22 setembro 2007

Soja 'asfixia Amazônia', diz francês 'Le Monde'



Uma reportagem do jornal francês Le Monde afirma que a Amazônia se encontra "asfixiada pela soja". O longo texto do vespertino francês afirma que a commodity é "um dos mais ferozes inimigos da floresta brasileira".

"Está a floresta condenada? Desde 1960, um quinto de sua superfície já foi derrubada. Hoje, é a cultura da soja que a ameaça", escrevem do Pará - que chamam de "faroeste brasileiro" - os repórteres do Monde.

A reportagem descreve como os produtores de soja vivem o que chamam de "guerra fria" contra ambientalistas, sobretudo ativistas do Greenpeace, uma das organizações não-governamentais mais críticas em relação aos sojicultores amazônicos.

"A tensão é palpável", diz o jornal. "Na Cooper Amazon, empresa que distribui fertilizantes, Luis Assunção, o diretor, não esconde sua raiva: 'Aqui, agora, é a guerra. Uma guerra fria'".

Os repórteres relatam a desconfiança gerada pela presença de estrangeiros no Pará, e destacam as manifestações recorrentes de sojicultures que afirmam que "a Amazônia pertence aos brasileiros".

Contra os argumentos de que a soja ajuda a Amazônia a se desenvolver, o Monde questiona: "Quem se beneficia deste desenvolvimento?"

O jornal lembra a violência que continua opondo grileiros e posseiros no campo, os assassinatos contra ativistas sociais e membros do MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, e as repetidas revelações de trabalho escravo em fazendas da área rural.

Por fim, o jornal diz que "o pior está por vir" com o que chama de "explosão dos biocombustíveis", um fenômeno que obrigaria a conversão de mais áreas de plantio para a cana-de-açúcar e empurraria a soja mais para dentro da floresta.

17 setembro 2007

Incêndio na Chapada dos Guimarães devastou 16.547 hectares

Amazônia.org.br

Doze dias de incêndios devastaram 6.137 hectares dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, e mais 10.410 hectares em seu entorno. O resultado foi apresentado nesta quinta-feira pelos órgãos que atuaram no combate ao fogo, cujos efeitos ainda são sentidos em toda a região da Grande Cuiabá, ainda coberta por uma densa camada de fumaça. Ao apresentarem os resultados, os integrantes da ação informaram que o fogo na área ainda está em processo de extinção, mas totalmente sob controle. Ou seja: não há mais focos de calor, mas apenas alguns troncos de árvore que ainda queimam. Para evitar qualquer problema, equipes devem permanecer no local por pelo menos mais cinco dias fazendo o trabalho chamado de rescaldo.

O fogo atingiu principalmente a parte sul do parque, onde fica, por exemplo, o Morro de São Gerônimo. O início das chamas foi na parte externa e com o controle da situação começará agora um trabalho de perícia. O superintendente do Ibama, Paulo Maier, afirmou que várias denúncias sobre como o fogo teria começado já chegaram e nenhuma possibilidade é descartada neste momento. “Precisamos ser cautelosos em falar nestas denúncias, uma vez que o dano foi muito grande. Mas montamos uma equipe mixta do governo do Estado e do Ibama para apurar e tentar chegar em quem provocou o início do incêndio”, enfatizou Maier.

Os danos ambientais do fogo que atingiu o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães ainda não foram mensurados. Entretanto, os meses de agosto e setembro são os piores, devido a umidade relativa do ar baixa. Com isso, o fogo no cerrado tem um grau de impacto muito maior e pode chegar a matar completamente algumas plantas que são próprias do cerrado.

Devido o período o seco e a previsão de chuva somente para a próxima semana, o secretário de Meio Ambiente, Luiz Henrique Daldegan confirmou a prorrogação do período proibitivo das queimadas, que se encerraria neste sábado (15). Na sexta-feira (14) será publicado o Decreto que prorroga por mais 10 dias a proibição de queimadas no Estado. E caso não chova, Daldegan alerta que o prazo poderá ser prorrogado novamente.

