04 maio 2007

Usinas eólicas são mortais para animais voadores, diz estudo

Associated Press

Conhecidas pelo aspecto ecologicamente correto de produzir energia elétrica sem poluir o meio ambiente, as usinas eólicas podem ser mais perigosas do que aparentam para pássaros e outros animais voadores, segundo revelou uma pesquisa.

As fazendas de vento dos Estados Unidos são capazes de gerar cerca de 7% da eletricidade do país em 15 anos, mas os cientistas agora parecem gastar mais tempo estudando o impacto que suas hélices cortantes causam em pássaros e morcegos.

O risco para este animais ainda não pode ser mensurado, mostrou um relatório do Conselho de Pesquisa Nacional nesta quinta-feira, 3, em um estudo encomendado pelo Congresso americano.

"Estudos preliminares mostram que o índice de mortalidade de uma população de morcegos em áreas que possuem fazendas de vento é muito maior que em outras áreas", descreve o relatório. "Embora esse dado isolado não revele o impacto que isso pode causar no ecossistema."

As fazendas de vento utilizam grandes hélices ligadas a geradores que produzem energia a partir do movimento de rotação das pás, que podem chegar a medir de 70 a 90 metros de diâmetro e colocadas no topo de torres de 60 a 90 metros de altura.

Nas fazendas eólicas são instaladas dezenas, e até centenas, dessas estruturas, espalhadas por 36 dos 50 Estados americanos. Em uma delas, em Altamont Pass, no Estado da Califórnia, há por volta de 5 mil hélices.

"Nos níveis atuais de utilização dessa fonte, não há evidências de que as mortes causarão mudanças substanciais nas populações demográficas de pássaros", aponta o relatório.

Anualmente, só no território americano, são gerados 11,6 mil megawatts, o que corresponde a apenas 1% da demanda interna. Entre os benefícios da geração de eletricidade está a fonte ecologicamente limpa, que não polui o ar. "Em 2020, as fazendas de vento ajudarão a diminuir em até 4,5% a emissão de gases do efeito estufa."

Mas em contrapartida, o ecossistema pode ser irreversivelmente afetado. Além do aumento de mortes em populações de aves, "outros impactos humanos podem ser efeitos em recursos culturais, como sítios arqueológicos (...) e uma potencial interferência em ondas de transmissão de rádio e televisão".

Brasil e Indonésia desmatam mais na década

Reuters

A Indonésia registrou o ritmo mais acelerado de desmatamento no mundo entre 2000 e 2005, mas o Brasil destrói áreas maiores de floresta a cada ano, afirmou o Greenpeace na quinta-feira.

De acordo com a ONG ambiental, o desmatamento feito na Indonésia no período foi equivalente à destruição de 300 campos de futebol por hora.

"A próxima geração de indonésios não verá nenhuma floresta se não for tomada nenhuma ação pelo governo para lidar com o problema", disse Bustar Maitar, do Greenpeace indonésio, em entrevista coletiva.

O livro Guinness dos Recordes aprovou a proposta do Greenpeace para que o desmatamento indonésio seja incluído na edição de 2008, que sai em setembro deste ano, segundo informou Hapsoro, que coordena campanhas do Greenpeace no Sudeste Asiático.

Mostrando uma cópia do certificado da autoridade global dos recordes, ele afirmou que o livro dirá: "Dos 44 países que coletivamente respondem por 90% das florestas do mundo, o país que mantém a mais alta taxa anual de desmatamento é a Indonésia, com 1,8 milhão de hectares de florestas destruídas a cada ano entre 2000 e 2005."

De acordo com dados do governo brasileiro, divulgados em novembro do ano passado, o ritmo de devastação da Amazônia caiu para 13.100 quilômetros quadrados durante o período de agosto de 2005 e julho de 2006.

A Indonésia já perdeu 72% da sua cobertura florestal original, e metade dos remanescentes está sob ameaça por causa da extração de madeira, das queimadas e da produção de óleo de palma, segundo o Greenpeace.

O grupo pediu ao governo indonésio que imponha uma proibição temporária da extração de madeira nas florestas do país, e acusou as autoridades de não controlarem as ilegalidades e a corrupção no setor florestal.

