09 março 2007

BRASIL APÓIA A RESTRIÇÃO À PESCA DE ARRASTO EM GRANDE PROFUNDIDADES

ABC Digital

Brasília - O Brasil apóia o pedido de moratória à pesca de arrasto em grandes profundidades, principalmente por causa da fragilidade dos ambientes nos quais essa atividade é desenvolvida, segundo o diretor de Desenvolvimento da Pesca da Secretaria de Aqüicultura e Pesca (Seap), Luiz Eduardo Carvalho Bonilha.

Ele lembrou que essa é uma iniciativa que já está sendo discutida pelo Brasil e por outros países no âmbito internacional da Organização das Nações Unidas (ONU). “É um posicionamento que Seap tem com base nas próprias conferências nacionais de aqüicultura e pesca, que tiveram como diretrizes e recomendações que o arrasto profundo tem um limite e que se promovam, inclusive em águas internacionais, métodos de captura que não afetem a estrutura dos ecossistemas”, disse Bonilha, em entrevista à Agência Brasil.

Segundo o diretor, a discussão sobre a suspensão da pesca profunda é antiga e está cada vez mais ganhando espaço e colaboradores. Ele destaca que a pesca de arrasto destrói sistemas frágeis como recifes de corais de profundidade e campos de esponja: “Eles possuem milhares de anos de lento desenvolvimento e não agüentariam impactos de atos de pesca como a de arrasto, pouco seletiva e destruidora de ambientes”.

Luiz Eduardo Carvalho Bonilha informou que a Seap, o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama, responsável pela fiscalização da pesca) e a Marinha estão atuando juntos no combate à pesca ilegal. A partir deste ano, segundo ele, o governo retomará campanhas e antigos programas de fiscalização pesqueira que eram promovidos pela Marinha.

“Nós vamos resgatar isso, que foi uma experiência positiva do passado e vamos aplicar, novamente, dentro de uma forma integrada, no sentido de trabalhar nos grandes ciclos pesqueiros do Brasil, nas grandes safras, com atividades direcionadas para cada demanda”, disse Bonilha.

O aquecimento global é outro tema que tem preocupado biólogos, oceanógrafos e zoólogos, especialmente por causa das incertezas em relação aos impactos que serão causados. O diretor da Seap disse que ainda não foram traçadas tendências climáticas para os oceanos e bacias hidrográficas. “Mas, com certeza, as mudanças globais impactarão também a circulação global e a precipitação das grandes bacias hidrográficas.”

De acordo com Bonilha, é preciso discutir os reflexos dessas mudanças a longo prazo. Por essa razão, ele diz que é um avanço a realização do 1º Workshop Brasileiro sobre Modelagem de Ecossistemas Aplicada à Pesca.

No encontro, o biólogo pesqueiro Gonzalo Velasco Canziani, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), apresentou um estudo sobre o potencial pesqueiro na costa do Rio Grande do Sul, desenvolvido com o pesquisador Jorge Pablo Castello, da Fundação Universidade do Rio Grande (Furg).

Ele explica que a pesquisa teve por objetivo reunir informações sobre a área que vai do Cabo de Santa Marta Grande, localizado ao o sul de Santa Catarina, até o limite com o Uruguai, no Chuí e ordená-las de maneira a gerar um modelo de informações integradas sobre as potencialidades dos recursos pesqueiros. “É uma das áreas mais ricas em recursos pesqueiros e uma das mais exploradas também”, diz.

Segundo o biólogo, o modelo permite avaliar os impactos que a extração de um determinado recurso pesqueiro pode gerar nos demais setores do ecossistema onde ocorreu a retirada. Ele diz que a idéia é também monitorar a exploração abusiva de determinadas espécies de peixe. “Além de proteger a biodiversidade, também estamos protegendo a população humana que vive disso. Tudo é um grande sistema e o homem é parte dele.”

08 março 2007

Poluição contribui para desertificação

Contaminação reduz as chuvas nas montanhas das regiões semi-áridas. Falta de água causa mais secas do que o aquecimento global.