Com o controle do fogo em Chapada dos Guimarães, a Sema, por meio da Defesa Civil, iniciou hoje operações em outras localidades. Os trabalhos com mais ênfase estão sendo desenvolvidos na Área de Preservação Ambiental da nascente do Rio Cuiabá, no Pantanal (com vistoria aérea), em Rondonópolis e no Norte.

A primeira informação sobre o fogo que atingiu o parque chegou no dia 5 de setembro, por volta das 16h, ao coordenador do Prevfogo, Rodrigo Faleiros. Às 21h do mesmo dia a primeira equipe já chegava ao local. Foram 12 dias de trabalho, sendo que em nove deles o Governo do Estado participou de forma efetiva. Foram cerca de 380 pessoas envolvidas na operação, entre bombeiros militares, agentes ambientais da secretaria de Estado do Meio Ambiente, voluntários da Defesa Civil, Exército, jipeiros, guias da Chapada dos Guimarães e outros voluntários.

O Governo do Estado disponibilizou duas Pick Up L200, dois veículos para transporte de tropa, um carro pipa, abafadores, luvas, bombas costais, o helicóptero do Ciopaer com 40 horas de vôo, enfermeiro do bombeiro militar, materiais de primeiros-socorros, entre outros. O valor estimado de empenho por parte do Estado é de R$ 300 mil.

O Ibama foi responsável pela alimentação, rádios para comunicação, materiais e equipamentos para combate ao incêndio, colchões e peças do uniforme e coturno para reposição. O valor gasto pelo Ibama está estimado em R$ 220 mil. A base de comando foi montada no Véu de Noiva e as equipes acamparam durante os dias de trabalho na sede do Mutuca. O combate ao fogo foi feito de forma direta (trabalho humano), indireta (contra fogo e aceiros) e com aeronaves.

A operação contou ainda com um helicóptero do Ibama, um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e dois aviões locados pelo Ibama, com capacidade de mil litros de água, específicos para combate aéreo do fogo.


A Prefeitura de Cuiabá também contribuiu com quatro carros pipas, sendo dois destinados ao abastecimento dos aviões e dois para segurança e combate na rodovia e áreas possíveis para acesso. A prefeitura ainda doou colchões e disponibilizou a sede da Salgadeira para alojamento dos 53 militares do Exército. O apoio dos voluntários foi feito por meio de um grupo de motoqueiros, dois rádios operados por voluntários da Defesa Civil e um Jeep do Lions Clube da Lama.

Daldegan, e o superintendente do Ibama iniciaram hoje uma discussão sobre a possibilidade de ampliar as parcerias no Estado. “Esta integração foi imprescindível para o combate ao fogo. Em Brasília, por exemplo, haviam mil homens combatendo o fogo no parque, que acabou queimando 60%.

Mudança do clima pode gerar mais erupções vulcânicas, alerta especialista

Aumento no nível do mar geraria maior pressão sobre a superfície terrestre.



- O aquecimento global pode levar a um aumento nos próximos anos das erupções de vulcões, alertou nesta quinta-feira um especialista britânico em mudanças climáticas.


De acordo com o especialista em clima da University College em Londres, Bill McGuire, o derretimento das camadas polares estaria aumentando o nível do mar e, conseqüentemente, a pressão sobre a superfície terrestre.


"Já há sinais de que terremotos no Alasca estão sendo provocados pelo derretimento do gelo. Também há sinais de que o vulcão Pavlov, no Alasca, deve entrar em erupção no inverno, quando o nível do mar se eleva em cerca de 30 centímetros, devido a condições climáticas", disse McGuire em um evento de cientistas na cidade britânica de York.


"Portanto, se nós observamos um aumento de um ou dois metros no nível do mar neste século, acompanhado de perdas em massa nas regiões polares, podemos esperar uma resposta da superfície terrestre nas próximas décadas, eu acredito."


McGuire disse que 60% de todos os vulcões são ilhas localizadas próximas a litorais e são suscetíveis a mudanças na pressão terrestre decorrentes do aumento do nível do mar.


