24 fevereiro 2007

Pescadores acham lula gigante na Nova Zelândia

da Efe, em Manila
Uma equipe de pescadores neozelandeses capturou, nas águas do oceano Antártico, uma lula gigante de 450 quilos e olhos do tamanho de um pneu, a maior já capturada intacta.

O animal, do gênero Architeuthis, estava vivo e comendo outro pescado, quando foi arrastado até a superfície.

A tripulação do barco se apressou então para trazê-lo a bordo nas melhores condições possíveis, desligando a bobina e buscando a melhor maneira de introduzi-lo no compartimento da embarcação antes de congelá-lo e levá-lo outra vez para ser analisado por cientistas.

O ministro de Pesca da Nova Zelândia, Jim Anderton, confirmou que o animal, de dez metros de comprimento, já se encontra na Nova Zelândia, e que é o adulto de maior tamanho capturado totalmente intacto.

As lulas gigantes são as criaturas mais misteriosas das profundezas do mar e podem chegar a medir até 14 metros de comprimento.

Ninguém sabe ao certo até quanto podem crescer, ou sua longevidade, apesar dos numerosos estudos já realizados em animais mortos.

18 fevereiro 2007

Crise de identidade

Fósseis de embriões descobertos na China podem ajudar a explicar a origem da vida multicelular -se não forem apenas bactérias gigantes, como propõe um cientista

EDUARDO GERAQUE
DA REPORTAGEM LOCAL - FOLHADE SÃO PAULO

O pesquisador Shuhai Xiao, da Universidade da Vírginia, publicou este mês na revista "Geology" o seu terceiro artigo sobre os famosos fósseis de Doushantuo, na China. Para ele, essa tríade agora completa explica o surgimento dos primeiros animais complexos de todos os tempos, que teriam surgido há pouco menos de 600 milhões de anos.

Os fósseis esféricos seriam um estágio embrionário intermediário entre os embriões e os jovens, estruturas que já haviam sido descritas nas duas outras publicações.

Não se sabe a qual grupo taxonômico eles pertencem, apesar de o nome da espécie ser Megasphaera ornata. O ponto-chave do fóssil é uma estrutura espiral em três dimensões, que ocorre tanto na estrutura externa, o envelope, como na parte interna do corpo.

Enquanto no passado haviam sido identificados milhares de fósseis embrionários, os desses estágios mais evoluídos, agora, somam apenas 80 unidades. As formas esféricas são diferentes dos adultos, que têm estruturas tubulares, semelhantes às dos corais.

"O nosso grande desafio é enxergar através dos processos de preservação desses fósseis, não apenas a relação dos grupos daquela época, mas também, as ligações que existem com os grupos de seres vivos atuais" afirmou Xiao à Folha.

Supermicróbio

E tudo indicava que ele estava no caminho certo, a não ser por um detalhe.

Jake Bailey, da Universidade do Sul da Califórnia, em Los Angeles, publicou um artigo na revista "Nature", em janeiro, no qual colocava a sua interpretação dos fatos.

Para ele, os embriões de Doushantuo, que datam do início do Período Cambriano (quando a vida multicelular explodiu) não são fósseis de animais. As esferas, na verdade, seriam bactérias gigantescas, com enormes bolsas de ar, que processam enxofre.

Ele comparou os organismos fossilizados com a bactéria Thiomargarita, que ainda existe hoje. Um dos elos dessa corrente é o fato dessa bactéria ser capaz de controlar a precipitação do fosfato, mineral que também era bastante abundante há 600 milhões de anos na região dos fósseis esféricos.

"Já encaminhei um artigo para a revista fazendo uma crítica a tese da superbactéria", revelou Xiao. "Como o texto já foi aceito não posso discuti-lo em detalhes. Mas, em síntese, os envelopes complexos (em termos de estruturas físicas) que recobrem os ovos e os embriões dos fósseis de Doushantuo não existem em bactérias", explicou o pesquisador.

Para o cientista, não existe dúvida de que os fósseis encontrados agora e os outros, descritos em 1998 e 2000, são dos primeiros animais de que se tem notícia. "Eles nos dizem bastante sobre como esses primeiros animais evoluíram e como eles também se desenvolveram desde o início".

Na mesma edição da "Nature", ao comentar o artigo de Bailey, Philip Donoghue, da Universidade de Bristol, não toma partido e aproveita para colocar problemas científicos em ambas as teses.

Ou seja, com base em análises biológicas, ele acha que os fósseis ora podem ser bactérias ora embriões de animais. Uma das críticas à tese da bactéria é que elas não possuem células com núcleo, como é possível ver em alguns dos fósseis.

A mensagem que o cientista britânico quer deixar com tudo isso é que o estudo da fauna do início do Cambriano, quando a maioria dos grupos de seres vivos que existem hoje ainda iriam aparecer e se estabelecer, é um problema, e precisa ser tratado com atenção.

Ediacara revisitada

Enquanto a polêmica não tem um final, e isso provavelmente está longe de ocorrer, os fósseis agora descritos vão se juntar a outros bastante enigmáticos, da bastante desconhecida fauna de Ediacara.

"Os fósseis estudados por nós não fazem parte da fauna de Ediacara clássica, encontrada na Austrália, Namíbia, Rússia e Canadá", explica o pesquisador da Virgínia.

Segundo Xiao, essa fauna clássica é um pouco mais nova, "mas não muito", e ainda por cima perdeu seus detalhes celulares, por causa da forma com que os organismos foram preservados ao longo do tempo.

Mas mesmo nesse caso, lembra o pesquisador, fósseis recém-descobertos no próprio Canadá, em surpreendente e excelente estado de preservação, vão poder ajudar bastante os pesquisadores a desenrolar o nó da evolução, e talvez resolver a crise de identidade, dos primeiros metazoários.

A menos que, como ocorreu com as esferas descobertas na China, apareça alguém para colocar em xeque também essa segunda interpretação.