14 agosto 2007

Mulher de 29 anos é a 82ª vítima da gripe aviária na Indonésia

A morte de uma mulher de 29 anos em Bali por causa da gripe aviária aumentou para 82 o número de vítimas fatais desta doença na Indonésia, confirmaram nesta segunda-feira (13), fontes do Ministério da Saúde.

A vítima, Luh Putu Sri Windiani, foi internada na sexta-feira (10) no hospital de Saglah, na ilha de Bali, e morreu no domingo (12) ao meio-dia (horário local).

Segundo o Serviço de Informação sobre a Gripe Aviária, a análise de um laboratório confirmou que a vítima estava infectada com o vírus H5N1 da gripe aviária, mas as autoridades estão à espera dos resultados de outro laboratório para confirmar oficialmente a causa da morte.

O porta-voz assinalou que por enquanto também não está clara a fonte do contágio e explicou que a paciente sofria pneumonia e febres muito altas.

Trata-se do primeiro caso de gripe aviária na ilha de Bali desde que a doença chegou ao país, em 2003.

Fontes do hospital asseguraram à agência de notícias estatal Antara que encontraram vários pássaros mortos nas cercanias da casa de Luh Putu, e informaram que seu filho mais novo, de cinco anos, morreu no dia 4 de agosto após apresentar febre alta e problemas respiratórios. Os médicos não puderam explicar a causa da morte da criança, e agora se suspeita que ele também pode ter sido uma vítima da gripe aviária.

A Indonésia, o país mais atingido pela epidemia de gripe aviária no planeta, conta com um índice de contágio de 78% em casos confirmados, e a epizootia se transformou em endêmica nas ilhas de Java (a mais povoada do país), Sumatra e Bali, assim como na região meridional das Célebes. (Estadão Online)

Lagartas tropicais têm cardápio restrito, mostra análise

Uma equipe de treze cientistas coordenada por Lee Dyer, da Universidade Tulane, de Nova Orleans, sul dos EUA, fez uma análise detalhada da dieta de larvas de insetos da ordem Lepidóptera (mariposas e borboletas) em oito pontos do continente americano.

As coletas feitas em lugares de clima temperado, como os EUA e o Canadá, ou em áreas tropicais (Panamá, Costa Rica, Equador e Brasil) trouxeram um dado novo sobre o comportamento desses insetos.

As dietas das lagartas tropicais são muito mais especializadas do que aquelas das suas "primas" de florestas temperadas, mostrou o estudo.

A questão pode ter a ver com uma "guerra química" mais intensa nas zonas próximas da linha do Equador. Nos trópicos, como a interação entre plantas e insetos é maior, por uma questão de quantidade simplesmente, as plantas precisam ser mais agressivas na síntese de substâncias que as tornem sem paladar para os animais. É o jogo da evolução em curso.

O resultado dessa luta é que os insetos acabam sendo forçados a reduzir bastante o seu cardápio diário, para não sumirem antes da hora.

Mesmo com mais um elo ecológico fechado, o trabalho de Dyer e equipe - a brasileira Helena de Morais, da Universidade de Brasília, especialista em cerrado, é uma das pessoas do grupo - ainda não conseguiu um avanço significativo no campo quantitativo.

Isso, apesar de os cientistas terem trabalhado com 75.000 amostras de taturanas e lagartas (larvas de insetos como borboletas e mariposas).

Apesar de o estudo ter lançado luzes sobre a distribuição de insetos, especialmente nos trópicos, onde são mais abundantes, ele não ajudou a melhorar as estimativas de quantas espécies desse grupo existem.

"Estamos muito longe de explicar a distribuição global da biodiversidade", afirma o pesquisador Nigel Stork, da Universidade de Melbourne, Austrália, comentando o trabalho, editado na ultima edição da revista científica "Nature".

Mesmo os besouros sendo seres muito comuns, as explicações sobre biodiversidade nos continentes se baseiam só neles, nas plantas e nos grandes mamíferos, diz Stork.