Da France Presse

A contaminação reduz as chuvas nas montanhas das regiões semi-áridas gerando um problema de escassez de água no Oriente Médio e em outras regiões do mundo, segundo investigadores israelenses e chineses que publicaram seu estudo nesta quinta-feira (08) nos Estados Unidos.

Para esses especialistas, a falta de água resultante da diminuição das chuvas é a causa da desertificação em algumas regiões e não a alta das temperaturas causadas pelo aquecimento global.

As precipitações médias no monte Hua, de 2.000 metros, situado no centro da China, diminuíram 20% nos últimos 50 anos, período durante o qual os níveis de contaminação atmosférica de origem humana aumentaram fortemente, segundo o professor Daniel Rosenfeld, da Universidade de Jerusalém, principal autor do estudo publicado pela revista "Science" de 9 de março.

A chuva diminuiu pela metade durante o dia, quando os aerossóis -- partículas de carbono e outras substâncias contaminantes que flutuam na atmosfera -- são mais densos, precisou. Este fenômeno se intensifica nas montanhas próximas a zonas muito povoadas, apesar de não serem afetadas pela contaminação.

O problema representa uma ameaça nas zonas em que as precipitações em regiões altas são uma parte importante do fornecimento de água, como o Oriente Médio, o sudoeste dos Estados Unidos e o centro e norte da China.

Chupim faz "chantagem" contra outros pássaros

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

Por que certos pássaros aceitam tomar conta de ovos e filhotes de outros? Por causa do comportamento mafioso de aves que forçam os outros a aceitarem seus ovos, sob pena de terem seus ninhos, ovos e ninhadas totalmente destruídos.

Essa prática de chantagem foi revelada em um novo estudo sobre o chupim-cabeça-castanha (Molothrus ater), típico da América do Norte. Jeffrey Hoover, do Serviço de História Natural de Illinois, e Scott Robinson, da Universidade da Flórida, testaram o comportamento das aves e publicam o resultado hoje na revista "PNAS" (www.pnas.org), da Academia de Ciências dos EUA.

Eles criaram ninhos à prova de predadores para os "parasitados", aves da espécie Protonotaria citrea (nome popular mariquita-de-garganta-preta).

Mais de 95% dos ninhos tiveram ninhadas, com ou sem ovos dos "parasitas" chupins. Mas, em 2002, ao retirarem os ovos dos chupins para outro estudo, os pesquisadores viram que apenas 60% dos ninhos eram bem-sucedidos.

Para demonstrar a retaliação, um novo experimento foi feito. Os pesquisadores quantificaram a depredação em 56% dos ninhos que ficaram sem os ovos dos chupins, contra apenas 6% dos ninhos que aceitaram os ovos intrusos.

"Os comportamentos que nós documentamos são provavelmente uma extensão de comportamentos que os chupins já possuem", disse Hoover à Folha. "Sabe-se que os chupins monitoram ninhos para saber onde colocar seus ovos. Também se sabe que eles removem um ovo antes de colocarem o seu".

Isto é, o comportamento mafioso -- palavra usada sem aspas no artigo científico -- evoluiu da monitoração de ninhos. A intimidação funciona. Mariquitas que se rendem têm prole maior, indicando que o fenômeno deve continuar, apesar de colocar em risco a população da espécie a longo prazo.

Aquecimento já afeta chuvas do Sudeste do Brasil, diz climatologista

DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online

O climatologista Carlos Nobre, do Centro de Pesquisa do Tempo e Estudos Climáticos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), afirmou na sabatina da Folha desta terça-feira (6) que as conseqüências da emissão de gases do efeito estufa já podem ser avaliadas na região Sudeste do Brasil.

A sabatina, que ocorre Teatro Folha, no Shopping Pátio Higienópolis, inaugura o ciclo de 2007 e conta com a presença de Marcelo Leite, colunista da Folha, Claudio Angelo, editor de Ciência, Sérgio Malbergier, editor de Dinheiro, e José Eli da Veiga, coordenador do Núcleo de Economia Socioambiental da USP.

"O que já está acontecendo hoje é que essa chuva está vindo na forma de pancadas intensas. Numa análise qualitativa, temos menos episódios de chuvas, mas com maior intensidade", explica Nobre. Segundo ele, teremos mais chances de desabamentos de encostas.

