15 dezembro 2007

Pressão madeireira alavanca desmate em área protegida

Apesar de vir sofrendo queda na Amazônia, desmatamento cresce em unidades de conservação no sudoeste do Pará

Pesquisadores dizem que a situação é uma "afronta" dos desmatadores, mas acreditam que ausência do Estado facilita invasões



GIOVANA GIRARDI
ENVIADA ESPECIAL A ITAITUBA (PA)

O padre Arno Longo costuma dizer que não é um ambientalista, mas um "homem da agricultura familiar". Ainda assim, não perde a chance de, no sermão dominical, pregar contra o desmatamento: "Quando lhe entregou o Éden, Deus falou para o homem, dominai e conservai. Não é pra dominar e destruir como temos feito".

É um discurso que precisa de insistência. Entre seus fiéis estão algumas dezenas de assentados que sofrem diariamente com a pressão de madeireiros para que lhes entreguem as árvores comerciais de suas terras distribuídas em pequenos lotes na floresta amazônica. Diante da promessa da renda segura -porém a longo prazo- do cultivo agrícola, e do lucro imediato da motosserra, é fácil sucumbir ao segundo.

Essa é a realidade de pelo menos sete cidades (como Itaituba, Novo Progresso e Castelo dos Sonhos) do sudoeste do Pará, localizadas na área de influência da BR-163, que liga Cuiabá a Santarém. Na região, que tem um mosaico de reservas de 8 milhões de hectares, está sendo registrado um aumento do desmate justamente nas unidades que foram criadas para coibi-lo. Apesar de vir em queda há três anos em toda a Amazônia, lá o desmatamento só faz crescer, como demonstra levantamento do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia).

Na Floresta Nacional estabelecida no município de Trairão, por exemplo, existe uma fazenda, de acordo com pesquisadores da região que não quiseram se identificar. No Parque Nacional da Amazônia, em Itaituba, vivem pelo menos 11 comunidades (veja texto abaixo).

Segundo o Imazon, entre agosto de 2006 a julho de 2007, 21% do corte raso observado no Pará ocorreu em unidades de conservação.

"Quem manda sou eu"

A "afronta" ao governo, como define o ecólogo Adalberto Veríssimo, do Imazon, é propiciada por um conjunto de situações: colonos que já viviam nesses locais antes de eles serem transformados em área de proteção, ausência de fiscalização, falta de planos de manejo florestal e pressão de madeireiros.

"Neste ano não saiu quase nenhum plano de manejo, mas a madeira continuou sendo retirada de dentro das reservas", conta Longo, que vê os caminhões com toras passando pela Transamazônica, em frente sua casa, todos os dias. Em um dia "fraco", como o presenciado pela Folha, foram pelo menos dez. "Bastou uma unidade de conservação ser criada para o pessoal correr lá e limpar as árvores nobres antes de o terreno ser demarcado", afirma.

Segundo Veríssimo, esta é uma atitude para mostrar poder. "O invasor vai lá pra dizer: "Quem manda aqui sou eu". Vira fato consumado. Se já foi desmatado, o pessoal acha que as pessoas não poderão mais ser retiradas de lá de dentro. É a forma de mostrar que são contra a criação das unidades."

Para ele, o estabelecimento de terras protegidas no entorno da BR-163 no início de 2006 foi um ato de coragem do governo, visto que se trata de uma região bastante conturbada.

"Mas com o passar do tempo o governo não conseguiu botar o pé na área. Em geral essas unidades ficaram no papel", explica Veríssimo. "Os infratores permaneceram lá e acharam que as unidades não eram pra valer", complementa.

Este aumento apontado pelo Imazon reflete, no entanto, só o corte raso da floresta. A ação pontual de madeireiros ilegais fica fora das estatísticas. No entanto, de acordo com o pesquisador, é exatamente aí onde começa o problema. "A estatística subestima a real agressão que a floresta sofre."

Assédio madeireiro

Como explica o padre Longo, a situação mais delicada desse processo é o assédio aos colonos que vivem em assentamentos localizados à margem da floresta. "Um atravessador de madeireiro entra na terra, derruba a árvore e o colono acaba sendo forçado a "vendê-la" com um discurso sutil: "Se você me entregar pro Ibama amanhece morto". O colono vende."

Um ipê, por exemplo, nessas condições, acaba saindo por R$ 40 o metro cúbico. É revendido depois por R$ 800.

Longo conta que em um assentamento de Itaituba há uma serraria dentro. "É proibido, mas está lá. Em vez de praticar agricultura familiar, o colono vira peão de serraria, se torna assalariado, ganha a cada 15 dias. Fica muito difícil nessa situação convencê-lo de que manter a floresta em pé é um negócio melhor para ele."

Para Veríssimo e Longo, tudo isso só tem ocorrido, no entanto, pela falta do governo na região. Procurado pela Folha, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, disse que o governo tem tentado resolver a questão. "Estamos fazendo ações para resolver essa ausência do Estado que você viu lá."

Para ele, desmatamento em UC é novidade. "Fazem isso com a expectativa de que, desmatando, ganharão o título da terra, mas isso não existe." Ainda assim, diz ele, a situação está melhor do que antes da criação das unidades. Segundo Capobianco, a perda de floresta crescia 500% ao ano na região desde 2001. "Com as UCs caiu mais de 98% no primeiro ano." O problema, lembra Veríssimo, é que voltou a crescer depois.

Nevasca causa pelo menos 36 mortes nos EUA


Uma tempestade de neve que já causou ao menos 36 mortes no Meio Oeste dos Estados Unidos chegou ao nordeste do país, prejudicando a circulação em muitas das mais movimentadas rodovias norte-americanas. A maioria das mortes ocorreu em acidentes de trânsito.

Ontem, cerca de 500 mil casas em Oklahoma, Kansas e Missouri permaneciam sem energia elétrica, após dias de mau tempo.

Nos Estados de Massachusetts, Pensilvânia, Nova York, Nova Jersey, Rhode Island e Connecticut, desde quinta-feira, escolas, lojas e escritórios governamentais têm de postergar a abertura.

Os congestionamentos nas rodovias interestaduais interferiram no funcionamento dos aeroportos. Houve atrasos de até três horas e cancelamentos de vôos que chegavam ao aeroporto de Newark, em Nova Jersey.

Em Boston, mais de cem vôos foram cancelados.

Vaticano pede a bispo que encerre greve

D. Lorenzo Baldisseri, representante de Bento 16, enviou carta a d. Luiz Cappio; na BA e no DF, grupos anunciam "jejuns solidários"

Cappio diz que carta mostra preocupação com sua saúde e torce para ele interrompa greve o quanto antes, mas não exige fim do protesto



LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL

FÁBIO GUIBU
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SOBRADINHO (BA)

O representante do papa Bento 16 no Brasil, núncio apostólico d. Lorenzo Baldisseri, enviou ontem a d. Luiz Flávio Cappio, 61, carta em que pede ao bispo que termine o quanto antes a greve de fome, que já dura 18 dias. Ao mesmo tempo, a nota da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) convocando os cristãos a se unirem ao bispo de Barra (BA) animou os grupos que apóiam o religioso.

À Folha Cappio disse que a carta é "amiga, fraterna, mostra preocupação com a minha saúde, torce para que eu interrompa o jejum o quanto antes e volte ao trabalho na diocese, mas não é uma mensagem do Vaticano me mandando parar".

D. Aldo Pagotto, arcebispo da Paraíba, comemorou a mensagem do núncio. Ele é contra a greve de fome de Cappio, a favor do projeto de transposição do governo e foi um dos religiosos brasileiros que pediram a carta a d. Lorenzo: "A igreja reprova esse ato contra a própria vida, esse ato que não é um jejum religioso, mas político".

Em 2005, d. Lorenzo também enviou carta a Cappio em que pedia o fim da greve. Era assinada pelo cardeal italiano Giovanni Battista Re, "ministro" do papa que responde tanto pelos bispos de todo o mundo como pela América Latina. À época, Cappio disse que não colocou fim à greve por causa da mensagem. Mas dois dias depois de recebê-la, o religioso encerrou o protesto.

Agora, o quadro é diferente por causa da nota da CNBB em apoio ao bispo.

Protestos, jejuns temporários e invasões de prédios públicos foram anunciados ontem em vários locais, como atos de solidariedade ao bispo após o chamado da entidade.

O recrudescimento das ações foi comemorado pelas entidades que acompanham Cappio na igreja de Sobradinho (a 540 km de Salvador). Todos temiam o isolamento do religioso depois da reunião de quarta-feira, em Brasília, entre a cúpula da CNBB e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No encontro, Lula disse que não paralisaria a obra de transposição das águas do rio São Francisco, como reivindica o bispo, e declarou que caberia à igreja buscar uma solução para acabar com a greve de fome.

Cappio, que tinha esperança em um acordo, se surpreendeu com a declaração. No mesmo dia, conversou por telefone com seu amigo, o presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio Rocha.

Os dois voltaram a conversar no dia seguinte. D. Geraldo quis saber como estava a situação dele na cidade. Foi informado que a obra não havia sido paralisada dois dias após a Justiça determinar sua suspensão, por meio de liminar. O assunto foi citado na nota.

Cappio acredita que as novas mobilizações populares pressionarão ainda mais o governo. "Quem parte para a guerra está preparado para lutar. Estou preparado."

Seus aliados já definiram as formas de luta. Desde anteontem, o anúncio dos chamados "jejuns solidários", realizados por períodos determinados, se intensificaram. Em Brasília, 15 pessoas ligadas ao MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) iriam ficar sem comer na paróquia Santa Maria.

Em Salvador, manifestantes anunciam uma vigília a partir de hoje na praça da Sé. Em Guanambi (BA) e Irecê (BA), escritórios da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) foram invadidos por pessoas solidárias ao bispo de Barra.

A Via Campesina e pastorais sociais promoverão um ato público em Brasília na segunda-feira. Os organizadores anunciam a presença dos atores Osmar Prado e Letícia Sabatella.

