mas nem tudo foram elogios: Najib Saab, diretor da revista libanesa "Environment and Development" (Ambiente e Desenvolvimento), que também participou das sessões, disse que os países árabes "destinam apenas 0,2% do PIB à pesquisa sobre o meio ambiente".

Saab criticou "a falta de sensibilidade e consciência do mundo árabe em relação às questões ambientais".

09 outubro 2007

Nasa prevê elevação de 6º C na temperatura dos EUA


Os verões na Costa Leste dos Estados Unidos poderão ser muito mais quentes dentro de 70 anos, com máximas diárias 6º C acima das registradas em anos recentes até meados da década de 2080, diz um estudo da Nasa.

Simulações de computador anteriores do aquecimento global erram ao prever um excesso de chuvas, diz o trabalho. Como o tempo seco é mais quente, as simulações subestimam as temperaturas a leste do Rio Mississippi, afirmam os cientistas Barry Lynn e Leonard Druyan, da Universidade Columbia e do Instituto Goddard de Estudos Espaciais.

"A menos que tomemos fortes medidas para cortar as emissões de dióxido de carbono, vai ficar muito mais quente", disse Lynn. "vai ser muito mais perigoso para quem não estiver com a saúde no auge".

O trabalho recebeu críticas de outros especialistas em clima, em parte porque o leste dos EUA teve um tempo mais frio e úmido que o esperado.

No lugar das máximas diárias registradas nos anos 90, com média de 27º C a 30º C, o leste dos EUA assistirá a máximas de 33º C a 36º C, segundo o estudo. O trabalho focalizou o leste norte-americano porque este foi o foco do financiamento recebido pelos pesquisadores, vindo da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do governo.

Muitos políticos e céticos do aquecimento global criticam modelos de computador que buscam prever o clima do futuro, considerando as conclusões dessas simulações muito alarmistas e apocalípticas. Mas Druyan diz que o problema, na verdade, é que a maioria dos modelos, quando aplicada ao passado, subestima a gravidade do aquecimento global.

"Sinto muito pelas más notícias", disse Druyan. "Fica pior em toda parte".

Um especialista em simulações de clima, Jerry Mahlman, criticou o estudo, ao dizer que os pesquisadores não compraram os modelos corretamente. Já Andrew Weaver, editor da revista especializada Climate, elogiou o artigo, dizendo que faz "perfeito sentido".

08 outubro 2007

Água baixa a níveis recordes no maior dos Grandes Lagos



O clima mais quente e seco, aliado às alterações nos canais dos Grandes Lagos da América do Norte, deve fazer com que o lago Superior atinja níveis mínimos recordes ainda este ano, disseram especialistas.

O lago Superior, que é a maior superfície de água doce do mundo, vem apresentando uma drástica redução em seus níveis nos últimos dez anos, mas só no ano passado recuou mais 30 cm, devido à seca.

"O lago Superior está passando pela seca desde 2003, e agora a seca ficou ainda mais extrema na bacia oeste do lago", disse à Reuters Cynthia Sellinger, hidrologista do Laboratório de Pesquisa Ambiental dos Grandes Lagos.

Os lagos Huron e Michigan, nos quais o Superior deságua, também estão com níveis baixos - caíram um metro nos últimos dez anos -, secando pântanos e tornando portos inacessíveis.

Ao mesmo tempo, áreas rasas usadas por espécies como o salmão ou a truta ressecaram totalmente.

Nos últimos 30 anos, a precipitação reduziu-se e a evaporação aumentou, o que elevou as temperaturas das águas dos três lagos superiores. Os lagos Erie e Ontario ficam mais ao sul.

"Disco-voador ecológico" irá transportar 125 passageiros a 852Km/h



Pesquisadores da Universidade Delft, na Holanda, projetaram um avião "ultra-ambientalmente correto", no formato de um disco voador.

O motivo para tal substituição é o fato de que o desenvolvimento das aeronaves como conhecemos chegou ao limite da economia em emissão de poluentes.

Segundo os pesquisadores, com a utilização de novos formatos e materiais mais leves (como este disco-voador), será possível reduzir a emissão de poluentes na atmosfera em até 50%.

O "disco voador ecológico" terá capacidade para abrigar 125 passageiros, atingirá uma velocidade de até 852 km/h e deverá estar pronto em quatro anos.

Os pesquisadores afirmam que não é razoável esperar que esse novo avião, seja lá qual for o seu aspecto, decole comercialmente antes de 2020.

O projeto foi nomeado CleanEra, e de acordo com a equipe, conhecida como DELcraFTworks, este conceito será difundido em novos projetos.

Projetos antecipam o uso do biodiesel



João Guedes

Enquanto a legislação prevê um lento processo de implantação do biodiesel na matriz energética brasileira, nas frotas de ônibus e trens de empresas como Codepas, ALL e Vale do Rio Doce esse processo deve ser acelerado por projetos que prevêem a ampliação na utilização do biocombustível. A partir do ano que vem, todo o óleo diesel vendido no País terá a adição de 2% de biodiesel (mistura B2). Mas o objetivo das empresas é ir além da mistura oferecida no mercado, abastecendo seus veículos com misturas com até 30% do óleo vegetal (mistura B30).