"Para agricultura, isso é péssimo, já que ela necessita de chuva mais leve e constante", analisou. O quadro ficaria ainda mais alarmante, segundo Nobre, por conta da falta de estudos nesse sentido. "A falta de estudos científicos rigorosos sobre recursos hídricos nos impede a pensar seriamente sobre uma adaptação."

Para ele, "o Brasil continuará habitável" nas próximas décadas, apesar do aumento da temperatura. "As condições podem piorar, as populações mais pobres vão sofrer mais, mas o Brasil continuará habitável", disse, destacando que não necessariamente o termo habitável seja algo otimista.

IPCC

Nobre é presidente do Comitê Científico do Programa Internacional da Geosfera-Biosfera (IGBP) e membro do Grupo de Trabalho 2 do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), cujo relatório sobre impactos e vulnerabilidades à mudança climática será lançado em abril.

O IPCC é a mais alta autoridade do mundo sobre aquecimento global. Foi criado em 1988 para avaliar as informações científicas disponíveis a respeito de mudanças climáticas.

O estudo do Grupo de Trabalho 1 do IPCC deixou claro que a culpa pelo aquecimento global é mesmo da humanidade e que as conseqüências serão sentidas de qualquer forma, não importa o que façamos a partir de agora. É justamente esse estudo sobre os impactos prováveis da mudança climática que será divulgado pelo Grupo de Trabalho 2 do IPCC, do qual faz parte Carlos Nobre.

Poluição aumenta hospitalizações em Hong Kong, diz estudo

da Efe, em Hong Kong

Um estudo da Universidade da China relacionou pela primeira vez a poluição ambiental de Hong Kong com o aumento de hospitalizações, principalmente de fumantes, por problemas respiratórios, informa hoje a imprensa local.

Segundo os médicos, a obstrução pulmonar crônica, uma combinação de bronquite e enfisema, é a quinta maior causa de morte na ex-colônia britânica. "Os números mostram que o ozônio tem o maior impacto entre os cinco maiores poluentes ambientais", comentou a professora Fanny Ko, em entrevista ao jornal "The Standard".

No entanto, "o mais preocupante é o nível de poluentes ambientais (ozônio, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e partículas respiráveis em suspensão, PM10 e PM2,5), além dos padrões de 2005 da Organização Mundial da Saúde (OMS)".

A concentração de dióxido de nitrogênio no inverno em Hong Kong foi de 52,32 miligramas por metro cúbico. A OMS calcula que o máximo saudável é de 40. As partículas PM10 ficaram em 67,8 miligramas por metros cúbicos, acima dos 50 tolerados pela OMS.

O estudo mostrou que entre 2000 e 2004 a baixa temperatura na cidade, aliada a uma maior concentração de poluentes, aumentou o número de hospitalizações. A maioria dos pacientes tinha um histórico de fumante.

A OMS calcula que a poluição do ar causa 2 milhões de mortes prematuras por ano no mundo todo.

Banco quer financiar gado na Amazônia

EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

A diretoria da IFC (Corporação Financeira Internacional, na sigla inglesa), o braço do Banco Mundial que financia a iniciativa privada, decidirá amanhã se aprova um empréstimo no valor de US$ 90 milhões para o Grupo Bertin, maior exportador de carne do Brasil. Os recursos serão investidos em matadouros e curtumes, alguns deles na Amazônia.

Parte do empréstimo será aplicado na expansão das instalações do grupo na região de Marabá (PA). Ali, a capacidade de abate seria ampliada das atuais 250 mil cabeças de gado por ano para 500 mil até 2009. Há também investimentos previstos em Redenção e Conceição do Araguaia (PA), em Cacoal (RO) e em Água Boa (MT).

O plano vem gerando protestos de ambientalistas. Segundo eles, o apoio a projetos de pecuária --maior vetor de desmatamento na região amazônica-- vai contra as diretrizes do próprio Banco Mundial e aumentará a pressão sobre a floresta.

As ONGs argumentam ainda que não foram feitos estudos de impacto ambiental em todas as regiões, e que a IFC já cometeu erros.