EUA voltam atrás e aceitam objeções da China e da Índia em Bali


NUSA DUA - Em uma reviravolta inesperada na reunião sobre mudança climática das Nações Unidas (ONU) em Bali, neste sábado, os Estados Unidos aceitaram as objeções da China e da Índia, que pediram "mais ação" dos países desenvolvidos no combate ao aquecimento global . A objeção sobre a introdução da decisão de Bali - baseada na percepção de que havia uma discrepância entre os fortes compromissos exigidos dos países em desenvolvimento e uma linguagem menos específica sobre as obrigações dos países industrializados - levou a um longo intervalo na plenária. O acordo marca o início de dois anos de negociações por um novo tratado climático global que substitua o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012 - e do qual os EUA não participam, por discordarem das metas de redução de emissões para países ricos.

O encontro, que começou no dia 3 e terminou formalmente na sexta-feira, foi marcado por atritos entre os Estados Unidos, que se opunham a menções a metas específicas nesta etapa, e a União Européia, que defendia que se estabelecesse de antemão a proposta de redução de até 40 por cento nas emissões até 2020. O ministro alemão do Meio Ambiente, Sigmar Gabriel, disse que o preâmbulo ao texto final deve conter uma referência às conclusões deste ano do Painel Intergovernamental da ONU sobre a Mudança Climática, segundo o qual os países ricos deveriam reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25-40 por cento até 2020. Tanto Gabriel quanto o chefe da delegação dos EUA, Harlan Watson, afirmaram que seriam capazes de "conviver" com essa versão do texto.

A reunião ministerial encarregada de concluir o texto do encontro terminou na madrugada de sábado e será levado à votação dos 189 países participantes numa sessão marcada para o final da manhã.

Os países em desenvolvimento disseram que vão resistir "à pressão e até às ameaças" de alguns países ricos para intensificarem seus esforços contra o aquecimento. O chamado G77, principal grupo de países em desenvolvimento, disse que seus membros não estão preparados para reduzir as emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis, pois isso pode ter consequências para o crescimento econômico e o combate à pobreza.

- As pessoas estão negociando, estão fazendo pose, não estão se erguendo acima das posições nacionais entrincheiradas. Estamos simplesmente muito desapontados a esta altura. Estamos terminando com algo tão aguado que não havia necessidade de 12 mil pessoas se reunirem aqui em Bali para ter um texto aguado, poderíamos ter feito isso por email - disse Angus Friday, embaixador de Granada na ONU e presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares.

09 dezembro 2007

Terremoto mata criança no norte de MG


Um terremoto de 4,9 graus na escala Richter derrubou uma casa e matou uma criança no norte de Minas Gerais. Outras seis pessoas ficaram feridas e seis casas teriam sido destruídas.

O tremor foi sentido na comunidade rural de Caraíbas, em Itacarambi (MG). Uma criança de cinco anos morreu esmagada pela parede de sua casa, que não resistiu ao abalo e caiu.

Outras duas pessoas tiveram traumatismo craniano e quatro foram internadas com ferimentos leves.

De acordo com o Obsis (Observatório Sismológico de Brasília) e o USGS (serviço geológico americano), o epicentro do terremoto foi a própria cidade de Itacarambi.

"É uma região de falha, que não tem o solo compactado. Então o tremor é sempre mais sentido", explica a física Regina Marques, do Obsis.

Segundo Marques, o tremor ocorreu a cerca de 10 km da superfície -- profundidade considerada baixa -- o que também contribui para que o abalo seja sentido com mais intensidade pela população.

Em maio, o Obsis já havia registrado um tremor de 3,5 graus no local e chegou a avisar a Defesa Civil para eventuais problemas, mas nenhuma ocorrência grave foi registrada.

30 novembro 2007

Amazonas e Roraima sentem reflexos de terremoto ocorrido em Martinica


Os reflexos do terremoto ocorrido em Martinica, a leste do Caribe, foram sentidos em Manaus (AM) nesta quinta-feira (29), por volta das 16 horas, horário de Brasília. O abalo também foi percebido em Boa Vista (RR).

De acordo com o geólogo do Serviço Geológico do Brasil, Raimundo Gato Dantona, o abalo em Martinica atingiu 7,4 graus na escala Richter. Apesar do susto no Brasil, ele diz que não há motivo para preocupações.

"Sentir reflexos de um terremoto como esse é comum por causa da magnitude do abalo. Como o tremor foi forte, os reflexos se propagaram e as ondas desse abalo chegaram até o país. Ainda assim, isso não foi no Brasil e não há porque pensar que algo vá ocorrer por aqui por causa disso".

Segundo o secretário de Defesa Civil de Manaus, Antônio Carlos Marques, apesar da surpresa de quem estava nas zonas central, sul, oeste, centro-sul e centro-oeste da cidade, não houve nenhum registro grave de ocorrências.

Ele informou que houve apenas nove chamadas para atender às reclamações sobre tremores. Ao longo do dia, 75 ocorrências foram notificadas, sendo 47 de alagamentos, por causa da forte chuva que caiu na cidade.

"As ocorrências relacionadas ao terremoto foram sobre tremores de prédios. Mas as equipes da Defesa Civil estiveram nos locais para averigüar se havia problemas na estrutura dos prédios e, depois da vistoria, os prédios foram liberados, mediante a certeza de que nenhum prejuízo pudesse ocorrer".

Petrobras esclarece acidente na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro


A Petrobras informa que às 22h40m de quarta-feira, dia 28, ocorreu um vazamento de gás, seguido de incêndio, no navio Noble Roger Eason NS-15, da empresa Noble, que presta serviços à Petrobras no campo de Marlim Leste, na Bacia de Campos, a 120 quilometros da costa. Sete empregados da Petrobras e da empresa contratada ficaram feridos. Segundo as avaliações preliminares, nenhum empregado corre risco de morte.

Os primeiros socorros às vítimas foram prestados pelo médico que trabalha a bordo e logo em seguida os feridos foram resgatados por uma unidade aeromédica a serviço da Petrobras. Dos sete feridos, cinco foram transferidos para o Rio de Janeiro e dois para Macaé.

O navio Noble Roger Eason NS-15 presta serviço de perfuração e o acidente ocorreu durante operação de reentrada num dos poços do campo. Logo que o fogo começou, a brigada de incêndio da embarcação passou a combatê-lo e as chamas foram debeladas.

O Plano de Contingência da Petrobras foi imediatamente acionado e um barco de apoio foi enviado ao local. Para garantir a segurança das instalações e do meio ambiente a empresa fez uma inspeção submarina, constatando que o poço está em condições seguras. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Capitania dos Portos foram notificadas oficialmente da ocorrência. A Petrobras já instalou comissão para apurar as causas do acidente e, junto com a Noble, está prestando toda a assistência às famílias das vítimas.

Os trabalhos de perfuração estão interrompidos até que sejam retomadas as condições normais de operação.

Indonésia perdeu 24 ilhas nos últimos anos


O arquipélago indonésio perdeu 24 ilhas nos últimos anos, devido especialmente às catástrofes naturais e agressões ao meio ambiente, informou nesta quinta-feira (29) o ministro de Assuntos Marítimos, Freddy Numberi.

O anúncio foi feito poucos dias antes de seu país receber uma conferência crucial sobre a mudança climática numa reunião organizada em Bali.

A Indonésia, quarto país mais populoso do mundo, se vê particularmente ameaçado com este fenômeno.

"Os cientistas alertam que a Indonésia poderia perder pelo menos 2.000 ilhas daqui até 2030", segundo Numberi.

O desaparecimento das 20 ilhas na província de Riau e no arquipélago das Mil Ilhas se deve aos danos ambientais e à exploração humana.

As quatro outras desaparecidas foram varridas do mapa do país pela tsunami de 26 de dezembro de 2004, catástrofe que provocou 168.000 mortes ao norte de Sumatra.

No total, o número de ilhas deste arquipélago passou de 17.504 a 17.480, segundo o ministro.

A conferência de Bali, de 3 a 14 de dezembro, permitirá traçar uma agenda de negociações para prolongar o protocolo de Kyoto sobre a redução dos gases que produzem o efeito estufa, afirmam os especialistas.

28 novembro 2007

E agora, Amazônia?



Flávio Garcia

Enquanto se discutem e se negociam interesses político-partidários no País, com indiscutível ausência de novos referenciais para o desenvolvimento nacional, o mundo globalizado, em contrapartida, acaba de definir seus novos parâmetros, em termos de exigência ao suprimento de matérias-primas para seus complexos agroindustriais. Ou seja: novas áreas para suprir, pelo maior tempo possível, as exigências de manutenção dos interesses dos grandes grupos, seus empreendimentos, suprimento de mercado e, conseqüentemente, dos blocos de países hegemônicos a que pertencem.

Nesse particular, destaca-se a abrangência alcançada pela territorialidade da Amazônia brasileira, em sua incomparável riqueza em biodiversidade e pluralidade mineral, rarefação humana e facilidades para construção e montagem de estruturas destinadas ao escoamento do que for necessário.

E que, diga-se, já se encontram em execução, tendo à frente agências governamentais de outros países e grupos privados multinacionais, inclusas as ações de planejamento setorializado.

Tudo, evidentemente, favorecido pelo conjunto de interesses e aquiescência da elite dirigente do País, entre políticos e empresariado, comprometidos, há tempos, com a desnacionalização de grandes setores estratégicos da sócio-economia brasileira. Avulta, entre outros exemplos, a vigência, desde 1996, de legislação federal específica, a Lei Kandir, que concede isenção tributária a todos os produtos e serviços destinados à exportação!

Essa lei, apresentada como uma espécie de "providência complementar" às Áreas de Livre Comércio, que existia na Região Amazônica desde 1990 e a transformara numa Cayman brasileira, pelos incentivos, concessões e destribuições de toda ordem, típicas da ilha caribenha.

Esses relatos, tão preocupantes e verdadeiros, exigiram, em janeiro de 2006, seis reportagens publicadas no jornal "Correio Braziliense", de Brasília, para cobrir essa temática amazônica, a partir da visão integrada do jornalista Leonel Rocha.

A falta dessa visão integrada, no trato das situações e interesses nacionais, na região, pela quase totalidade dos organismos e membros dos poderes Executivo e Legislativo, é que tem perpetuado a problemática ali vigente, como se as partes nada tivessem a relacionar-se uma com as outras e com o todo, como era e é de se esperar. Afinal, nada acontece isoladamente, sem causas e efeitos!

