24 agosto 2007

Mineiros brasileiros acusados de poluir águas da Guiana com mercúrio

Georgetown, 23 ago (EFE): O Fundo Mundial para a Fauna e Flora Silvestres (WWF, na sigla em inglês) e a associação de mineradores de ouro e diamantes da Guiana (GGDMA, na sigla em inglês) acusaram hoje os mineiros do Brasil de poluírem com mercúrio os rios dos distritos guianenses que contêm metais preciosos.

O coordenador de projetos do WWF, Rickford Viera, disse que a poluição com mercúrio constitui "um grave problema", apesar de os brasileiros terem ajudado a aumentar a produção de ouro desde que começaram suas operações na região.

"Enquanto os mineiros seguirem jogando mercúrio nas minas, e queimando o vapor, continuaremos tendo problemas de poluição", disse Viera.

Os processos mecanizados dos brasileiros, que ajudaram a agilizar a produção, também aumentaram as agressões ao meio ambiente, disse Viera.

O mercúrio é uma perigosa toxina que pode provocar danos cerebrais.

Apesar das estritas leis ambientais guianenses, o WWF diz que a falta de equipamento dos fiscais do país contribui para o agravamento da situação.

O secretário-executivo da GGDMA, Tony Shields, negou que mineiros guianenses poluam os rios que os índios utilizam para pescar e realizar seus afazeres domésticos.

Shields acusou os responsáveis da Comissão de Geologia e Minas de Guiana de se recusarem a cumprir a lei, por receberem subornos dos mineiros.

Após o esgotamento das reservas de ouro e diamantes do Brasil, na década 90, os mineiros brasileiros começaram a entrar de maneira ilegal na Guiana, no Suriname e na Guiana Francesa.

Estima-se a existência de pelo menos dois mil mineiros brasileiros na Guiana, que produzem cerca de 200 mil onças de ouro ao ano.

Onda de calor afeta mais de 3 mil japoneses

Tóquio, 24 ago (EFE): Neste verão, mais de 3 mil japoneses sofreram ataques de calor nas principais cidades do país, o maior número alcançado desde que começou a coleta de dados, em 2000, segundo informou hoje a agência de notícias "Kyodo".

A agência japonesa citou um relatório do Instituto Nacional de Estudos Ambientais, afirmando que, se o aquecimento global mantiver o seu ritmo atual, em 2040 o número de pessoas afetas durante o verão chegará a 5 mil.

O estudo reúne dados de 20 grandes cidades japonesas, como Tóquio, Osaka, Nagóia e Yokohama. Nesta quinta-feira, o número de afetados chegou a 3.142, bem mais que os 2.919 do ano passado.

O ataque de calor acontece quando o corpo absorve mais temperatura do que pode dissipar. O problema costuma ocorrer quando as temperaturas ultrapassam os 30 graus. Na semana passada o Japão registrou um recorde de 40,9 graus.

A onda de calor já causou 12 mortes.

23 agosto 2007

Incêndio continua destruindo área do Parque Nacional de Brasília

Bombeiros e agentes do Ibama trabalham no local para conter o avanço das chamas. Temperaturas elevadas e baixa umidade prejudicam a ação contra o fogo.

Do G1, em Brasília

Bombeiros e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) seguem trabalhando para conter o incêndio que destrói a área do Parque Nacional de Brasília desde a manhã de terça-feira (21).

Monitoramento feito por satélite e encaminhado ao Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) constatou focos de calor (temperaturas acima do normal) em uma área de 2,2 mil hectares.

Isso, no entanto, não significa que toda a zona mapeada tenha sido queimada. "Para ter noção exata do tamanho do incêndio, é preciso um mapeamento feito por satélite de resolução maior. O nosso, por exemplo, tem uma resolução de 1 km², ou seja, mede a temperatura média em cada 1 km²", explicou O meteorologista da Seção de Produtos de Imagens Satélites do Instituto Nacional de Meteorologista (Inmet), Wagner de Aragão.

"Se ocorrer um incêndio em algum local dessa região, a temperatura fica entre 800ºC e 1000ºC. O satélite faz, então, uma média da temperatura dessa área, o que não significa necessariamente que toda ela esteja incendiada. Os dados que temos não servem para precisar a área queimada", acrescentou o meteorologista.

A dimensão do incêndio, estimado em pelo menos 60 hectares pelo Corpo de Bombeiros nesta quarta-feira (22), poderá ser constatada com maior nitidez após o apagamento das chamas.

A alta temperatura, a baixa umidade e os fortes ventos, no entanto, prejudicam a ação dos agentes no local. Segundo o Inmet, a previsão é de que as condições climáticas permaneçam estáveis no DF, sem previsão de chuva para os próximos 15 dias.

Suspeita de incêndio criminoso

Os quartéis do Corpo de Bombeiros do DF estão de prontidão e podem ser chamados a qualquer hora para o combate ao fogo. "O nosso trabalho não tem previsão para terminar. A área atingida é de difícil acesso, muito fechada", disse o chefe de comunicação dos bombeiros, major Rogério Soares.

A principal suspeita é de que o incêndio tenha sido criminoso. Durante a operação, foi encontrada uma chácara com o terreno queimado, supostamente para limpá-lo e queimar folhas secas, o que teria levado ao fogo.

O Parque Nacional de Brasília possui área de aproximadamente 30 mil hectares. Entre as suas funções, estão a conservação da flora e fauna silvestre e dos recursos do ecossistema e a proteção da bacia hidrográfica dos cursos de água que abastecem a capital.

Incra cria assentamentos-fantasma para madeireiras no Pará

Investigação do Greenpeace mostra que empresas estão consumindo os últimos estoques de madeira da região oeste do Pará, onde estariam 25% do total de assentados pelo Incra em 2006.

Manaus, AM – Denúncia do Greenpeace mostra que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) facilitou a atuação de empresas madeireiras em áreas de assentamentos rurais na região de Santarém, no Pará.

Levantamentos de campo e documentos comprovam que o órgão estimulou o estabelecimento de parcerias entre madeireiras e supostas associações de assentados, em um esquema que prejudica a floresta amazônica e famílias de trabalhadores rurais sem-terra. Isso levou o Ministério Público Federal no Pará a pedir o cancelamento de 99 assentamentos criados na região em 2005 e 2006. A denúncia foi transmitida domingo (19) pelo Fantástico, programa da Rede Globo de Televisão, e publicada hoje no jornal britânico The Independent.

A investigação, realizada nos últimos oito meses, mostra que o Incra acelerou a criação de dezenas de assentamentos nas áreas ricas em recursos florestais para atender aos interesses das empresas madeireiras.

