29 junho 2007

Febre do etanol atrai grandes investidores

Jornal do Comércio

A febre mundial do etanol, que deverá virar commodity em um horizonte de cinco anos, está mobilizando os planos de investimento de empresários brasileiros e estrangeiros, que se antecipam para lucrar com o processo de substituição do petróleo como principal combustível da economia internacional. Personalidades do esporte, do mercado financeiro e até ex-membros do governo estão mergulhando nas oportunidades, comprando terras - que atingiram preços históricos em abril -, formando fundos de investimento e participações e montando consultorias.

Os novos - ou renovados - investidores são estrelas principalmente do noticiário econômico. Do Banco Central vêm dois ex-presidentes: Gustavo Franco e Armínio Fraga. O ex-chefe deste último, o megainvestidor húngaro naturalizado americano George Soros, olha com lupa esse mercado. A Adeco, empresa da qual é acionista, investe em usinas em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

O leque inclui nomes guardados em segredo, como os membros de um grupo recente, capitaneado pelo ex-presidente da Associação de Promoção das Exportações (Apex), Juan Quirós. Ex-ministros, como Luiz Fernando Furlan, do Desenvolvimento - que, ao sair da quarentena, comprará participações - e Roberto Rodrigues, da Agricultura, que é produtor há 35 anos e tem prestado consultoria, também integram o time.

Há ainda o ex-presidente da Petrobras Henri Phillipe Reichstul, líder de um megafundo de investimentos que teria US$ 2 bilhões destinados ao etanol. Outra figura de peso é o todo-poderoso da Ambev, Jorge Paulo Lemann, segundo homem mais rico do Brasil. No mercado, circulam ainda rumores de que Naji Nahas, um dos símbolos da especulação nacional, estuda projetos na área. Uns dizem que teria comprado terras, com parceiros, no Piauí. Outros afirmam que ele está interessado no mercado, mas, a exemplo de Lemann, prefere esperar a consolidação dos primeiros grandes negócios.

Os investidores dão preferência por parcerias com quem já está instalado, pois são considerados ativos importantes o conhecimento tecnológico de toda a cadeia produtiva, desde as terras ideais e o tipo de cana a ser plantada à fabricação e à distribuição de álcool. Os dois últimos segmentos são os mais atrativos, disseram técnicos do governo. Nessa situação, enquadra-se Fraga, interessado em comprar 15% de uma usina em São Paulo. "Este é o mercado do futuro", afirma o presidente da Ethanol Trading, Roberto Giannetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O lucro prometido também atraiu o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Segundo informações de mercado, Dantas tem um projeto para exportação de etanol que dependeria ainda de possíveis parceiros. A ambição do banqueiro pode ser medida pela recente compra de uma área superior a 100 mil hectares no sul do Pará, perto da ferrovia de Carajás. "Ele está de olho no etanol, mas não no Pará", disse um assessor.

Braskem anuncia plástico a partir do etanol

Jornal do Comércio

A Braskem anunciou a produção do primeiro polietileno a partir do etanol de cana-de-açúcar certificado mundialmente, utilizando tecnologia competitiva desenvolvida no Centro de Tecnologia e Inovação da empresa. A certificação foi feita por um dos principais laboratórios internacionais, o Beta Analytic, atestando que o produto contém 100% de matéria-prima renovável.

O polímero verde da Braskem - polietileno de alta densidade, uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis - é resultado de um projeto de pesquisa e desenvolvimento que já recebeu cerca de US$ 5 milhões em investimentos. Parte desse montante foi destinada à implantação de uma unidade-piloto para produção de eteno - base para fabricação do polietileno - a partir de matérias-primas renováveis no Centro de Tecnologia e Inovação Braskem, que já está produzindo quantidades suficientes para o desenvolvimento comercial do produto. Os clientes-alvo do projeto receberão em breve o polietileno verde e terão oportunidade de comprovar o desempenho do produto, capaz de atender a todos os padrões de qualidade necessários para ser competitivo no mercado internacional.

"A liderança da Braskem no projeto do polietileno verde confirma o nosso compromisso com a inovação e o desenvolvimento sustentável e abre perspectivas muito positivas para o desenvolvimento de produtos plásticos feitos a partir de matérias-primas renováveis", afirma o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich.

O projeto entra agora em fase de detalhamento técnico e econômico, e o início da produção do polietileno verde em escala industrial está previsto para o final de 2009. A nova unidade deverá ter tecnologia moderna e escala competitiva, podendo atingir capacidade de produção de até 200 mil toneladas por ano. A localização e a modelagem industrial da unidade serão definidas futuramente.