Questões indígenas, regulamentação e ocupação de terras públicas e privadas, criação e gestão de parques e reservas naturais, circulação e transporte, com ênfase à navegação fluvial, mineração, agroindustrialização, desmatamentos e queimadas, tudo isso continua guardando pouquíssimo relacionamento com direitos, causas, conseqüências e interesses a que dizem respeito, no âmbito do planejamento, das intenções e das responsabilidades governamentais e privadas.

Daí que, da incontestável negligência, desinteresse de acompanhamento e fiscalização dessas questões, mais a insuficiência no repasse de recursos exigíveis e, muitas vezes, emergenciais, atingiu-se o quase total abandono de uma das áreas de maior riqueza e potencialidade em biodiversidade do planeta, o chamado Estuário Amazônico, onde se encontra a Ilha de Marajó. Atualmente, esse estuário é o único portal de entrada e saída da grande Amazônia brasileira, na parte oriental, rumo aos grandes mercados consumidores norte-americanos, europeus e asiáticos.

A constatação acima referida é como se fosse exigência histórica dos interesses dos grandes mercados, a cada dia mais ávidos por matérias-primas, como demonstram as diuturnas remessas de minérios da Serra dos Carajás. No caso do ouro, poucos brasileiros conhecem os volumes exportados!

Há, também, o caso da recente Lei nº 11.284/2006, recém-surgida, que trata das Concessões Florestais e Gestão das Florestas Públicas Brasileiras, localizadas quase totalmente na Amazônia, que passarão a ser exploradas, em grande parte, pelos consórcios madeireiros multinacionais.

É de se imaginar o imenso volume de madeiras a ser retirado e exportado, tudo isento de taxas e tributos específicos à exportação, nos termos da Lei Kandir. Um maná em lucratividade para os grandes conglomerados exportadores! E, como se não bastasse, já tramita na Câmara dos Deputados, depois da aprovação pelo Senado, o projeto de lei (nº 2.403/03) para isenção fiscal de produtos industrializados (IPI), a partir de matérias-primas de origem amazônica.

Vale dizer, produtos oriundos dos segmentos animal, vegetal, mineral, "agrossilvopastoril" (para não dizer gado e madeira), agroindustrial e certamente outros, na medida dos contínuos interesses mercadológicos externos. Essa proposição, salvo juízo dos autores e beneficiados, pode transformar a Amazônia brasileira na maior Área de Livre Comércio do Planeta!

Naturalmente, em função de suas riquezas, diversidade, potencialidade de recursos e extensão territorial, sempre haverá lugar para mais algum pretendente. Daí que, no outro extremo da região, em sua porção ocidental, abarcando os estados do Acre, parte de Rondônia e do Amazonas, novos e inimagináveis interesses já concluíram negociações para, no curto prazo, concluir e inaugurar rodovias que, em diferentes direções, levam ao Oceano Pacífico, através do vizinho Peru.

Abrem-se e se oferecem, dessa forma, os recursos naturais estratégicos da Amazônia brasileira às ilimitadas exigências dos mercados asiáticos, vale dizer, China, Japão e Índia, num primeiro momento. Esses interesses e negociações devem ter sido conduzidos pelo governo brasileiro sob "segredo de Estado", posto que nenhum meio de comunicação do País tratou desses fatos nos últimos cinco anos, embora envolvam ações nos âmbitos federal e estaduais, inclusive na iniciativa privada.

Só agora, após publicação pelo "Engenheiro", jornal da Federação Nacional dos Engenheiros (Ano IX, nº 64, setembro de 2007), se obteve um quadro bastante elucidativo do que se designou Rodovia Transoceânica do Pacífico. Essa obra, certamente, transformará aquela porção territorial do País em verdadeiro "empório" dos produtos e transações a serem efetivadas e exportados.

Empolgados com os reflexos de uma possível integração mercadológica, de serviços e obras de engenharia, entre as partes envolvidas, os autores dos textos do "Engenheiro" não trataram, como deviam, da inquestionável exigência de preocupação com os reflexos sócio-ambientais e de preservação dos recursos naturais amazônicos, que esse tipo de ação, de sentido intercontinental-globalizante, vai ocasionar!

Por tudo isso, e após informes e consultas a estudiosos e especialistas em diversas áreas, inclusive consultores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), chegou-se a consenso quanto ao dever de nosso governo de informar à sociedade brasileira sobre quais mecanismos, específicos e permanentes, acompanharão e fiscalizarão o conjunto dessas atividades, para impedir uma possível perda de controle sobre as explorações e retiradas de produtos.

Caso contrário, da inexistência ou ineficiência desses mecanismos de controle, pode-se concluir que terá início a maior devastação e predação dos recursos naturais na história da humanidade. Sem falar das repercussões de alcance sócio-econômico desses empreendimentos, que nem é bom imaginar!

Com a palavra, as autoridades brasileiros! E agora, Amazônia? (!)...

Flávio Garcia é engenheiro-agrônomo

Bispo retoma greve de fome

Dom Luiz Cappio Flavio radicaliza e inicia manifestação contra transposição do Rio São Francisco



SALVADOR - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, de 61 anos, resolveu voltar a fazer greve de fome para protestar contra as obras de transposição do Rio São Francisco, que estão sendo realizadas por tropas do exército no Norte da Bahia. A manifestação, que começou às 10 horas de ontem, em Sobradinho (BA), 554 quilômetros a Noroeste de Salvador, localizada na margem do rio, ocorre dois anos e um mês depois que o religioso encerrou um jejum de 11 dias, pelo mesmo motivo.

"Naquela época, o governo e eu assinamos um acordo que previa o encerramento da transposição e o início de um grande debate da sociedade em torno do desenvolvimento das populações que vivem nas regiões abastecidas pelo rio", conta. "Este recomeço é um protesto desesperado porque o governo não cumpriu o acordo".

A greve de fome foi iniciada no momento em que Cappio protocolou uma carta para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nela, o bispo ressalta que há "propostas para garantir o abastecimento de água para toda a população do Semi-Árido com as ações previstas no Atlas do Nordeste apresentadas pela Agência Nacional das Águas (Ana) e as ações desenvolvidas pela Articulação do Semi-Árido (ASA)", fazendo com que a transposição seja desnecessária.

Cappio afirma que está disposto a morrer "pela vida do rio e a do povo". "Só há duas formas de eu interromper este protesto: se as tropas do Exército saírem dos locais onde estão sendo realizadas as obras ou se forem arquivados definitivamente os projetos de transposição", garante.

Estado do RS trata menos de 15% do esgoto produzido



Um estudo apresentado ontem revelou que 14,77% da população gaúcha dispõem de tratamento de esgoto. O levantamento, feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) a pedido do Instituto Trata Brasil (ITB), colocou o Rio Grande do Sul em 16º lugar no ranking de esgotamento sanitário.

A FGV destacou o Estado entre os piores neste quesito. "É um ponto fora da curva", comentou o coordenador do Centro de Políticas Sociais da FGV, Marcelo Néri. Segundo ele, embora o Rio Grande do Sul seja um estado bem desenvolvido em vários pontos, o acesso a esgoto tratado é baixo.

Por outro lado, São Paulo aparece na ponta de cima, com índice de 85%. Dos 50 municípios com maior taxa de acesso, 44 estão em território paulista. Mesma situação das dez cidades com maior acesso a esgoto, começando por São Caetano do Sul, líder do ranking com 98,64%.

Atualmente, apenas 47% dos brasileiros têm acesso à rede geral de esgoto. "Para uma nação que pretende integrar o grupo de países mais desenvolvidos, o Brasil não pode ficar mais à mercê de estatísticas tão ruins como estas", comentou o presidente do ITB, Luis Felli.

Apesar da gravidade, o avanço da rede de esgoto no País é bem inferior em comparação a outros serviços públicos como o abastecimento de água, coleta de lixo ou eletricidade. O levantamento também demonstra que não só a quantidade, mas a qualidade do serviço de coleta e tratamento de esgoto é inferior a outros serviços públicos. "A ONU já definiu que 2008 será o ano internacional do saneamento básico. Esperamos que seja possível conectar o movimento nacional a essa corrente mundial", declarou Néri.

O Brasil investe apenas um terço do que seria necessário nas obras de ampliação da rede de esgoto - 0,22% do PIB, enquanto o ideal seria 0,63%. E com isso, informou o estudo, o País só conhecerá a universalização do serviço quando comemorar 300 anos de Independência, em 2122.

26 novembro 2007

Desastres naturais pioram no Tibete devido ao aquecimento global



O aquecimento global está causando o aumento e agravamento dos desastres naturais no planalto tibetano, considerado um dos barômetros da mudança climática no planeta, alertaram meteorologistas chineses citados nesta quarta-feira (21) pela imprensa estatal.

"Os desastres naturais como as secas, os deslizamentos de terra, as tempestades de neve e os incêndios são agora mais freqüentes e calamitosos. O número de vítimas mortais é maior e as perdas econômicas maiores", disse Song Shanyun, diretor do Escritório Meteorológico da região autônoma do Tibete, no sudoeste do país.

Além disso, ressaltou, a diminuição da neve, o retrocesso das geleiras, a seca das pradarias e a expansão dos desertos "ameaçam cada vez mais o ecossistema da região".

A temperatura no planalto tibetano, o mais alto do mundo, sobe de 3 a 4 graus por década, acima da média mundial.

"O aumento da temperatura no Tibete é só uma miniatura da tendência do aquecimento global", disse Zhang Hezhen, um engenheiro citado hoje pela agência "Xinhua".

Eletrobrás conclui que apenas Belo Monte é viável



A Eletronorte informou nesta terça-feira (20) que a Eletrobrás já entregou para a Aneel - Agência Nacional de Energia Elétrica o estudo de inventário do rio Xingu, no Pará. A revisão do levantamento, executada nos últimos dois anos, apontou que apenas o aproveitamento hidrelétrico Belo Monte é viável para ser desenvolvido no rio. Outras duas alternativas estudadas foram descartadas.

