02 junho 2007

Criatura encontrada em lagoa no RJ preenche lacuna evolutiva

Uma criatura que vive na lagoa de Araruama, no Rio de Janeiro, é tão diferente de tudo o que a ciência já viu que levou mais de 25 anos até que alguém entendesse o que ela era.

Agora que já se entendeu, o Magnetoglobus multicellularis (literalmente, "bola magnética multicelular") já pode ser devidamente apresentado. Ele vem preencher um hiato evolutivo que sempre separou os seres procariontes (seres sem núcleo celular definido) dos eucariontes (que têm núcleo definido).

"Descrevemos o organismo como sendo uma bactéria multicelular", explica Henrique Lins de Barros, físico do CBPF - Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas e co-autor do estudo descrevendo a criatura.

O artigo é capa da edição de junho da revista "International Journal of Systematic and Evolutionary Microbiology".

Para o pesquisador, está claro que o organismo estudado por eles não é uma colônia, forma pela qual as bactérias também podem se organizar. "Não é uma por uma série de motivos. Quando uma das células é retirada, por exemplo, o organismo morre. Existe troca de informações entre as células, elas não são independentes."

No flagra - "Em média, os organismos estudados pelo nosso grupo, todo brasileiro, têm 20 ou 40 células", explica o físico. Esses dois tamanhos --um exatamente o dobro do outro - intrigaram os cientistas. O mistério só foi elucidado quando o ciclo de reprodução dessa nova espécie passou a ser entendido.

"As células vão crescendo em volume ao mesmo tempo. Em um determinado momento elas sofrem uma divisão, dando origem a seres de 20 células", afirma o pesquisador. Os Magnetoglobus de 40 células haviam sido, digamos, apanhados em pleno ato reprodutivo.

Uma das hipóteses defendidas pelo grupo brasileiro, formado também por pesquisadores da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro e da USP - Universidade de São Paulo, é que o Magnetoglobus possa ser uma forma de vida intermediária entre as bactérias e os demais seres vivos.

"Até hoje existe um dogma de que não pode haver bactérias multicelulares. Talvez porque até hoje nunca havia sido observada uma delas", afirma Lins de Barros.

O organismo fluminense tem uma outra característica por enquanto inédita na natureza. Ele produz ao mesmo tempo dois tipos de cristal com ferro, a magnetita e a greigita. Apesar de esses processos de biomineralização serem bastante conhecidos, a produção de ambos os cristais por um único organismo ainda não fora descrita.

Essas estruturas ajudam o Magnetoglobus a responder, e de forma bastante rápida, a campos magnéticos. Segundo Lins de Barros, esse fenômeno é usado pelo organismo para se mexer mais rapidamente, em busca de alimento na areia.

"Como cada uma das células responde ao campo magnético de forma independente, mas de maneira que uma colabora com a outra, é mais uma prova de que essa bactéria multicelular tem uma unidade biológica". O físico fez um modelo matemático para reproduzir o deslocamento do organismo.

O material genético da megabactéria também afasta a hipótese de que se trata de uma colônia, diz o grupo: ele não é igual em cada célula, como seria o esperado.

O desafio agora é dominar o metabolismo dessa criatura para que ela possa ser cultivada em laboratório - algo que não se consegue fazer desde a descoberta do ser, em 1982. Isso é importante para que a descrição científica feita do organismo pelos brasileiros seja confirmada por outros grupos.

Por enquanto, o nome da bactéria leva em si um grau de incerteza: Candidatus Magnetoglobus multicellularis. (Eduardo Geraque/ Folha Online)

Exposição a pesticidas pode aumentar risco de mal de Parkinson

A exposição aos pesticidas pode aumentar os riscos de contrair o mal de Parkinson, segundo uma equipe de especialistas da Universidade de Aberdeen, na Escócia.

Os pesquisadores, liderados pelo cientista Finlay Dick, revelaram que estar exposto a altos níveis de pesticidas aumenta em 39% o risco de desenvolver Parkinson.

Os cientistas da universidade estudaram as possíveis causas em 959 pacientes afetados pela doença neurológica. Em 10% dos casos, os primeiros sintomas são revelados antes dos 40 anos de idade.

Todos as pessoas que participaram da pesquisa responderam perguntas sobre as atividades que realizam em seu tempo livre, o histórico médico de sua família, o consumo de tabaco e a exposição a todo tipo de produtos químicos, desde solventes e pesticidas até ferro, carvão e magnésio, segundo a análise publicada na revista científica "Occupational and Environmental Medicine".

Apesar de a genética continuar sendo o maior fator de risco para desenvolver o mal de Parkinson, o estudo revela que a exposição aos pesticidas também está entre as causas mais prováveis.

Estudos anteriores já apontaram para a elevada possibilidade de que os pesticidas estejam relacionados a alguns casos de Parkinson, já que há altos índices da doença entre trabalhadores rurais.

Segundo Finlay Dick, os resultados do estudo não demonstram que os pesticidas causam o mal de Parkinson, mas reforçam a evidência de que existe algum tipo de associação entre a exposição a esses produtos químicos e o desenvolvimento da doença degenerativa.

Im porta-voz da Sociedade do Mal de Parkinson do Reino Unido destacou que a importância da pesquisa está em confirmar que "a causa do Parkinson não é uma só, mas uma combinação entre a genética e os fatores ambientais". (Efe/ Estadão Online)

Seca deixa municípios de PE em estado de emergência

A seca está provocando a situação de emergência em 15 municípios de Pernambuco, que sofrem com as perdas nas lavouras de milho e feijão. Entre os municípios estão Serra Talhada, Mirandiba, Santa Filomena e Lagoa Grande.

De acordo com a Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe), as chuvas deste ano ocorreram de forma irregular, no mês de fevereiro, período não indicado para as plantações florescerem. Para garantir o pagamento de uma renda mínima de R$ 110 mensais aos agricultores familiares prejudicados, por um período de cinco meses, os prefeitos precisam enviar até esta quinta-feira, 31, decreto de emergência por estiagem agrícola.

