21 abril 2007

Fóssil de minicrocodilo de é encontrado em SP

Agência EFE

Um grupo de paleontólogos brasileiros apresentou nesta terça-feira o fóssil de uma nova espécie de crocodilo, de 90 milhões de anos, que foi descoberto na região de Marília, no estado de São Paulo. Os restos muito bem preservados do Adamantinasuchus navae foram encontrados durante as obras de construção de uma represa, a 432 quilômetros da capital.

Segundo o paleontólogo William Nava, a descoberta é de suma importância pois revela aspectos da evolução dos crocodilomorfos e os fenômenos de extinção que ocorreram no Período Cretáceo no sudeste do Brasil. Com características anatômicas até então desconhecidas pela ciência, o novo fóssil possibilita ainda estudos científicos comparativos deste grupo no mundo e, principalmente, na América do Sul.

O estudo da nova espécie de crocodilo foi desenvolvido pelos professores Pedro Henrique Nobre e Ismar de Souza Carvalho, do Departamento de Geologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e publicado na revista científica "Gondwana Research". Segundo os pesquisadores, entre as peculiaridades do animal estão o seu tamanho reduzido - não mais de 50 centímetros -, seus olhos grandes e os seus dentes "molarizados" - que lembram os dos mamíferos e sugerem uma dieta incluindo carne e plantas.

"Esta nova espécie de crocodilo era muito diferente dos crocodilos e distinto de los cocodrilos conhecidos até agora: era terrestre, onívoro, vivia em ambientes secos e vivia em grupos", explicou Ismar.

Segundo o estudo, o Adamantinasuchus navae vivia em áreas quentes, com secas prolongadas. "Acreditamos que a espécie desapareceu após a abertura do Oceano Atlântico, a separação dos continentes e a humidificação do clima na América do Sul".

Estrume de cavalo é usado para gerar energia

Da Agência Brasil

Brasília - As cinco toneladas de estrume produzido pelos cavalos do 1º Regimento de Cavalaria de Guarda (RCG), em Brasília, têm um novo destino: gerar energia e fertilizante. Foi inaugurada esta semana a Central de Produção de Biogás a partir dos dejetos dos cavalos. A central é formada por dois biodigestores, um misturador e um motor que gera a energia elétrica.

O gerador é movido a gás metano, o mesmo que compõe o gás natural. Ele é liberado do estrume, depois de este ser misturado a água, agitado até adquirir uma consistência pastosa e ser armazenado nos biodigestores para fermentar. Nesse processo, também é liberado um líquido, que serve como fertilizante e pode ser usado nas plantações e nos campos de pólo do regimento.

Numa primeira fase do projeto, a expectativa é que a energia gerada ilumine o regimento durante a noite. "Tendo em vista a economia de luz a gente mantinha o mínimo necessário; com isso eu posso manter todas as luzes acesas, aumentando a segurança do regimento", afirma o comandante, coronel Souto Martins.

A economia na conta de energia pode chegar a até 20% dos R$ 16 mil que são gastos mensalmente na unidade. Numa segunda etapa do programa, a produção de gás pode abastecer o regimento também durante o dia, gerando uma economia de luz maior. O coronel diz que existe a esperança de o regimento, "no futuro, não precise de energia da CEB (Companhia de Energia de Brasília)".

O uso do biogás liberado pelo estrume de animais nos biodigestores gera uma energia limpa e renovável. A diretora do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e energia (MME), Laura Porto, ressalta que isso colabora para a redução no lançamento de gases que causam efeito estufa (o metano é um desses gases), além de evitar que o estrume contamine os lençóis freáticos. Ela diz que "um projeto desse está totalmente alinhado com os princípios do desenvolvimento sustentável". "A gente pensa que é um projeto pequeno, de uso local, mas o efeito dele é global, e é esse o conceito do desenvolvimento sustentável", acrescenta a diretora.