O Greenpeace teve acesso a contratos e atas de reunião de associações de assentados, que revelam detalhes de como funciona essa parceria, batizada localmente de “PPP”, ou “Parceria Público-Privada”. As empresas madeireiras assumem parte das obrigações na implementação dos assentamentos – como a construção de estradas e escolas – que seriam tarefas do Incra.

Em troca, ficam com o direito de explorar a madeira da área. Os acordos também ajudariam o Incra a superestimar o número total de famílias supostamente assentadas em 2006. Das 136 mil famílias assentadas no ano passado, 34 mil estão na região de Santarém.

As irregularidades vão desde a existência de assentamentos-fantasma (que existem no papel, mas não contam com nenhum morador) até a escolha das áreas para criação dos assentamentos. Em depoimentos à CPI da Biopirataria em 2006, madeireiros reconheceram que chegaram, inclusive, a determinar onde os assentamentos deveriam ser criados, escolhendo as áreas com mais disponibilidade de madeira de valor comercial.

“Enquanto setores do governo envolvidos no plano nacional de combate ao desmatamento celebram a queda pelo terceiro ano consecutivo, agentes do mesmo governo colocam em funcionamento uma máquina de assentamentos feitos em estranha parceria com madeireiros para, com o verniz da reforma agrária e de justiça social, garantir a oferta de madeira ao mercado sem sequer beneficiar os supostos assentados”, diz um trecho do relatório do Greenpeace sobre o assunto.

“Em vez de garantir o uso sustentável dos recursos naturais, por meio de planos de manejo comunitário, com assistência técnica, o governo, através do Incra, prefere aceitar a relação de dependência dos assentados com as madeireiras, em troca das benfeitorias que o próprio instituto deveria estar fazendo”, disse André Muggiati, da campanha Amazônia do Greenpeace.

Historicamente, a exploração predatória de madeira abre as portas da devastação da floresta. A Amazônia brasileira perdeu mais de 700 mil quilômetros quadrados de sua cobertura florestal nas últimas quatro décadas. O desmatamento e as queimadas são a principal contribuição brasileira ao aquecimento global. Por causa do desmatamento, o Brasil é o quarto maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa.

Os acordos entre madeireiros e associações de assentados, com o conhecimento e aprovação do Incra, configuram uma parceria onde quase todo mundo ganha. O Incra ganha o "cumprimento" das metas nacionais de Reforma Agrária. Os madeireiros ganham o lucro da venda da madeira retirada da área de assentamento. Os "assentados" têm a expectativa de um dia ficarem com a terra. Nesse jogo, quem perde mais são a floresta e o clima do planeta.


Texto do Greenpeace.
Fonte: Ecoagência.

Pesquisadores descobrem novas espécies de animais e plantas na Amazônia

Cientistas do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) descobriram este ano quatro espécies de aves, dois macacos, um esquilo, dezenas de tipos de aranha e diversas plantas, entre elas duas palmeiras, que o homem ainda não havia catalogado.

Essas descobertas são resultado de duas expedições ao sudeste da Amazônia, em dois pontos do trecho de terra existente entre os rios Purus e Madeira, nos estados do Amazonas e Rondônia.

Em um total de 46 dias divididos entre os meses de abril, maio e julho, cerca de 30 pesquisadores percorreram locais em que o homem nunca esteve, ou que pelo menos não há registro de presença humana nos últimos 100 anos, nem mesmo de populações indígenas.

A área pesquisada pode ser considerada uma das mais ricas em diversidade de fauna e flora da Amazônia, como explica o pesquisador do Departamento de Ecologia do Inpa, Mário Cohn-Haft, responsável pelas expedições.

"O que tem é uma diversidade muito grande de ambiente em uma região relativamente pequena, que faz com que você possa encontrar muitas espécies relativamente perto uma da outra sem ter que andar grandes distâncias para encontrar diferentes ambientes", informou.

A biodiversidade verificada na pesquisa, no entanto, está ameaçada. A área será cortada pela BR 319 e pelo gasoduto que ligará Urucu (AM) a Porto Velho (RO), além de ser afetada pela construção das hidrelétricas no Rio Madeira.

Os maiores riscos são de invasão de terras estimulada com a construção e funcionamento dos empreendimentos; e da atividade agrícola. Na área pesquisada há muitas campinas, que grileiros e invasores acabam escolhendo por causa da vegetação baixa.

Segundo os especialistas, esses campos naturais são muito ricos em biodiversidade, mas não são propícios para a atividade agrícola, como detalha o cientista Mário Cohn-Haft. "Na verdade, esses campos são difíceis de cultivar. São alagadiços e encharcam em toda época chuvosa. O solo é ruim, ácido e arenoso, e demandam muito tratamento para servir para agricultura e depois disso são abandonados".

O pesquisador do Inpa acredita, no entanto, que é possível contornar impactos indiretos dos empreendimentos e evitar as atividades econômicas que agridem o meio ambiente.

Os resultados das expedições poderão ser usados para processos de licenciamento ambiental na região e para a criação de novas unidades de conservação pelo Ibama e pelas secretarias de meio ambiente dos estados.


Fonte: Amazônia.org.br /
Radiobrás

Justiça do Vietnã condena à prisão grupo que envenenou tigre

Um tribunal vietnamita condenou 11 homens a penas de até 11 anos de prisão por terem envenenado um tigre num zôo e vendido seu cadáver no mercado negro da medicina tradicional chinesa.

O julgamento terminou na segunda-feira (20), segundo Vo Van Trung, funcionário do Tribunal Popular de Can Tho, uma província do sul do Vietnã. Os condenados, todos entre 22 e 39 anos, receberam penas de sete a 11 anos de prisão. Além disso, cada um terá de indenizar em 448 milhões de dongs (US$ 28 mil) uma fazenda de criação de serpentes na província de Tien Giang, de onde roubaram o animal.

O grupo invadiu o local e matou o tigre com veneno. Seu corpo foi dividido em pedaços. Os órgãos também foram separados. Os ladrões retiraram todo o esqueleto, cujos ossos são usados para elaborar uma poção medicinal gelatinosa que custa mais de US$ 5.000 o quilo no mercado negro.

Segundo a legislação vietnamita, o tráfico ilegal de animais selvagens como o tigre pode ser punido com pena de até 12 anos de prisão e multas de até US$ 1.300. Só restam algumas centenas de exemplares da espécie nas selvas do sul do país. (Folha Online)

Suspensa a lei que proibia o uso de amianto em SP

O TJ-SP - Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu na segunda-feira (20) liminar que suspende a vigência da Lei Estadual 12.684, de 26 de julho de 2007, que proíbe o uso no Estado de produtos que contenham qualquer tipo de amianto. A medida é resultado de Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pela Fiesp - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. De acordo com a lei paulista, ficariam proibidos a partir de 1º de julho de 2008 "materiais ou artefatos que contenham quaisquer tipos de amianto ou asbesto ou outros minerais que, acidentalmente, tenham fibras de amianto na sua composição".

