23 junho 2007

Aquecimento global será bom para a Rússia

Pravda

O especialista russo do Instituto Hidrológico Estatal, em São Petersburgo, Oleg Anisimov acredita que o aquecimento global será bom para a Rússia . É um ponto de vista surpreendente vindo de alguém que nem faz parte do grupo de pesquisadores que tentam negar o perigo global, os chamados céticos do efeito estufa. Longe disso, Anisimov é uma das referências internacionais no assunto. Ele foi um dos integrantes do Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), da ONU, que fez o mais importante levantamento das conseqüências mundiais do aquecimento. Ele explica seu otimismo em uma entrevista a revista Época.

ÉPOCA – Como o aquecimento global vai afetar a Rússia?

Oleg Anisimov – Quando se fala em mudanças climáticas, minha percepção é que, de forma geral, a Rússia vai se beneficiar. Primeiro, teremos melhores recursos hídricos, porque com o aquecimento haverá maior circulação de água em rios e lagos hoje congelados. Além disso, o clima será mais agradável para viver na maior parte do país. Os que vivem no norte terão invernos mais amenos. Isso significa menos gasto de energia para calefação, o que tem um impacto considerável na economia doméstica e das empresas. Teoricamente, poderemos também aumentar nossa área plantável, embora ainda existam projeções que indiquem mais secas. A produção de madeira em nossas florestas vai aumentar porque o ciclo de crescimento das árvores poderá se acelerar. E a própria área coberta pelas florestas poderá crescer. O único aspecto preocupante é o derretimento do permafrost.

ÉPOCA – Por quê?

Anisimov – Cerca de 65% do território da Rússia é coberto pelo permafrost, um tipo de solo que fica congelado por mais de três anos consecutivos. Várias cidades foram construídas em cima desse solo, que sempre foi sólido e estável. Há infra-estrutura, como estradas e linhas de transmissão elétricas. Até oleodutos. O que precisamos descobrir agora são as conseqüências do derretimento para as construções. No momento, estamos mapeando quais são as cidades e estruturas industriais mais sensíveis.

Teremos mais recursos hídricos com o descongelamento de rios e lagos. Vamos gastar menos com calefação.

ÉPOCA – Qual é o tamanho do estrago?

Anisimov – Há cidades com prédios de sete andares. O suficiente para causar danos materiais em caso de desabamento. É só visitar a cidade de Norilsk, que cresceu com a mineração de níquel e virou um grande centro urbano. Ninguém imaginou que o chão fosse derreter. Os engenheiros construíram os prédios com as fundações fincadas no solo congelado.

Mas agora o solo fica instável quando a temperatura se aproxima de zero grau. Entre 1 grau negativo e 1 grau positivo, o chão fica instável. Ele deixa de ser uma cola que segura as fundações dos prédios. As rachaduras aparecem aos poucos. O derretimento é lento. Isso é um problema, porque vários moradores não acreditam que a casa vai desabar enquanto eles estiverem vivos. Mas acontece. E o prejuízo material é grande. Estamos desenvolvendo sistemas de alerta. Algo semelhante com os alarmes para terremotos.

ÉPOCA – O que é possível fazer para segurar as construções?

Anisimov – Uma das técnicas mais comuns é um equipamento que ajuda a resfriar o permafrost. São os termossifões, tubos com 4 ou 5 metros que você enterra no chão. No alto, eles têm uma abertura. Durante o inverno, o permafrost está mais quente que o ar.

O líquido aprisionado dentro do tubo evapora e sobe. Quando chega ao topo do tubo, entra em contato com o ar frio e se condensa de novo. Isso ajuda a expulsar o calor do solo e resfria o terreno em volta. Manter essa temperatura do permafrost mais fria no inverno ajuda-o a suportar melhor o verão. Os Estados Unidos estão usando esses termossifões para segurar a estrutura dos oleodutos do Alasca.

ÉPOCA – O derretimento do permafrost pode liberar gases, como o metano, que contribuem para o aquecimento global. Isso não o preocupa?