Esse tipo de trabalho não é totalmente novo. Estados como o Paraná, o Tocantins e o Ceará já utilizam biodigestores para produzir gás a partir de excrementos de suínos, aves e caprinos. No entanto, essa é a primeira vez que a tecnologia é adaptada para o estrume de eqüinos.

O projeto dos biodigestores foi desenvolvido por uma parceria entre o Ministério de Minas e Energia, o Exército e o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC), um laboratório ligado à Universidade Federal do Paraná (UFPR). Existe a expectativa, do ministério e do Exército, de que essa experiência possa ser repetida em outros lugares. "Já está tendo um efeito positivo, mas vai ter muito mais quando for replicado em outras unidades do próprio exército ou no Brasil inteiro", afirma Laura Porto, do ministério.

20 abril 2007

Refinaria usará óleo de cozinha para produzir biodiesel

Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro

Cerca de 4,5 milhões de litros de óleo de cozinha usado deverão ser aproveitados na produção de biodiesel anualmente no estado do Rio de Janeiro. Um programa lançado nesta sexta-feira pela Refinaria de Manguinhos (privada) e pela Secretaria Estadual do Ambiente, prevê a coleta desse tipo de óleo junto a mais de 20 cooperativas de catadores de material reciclado para a produção de biocombustível.

O óleo será recolhido de restaurantes, hotéis e condomínios residenciais e será encaminhado a Manguinhos, que pagará entre R$ 0,40 e R$ 0,60 por litro, dependendo da qualidade de produto. Para o vice-presidente da Federação das Cooperativas de Catadores, Jorge Nunes, essa é mais uma alternativa de renda para os catadores.

- Todas as cooperativas que coletam material reciclável hoje tem mais uma opção de coleta seletiva, que é o óleo reaproveitável. Com isso, as pessoas têm mais um item para emprego e renda -, destacou Nunes.

Segundo o diretor industrial de Manguinhos, Fernando César Barbosa, a idéia é misturar 10% do óleo de cozinha a 90% de óleo virgem, produzido a partir de vegetais como soja, mamona e girassol para produzir biodiesel na usina de biocombustíveis que será inaugurada em maio na Refinaria. Com isso, os 4,5 milhões de litros de óleo de cozinha deverão resultar na produção de 45 milhões de litros de biodiesel.

- O primeiro foco é social: vamos inserir novos catadores no circuito do biodiesel e eles vão receber para isso. O segundo foco é energético: vamos utilizar um produto que iria poluir em rios e lagoas em energia. E o terceiro é a questão ambiental, que é muito forte, porque vamos diminuindo o custo de tratamento de água da Companhia de Águas (Cedae) -, afirmou Barbosa.

De acordo com a Secretaria Estadual do Ambiente, essa é a primeira usina de biodiesel a operar no estado do Rio de Janeiro e a primeira, do Brasil, a utilizar óleo usado de cozinha na produção de biodiesel. O secretário Carlos Minc afirmou que o governo estadual quer incentivar a produção e utilização do biodiesel no estado.

- Já detectamos quatro áreas boas, no estado, para plantio de mamona, girassol e pinhão-manso [oleaginosas usadas na produção do biodiesel]. Outro ponto é que estamos em conversações com a Secretaria de Transportes e a Fetranspor [Federação de Empresas de Transportes de Passageiros do Estado] para ter uma mistura de 5% de biodiesel ao diesel dos ônibus e caminhões. O objetivo é o Rio sair na frente e ser a capital da ecologia -, disse Minc.

A legislação federal prevê que, a partir de janeiro de 2008, todo óleo diesel vendido em território nacional tenha a adição de 2% de biodiesel, que é um biocombustível obtido a partir da reação de óleos vegetais com uma pequena porcentagem de álcool.

19 abril 2007

Maior parte das termelétricas previstas pelo PAC funcionará com combustíveis poluentes

Por Wellton Máximo
Agência Brasil

Responsáveis por aproximadamente 25% dos 12.386 megawatts previstos para serem incluídos na geração de energia pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as termoelétricas terão a maior parte dos investimentos previstos até agora feita à custa de fontes consideradas poluidoras e caras. Dentro dessa modalidade de geração, os projetos do PAC se concentram em combustíveis fósseis, como óleo combustível, diesel e carvão.