Na ação, a Fiesp argumentava que a norma paulista está em desacordo com a Lei federal no 9.055/95, que veta o uso dos amiantos azul e marrom, mas permite o tipo branco (asbesto de crisotila), desde que dentro das normas de segurança. A Fiesp informa que o amianto branco não é prejudicial à saúde de usuários, tampouco aos trabalhadores que o manuseiam corretamente. Segundo a entidade, um estudo da Unicamp - Universidade de Campinas, Unifesp - Universidade Federal do Estado de São Paulo e USP - Universidade São Paulo prova esse fato. Estimativas da Fiesp indicam que a lei paulista poderia por em risco cerca de 200 mil empregos no Estado.

No início de agosto, a CNTI - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria ajuizou no STF - Supremo Tribunal Federal uma ação contra a mesma lei paulista, utilizando os mesmos argumentos. Não há prazo para o julgamento da liminar no STF. (Estadão Online)

Temperaturas chegarão a 50ºC no Mediterrâneo, afirma cientista

As temperaturas na região do Mediterrâneo poderão chegar a 50ºC com largos períodos de seca no final deste século, anunciou o climatólogo italiano Filippo Giorgi, em Erice, na Sicília, durante seminário internacional sobre emergências planetárias.

Membro italiano do comitê executivo do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), Giorgi diz acreditar que os moradores do Mediterrâneo devem esperar ondas de calor cada vez mais freqüentes.

"Para citar um exemplo simples, podemos dizer que o tórrido verão de 2003 não será nas próximas décadas uma exceção, mas o verão típico da área mediterrânea. Todos os modelos indicam esse ritmo", conta o cientista.

Quanto às causas das mudanças, o pesquisador atribui boa parte da responsabilidade ao efeito estufa. Giorgi observa estas variações como reversíveis.

O inverno também será afetado. O pesquisador informa que "aumentarão as precipitações, em freqüência e intensidade, e as chuvas, em alguns casos, terão inclusive o caráter de inundação".

Contudo, na Espanha, Grécia e sul da Itália as chuvas serão mais escassas, inclusive no inverno. (Folha Online)

Recuo do gelo expõe novas ilhas no Ártico

Ilhas até então desconhecidas estão aparecendo no verão devido ao recuo do gelo do Ártico em níveis inéditos, disseram especialistas, questionando se o ritmo do aquecimento global não está superando as projeções da ONU - Organização das Nações Unidas.

Outro fenômeno registrado neste ano foi a dificuldade enfrentada por focas e ursos polares no arquipélago norueguês de Svalbard, já que o gelo marinho do qual esses animais dependem para a caça derreteu muito antes do normal.

"Reduções de neve e gelo estão acontecendo num ritmo alarmante", disse a ministra norueguesa do Meio Ambiente, Helen Bjoernoy, em um seminário com 40 cientistas e políticos que começou na noite de segunda-feira em Ny Alesund, a 1.200 quilômetros do Pólo Norte.

"Esta aceleração pode ser mais rápida que o previsto (neste ano pelo painel climático da ONU)", disse ela a jornalistas. Ny Alesund, base para a exploração ártica, se intitula o lugar permanentemente habitado mais ao norte do mundo.

"Pode haver um Ártico sem gelo até meados deste século", disse Christopher Rapley, diretor da Pesquisa Antártica Britânica, acusando o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática de ter subestimado o degelo nas duas regiões polares do globo.

Ilhas - O degelo dos glaciais que vão do interior para a costa de Svalbard revelou várias ilhas que não estavam nos mapas. "Sei de duas que apareceram no norte de Svalbard neste verão e não foram reivindicadas ainda", disse o ambientalista Rune Bergstrom, consultor do governo norueguês na ilha.

O pesquisador disse ter visto uma das ilhas, do tamanho aproximado de uma quadra de basquete. Outras ilhas apareceram nos últimos anos nas costas da Groenlândia e Canadá.

Apesar de tantos alertas sobre o aquecimento, nevava na segunda-feira (20) em Ny Alesund, em pleno verão, várias semanas antes que o normal na região, que nesta época ainda está sendo banhada pelo sol da meia-noite.

Bjoernoy diz que a nevasca foi extemporânea e não invalida os alertas sobre o aquecimento.

Na sexta-feira (17), o Centro Nacional de Dados dos EUA sobre Neve e Gelo disse que o trecho congelado no Ártico "caiu abaixo do recorde mínimo absoluto de 2005 e ainda está derretendo". O gelo do Ártico atinge seu nível mínimo em setembro, quando então volta a congelar. A estatística norte-americana se baseia em dados de satélite desde a década de 1970.

Rapley disse que o recuo do gelo é ruim para as populações nativas e para a vida animal, mas que pode ajudar a exploração de gás e petróleo ou a abertura de rotas marítimas entre os oceanos Atlântico e Pacífico.

A Noruega espera que o seminário pressione os governos a aceitarem cortes maiores nas emissões de gases do efeito estufa. Participam do evento representantes da China e dos EUA, os dois maiores poluidores mundiais. (Estadão Online)

Biocombustíveis: Comunicado Conjunto Brasil-Estados Unidos

InfoRel

Em 20 de agosto, o Subsecretário-Geral de Política I do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Embaixador Everton Vargas, e o Subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, Energia e Agricultura dos Estados Unidos, Reuben Jeffery III, realizaram, em Brasília, reunião do Comitê Coordenador Brasil-Estados Unidos para promover a cooperação em biocombustíveis.

Os objetivos da parceria são: catalisar o uso dos biocombustíveis na região e no restante do mundo; diversificar o suprimento de energia; democratizar os mercados de energia; incentivar a prosperidade econômica; promover o desenvolvimento sustentável; e proteger o meio ambiente.

Os representantes dos dois países expressaram grande satisfação com as atividades realizadas no contexto do Memorando de Entendimento Brasil-Estados Unidos para Promover a Cooperação em Biocombustíveis, assinado em 9 de Março de 2007, em São Paulo.

Bilateralmente, o Brasil e os Estados Unidos continuam a promover a cooperação em pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis.

Desde o encontro entre o Presidente Lula e o Presidente Bush em 31 de Março de 2007, ocorreram seis visitas de alto nível para fortalecer a cooperação bilateral em pesquisa sobre biocombustíveis.