"Na verdade, na região de Marabá, o ideal seria cortar em dois terços o rebanho e não expandi-lo, como pretende o projeto", disse à Folha Roberto Smeraldi, presidente do Fórum Brasileiro das ONGs. As contas do grupo estão baseadas em relatório feito a pedido da IFC.

O estudo foi produzido pela empresa de consultoria Arcadis, com base em dois cenários. Em um deles, a área desmatada cresce em 10%. No outro, a área usada atualmente fica saturada em 2010. Ou seja, não caberá mais boi na região.

"O próprio estudo feito previamente diz que a área usada pelo rebanho dos fornecedores do Grupo Bertin é de 84.000 km2. Mas boa parte dela foi desmatada de forma ilegal. O correto, para cumprir a lei, seria que essa ocupação fosse reduzida para 31.000 km 2", diz o ambientalista.

Procurado pela Folha, o Grupo Bertin não quis comentar as contas feitas pelas ONGs. A empresa disse que todos os questionamentos deveriam ser feitos à IFC, que é responsável pela avaliação do projeto.

A IFC disse que o incremento na produção não se dará às expensas da floresta. Seus técnicos dizem acreditar que técnicas modernas de produção podem aumentar o número de animais por hectare na região de 1,2 para até 1,56.

A IFC, que está há dois anos avaliando o pedido de empréstimo do Grupo Bertin, também informou que a empresa brasileira terá de cumprir uma série de exigências e implementar um projeto gradual para a produção sustentável na cadeia de suprimento de carne e couro em sua unidade de Marabá.

O principal objetivo dessa medida é tentar resolver, pelo menos entre os fornecedores do grupo, a polêmica questão da posse da terra na região. Em um prazo de dois anos, vários documentos serão exigidos para as propriedades que quiserem vender gado para o grupo.

Essa política de compra prevê ainda que a Bertin não comprará gado de qualquer fornecedor que esteja condenado por grilagem de terra em Marabá. Isso passa a valer no terceiro mês do contrato.

"É bem pouco provável que exista alguma condenação. Além disso, seria interessante que isso fosse verificado também em outras regiões da Amazônia e não apenas em Marabá", explica Smeraldi. "Se essas prática legais fossem implementadas imediatamente, e não daqui a dois anos, provavelmente não teria ninguém para vender gado hoje."

O projeto divide até mesmo os ambientalistas. Para o ecólogo Daniel Nepstad, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), ele representa uma boa oportunidade de legalizar o setor ganadeiro --que não vai desaparecer da Amazônia. "O que a gente mais precisa na Amazônia é de frigoríficos que cobram boas práticas de seus fornecedores e pagam por isso."

Rio de Janeiro fecha acordo para diminuir emissão de gases do efeito estufa

JANAINA LAGE
da Folha de S.Paulo, no Rio

O governo do Rio assinou ontem o primeiro acordo de um Estado brasileiro com o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc, o Rio foi também o primeiro a aderir à nova campanha do Pnuma para o plantio de 1 bilhão de árvores no planeta.

O acordo permitirá ao Estado fazer um balanço das emissões da indústria, dos transportes e da agricultura, além de ajudar a criar de um plano de redução.

"Queremos acabar com as queimadas de cana e mudar os combustíveis dos ônibus, já que o diesel é muito poluente", disse Minc, que diz querer combater também as emissões dos 80 lixões do Estado do Rio.

O protocolo de cooperação inclui o auxílio para o desenho de estratégias institucionais para reduzir emissões, a produção de indicadores confiáveis e as informações necessárias para a formulação de políticas públicas. O prazo de vigência do protocolo é de 24 meses, mas ele pode ser prorrogado.

O Rio deve implementar um programa de reflorestamento que prevê o plantio de 10 milhões de árvores. Segundo Minc, a Petrobras se comprometeu a plantar 3,6 milhões delas ao redor do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

O governo estadual plantará 2 milhões em torno do Arco Rodoviário e 1 milhão às margens do rio Guandu. A Vale do Rio Doce plantará 1 milhão de mudas na Ilha Grande.