Já receberam nomes científicos 850.000 espécies de insetos. Faltaria ainda coletar, nomear e descrever algo entre 4,25 milhões e 17 milhões de outros destes animais, segundo Stork. Um número ainda mais assombroso foi estimado pelo pesquisador Terry Erwin em artigo de 1982: só nos trópicos existiriam em torno de 30 milhões de espécies de insetos.

Já o estudo feito por dezesseis pesquisadores da equipe de Vojtech Novotny, da Universidade do Sul da Boêmia, República Checa, focalizou a floresta tropical da Nova Guiné.

Sentido oposto - Foram estudadas aproximadamente 500 espécies de insetos comedores de folhagem (lepidópteros), madeira (besouros) e frutas (moscas).

Os oito pontos de amostragem cobrem uma área de 75.000 km quadrados.

Ao contrário da equipe de Dyer, Novotny e colegas, que também publicaram na "Nature", mostraram que havia um pequeno índice de mudança na composição das espécies de insetos ao longo da floresta.

Essa mudança ou taxa de substituição na composição de espécies de uma região para outra é conhecida pelos biólogos como "diversidade beta".

O grupo de Novotny estima que florestas tropicais como a da Amazônia devem ter "diversidade beta" baixa de insetos, pois apresentam baixa diversidade de tipos de vegetação. (Folha Online)

Riqueza mineral

Uma composição mineral, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, no Maranhão, poderá ser empregada para fixar nutrientes em plantas e ajudar pequenos e médios agricultores a aumentar a produtividade e reduzir custos.

Trata-se de uma composição zeolítica, formada principalmente por quartzo, argila esmectita e zeólita sedimentar. Zeólitas são minerais de um grupo abrangente de aluminossilicatos hidratados, geralmente com sódio, cálcio e potássio como elementos principais.

A composição foi analisada e aprimorada com a inclusão de fertilizantes e outros elementos químicos por pesquisadores do Cetem - Centro de Tecnologia Mineral, da CPRM - Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro. O trabalho gerou um pedido de patente no Inpi - Instituto Nacional da Propriedade Industrial.

Segundo um dos pesquisadores, Fernando de Souza Barros, professor emérito do Instituto de Física da UFRJ, o sedimento mineral zeolítico brasileiro tem as mesmas características dos materiais importados para a fabricação de fertilizantes, especialmente de Cuba e dos Estados Unidos.

“Esse tipo de areia zeolítica sedimentar, encontrada em abundância na bacia do rio Parnaíba, tem o mesmo efeito do material importado, mas, com um custo bem inferior”, disse Souza Barros à Agência Fapesp. “Com o pedido de patente, começamos a desmistificar a necessidade de importação desse material nobre extraído de jazidas vulcânicas.”

Além do baixo custo, que o pesquisador preferiu não precisar, uma vez que tais cálculos serão feitos pelas empresas que deverão comercializar os produtos formulados a partir da composição mineral, outra vantagem da areia zeolítica nacional é a fácil extração.

“Não é necessário fazer grandes buracos e nenhum tipo de mineração sofisticada para extraí-la. Temos uma área extremamente abrangente com esse sedimento. Só na bacia do Parnaíba são mais de 300 mil quilômetros quadrados”, disse o professor da UFRJ.

Testes confirmaram a eficácia do sedimento no cultivo de rosas. Conduzidos por pesquisadores da Embrapa Solos junto a floricultores de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, os estudos de campo mostraram que as hastes das flores cresceram, em média, 20% a mais.

“Nesse caso, chegamos ao extremo de não ter que fazer nenhum tratamento nas rosas. Simplesmente essa areia zeolítica foi jogada com outros fertilizantes ao redor das mudas e as plantas conseguiram absorver mais nutrientes do solo”, disse Souza Barros.

O projeto gerou mais de 20 artigos científicos sobre pesquisas com outras culturas, como tomate, alface e frutas cítricas. Por conta dos resultados positivos, as instituições envolvidas com a inovação iniciaram esforços para tornar a tecnologia disponível a produtores rurais.