Os dois países congratularam-se com a próxima visita de missão de pesquisadores brasileiros a laboratórios do Departamento de Energia (DoE) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), programada para a semana de 10 de setembro de 2007.

Para impulsionar ainda mais a cooperação em pesquisa sobre biocombustíveis, os dois lados acordaram estudar a possibilidade de fomentar intercâmbio de acadêmicos e de estudantes de pós-graduação entre universidades brasileiras e norte-americanas líderes nesse assunto.

Em terceiros países, os dois países sublinharam o papel transformador dos biocombustíveis no aumento da segurança energética e na promoção do desenvolvimento sustentável.

O Brasil e os Estados Unidos, em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com a Organização dos Estados Americanos (OEA) e com a Fundação das Nações Unidas (FNU), completaram trabalhos de viabilidade em São Cristóvão e Névis, bem como deram início a estudos de factibilidade no Haiti, na República Dominicana e em El Salvador.

Esses estudos serão utilizados para auxiliar os Governos e fornecer financiamento para atividades público-privadas voltadas para o desenvolvimento de capacidade local na produção de biocombustíveis.

Representantes dos quatro países inicialmente escolhidos visitarão os Estados Unidos, ainda em agosto, para participar de Conferência sobre Biocombustíveis patrocinada pelo USDA.

Globalmente, o Brasil e os Estados Unidos concordaram em cooperar para lograr compatibilidade de padrões e normas para biocombustíveis até o final de 2007. Este trabalho está sendo realizado inicialmente pela indústria, pelas organizações de padronização e institutos de metrologia do Brasil, dos Estados Unidos e da União Européia no âmbito do Fórum Internacional de Biocombustíveis (FIB).

Os resultados deste trabalho serão apresentados na próxima reunião do FIB programada para ocorrer na Índia na próxima primavera. São membros do FIB o Brasil, os Estados Unidos, a Comissão Européia, a China, a Índia e a África do Sul.

Com vistas a promover o caráter público-privado da Parceria Brasil-Estados Unidos em Biocombustíveis, os dois países concordaram em criar um Comitê Assessor ao Comitê Coordenador, que incluirá representantes do setor privado e organizações internacionais.

Os dois países reiteraram a alta prioridade conferida por ambos ao rápido e continuado progresso na implementação dos objetivos da parceria e concordaram em reunir-se nos Estados Unidos até o final deste ano.

Incêndios destroem reservas florestais em Minas

da Folha Online

Dois incêndios destroem uma área de proteção ambiental e um parque estadual de Minas, nesta quarta-feira.

No Parque Estadual Serra do Rola Moça, em Belo Horizonte, equipes dos Corpo de Bombeiros e brigadistas trabalham no combate ao fogo desde o início da tarde de ontem. Três aeronaves participam da operação.

O fogo começou em um condomínio próximo ao parque. O IEF (Instituto Estadual de Florestas) ainda não tem uma estimativa do tamanho dos estragos. O parque tem 3.941 hectares --39,4 milhões de metros quadrados.

Na área de proteção ambiental de Pandeiros, em Conceição de Mato Dentro, o fogo começou ainda na manhã de ontem e permanece fora de controle. O área tem cerca de 2.100 quilômetros quadrados.

De acordo com o IEF, apenas nesta semana, mais dois incêndios em parques foram registrados e debelados. Um ocorreu no Parque Estadual Biribiri, Diamantina, na segunda-feira, e outro no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Conceição do Mato Dentro.

19 agosto 2007

II Seminário Técnico-Científico sobre Viveiros Florestais

Inovação chega a viveiros florestais

Divulgar as inovações tecnológicas recém consolidades em viveiros florestais é o objetivo do II Seminário Técnico-Científico sobre Viveiros Florestais, que acontece de 18 a 20 de setembro, no Anfiteatro do Pavilhão da Engenharia Rural da Esalq/USP, em Piracicaba, SP.

O encontro é voltado para profissionais das áreas técnicas, operacional e prestadores de serviço, além de profissionais de empresa florestais, professores e pesquisadores. Entre os temas serão debatidos a Situação atual e as perspectivas futuras de normatização da nova lei de sementes e mudas; a Legalização para produção e comercialização de sementes e mudas; e Atualidade em estrutura de viveiros florestais.

A organização é do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – IPEF.


Fonte: Celulose Online

DESERTIFICAÇÃO NA PARAÍBA: Um alerta do Dia Mundial de Combate a Desertificação e a Seca

Jose Jakson Amancio Alves - Professor Titular do Departamento de Geografia - Centro de Humanidades - Universidade Estadual da Paraíba


Etimologicamente, desertificação deriva de duas palavras latinas: (i) desertus, adjetivo, particípio passado do verbo desere (desertar, deixar, abandonar), significando, abandonado, desabitado, inculto, selvagem e, desertus, substantivo que quer dizer, solidão, desolação, área vazia; (ii) e fixação, sufixo verbal proveniente da forma passiva do verbo latino ficare (ficeri), ação de fazer, ser feito, ser produzido.


O conceito de desertificação já havia de certo modo sido esboçado no Brasil por Euclides da Cunha, em 1901, em dois ensaios jornalísticos escritos por ocasião de uma viagem de trem entre o Rio de Janeiro e São Paulo, intitulado: “Fazedores de Desertos” e “Entre Ruínas”. Neles são descritas as pilhas de lenha amontoadas ao longo da estrada de ferro, provenientes da Mata Atlântica e as encostas laceradas por voçorocas com as rochas expostas nas terras antes ocupadas pelas plantações de café, e que foram abandonadas.


Apesar das várias definições oficiais oriundas de diversos organismos internacionais de combate à desertificação, existem mais de 130 definições recobrindo os diversos campos multidisciplinares e interdisciplinares que tratam do problema. Porém, a UNCED (1992), difunde em julho de 1992, como sendo: “degradação das terras em áreas áridas, semi-áridas e subúmidas seca resultando de vários fatores inclusive das variações climáticas e das atividades humanas”.


Para Mainguet (1992) a desertificação é revelada pela seca, que se deve às atividades humanas quando a capacidade de carga das terras é ultrapassada; ela procede de mecanismos naturais que são acelerados ou induzidos pelo homem e se manifesta através da degradação da vegetação e dos solos e provoca, na escala humana de uma geração, (25-30 anos), uma diminuição ou destruição irreversível do potencial biológico das terras e de sua capacidade de sustentar suas populações.