Esse é o plano da prefeitura de Passo Fundo, que firmou um protocolo de intenções com a BSBios para o emprego da mistura B30 nas frotas de veículos da administração direta e da Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo (Codepas), empresa controlada pela prefeitura que atua no transporte público no município.

Para levar o projeto adiante, a prefeitura espera por uma autorização especial da Agência Nacional de Petróleo (ANP), que precisa liberar toda utilização de combustíveis especiais. O pedido já foi encaminhado ao órgão, que espera por um laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) para emitir a autorização. A expectativa é de iniciar o uso do insumo já no início de 2008, segundo o diretor-presidente da Codepas, Ilmo Santos.

Somente a Codepas gasta 65 mil litros de combustível por mês para movimentar sua frota de 37 ônibus, responsável pelo transporte de 350 mil passageiros por mês. Com o projeto, a empresa passaria a utilizar mensalmente 19,5 mil litros de biodiesel, o equivalente a 30% do consumo total.

De acordo com Santos, o objetivo central da proposta é reduzir o impacto ambiental das atividades da prefeitura e da empresa de transporte. A mudança não deve representar uma economia nas despesas com combustíveis. Atualmente, a Codepas gasta R$ 109,8 mil por mês e a expectativa é manter as despesas com o insumo no mesmo patamar.

O protocolo de intenções não prevê um prazo mínimo para a utilização do combustível. Para Santos, a tendência é de que a adoção da mistura B30 seja permanente, desde que não se verifiquem problemas nas operações. "Ainda não fizemos testes, mas sabemos que o combustível pode melhorar sistemas de lubrificação", ressalta Santos.

Também com objetivo de reduzir a poluição gerada pela suas operações, a ALL planeja implementar o uso de biodiesel B20 em sua frota de trens a partir de 2008. A empresa já usa mistura B2 e agora busca na ANP autorização para testes com o B20.

A empresa já realizou teste em laboratório de emissão de gases do insumo e agora espera por uma autorização especial para promover testes de campo. O problema é que, para atividades experimentais, a legislação permite o uso de no máximo de 10 mil litros do combustível por mês, mas, para a companhia seriam necessários 30 mil litros.

Assim que tiver o aval da agência, a empresa vai poder averiguar a eficiência energética do B20, assim como fazer novos levantamentos sobre a poluição gerada pelo combustível. "De posse de resultado vamos fazer uma análise econômica e financeira para apurar a viabilidade", explica o superintendente de suprimentos da ALL, Carlos Eduardo Monteiro de Barros. Com um consumo mensal de 23 milhões de litros de óleo diesel, a ALL planeja realizar os testes e obter a licença final até dezembro. "Queremos entrar em 2008 aptos a usar o B20", explica Barros.

07 outubro 2007

Sobre a multiplicação de acidentes com geradores de Energia Eólica na Alemanha

Agora que a Energia Eólica parece ter-se tornado numa das maiores apostas de Portugal para vencer esta nossa crónica dependência energética, talvez seja oportuno chamar a atenção para um artigo da Business Week onde se descreve um acidente ocorrido em Novembro de 2006 na região de Oldenburg no norte da Alemanha quando uma súbita rajada de vento fez saltar o rotor e enviou para a atmosfera uma hélice rodopiante com mais de 10 metros de comprimento e aterrou no solo a quase 200 metros de distância.

Em resposta, as autoridades locais decidiram fazer uma auditoria a todas as seis turbinas do mesmo modelo e concluiram que quatro das seis turbinas deviam ser desligadas imediatamente já que tinha sido encontrado um problema de concepção nas turbinas, as quais estão em uso em muitas outras instalações semelhantes um pouco por toda a Alemanha…

Estas notícias não são isoladas… Outro acidente idêntico aconteceu recentemente também na Alemanha, e estima-se que tenha havido já centenas de acidentes semelhantes, num número crescente, que acompanha naturalmente o aumento do número de instalações, mas que também tem a ver com uma sensível perda de qualidade nas turbinas fabricadas nos últimos anos, criada talvez pelo aumento de procura e na incapacidade e insuficiência das fábricas de responderem a este aumento… Fracturas nas torres ou nas hélices… Curto-circuitos e sobreaquecimentos são cada vez mais comuns, apesar das garantias dos fabricantes para 20 anos de operação sem avarias…

Estas dificuldades registadas na Alemanha estão certamente ligadas à expansão desta indústria, a qual em 2006, teve um crescimento de 40% e que emprega agora mais de 74 mil trabalhadores que construiram e mantêm quase 20 mil gerados pelos campos e praias alemãs… Mas este crescimento está a provar-se ser demasiado rápido, já que os construtores não estão a testar devidamente os seus modelos e o aumento explosivo da taxa de avarias está a afectar a credibilidade de toda a indústria.

O que se estará a passar com as turbinas que estão a ser instaladas em números crescentes no nosso país?…