Ele também avalia que pode haver um aumento em terremotos e tsunamis, devido ao mesmo fenômeno.

Estudo lista os lugares mais poluídos do mundo


Quatro dos lugares mais poluídos do mundo ficam na Rússia e em duas antigas repúblicas soviéticas, disse nesta quarta-feira, 12 de setembro, o Instituto Blacksmith, um grupo ambiental independente com sede em Nova York.

Os dez lugares mais poluídos, que ficam em sete países, podem prejudicar a saúde de 12 milhões de pessoas, provocando desde asma e outras doenças respiratórias até defeitos congênitos e a morte prematura, afirmou a entidade.

China e Índia têm dois lugares cada um na lista. A Rússia também tem dois, e os outros quatro estão no Peru, na Ucrânia, no Azerbaijão e na Zâmbia.

"Esses lugares estão sugando a força das populações que os cercam, e não é preciso ciência muito avançada para resolver o problema", disse Richard Fuller, fundador e diretor do grupo, numa entrevista coletiva.

Segundo ele, projetos simples de engenharia podem tornar muitos dos lugares seguros para a saúde, mas que frequentemente faltam vontade política, dinheiro e capacidade técnica.

O relatório lista também os 30 lugares mais poluídos. Na América Latina, são citados a Cidade do México, pela poluição atmosférica, duas minas no Peru e a bacia Matanza-Riachuelo, na Argentina. A cidade paulista de Cubatão, que constava da lista dos 30 mais poluídos em 2006, não aparece este ano.

A bacia do rio Matanza-Riachuelo sai do oeste de Buenos Aires e deságua no estuário do rio da Prata. O relatório cita a contaminação de crianças por chumbo e por cloro, além de problemas dermatológicos e respiratórios. A poluição é causada por lixo industrial, pelo esgoto e por lixões à beira do rio.

Da lista dos dez mais poluídos, os que pertencem à ex-União Soviética são Dzerzhinsk, um dos principais centros de armas químicas do fim da Guerra Fria, na Rússia; Chernobyl, local do pior acidente nuclear da história, em 1986, na Ucrânia; Norilsk, um centro de mineração e fundição na Rússia; e a cidade de Sumgaiyt, no Azerbaijão, onde a contaminação é por lixo industrial.

Linfen, na China, fica no coração da indústria de carvão do país, que está em expansão. Tianjin, por sua vez, é uma das maiores bases de produção de chumbo da China.

Em La Oroya, no Peru, a mineração também provocou contaminação por metais pesados, que afeta 99 por cento das crianças, segundo o levantamento. Em Kabwe, na Zâmbia, o problema é semelhante. Na Índia, os locais poluídos são Sukinda, por causa da mineração, e Vapi, por lixo industrial.

O instituto, que elaborou o relatório em conjunto com a Cruz Verde da Suíça, não classificou os dez locais entre si por causa de variações nas informações de cada país.

A ex-União Soviética responde por dez locais da lista dos 30 mais poluídos; a China tem seis.


A lista anual foi compilada com a ajuda de especialistas da Universidade Harvard, da Universidade Johns Hopkins, do Hunter College em Nova York, do ITT, da Índia, da Universidade de Idaho, do Hospital Mount Sinai em Nova York, entre outros.

Litoral do Rio ganha fazenda marinha que criará molusco capaz de constatar poluição no mar

Luiza Duarte



O Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande(IED-BIG) inaugura hoje (17) uma fazenda marinha de criação de um tipo de molusco capaz de constatar poluição no mar. É a coquille Saint-Jacques, ou vieira, um espécie nativa da costa brasileira.

A fazenda fica em frente à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, litoral sul fluminense, e faz parte do Projeto de Repovoamento Marinho da Baía da Ilha Grande, da Eletronuclear e da Petrobras, que já conta com cerca de 40 outras áreas de produção do molusco e pretende incentivar a maricultura na região.