A produção de plásticos a partir do etanol se destina a suprir os principais mercados internacionais que exigem produtos com desempenho e qualidade superiores, com destaque para a indústria automobilística, de embalagens alimentícias, cosméticos e artigos de higiene pessoal. Avaliações realizadas na fase inicial do projeto constataram um enorme potencial de crescimento e de valorização do mercado de polímeros verdes. Como essas resinas têm o mesmo desempenho e propriedades do produto similar obtido a partir de matéria-prima não-renovável, a indústria de manufaturados plásticos deverá beneficiar-se desse importante desenvolvimento sem a necessidade de fazer investimentos em novos equipamentos.

"A Braskem tem enorme satisfação de estar à frente de um movimento de ruptura tecnológica que alinha os interesses da empresa, dos nossos acionistas, clientes e consumidores, e que além de tudo é motivo orgulho para os brasileiros", conclui Grubisich.

Plano da UE para cortar CO2 fere acordo aéreo, acusam EUA

Os Estados Unidos acusaram na quarta-feira (27) a UE - União Européia de preparar-se para violar o tratado de "céu aberto" assinado recentemente, ao propor a inclusão das companhias aéreas, a partir de 2012, no esquema de comércio de gás carbônico.

O plano, que visa combater as mudanças climáticas, já vale para as emissões de gases do efeito estufa realizadas pelo setor industrial da Europa. Mas o governo americano vem resistindo às pressões para limitar suas emissões.

Exigir que os vôos vindos da UE ou direcionados para a UE possuam licenças de emissão viola "vários acordos bilaterais, entre os quais o firmado entre a UE e os EUA", afirmou Andrew Steinberg, secretário assistente para a área de aviação e assuntos internacionais do Departamento de Transportes dos EUA.

Os dois lados selaram um amplo pacto, no início deste ano, com o objetivo de tornar mais competitivo o setor de viagens transatlânticas, ao permitir que empresas européias e americanas voem de qualquer cidade da UE para qualquer cidade dos EUA, e vice-versa.

Segundo Steinberg, o acordo, junto com o tratado de aviação internacional de 1944 conhecido como a Convenção de Chicago, impede os países de cobrar encargos das empresas aéreas sem fornecer um serviço em troca, tais como taxas de aterrissagem.

Os encargos associados à compra de licenças de emissão do dióxido de carbono (CO2) - o principal gás do efeito estufa - não seriam uma contrapartida de serviços prestados e, portanto, feririam os compromissos internacionais assumidos pela UE, afirmou.

A Austrália, o Canadá, a China, o Japão, a Coréia do Sul e os EUA enviaram uma carta conjunta à Alemanha, atual ocupante da Presidência rotativa do bloco, expressando seu ponto de vista, disse Steinberg.

"A proposta da UE visa contornar os compromissos assumidos com o restante do mundo", afirmou a autoridade americana em uma audiência com o Parlamento Europeu.

O esquema do bloco, que atualmente não cobre o setor de aviação, é o principal instrumento europeu para realizar os cortes na emissão de gases do efeito estufa segundo prevê o Protocolo de Kyoto.

Por meio dele, a UE fixou um limite de gás carbônico que as grandes indústrias podem emitir e autorizou as empresas a comprar ou vender licenças de emissão.

A Comissão Européia propôs que os vôos realizados dentro do bloco passem a integrar o esquema a partir de 2011 e os vôos internacionais, a partir de 2012.

"Esperamos dar provas de que o sistema pode funcionar", disse Marianne Klingbeil, do diretório do meio ambiente da Comissão.

"Ao incluí-los (os vôos estrangeiros) um ano mais tarde, enviamos ao mundo um sinal - mostramos que, durante um ano, colocaremos esse fardo sobre nossos ombros", afirmou.

A Comissão Européia defendeu que o esquema não fere os tratados internacionais.

Estadão Online

As fossas abissais oceânicas e o Efeito Estufa

Antonio Germano Gomes Pinto (*)

Durante séculos acreditávamos serem os oceanos as lixeira inesgotáveis e naturais do mundo, crença essa, até certo ponto, razoável, pois através das chuvas, os sais, nutrientes naturais do solo, os compostos de carbono e muitos outros resíduos vão se acumulando nos mares e oceanos, tornando suas águas cada vez mais saturada, mais salina.