A demanda internacional por papel, madeira e óleo de palma (dendê) é o principal fator por trás da destruição das florestas indonésias, que atualmente cobrem 120,3 milhões de hectares, disse a ONG.

A Indonésia é o segundo maior produtor mundial de óleo de palma, depois da Malásia, mas deve se tornar o maior produtor, com 16 milhões de toneladas neste ano.

Por causa do desmatamento, a Indonésia foi citada pelo Greenpeace também como o terceiro maior emissor mundial de gases do efeito estufa, atrás apenas de Estados Unidos e China.

Especialistas dizem que até 25% dos gases do efeito estufa vêm do desmatamento de florestas tropicais.

A Indonésia quer que países ricos paguem às nações em desenvolvimento para preservar suas florestas, uma proposta que o governo pretende levar à conferência da ONU sobre mudanças climáticas, em dezembro, na ilha de Bali.

Australianos acham dinossauro de 25 metros

Reuters

Ossos fossilizados dos maiores dinossauros já localizados na Austrália foram apresentados na quinta-feira. Segundo cientistas, a descoberta lança novas luzes sobre o passado pré-histórico do país.

Os restos de dois titanossauros, apelidados de Cooper e George, foram desenterrados em 2005 e 2006 por pecuaristas perto de Eromanga, no estado de Queensland, no árido sudoeste australiano, mas foram mantidos em segredo para permitir que especialistas investigassem os achados.

"Estávamos tangendo gado em motos quando encontramos fragmentos do grandão, o Cooper. Meu filho de 14 anos achou o outro", disse o pecuarista Stuart MacKenzie à imprensa local.

Ossos fossilizados das pernas mostram que a dupla tinha cerca de 25 m -- entre 6 e 7 metros a mais que o maior saurópode (dino herbívoro pescoçudo) previamente conhecido na Austrália, segundo Scott Hocknull, curador do Museu de Queensland.

"O bom da Austrália é que sempre há coisas novas sendo achadas, e tudo isso é novo para a ciência, é a ponta do iceberg", disse Hocknull.

Os titanossauros, com até cem toneladas e longos pescoços e caudas, estão entre as criaturas mais pesadas que já caminharam sobre a Terra. Eles foram um dos últimos saurópodes do Cretáceo, 98 milhões de anos atrás, quando o continente era mais verde e úmido. Esses herbívoros foram extintos numa época de mudança climática.

Eles foram batizados em homenagem aos titãs (gigantes inimigos dos deuses) da mitologia grega e viviam principalmente no sul do antigo supercontinente de Gondwana.

Desmate evitado entra na conta do IPCC e pode favorecer Brasil

Cláudio Ângelo / Folha de S. Paulo

Uma das novidades do relatório que será apresentado amanhã em Bancoc interessa diretamente ao Brasil: pela primeira vez, o IPCC vai considerar a conservação de florestas e o desmatamento evitado como medidas de mitigação. E dá números: 550 milhões de toneladas de gás carbônico podem ser cortadas a um custo baixo ao reduzir o desmate só nas Américas do Sul e Central. A fatia do leão, aqui, cabe à Amazônia.

"A mensagem do AR4 [novo relatório do IPCC] é que, a curto prazo, os benefícios de mitigação de carbono a partir da redução do desmatamento são maiores que os benefícios resultantes do reflorestamento", disse à Folha Thelma Krug, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente e membro do Conselho do IPCC. "Isso porque o desmatamento é a fonte mais importante de emissões relacionada ao setor florestal."

Isso é importante para o Brasil por um lado, já que dois terços das emissões do país vêm do desmatamento da floresta amazônica. No relatório anterior do IPCC, de 2001, o chamado desmatamento evitado ficou de fora, e também não entrou no Protocolo de Kyoto.

Um respaldo do painel do clima ao desmatamento evitado vem a calhar para a proposta brasileira, apresentada à Convenção do Clima, de criar um fundo voluntário para compensar os países tropicais que reduzirem a perda de carbono de suas florestas.

"A longo prazo, estratégias voltadas para o manejo sustentável de florestas, com vistas à manutenção ou ao aumento dos estoques de carbono florestal, gerarão os maiores benefícios de mitigação", diz Krug.

Isso também interessa ao governo brasileiro, que quer usar seus chamados distritos florestais sustentáveis na Amazônia (nenhum deles implementado) como trunfos.