A coquille Saint-Jacques funciona como um bioindicador, ou seja, por intermédio dela, é possível identificar qualquer alteração nas condições do mar, como a presença de poluentes. O molusco, que quase foi existo em meados dos anos 90, precisa de um mar livre de poluição para se desenvolver.

De acordo com o diretor executivo do IED-BIG, José Luiz Zaganelli, a criação de uma fazenda marinha em frente à central nuclear permite que os pesquisadores monitorem o impacto da usina na região e desperta a consciência ecológica dos moradores.

“A coquille Saint-Jacques, como todo molusco, é um bioindicador - é possível, a qualquer momento, fazer uma análise química do animal e identificar se ele tem alguma contaminação. Se tiver alguma poluição na região, ele vai acusar. Ele é chamado de sentinela do mar", disse Zaganelli.

A iniciativa fornece aos pescadores da região toda a infra-estrutura e suporte técnico necessários para a produção do animal, gerando emprego e renda. Segundo o diretor do projeto, as fazendas marinhas são um negócio lucrativo e não poluente, que agregam desenvolvimento econômico, social e científico.O laboratório do projeto produz anualmente 13 milhões de filhotes do molusco. Em idade adulta, a dúzia do animal chega a ser comercializada a R$ 30.

O projeto, que começou na Ilha Grande, atualmente já existe em sete estados brasileiros. Cerca de 500 famílias são beneficiadas pelo cultivo do molusco e 7 mil pessoas já foram capacitadas em cursos do projeto.

Incêndio destrói mais de 30 alqueires de horto florestal em SP


Defesa civil e Corpo de Bombeiros de São José dos Campos ainda não conseguiram controlar o fogo que começou na noite de sexta-feira (14) no Horto Florestal da cidade, que fica na Estrada do Turvo, zona norte.

Segundo a Defesa Civil, a área atingida até agora é de 30 alqueires, cerca de 726 mil metros quadrados.

Por volta das 14h de sábado (15) foi solicitado o apoio de um helicóptero, mas o reforço não foi suficiente. Como o local é de difícil acesso, o combate teve que ser interrompido à noite. As operações foram retomadas neste domingo (16). Ainda não se sabe as causas do incêndio.

Conferência da ONU sobre Desertificação é considerada um "fracasso" por ONGs



As organizações ambientalistas criticaram hoje (sábado) os resultados da oitava Conferência das Partes (COP 8) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (CNULD), considerada um "fracasso" por não ter aprovado o orçamento para os próximos dois anos nem objetivos concretos.

Os quase 200 países participantes da COP 8, concluída hoje (sábado) apesar de seu encerramento previsto inicialmente para a última sexta-feira, aprovaram uma estratégia para os próximos dez anos mas não chegaram a um acordo sobre o orçamento devido à postura contrária do Japão.

A diretora do programa de
Florestas da ONG WWF/Adena, Lourdes Hernández, considerou que a Conferência "fracassou categoricamente", já que foi aprovada uma estratégia sem orçamento previsto e não foram elaborados planos de ação.

Segundo ela, o plano estratégico apresenta soluções mas, por não ter estabelecido um orçamento, corre o risco de se tornar apenas teórico.

Hernández chamou a postura japonesa de "egoísta" e criticou a indiferença do país, que não sofre os efeitos da desertificação, mas é "responsável em grande parte" pelo fenômeno por causa de seu modelo econômico e de desenvolvimento.

A Adena pediu ainda uma melhoria dos mecanismos de participação da sociedade civil nas negociações para garantir que sejam adotadas decisões efetivas e não de acordo com interesses políticos e econômicos, como ocorre agora.

O coordenador do grupo Ecologistas em Ação, Theo Oberhuber, concordou: para ele, a COP 8 "não apenas não representou um ponto de reflexão, mas também fracassou", disse à agência Efe.

A Conferência decidiu hoje (sábado) a realização de uma plenária extraordinária em Nova York nas próximas semanas para tratar do aumento do orçamento inicial, que poderá ser de 5%, segundo o porta-voz do Ecologistas em Ação.