Esta definição possa ser a mais abrangente, pois enfatiza as causas humanas e os parâmetros climáticos, sobretudo a seca, agindo como reveladores dos processos de degradação. Como conclusão compreende-se que a desertificação é uma crise ambiental cujo término é surgimento de paisagens desérticas e que se caracteriza por uma degradação qualitativa marcada pelo desaparecimento irreversível de algumas espécies vegetais e quantitativa pelo esgotamento definitivo dos planos d’água superficiais, pela baixa dos lençóis freáticos e pelo aumento da degradação dos solos em virtude de uma exarcebação de processos de erosão hídrica e eólica.


No entanto torna-se necessário uma diferenciação entre desertificação, como forma irreversível de deterioração ambiental cuja recuperação seria muito onerosa, complexa ou longa dentro de um contexto socioeconômico e tecnológico determinado e degradação reversível, quando a regeneração é viável econômica e tecnologicamente dentro de prazos razoáveis.


Para completar, podemos enfatizar que todas as definições apontam que as regiões mais atingidas pela desertificação são aquelas marcadas periodicamente pelas secas. Estas servem de reveladoras e exarcebadoras dos processos de degradação dos recursos naturais.Três questões são comumente levantadas ao se tratar da desertificação: (i) As causas da desertificação são exclusivamente antrópicas ou elas resultam da interação entre fatores físicos e humanos? (ii) Não seriam elas resultantes de variações de ordem climática? (iii) Qual o papel do homem na desertificação se considerar como causa principal a interação homem-natureza?


Como bem sabemos, o uso do solo, a pecuária extensiva e semi-extensiva, a exploração mineral e dos recursos florestais das caatingas, além de outros fatores, vêm ao longo dos anos causando profundas transformações no domínio geobotânico e morfoclimático do semi-árido e acelerando processos naturais que desencadeiam a formação de núcleos de degradação ou desertificação em várias áreas do Nordeste, em especial na área do polígono das secas (criado pela lei n° 173, de 7 de janeiro de 1936, atualizado a relação dos municípios com a Resolução n°11.135 de 19 de dezembro de 1997, com uma área total de 1.084.348,2 Km², correspondente a 1.348 municípios; a Paraíba tem 223 municípios dentro dessa área).


As causas da desertificação na Paraíba não diferem das que são encontradas em outros estados nordestinos. Elas são decorrentes do uso inadequado dos recursos naturais, de práticas agrícolas inapropriadas e, sobretudo de modelos de desenvolvimento macro e micro econômicos de curto prazo. Um outro grave aspecto a considerar é as práticas agrícolas tradicionais, geralmente associadas a um sistema concentrado de propriedade da terra e da água conduzindo a graves problemas socioeconômicos que se aprofundam quando sobrevêm as secas.


A Paraíba é o estado brasileiro com maior nível de desertificação, segundo dados da Organização Não-Governamental Internacional Greenpeace. No relatório “Mudanças de clima, mudanças de vida”, indica que 29% do território paraibano está comprometido, afetando indiretamente mais de 653 mil pessoas. O MMA (2007) admite que cerca de 80% dos municípios paraibanos estão numa área em que os índices pluviométricos são inferiores a 800 mm por ano, causando aproximadamente problemas a cerca e 1,5 milhão de pessoas.

Em diagnostico realizado pela Superintendência do Meio Ambiente (Sudema-PB) cerca de 57,06% do território paraibano possui um grau muito alto de suscetibilidade a desertificação, que se estende do Seridó Ocidental, nos municípios de Várzea, São Mamede, até a Microrregião de Sousa incluídos nesse percentual. Agravando ainda muito mais ainda esses diversos relatórios são os números do Ibama, colocando a Paraíba como líder do ranking dos estados que mais desmatam no Nordeste. Segundo relatório do Ibama o desmatamento corresponde hoje à cerca de 70% da mata nativa, número superior ao registrado em outros estados do Nordeste, que é de 50%.


O Ibama estima que por ano, cerca de 17 mil hectares de lenha sejam retiradas das matas paraibanas. Todos esses dados foram publicados entre os anos de 2002 e 2007, e expõem uma coisa óbvia: a expansão do semi-árido paraibano, ou seja, de áreas susceptíveis a desertificação (núcleos de desertificação), onde a paisagem já evidencia a ocorrência de núcleos de desertificação, alguns deles em estado bastante avançado.


Os núcleos de desertificação são áreas isoladas cujas condições de degradação da vegetação e solos (erosão hídrica, química) denunciam claramente a diminuição de sua capacidade produtiva. Esses núcleos de desertificação constituem pequenas áreas de formas variadas-pontuais, lineares e areolares - em que os solos apresentam-se fortemente degradados: o horizonte superficial decapitado pela erosão laminar ou retalhados pelos ravinamentos, alguns destes chegam a ser medianamente profundos (nas acumulações coluviais dos pés-de-serra, e dos terraços fluviais) e por vezes, por certos movimentos de massa de pequena dimensão.


Nesses locais a vegetação se recupera muito dificilmente ou então é substituída por algumas espécies mais xerófilas da caatinga. Uma outra observação, é que os núcleos de desertificação possuem dinamismo próprio baseado na morfodinâmica característica do sistema semi-árido e têm uma tendência a evoluir em detrimento das áreas vizinhas por processos regressivos de erosão. Além disso, eles podem ser dotados de elevado potencial de degradação, dependendo das condições ecotópicas e podem ser localizados ou generalizados. Sua tendência evolutiva no tempo e no espaço pode ser rápida, muito rápida, lenta ou incipiente. Em alguns casos observados a degradação já se encontra em um estágio muito avançado, talvez irreversível.


Os principais indicadores dos núcleos de desertificação mapeados na Paraíba foram:


a) áreas dedicadas ao pastoreio extensivo do gado bovino e caprino;


b) setores de tomada de empréstimo de terras marginais às estradas e açudes;


c) áreas lineares ao longo das instalações das linhas de transmissão de energia elétrica em que surgem pequenos ravinamentos e aumentam de modo irreversível;


d) áreas em torno das cidades, vilas e povoados e sedes de fazendas, em que a retirada da vegetação para lenha atinge proporções imensas com ravinamentos, solos raspados e solos decapitados;


e) áreas de produção de carvão e áreas de fornos de cal e de olarias;


f) áreas de passagem dos rebanhos. Formam-se caminhos em zigue-zague, com solo compactado pelo excesso de pisoteio;


g) terracetes de pisoteamento do gado nas encostas geralmente nas áreas com pastagens plantadas;


h) antigos campos cultivados - terras completamente retalhadas pela erosão hídrica;


i) construção de cercas, às vezes quilométricas, cria ao longo delas, estreitas faixas onde podem começar a ocorrer processos incipientes de degradação;


j) interflúvios pedregosos sem nenhuma vegetação que geralmente foram antes utilizados pela agricultura comercial.