Por outro lado, o texto do relatório do IPCC destaca a importância de mecanismos de mercado para comercializar - na forma de créditos - o carbono que deixa de ir para a atmosfera dessa maneira. E o Brasil não quer nem ouvir falar de um mercado para isso, pois, segundo o governo, ele implicaria algum tipo de vigilância internacional sobre a floresta (para monitorar a preservação e garantir o valor dos papéis).

Com autoridade de quem participa do processo de Kyoto desde o início, Roberto Schaeffer, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diz que a posição do governo vem suavizando sobre esse tema.

"Uma coisa é o que o governo pensa, outra é o que ele pode falar", afirma.

30 abril 2007

EUA querem que Brasil assine tratado de preservação florestal

BRUNO GARCEZ
da BBC Brasil, em Nova York

A subsecretaria de Estado americana, Paula Dobriansky, pediu que o Brasil assine com os Estados Unidos tratado de conservação de florestas tropicais.

O projeto foi criado pelo governo americano em 1998 e oferece a países em desenvolvimento o perdão de dividas com os Estados Unidos e a geração de fundos para preservação ambiental.

O programa é implantado por meio de acordos bilaterais. Entre as nações latino-americanas que já assinaram o tratado estão Peru, Colômbia, Paraguai e Panamá.

O pedido da subsecretária foi feito durante o Fórum de Desenvolvimento Sustentável realizado nesta segunda-feira em Nova York. O evento conta com a presença dos ex-presidentes americanos Bill Clinton e George W. Bush, pai do atual líder americano.

O Fórum foi realizado pela ONG Associação das Nações Unidas-Brasil e contou com a presença de inúmeros políticos brasileiros, entre eles o senador e ex-presidente José Sarney, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB), e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Biocombustíveis

De acordo com Departamento de Estado, o tratado de conservação de florestas tropicais é capaz de gerar até US$ 60 milhões (cerca de R$ 120 milhões) em iniciativas voltadas para a preservação ambiental.

"Esperamos que o Brasil se junte a nós e assine o tratado", afirmou a subsecretária.

"Com isso é possível aliviar a dívida com os Estados Unidos e investir em recursos para preservação de florestas e espécies de animais."

A subsecretária disse ainda ser preciso tomar uma série de medidas para ampliar o uso mundial de biocombustíveis.

Segundo Dobriansky, "os elementos-chave são redução dos custos de produção dos biocombustíveis, as demandas pelo uso da terra e as pressões no preço das rações para animais."

Os Estados Unidos vêm enfrentando uma elevação do preço do milho e nos valores de terras cultiváveis devido à produção de etanol.

A versão americana do biocombustível é produzida a partir do milho. Com a crescente demanda pelo cereal, aumentou também a quantidade de terras necessárias para cultivar milho.

29 abril 2007

SOJA É PIOR PARRA ÁREAS DESMATADAS DO QUE PASTAGENS

Derrubar a floresta amazônica para plantar soja é mais prejudicial ao clima do que desmatar para criação de gado, segundo o estudo realizado na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e publicado na edição atual da revista Geophysical Research Letters.


Segundo a Agência Fapesp, os campos de soja reduzem até quatro vezes mais os níveis de chuva quando comparados a áreas de pastagens. No estudo, os pesquisadores registraram as mudanças na refletividade de campos experimentais de soja e aplicaram os dados em um modelo climático.

Numa simulação em que três quartos da área de floresta foram substituídos por soja, a redução de chuvas chegou a 15,7%. Quando substituída por pastagens, a queda de precipitação foi de 3,9%. "Assumia-se que não haveria diferença se a floresta desse lugar a outras atividades.

"Para testar a hipótese, comparamos tais resultados com as parametrizações que obtivemos com um estudo experimental em uma lavoura de soja", disse o coordenador da pesquisa e professor do Departamento de Engenharia Agrícola do Centro de Ciências Agrárias da UFV, Marcos Heil Costa.

Redação Terra
Grupo Mais

POLUIÇÃO SONORA AFAZ PÁSSAROS CANTAREM A NOITE

Pássaros que vivem em zonas urbanas estão mudando seus hábitos de cantar por causa da poluição sonora, de acordo com um estudo da Universidade de Sheffield, na Grã-Bretanha.