O documento, depois de homologado pelo governo estadual, será encaminhado para reconhecimento pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. Para ter direito à cobertura dos prejuízos das lavouras, os agricultores contribuíram mensalmente, durante um ano, com R$ 5,50, enquanto o município destinou R$ 16,50 e o estado R$ 33,00. (Estadão Online)

Construção de fábrica é suspensa após 1 mi de mensagens SMS na China

Um milhão de torpedos (mensagens de celular) enviados por cidadãos convenceram o governo local de Xiamen, da província de Fujian (leste da China), a suspender a construção de uma fábrica química "altamente poluidora". A informação é da agência estatal Xinhua.

A campanha foi lançada por um grupo de opositores à instalação da fábrica de paraxileno, produto petroquímico utilizado na fabricação de poliéster e garrafas PET. O grupo teme o impacto ambiental da fábrica e suas conseqüências para a saúde de trabalhadores e moradores da região.

O governo anunciou a suspensão do projeto, avaliado em US$ 1,4 bilhão, promovido por um grupo taiuanês e que deveria produzir 800 mil toneladas de paraxileno ao ano. O composto é cancerígeno em potencial se entra em contato com humanos.

As mensagens de protesto afirmavam que a fábrica, já em processo de construção, constitui "uma bomba atômica em potencial", já que está situada a apenas sete quilômetros do centro de Xiamen, perto de áreas residenciais e centros de educação.

Em março, 105 assessores da Assembléia Nacional Popular (ANP, Legislativo) haviam advertido quanto aos riscos desse projeto durante uma sessão parlamentar em Pequim.

A poluição derivada do acelerado desenvolvimento industrial se transformou em um dos grandes problemas da China, com sérias conseqüências para a saúde de seus habitantes e para o meio ambiente.

Essa poluição e a exposição dos alimentos a produtos químicos elevaram a incidência do câncer entre os chineses nos últimos anos. Além disso, 70% dos rios e 90% das águas subterrâneas do país estão contaminados, segundo as estatísticas do governo. (Efe/ Folha Online)

Grupo acha novo roedor na mata atlântica

Pesquisadores da Ufes - Universidade Federal do Espírito Santo descobriram um novo e simpático habitante da mata atlântica, batizado por eles de Juliomys ossitenuis. Trata-se de um pequeno roedor de pêlos alaranjados, que vive em árvores nas regiões mais montanhosas do ecossistema.

O bicho foi descrito por uma equipe coordenada pela pesquisadora Leonora Pires Costa e, por enquanto, parece estar presente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, em locais com altitude acima de 800 m. Em média, ele não passa de uns 20 cm de comprimento (incluindo a cauda) e provavelmente se alimenta de frutas – os estudos ainda são preliminares demais para afirmar isso com certeza.

“Isso mostra como ainda sabemos pouco sobre a biodiversidade da mata atlântica e sul-americana, em especial em relação aos pequenos mamíferos”, afirma Costa. “Os novos dados estão aparecendo de forma exponencial.” Ela cita o exemplo dos didelfídeos, a família dos gambás e cuícas: de 1993 para cá, o número de espécies conhecidas do grupo subiu quase 70%.

A primeira pista de que poderia se tratar de um bicho até então desconhecido veio durante os estudos de doutorado de Costa, que foram realizados na Universidade da Califórnia em Berkeley (Estados Unidos). Com a ajuda de seu orientador, James L. Patton, ela estava analisando o DNA do que parecia ser um roedor já conhecido, o Juliomys pictipes, quando deu de cara com algumas seqüências suspeitas, aparentemente bem distintas do padrão dessa espécie.

“A partir daí nós intensificamos a coleta de espécimes e passamos a examinar também detalhes morfológicos desses indivíduos geneticamente diferentes”, conta ela. Um dos traços típicos do Juliomys ossitenuis é o tamanho, mais modesto do que o dos demais membros de seu gênero. Seu crânio e seus ossos também são mais delicados – daí o latim ossitenuis, “ossos delgados”. (A primeira parte do nome homenageia o zoólogo argentino Julio Contreras.)

Teste de DNA - Mas a grande diferença entre o bichinho e seus parentes evolutivos está realmente no DNA. No estudo, publicado na revista científica “Zootaxa”, os pesquisadores usaram um gene das mitocôndrias, as usinas de energia das células, muito útil para medir a variabilidade dentro e fora de uma espécie.

Ao comparar a versão desse gene presente no novo roedor com o de seus primos do gênero Juliomys, os pesquisadores constataram uma diferença em torno de 14%. É bastante significativo, já que o gene, dentro de membros da mesma espécie, não costuma variar mais do que 2,5%. Outros dados genéticos corroboram a análise.

O curioso é que, apesar da diferença genética, o novo roedor parece conviver com seu primo J. pictipes. É difícil dizer como as duas espécies acabaram se diferenciando apesar da proximidade. “É uma pergunta interessante, mas nós ainda não temos muitos dados a esse respeito. Pode ser que seja um contato secundário, ou seja, primeiro as populações se separaram geograficamente e divergiram e só depois voltaram a conviver”, diz a pesquisadora da Ufes.

Embora a existência do bicho num ecossistema tão ameaçado quanto a mata atlântica só tenha sido constatada agora, isso não significa automaticamente que ele esteja sob risco de extinção. Um sinal encorajador é sua presença em matas espalhadas por vários estados do Sudeste. Outro, mais preocupante, é o fato de ele habitar regiões montanhosas – com o aquecimento global a galope, a tendência é que os ambientes mais elevados acabem se modificando, encolhendo o espaço para os bichos que vivem neles, lembra Costa.

O trabalho recebeu apoio financeiro das ONGs Fundação Biodiversitas e WWF-Brasil, da National Geographic Society e do CEPF - Critical Ecosystem Partnership Fund. (Reinaldo José Lopes/ Globo Online)

Amazônia emite gás causador do efeito estufa

Um estudo realizado por cientistas nacionais do Ipen - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e americanos do NOAA - National Oceanic and Atmospheric Administration mostrou que a Floresta Amazônica é uma grande emissora de metano, um dos principais gases causadores do efeito estufa.

A pesquisa acaba de ser publicada na Geophysical Research Letters e integra o projeto internacional de pesquisas Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia (LBA), coordenado pelo Brasil, para elucidar o papel da Amazônia no clima global.

Os pesquisadores utilizaram aviões de pequeno porte, e coletaram, entre 2000 e 2006, amostras de ar em perfis verticais de até quatro quilômetros de altitude. As medidas foram realizadas em dois pontos de monitoramento, nas regiões central e oriental da Amazônia.