Candido, Barbosa & Silva (2002) sobre a avaliação da degradação ambiental de parte do Seridó paraibano concluíram que: as análises dos dados coletados em campo permitiram uma avaliação do quadro socioeconômico e ambiental, que indica alta deteriorização das condições de vida, e denuncia as dificuldades severas das famílias em que se manter, mostrando o completo abandono do homem do campo. E continuam: o poder público precisa definir urgentemente políticas públicas, visando ao desenvolvimento sustentável com a diminuição dos riscos, e que venham consolidar a participação da mulher rural nas atividades socioeconômicas e familiar.


Para Santos & Lima (2004) é o desmatamento da caatinga nativa para a venda de lenha às olarias e as panificadoras locais e de outras localidades do estado, junto à fragilidade dos ecossistemas, que tem contribuído para o aparecimento do fenômeno da desertificação, prejudicando a estrutura produtiva da região.


Segundo Neto & Barbosa & Neto (2007) o que acelera o desmatamento da caatinga para a introdução consorciada das culturas de autoconsumo e pastagens, associados ä dinâmica de recomposição da vegetação nativa e suas relações com os eventos ENOS, tem acelerado o processo de degradação dos solos, contribuindo progressivamente para a evolução dos níveis de degradação das terras e a formação de núcleos de desertificação.


Na prática a desertificação se espalha lentamente a partir de pequenos núcleos até atingir grandes superfícies. Ela se alimenta por si própria, criando áreas áridas que antes apresentavam um certo potencial biótico. Combatê-la logo de início pode dar resultados, mas se nenhuma ação for empreendida, por falta de vontade política, parar a desertificação torna-se extremamente oneroso. Suas causas e efeitos: (1) PRESSÃO DAS CULTURAS; (2) SOBREPASTOREIO; (3) EXPLORAÇÃO FLORESTAL; (4) O CONSUMO DO ESPAÇO PELAS CULTURAS.


Na caatinga as áreas mais densamente cultivadas são os interflúvios, encostas das serras, os terraços fluviais, as abas pouco inclinadas dos vales, os pés-de-serra e as vazantes dos açudes. Nos interflúvios a vegetação é abatida e depois queimada. Efetua-se então o plantio. Após alguns anos de cultivo de milho, feijão, algodão, os campos são deixados em descanso e as capoeiras começam a ocupá-los. Estas podem ser utilizadas pelo gado após certo período de tempo e por um certo prazo. Em seguida e terreno é mais uma vez desmatado e um novo ciclo de culturas se reinicia.No total são áreas consideráveis que são desmatadas e redesmatadas a cada ano.


Após identificar as causas e efeitos da degradação ambiental, oriundas das condições edafo-climáticas e das transformações econômicas e sociais ocorridas ao longo do seu processo de ocupação, consideramos que esta situação da Paraíba, que também, é encontrada nos estados vizinhos, nas regiões semi-áridas do Brasil, esses aspectos analisados se constituem numa verdadeira “ameaça” ao desenvolvimento sustentável da economia nordestina. Podemos agrupar essas considerações, em vulnerabilidades, como marcos centrais para uma política de desenvolvimento sustentável: a ambiental, a econômico-social, a científico-tecnológica e do estado.


A vulnerabilidade geoambiental mais destacada, naturalmente, é a desertificação, tanto no aspecto edafoclimatológico como socioeconômico, como também, um problema que continua fornecendo adubo às idéias regionalistas e se constitui parte essencial da identidade nordestina. No entanto, os efeitos da desertificação serão tão real quanto os efeitos da seca que são devastadores sentidos pela população mais pobre e sobre a economia rural da região. Por outro lado, a preocupação com a seca por parte do estado é tão secular quanto à inutilidade de suas ações para o seu combate, consumiram-se tantos recursos públicos quanto foram apropriados pelas oligarquias rurais que os administrava.


Neste aspecto, a sustentabilidade nas regiões semi-áridas tem de estar acompanhada de uma política de combate à desertificação considerando todos os itens analisados. Essa luta contra a desertificação deve ser baseada em três esferas: (1) Uma aceitação realista dos fatos geoecológicos, isto é: precipitações fracas e irregulares; recorrência imprevisível de longos períodos secos; um potencial fraco por unidade de superfície, donde decorre a necessidade de unidades de manejo bastante grandes para compensar a variabilidade das precipitações no espaço no decorrer de qualquer ano; ecossistemas frágeis e instáveis naturalmente; e graves riscos de erosão, de acumulação e de salinização dos solos. (2) Uma percepção adequada dos critérios econômicos e das atitudes sociais; e (3) A disposição de bons estudos capazes de fornecer uma sólida avaliação de cada unidade ecológica em função das estratégias de desenvolvimento e dos investimentos possíveis.


Mas, as soluções técnicas para se combater a desertificação só poderão ser aplicadas se houver uma forte vontade política para aplicá-las.No semi-árido nordestino estas soluções necessitam de uma verdadeira revolução sócio-cultural e política o que implica numa profunda interferência no sistema de propriedade de terra e na vida das populações envolvidas.


Além do mais cabe lembrar uma consideração tão importante quanto essas práticas para estabilização e combate da desertificação na Paraíba e no Nordeste do Brasil: o grande problema do Nordeste semi-árido não é de ordem física. Ele é social. No dia em que for adotada uma política que beneficie toda a população e não apenas os grupos econômicos externos à região e à oligarquia local, o problema será solucionado. (Andrade, 1989).


Por fim, convém lembrar que de acordo com dados do MMA (2007), as áreas suscetíveis à desertificação no Nordeste Brasileiro correspondem à cerca de 57% do território da região, cerca de 89 milhões de hectares. Isso representa um perigo para 10,5% da área total do país e abrange 1.031 municípios.


As razões apresentadas neste artigo sobre a desertificação consideram que qualquer programa de combate à desertificação passa pela luta contra a deteriorização dos recursos naturais e do aumento no Índice de Desenvolvimento Humano, sobretudo das populações rurais. Contudo os hábitos de vida também devem se caracterizar por atitudes sustentáveis.


Concluindo, parafraseamos o geógrafo e Prof. Manoel Correia de Andrade, em seu último artigo, escrito ao Jornal do Comercio-PE, em 01 de julho de 2007: “Não se pode admitir uniformidade para o Semi-Árido nordestino, uma vez que condições meteorológicas, geológicas e morfológicas provocam modificações nas suas diversas áreas, havendo trechos em que o clima pode ser considerado como semi-úmido e trechos onde pode ser considerado como semi-árido”. Assim, como na Paraíba, o tratamento aos demais estados nordestinos no combate a desertificação só produzirá grandes efeitos se forem considerados que essas regiões não são uniformes, e cada caso é em particular um estudo de caso.