Jornal do Meio-Ambiente

O estudo analisou os pintarroxos, pássaros que geralmente começam a cantar ao amanhecer para atrair parceiros ou espantar inimigos e demarcar território.

Muitos desses pássaros estão cantando durante a noite, em vez de competir com os barulhos urbanos diurnos, de acordo com o estudo publicado na revista especializada Biology Letters.

O estudo diz que os pintarroxos têm cantado à noite em áreas onde os níveis de barulho diurnos são pelo menos dez decibéis mais altos do que em zonas rurais.

Barulho X luz

“Nos pássaros, a cantoria noturna por espécies normalmente diurnas pode ser uma forma de minimizar a interferência de barulho ambiente urbano”, disse o estudo.

Mas os cientistas alertam que essas mudanças podem ser traumáticas para o metabolismo dos pássaros, já que cantar usa mais energia do que dormir.

Os pesquisadores também desafiam a noção comum de que o fenômeno é causado pelo excesso de luz durante a noite em zonas urbanas.

“Apesar de a cantoria noturna acontecer principalmente em áreas muito iluminadas, foi limitada a locais que também são barulhentos durante o dia e não aconteceu em locais com muita luz, mas que são relativamente quietos”, disse.

“Assim, nós concluímos que o barulho diurno tem um efeito muito maior na atividade de cantar à noite do que os níveis de luz noturnos.”

MORTE MISTERIOSA DE ABELHAS ATINGE TAMBÉM TAIWAN

Reuters

A morte de milhões de abelhas atingiu os Estados Unidos, o Reino Unido e agora chegou a Taiwan. Nos últimos dois meses, fazendeiros têm reclamado do desaparecimento em massa desses insetos. De acordo com a emissora TVBS, cerca de 10 milhões de abelhas já sumiram em Taiwan.

Um criador de abelhas afirmou que 6 milhões de insetos desapareceram "sem motivo" e outro afirmou que 80 de suas 200 caixas de abelhas ficaram vazias, segundo noticiou o jornal United Daily News. Os criadores de abelha normalmente deixam os insetos saírem de suas caixas para que possam polinizar plantas e, normalmente, eles tomam o caminho de volta para seus donos sem problemas. Porém, muitas das abelhas não têm retornado nos últimos dois meses.

Cientistas disseram o problema pode estar sendo causado pelo uso de pesticidas e pela temperatura incomum para esta época do ano - entre menos de 20°C para mais de 30°C em poucos dias. "É claramente possível ver a mudança climática em Taiwan", disse o entomologista Yang Ping-shih, da Universidade Nacional de Taiwan.

Qualidade da Água e Aqüicultura terá seu segundo Workshop Internacional

Evento pretende discutir as relações entre aqüicultura e meio ambiente.


O 2º Workshop Internacional sobre Qualidade da Água e Boas Práticas de Manejo (BPMs) para a Aqüicultura será realizado em Manaus, AM de 22 a 25 de maio de 2007 na Universidade do Estado do Amazonas - UEA. Nesta segunda edição do evento, o primeiro aconteceu na Esalq//USP em Piracicaba, SP em 2006, a organização está a cargo do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e das Unidades da Embrapa: Amazônia Ocidental (Manaus, AM) e Meio Ambiente (Jaguariúna, SP).

De acordo com o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, um dos organizadores do evento e também palestrante, Júlio Ferraz de Queiroz, o objetivo principal será repassar para os produtores e para todos aqueles envolvidos com cadeia produtiva da aqüicultura na região Amazônica os resultados e as experiências mais recentes sobre o desenvolvimento das Boas Práticas de Manejo (BPMs). “O evento vai permitir uma ampla discussão sobre as relações entre a aqüicultura e o meio ambiente, e também esclarecer porque a adoção destas BPMs é considerada por muitos aqüicultores e cientistas como a estratégia mais eficiente para o manejo ambiental da aqüicultura”, enfatiza Queiroz. Ainda segundo o pesquisador, os especialistas discutirão as implicações das restrições ambientais sobre o desenvolvimento da aqüicultura na Amazônia; os efeitos da nutrição e dos resíduos das rações sobre a qualidade da água e nos sedimentos do fundo dos viveiros e em reservatórios utilizados para o cultivo de peixes em tanques- rede; e a eficácia de diferentes práticas de manejo em função dos distintos sistemas de produção utilizados na criação de peixes. Vão discutir também questões referentes às metodologias existentes para avaliação ambiental e os procedimentos utilizados para o estabelecimento de indicadores de sustentabilidade, além de estabelecer as diretrizes para o desenvolvimento de BPMs para a aqüicultura na Amazônia.