Verificou-se que a Amazônia está contribuindo para um aumento médio de 34 partes por bilhão (ppb) de metano por ano. A contribuição mundial para o enriquecimento médio desse gás soma 150 ppb.

Emissão - Os cientistas descobriram que as emissões do metano são originadas de áreas alagáveis, queimadas e processos aeróbicos de plantas. No artigo, os autores ressaltam que as estimativas de emissão de metano destas fontes não são suficientes para explicar as concentrações observadas sobre a Amazônia. O tempo de vida do gás chega a 12 anos.

Os estudiosos também informaram que os pontos de medida, sobre reservas florestais, estão situados próximos às cidades de Santarém - região característica de árvores mais altas e floresta fechada - e Manaus - árvores mais baixas e floresta mais aberta. Na superfície, a concentração do metano é maior e em altitudes maiores as concentrações diminuem, mostrando a floresta como fonte de metano durante o ano todo. Os dados estão disponíveis no site público do projeto LBA.

A cientista brasileira Luciana Vani Gatti, coordenadora da Pesquisa no Centro de Química e Meio Ambiente do Ipen, disse que "este estudo é bastante representativo da região". As análises foram feitas no laboratório de Química Atmosférica do instituto, montado de acordo com os padrões da NOAA. "Este laboratório é réplica de um dos maiores laboratórios do mundo em gases de efeito estufa", explicou a cientista Luciana Gatti.

Outros gases - Outros cinco gases foram mensurados: hexafluoreto de enxofre (utilizado como gás traçador da concentração do ar de entrada no Brasil), monóxido de carbono (um traçador de queimadas), hidrogênio, dióxido de carbono e óxido nitroso. Este último é o terceiro maior contribuinte para o efeito estufa, depois de dióxido de carbono e metano. Outros trabalhos contendo as análises dos dois últimos gases estão sendo elaborados.

O metano responde por um terço do aquecimento do planeta. Em relação ao gás carbônico, sua capacidade de reter calor na atmosfera é 23 vezes maior. É liberado, por exemplo, na queima do gás natural, do carvão ou de matéria vegetal e em processo de decomposição de resíduos orgânicos. Atividades agropecuárias (criação de gado e plantações de arroz) também geram emissão de metano. (Milton F. da Rocha Filho/ Estadão Online)

Primeiro processo relacionado ao aquecimento global é aberto contra o governo do Canadá

A organização ambientalista Friends of the Earth do Canadá está processando o governo do país por abandonar seus compromissos internacionais sob o Protocolo de Kyoto. Aberto no Tribunal Federal de Ottawa pela firma de advocacia ambiental Sierra Legal, o processo alega que o governo federal está violando a lei canadense ao não cumprir seus compromissos internacionais de reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

O processo é uma solicitação para revisão judicial e alega que o erro do governo em não regular efetivamente as emissões de gases do efeito estufa provavelmente violará a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima e o Protocolo de Kyoto.

Esta violação da lei internacional contravém a seção 166 do Ato Canadense de Proteção Ambiental, que define que o Canadá deve seguir seus acordos internacionais na prevenção da poluição.

O Canadá ratificou o Protocolo de Kyoto em dezembro de 2002, exigindo legalmente a redução de 6% das suas emissões totais de gases do efeito estufa abaixo do nível de 1990 durante o período 2008-2012: uma meta de 563 megatoneladas de gases do efeito estufa.

Em 26 de abril de 2007, o governo canadense anunciou a sua estratégia climática, que estabelecia metas de redução para o setor industrial e outras fontes de 20% abaixo do nível de 2006 até 2020. Isto deixaria o Canadá aproximadamente 39% abaixo da sua meta de Kyoto em 2012, sem atingi-la até 2025 no mínimo.

Separadamente, a imprensa canadense publicou que o Ministro do Meio Ambiente, John Baird, “foi colocado na defensiva segunda-feira, após uma tentativa de vender o plano de redução das emissões de gases do efeito estufa para seus colegas, o que causou desaprovação.”

Vários ministros saíram de uma reunião a portas fechadas com Baird dizendo que estavam desapontados com o governo por falhar no estabelecimento de limites sobre as emissões industriais.

“Precisamos de um plano nacional com limites nacionais absolutos... sobre as emissões de gases do efeito estufa,” disse o Ministro do Meio Ambiente de Ontário Laurel Broten. (Green Car Congress/ CarbonoBrasil)

G8 `deve U$ 40 bi a países pobres por aquecimento´

Um relatório da organização internacional Oxfam defende que os países do G8 (as sete economias mais industrializadas do mundo e a Rússia) deveriam desembolsar pelo menos US$ 40 bilhões para financiar a adaptação de países mais pobres aos tempos de aquecimento global.

A cifra, que a entidade disse ser conservadora, se baseia em um cálculo de quanto as comunidades nos países em desenvolvimento necessitarão para adaptar suas vidas ao que a ONG chama de "estresse do clima".

"As comunidades terão de construir sua resistência adotando tecnologias apropriadas e diversificando seu modo de vida para lidar com o estresse climático que vai além da dimensão da experiência humana", explicou o relatório.

"Os ministros terão de aprender a planejar e propor orçamentos diante da incerteza do clima. Novas e velhas infra-estruturas nacionais, como hospitais, reservatórios e estradas devem ser produzidas considerando o clima."

A entidade disse que serão necessários pelo menos US$ 50 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) para realizar essas adaptações, e que os países do G8 deveriam pagar 80% desse volume. Para a Oxfam, as maiores contribuições devem vir dos Estados Unidos e da União Européia. O Brasil deveria ficar isento desta contribuição, segundo o estudo.

Choque - O texto, divulgado uma semana antes da reunião do G8 na Alemanha, estima a parte desta cifra que cada país deve assumir para financiar a adaptação. A Oxfam classificou os países baseando-se nas responsabilidades de cada um pelas emissões de carbono a partir de 1992 (quando, na prática, todos os governos do mundo se comprometeram a lutar contra a mudança climática).

A ONG considerou ainda a capacidade de pagamento de cada país, baseada na posição que cada qual ocupa no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

Segundo o ranking da Oxfam, os Estados Unidos devem arcar com a maior parte dos US$ 50 bilhões necessários: 43,7%. A União Européia deveria responder por 31,6%, disse a ONG. Outros países com contas a prestar seriam a Alemanha (7,1%), Grã-Bretanha (5,3%) e Itália (4,6%), sustenta o relatório. O Japão, segundo a Oxfam, teria que contribuir com 12,9% dos US$ 50 bilhões anuais. O Canadá teria que dar 4,3% e a Austrália, 2,9%.