Segundo Oberhuber, este aumento é "ridículo" e manteria a Convenção como "irmã pobre" em relação às outras da ONU sobre Mudança Climática e Biodiversidade. Por isso, ele pediu um aumento de entre 10 e 15%.

Mesmo assim, os ecologistas avaliaram positivamente a Declaração de Madri, lida na noite de sexta-feira pela ministra do Meio Ambiente da Espanha, Cristina Narbona, na qual foi feita uma chamada para que a Convenção de Desertificação estabeleça objetivos concretos.

O diretor-executivo do Greenpeace na Espanha, Juan López de Uralde, também lamentou que a COP 8 não tenha conseguido romper a tendência de "irmã pobre" e considerou que a oportunidade não foi aproveitada adequadamente, embora tenha resistido a usar o termo "fracasso".

Falando à Efe, Uralde criticou a falta de vontade política dos países desenvolvidos, "principalmente" porque os principais atingidos pela desertificação são os países mais pobres do planeta.

Uralde disse que o fato de não terem sido registrados avanços "faz com que a situação continue um pouco na mediocridade na qual a Convenção está imersa".

Degelo leva à abertura de rota marítima no Ártico


A Passagem Noroeste do Ártico foi aberta por inteiro devido ao derretimento do gelo marítimo, abrindo uma rota longamente procurada, mas historicamente intransitável, entre a Europa e a Ásia, anunciou a Agência Espacial Européia (AEE).

Segundo ela, o gelo marítimo do Ártico encolheu para o nível mais baixo verificado desde que começaram a ser feitas medições por satélite, 30 anos atrás, mostrando imagens da agora "plenamente navegável" rota.

Uma rota marítima para navios pela Passagem Noroeste, no Ártico canadense, vem sendo classificada como possível opção mais barata ao Canal do Panamá.

"A área recoberta por gelo caiu para apenas cerca de 3 milhões de quilômetros quadrados", disse Leif Toudal Pedersen, do Centro Espacial Nacional da Dinamarca, descrevendo como "extrema" a redução do gelo marítimo ártico.

Essa extensão é cerca de 1 milhão de quilômetros quadrados menor do que os níveis de 2005 e 2006, de acordo com ele.

A Passagem Nordeste, pelo Ártico russo, continua parcialmente bloqueada, mas, à luz dos fatos mais recentes, é muito possível que se abra antes do que se previa, disse Pedersen.

De acordo com a AEE, as regiões polares são muito sensíveis às mudanças climáticas, tanto que alguns cientistas prevêem que não haverá mais gelo no Ártico em 2040.

Quase todos os especialistas afirmam que o aquecimento global, alimentado pelo uso humano de combustíveis fósseis, está acontecendo duas vezes mais rapidamente no Ártico que no resto do planeta.

Os meses de setembro e março geralmente marcam a extensão mínima e máxima anuais do gelo marítimo Ártico.

O anúncio da AEE, feito em seu site, se deu em meio a uma corrida pelo direito de soberania no Ártico.

A Rússia, que recentemente plantou sua bandeira nacional no leito marítimo debaixo do gelo do Pólo Norte, reivindica uma parte grande da região, rica em recursos naturais.

O Canadá também vem reivindicando soberania sobre parte do Ártico e anunciou planos para um porto de água profunda em Nanisivik, perto da entrada oriental da Passagem Noroeste. O porto lhe permitirá reabastecer suas embarcações militares de patrulha.

Lançamento de poluentes em SP cresce 5% ao ano


Após mais de uma década de queda, a emissão de poluentes na cidade de São Paulo voltou a crescer. Carros, caminhões, ônibus e motos são responsáveis por 92% da poluição atmosférica e essa frota avança em ritmo oito vezes maior do que a população do município. Segundo o Detran, 870 veículos são emplacados por dia. Nas ruas, essa frota provoca aumento médio de 5% na emissão anual dos cinco principais poluentes. O que implica acréscimo de até 20% na procura pelos prontos-socorros para resolver problemas respiratórios, como crises de asma, e de até 10% nas internações.