Queiroz espera que este Workshop, assim como as experiências obtidas a partir dos eventos anteriores, venham contribuir não só para melhorar o nível de conscientização sobre os benefícios socioambientais que podem ser obtidos por meio da adoção das BPMs pelos aqüicultores e demais integrantes da cadeia produtiva da aqüicultura na região Amazônica, como também seja uma excelente oportunidade para o intercâmbio de informações entre os diversos pesquisadores de renome nacional e internacional e estudantes, oriundos de cursos de graduação e pós-graduação localizados na região Amazônica. Além deles, espera-se a presença de piscicultores, fabricantes de ração e outros insumos, pesquisadores e professores de diferentes universidades e instituições de pesquisa públicas e privadas.

O evento conta ainda com a parceria da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (SEAP/PR), da Secretaria de Estado de Produção Rural do Amazonas (SEPROR/AM), do Pond Dynamics Aquaculture Collaborative Research Support Program (PD/A CRSP) e do Programa Cooperativo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Agrícola para os Trópicos Sul-Americanos (PROCITROPICOS). O financiamento do evento está a cargo da Secretaria de Estado de Ciência Tecnologia (SECT/AM), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Petrobras, além do apoio da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e da UEA.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas no INPA pelos e-mails alzira@inpa.gov.br ou leem@inpa.gov.br. Os valores são de R$ 10,00 (estudantes de graduação), R$ 20,00 (estudantes de pós-graduação) e R$ 30,00 (profissionais). Informações complementares podem ser obtidas pelo telefone (92) 3643-3191.

Site do INPA: http://www.inpa.gov.br/noticia_sgno.php?codigo=432

Aqüicultura e sua contribuição para a produção de pescado

No decorrer dos últimos anos a aqüicultura vem contribuindo com uma parcela cada vez mais significativa para a produção de pescado mundial. De acordo com as estatísticas da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), 38% da produção de pescado mundial em 2004 foram oriundos da aqüicultura. A maioria das autoridades envolvidas com essas avaliações concorda que a aqüicultura continuará a crescer em relação à captura pesqueira. O uso da terra, água, energia, farinha de peixe e de outros recursos pela aqüicultura também está aumentando em um ritmo acelerado, o que poderá acarretar uma série de impactos ambientais.

Diante disso, confirma Queiroz, diversas ONGs ligadas ao meio ambiente têm demonstrado uma preocupação muito grande com relação à eficiência do uso dos recursos naturais pela aqüicultura, e também sobre os efeitos da aqüicultura sobre o meio ambiente .O pesquisador contrapõe dizendo que “há um consenso geral, mais evidente nos últimos anos, entre os especialistas que atuam na área de aqüicultura de que o cultivo da maioria das espécies aquáticas está sendo conduzido de uma forma mais responsável, sem causar muitos danos ao meio ambiente”. Entretanto, o pesquisador afirma que a maioria dos ambientalistas mantém a idéia de que os programas para a aqüicultura responsável estão apenas começando a ser adotados pelos produtores, e que ainda resta muito para ser feito.

Do outro lado da questão, os consumidores também estão ficando cada vez mais atentos, e muitos deles estão procurando alimentos produzidos por meio de métodos ambientalmente mais responsáveis. Segundo o professor Claude E. Boyd, da Universidade de Auburn, no Alabama, um dos participantes do Workshop, “em resposta a estas preocupações os EUA e muitos países aumentaram a quantidade de regulamentações ambientais para a instalação e funcionamento de diversos projetos de aqüicultura, a tal ponto que alguns produtores estão voluntariamente adotando práticas consideradas ambientalmente mais responsáveis e algumas organizações já estão testando programas de certificação com vistas à emissão de rótulos verdes, os chamados eco-labels”, explica ele.