“Estamos em busca de empresas brasileiras interessadas em explorar essa tecnologia, desde a extração sustentável do sedimento até seu beneficiamento em condições econômicas que sejam acessíveis também a pequenos agricultores. Estima-se que cerca de 40% dos custos da agroindústria brasileira estejam nos gastos com fertilizantes e nutrientes”, destacou Souza Barros. (Agência Fapesp)

China tenta salvar reserva de água doce da poluição

As autoridades chinesas proibiram a construção de hotéis nas cercanias do lago Poyang, sua maior reserva de água doce, e fecharão 150 fábricas da região, em uma tentativa de salvá-lo da crescente poluição, informou o jornal independente South China Morning Post.

Segundo o plano do Birô de Proteção Meio Ambiental da província oriental de Jiangxi, também serão transferidas a zonas mais afastadas do lago Poyang e seus afluentes cerca de 50 fazendas de gado.

A construção de novos hotéis só será permitida a 50 m dos rios que desembocam no Poyang, uma das últimas fontes de água potável do gigante asiático, segundo o birô.

Estas novas medidas chegam após as queixas de grupos ambientalistas sobre a má qualidade de água do lago, que era conhecido por muitos como "a última bacia de águas limpas" ao longo do rio Yang Tsé, segundo o jornal.

De acordo com o relatório das autoridades locais, a porcentagem de água classificada como poluída no Poyang é o dobro da registrada no ano passado e já chega a 17,9%.

As principais causas da queda da qualidade da água são a excessiva atividade humana na região e o mau tratamento dos desfeitos, além das obras da represa das Três Gargantas, que diminuíram o nível de água, acrescenta o relatório.

As autoridades de Jiangxi prometeram não poupar esforços para limpar as águas do Poyang, e entre outras iniciativas destacam a proibição de vendas de detergentes a base de fósforo ao longo dos cinco principais afluentes do lago e a implantação de zonas de proteção meio ambiental nas fontes de água. (Portal Terra)

Cientistas buscam novas formas de prever riscos climáticos

Cientistas estão tentando melhorar as previsões sobre o impacto do aquecimento global neste século reunindo estimativas sobre o risco de inundações ou de desertificação.

"Temos certeza sobre alguns dos aspectos da futura mudança climática, como o de que vai ficar mais quente", disse Matthew Collins, do Met Office (Departamento Britânico de Meteorologia). "Mas muitos dos detalhes são difíceis de dizer", acrescentou.

"A forma como podemos lidar com isso é uma nova técnica de expressar as previsões em termos de probabilidades", disse Collins à Reuters, referindo-se à pesquisa climática publicada na revista Philosophical Transactions, da Real Sociedade britânica.

Os cientistas do painel climático da ONU, por exemplo, usam complexos modelos informatizados para prever o impacto do aquecimento neste século, em quesitos como precipitação pluviométrica na África ou elevação no nível dos mares.

Mas esses modelos têm falhas devido à falta de compreensão sobre a formação das nuvens ou a reação do gelo antártico ao aquecimento, por exemplo. Além disso, os registros de temperatura na maioria dos países remontam a apenas 150 anos.

Sob as novas técnicas, "as previsões de diferentes modelos são somados para produzir estimativas da futura mudança climática, junto com suas incertezas associadas", disse a Real Sociedade em nota.

A abordagem pode ajudar na quantificação de riscos para uma construtora que faça casas num vale inundável ou uma seguradora, por exemplo.

Collins disse também que as incertezas incluem como os desastres naturais afetam o clima. Uma erupção vulcânica, como a do monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, pode temporariamente resfriar a Terra, porque a poeira bloqueia a luz solar. "A ciência climática é uma ciência muito nova, e mal começamos a explorar as incertezas", disse David Stainforth, da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha), que contribuiu com a pesquisa da Real Sociedade.