Conta - Por outro lado, a Oxfam selecionou outros países que não precisariam dar contribuições para o fundo de adaptação. O primeiro citado na lista é o Brasil, seguido da China, Índia, Rússia e África do Sul.

A entidade afirmou que os países mais pobres do mundo são os que têm menos responsabilidade pelas emissões de gases de efeito estufa, e os menos capazes de se adaptarem aos choques climáticos.

"Não se pode esperar que países em desenvolvimento paguem a conta pelo impacto dos países ricos", disse Celine Charveriat, chefe da campanha por comércio internacional justo da Oxfam.

"Os países do G8 têm duas obrigações durante os preparativos para a reunião na Alemanha: parar de causar danos (ao clima) cortando suas emissões (de carbono) para manter o aquecimento global abaixo de 2 graus, e começar a ajudar os países pobres a lidarem (com a mudança climática), pagando sua parte dos US$ 50 bilhões por ano em fundos de adaptação." (BBC Brasil/ Estadão Online)

Uma outra visão de biodiversidade

Cíntia Barenho (*)

Há mais de um ano, o Brasil foi sede da Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológico (COP 8), evento que reuniu mais de 100 países em discussões em torno do tema da manutenção, conservação e preservação da biodiversidade planetária. Mesmo sediando importantíssimo debate, em nosso país, parece que pouco mudou.

Num momento em que a crise socioambiental está mais do que posta, em que
dezenas/centenas de estudos confirmam as mudanças climáticas e suas conseqüências para fauna, flora e é claro, para nós humanos, o Brasil, ao invés de avançar, está retrocedendo em muitos pontos.

A apropriação privada da natureza está cada vez mais posta em nosso país. Seja através das obras tão “comemoradas” do PAC (obviamente para os detentores do capital), nas quais se destaca a tal transposição dos São Francisco, a ampliação das hidrelétricas; seja através dos projetos de desenvolvimento socioeconômico, como as monoculturas de árvores exóticas no solo gaúcho. Exemplos típicos de que a manutenção e preservação da biodiversidade e as mudanças climáticas não estão preocupando muito os “nossos” detentores do poder.

A natureza, os elementos naturais são vistos e transformados em mercadorias, ou ainda como objetos de troca em busca do lucro (ou seja, são recursos naturais). Fato que já era denunciado no início do desenvolvimento do capitalismo por Karl Marx - todo o espírito da produção capitalista, orientado para o lucro monetário imediato, está em contradição com a agricultura – por que não dizer, em contradição com a natureza como um todo. O lucro, o imediatismo em primeiro lugar, depois se pensa no futuro (que já não está tão longe assim), nas questões relativas ao meio ambiente.

Marx considerava a “natureza como corpo inorgânico do homem” (e, certamente
das mulheres), conseqüentemente extensões do nosso corpo, da qual dependemos e necessitamos. A Natureza não é só onde o homem desenvolve sua práxis, mas a totalidade de Tudo que existe.

O capitalismo se apropriou da natureza de tal forma, que esse Tudo, ficou efetivamente distante de nós, e pouco se vê mecanismos para com que voltemos a nos relacionar com esse Tudo-Todo.

Pensemos a “tão sonhada” expansão das monoculturas de eucalipto no RS, contraria qualquer finalidade de preservação, conservação e manutenção da biodiversidade. Ao invés de nos empenhar para manter nossa biodiversidade, poder público e poder econômico “pensam” somente nas variáveis econômicas. E ainda quando sai o Zoneamento Ecológico para tal atividade, este é rechaçado, pois restringe a atividade ao considerar “apenas” a questão ambiental.

E Marx nos alertou que o cada progresso da agricultura capitalista (monoculturas de eucalipto são atividades agrícolas, ou melhor, agrobussines) não é só um progresso da arte de saquear o solo, pois cada progresso no aumento da fertilidade por certo período é simultaneamente um progresso na ruína das fontes permanentes dessa fertilidade. E ainda que a produção capitalista só desenvolve a técnica e a combinação do processo de produção social ao minar simultaneamente as fontes de toda a riqueza: a terra e o trabalhador.

Pensar biodiversidade mais do que nunca tem que passar pelo pensar econômico, político, social. Pensar que a variável biodiversidade precisa ser considerada no planejamento e desenvolvimento da agricultura, indústria e até mesmo obras públicas.

Há a necessidade de “uma completa revolução em nossa maneira de produzir e, ao mesmo tempo, de toda a ordem social atualmente dominante”, também nos expôs Engels.

Enfim, certamente que Marx, Engels não eram ambientalistas, longe disso, pois suas preocupações eram outras, porém suas idéias estimulam pensarmos que é possível promover uma ruptura com a ideologia produtivista do progresso, reorientando esse progresso à preservação e conservação da diversidade biológica, e também cultural. E, através deste poderemos produzir novas relações entre os humanos e natureza, e gerando assim, a superação do sistema capitalista produtor de mercadorias antes que ele destrua todas as nossas “naturezas”.

* É bióloga, mestranda em Educação Ambiental (FURG) e integrante do Centro de Estudos Ambientais (CEA).

Um estudo de Stanford revela potenciais malefícios do uso do Etanol para a Saúde humana

Segundo um estudo da revista “Environmental Science and Technology” (ver AQUI ) se o combustível “ecológico” feito à base de Etanol (85% de etanol e 15% de gasolina) substituir a gasolina, conforme resulta da aplicação do plano de Bush para aliviar a dependência dos EUA dos combustíveis fósseis, o número de mortes por problemas respiratórios só nos EUA vai subir de 4700 para cerca de 4900 por ano… Uma subida idêntica deverá ocorrer no resto do mundo…

É que segundo o autor do estudo, o Dr. Mark Jacobson, da “Stanford University” o Etanol “Não é verde em termos de poluição do ar. Se quiserem usar o Etanol, óptimo, mas não o façam com base em critérios de Saúde. Não é melhor do que a gasolina, e aparentemente até pode ser ligeiramente pior.” A equipa de Jacobson recorreu a simulações informáticas para chegar a esta conclusão de que a introdução do E85 (a designação desta mistura Etanol-Gasolina) aumentaria os níveis de Smog pelo envio de mais hidrocarbonetos para a atmosfera pelo etanol.

