10 agosto 2007

Baleia-franca se recupera da caça no Brasil

Depois de séculos de caça indiscriminada, as baleias-francas (Eubalaena australis) finalmente estão recuperando sua população, atraindo turistas que querem ver o nascimento e a amamentação de seus filhotes no litoral de Santa Catarina. Os pesquisadores do Projeto Baleia Franca, neste ano, estão comemorando um número expressivo: 56 baleias registradas nos mares catarinenses no mês de julho deste ano, enquanto no ano passado só 11 animais foram avistados nesse mesmo período.

O espetáculo das baleias-francas no estado sulino dura cinco meses. Os animais, com até 18 metros de comprimento e 60 toneladas, migram da Antártida para o litoral sul do Brasil em busca de águas mais quentes, onde podem dar à luz seus filhotes e amamentá-los. Os turistas podem observá-las com relatividade facilidade porque as baleias chegam bastante perto da praia.

Os cientistas do Projeto Baleia Franca usam helicópteros para monitorar a população dos cetáceos. Há 25 anos, foram avistados apenas duas baleias da espécie no litoral catarinense; já na última temporada de reprodução houve o registro de mais de 200 indivíduos. Os animais estão entre os que mais sofreram com a caça desde tempos medievais, porque seu cadáver flutua quando são mortos com arpões. Assim, era fácil para os baleeiros aproveitar sua carne e gordura.

O método de identificação visual de indivíduos leva em conta as calosidades na cabeça do bicho. Elas funcionam como impressões digitais -- nenhum indivíduo tem os mesmos calombos que os de seu vizinho, o que facilita rastreá-las. Segundo a bióloga Karina Grock, a população das baleias-francas no Brasil cresce a uma taxa de 14% ao ano, mas a espécie ainda é a segunda mais ameaçada do mundo.

(Fonte: Portal G1)


Exploração de aqüíferos pode tornar inúteis obras de transposição do Rio São Francisco, alerta professor

A exploração indiscriminada dos aqüíferos subterrâneos responsáveis pela manutenção da perenidade do Rio São Francisco pode resultar em uma perda total das obras de transposição que o governo deseja implementar. A informação é do professor de Geociências José Elói Campos, da Universidade de Brasília, a partir de pesquisa sobre esses aqüíferos feita pela universidade.

O período de seca na região Nordeste, explicou, atinge todos os estados e a construção de poços para irrigar a plantação afeta o equilíbrio ambiental, pois a água não retorna ao aqüífero e nem vai para o rio. A perenidade do Rio São Francisco, segundo ele, é fruto do abastecimento desses aqüíferos.

“Está ocorrendo uma intensificação no processo de utilização desses reservatórios naturais, e se esses recursos não forem bem geridos, poderemos assistir daqui a 20 anos a uma diminuição na vazão do rio, resultando na perda de todas as obras de transposição”, disse Campos em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional AM.

O professor disse que essa exploração intensificou-se devido à vocação da região para a agricultura irrigada e à proibição de retirada de água de rios que são afluentes do São Francisco. Para o impasse entre o desenvolvimento da agricultura e a proteção dos aqüíferos, ele sugeriu a busca pela sustentabilidade do sistema, pois apesar de os reservatórios serem interessantes do ponto de vista da quantidade de água, eles são limitados.

O estudo foi realizado durante quatro anos no oeste da Bahia, divisa do estado com Goiás e Tocantins, que mostrou também que os reservatórios naturais são responsáveis por cerca de 40% do abastecimento do rio São Francisco no período da seca.

“O que aumenta a preocupação é que não vemos, em nenhum momento no projeto de transposição, menção ao aqüifero que é o grande abastecedor do São Francisco”, disse o professor.

(Fonte: Marcos Agostinho / Agência Brasil)

Ondas de calor estão mais longas na Europa, diz estudo

A duração das ondas de calor na Europa Ocidental dobrou desde 1880, segundo indica um novo estudo realizado na Suíça.

Os autores da pesquisa, publicada na revista científica "Journal of Geophysical Research - Atmospheres", também descobriram que a freqüência de dias extremamente quentes quase triplicou no último século.

O estudo mostra que muitas das análises anteriores sobre as variações diárias de temperatura durante o verão do Hemisfério Norte subestimavam as ondas de calor na Europa Ocidental em cerca de 30%.

A equipe de pesquisadores suíços descobriu que as ondas de calor duram hoje uma média de três dias, com algumas durando até 13 dias - em 1880, a média era de um dia e meio.

Correção de dados

Paul Della-Marta e seus colegas da MeteoSwiss, em Zurique, analisaram dados das temperaturas máximas em 54 estações meteorológicas em toda a Europa.