Anisimov – Os solos do Ártico não são muito produtivos, mas durante séculos eles acumularam matéria orgânica de árvores e folhas que caíram no chão e ficaram congeladas. Há uma camada de 20 a 25 centímetros, com material orgânico ali. Em alguns lugares, pode chegar a 1 metro de profundidade, com alta concentração de carbono. Se a temperatura aumenta, esse material entra em decomposição. Ele pode liberar dióxido de carbono.

Ou pior, gás metano, que é 23 vezes mais poderoso para aquecer a Terra. Segundo alguns estudos publicados no ano passado, o derretimento de milhões de quilômetros quadrados de permafrost na Sibéria poderia ameaçar o clima da Terra. Nós fizemos um levantamento e descobrimos que o potencial não é tão grande assim. Se todo o permafrost russo começar a derreter, conforme os modelos mais aceitos de aquecimento da Terra, serão emitidos cerca de 8 milhões a 10 milhões de toneladas a mais de metano por ano.

ÉPOCA – Isso é muito?

Anisimov – Nós calculamos que isso poderia contribuir para um aumento de aproximadamente 1 centésimo de grau Celsius em meados deste século. Seria algo na ordem de 1% do aquecimento total.

ÉPOCA – O senhor não tem medo do que essas mudanças climáticas podem fazer no futuro? Como seria a vida de seus netos?

Anisimov – Estou mais preocupado com as perspectivas econômicas de meu país. E principalmente com o cenário político da Rússia. Como cientista, sei que podemos minimizar esses desastres naturais com inteligência e planejamento. Mas nossos políticos não estão realmente interessados. Sinto-me à vontade com a comunidade científica de todos os países. No entanto, não consigo estabelecer um diálogo produtivo com a classe política. Os políticos pensam diferente. Talvez porque tenham um padrão de vida diferente do meu e da população em geral.

ÉPOCA – Será que algumas populações de países já quentes terão de se mudar para a Rússia?

Anisimov – Talvez. Vocês do Brasil serão muito bem-vindos.

1º Congresso do Centro-oeste brasileiro sobre mudanças climáticas e redução dos gases do efeito estufa

O 1º CONGRESSO DO “CENTRO-OESTE BRASILEIRO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E REDUÇÃO DE GASES DO EFEITO ESTUFA” será realizado entre os dias 06 a 10 de agosto de 2007, e contará com a participação de especialistas renomados sobre o assunto no Brasil, trazendo informações e discussões atuais sobre as tecnologias para redução de gases do efeito estufa e sobre o panorama nacional com enfoque no centro-oeste sobre às Mudanças Climáticas. O evento abordará perspectivas e oportunidades para geração de conhecimento, pesquisa e desenvolvimento de projetos que atendam o MDL, além da mitigação, redução dos impactos, vulnerabilidade e adaptação às Mudanças Climáticas.

Demonstrando uma atitude ambientalmente responsável, o evento fará a adesão ao projeto “Carbono Limpo” por meio da doação de um painel de energia solar para comunidade local, visando a redução das emissões e ou a eficiência energética. Com a doação desse equipamento, o evento estará reduzindo parte das emissôes de GEEs.

O evento tem como público alvo a academia, empresas, órgãos governamentais e não governamentais, universidades, profissionais liberais e aos interessados em contribuir com a “Mudança de hábitos, conservando o clima” .



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Primavera chega um mês mais cedo no Ártico

Aquecimento global está adiantando em muito as estações perto do pólo Norte. Espécies de aves, invertebrados e plantas estão tentando acompanhar aquecimento.

Da EFE

Na região do Ártico, a primavera chega agora semanas antes do que era o normal há apenas uma década, segundo cientistas. Eles atribuem a mudança ao aquecimento global em artigo científico da revista "Current Biology".

"Apesar das incertezas sobre a magnitude do aquecimento global no próximo século, uma característica constante das mudanças atuais é que os ambientes do Ártico são e continuarão sendo os mais expostos a um maior aquecimento", disse Toke Hoye, do Instituto Nacional de Pesquisa Ambiental da Dinamarca.