Segundo a nota da estatal, o projeto de Belo Monte terá capacidade de 11,181 mil megawatts (MW) e alagará uma área de 441 quilômetros quadrados. A empresa alega que esta relação entre potência instalada e área inundada do empreendimento é a melhor da história da hidreletricidade do País.

O texto ainda diz que a exclusão dos outros dois aproveitamentos "se deveu ao contexto institucional, socioeconômico e energético do setor elétrico brasileiro", de modo que, com isso, apenas Belo Monte aproveitará o desnível concentrado no trecho da Volta Grande do Xingu.

Na avaliação da Eletronorte, a nova abordagem para o rio Xingu difere dos estudos de inventários executados durante a década de 1970 e 1980, quando foi descoberto um potencial de 20 mil MW, mas que a construção das hidrelétricas alagaria uma área de 18,3 mil quilômetros quadrados.

Entregue o levantamento à Aneel, a Eletrobrás aguardará a aprovação da atualização do inventário para dar início ao estudo de viabilidade para disponibilizar Belo Monte para leilão, o que deve ocorrer dentro de dois anos.

EUA exportam lixo eletrônico para países pobres, dizem ativistas



A maioria dos norte-americanos acredita que está contribuindo com o ambiente quando recicla seus computadores antigos, televisores e telefones celulares. Mas quando fazem isso, mesmo com as melhores das intenções, estão contribuindo para uma tendência global relacionada ao lixo eletrônico (também chamado de e-waste) que polui outros países. Isso porque, afirmam ativistas, os EUA enviam grande parte desse tipo de lixo a outros países.

Segundo a organização não-governamental Greenpeace, a cada ano os eletrônicos descartados somam até 50 milhões de toneladas de lixo - “se a quantidade gerada anualmente fosse colocada em contêineres de um trem, seus vagões carregados dariam uma volta ao redor do mundo”, compara a ONG ambientalista. Apesar de não haver dados específicos sobre essa prática dos Estados Unidos, ativistas estimam que de 50% a 80% das até 400 mil toneladas de eletrônicos colocados para reciclagem anualmente nos EUA acabem indo parar em outros países. Com isso, trabalhadores de países como a Índia, China e Nigéria têm de extrair metais, vidros e outros itens recicláveis, se expondo e também ao ambiente a uma mistura de elementos químicos tóxicos.

“Esse lixo está sendo reciclado, mas da maneira mais horrível que você pode imaginar”, afirmou Jim Puckett, da Basel Action Network, organização de Seattle (EUA) que deu o alerta sobre a “exportação” dos EUA para autoridades de Hong Kong. “Estamos preservando o nosso ambiente, mas contaminando todo o resto do mundo”, continuou em entrevista à agência de notícias Associated Press.

Preço baixo - Ainda de acordo com a agência, os responsáveis pelos programas de coleta de itens recicláveis – empresas, escolas, prefeituras – geralmente contratam as empresas que cobram menos pelo serviço e não querem saber o que acontece com os produtos descartados. Muitas empresas simplesmente vendem os itens mais caros e depois repassam a custos muito baixos os produtos que sobraram àqueles que exportam o lixo eletrônico.

“Muitas pessoas conseguem realizar esse tipo de exportação”, disse John Bekiaris, diretor-executivo da empresa HMR USA, que coleta equipamentos de tecnologia da informação de empresas em São Francisco, nos EUA.

‘Segunda mão’ - Muitos desses exportadores afirmam que seu trabalho tem como objetivo levar produtos usados para que sejam aproveitados em países pobres. Em setembro, depois de receber um alerta de ativistas, autoridades de Hong Kong interceptaram dois contêineres tinham centenas de monitores antigos e televisores descartados por norte-americanos.

Como a China proíbe a importação de lixo eletrônico, os dois contêineres foram enviados de volta aos Estados Unidos. Segundo Vincent Yu, responsável pela empresa Fortune Sky USA, que realizou o transporte da carga, a companhia achava que estava exportando computadores de segunda mão, e não monitores e televisores velhos. Essa mesma empresa exporta computadores e outros componentes usados para a China, Malásia, Vietnã e outros países asiáticos.

”Há um grande mercado para computadores que as pessoas não usam mais. Não acho que isso vai causar poluição. Se as peças ainda podem ser usadas, é uma iniciativa boa para todos”, disse Yu, à agência de notícias Associated Press.

“A reutilização de equipamentos usados não passa de uma desculpa. É o novo passaporte para a exportação do lixo eletrônico”, afirmou Puckett, da Basel Action Network.

Para muitos ativistas, a resposta para esse problema pode ser a criação de leis que obriguem os fabricantes de eletrônicos a reciclar seus próprios produtos, depois de usados. Essas leis encorajariam as empresas a produzir equipamentos facilmente recicláveis e com menos elementos químicos perigosos. Confira abaixo algumas dicas para minimizar os impactos no ambiente causados pelo uso da tecnologia.

CO2 pode deixar trabalhadores doentes e reduzir a concentração


Os altos níveis de dióxido de carbono (CO2) no ar dos escritórios podem deixar os trabalhadores doentes e reduzir o nível de concentração no trabalho, diz um estudo da Universidade de Middlesex, na Inglaterra, divulgado nesta sexta-feira (16).

O alto nível de CO2 pode causar dor de cabeça, problemas na vista e uma sensação geral de cansaço, acrescenta a pesquisa da universidade e da empresa de consultoria KPMG.

Os especialistas analisaram a saúde de 300 adultos e descobriram que o CO2 no ar estava afetando a sua concentração.

A diretora de saúde da KPMG, Julie Bennett, que trabalhou na pesquisa com especialistas da Universidade de Middlesex, disse que são muitos os escritórios britânicos que apresentam altas concentrações de CO2.

"Se os trabalhadores se sentem sonolentos, apáticos e sem poder se concentrar no escritório, pode ser que o motivo não seja a rotina ou a tensão do trabalho. Talvez os níveis de CO2 no ar estejam muito altos", apontou.

Segundo a pesquisa, a ventilação natural nos escritórios modernos é mínima, devido ao isolamento térmico.

O estudo avalia que as faltas ao trabalho por doença e o tempo gasto para atender a queixas pela má qualidade do ar estão custando às empresas altas somas.

"As companhias deveriam verificar os níveis de CO2 em seus edifícios, para que a redução dos níveis de produtividade não custem milhares de libras", disse Bennett.

Mudanças climáticas podem empurrar países de volta para a pobreza, alerta ONU


Kelly Oliveira

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou hoje (sábado), na Espanha, que as mudanças no clima podem empurrar os países em desenvolvimento de volta para a “armadilha da pobreza” e desfazer o progresso alcançado com as Metas do Milênio, esforço mundial liderado pela ONU para até 2015 erradicar a fome e a pobreza, reduzir a mortalidade infantil, promover a igualdade entre os sexos e garantir da sustentabilidade ambiental.

“É por isso que países industrializados precisam continuar a liderar a batalha contra as mudanças climáticas. Mas ao mesmo tempo, não podemos ignorar a realidade de que se os países em desenvolvimento falharem no esforço conjunto, pode não restar solução viável”, disse Ban Ki-moon, em entrevista coletiva divulgada pela assessoria de imprensa da ONU.

Segundo o relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU lançado hoje, as vulnerabilidades às mudanças climáticas podem aumentar por fatores como insegurança alimentar, pobreza, conflitos e incidências de doenças como aids.

Para os cientistas, a adaptação às mudanças climáticas pode reduzir essa vulnerabilidade, especialmente quando aliada a iniciativas em setores como água, agricultura, infraestrutura, saúde humana, turismo, transporte e energia. "Existem opções viáveis de adaptação que podem ser implementadas em alguns setores a baixo custo e/ou com alto nível de custo benefício”, diz o relatório.

Para o pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e integrante do IPCC, Paulo Artaxo, a distribuição das riquezas do nosso planeta ainda é “muito injusta” e precisa ser revista. “Um americano médio emite mais de 10 vezes o que um brasileiro médio emite e quase 50 vezes mais do que um indiano e chinês. Essa desigualdade é impossível de ser mantida.”

Lixo é despejado a céu aberto em 136 municípios paranaenses


O Paraná produz diariamente 20 mil toneladas de lixo . Em 136 municípios, porém, não há aterro sanitário e os resíduos são despejados em locais impróprios, a céu aberto e sem nenhum preparo. O chorume, líquido produzido a partir da decomposição do material, é absorvido pelo solo e acaba contaminando os córregos. Segundo o ParanáTV 1ª edição, Guarapuava, na região central do estado, é uma das cidades onde a situação é mais grave.O município foi notificado pelo IAP - Instituto Ambiental do Paraná e será obrigado a construir um aterro sanitário. A cidade produz 75 toneladas de lixo por dia, que são depositados no lixão. A secretaria municipal do Meio Ambiente calcula que 35% no material recolhido poderia ser reciclado.

O IAP determinou a construção de uma cerca em volta do lixão. A prefeitura também foi obrigada a implantar vigilância durante o dia e a noite no local. O objetivo é impedir a entrada de cerca de 150 catadores no terreno. A medida, no entanto, desagradou quem vive da recolha de material reciclado. Eles alegam que esta seria sua única fonte de renda.

Em uma reunião entre representantes dos coletores, do IAP e da prefeitura ficou definido que os coletores podem ficar no lixão por mais dois meses. Depois deste período, eles serão inseridos em um projeto de coleta seletiva. A construção do aterro sanitário, no entanto, ainda deve demorar dois anos, segundo estimativa da prefeitura.

Cupim pode ajudar madeira a se tornar biocombustível



As bactérias que habitam os intestinos dos cupins e permitem que eles façam a digestão da celulose podem desempenhar um papel importante como agentes bioquímicos da transformação da madeira em biocombustível, afirmou uma equipe de pesquisadores que analisou o sistema microbiano muito complexo dos xilófagos, animais que se alimentam de madeira.

Perigosos por devorarem estruturas de casas, os cupins "fazem parte de um grupo de organismos extremamente competentes na transformação da madeira" constataram os cientistas em um estudo publicado nesta semana pela revista britânica "Nature".