Mas a realidade é bem outra, os mares e oceanos são tão ou mais vulneráveis à poluição que a crosta terrestre. Suas águas precisam de luz, transparência e de estar desintoxicadas para gerar a flora e a fauna marinha tão necessárias à vida na terra, nos mares e nos oceanos.

As águas, mesmo as salgadas, têm a capacidade de dissolver e incorporar em suas massa gases como oxigênio, o carbônico e outros. Essa capacidade aumenta com a pressão e as baixas temperaturas. Quanto maior for a pressão e menor a temperatura, maiores serão as concentrações daqueles gases.

Nas regiões profundas dos mares e oceanos, possivelmente devido a esses fenômenos, as quantidades de carbono “estocadas” chegaram a quantidades imensuráveis, a ponto de despertar o interesse das empresas petrolíferas na exploração destas “jazidas” de carbono. É interessante se notar o fato de que os depósitos, no caso do gás carbônico, não são mais deste gás, mas sim o metano cristalizado a que os especialistas deram um nome bastante sugestivo, os hidratos de carbono. O gelo que queima. Esta seria a primeira descrição da “combinação” cristalizada entre moléculas de metano e moléculas de água, encontrada em regiões profundas dos oceanos. Os hidratos de metano já são considerados, pelos cientistas, a principal fonte de energia para o século XXI. Entretanto, a exploração desta fonte de energia pode provocar o maior desastre ecológico de todos os tempos devido a liberação do gás metano pela rápida desidratação do mesmo. As chamadas regiões abissais oceânica detêm cinqüenta e cinco por cento de todo o carbono presente na crosta terrestre.

Daí vem-nos a idéia:

a) Se as regiões abissais oceânicas são os depósitos naturais do carbono, podemos aproveitar esses espaços gigantescos e ainda disponíveis para “aprisionarmos” o gás carbônico, o principal causador do efeito estufa, de forma indireta.

b) Usaremos, para esse fim, a energia solar, a fotossíntese e a água para cultivarmos gigantescas florestas, biomassa abundante que será enfardada em containeres de aço inoxidável, de concreto armado ou qualquer outro material resistente a corrosão e, com o auxilio de grandes embarcações, seriam transportados para aqueles locais e submersos por ação da gravidade. Os containeres ou invólucros da biomassa deverão possuir furos para entrada da água e equilíbrio das pressões internas e externas para prevenir possíveis esmagamentos dos containeres e facilitar a submersão dos mesmos.

c) A grande vantagem de se utilizar a biomassa para capturar o gás carbônico é o fato de que só será capturado o carbono, deixando-se livre o oxigênio. Cada átomo de carbono capturado, via biomassa, irá liberar dois átomos de oxigênio para atmosfera.

d) Serão, de certa forma, verdadeiros depósitos geológicos, tratam-se de fossas geológicas que se vierem a sofrer abalos sísmicos ou acomodação de camadas, iriam soterrar esses containeres, tornando-os ainda mais seguros com relação ao meio ambiente.

e) Em grandes profundidades abissais não há desenvolvimento de vida, capaz de gerar reações aeróbias ou anaeróbias, portando, não havendo degradação desta biomassa, não haverá geração de gases e a atmosfera estará livre da massa de gases que fatalmente seria gerado se aquela quantidade de biomassa continuasse sobre a superfície terrestre.

f) Se a cada “colheita” de biomassa se plantar outra, gradualmente, o gás carbônico irá sendo capturado e, indiretamente, depositado nestes depósitos geológicos sob a forma de carbono com uma conseqüente limpeza gradativa da atmosfera.

g) Se a captura direta do gás carbônico se torna inviável devido às suas condição de gás, capaz de ocupar grandes volumes, desenvolver grandes pressões, além de outros riscos óbvios que não enumeraremos, vamos aprisionar o carbono, “matéria prima” geradora do referido gás, cujo excesso na atmosfera se tornou “o inimigo implacável”, o principal gerador do Efeito Estufa.

h) A Mãe Natureza, via carbono, forneceu tanta riqueza ao homem durante o século passado, por que não devolver um pouco desta riqueza ao seu local de origem ao longo deste século? Só assim teremos as vidas, animal racional e irracional, salvas! Ou será que estaremos fadados à extinção por sermos irracionais?

* É bacharel e licenciado em Química, químico industrial, engenheiro químico, especialista em Recursos Naturais com ênfase em Geologia, especialista em Tecnologia e Gestão Ambiental, professor universitário e autor de duas patentes registradas no INPI e em grande número de países.