Para medir os efeitos do aquecimento, os pesquisadores recorreram à fenologia, o estudo da relação entre os fatores climáticos e os ciclos dos seres vivos, que considera a sincronização dos sinais de primavera nas plantas, pássaros, borboletas e outras espécies. As mudanças nessas relações são consideradas as mostras mais claras e rápidas da resposta biológica ao aumento das temperaturas.

As datas do florescimento de seis espécies de plantas, as datas médias de eclosão dos ovos de 12 espécies de artrópodes (como insetos e ácaros) e as datas de início da construção de ninhos em três espécies de aves avançaram, em alguns casos, mais de 30 dias durante a última década.

O avanço médio em toda a série foi de 14,5 dias por década, segundo o estudo.

Elefante-marinho de Ubatuba pesa cerca de 3 toneladas

Visitante do litoral norte de SP mede em torno de 5 metros e tem 7 anos.

Machos da espécie podem chegar a viver 18 anos, pesar 5 toneladas e medir 5,8 metros.

Do G1, em São Paulo, com informações da Vnews

O elefante-marinho que apareceu na segunda-feira (18) em Ubatuba, a 224 km de São Paulo, no Litoral Norte, pesa cerca de três toneladas, mede aproximadamente cinco metros e deve ter sete anos de idade, segundo informações do aquário da cidade.


O animal é macho e considerado jovem para um exemplar de elefante-marinho-do-sul, também chamado de Mirounga leonina. Ele pode ter sido trazido por correntes marinhas, como acontece com pingüins, lobos e leões-marinhos, que vêm para a costa nesta época.


Elefantes-marinhos-do-sul vivem no hemisfério sul. Os machos podem atingir até 5,8 metros, pesar 5 toneladas e viver cerca de 18 anos.


O ilustre visitante de Ubatuba parece estar bem e apenas descansando no local para troca de pelagem, informa o aquário.


Biólogos suspeitam que o bicho, que chegou no início da tarde ao Saco da Ribeira, seja o mesmo que visitou o local em agosto do ano passado. Apesar do animal parecer manso, especialistas alertam que ele pode tornar-se agressivo quando sente-se ameaçado.

22 junho 2007

Proteção das águas

O Fluminense

A Fundação Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) e cinco prefeituras do Estado assinam, em Campos, nesta segunda-feira, às 14h, convênios e termo de cooperação técnica e compromisso destinado a promover medidas de defesa e proteção dos corpos hídricos nas cidades. O documento consiste no acordo de contrapartida dos municípios aos investimentos que estão sendo feitos pelo órgão em obras, sobretudo de desassoreamento dos rios, canais e lagoas.

O trabalho, iniciado em janeiro deste ano, foi emergencial, em razão das fortes chuvas que atingiram as regiões. A presidente da Serla, Marilene Ramos, e seu vice, Luciano Diniz, vão se reunir com os prefeitos das cidades de Campos, Quissamã, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e São João da Barra para o ato de assinatura.

Somente em Campos, os investimentos da Serla em obras somam mais de R$ 2,4 milhões. Além desse montante, outros investimentos estão entre as metas da Serla para a cidade. Os recursos previstos, orçados em R$ 6 milhões, são oriundos da Serla e do Ministério da Integração, por meio de contratos firmados entre os Governos do Estado do Rio e Federal.

Entre outras determinações, o termo de compromisso estabelece que os municípios façam a relocação de construções na faixa marginal de proteção (FMP) - habitações às margens dos rios, canais e lagoas; cujo assoreamento - provocado principalmente pelo lançamento de lixo e outros objetos - deva ser reduzido.

Pelo termo, caberá também aos municípios apoiar a Serla na execução das obras de drenagem facilitando informações, estudos e projetos; liberação de áreas para vazadouros e liberação de acesso aos locais das obras.

Seca deixa 33 municípios de PE em estado de emergência

Açudes secaram, falta água para os animais e as lavouras estão sendo perdidas.
Meteorologia diz que não há previsão de chuva para esta terça-feira na região.