Estas investigações seguem na linha do plano Bush anunciado recentemente de reduzir a dependência crônica que os EUA têm da Gasolina. segundo o qual em 2017, os EUA estariam a reduzir a 20% o uso de gasolina e a “reduzir a metade os gases de efeito de Estufa que emanam de automóveis”.

Recordemo-nos de que o Brasil é na atualidade o maior produtor mundial de Etanol sendo este o combustível de perto de metade dos automóveis aqui circulando e, logo, a comprovarem-se os resultados deste estudo de Stanford, estes efeitos já devem ser reais no Brasil… E forma-se um argumento adicional para reforçar a minha suspeita que os biocombustíveis à base de Etanol não são uma boa opção para substituir os combustíveis fósseis… Pela minha parte, confio muito mais na potencialidades do hidrogênio… ou em eletricidade armazenada em baterias (ver AQUI)… Apesar da confiança no Etanol de alguns dos mais ilustres visitantes brasileiros deste blog! ;-)

Fonte: DailyTech

Brasil propôe restrição ao comércio internacional de lagosta

InfoRel

Entre os dias 2 e 15 de junho, o Brasil participa da 14ª Reunião da Conferência das Partes (COP14) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Silvestres da Fauna e da Flora Ameaçadas de Extinção (Cites), juntamente com outros 168 países, em Haia, na Holanda.

Na oportunidade, vai propor restrição ao comércio internacional de lagosta com a adoção de critérios na comercialização do crustáceo, incluindo um padrão de tamanho. O objetivo é preservar a espécie.

Desde fevereiro o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca (Seap) e o Ibama, realiza uma ação integrada para garantir a recuperação dos estoques da lagosta, caso contrário sua captura descontrolada colocará em risco a sobrevivência não só da espécie, mas também de uma importante atividade econômica para milhares de pescadores brasileiros, principalmente do Nordeste.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a proposta que será apresentada na COP é uma iniciativa internacional nesta área e funcionará como um complemento aos trabalhos realizados no Brasil, já que uma quantia expressiva da lagosta pescada no país é exportada.

O analista ambiental Rafael Rodrigues, da Assessoria Internacional do ministério vai defender a posição brasileira no evento. Rodrigues é o responsável pelo acompanhamento dos tratados multilaterais e será acompanhado de uma equipe composta por cinco representantes do Ibama e do Ministério das Relações Exteriores.

A Cites conta com três níveis de restrições de comércio internacional, chamados de anexos. O nível 1 trata de proibir o comércio de determinada espécie, enquanto os anexos 2 e 3 apenas impõem restrições à comercialização.

Durante a COP os países levam suas propostas e revisam temas anteriores. Caso sejam aprovadas, as proposições passam a vigorar nos países membros, pois a Conferência se configura uma esfera deliberativa. Até o momento já estão relacionadas nos anexos 5 mil espécies animais e 28 mil vegetais, explicou o MMA.

Além da restrição aplicada à lagosta, o Brasil apresentará outras duas propostas. Uma delas será incluir no anexo 2 o pau-brasil, estabelecendo, assim, critérios rigorosos para sua comercialização, pois a árvore que deu nome ao país é cada vez mais escassa e se encontra em processo de extinção. A madeira é muito requisitada para a confecção de arcos de violino.

A terceira proposta consiste no abrandamento da atual proibição do comércio exterior do jacaré-açú, também conhecido como jacaré negro, o maior predador do continente, com 5 metros de comprimento.

Como o animal constava no anexo I, sua caça foi controlada e a população cresceu nos últimos anos. Agora as autoridades brasileiras entendem ser possível o manejo sustentável ao explorar comercialmente o réptil de pele escura, com sua inclusão no anexo 2 da Cites.

O governo brasileiro também é contrário à proposta do Japão de flexibilizar a caça da baleia-fin, espécie que habita o Atlântico Norte. Na realidade o Japão sequer é banhado pelo Oceano Atlântico, mas mantém interesses comerciais na área, onde suas embarcações também pescam.

O Brasil, amparado por um consenso internacional, rejeita a tentativa japonesa, já rechaçada na Conferência Internacional das Baleias.

Petrobras terá de pagar R$ 100 milhões por danos ambientais em Campos/RJ

A Justiça determinou que a Petrobras pague indenização de R$ 100 milhões por danos ambientais causados pela explosão e submersão da plataforma petrolífera P-36, na bacia de Campos, em março de 2001. A informação foi divulgada pela Procuradoria da República no Rio de Janeiro.

O acidente da P-36 derramou petróleo e óleo no oceano. Segundo a ação civil pública do Ministério Público Federal em Campos, no Rio de Janeiro, o impacto ao meio ambiente foi agravado pelo uso de um alto volume de dispersante químico para fazer desaparecer a mancha de óleo.

A 1ª Vara Federal de Campos definiu a indenização pelos critérios de intensidade do dano, condição econômica da ré e reincidência.

O valor da indenização será revertido ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, destinado a reparar danos ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio histórico, entre outros.

Durante o processo, a Petrobras alegou a inexistência de prejuízos ambientais. Entretanto, para o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, "tal sustentação é inconcebível, pois 150 metros cúbicos de petróleo e 1,2 milhão de litros de óleo diesel foram derramados no mar, dos quais 300 mil litros atingiram a superfície, formando uma mancha de óleo de cerca de 58 km quadrados de extensão". (Folha Online)

"Personalidade" de animais é chave da evolução, diz estudo holandês

A evolução dos animais não seria fruto de uma seleção natural espontânea, mas uma estratégia complexa na qual as "personalidades" desempenham um papel central, sugeriu um grupo de cientistas holandeses em artigo publicado na revista científica britânica "Nature".

Enquanto até agora a noção de "personalidade" era considerada uma exclusividade da espécie humana, cada vez mais os biólogos admitem que se trata, na verdade, de uma característica comum a todas as espécies, das lulas às aranhas, dos ratos aos macacos.

Nos últimos anos, estudos demonstraram que animais aparentemente impossíveis de distinguir - têm a mesma estatura, idade, sexo e vivem no mesmo habitat - podem se portar de forma diferente diante das mesmas situações ou de perigo.