Apesar de não envolver grande troca de recursos, Minc diz que o protocolo de cooperação ajuda o Rio a economizar. "Há recursos por meio de acesso a softwares e técnicos. Sem esse apoio, gastaríamos uma fortuna para o balanço de emissões, o plano de redução e medidas de mitigação de emissões".

O diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, presente à assinatura do acordo, afirmou que o país está descobrindo que o problema das mudanças climáticas não se restringe apenas à Europa e aos Estados Unidos.

Ele destacou ainda que a economia deverá ser afetada pelas questões climáticas, mas que ainda é difícil prever seus efeitos. Segundo ele, o Brasil ocupa uma posição-chave para influenciar o restante do mundo.

IPCC no Rio

Quinze anos depois de reunir representantes de diversos países para discutir a questão ambiental durante a Eco-92, o Rio vai sediar a divulgação da última parte do quarto relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática), em outubro, disse Minc.

Trata-se de um relatório-síntese, que inclui dados sobre vulnerabilidade e mitigação.

Nasce primeiro elefante asiático fruto de inseminação artificial

da Efe, em Bangcoc

Uma equipe de veterinários anunciou hoje o nascimento, na Tailândia, do primeiro elefante asiático gerado por inseminação artificial, método que, segundo os médicos, ajudará a manter viva a espécie, ameaçada de extinção.

O filhote, um macho de 100 quilos, nasceu na noite de quarta-feira no hospital do Centro para a Preservação de Elefantes da cidade de Lampang, cerca de 700 quilômetros ao norte de Bangcoc.

O chefe da equipe de veterinários, Sitthidej Mahasawangkul, disse que o animal está saudável e que já começou a andar. A mãe, inseminada na clínica em 10 de junho, também passa bem, indica o centro em comunicado.

A inseminação artificial foi realizada com um método parecido com o que foi utilizado em Israel por uma equipe de veterinários para engravidar 11 elefantas.

Até a primeira gravidez de uma elefanta por inseminação artificial ser confirmada, os veterinários do centro de Lampang tentaram vários métodos de inseminação que não deram resultados.

Segundo o veterinário-chefe, o sucesso da experiência possibilita o aumento do número de elefantes e a melhora dos genes dos paquidermes da Tailândia, onde, segundo estimativas, há apenas 5 mil animais vivos, sendo que a metade foi domesticada.

05 março 2007

Polícia prende 25 traficantes de madeira no Pará

da Folha de S.Paulo

A Polícia Federal, com a ajuda do Ibama, desmantelou ontem uma quadrilha de tráfico de madeira ilegal no Pará. Após sete meses de investigação, a operação terminou com 25 pessoas pessoas presas, nove das quais funcionários públicos.

Em troca de dinheiro, integrantes da secretaria da Fazenda falsificavam notas fiscais, enquanto outros do Ibama liberavam autorizações de transporte para madeireiras fantasmas, diz a PF.

Brasileiros vão mapear "radiador" polar

CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo

O aquecimento global pode estar enguiçando o principal "radiador" do hemisfério Sul. Cientistas brasileiros descobriram indícios de que as correntes de convecção do oceano Austral, que dissipam o calor da região, estão sendo afetadas pelo derretimento de geleiras na península Antártica. No próximo verão, eles partem para o continente gelado para investigar a extensão desse dano.

O projeto, liderado por oceanógrafos do Rio Grande do Sul, é um dos sete estudos brasileiros em colaboração com grupos de outros países que integram a participação do país no Ano Polar Internacional (API).

O grupo coordenado por Carlos Alberto Eiras Garcia, da Furg (Fundação Universidade do Rio Grande), vai examinar o estado de saúde da chamada circulação termohalina austral. Ela consiste em um cinturão de correntes oceânicas que ajudam a manter o equilíbrio climático do planeta.

Esse radiador colossal funciona da seguinte forma: correntes quentes trazem o calor da zona equatorial atlântica para o pólo, dissipando-o no caminho. Na Antártida --mais especificamente no mar de Weddell-- essas correntes resfriam e ficam mais salgadas. Isso aumenta sua densidade e faz com que elas afundem, formando correntes frias submarinas que sobem rumo à América do Sul, como a das Malvinas.