Com base no relatório divulgado pelo governo federal no lançamento do PAC, em janeiro, além da lista da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sobre projetos em andamento, estima-se que as usinas térmicas sejam responsáveis por 2.890,5 megawatts, o que equivale a 23,3% da potência elétrica prevista no pacote de investimentos do governo federal. As hidrelétricas ficariam com 8.427,5 megawatts (68%) e as usinas eólicas – movidas a vento – seriam responsáveis por 1.068 megawatts (8,6%) da geração.

Apesar de as fontes limpas terem predominância nos projetos, são as fontes sujas que lideram os investimentos entre as termelétricas. O cruzamento do relatório do PAC e da lista da Aneel mostra que os projetos de usinas movidas a combustíveis fósseis representam por 57% das usinas termoelétricas.

O óleo combustível e o diesel respondem por 32,8% do potência elétrica das futuras usinas térmicas, e o carvão mineral, por 24,2%. O gás natural, combustível menos poluente, tem participação de 27,3% nesses projetos. Isso é pouco mais da metade da fatia de 48,1% que o gás natural tem na energia produzida pelas usinas térmicas em operação no país.

As usinas de bagaço de cana e de biomassa (movidas a combustíveis vegetais como restos de madeira e casca de arroz) representam, respectivamente, 10,8% e 4,9% da potência elétrica. Esses números estão próximos da participação atual dessas fontes nas termelétricas, que são de 11,9% e 4,6%.

Coordenador de Planejamento Energético da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, diz que a concentração dos investimentos das termelétricas em combustíveis fósseis ocorre por causa de um gargalo na produção de gás natural. "Atualmente, não existe gás natural suficiente para atender todas as termelétricas do país", ressalta.

Para Pinguelli, a estrutura de modelo para a produção do gás natural criou complicações. "A destinação de 30% do gás natural para consumidores intensivos dificulta o planejamento, porque a energia está nas mãos de poucos", avalia o especialista. "Como o gás natural ficou mais caro nos últimos tempos, por causa das pressões da Bolívia e do fim de subsídios de mercado, isso também inibe os investimentos."

Projeto Panamazônia mostra alteração na floresta desde a década de 1970

Ecopress com informações do Min de Ciência e Tecnologia

Imagens de satélites registradas por mais de três décadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCT) têm sido decisivas para avaliar o processo histórico de ocupação na Amazônia. O Brasil possui um dos acervos de imagens de satélites mais antigos do mundo, pois recebe os dados do Landsat desde 1973 através da estação do Inpe em Cuiabá (MT).

O satélite norte-americano foi lançado em 1972 e foi o primeiro equipamento orbital de sensoriamento remoto de recursos terrestres, sendo o Brasil o terceiro país a receber este tipo de imagem, depois apenas dos Estados Unidos e Canadá. A partir de 1999, com o lançamento do primeiro satélite da série CBERS, o País passou a contar também com os dados do sensor sino-brasileiro, que possui características semelhantes ao Landsat.

"Estes dados são fundamentais para estudar o espaço geoambiental da floresta tropical sul-americana. As imagens dos satélites Landsat 1, 2 e 3 gravadas exclusivamente sobre a Amazônia sul-americana pela estação brasileira no período de 1973 e 1987, integradas ao acervo já disponível das imagens CBERS, transformaram-se na "pedra de toque" para a compreensão do cenário das transformações na cobertura de florestas do domínio panamazônico nos últimos 35 anos", destaca Paulo Roberto Martini, coordenador do Projeto Panamazônia II no Inpe, que está mapeando mais de 7 milhões de quilômetros quadrados com imagens orbitais.

"Temos como paradigma os procedimentos estabelecidos pelos projetos Prodes e Deter, também do Inpe, porém com avanços significativos quanto à legenda", avalia.