A situação fica ainda mais crítica em dias de sol forte, tempo seco e baixa dispersão de poluentes, como na semana passada. Mas mesmo que chova e a umidade do ar aumente - ela caiu a 12% em algumas regiões -, os paulistanos não terão muito a comemorar. A qualidade do ar de São Paulo, além de estar longe do ideal preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), caminha para virar emergência de saúde pública.

Só em 2006, a frota da região metropolitana lançou no ar cerca de 1,5 milhão de toneladas de monóxido de carbono, índice recorde - ele vinha caindo nos anos 90, mas voltou a crescer em 2005, quando o efeito da modernização da frota perdeu força. Só os carros emitiram 852.600 toneladas de monóxido, enquanto as motocicletas lançaram 254.000 t - e os caminhões, 372.200 t.

Ranking

Entre as 193 cidades monitoradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), São Paulo é a sexta mais poluída, segundo um ranking de fins de 2005. O primeiro posto é ocupado pela Cidade do México, que fica numa região onde a geografia dificulta a dispersão de poluentes e causa 17 mortes por dia. Antes da capital paulista, vêm Pequim (China), Cairo (Egito), Jacarta (Indonésia) e Los Angeles (EUA). Na outra ponta do ranking, Calgary (Canadá), Honolulu (Havaí) e Helsinque (Finlândia) apresentam os melhores índices de qualidade do ar.

Governo cria projeto para substituir sacolas plásticas no Rio


O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), envia nesta segunda-feira para a Assembléia Legislativa um projeto de lei que prevê a substituição de sacos plásticos de estabelecimentos comerciais por sacolas com materiais reutilizáveis. Se aprovada a lei, os comerciantes poderão ser multados e até obrigados a receber as sacolas plásticas dos consumidores e pagar por elas.

De acordo com o governo do Rio, o objetivo do projeto é contribuir com a despoluição de rios e lagos do Estado, além da distribuição de comida para a população carente. Isto porque, o projeto também prevê que os estabelecimentos que não promoverem a troca das sacolas nos prazos estipulados terão de dar um quilo de alimento por 50 sacos plásticos entregues pelo consumidor.

O projeto prevê que, a partir da entrada em vigor da lei será dado prazo de três anos para que as microempresas façam a substituição das sacolas; de dois anos para as empresas de pequeno porte; e de seis meses para os demais estabelecimentos.

Com a lei em vigor, os comerciantes que não tenham feito a substituição no prazo serão obrigados a receber sacolas plásticas entregues pela população, independentemente do estado de conservação.

Para cada saco plástico será pago R$ 0,03 ou entregue um vale-compra a ser utilizado no estabelecimento. Os comerciantes que não cumprirem as exigências serão multados de R$ 500 até R$ 50 mil.

Ambiente

De acordo com o projeto de lei, os rios mais afetados pelo descarte de embalagens plásticas estão na Baixada Fluminense, entre eles, os rios Meriti, Sarapuí, Pavuna e Iguaçu.

Feita de resina sintética originada do petróleo, a maior parte dos sacos plásticos utilizados no comercio não é biodegradável, segundo o governo.

A Secretaria do Meio Ambiente calcula que circulem no comércio do Rio cerca de um bilhão de sacos plásticos por ano, além de 900 milhões de garrafas PET.

Moda aliada

A Prefeitura de São Paulo criou a campanha "Eu não sou de plástico" e convidou estilistas para criar sacolas de pano práticas e atrativas para a população. A administração municipal ainda estuda medidas para promover a substituição gradual das sacolas

Uma amostra foi apresentada na semana passada, no Porão das Artes da Bienal do Ibirapuera. Mais de cem estilistas expuseram suas sacolas de material alternativo como algodão orgânico, sarja sem tintura ou malva (fibra degradável).

Chamadas de "ecobags", essas sacolas já são febre em cidades como Nova York e Londres. No Brasil, é possível encontrar modelos de algodão até em lojas da rua 25 de Março, região central de São Paulo. Por lá, o preço varia de R$ 45 a R$ 65.

A Associação Paulista de Supermercados diz apoiar a iniciativa.