Além de dissipar o calor, a corrente submarina traz um bônus para a América do Sul: nutrientes do fundo do oceano para o mar argentino. "É por isso que o litoral gaúcho é o mais rico [em peixe] do país", disse Eiras Garcia à Folha. Quem aprecia os congros da Argentina sabe do que ele está falando.

Acontece que, para se manter, esse cinturão de convecção precisa da diferença de densidade. E o degelo na península Antártica, uma das regiões do planeta que mais esquentaram nos últimos 50 anos, pode estar acabando com ela, ao jogar mais água doce no oceano Austral. Com salinidade diminuída, a corrente deixa de afundar.

Garcia e seus colegas vão navegar no mar de Weddel em busca desses pontos de afundamento, para determinar o estado de saúde da corrente.

O prognóstico, porém, é pessimista: estudos anteriores já detectaram que as águas de fundo do estreito de Bransfield (oeste da península), já estão mais quentes e menos salgadas.

ONU sugere fim de construções no nível do mar

da BBC Brasil

As construções em áreas costeiras a menos de um metro do nível da maré alta deveriam ser interrompidas como medida para evitar os possíveis efeitos da elevação do nível do mar provocada pelo aquecimento global.

A recomendação foi feita em um relatório da Fundação das Nações Unidas, elaborado por um painel de 18 cientistas de 11 países para analisar as maneiras de evitar e contornar os efeitos das mudanças climáticas.

A Fundação das Nações Unidas é uma organização criada em 1998 com doações privadas para financiar causas e programas da ONU.

O documento foi preparado para ser apresentado oficialmente durante a 15ª sessão da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que acontece entre 30 de abril e 11 de maio.

Recomendações

O pedido da suspensão das construções em áreas passíveis de alagamento no caso de elevação do nível do mar é uma das recomendações feitas pelo painel para implementação "imediata" e que podem retardar ou mitigar os efeitos do aquecimento global.

Segundo o documento, as suas conclusões visam "moderar a mudança climática e ao mesmo tempo mover o mundo em direção a um caminho energético futuro mais sustentável".

O relatório, intitulado "Confrontando as Mudanças Climáticas: Evitando o inadministrável e administrando o inevitável", sugere, por exemplo, uma maior eficiência no setor de transportes por meio de medidas como padrões de eficiência, taxação de combustíveis, incentivo a combustíveis alternativos e expansão e melhoria do transporte público.

Os especialistas também pedem códigos de construção voltados à proteção ambiental, a expansão do uso de biocombustíveis, programas de reflorestamento e o desenvolvimento de sistemas de previsão de desastres climáticos, entre outras coisas.

"Impactos intoleráveis"

O relatório, que foi resultado de dois anos de análises, observa que as temperaturas globais já aumentaram 0,8ºC acima dos níveis da era pré-industrial e podem aumentar entre 3ºC e 5ºC até 2100 se nada for feito.

Os especialistas dizem que, para evitar "impactos intoleráveis sobre os seres humanos", os governos deveriam tentar limitar esse aumento a algo entre 2ºC e 2,5ºC.

Para isso, segundo eles, é necessário "um rápido sucesso na redução das emissões globais de metano e fuligem" e que o nível de emissões de dióxido de carbono se mantenha estável até 2020 para então iniciar uma queda para não mais de um terço do nível atual até 2100.

O novo relatório foi concluído apenas um mês após outro relatório da ONU sobre o tema, preparado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) e que culpava a ação do homem pelo aquecimento global e previa um cenário de catástrofe ambiental.

A segunda parte do relatório do IPCC deve ser divulgada no começo de abril.

"O Atlas da Água" mapeia recurso mais precioso do planeta

da Folha Online

Mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Até o final do século, 3,2 bilhões sofrerão com escassez. No mundo todo, estima-se que 1,7 milhão de mortes anuais sejam causadas pelas águas poluídas, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). E a poluição tende a crescer.