Do G1, com informações do Bom Dia Brasil

Enquanto os moradores do Rio Grande do Sul sofrem com o excesso de chuvas, no Sertão de Pernambuco o problema é a seca. Falta água para os animais, os açudes secaram e os agricultores estão perdendo a lavoura.

A falta de chuvas nos primeiros meses do ano já levou 33 cidades do Sertão pernambucano a decretarem estado de emergência. Lagoa Grande, com pouco mais de 20 mil habitantes, foi uma delas. Nessa região, costumava chover entre os meses de novembro e março, período em que se acumulava a água para ser consumida nos meses de seca. Só que, desde novembro do ano passado, o açude Tanque Novo, um dos principais do município, está completamente vazio.

Na caatinga, os animais percorrem quilômetros para encontrar água. Os poucos barreiros que não secaram estão com água suja, imprópria para o consumo humano. Os agricultores que plantaram milho e feijão estão frustrados. "Não consegui colher nada. A seca matou tudo. Só Deus mesmo é quem pode nos ajudar para poder melhorar o açude", disse o agricultor José Édson Neto.

Japoneses criam vacina à base de arroz

Aplicada via oral em camundongos, droga pode ficar mais de um ano e meio fora da geladeira, o que diminui seus custos

Pesquisa feita contra o vibrião do cólera poderá ser estendida para outros tipos de infecção que atingem países do Terceiro Mundo

DA REDAÇÃO – FOLHA DE SÃO PAULO

Controlar o cólera por meio de uma vacina que não precisa nem de agulha e nem de seringa já seria bom. Melhor ainda, o medicamento, que foi introduzido em uma planta de arroz transgênica, pode ficar mais de um ano e meio em temperatura ambiente -processo que derruba os custos da produção.

Todas essas características constam de uma vacina oral desenvolvida por um grupo de pesquisa do Japão. Os resultados do estudo científico feito em roedores estão publicados na edição de hoje da revista "PNAS" (www.pnas.org).

Segundo os cientistas autores da pesquisa, a grande vantagem dessa tecnologia é que ela imuniza, em primeiro lugar, as mucosas do corpo. Como a maioria dos micróbios causadores não só do cólera mas da Aids, da gripe e da Sars atacam primeiro a mucosa, conseguir barrar a invasão inicial do patógeno é um grande passo para a imunização efetiva.

"O uso do arroz na engenharia de produção da vacina não significa que se trate de uma vacina comestível", disse Hiroshi Kiyono, autor do estudo e pesquisador da Universidade de Tóquio. Segundo o pesquisador, o produto deve ser encarado como um medicamento e não como um alimento.

Para fazer a vacina, o grupo de Kiyono inseriu no arroz os genes da toxina do vibrião do cólera. As sementes da planta passam a "expressar" a proteína em níveis pequenos -suficientes para "treinar" o sistema imunológico a fazer anticorpos sem causar a doença.

A imunização oral é constituída por uma cápsula que tem pó de arroz dentro. Depois dos primeiros resultados positivos em camundongos, os cientistas do Japão esperam em um futuro próximo começar a testar a vacina em primatas.

A tecnologia de desenvolver vacinas a partir de plantas ainda não está bem dominada, apesar de existirem muitos projetos espalhados pelo mundo tentando fazer isso. Além do arroz usado pelo grupo do Japão, outros laboratórios tentam desenvolver vacinas à base de batata, de tomate, de soja e também de milho. Nenhuma dessas linhas de pesquisa ultrapassou até agora a fase inicial.

O grande obstáculo é evitar o desgaste rápido que pode ocorrer das cápsulas dentro do estômago. Esse processo precisa ser bem equilibrado com a liberação do remédio no corpo.

Várias agências de financiamento, como a Fundação Bill e Melinda Gates, dos Estados Unidos, apostam nas vacinas orais à base de plantas como a saída para que uma imunização em massa possa ocorrer em países do Terceiro Mundo no futuro. Isso por causa do provável custo baixo desse tipo de produção e da alta eficiência em termos de imunização que ela poderá ter.