Referencias Bibliográficas


CORREIA DE ANDRADE, M. “L’intervention de l’Etat et la sécheresse dans le Nordeste du Brésil”. In: Les hommes face aux Sécheresses (Coord. Bernard Bret), p. 391-398. Coll. “Travaux et Mémoires” de L’IHEAL, nº 42- Série Thèses et Colloques, n.1. Ed. EST/ IHEAL, Paris, 1989.


MAINGUET, M. “Stratégies de combat contre la degradation de l’environnement dans les ecosystèmes secs: les responses des Nations Unies, de la C.E.I.,de la Chine et du Sahel”.In Bull. Assoc. Géograph. França, Paris, 1992, n.5 p. 422-433.


CANDIDO, Humberto G.; BARBOSA, Marx P.; SILVA, Miguel J. da. Avaliação da degradação ambiental de parte do Seridó Paraibano. Revista brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, vol. 6, nº 2. Campina Grande, 2002.


SANTOS, Joel Silva os; LIMA, Eduardo Rodrigues Viana de Lima. Análise do processo de desertificação no município e Picuí - PB através de indicadores sócio-ambientais. X Simpósio Brasileiro e Geografia Física Aplicada. 2004.


NETO, Augusto Francisco da Silva; BARBOSA, Marx Prestes; NETO, João Miguel de Morais. A dinâmica da desertificação e a influencia dos eventos ENOS na degradação das terras em municípios o Cariri-Ocidental (Paraíba – Brasil). Anais XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, Florianópolis, Brasil, 21 – 26 abril 2007, INPE, p.4405 – 4412.


Software permite gerenciamento do uso da água

O Conselho mundial de negócios para o desenvolvimento sustentável (WBCSD) lançou na semana passada, em Estocolmo, um software que permite que organizações mapeiem o uso da água e apontem os riscos relativos a operações globais e a cadeia de suprimento.

A Ferramenta permitirá as empresas responderem perguntas como quantos locais estão em áreas com escassez de água, como serão no futuro, quando empregados vivem em países que não tem acesso a água e sistemas sanitários adequados, quantos fornecedores estão em áreas com escassez de água.

Através de um processo fácil de gerenciamento, o novo software faz a comparação do uso de água com informações da disponibilidade de água e sistemas sanitários, tanto tratando-se do país ou lençóis freáticos, calcula o consumo e eficiência, estabelece riscos relacionados a água e cria indicadores, inventários, e performance métricas.

O software está disponível para download no website http://www.wbcsd.org/web/watertool.htm

Fonte: CarbonoBrasil

Caravana vai percorrer 11 capitais contra transposição do Rio São Franscisco

Em cerca de duas semanas, um grupo de especialistas e representantes de movimentos sociais percorrerá 11 capitais brasileiras. O objetivo é expôr argumentos contra a transposição do Rio São Francisco. Batizada como Caravana Nacional em Defesa do Rio São Francisco e do Semi-árido, Contra a Transposição, a peregrinação pelas capitais será feita por 12 pessoas. Em cada cidade, o grupo vai mobilizar sociedade civil, políticos e estudantes para manifestações.

“A transposição é uma grande mentira. O que precisa ser discutido é como resolver o problema do semi-árido brasileiro sem acabar com o rio”, critica um dos representantes da campanha, Apolo Heringer Lisboa.

Em Brasília, a caravana chega na próxima quarta-feira (22). Haverá reunião com a presidente do STF - Supremo Tribunal Federal, ministra Ellen Gracie, e com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT–SP). “Se a gente tentar levar a manifestação para os governantes, há chances de que haja mudanças muito grandes”, disse.

Como exemplo, Lisboa lembrou o exemplo do frei Dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra, na Bahia. O frei ficou dez dias em greve de fome em 2006 para chamar atenção das autoridades políticas e da sociedade contra a transposição. Segundo o representante da caravana, atitudes como essa fazem com que o governo abra espaço e discuta com a sociedade alternativas para o semi-árido que não seja a transposição do rio.

Para ele, o desenvolvimento do país em obras de infra-estrutura não vai trazer benefício direto à população e sim a grandes empresas. “O nosso interesse é que o governo federal discuta e que o Brasil saia dessa situação. É preciso buscar uma solução efetiva para o semi-árido, pois está tudo parado”, disse.

“O povo está acreditando que tirar água do São Francisco vai trazer emprego. E não vai! Então, são atitudes e ações que precisam ser discutidas”, ressaltou. (Agência Brasil)

Elefantes da Índia terão ‘RG’ com foto

Grupos de proteção ao meio ambiente criaram cartões de identificação individuais com fotos para elefantes selvagens machos do sul da Índia para acompanhar os efeitos da caça da espécie. O anúncio foi feito na quinta-feira (16).

Ao identificar individualmente os animais, os pesquisadores esperam ter uma idéia melhor dos números e dos movimentos da espécie. O trabalho também pode ajudar na aplicação de leis, caso um carcaça de elefante seja descoberta, segundo a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, de Nova York (EUA).

O projeto foca apenas nos machos, porque “ao contrário dos elefantes africanos, onde tanto machos quanto fêmeas têm marfim, nos elefantes asiáticos isso só existe nos machos”, explicou o pesquisador da entidade, Varun Goswami.

Goswami afirmou que os pesquisadores tiraram mais de 2.400 fotografias de 134 elefantes em reservas do estado indiano de Karnataka. Com as imagens, os cientistas obtiveram dados como tamanho dos dentes, formato das orelhas, altura dos ombros, comprimento do rabo e cicatrizes dos animais.

As autoridades indianas estimam que há mais de 26.400 elefantes selvagens no país. O trabalho da entidade foi publicado na edição de agosto da revista “Animal Conservation”, de Londres. (Globo Online)

Diante de superpopulação, Malásia vai exportar macacos

A Malásia liberou a exportação de macacos, para reduzir a população dos primatas nas zonas urbanas, e já negocia a venda à Coréia do Sul, Hong Kong, Japão e Taiwan, informou a imprensa local.

O ministro do Meio Ambiente e Recursos Naturais, Azmi Khalid, argumentou que os macacos "semeiam o caos nas cidades, onde não só roubam comida das casas mas também atacam as pessoas", segundo o site do jornal The New Straits Times.

Ele explicou que a medida só vale para a porção peninsular da Malásia, e não para os estados de Sabah e Sarawak, onde os macacos correm risco de extinção. Só poderão ser caçados e vendidos os animais achados em zonas urbanas.

Segundo os dados do governo, cerca de 258 mil macacos vivem nas cidades. Há 484 mil na floresta.