Um pardal, por exemplo, pode comer avidamente migalhas oferecidas pela mão humana, enquanto outro se mantém prudentemente a distância, embora provavelmente sinta o mesmo desejo que o primeiro diante de semelhante iguaria.

Segundo a teoria da seleção natural, a flexibilidade das espécies é uma das melhores estratégias para a sobrevivência e a reprodução, disse Max Wolf, biólogo encarregado do estudo. Mas "em muitas situações, é difícil entender o valor que algumas correlações têm para a evolução, como as existentes entre a audácia e a agressividade", disse Wolf. (France Presse/ Folha Online)

STJ condena União e mineradoras a reparar danos ambientais

Por omissão no dever de fiscalizar, a União foi condenada a recuperar área degradada no sul de Santa Catarina, juntamente com as mineradoras que causaram dano ao meio ambiente por quase duas décadas.

A decisão é do STJ - Superior Tribunal de Justiça, que, em posicionamento inédito, concluiu existir responsabilidade solidária entre o poder público e as empresas poluidoras, o que significa que todos vão responder pela reparação. A estimativa inicial do Ministério Público Federal que reflete o valor da causa é de US$ 90 milhões.

Na bacia carbonífera de Santa Catarina, a disposição inadequada de rejeitos sólidos e das águas efluentes da mineração e beneficiamento de carvão acarretou uma degradação ambiental tão severa que a região foi considerada, em 1980, área crítica nacional para efeito de controle de poluição e qualidade ambiental.

O STJ levou em conta que a União tem o dever de fiscalizar as atividades relacionadas à extração mineral e, uma vez omissa, sua responsabilidade civil pela poluição do meio ambiente é subjetiva. Assim, a sociedade que se beneficiou da extração de minério, o que gerou a degradação ambiental, agora terá de arcar com os custos da reparação.

Apesar da solidariedade do poder público, as mineradoras é que devem arcar integralmente com os custos da recuperação ambiental, cabendo a União buscar junto às empresas condenadas o ressarcimento do que vier a gastar, pois, embora omissa, não teve proveito com os danos. O STJ confirmou, ainda, que as ações coletivas de reparação de dano ambiental são imprescritíveis, isto é, podem ser propostas a qualquer tempo, pois não há um prazo limite definido em lei.

Empresas - Outro ponto julgado foi o da responsabilidade subsidiária dos sócios das empresas. A Lei 6.938/81, que dispõe sobre a política nacional de meio ambiente, estabelece que sócios e administradores respondem pelo cumprimento da obrigação de reparação ambiental de forma solidária com as empresas.

Onze sócios, gerentes e mandatários das empresas mineradoras foram condenados. Por terem responsabilidade subsidiária, eles somente deverão honrar a obrigação de reparar o dano, caso as empresas não o façam.

O STJ reformou parte da decisão de segunda instância, determinando que cada mineradora seja responsável pela reparação ambiental da extensão de terras ou subsolo que houver poluído. Quanto à poluição das bacias hidrográficas, todas devem responder solidariamente.

As empresas são as seguintes: Companhia Siderúrgica Nacional, Carbonífera Criciúma, Carbonífera Metropolitana, Carbonífera Barro Branco, Carbonífera Palermo, Ibramil Ibracoque Mineração, Coque Catarinense, Companhia Brasileira Carbonífera de Ararangua (massa falida), Companhia Carbonífera Catarinense e Companhia Carbonífera Urussanga.

O prazo para recuperação das bacias hidrográficas e lagoas foi de 10 anos e de três anos para a recuperação da área terrestre, a contar da liminar concedida pelo juízo de primeiro grau, no ano 2000. Informações prestadas pelas mineradoras no processo relatam que os trabalhos de recuperação já foram iniciados. (Estadão Online)

OMS pede proibição mundial de fumo em locais públicos

A OMS - Organização Mundial da Saúde está apelando a todos os países, nesta quinta-feira (31), a banirem o fumo em todos os locais públicos fechados. A estratégia marca o Dia Mundial sem Tabaco e tem como objetivo proteger os fumantes passivos.

A OMS estima que cerca de 200 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças ligadas à exposição ao cigarro em locais de trabalho.

De acordo com a OMS, não há um nível seguro de exposição para pessoas que convivem com fumantes e a melhor forma de protegê-las é banindo por completo o fumo em lugares fechados.

A organização espera que todos os países sigam o exemplo da Irlanda e da Escócia, onde já vigoram leis proibindo o consumo de tabaco nesses locais.

Sem desculpas - O líder da campanha, Ermando Perugia, diz que não há mais desculpas para evitar a implantação da medida. “As evidências são cientificamente comprovadas. Não há nível seguro de exposição para fumantes passivos. É totalmente indiscutível e a conclusão é clara: o fumo deve ser banido de todos os lugares fechados”, defende Perugia.

A Organização Mundial de Saúde ressalta que o objetivo da campanha não é intimidar os fumantes, mas definir os locais em que se pode fumar com segurança.

A OMS recomenda que empresas privadas e governos adotem a proibição por completo do tabaco em suas dependências e ressalta que medidas paliativas como sistemas de ventilação e a instalação de áreas de fumantes já se mostraram ineficientes na proteção aos fumantes passivos.

Para a OMS, a interdição do cigarro não deveria ser voluntária, mas arbitrária e acompanhada de medidas como cobranças de multas a quem desrespeite as regras.

Na Inglaterra, a lei banindo o fumo em lugares públicos fechados entra em vigor no dia 1º de julho - na Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales, as outras nações do Reino Unido, a proibição já está valendo.

O governo diz que o principal objetivo é reduzir o fumo passivo, mas prevê, como conseqüência secundária, que mais pessoas aproveitem a oportunidade para deixar de fumar.

Além do Reino Unido, a França também proíbe o consumo de tabaco em locais públicos. Na Itália, Suécia e Malta, o fumo é permitido apenas quando há salas separadas para fumantes e não-fumantes. Estônia e Finlândia estão em vias de adotar a mesma solução.

Na Holanda, desde 2004, é proibido fumar em vários locais públicos, como estações ferroviárias, trens, banheiros e escritórios. Em Nova York, desde 2003, também é proibido fumar em todos os bares e restaurantes da cidade. O comerciante que não fizer valer a lei pode perder a licença comercial e receber uma multa de no mínimo US$ 200 (R$ 400). (BBC Brasil/ Estadão Online)

Protesto consegue evitar sacrifício de bisões nos EUA

As autoridades do estado de Montana atenderam a uma série de protestos e suspenderam na quarta-feira (30), o sacrifício de cerca de 300 bisões ordenado para prevenir a propagação da brucelose, uma doença que causa abortos e infecções no gado.