"O intestino dos cupins é minúsculo, mas funciona como um bioreator de uma eficácia surpreendente", segundo Andreas Brune, do Instituto Max Planck de microbiologia terrestre em Marburg, na Alemanha.

Os trabalhos sobre o metagenoma dos cupins Nasutitermes, ou seja, a análise genética das células microbianas presentes em seu intestino, permitiu a constatação da presença de inúmeras bactérias responsáveis pela hidrólise da celulose e do xilênio, dois polímeros que podem ser utilizados para fabricar biocombustíveis.

"O meio microbiano do intestino dos cupins pode, teoricamente, transformar uma folha de papel A4 em dois litros de hidrogênio", acrescentou Brune, detalhando que a "biodiversidade e a bioquímica ainda pouco exploradas do intestino dos cupins é uma fonte promissora de novas capacidades catalíticas".

O estudo publicado na "Nature" é "a primeira análise global de um sistema microbiano especializado na transformação da lignocelulose vegetal", afirmaram seus autores, entre eles Falk Warneke do Joint Genome Institute americano.

As centenas de espécies dos microrganismos presentes no intestino dos cupins se dividem em duas categorias, explicou Brune, autor de um comentário sobre o artigo também publicado na "Nature": o primeiro grupo é de bactérias que são parentes distantes das presentes nos intestinos dos ruminantes, especialmente em vacas.

A segunda categoria transforma o dióxido de carbono em acetato de celulose, uma fibra comumente utilizada na indústria para a fabricação de adesivos e de filmes fotográficos.

Brasil desperdiça 45% da água captada



De toda a água que se retira de mananciais para abastecer as capitais brasileiras, quase a metade (45%) se perde antes de chegar às casas e atender a população. A principal causa são os vazamentos na rede.

Porto Velho tem a pior situação entre as capitais em termos percentuais - 78,8% - e o Rio de Janeiro tem a maior perda se for levado em conta o volume total jogado fora - o equivalente a 618 piscinas olímpicas.

Em São Paulo, a perda é menor do que a média das capitais e fica em 30,8% - em 2001, a estimativa era de 33,5%. Mesmo assim, o extravio ainda é muito superior ao considerado aceitável por especialistas - entre 15% e 20%. O Japão, por exemplo, tem perda de apenas 4%.

O problema não é novo. Em 2002, o Ministério das Cidades estimava a perda nacional de água em 40%. Desde então, a situação piorou.

Para chegar à quantidade de água perdida na rede, a conta é a seguinte: faz-se a subtração entre o que é retirado dos mananciais (a medição acontece nas Estações de Tratamento de Água) e o que é consumido pela população. Por isso, acaba sendo computado como perda, além de vazamentos, os erros de medição, as fraudes nos hidrômetros e as ligações clandestinas de água.

Segundo a Sabesp, por exemplo, os vazamentos são responsáveis por 65% do total perdido na capital paulista.

Esses e outros dados sobre abastecimento e consumo de água serão apresentados pelo ISA ( Instituto Socioambiental) na próxima quarta-feira (21), no evento de lançamento da campanha "De Olho nos Mananciais", apoiada pela modelo Gisele Bündchen. A top model cedeu sua imagem para a divulgação da iniciativa.

As informações foram obtidas no Snis (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), do Ministério das Cidades, e têm como referência o ano de 2004. Os dados de São Paulo foram atualizados pela Sabesp e são de 2007.

Segundo Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do ISA, para alterar o quadro atual é necessário combate intenso aos vazamentos. "O atendimento rápido é muito importante. É preciso ter um sistema eficaz de monitoramento para notar os problemas e resolvê-los."

A instituição ressalta que a participação da população é essencial: as pessoas devem avisar as empresas sobre os vazamentos e cobrar o reparo.

Para José Aurélio Boranga, presidente da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental), é imprescindível investir em tecnologia e trocar a tubulação antiga.

De acordo com ele, as maiores perdas ocorrem nos ramais --pontos em que a água deixa a rede da rua e segue para as casas. "Fazer conserto em ramal é perder dinheiro. Quando há vazamento, precisa trocar."

Segundo as associações brasileiras de empresas estaduais (Aesbe) e de concessionárias (Abcon) de saneamento básico, seriam aceitáveis índices de perdas sempre abaixo de 20%, o que é raro no Brasil.

O superintendente-executivo da Aesbe, Walder Suriani, aponta o déficit tecnológico na estrutura do sistema e dos materiais empregados nas tubulações de água. "O material empregado no Brasil é frágil. Usamos tubos de 100 m com juntas a cada seis metros (o que permite mais vazamentos)'', diz.

O presidente da Abcon, Fernando Mangabeira, afirma que os resultados demoram a aparecer. A empresa que ele dirige, a Águas de Limeira, do interior de SP, levou sete anos para fazer caírem as perdas de 45% para 18%. "Não pode parar de investir, é preciso manter essa estratégia sempre."

Fechando a torneira - Saiba como economizar água:

Banho - Feche a torneira ao se ensaboar. Uma ducha aberta durante 15 minutos consome 135 litros; no mesmo período, um chuveiro elétrico consome 45 litros. Se o uso foi reduzido para cinco minutos, o consumo cai para 45 litros, no caso da ducha, e para 15 litros, no caso do chuveiro elétrico.

Escovar os dentes - Molhe a escova e feche a torneira enquanto escova os dentes e enxágüe a boca com um copo de água. Cinco minutos com a torneira aberta gastam 12 litros.

Lavar o rosto - Não demore. Um minuto com a torneira meio aberta gasta 2,5 litros.

Barbear - Cinco minutos gastam 12 litros. Fechando a torneira, o consumo cai para dois ou três litros.

Vaso sanitário - Seis segundos de acionamento gastam de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias fabricadas a partir de 2001 necessitam de menos tempo para a limpeza e consomem seis litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, o gasto pode chegar a 30 litros. Mantenha a válvula da descarga regulada e conserte vazamentos assim que forem notados. Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa.

Lavar a louça - Primeiro, limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e, só aí, abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e, então, abra a torneira para novo enxágüe. Lavando louça com a torneira meio aberta por 15 minutos são utilizados 117 litros. Com economia, o consumo chega a 20 litros. Uma lavadora de louça com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros - utilize-a somente quando estiver cheia.

Lavar a roupa - A lavadora de roupas com capacidade de cinco quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com capacidade total. No tanque, a torneira aberta por 15 minutos gasta até 279 litros. Deixar acumular a roupa e coloque água no tanque para ensaboar, mantendo a torneira fechada. Aproveite a água do enxágüe para lavar o quintal.

Jardim - Molhar as plantas por 10 minutos pode consumir 186 litros. Use um regador em vez de utilizar a mangueira. No verão, regue pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação. No inverno, regue um dia sim, um dia não, pela manhã. Com uma mangueira com esguicho-revólver, a economia chega a 96 litros por dia.

Piscina - Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e ao vento perde aproximadamente 3.785 litros por mês por evaporação - suficientes para suprir as necessidades de água potável de uma família de quatro pessoas por cerca de um ano e meio (considerando o consumo médio de dois litros por habitante por dia). Com uma cobertura plástica, a perda é reduzida em 90%.

Calçada - Use a vassoura, e não a mangueira, para limpar a calçada e o pátio de casa. Se houver sujeira localizada, use um pano umedecido com água de enxágüe da roupa ou da louça. Com mangueira, em 15 minutos, são perdidos 279 litros de água.

Carro - Use um balde e um pano para lavar o carro em vez de uma mangueira. Se possível, não o lave durante a estiagem. Muita gente gasta até 30 minutos lavando o carro. Com uma mangueira não muito aberta, gastam-se 216 litros de água. Com meia volta de abertura, o desperdício alcança 560 litros. Para reduzi-lo, lave o carro somente uma vez por mês e usando um balde - nesse caso, o consumo é de apenas 40 litros.

24 novembro 2007

Rejeitos nucleares não preocupam nos próximos 500 anos, diz Eletronuclear


Por Alana Gandra


Rio de Janeiro - A questão dos rejeitos nucleares parece estar equacionada no Brasil, pelo menos nos próximos 500 anos, avaliou nessa quarta-feira (21) o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva.


“Nós não estamos resolvendo o problema. Resolver o problema significaria a gente resolver para a eternidade. Mas nós estamos postergando para 500, mil anos, com muita responsabilidade”, afirmou. Ele encerrou o 1º Workshop sobre Geração Nuclear e a Matriz Energética Brasileira, promovido pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), no Rio.


Silva disse que o volume de rejeito atômico produzido pelas usinas de Angra dos Reis. “Uma central com as usinas de Angra 1, 2 e 3 produz 28 metros cúbicos de rejeito de alta atividade. Cabe numa salinha pequena. A gente pode estocar por 100 anos tranqüilamente”, argumentou. Ele disse que quem vai escolher o local de depósito dos rejeitos nucleares será o próprio povo brasileiro.


“A idéia é fazer uma célula e demonstrar que é seguro. Depois, nós vamos fazer um leilão, por meio do qual aquele município do país que se voluntariar fica sendo o depósito e receberá um royalty [pagamento] por isso.”


A Eletronuclear, informou o presidente da estatal, vai colocar cada rejeito atômico ou elemento combustível numa ampola de aço inoxidável lacrada com solda, com vida útil superior a mil anos. “Ela fica isolada da sociedade”, afirmou o presidente da estatal, responsável pela operação das usinas nucleares no país. Para os críticos da energia nuclear, os rejeitos representam risco ambiental, além de a produção energética ser cara.


O presidente da Eletronuclear afirmou que os ambientalistas, e a sociedade em geral, não vão conviver nunca com rejeito nuclear, “que é produzido em pequena quantidade e pode ser encapsulado”. Segundo Othon Luiz Pinheiro da Silva, a questão que mais preocupa a humanidade nessa área são os rejeitos de alta radioatividade, chamados pela indústria de subprodutos. Esse tipo de rejeito é formado pelo elemento combustível já irradiado dentro do reator.


Silva lembrou que mesmo os críticos do programa nuclear brasileiro convivem diariamente com todos os tipos de rejeitos das usinas térmicas movidas a gás, carvão, biomassa e óleo, além de produtos como o desinfetante creolina, que “é um rejeito muito tóxico, cancerígeno”.