O quadro de urgência torna imprescindível que se comece a pensar em soluções para garantir às próximas gerações o acesso a este recurso. Para tanto, a Publifolha lança no Brasil o livro "O Atlas da Água", de Robin Clark em parceria com a pesquisadora Jannet King, que trabalhou durante muitos anos em edição e pesquisa de atlas ambientais, políticos e históricos.

Com informações de 168 países e 33 mapas com a distribuição dos recursos hídricos no mundo, o livro aborda temas como escassez de água, energia, exploração de águas subterrâneas, secas e inundações, conflitos comerciais, contaminação e doenças, saneamento básico, desperdício, entre outros.

Além dos mapas com a distribuição das águas em todo o mundo e páginas com mapas exclusivos sobre o panorama brasileiro, a obra mostra tabelas que detalham usos e abusos, necessidades e recursos, com dados de inúmeros países.

Robin Clarke escreveu diversos livros sobre o ambiente, entre os quais destacam-se "Water: The International Crisis" e "The Science of War and Peace". Como editor, assinou os títulos "Global Environment Outlook 2000" e "Global Environment Outlook 2002".

"O Atlas da Água"
Autor: Robin Clarke e Jannet King
Editora: Publifolha
Páginas: 128
Quanto: R$ 31,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha.

Avanço do mar ameaça 42 milhões de pessoas no Brasil

HUMBERTO MEDINA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

CLAUDIO ANGELO
Editor de Ciência da Folha de S.Paulo

A elevação no nível dos mares decorrente do aquecimento global poderá potencialmente afetar, até o final deste século, até 42 milhões de pessoas que habitam cidades litorâneas no Brasil. Por conta do calor, casos de doenças como febre amarela, malária e dengue devem aumentar. A Amazônia pode esquentar até 8C, com vastas porções de floresta cedendo lugar a uma vegetação semelhante ao cerrado.

Essas são as projeções mais pessimistas dos estudos divulgados ontem pelo Ministério do Meio Ambiente sobre os impactos da mudança climática no país. Oito pesquisas mapearam os efeitos do aumento da temperatura, usando desde dados atualizados do último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) até maquetes da baixada Santista para projetar o efeito da elevação do nível do mar.

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) defendeu que o governo federal prepare um plano de ação para adaptar o país à nova realidade climática -- irreversível, segundo o próprio governo, mas variável em sua intensidade.

"O processo que se avizinha é avassalador, é altamente preocupante", disse a ministra Marina Silva. "Defendo que o governo tenha um plano nacional, como foi feito para conter o desmatamento na Amazônia."

Segundo o secretário de Biodiversidade e Florestas do ministério, João Paulo Capobianco, o MMA "já tem uma proposta" de um plano de ação contra as mudanças climáticas, que depende de negociação com outros ministérios. Ela poderá ser apresentada "em três ou quatro meses", afirmou.

Um plano contra a mudança climática incluiria tanto ações de adaptação (como mudar o zoneamento em cidades litorâneas para evitar o avanço do mar) quanto de mitigação. O Meio Ambiente vê a redução do desmatamento amazônico como principal ação de mitigação.

"O Brasil tem uma janela de oportunidade para enfrentar o problema. Tem uma matriz energética limpa e a maioria de suas emissões é por desmatamento, que é algo que governo e sociedade já estão combatendo", disse Capobianco à Folha.

O ministério, no entanto, fez ressalvas ao resultado dos estudos. Para o governo, as conclusões "devem ser vistas como indicadores, não como fatos consumados". Por isso, seria preciso fazer mais pesquisas e melhorar as metodologias usadas, que tiveram falhas e levaram a resultados divergentes.

Além disso, o governo acredita que é preciso levar em conta a possibilidade de as políticas ambientais melhorarem anulando as previsões.

Encomenda

Os estudos divulgados ontem foram feitos por universidades e entidades de pesquisa contratadas pelo ministério em 2004. O objetivo da contratação (R$ 1 milhão, com financiamento de várias entidades, como Banco Mundial), segundo o ministério, é preparar o governo para lidar com o efeito estufa.

O único estudo divulgado na íntegra no site do MMA (www.mma. gov.br) foi realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Ele considerou itens como chuvas, temperatura, vazão de rios e extremos climáticos. Com base nesses itens, foram montados dois cenários: um "absolutamente otimista" e outro "totalmente pessimista".