O Pond Dynamics Aquaculture Collaborative Research Support Program – PD/A CRSP, é um Projeto Internacional, coordenado pela Universidade de Oregon, que estuda a dinâmica dos viveiros de aqüicultura, e tem liderado esse tipo de atividade a fim de promover o desenvolvimento da aqüicultura de forma ambientalmente responsável e sustentável. Pensando nisso, o professor Boyd conduz vários projetos com a intenção de melhorar o desempenho ambiental da aqüicultura por meio de estudos sobre o manejo dos sedimentos do fundo de viveiros e da qualidade da água em diversos países, como por exemplo, na Tailândia, na África do Sul, e também no Brasil, além de participar de várias pesquisas relacionadas com o manejo alimentar no cultivo de peixes e no desenvolvimento de diretrizes gerais para preparação das Boas Práticas de Manejo.

“Nesse sentido, um dos objetivos principais deste Workshop Internacional é repassar os conhecimentos adquiridos pelo professor Boyd e seus colaboradores nacionais, como Embrapa, INPA, Unesp, USP/Esalq, etc. e internacionais sobre o desenvolvimento de BPMs para pesquisadores, extensionistas, estudantes, piscicultores e para todos aqueles envolvidos com a cadeia produtiva da aqüicultura praticada na região Amazônica”, enfatiza Queiroz. Ele destaca que esses conhecimentos podem ser formatados como um conjunto de BPMs para facilitar a sua apresentação e implementação pelos produtores locais.

BPMs já estão sendo adotadas

Segundo pesquisas já realizadas, os efluentes e outros tipos de descarga gerados pelos sistemas de produção aqüícola podem causar poluição nos corpos de água receptores. Queiroz diz que os problemas mais comuns são a eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes que leva à proliferação excessiva de algas, que ao entrarem em decomposição comprometem diretamente a qualidade da água; e o aumento da turbidez, devido ao acúmulo e à sedimentação de sólidos em suspensão. “A adoção das Boas Práticas melhora a qualidade da água e dos sedimentos do fundo, reduzindo dessa forma o potencial de poluição dos viveiros”, salienta o pesquisador.

Como boas práticas os produtores devem, na medida do possível, segundo ele, reutilizar a água dos viveiros de produção de modo a diminuir as drenagens. Além disso, os efluentes também podem passar através de uma bacia de sedimentação para remover as partículas mais grosseiras contidas nos sólidos em suspensão de forma a evitar o acúmulo desse material nos corpos de água adjacentes aos viveiros de produção. “A adoção das BPMs também se constituí em uma ação pró-ativa que demonstra que o produtor está agindo com responsabilidade ambiental. Pode ser considerada ainda como uma forma de atender as regulamentações ambientais e os padrões de certificação”, salienta Queiroz.

De acordo com vários especialistas e gerentes de alguns projetos localizados na região amazônica acredita-se que a adoção das BPMs poderá melhorar não só percepção do consumidor com relação ao aprimoramento do manejo sócio ambiental dos seus sistemas de produção, como também, poderá agregar valor aos peixes produzidos pelos diversos sistemas de produção localizados na região. “Com a presença praticamente certa de alguns líderes da cadeia produtiva da aqüicultura no Workshop, eles terão um papel fundamental para transferir essas informações para o setor privado”, reafirma Queiroz. Segundo ele, a disseminação da informação deverá aumentar em grande escala as perspectivas para o desenvolvimento de um conjunto de BPMs para adoção em escala internacional na bacia Amazônica.

O pesquisador da Embrapa Meio Ambiente salienta que nos últimos anos vários esforços têm sido feitos pelos pesquisadores do PD/A CRSP em todo o mundo para otimizar o desempenho sócio ambiental da aqüicultura, “de forma que o Workshop será uma oportunidade única para os pesquisadores e produtores locais tomarem conhecimento dos últimos avanços nessa área”, diz ele. Além disso, como conseqüência desse Workshop, o interesse para elaborar um conjunto de BPMs para toda a região Amazônica será bem maior, sendo que os professores Claude Boyd e Chhorn Lim já sinalizaram que terão grande interesse em colaborar nesse sentido, assim como, a direção das instituições envolvidas na organização do evento.

Eliana Lima
Embrapa Meio Ambiente