O rejeito de baixa radioatividade diz respeito ao material utilizado pelos técnicos da usina, como sapatos, macacões e luvas, e tem tratamento similar ao dos rejeitos hospitalares. O rejeito de média atividade são as resinas dos processos. Esses dois tipos de rejeitos têm como destino galpões de concreto construídos dentro de rochas, ao lado de cada usina.


O assessor da presidência da Eletronuclear Leonam dos Santos informou à Agência Brasil que a ação radioativa depende do tipo de rejeito. Os de baixa e média atividade, por exemplo, permanecem radioativos por até 100 anos, disse. Já nos de alta atividade, a duração do poder radioativo é muito variada. “Pode ir de mais de 100 anos, como o césio por exemplo, a 10 mil anos de meia-vida, caso do plutônio”, observou. Meia-vida é o tempo que o material leva para ter seu teor radioativo reduzido à metade.

Projeto de Lei Incentiva o Uso de Energia Solar no Rio de Janeiro



Assim como as capitais São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte, a cidade do Rio de Janeiro também pretende contribuir com a preservação ao meio ambiente. Para isso, a vereadora Aspásia Camargo (PV) apresentou um projeto de lei na Câmara Municipal que torna obrigatório o uso de energia solar em novas edificações.

De acordo com o projeto, a lei se estende para novas edificações de uso não residencial, públicas e privadas e para novos imóveis residenciais com área construída superior a cento e cinqüenta metros quadrados.


Para Aspásia os projetos semelhantes aprovados em algumas cidades brasileiras demonstram o “despertar do Brasil para a realidade sócio-ambiental”. Segundo ela, é um desperdício, tanto econômico como ambiental, não saber usar a energia solar, presente na maior parte do território brasileiro, inclusive no Rio de Janeiro, onde a incidência do sol é alta em boa parte do ano.


“Esses fatores facilitam o funcionamento do sistema que é instalado nos telhados das casas, hotéis, pousadas, entre outros”, informa José Luiz Jesus gerente geral da Alpina Termoplásticos, uma das mais conceituadas empresas do ramo de aquecedor solar.


Questionado sobre as vantagens do aquecimento solar ALO Solar, José Luiz aponta os ótimos índices de eficiência energética alcançados pelos reservatórios térmicos (Thermotank e Isola) e as placas coletoras nos testes do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). Pelos resultados apresentados, os equipamentos receberam o Selo Procel concedido pela Eletrobrás aos produtos que reduzem o consumo de energia elétrica. Quanto à economia na conta de energia elétrica, ele afirma ser de aproximadamente 30% com o uso do aquecedor solar.

O Japão retoma a actividade de Pesca à Baleia no Pacífico



O Japão vai retomar as suas actividades criminosas e bárbaras de caça à baleia no Pacífico Sul, planeando a morte de mais de mil baleias. Supostamente, estas actividades de caça têm “objectivos científicos”, numa imensa hipocrisia que deveria envergonhar uma das civilizações mais antigas e admiráveis do mundo. A decisão de retomar a actividade baleeira é particularmente grave no caso das baleias corcundas que estavam cobertas por uma moratória já com 44 anos e das quais o Japão pretende agora caçar 50 baleias. De facto, as baleias corcundas estiveram quase extintas, e só esta moratória é que as salvou in extremis, sendo a sua população de vários milhares (segundo fontes japonesas) actualmente, razão pela dizem os japoneses que abater cinquenta baleias não terá impacto na sobrevivência da espécie. Mas a caça destes animais não servirá para estudar os seus “órgãos internos”, como afirmam as autoridades japonesas, mas para alimentar uma indústria alimentar que ainda que esteja em declínio (graças sobretudo a uma atitude mais ecológica por parte das gerações mais novas) ainda pagam 17 euros por meio quilograma e é a matéria-prima de vários pratos de cozinha tradicional e de luxo japoneses.

O Japão deixou de caçar baleias com fins comerciais em 1986, mas manteve algum tipo de actividade baleeira sempre sob pretextos “científicos” tendo agora uma frota de quatro navios baleeiros em actividade no Pacífico Sul, sendo esta seguida de perto pelo navio Esperanza da Greenpeace (o blog do navio pode ser acedido clicando AQUI). Se esta declaração o chocou tanto como a mim, envie um mail para a Embaixada Japonesa endereçada a Yuichi Miyagawa o responsável pela área de “Informação e Assuntos Culturais” (clicando AQUI) exprimindo de forma veemente, mas polida o seu estado de alma quanto a este regresso massivo do Japão a uma das actividades humanas mais cruéis jamais registadas contra uma das criaturas mais inteligentes da Natureza: a Baleia.

21 novembro 2007

Após mais de uma semana, baleia morre na Amazônia

Animal estava a cerca de mil quilômetros do oceano; causa ainda será apurada

Corpo de baleia passará por necropsia e depois será enterrado; ribeirinhos que a identificaram primeiro se revoltaram com morte


KÁTIA BRASIL

DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

A baleia minke que encalhou em um rio da Amazônia, no Pará, apareceu morta ontem, antes do início da operação de resgate para salvá-la.

O animal marinho, de cinco metros de comprimento e cerca de sete toneladas, estava a cerca de mil quilômetros do oceano Atlântico há pelo menos uma semana.

A suspeita é a de que ela tenha se desviado de sua rota e entrado no rio Amazonas pela ilha de Marajó. No rio Tapajós, afluente do Amazonas, foi atração turística e alvo de agressão.

Uma necropsia seria feita ontem para tentar identificar a causa da morte da baleia e o motivo que a fez entrar em águas doces. Biólogos acreditam que uma doença pode tê-la feito deixar o Atlântico. Após os exames, a baleia será enterrada.

O veterinário Milton Marcondes, do Instituto Baleia Jubarte, que está na região a pedido do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), afirmou que a baleia estava estressada e ferida.

"Se ela fosse ficar aqui no rio ia acabar morrendo. O animal estava sob estresse, gente subindo em cima, barcos próximos, tudo isso pode ter comprometido seu quadro", disse.

O animal foi achado morto às 7h, pela comunidade de São José, no rio Arapiuns, afluente do Tapajós. O local fica a uma hora e meia de barco de Santarém (730 km de Belém).

Ontem, em Piquiatuba, onde a baleia foi identificada pela primeira vez, moradores se revoltaram pela morte da minke. "O Ibama demorou muito no resgate", disse o professor Jonathás Xavier dos Santos, da escola municipal Santa Terezinha. A equipe de biólogos que monitorava o animal tentava conseguir uma embarcação para transportá-lo de volta ao oceano, mas não conseguiu a tempo.

Técnica gera célula-tronco sem embrião

Grupos no Japão e nos EUA reprogramaram células adultas da pele humana para agirem como se fossem embrionárias

Estratégia desenvolvida por japonês pode eliminar o dilema ético em torno da clonagem terapêutica, que demanda destruir embriões


GIOVANA GIRARDI

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Duas equipes independentes de cientistas deram um salto nas pesquisas com célula-tronco ao conseguirem fazer com que células humanas adultas da pele "voltassem no tempo" e passassem a agir como se fossem as versáteis células-tronco embrionárias, conseguindo posteriormente se diferenciar em outros tecidos do corpo.

A técnica surge com a promessa de que talvez, no futuro, possa substituir o uso das polêmicas células-tronco embrionárias. As CTEs são hoje as queridinhas dos pesquisadores por conta de seu potencial terapêutico. Como elas têm a capacidade de se transformar em qualquer outro tecido do organismo, podem, em tese, ser usadas para o tratamento de doenças degenerativas, como diabetes e mal de Parkinson.

O problema é que, para obtê-las, é necessário destruir embriões, fato que enfrenta a resistência de grupos religiosos. Com o novo trabalho, a Casa Branca parabenizou os cientistas por resolverem problemas médicos "sem comprometer os elevados objetivos da ciência e o sagrada da vida humana".

Cientistas do Japão e dos EUA pegaram células da pele humana (fibroblastos) e induziram nelas a tão desejada pluripotência (versatilidade) da CTEs. Após essa reprogramação, elas não só assumiram uma aparência de CTEs como também um funcionamento semelhante ao delas, chegando a se diferenciar em neurônios e células cardíacas.

"Estamos agora em posição de gerar células-tronco específicas para pacientes e doenças sem usar embriões", declarou Shinya Yamanaka, autor de um dos estudos, em comunicado. "Com essas células, poderemos compreender mecanismos de doenças, procurar por drogas eficientes e seguras e tratar pacientes com terapia celular."

O feito tinha sido obtido pela primeira vez em meados de 2006, com células de camundongo, pela equipe de Yamanaka, da Universidade de Kyoto. Desde então, cientistas de todo o mundo vinham tentando replicá-lo em humanos. Agora, os grupos do japonês e do americano James Thomson, da Universidade de Wisconsin em Madison, conseguiram. Os trabalhos foram publicados on-line nos periódicos "Cell" (www.cell.com) e "Science" (www.sciencexpress.org).

Regulação

As duas equipes trabalharam com a introdução nos fibroblastos de quatro genes ligados à manutenção da capacidade das células-tronco embrionárias. Quando um organismo está se formando, esses genes estão ativos nas CTEs e fazem com que elas se diferenciem nas demais células do corpo. No momento em que a célula atinge sua especialização, no entanto, eles são desativados.

O pesquisadores usaram retrovírus, parentes do vírus da Aids, para introduzir esses genes nos fibroblastos de modo que eles se reativassem e as células retomassem a versatilidade (veja quadro à direita). A diferença entre os dois estudos foram os genes usados. O grupo de Yamanaka trabalhou com Oct3/4, Sox2, Klf4 e c-Myc. O de Thomson trocou os últimos dois por Nanog e Lin28.

Fim da clonagem?

O achado pode jogar uma pá de cal nas busca da chamada clonagem terapêutica. Ainda na semana passada, um dos pioneiros dos estudos com clones, o escocês Ian Wilmut, "pai" da ovelha Dolly, se antecipou ao lançamento dos trabalhos ao dizer que desistia de tentar clonar um ser humano para obter células-tronco.