Com Associated Press

Exportação de pau-brasil é limitada, 5 séculos depois

Convenção internacional decide restringir comércio da madeira, a pedido do Brasil

Árvore que dá nome ao país só ocorre na mata atlântica e é a mais usada no mundo para fazer arcos de violino; restrição não afeta músicos

CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA – FOLHA DE SÃO PAULO

Após mais de cinco séculos de exploração predatória, o pau-brasil (Caesalpina echinata) finalmente ganha proteção internacional. Foi aprovada ontem, numa conferência na Holanda, a regulamentação ao comércio da árvore que deu nome ao único país do mundo no qual ela ocorre.

A Cites (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas) acatou por unanimidade a proposta do Brasil de incluir sua árvore-símbolo no chamado Apêndice 2. Essa categoria de proteção prevê restrições ao comércio internacional da madeira, que desde o século 16 tem transitado mais ou menos desimpedida da mata atlântica para a Europa e alhures. Quem quiser vender pau-brasil a partir de agora precisará de certificado da Cites.

O corte da árvore vermelha já era limitado no país desde 1992, quando ela foi considerada oficialmente ameaçada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Toda extração de pau-brasil da mata atlântica passou a depender de autorização do órgão.

O problema é que a lei brasileira não tem valor lá fora. E é na Europa e nos EUA que está a maior demanda por pau-brasil. Os amantes de música erudita sabem bem por quê: nenhuma outra madeira é tão boa para fabricar arcos para instrumentos de corda. Quando o virtuose Yo-Yo Ma se apresentar no país na semana que vem, estará usando pau-brasil no arco de seu violoncelo -como quase todos os "cellistas", violinistas e contrabaixistas do mundo.

Na medida

Isso porque o pau-de-tinta, arrancado do litoral brasileiro a partir de 1501 para servir de corante vermelho na Europa, tem a melhor relação entre densidade e flexibilidade de todas as madeiras conhecidas. Essas propriedades foram descobertas ainda em meados do século 18 por "luthiers" (fabricantes de instrumentos) franceses.

Em pouco tempo, o pau-brasil substituiria todas as outras madeiras tropicais usadas para fazer arcos. Quando os corantes sintéticos foram inventados, por volta de 1850, a demanda pela árvore vermelha para instrumentos continuou.

Segundo o Ibama, hoje ela é de cerca de 200 metros cúbicos por ano. É pouco, se comparado com árvores da Amazônia, cuja extração se mede por milhares de metros cúbicos ao mês. "Mas você precisa considerar que é uma árvore muito rara, cujos estoques comerciais já não existem", disse à Folha Antônio Carlos Hummel, diretor de Florestas do Ibama.

Hummel aponta um paradoxo aparente entre o que se usa lá fora e o que se autoriza aqui: "Existe demanda pelo produto, mas eu não tenho conhecimento da existência de um plano de manejo de pau-brasil sequer".

Ele afirma que ainda há estoques da madeira feitos "há 30 ou 40 anos" em empresas européias. E que, apesar de iniciativas de recuperação de populações da espécie, há pressões renovadas do setor agropecuário sobre o pau-brasil. Elas estão sobretudo na Bahia, onde o declínio da cultura do cacau tem feito fazendeiros converterem suas cabrucas ("bosques", muitas vezes ricos em pau-brasil, em cuja sombra crescem os cacaueiros) em pasto.

Segundo Fernando Coimbra, conselheiro do Itamaraty e chefe da delegação brasileira na Cites, existem alguns projetos sendo implementados no ES, em PE e na BA para a recuperação dos estoques. Um deles, na Bahia, envolve uma associação de músicos e fabricantes de instrumentos.

O diplomata avisa que os músicos podem ficar tranqüilos: o cerco ao comércio da espécie não afetará suas turnês. "Colocamos uma exceção para isentar os instrumentos musicais e arcos fabricados com a madeira da obrigação de portar um certificado Cites para realizar viagens internacionais."