14 fevereiro 2007

Degelo nos Andes do Peru preocupa

Geleiras tropiais peruanas representam 70% de todas da região andina. Um dos picos nevados mais procurados pelos turistas pode desaparecer.

AFP

Especialistas peruanos estão preocupados com a forma acelerada como estão derretendo as geleiras dos Andes e com o possível desaparecimento de um dos picos nevados mais procurados pelos turistas, revelou a Unidade de Glaciologia do Instituto Nacional de Recursos Naturais (Inrena).

As geleiras tropicais peruanas -- que representam 70% das geleiras da região andina -- são as mais afetadas porque respondem mais rápido às mudanças climáticas e correm o perigo de desaparecer em algumas décadas, alertou um informe do Inrena.

No século atual, o aumento da temperatura global pode ser de 1,5°C a 5,8°C, o que faria com que muitas geleiras situadas abaixo dos 5.000 metros de altitude desaparecessem da face da Terra, continuou o documento.

"No Peru, apesar de se encontrar na região do trópico do sul, devido à Cordilheira dos Andes, com altitudes superiores aos 6.000 metros, ainda existem áreas de geleiras significativas, que estão experimentando um dramático processo de ablação e retrocesso, em conseqüência da mudança climática em escala regional e mundial", afirmou o diretor da Unidade de Glaciologia do Inrena, Marco Zapata.

Ele informou que a preocupação se concentrou no resultado de um estudo da unidade que revelou que a coroa de gelo e neve do cume do Pastoruri (5.240 metros) diminuiu 40% entre 1995 e 2005, por causa do aquecimento global.

O Pastoruri é um dos picos nevados mais importantes da Cordilheira Branca, no departamento de Ancash (nordeste) e centro do turismo da região. De acordo com Zapata, ele "não é considerado uma geleira propriamente dita, mas simplesmente uma camada de gelo dentro da cordilheira", mas é uma referência, de qualquer forma, ao que está acontecendo nos Andes peruanos.

"Em 1995, fizemos uma medição no Pastoruri, que alcançou 1,8 km2 de superfície coberta de gelo. Em 2001, passou para 1,4 e, em 2005, chegou a 1,1 km2", explicou. Segundo Zapata, se esta tendência continuar, a geleira terá desaparecido em dez anos. Além disso, comentou, "ainda não se definiu em que percentual a afluência diária do turismo contribui para um desaparecimento mais rápido do (pico) nevado".

O especialista do Inrena considerou também que, provavelmente, várias geleiras dos Andes peruanos de menos de 5.000 metros de altitude correm o mesmo risco que o Pastoruri. De acordo com o relatório, a superfície gelada da Cordilheira Branca - parte dos Andes onde fica o Pastoruri -- passou de 723 km2, em 1970, para 611, em 1997, o que equivale a uma redução de 15,46%.

Em 1970, informou o Inrena, o Peru tinha 2.041 km2 de superfície de geleiras, que diminuíram para 1.594 km2 em 1995. Entre 1948 e 1976, o retrocesso das geleiras era de oito metros por ano, em média. De 1977 até hoje, esta redução chega a 20 metros por ano.

O órgão peruano advertiu ainda que os degelos podem gerar transbordamentos de lagoas, provocando inundações e avalanches nos povoados assentados nas bases dos picos nevados. Por esse motivo, a recomendação do Inrena é que medidas sejam tomadas para que a população não seja surpreendida.

Aquecimento levará catástrofes à Europa

Informação é do relatório da Agência Européia de Meio Ambiente. Segundo a ONU, temperatura no continente pode subir 4,4ºC até 2080.

Da France Presse

As mudanças climáticas vão provocar, na Europa, mais secas e inundações catastróficas, de acordo com um relatório da Agência Européia de Meio Ambiente que pede aos países europeus para "agirem agora".

O informe divulgado nesta quarta-feira (14) aponta para o impacto "crucial" do aquecimento global no abastecimento d'água, no volume dos rios na irrigação agrícola e na qualidade da água que chega às casas, entre outros problemas.

O documento retoma as previsões dos especialistas reunidos no início do mês em Paris, sob o patrocínio das Nações Unidas: uma provável alta da temperatura do planeta de 1,8°C a 4°C e a elevação do nível dos oceanos de 0,18 m a 0,59 m até o final do século (em relação ao período 1980-1999).

Para a Europa, especificamente, os prognósticos são mais alarmistas, com elevação da temperatura média de 2,1°C para 4,4°C até 2080, e uma alta do termômetro ainda mais significativa no leste e no sul do continente, de acordo com a agência.