Ele disse na ocasião que sua decisão era baseada no sucesso que Yamanaka tivera anteriormente com camundongos. Ontem ele só complementou sua decisão: "Nós podemos agora visualizar um tempo em que uma simples técnica poderá ser usada para produzir células-tronco que serão capazes de formar qualquer tecido a partir de uma pequena amostra de qualquer um de nós."

Robert Lanza, da companhia Advanced Cell Technology, que vinha tentando clonar embriões, comparou: "Este trabalho representa um tremendo marco científico, o equivalente biológico do primeiro avião dos irmãos Wright", disse. "É um pouco como aprender como transformar chumbo em ouro."

Em entrevista coletiva, ontem, a equipe de Thomson também se manifestou nesse sentido. Quando questionada sobre se ainda fazia sentido falar em clonagem terapêutica, Jennifer Frane, também de Wisconsin, respondeu: "Bem, eu diria que não". Ao que foi amparada por Thomson: "A transferência de núcleo celular é um bom experimento, mas nós ainda somos ineficientes, ele é caro, é difícil de fazer e é provável que nunca aproveitemos as aplicações. Então não imagino que ele dure por muito tempo".

Mas, apesar de a nova técnica ser "eticamente descomplicada", como definiu Douglas Melton, co-diretor do Instituto de Células-Tronco da Universidade Harvard, ela ainda não deve substituir os estudos com as células-tronco embrionárias.

"Ainda temos muito a aprender com as células-tronco embrionárias. E só pesquisando seu funcionamento podemos fazer com que uma célula adulta imite seu comportamento", ressaltou a pesquisadora Lygia da Veiga Pereira, da USP. "Veja que os próprios autores só chegaram a esses resultados graças às CTEs e precisarão delas para várias outras análises, inclusive para eliminar o vírus como tecnologia para a reprogramação, o que impede que isso seja usado para a terapia com seres humanos", complementou Stevens Rehen, da UFRJ.

Com agências internacionais

18 novembro 2007

Após R$ 1,5 bi, Guanabara está até mais poluída

Banco japonês e BID investiram valor em programa de despoluição da baía

Dinheiro estrangeiro acabou e, em alguns pontos, baía é hoje mais suja do que há 13 anos, quando projeto foi lançado pelo Estado


SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO

Acabou o dinheiro de fora investido no programa de despoluição, os sucessivos governos do Estado do Rio não fizeram o que acordaram em contratos e a baía de Guanabara hoje é tão, e em alguns pontos até mais, suja do que era quando o projeto foi lançado, há 13 anos.

As última parcelas de dinheiro estrangeiro (do Banco Japonês de Cooperação Internacional e do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID) chegaram ao PDBG (Programa de Despoluição da Baía de Guanabara) no ano passado.

Ao todo, o BID investiu exatos US$ 349.365.253,40. O Banco Japonês, US$ 287,9 milhões. Em moeda nacional, as organizações financeiras do exterior contribuíram, em valores atuais, com quase R$ 1,5 bilhão. Agora, a fonte secou.

Com o financiamento externo, foram construídas ou ampliadas oito estações de tratamento de esgoto ao redor da baía de 380 km2, cujas águas margeiam os municípios do Rio de Janeiro, Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Itaboraí, São Gonçalo e Niterói. Outras nove cidades integram a bacia hidrográfica da baía. Algo em torno de 13 milhões de pessoas cujos dejetos vão, na maioria das vezes, sem tratamento para o mar.

O problema principal é que as estações ou não funcionam ou funcionam precariamente, porque os governantes não se preocuparam em instalar os troncos coletores, aonde chegariam as tubulações receptoras dos esgotos residenciais.

Essa era a tarefa contratual dos governos fluminenses, conforme rezam os três contratos firmados em 1994 com os dois bancos estrangeiros. Ou seja, sem os canos, a sujeira não tem como chegar às estações de tratamento prontas.

A contrapartida brasileira aos investimentos externos seria de US$ 531,4 milhões, ou cerca de R$ 955,8 milhões, em valores de hoje. Mas, até 2005, segundo dados do TCE (Tribunal de Contas do Estado), o governo fluminense só aplicara US$ 351.287,647,86 (R$ 632,3 milhões), o que representa 66% do que deveria ter gasto. Neste ano, o governo diz que investirá R$ 60 milhões.

Por causa da falta de investimento pelo Estado, a primeira fase do programa, justamente a que previa a despoluição da baía, não terminou. Está atrasada sete anos. A segunda fase, de recuperação ambiental, que duraria seis anos a partir do fim da primeira, sequer começou.

Assim, mesmo com o mais de R$1 bilhão investido no programa de limpeza, a baía continua imunda. Para reparar a intensidade da poluição, basta fazer o contorno dela por terra. Com exceção da praia de Icaraí (Niterói), onde já não ocorre despejo de esgoto, as demais (cerca de 90) são impróprias para banho, poluídas pelas cargas orgânica ou industrial e lixo.

O que já era muito poluído há 13 anos, está hoje em situação terminal. São os casos das vizinhanças do porto de Niterói; da orla de São Gonçalo; da região nos fundos da baía junto à Refinaria Duque de Caxias, à foz do rio Sarapuí e à praia de Mauá; do canal entre a ilha do Governador e o continente; e, principalmente, do canal do Fundão, o trecho visualmente mais assustador. Ali, quando a maré baixa, surge um lamaçal negro, malcheiroso, sem vida. Não há peixes no canal.

Mas a poluição da baía não pode ser creditada apenas à população pobre que habita as favelas da orla da baía e áreas afastadas dos espaços turísticos. Ainda existe despejo de esgoto sem tratamento no centro, na marina da Glória e na praia do Flamengo, áreas nobres da cidade.

Nordeste desperdiça estrutura de irrigação

Equipamentos instalados são suficientes para atender 60 mil hectares, mas metade dessa área está sem plantio nenhum

Neste ano, de seca, Ceará perdeu mais de 50% de sua produção agrícola, e 127 mil pessoas não têm o que comer, segundo o governo


KAMILA FERNANDES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LIMOEIRO DO NORTE (CE)

No Nordeste setentrional, onde as chuvas são esparsas e o clima predominante é o semi-árido, existem instalados, hoje, equipamentos e infra-estrutura pública para irrigação em 60 mil hectares. Mas pouco mais da metade dessa terra, 30.880 hectares, está parada, sem plantio algum, segundo o próprio órgão que a gerencia, o Dnocs (Departamento Nacional de Obras contra as Secas).

Sem irrigação, pequenos produtores só podem esperar a chuva, que nem sempre é suficiente, para o plantio de subsistência de feijão, milho e mandioca. Neste ano, de seca, a perda da produção foi de mais de 50% no Ceará, onde 152 dos 184 municípios do Estado decretaram situação de emergência pela estiagem. Pelos cálculos do governo, 127 mil pessoas não têm o que comer no Estado pela perda da safra.

As explicações para a ineficiência do uso das áreas já prontas para irrigar são várias. Para o diretor-geral do Dnocs, Elias Fernandes, em alguns casos há falta d'água e em outros há falta de interesse de agricultores ou empresários em investir, dificuldades para conseguir crédito ou mesmo problemas de gestão.

Além disso tudo, segundo agricultores ouvidos pela Folha, há também indícios de especulação imobiliária, principalmente em áreas que serão beneficiadas pelo projeto de transposição do rio São Francisco e que terão seu potencial hídrico triplicado quando a obra estiver pronta.

Ao visitar um desses perímetros do Dnocs, o Jaguaribe-Apodi, em Limoeiro do Norte (200 km de Fortaleza), a reportagem encontrou um grande contraste: largas áreas de caatinga, bem ao lado de canais cheios d'água, usados para irrigar apenas 2.800 hectares cultivados por empresas. A área total do projeto é de 5.400 hectares e há outros 9.800 para serem implementados.

Não é barato instalar uma infra-estrutura de irrigação, de acordo com relatório do Banco Mundial de 2004, intitulado "Impactos e Externalidades Sociais da Irrigação no Semi-Árido Brasileiro".

O custo médio desses empreendimentos é de US$ 10 mil por hectare, segundo o banco, mas há casos em que os custos são bem maiores, como o do Jaguaribe-Apodi, que chegou a custar US$ 15 mil por hectare e é tido como um insucesso por este estudo. Em 30 anos, o país investiu cerca de US$ 2 bilhões (R$ 3,48 bilhões) em obras de irrigação, segundo o banco.

A construção de um perímetro irrigado inclui a instalação de canais para levar a água de um reservatório às terras irrigáveis, máquinas para o seu bombeamento, estações elevatórias, equipamentos para a distribuição da água, como os pivôs (grandes máquinas que fazem a água jorrar do alto), os microaspersores e as mangueiras para gotejamento (que permitem um menor desperdício de água), além de galpões para a estocagem da produção.

Além das áreas do Dnocs, há, no Nordeste meridional, ao longo do rio São Francisco, outros 25 projetos de irrigação instalados pelo governo federal, mas pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).

Dos 100 mil hectares instalados, 81.200 hectares estão sendo cultivados. Entre os motivos para não haver cultivo no restante das terras, de 18.800 hectares, segundo o diretor da área de gestão dos empreendimentos de irrigação do órgão, Raimundo Deusdará Filho, estão a troca de culturas agrícolas, questões de mercado e problemas de gestão. "Quando não é feito o uso devido da terra, acionamos o dono juridicamente."

Amazônia está sufocando, diz secretário da ONU

Secretário da ONU cobra resposta de governos a dados científicos sobre clima

Coreano lançou ontem síntese de relatório do IPCC sobre o clima e disse que Amazônia "está sufocando" e pode virar uma savana


DA REDAÇÃO

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, classificou ontem o aquecimento global como "o desafio que definirá nossa era" e cobrou de governos de países ricos e pobres ação imediata para minimizar suas conseqüências.

Ban lançou ontem em Valencia, Espanha, a síntese do AR4, o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC, o painel do clima da ONU. O documento, de 23 páginas, resume o estado-da-arte do conhecimento humano sobre o efeito estufa.

Destinado a líderes políticos, ele deve guiar as negociações a serem iniciadas no mês que vem em Bali, Indonésia, sobre o acordo para reduzir emissões que substituirá o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012.