De acordo com o estudo, o aumento médio da temperatura no Brasil pode chegar a 4C acima da média verificada em 1961. A temperatura média do país chegara a 28,9C (cenário pessimista) ou 26,3C (cenário otimista) em 2100.

A redução da quantidade de chuvas afetaria principalmente a região leste da Amazônia. Para o Sudeste e no Centro-Oeste, a pesquisa apontou também a possibilidade de aumento de "extremos do clima", como ondas de calor e chuvas intensas.

No estudo, o climatologista José Marengo usou um modelo climático regional recém-desenvolvido pelo Inpe. O modelo é um programa de computador que simula condições futuras após ser alimentado com dados como temperatura e concentração de gases-estufa.

O novo modelo "enxerga" a região com mais detalhe (dividindo-a em células de até 40 km) que os modelos usados pelo IPCC, chamados GCMs ou modelos de circulação global (com células de 200 km).

Como o clima é global, o modelo regional precisou ser unido a GCMs. E aqui entrou uma segunda inovação no estudo: juntar o modelo do Inpe aos cinco principais modelos usados pelo IPCC, o que aumenta a confiabilidade dos resultados.

Segundo Marengo, o que elevará a média das temperatura na Amazônia não é o aumento nos extremos, mas sim uma rotina quente. "As temperaturas de 40C ocorrem agora com pouca freqüência, mas no futuro podem ocorrer mais", diz.

Grupo vê "fratura exposta" no Atlântico

da Folha de S.Paulo

O navio James Cook parte amanhã do porto de Tenerife, na Espanha, para a sua primeira missão. Ele terá que fazer uma radiografia sofisticada do fundo do oceano Atlântico.

Mais precisamente, a bússola da tripulação de cientistas britânicos estará voltada para uma área que fica entre o Caribe e a ilha de Cabo Verde, perto da cadeia montanhosa que corta a região de norte a sul.

O que os pesquisadores como Chris MacLeod, geofísico marinho, da Universidade de Cardiff, querem entender é porque parte da crosta terrestre sumiu naquele local, deixando o manto da Terra totalmente exposto. Essa fratura anormal havia sido descoberta por esse mesmo time de cientistas em 2001.

A "fratura exposta" da Terra pode não ser a única, estimam os pesquisadores, que ainda não sabem ao certo o tamanho da superfície do fundo marinho que não é recoberta pela crosta terrestre, que no local tem em média 7 km de espessura. Mas é uma área grande, com milhares de quilômetros quadrados, segundo os cálculos iniciais. Essa zona está a 3 quilômetros de profundidade.

Causa desconhecida

A missão do navio James Cook, que vai custar aproximadamente US$ 1 milhão, será a oportunidade para os pesquisadores poderem amostrar diretamente o manto da Terra, algo que nunca é possível fazer.

O grupo vai usar sonares para capturar imagens do fundo oceânico e também robôs submergíveis. Esses equipamentos poderão descer até a área de pesquisa e coletar material rochoso, que será depois analisado em laboratório.

Como as cadeias montanhosas que existem no fundo do mar são responsáveis pela comunicação direta entre o manto e o oceano, entender o que ocorre nessa região específica do fundo do Atlântico tem uma importância muito grande.

Esse processo de desaparecimento da crosta em algumas regiões, como o planeta está em constante movimentação, não é algo necessariamente anormal. Mas, no caso da "fratura exposta" atlântica, será que ela sempre esteve por lá? Ou, então, a crosta naquela área perdeu a capacidade de ter uma regeneração natural?

As respostas para essas perguntas vão ajudar a ciência a entender ainda mais, entre outras coisas, como as placas tectônicas se comportam. Em termos práticos, isso significa mais informações sobre os terremotos, que matam milhares de pessoas todos os anos.

A viagem do James Cook, para os interessados, poderá ser acompanhada em tempo real pela internet (http://www.noc.soton.ac.uk/gg/classroom@sea/JC007/index.html). Os pesquisadores, inclusive, além de escreverem seus diários, estarão disponíveis para perguntas.

A missão está prevista para durar dois meses.