As chuvas devem aumentar de 1% a 2% por década no norte da Europa, ficando, porém, mais raras no verão. O sul do continente, já seco, sentirá ainda mais sede, sobretudo no verão, com uma queda média de 5% das precipitações por década.

A seca poderá castigar o sul "em todas as estações", alerta o relatório, acrescentando que a Europa como um todo sofrerá com mais ondas de calor, do mesmo modo que com tempestades violentas.

Nos últimos cinco anos, a Europa teve mais de 100 inundações, que causaram grandes estragos, destaca o informe, com base nos dados do Observatório das Inundações de Dartmouth.

Embora nem todas as enchentes possam ser atribuídas ao aquecimento global, "os acontecimentos recentes, como as inundações no Reino Unido em 2000/2001 e na Europa Central durante o verão de 2002, são considerados bons exemplos do que pode acontecer com a mudança climática".

Já as sucessivas secas, principalmente no verão no sul da Europa, terão graves conseqüências para a agricultura, energia (represas) e recursos hídricos, completa o documento.

A água será uma questão ainda mais preocupante, em especial no sul, onde as necessidades de turistas, moradores e agricultores correm o risco de entrar em violento conflito. Como exemplo, os especialistas lembram da forte onda de calor de 2003, que se traduziu em uma alta de 15% no consumo de água na Holanda.

A qualidade da água também será vítima do aquecimento, já que águas mais quentes são menos oxigenadas, favorecendo o surgimento de algas tóxicas. Além disso, quanto menor for o volume de água nos rios, maior será a quantidade de nitratos e pesticidas na água.

Outra ameaça será o aumento do sal nos lençóis próximos do litoral, devido à elevação do nível do mar. Em geral, observa o documento, as zonas costeiras são particularmente vulneráveis, considerando-se que um terço da população européia vive a menos de 50 km da costa.

Frente a tantas ameaças, "mudanças consideráveis" são necessárias, insiste o relatório, apontando, sobretudo, para as práticas agrícolas, a economia de água, a prevenção de inundações, além de normas de construção e redução das emissões de gases poluentes causadores do efeito estufa.

Doenças negligenciadas atingem 1 bilhão de pessoas no mundo, diz OMS

Por Ahmad Pathoni

JACARTA (Reuters) - Um bilhão de habitantes de países tropicais ainda sofrem com doenças debilitantes ou desfiguradoras associadas à pobreza, mas muitos não recebem tratamento devido à negligência dos governos, disseram autoridades sanitárias na quarta-feira.

Apesar da existência de tratamentos baratos e seguros, pacientes de doenças como hanseníase, elefantíase e framboésia (doença infecciosa semelhante à sífilis) continuam sem tratamento, devido à falta de recursos e de vontade política, disse Jai Narain, diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) para doenças transmissíveis no Sudeste Asiático.

"Essas doenças tropicais têm sido negligenciadas por políticos, pela comunidade de pesquisas e também pela comunidade internacional", disse Nairan em entrevista coletiva no início de uma reunião internacional sobre o combate a doenças tropicais.

"Mas ao mesmo tempo essas doenças causam considerável quantidade de sofrimento, incapacidade, desfiguração e mesmo um impacto sócio-econômico, particularmente para populações que são extremamente marginalizadas", afirmou.

Segundo ele, o fato de essas doenças não gerarem manchetes, ao contrário do que acontece com a Aids, a malária e a pólio, também contribui com a falta de atenção.

"Essas doenças estão estreitamente relacionadas à pobreza. A eliminação de tais doenças seria um passo significativo na direção da redução da pobreza", afirmou.

Muitos pacientes dessas doenças são discriminados e isolados por suas comunidades, segundo Nyoman Kandun, diretor-geral de controle de doenças transmissíveis do ministério indonésio da Saúde.

"A maioria dos que foram curados sofrem deformidades e serão estigmatizados e discriminados", afirmou.

A Indonésia já curou 370 mil pacientes de hanseníase, mas novos casos continuam surgindo, especialmente no leste do país, mais pobre, de acordo com o funcionário.

13 fevereiro 2007

Dengue hemorrágica mata mulher em MG

É a primeira morte provocada pela doença no estado neste ano. Agentes de saúde intensificaram combate à dengue em Uberaba.

Da TV Globo Minas

O primeiro caso de morte em decorrência da dengue hemorrágica em Minas Gerais foi confirmado pelo governo estadual na segunda-feira (12). A vítima foi uma mulher que morreu na semana passada, em Uberaba.

Dezoito bairros da cidade apresentam índice de infestação preocupante, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Quatro casos já foram confirmados.

A Prefeitura reforçou o combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença. Os agentes de saúde estão visitando as casas e orientado a população.

Os principais sintomas da dengue são febre alta e dores no corpo.