Em 46 delas, há dados registrados desde o século 19; nas outras, os dados são coletados desde o início do século 20. Os dados vão desde a Finlândia, ao norte, à Espanha, ao sul, e à Croácia, ao leste.

No passado, porém, os termômetros não eram mantidos em compartimentos especiais que os protegessem dos raios do sol e da radiação indireta vinda do chão, condições que podem distorcer as leituras de temperatura.

Uma vez que os pesquisadores corrigiram os dados para levar em conta esses efeitos, eles encontraram uma distorção nos dados registrados antes da introdução desses compartimentos de proteção.

Em outras palavras, as temperaturas eram registradas como sendo mais altas do que realmente eram.

Isso, por sua vez, significa que o aumento da temperatura ao longo do tempo parecia ser menor do que realmente era.

Os autores do estudo dizem que os europeus devem esperar que longos períodos de temperaturas altas no verão se tornem cada vez mais comuns.

Em 2003, uma forte onda de calor na Europa provocou grandes efeitos socioeconômicos e ambientais adversos.

Milhares de idosos morreram. Florestas foram devastadas por incêndios, ecossistemas aquáticos ficaram ameaçados e a massa total das geleiras dos alpes encolheu em 10%.

(Fonte: Folha Online)


Congresso americano aprova lei para reduzir aquecimento global

A Câmara dos Representantes americana deu um passo sem precedentes para reduzir as emissões de gases estufa e, por conseqüência, o aquecimento global, ao aprovar uma extensa lei de energia que obriga as companhias elétricas a gerarem 15% da produção com energia solar e eólica.

A lei foi aprovada sábado na Câmara por 241 votos contra 172, apesar da intensa oposição das grandes companhias de petróleo e de gás e da Casa Branca, que ameaçou vetar a medida.

Surpreendentemente, 26 republicanos cruzaram as linhas partidárias e votaram a favor da iniciativa.

O projeto deverá ser conciliado com a versão que o Senado aprovou em junho, que é mais comedida e enfatiza levemente diferentes prioridades.

"Hoje a Câmara lançou a política energética dos Estados Unidos para o futuro", disse à imprensa a presidente da Câmara de Representantes, a democrata Nancy Pelosi.

"Este planeta é uma criação de Deus; temos a responsabilidade moral de protegê-lo", acrescentou.

Uma disposição da lei estabelece etapas graduais para reduzir o papel dos combustíveis fósseis na geração de energia, impondo pela primeira vez parâmetros federais, sob os quais as companhias terão que produzir 15% de sua eletricidade com energia solar, eólica e outras fontes renováveis até o ano de 2020.

Apenas 6,1% do atual consumo de energia dos Estados Unidos tem como origem fontes renováveis, segundo números do governo.

O novo parâmetro, segundo fontes do Congresso, resultará na redução de 500 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono, um dos principais gases que contribuem para o aquecimento global.

As centrais elétricas produzem um terço das emissões de dióxido de carbono nos Estados Unidos.

A nova ênfase em energia renovável pode reduzir os preços do gás natural e da energia elétrica, gerando uma economia de mais de 100 bilhões de dólares aos consumidores americanos, segundo as mesmas fontes.

Caso os projetos da Câmara e do Senado sejam combinados, as emissões que provocam o efeito estufa registrarão uma queda de 18% nos Estados Unidos até 2030, segundo uma análise do Conselho Americano para uma Economia Energeticamente Eficiente.

O projeto de eficiência energética do Senado, que inclui novos parâmetros de aproveitamento no combustível para automóveis, também pretende reduzir a demanda de petróleo dos Estados Unidos em 5,3 milhões de barris diários até 2030, ou seja, 32% das importações de petróleo e outros combustíveis líquidos projetadas para este ano.

"A aprovação desta legislação é um grande passo em nossa luta contra o aquecimento global", disse o representante democrata Chris Van Hollen.

"Em um mundo ameaçado pela mudança climática, preços que aumentam e um fornecimento que diminui, diversificar nossa energia com uma fonte limpa, caseira e renovável é uma boa política", acrescentou.

A Câmara também revogou quase 16 bilhões de dólares de redução de impostos para a indústria petroleira concedida pelo governo do presidente George W. Bush há dois anos, determinando que os recursos sejam investidos nas pesquisas de energias renováveis.

A medida foi muito criticada pela indústria do gás e do petróleo, assim como por seus aliados republicanos, o que permite prevê um duro embate após o recesso de verão (hemisfério norte) do Congresso.


(Fonte: Yahoo!)