Os animais que deveriam ser eliminados vagam fora do Parque Nacional de Yellowstone, disseram fontes do Departamento de Pecuária de Montana. Pelas normas estaduais e federais, eles podem ser sacrificados sem penalização.

A ordem de sacrificar os bisões foi dada na terça-feira passada pelo Departamento de Pecuária. No início deste mês, sete fêmeas tinham dado resultados positivos de brucelose.

Segundo criadores de gado locais, os bisões constituem uma ameaça para o estado, que até agora estava livre da doença.

No entanto, grupos de defesa dos animais lançaram uma campanha de telefonemas e mensagens eletrônicas em protesto, causando um congestionamento nos sistemas de comunicação de órgãos federais e estatais.

As fontes do Departamento de Pecuária afirmaram que os planos para o sacrifício dos animais foram suspensos até segunda ordem.

Segundo grupos de defesa dos animais, existe um preconceito histórico contra os bisões, que no século passado foram quase extintos devido à caça sem controle. (Efe/ Estadão Online)

Mantida proibição internacional da caça às baleias

A CIB - Comissão Internacional Baleeira passou resolução nesta quinta-feira (31), reafirmando a proibição da caça comercial à baleia, em vigor há 21 anos. A decisão efetivamente passa por cima de uma resolução simbólica aprovada em 2006, que afirmava que a proibição já não era mais necessária.

A resolução atual também afirma que não deve haver mudanças nas restrições ao comércio de derivados de baleias regulamentado pela Cites - Convenção Internacional de Comércio de Espécies Ameaçadas. Defensores da medida dizem que era essencial mandar essa mensagem à Cites, que se reúne a partir da próxima semana na Holanda.

Com diversos países contra a caça à baleia participando da reunião da CIB deste ano, a pequena maioria pró-caça reunida em 2006 não conseguiu se reafirmar. Mas os países que defendem a retomada da exploração comercial dos cetáceos fez um lobby feroz contra a resolução, dizendo que ela agravará as divisões internacionais em torno da questão.

"A Cites deveria tomar decisões com base em seus próprios critérios, não na nossa política", disse o delegado islandês Stefan Asmundsson. A Islândia defende o fim da proibição à caça. (Associated Press/ Estadão Online)

Ambientalista alerta para extinção de macacos

Um dos maiores ambientalistas do mundo, Richard Leakey, alertou nesta quinta-feira (31) para o perigo de extinção dos grandes macacos, os primatas mais próximos do homem. Segundo Leakey, paleontólogo e atual presidente da organização Wildlife Direct, os símios de todo o mundo são expostos aos efeitos combinados da caça, das doenças e do desmatamento.

O uso crescente de biocombustíveis constitui um perigo a mais, já que aumentou a pressão para o desmatamento das florestas tropicais, habitat natural desses animais, explica Leakey, citado pelo jornal inglês The Guardian. Os especialistas advertem que o consumo cada vez maior de combustíveis alternativos pode significar o desaparecimento, em uma geração, dos 50 mil macacos que ainda sobrevivem.

Leakey, que ficou muitos anos à frente do serviço de proteção à fauna do Quênia (país onde nasceu em 1944), reiterará hoje sua advertência em uma palestra na Royal Geographical Society, de Londres. Segundo o zoólogo e paleontólogo, a atividade humana é diretamente responsável pela morte de milhões de gorilas, chimpanzés e outros símios no mundo todo.

Aproximadamente 80% do habitat dos orangotangos no Sudeste Asiático foi arrasado nos últimos 20 anos pela demanda crescente de terreno para produzir óleo de palma destinado aos mercados tropicais. Leakey fez um apelo aos políticos que preparam um novo tratado internacional para regular as emissões de CO2 para que se concentrem mais nos incentivos para conservar as florestas tropicais do Sudeste Asiático, da África, da América Central e da América do Sul.

Segundo o paleontólogo, a luta contra o desmatamento serviria ao mesmo tempo para limitar o efeito estufa e conter a extinção dos símios. Leakey, que patrocina um programa da ONU para a sobrevivência dos grandes primatas, reivindica soluções mais imaginativas, como os créditos à conservação da biodiversidade e os habitats da vida selvagem que um país poderia vender a outros para "compensar" suas próprias emissões de CO2.

"Parece que custa muito mais conservar a beleza natural que gastar £ 80 milhões em um Picasso e uma fortuna em persegui-lo", critica. Leakey insiste que os países em desenvolvimento devem assumir sua cota de responsabilidade no aquecimento global, sobretudo no que diz respeito ao desmatamento.

"Não acho que o Quênia possa relaxar no fato de ser um país jovem e que, como antes nos exploraram, agora têm que nos conceder um respiro. É preciso olhar o efeito que todos temos no planeta", explica. Leakey critica o chamado "ecoturismo" - palavra que, para ele, encerra uma contradição porque não há turismo ecológico, e sim "uma corrida desesperada para fazer dinheiro enquanto puder". (Efe/ Terra)

EUA rejeitam programa de comércio de emissões de carbono

Os Estados Unidos rejeitaram a proposta européia para deter as mudanças climáticas no mundo com limites de emissões de carbono ao estilo do protocolo de Kyoto, informou nesta quinta-feira (31), a Casa Branca.

"Nós não endossamos o comércio global de carbono", afirmou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, dias antes de o presidente americano, George W. Bush, participar da reunião do G8 na Alemanha. O tema da redução do aquecimento global deve dominar as discussões do encontro.

A Casa Branca apresentou nesta quinta uma estratégia de longo prazo sobre as mudanças climáticas, com planos de reunir os países que mais emitem gases do efeito estufa e de cortar barreiras tarifárias para compartilhar tecnologia ambiental.

A estratégia também pede um consenso nos objetivos de longo prazo, para reduzir os gases causadores do efeito estufa, mas não antes do fim de 2008, afirmou uma autoridade da Casa Branca, que pediu para não ser identificada.