Embora não traga muitas novidades científicas em relação aos três sumários executivos que o IPCC lançou ao longo deste ano, o relatório-síntese pode ser considerado um alerta mais duro. Ele admite, por exemplo, que o aquecimento acelerado traz o risco de "singularidades de grande escala".

A principal delas é o aumento do nível do mar muito além dos 59 cm esperados para 2100 em decorrência do degelo polar. "Processos dinâmicos do gelo vistos em observações recentes mas não incluídos totalmente no AR4 poderiam aumentar a taxa de perda", diz a síntese.

"Os cientistas determinaram, em uníssono, que a mudança climática é inequívoca. Agora eu preciso de respostas políticas dos líderes políticos", declarou Ban à imprensa.

Testemunha ocular

Antes, em discurso a delegados de cerca de 130 países, o coreano afirmou que pôde testemunhar nos últimos dias os efeitos da mudança climática, como o rompimento de plataformas de gelo na Antártida.

"A Amazônia, o pulmão da Terra [sic], está sufocando", afirmou. (A floresta consome quase todo o oxigênio que produz, portanto, a imagem de "pulmão" não é adequada.)

Declarou em seguida que Brasil tem se esforçado para reduzir o desmatamento e promover o manejo sustentável da floresta, mas que o governo teme que o aquecimento global já esteja minando esses esforços.

"Se as projeções mais graves se concretizarem, boa parte da Amazônia se transformará em uma savana."

"Essas cenas são tão assustadoras quanto um filme de ficção científica. Mas são ainda mais terríveis por serem reais."

Ban destacou, no entanto, que o relatório do IPCC mostra que há meios reais e economicamente viáveis de enfrentar a mudança climática, e que uma ação coordenada pode evitar o desastre.

"Nós estamos abordando a ciência de uma maneira muito objetiva. Se isso não der base para a ação política, eu não posso pensar em nada melhor", afirmou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.

O relatório acrescenta impulso técnico e político à conferência de Bali, que começa daqui a duas semanas e tem o objetivo de definir o calendário de negociações do futuro regime de redução de emissões, a ser adotado em 2009.

Ban voltou a enfatizar que "não podemos nos permitir não obter um avanço real em Bali" e que "não se alcançará um acordo" se os países em desenvolvimento não se comprometerem a reduzir suas emissões.

Pelo acordo de Kyoto, somente os países industrializados, agrupados no chamado Anexo 1, têm metas obrigatórias de redução a cumprir. Acontece que nações do Terceiro Mundo, como a China, têm tido um crescimento enorme de suas emissões. O sucesso da conferência de Bali depende do papel que China e Estados Unidos desempenharão.


Com agências internacionais

04 novembro 2007

Mamífero planador é o primo mais próximo de macacos e humanos



Anote este nome: colugo. Você muito provavelmente não tem a mínima idéia do que se trata, então aí vai um resumo: pequeno, felpudo, com uma membrana gigantesca de pele entre os membros que lhe permite planar - e agora, de acordo com um grupo de pesquisadores, ele também está sacramentado como o parente mais próximo dos os primatas, o grupo que inclui o homem e todos os outros macacos.

A reclassificação do bicho como um primatomorfo, ou seja, como a coisa mais próxima de um primata sem ser um primata, está num artigo na revista especializada americana "Science" desta semana. No trabalho capitaneado por William J. Murphy, da Universidade do Texas A&M, uma comparação genética abrangente, envolvendo vários primatas (como humanos, chimpanzés, orangotangos e lêmures) e outros mamíferos, ajudou a resolver o que ele define como "uma controvérsia muito antiga".

"Até hoje não se sabia se os parentes mais próximos dos primatas eram os colugos, os musaranhos-arborícolas ou ambos", declarou Murphy ao programa de rádio online da "Science". É difícil saber quais das duas opções é uma esquisitice maior. Enquanto os colugos, também chamados de lêmures-voadores, parecem o cruzamento mal-ajambrado de um morcego com um esquilo, os musaranhos-arborícolas lembram ratazanas pós-atropelamento.

Não é exatamente o tipo de parente que as pessoas gostam de apresentar para a namorada. Os colugos, em especial, "parecem fantasmas no meio da mata, planando feito morcegos ou pipas. São bem esquisitos mesmo", afirma Murphy.

Mesmo assim, a anatomia das espécies atuais e a dos fósseis deixa claro que as duas bizarrices estão bem próximas dos primatas. Para tirar a prova dos nove e ver qual era o mais próximo de nós, Murphy e companhia examinaram quase 200 mil éxons --os pedaços dos genes que servem de base para a produção de proteínas. Modificações em éxons compartilhadas entre primatas e seus parentes poderiam resolver o enigma, raciocinou a equipe.

De fato, após um árduo processo de comparação genética, a estratégia deu certo. Pequenas diferenças, representadas, por exemplo, pelo sumiço de pedaços de DNA, colocaram os colugos definitivamente como o grupo-irmão dos primatas, como se diz no jargão científico.

Para ser mais preciso, eles estimam que os colugos e nós primatas formávamos um único grupo até uns 85 milhões de anos atrás, quando houve a divergência que daria origem aos mamíferos planadores. Os achados podem parecer mera curiosidade biológica - mas estão longe disso, segundo Murphy.

"A questão aqui é saber quais mudanças anatômicas e moleculares aconteceram ao longo da evolução para que os primatas surgissem", afirma o pesquisador americano. Assim, por mais maluco que pareça, entender os colugos pode ser um passo importante para entender a nós mesmos.

Anfíbios de 330 milhões de anos deixam 'impressão corporal' em rocha


Pegadas de dinossauros e de outras criaturas extintas são relativamente comuns no registro fóssil, mas uma impressão de corpo inteiro deixada por um bicho extinto nunca tinha sido vista - até agora.

Pesquisadores do Museu de História Natural do Novo México (Estados Unidos) revelaram essa estranha "pegada corporal" deixada por anfíbios de 330 milhões de anos, parecidos com salamandras. As marcas revelam, entre outras coisas, que os bichos já tinham pele totalmente lisa, como a de seus parentes modernos.

Incêndio no Parque da Chapada Diamantina é controlado


O incêndio que atingiu a região do parque da Chapada Diamantina, na Bahia, foi controlado na quinta-feira (01), pelos 30 brigadistas da unidade e voluntários, segundo informações do Ibama - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.

Na sexta-feira (02), restava um foco de incêndio na região de Ibiquara, próxima a Mucugê, fora dos limites do Parque, mas com risco de atingi-lo. Por isso, os brigadistas continuam com o monitoramento da Chapada, com quatro veículos de apoio e com o sistema de comunicação funcionando perfeitamente, para, no caso de detecção de novos focos, realizarem um trabalho rápido e eficiente ao combate do fogo.

No Parque Nacional do Pantanal Matogrossense, uma equipe com 20 brigadistas realiza as atividades de rescaldo de um incêndio causado pela queda de um raio em área de pastagem com grande volume de combustível acumulado.

Em Minas Gerais, duas unidades registram ocorrência de fogo. Na Reserva Biológica da Mata Escura, a brigada da Rebio e de voluntários do Caparaó contam com o apoio no campo de duas caminhonetes e do helicóptero do Ibama.

No Parque Nacional da Serra do Cipó, dois fiscais fizeram a primeira avaliação do foco de incêndio e já se solicitaram uma unidade aérea pois o local é de difícil acesso.

Proliferação de algas azuis no São Francisco começou em setembro



Desde o início de setembro parte do Rio São Francisco sofre com a proliferação de cianoalgas, ou algas azuis. São espécies, que apesar de fazer parte da fauna aquática, se desenvolvem rapidamente em determinadas condições – poluição e variações climáticas, por exemplo – e podem liberar toxinas que contaminam a água e a carne dos peixes.

“A poluição é um problema recorrente da região porque o Rio das Velhas (um dos principais afluentes do São Francisco) drena a região metropolitana de Belo Horizonte, que é a área mais densamente povoada da Bacia do São Francisco”, aponta o professor e pesquisador da UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais Alexandre Godinho. Por conta do ecesso de algas, o governo do estado proibiu a pesca em 600 quilômetros da bacia, de 16 a 31 de outubro.

Apesar de reconhecer o lançamento direto de esgoto nos rios, o chefe do laboratório central da Copasa - Companhia de Saneamento de Minas Gerais, Aires Horta, atribui a proliferação das algas principalmente a fatores climáticos. “O longo período de estiagem que nós tivemos esse ano, com falta de chuva, e, conseqüentemente, nível mais baixo dos rios e água muito límpida foi o fator principal para o desenvolvimento desses organismos”, enumera.

“Se fosse só o clima, como eles argumentam, outros rios também estariam contaminados. Isso se concentrou no (Rio das) Velhas por causa dos elevadíssimos índices de poluição”, aponta o representante da Comissão Pastoral da Terra que atua em comunidades do São Francisco, Alexandre Gonçalves.

Na avaliação de Alexandre Godinho, além dos impactos imediatos, a poluição na Bacia do São Francisco também acarreta prejuízos a longo prazo. De acordo com o pesquisador, a degradação do hábitat dos peixes atrapalha a piracema – período de reprodução. “Não só dificulta a etapa da reprodução, como a sobrevivência dos filhotes, o que diminui a abundância dos peixes. Com a redução do pescado, há a conseqüente diminuição da renda dos pescadores e da economia local”, aponta.

Por causa do alta concentração de toxinas na água, o governo mineiro chegou a proibir a pesca em trechos do Rio das Velhas e do São Francisco. A expectativa da autoridades é que a situação dos rios melhore com a chegada do período chuvoso. “O início das chuvas na região metropolitana de Belo Horizonte já começou a ter reflexos lá [nos rios]. A tendência é que a situação volte ao normal em menos de um mês”, avalia o representante da Copasa.

O representante do Sisema - Sistema Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais, Paulo Carvalho, reconhece que esperar a chuva resolver o problema é apenas uma solução emergencial. “Estamos vigilantes em relação a agressões ambientais”, afirmou. Segundo Carvalho, o governo mineiro está investindo em medidas “de longo prazo”, como a construção de estações de tratamento de esgoto e de gerenciamento de resíduos sólidos.