"Devemos esperar que a incerteza aumente em vez de diminuir", afirmou ele, referindo-se às pesquisas dos próximos anos e acrescentando que isso complica a precisão no estabelecimento de probabilidades.

Por exemplo, arquitetos que projetam escolas na Europa querem saber se haverá mais ondas de calor, como a de 2003, quando as crianças chegaram a ser proibidas de brincar nos pátios devido ao risco de queimaduras e câncer de pele. De posse dessa previsão, os arquitetos poderiam projetar escolas com mais áreas sombreadas para brincar.

"Mas pode ser o caso de que temperaturas mais altas signifiquem mais nuvens, então não haveria o risco de câncer de pele. Fatores alheios à temperatura são os mais difíceis de prever", explicou Stainforth à Reuters. (Estadão Online)

Desastres naturais afetaram 117 milhões em 2007, diz ONU

Apenas no decorrer deste ano, 117 milhões de pessoas em todo o mundo foram vítimas de cerca de 300 desastres naturais, incluindo secas devastadoras na China e na África e inundações na Ásia e na África - num prejuízo total de US$ 15 bilhões.

Os números do impacto global das mudanças climáticas foram apresentados nesta segunda-feira (13) pela ONU durante a World Water Week, a conferência mundial sobre água que reúne em Estocolomo, na Suécia, representantes de 140 países e organizações internacionais.

A subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora-executiva do programa Habitat da ONU, Anna Tibaijuka, alertou que a oferta de água corre sério risco e que os impactos mais severos deverão ocorrer principalmente nos países em desenvolvimento.

Grande parte dos países menos desenvolvidos já enfrenta períodos incertos e irregulares de chuvas, e as previsões para o futuro indicam que as mudanças climáticas vão tornar a oferta de água cada vez menos previsível e confiável.

"Economizar água para o futuro não é, portanto, lutar por um objetivo distante e incerto. As tendências atuais de exploração, degradação e poluição dos recursos hídricos já alcançaram proporções alarmantes, e podem afetar a oferta de água num futuro próximo caso não sejam revertidas", disse Tibaijuka.

A subsecretária-geral da ONU ressaltou ainda que a água vai ser a questão dominante da agenda global neste século. A ONU estima que 20% da população mundial em 30 países já sofra com a escassez de água.

Segundo previsões da Unesco, 1,8 bilhão de pessoas podem enfrentar escassez crítica de água em 2025, e dois terços da população mundial podem ser afetados pelo problema naquele ano.

O crescimento explosivo das populações urbanas é também causa alarmante da ameaça global de escassez de água no mundo, advertiu Tibajuka.

"Neste ano a porcentagem da população mundial que vive em centros urbanos vai pela primeira vez na história ultrapassar os 50%, provocando uma enorme pressão sobre a demanda de água. É preciso acabar com o desperdício de água. Quase a metade da água usada para abastecer as cidades é atualmente perdida devido a desperdício e negligência na manutenção das redes de abastecimento", acrescentou.

Uma das metas do Milênio da ONU é reduzir à metade o número de pessoas sem acesso a água potável e saneamento básico até 2015. Mas a apenas oito anos do cumprimento do prazo, os organizadores da conferência mundial da água alertam que um bilhão de pessoas ainda são afetadas pela falta de água potável, e mais de 2,4 bilhões não possuem saneamento básico.

Durante a conferência, uma delegação brasileira liderada pelo especialista Benedito Braga, da Agência Nacional de Água (ANA), participará da apresentação do projeto de gestão dos recursos da Bacia do Amazonas.

Até o final da semana, a World Water Week vai promover 70 seminários e workshops destinados a buscar soluções para conter a ameaça da escassez global de água. (Estadão Online)

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DOS BIOCOMBUSTÍVEIS

Entre 9 e 11 de outubro será realizada a Conferência Internacional dos Biocombustíveis no Blue Tree Park, em Brasília (DF).

Em paralelo acontecerão a Conferência Internacional de Energia e a Feira Internacional de Agroenergia, Biocombustíveis e Energias Renováveis.