A exportação foi proibida há 24 anos, quando a venda de 10 mil macacos por ano a laboratórios nos Estados Unidos e Europa, e a restaurantes de outros países asiáticos, provocou uma queda alarmante na população.

O macaco de Mentawai, uma subespécie que habita a Malásia peninsular, vive também na parte indonésia da ilha de Bornéu e é uma das mais de 400 espécies do Sudeste Asiático que se encontram na Lista Vermelha de Espécies em Perigo da União Internacional de Conservação da Natureza. (Estadão Online)

Baleia dá à luz em aquário nos EUA

Uma baleia beluga deu à luz em um aquário de Chicago. O filhote nasceu com quase 1,70 m e mais de 45 quilos.

Biólogos dizem que os primeiros dias são fundamentais para a sobrevivência do bebê baleia em cativeiro. Mãe e filho agora são a maior atração do aquário. (Estadão Online)

Soja representa risco para florestas dentro de três anos

Se não houver mudanças nas regras e parâmetros do setor, em três ou quatro anos a produção de soja exigirá desmatamento de novas áreas, avalia o professor Fernando Homem de Melo. Ele foi um dos participantes do debate Impacto dos Biocombustíveis na Agricultura e na Indústria de Fertilizante do Brasil, promovido na quinta-feira (16) pelo Laboratório de Estudos do Futuro da UnB - Universidade de Brasília.

Entretanto, na avaliação do professor, do Departamento de Economia da USP - Universidade de São Paulo, a produção de biocombustíveis pode ser feita de forma sustentável apoiada na tecnologia e principalmente na fiscalização governamental.

Ele atribuiu ao recuo do plantio da soja a redução do desmatamento registrado no período 2005-2006, divulgada na última quinta-feira (9). “Nesse período a que a ministra (Marina Silva) se referiu, não havia necessidade de aberturas de novas áreas”, avaliou. Segundo ele, nas duas últimas safras o Brasil deixou de plantar cerca de 4 milhões de hectares, metade dos quais relativa à soja. Cada hectare corresponde aproximadamente a um campo de futebol.

O grão registrou safra recorde este ano, apesar da redução na área plantada. O IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prevê expansão da sojicultura na próxima safra no Mato Grosso, que responde por mais de um quarto da produção nacional, usando principalmente áreas que já têm ocupação humana. O ISA - Instituto Socioambiental identifica risco para a floresta amazônica e para o Xingu.

Questionado sobre a possibilidade de a corrida pelo biocombustível comprometer a produção de alimentos, o professor Homem de Melo, especialista em economia agrícola, disse que o problema é “extremamente sério”. “Existem estudos de instituições renomadas, e que também foram publicadas na Foreign Affairs (revista científica norte-americana sobre relações internacionais), que dão projeções para 2020 extremamente preocupantes quanto aos preços dos grãos em geral”, comentou.

De acordo com ele, os valores previstos para a compra dos grãos no ano citado já foram ultrapassados. “Já está ocorrendo uma inflação de preços de alimentos. O problema é que isso vai afetar a segurança alimentar dos mais pobres, em todo o mundo, um vez que os produtos das cestas básicas são os que mais sobem”.

Para Fernando Homem de Melo, o Brasil poderá enfrentar uma possível falta de alimentos utilizando-se das reservas cambiais e dos acordos comerciais feitos com os países vizinhos. “Hoje temos US$ 160 bilhões de reservas. Temos o Mercosul, com a Argentina muito competitiva na produção de alimentos de clima temperado, com tarifa zero”, disse.

Durante o evento também foram debatidas questões técnicas sobre a utilização e classificação dos biocombustíveis. Para o professor José Carlos Gaspar, do Instituto de Geociências da UnB, o maior erro cometido atualmente é a classificação dos biocombustíveis como fontes renováveis de energia. “Tem-se a idéia de que, se eu planto a soja todo o ano, isso é ser renovável. Mas se esquece que para plantar soja eu preciso dos fertilizantes, e para produzi-los é preciso de amônia, fósforo e potássio, cujas fontes são finitas”, disse.

Segundo ele, o atual debate sobre os biocombustíveis não é feito com base em dados, mas apenas ideologicamente. “Nós precisamos das informações para discutir com propriedade, para que possamos aproveitar os benefícios que virão e tentar reparar ou evitar e administrar do modo mais competente possível aquilo que não é conveniente. Isso só se faz não negando que não haverá impactos”, concluiu. (Radiobrás)

Gelo no Oceano Ártico chega ao menor nível já registrado

O gelo sobre o Oceano Ártico encolheu à menor extensão já registrada e o derretimento prossegue, informa o Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve dos Estados Unidos (NSIDC). "Hoje é uma data histórica", disse um dos principais cientistas do centro, Mark Serreze.

"Este é o menor volume de gelo que já vimos nos registros de satélite, e ainda temos mais um mês para passar na temporada de degelo deste ano", afirma.

Medições por satélite mostram 5,26 milhões de quilômetros quadrados de gelo no Ártico, abaixo da mínima recorde de 21 de setembro de 2005, de 5,32 milhões de quilômetros quadrados, informa o NSIDC.

O gelo marítimo está particularmente baixo na parte do ártico correspondente à Sibéria Oriental e ao Mar de Beaufort, no norte do Alasca, de acordo com o centro. O gelo no arquipélago canadense também reduziu-se bastante. Ao longo do lado do Oceano Ártico voltado para o Atlântico, a extensão da perda de gelo não é tão grande, mas ainda está acima do normal.

Cientistas acompanham a extensão do gelo no Ártico desde os anos 70, quando imagens de satélite passaram a ser disponibilizadas.

As regiões polares são um foco de preocupação para os especialistas no clima mundial que estudam o aquecimento global, porque essas regiões deverão sentir o impacto da mudança climática antes, e num grau mais acentuado, que outras partes do planeta.

O gelo no Ártico ajuda a resfriar a região, refletindo a luz do Sol de volta para o espaço - essa luz poderia ser absorvida se atingisse o solo escuro ou o oceano. O gelo reflete 80% da luz incidente. Já o oceano líquido absorve 90%.

O céu esteve anormalmente claro sobre o Ártico nos últimos meses, o que aumentou a incidência de luz solar e contribuiu para o derretimento elevado. Mas Serreze disse que "simplesmente não podemos explicar tudo por meio de processos naturais". "Esta é uma evidência muito forte de que começamos a ver um aquecimento por efeito estufa", disse ele, o que implica efeitos de atividade humana.

Ele diz que, anos atrás, teria previsto o desaparecimento total do gelo do Ártico durante o verão para 2070 ou 2100 mas, diante das taxas atuais, Serreze afirma que o derretimento total poderia ocorrer até 2030. (Estadão Online)