A autoridade, em declarações feitas antes de o presidente Bush se pronunciar oficialmente, negou que o momento da divulgação tenha sido escolhido para coincidir com a reunião da próxima semana do Grupo dos Oito (G8). Bush está sob pressão de aliados europeus para ceder em relação à mudança climática.

Em negociações antes da reunião, Washington rejeitou determinar objetivos para reduzir os gases do efeito estufa.

"Estamos anunciando agora porque estamos prontos", acrescentou a autoridade.

O plano prevê a eliminação de barreiras tarifárias dentro de seis meses, liberando a distribuição de nova tecnologia ambiental, segundo a autoridade.

A reunião dos maiores emissores de gás do efeito estufa - que produzem um total combinado de 80% das emissões do mundo - deve acontecer nos Estados Unidos, disse a autoridade.

A reunião vai provavelmente incluir os países desenvolvidos do G8, China, Índia, Brasil, Austrália, África do Sul, México, Coréia do Sul e Rússia, de acordo com a autoridade. (Reuters/ Estadão Online)

Russia dá o primeiro passo no mercado global de carbono

Esta semana a Rússia surpreendeu ao dar o primeiro sinal verde para as negociações de carbono sob o Protocolo de Kyoto, mas precisa começar a aprovar projetos concretos para abrir as portas deste mercado bilionário.

A Rússia é a maior fornecedora de gás e petróleo para a União Européia, além de ser a terceira maior emissora mundial de gases do efeito estufa, atrás somente dos Estados Unidos e da China.

Como um importante player energético e climático, o país está muito bem colocado para lucrar com a venda de redução de emissões (ou créditos de carbono) para outros países industrializados, mas tem atrasado muito na implementação das regras necessárias.

O Primeiro Ministro Mikhail Fradkov assinou, na segunda-feira, um decreto definindo diretrizes. “Se houvessem 50 passos, estaríamos no 49,” disse Arthur Houston, diretor responsável pela Rússia na Camco (empresa londrina que desenvolve projetos).

“Agora precisamos do texto final do decreto... esperamos que ele seja publicado no site do Ministério de Desenvolvimento Econômico e Comércio no decorrer da próxima semana”, acrescenta.

“Isto é muito bom, é o que todos estão esperando há mais de um ano e meio”, diz Abud Karmali, consultor de mudanças climáticas da IFC Internacional.

Dentro do mercado de carbono do Protocolo de Kyoto, a Rússia pode ser uma fonte barata de créditos para países desenvolvidos que precisam cumprir metas de redução das emissões de dióxido de carbono. Um exemplo de projeto seria simplesmente fechar os vazamentos de metano presentes nos dutos que distribuem o gás natural.

O país poderia vender mais de 500 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente até 2012, estima Karmali. Segundo ele, o mercado pode valer até 5 bilhões de dólares, com base nos preços atuais. O Fundo de Carbono da Rússia, desenvolvedor de projetos, avalia o mercado em 350 milhões de toneladas, e ressalta a necessidade de mais detalhes e operações em prática.

A Rússia também precisa da aprovação da ONU para negociar carbono, o que deve acontecer no início do próximo ano, e já encomendou para empresa francesa Seringas o software de registro necessário para interligar as transações, informa Morten Prehn Sorensen, diretor de mudanças climáticas do Fundo de Carbono da Rússia.

“Mas o mercado precisa saber quando o registro estará pronto”, afirma Garth Edward da Shell. “A decisão do governo foi o primeiro passo, agora é preciso operacionalizar”, avalia. (Reuters/ CarbonoBrasil)

Crescem emissões de gases do G8, e EUA não são os piores

As emissões de gases do efeito estufa pelos principais países industrializados se aceleraram desde 2000, e vários países têm um desempenho pior que o dos Estados Unidos, que se opõem a um tratado contra o aquecimento, segundo dados da ONU - Organização das Nações Unidas.

Líderes do Grupo dos Oito (principais países industrializados) se reúnem na próxima semana na Alemanha, e o presidente dos EUA, George W. Bush, vem resistindo à pressão da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, para limitar as emissões, especialmente de combustíveis fósseis.

Mas o país de Bush não está sozinho. "As taxas de crescimento das emissões nos EUA estão se desacelerando", disse Michael Raupach, do Centro de Observação da Terra, em Canberra, Austrália, referindo-se às tendências gerais das emissões. "As emissões européias estão subindo nos anos pós-2000."

Dados nacionais submetidos ao Secretariado de Mudança Climática da ONU mostram que as emissões gerais dos países do G8 subiram 2% desde 2000, atingindo 14,3 bilhões de toneladas em 2005, alta de 0,7% em comparação com 1990, o ano base do Protocolo de Kyoto, da ONU.

Entre os países do G8, Rússia, Itália e Canadá tiveram elevações nas emissões superiores ao 1,6% de aumento nos EUA desde 2000, quando Bush foi eleito presidente. A retomada do crescimento econômico russo depois do colapso da União Soviética é o principal fator.

Só Reino Unido, Alemanha e França reduziram suas emissões desde 2000.

Desde 1990, porém, os EUA tiveram um aumento de 16,3%, o segundo maior, atrás apenas do Canadá. Todos os países do G8 apóiam o Protocolo de Kyoto, exceto os EUA, maior poluidor mundial.

E os países vinculados ao Protocolo de Kyoto prevêem redução nas emissões nos próximos anos, quando começarão a dar resultados os investimentos destinados a uma maior eficiência energética ou à geração de energias "limpas", como solar e eólica. As comparações dentro do G8 em 2005 são possíveis depois que Canadá e Japão entregaram seus dados, nesta semana.

"O principal guia das emissões não é o Protocolo de Kyoto, mas como as economias estão se desenvolvendo", disse Keywan Riahi, pesquisador-sênior do Instituto Internacional de Análises de Sistemas Aplicados, na Áustria.

O crescimento econômico e populacional tende a aumentar as emissões de fábricas, usinas elétricas e carros, mas a eficiência energética, em parte por causa de Kyoto, e uma mudança na ênfase econômica das indústrias pesadas para os serviços estão entre os freios para os países do G8.

Entre as principais alterações, as emissões russas subiram 7,3% desde 2000, puxadas principalmente pela recuperação econômica depois do colapso da União Soviética e das suas fumacentas indústrias. Mesmo assim, a Rússia permanece ainda 28,7% abaixo dos níveis de 1990. (Reuters/ Estadão Online)