A legenda dos mapas do Projeto Panamazônia II mostra, além do desflorestamento, as áreas de rebrota, de queimadas e, principalmente, as culturas agrícolas que estão avançando sobre as áreas desmatadas. Este processo de mapeamento utiliza imagens Modis calibradas geometricamente pelos mosaicos Geocover, produtos disponibilizados pela Nasa, a agência espacial norte-americana.

"O método tem como suporte a ferramenta Spring, desenvolvida pelo Inpe, na qual o procedimento de edição matricial permite a fotointerpretação no contexto digital, renovando a interatividade da inteligência com as imagens. E tudo isto se tornou possível na medida que as imagens mais antigas da Amazônia ficaram disponíveis", comenta Martini.

Como explica o coordenador do Panamazônia II, o mapeamento é feito por edição matricial com o software Sring das primeiras alterações da cobertura florestal amazônica na década de 1970, usando os registros dos bancos de dados georrefenciados. Em Sinop (MT), por exemplo, a partir dos arquivos digitais dos limites de estado e de município, fornecidos pelo IBGE, foram registradas imagens do acervo do Inpe do período 1973-2007. A interpretação desse banco permitiu estudar como a cobertura florestal original foi transformada em pastagens e culturas agrícolas ao longo do tempo.

Este método denominado de "panamazônico" está sendo levado para todo o domínio da floresta tropical sul-americana com o apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) do Ministério das Relações Exteriores e da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). A orientação técnica para agentes das instituições de pesquisas dos demais países amazônicos é feita por uma equipe de 12 pesquisadores da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe.

No exemplo referente ao município de Sinop, imagem do Sensor MSS-Varredor Multiespectral do satélite Landsat 1 obtida ao final da década de 1970 mostra quando as primeiras terras do norte do Mato Grosso tiveram sua cobertura florestal transformada em ambiente agrícola. As imagens seguintes do Mosaico Geocover (1990 e 2000), CCD/CBERS (2004) e Modis (2006) deixam clara toda a evolução do uso da terra na região onde a floresta foi sistematicamente substituída por cultura agrícola.

"O mapeamento destas modificações tem precisão cartográfica e ótima qualificação temática uma vez que os bancos são georreferenciados a partir dos pontos de controle extraídos de mosaico ortorretificado (Geocover), enquanto a fotointerpretação a nível digital é feita pelos especialistas do Inpe com toda a experiência acumulada nos últimos 30 anos pelos projetos Prodes e Deter", afirma Martini.

No XIII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto , que acontece de 21 a 26 deste mês, em Florianópolis (SC), o trabalho "Monitoramento do desflorestamento em escala global: uma proposta baseada nos projetos Prodes e Deter", que demonstra a metodologia desenvolvida para o Panamazônia, será apresentado em sessão técnica por Valdete Duarte, da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe.

A programação completa do evento está no site http://www.dsr.inpe.br/sbsr2007/

17 abril 2007

Setor de transportes deve piorar clima, segundo ONU

Rio - O aumento no fluxo de pessoas através de carros e aviões aumentará a emissão de gases do efeito estufa nas próximas décadas, afirmou o esboço da terceira parte do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre as mudanças climáticas, a ser divulgado em Bangcoc no dia 4 de maio.

O setor de transportes, em especial o de caminhões e carros, respondeu por 26% do total da energia usada pelo mundo em 2004. E, tornando improvável uma grande mudança nesse cenário, projeções falam em uma taxa de crescimento de 2% da energia por ano.

Em alguns países, como Estados Unidos, Itália e Austrália, há algo entre cinco e oito carros para cada dez habitantes - uma cifra de dez a 100 vezes maior que a registrada nos países em desenvolvimento.

O estudo prevê que o uso de biocombustíveis pode aumentar para 3% do total do combustível gasto no setor de transportes até 2030, ou até 10% se for imposta uma multa de US$ 25 por tonelada de dióxido de carbono (um gás do efeito estufa) emitida.

As informações são do Terra, com Agências