23 novembro 2006

Workshop “Produtos naturais para problemas globais”

O Instituto Brasileiro de Apoio às Pesquisas Ambientais (Ibrapam) realiza no dia 2 de dezembro o primeiro workshop “Produtos naturais para problemas globais”. O evento acontece no Auditório do Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense, em Niterói (RJ). Mais informações em www.ibrapam.org.br.

Jornal do Meio Ambiente

21 novembro 2006

Aquecimento global já provoca extinções, diz análise

O novo relatório é o primeiro a mostrar o quadro geral das mudanças induzidas na vida de animais e plantas pela mudança climática, com extinções e adaptações

AP

WASHINGTON - Espécies de animais e plantas estão desaparecendo ou mudando antes que o previsto, por conta do aquecimento global, afirma uma revisão de centenas de estudos realizados sobre o assunto. As alterações, extremamente rápidas, surpreendem até mesmo biólogos e ecologistas, por conta da velocidade com que ocorrem.

Pelo menos 70 espécies de rãs, a maioria moradoras de montanhas e que não tinham para onde fugir do calor crescente, extinguiram-se por causa do aquecimento global, diz a análise. O trabalho também informa que entre 100 e 200 outras espécies que dependem de temperaturas baixas para sobreviver, como pingüins e ursos polares, estão em grave perigo.

"Finalmente, estamos vendo espécies se extinguir", diz a bióloga Camille Parmesan, autora da avaliação. "Agora temos a evidência. Está aqui. É real. Não é só uma intuição dos biólogos. É o que está acontecendo".

A avaliação, envolvendo 866 estudos científicos, é apresentada no periódico Annual Review of Ecology, Evolution and Systematics.

Parmesan informa ter encontrado tendências de deslocamento de populações de animais deslocando-se para longe do equador quando podem, ou espécies sofrendo adaptações para dar conta do calor, ou plantas florescendo mais cedo, e um aumento na proliferação de pragas e parasitas.

A bióloga e outros pesquisadores vinham prevendo essas mudanças há anos, mas ela mesma se diz surpresa com a evidência de que os processos já estão em curso; Parmesan esperava esses resultados para dentro de uma década.

Há cinco anos, os biólogos imaginavam que os efeitos nocivos do aquecimento global sobre os seres vivos só apareceriam num futuro mais distante, disse o professor de ecologia da Universidade de Nova York, Douglas Futuyma. "Sinto como se estivéssemos olhando a crise na cara", disse ele. "A coisa não está parada em algum ponto na estrada à nossa frente: está vindo à toda, em nossa direção. Qualquer um com 10 anos de idade hoje encarará um mundo muito diferente e assustador quando chegar aos 50 ou 60".

Embora outros estudos já tivessem apontado problemas causados pelo aquecimento global em áreas ou espécies individuais, o trabalho de Parmesan é o primeiro a mostrar o quadro geral das alterações induzidas pela mudança climática, afirma Chris Thomas, professor de biologia na Universidade de York, Inglaterra.

Embora seja impossível provar, acima de qualquer dúvida, que as mudanças anotadas na análise são efeito do aquecimento global, a evidência é tão forte e a falta de outras explicações plausível é tão grande, que é "virtualmente impossível, estatisticamente, que essas sejam meras observações ao acaso".

As mudanças mais fáceis de notar, em plantas e animais, envolve a antecipação do início da primavera, diz Parmesan. O melhor exemplo aparece no florescimento antecipado de cerejeiras e na colheita precoce da uva, e em 65 espécies de pássaros da Grã-Bretanha, que hoje põem os primeiros ovos nove dias mais cedo do que há 35 anos.

Parmesan diz preocupar-se mais com as espécies bem adaptadas ao frio, como os pingüins-imperadores, que já caíram de 300 casais reprodutores para apenas nove na parte oeste da Península Antártica.

Parque do Rio tem "safáris" clandestinos

Caçadores montam ranchos e alugam casas dentro de reserva florestal para abastecer tráfico de animais e restaurantes

Parque Estadual dos Três Picos tem apenas cinco fiscais, todos emprestados, para vigiar área de 46,3 mil hectares de mata atlântica


MARIO HUGO MONKEN
ENVIADO ESPECIAL A CACHOEIRAS DE MACACU - FOLHA DE SÃO PAULO

Maior reserva florestal do Estado do Rio de Janeiro, com 46.350 hectares, o parque dos Três Picos é palco de "safáris" promovidos por caçadores que estão matando animais como pumas, pacas, sagüis, jaguatiricas, capivaras e muriquis, segundo investigações do Ministério Público Estadual e relatos dos funcionários da reserva.

Para tentar coibir a ação dos caçadores, o parque conta apenas com cinco fiscais. Só dois possuem porte de arma. Apesar de a unidade ter sido criada em 2002, o órgão responsável, o IEF (Instituto Estadual de Florestas), do governo estadual, não realizou concurso público. Os fiscais foram cedidos por outras autarquias.

O parque Três Picos abrange cinco municípios da região serrana e das baixadas litorâneas (Teresópolis, Nova Friburgo, Cachoeiras de Macacu, Guapimirim e Silva Jardim) e foi criado para formar um cinturão de mata atlântica juntamente com outras unidades de conservação. Sua fundação representou um acréscimo de 75% em área protegida no Estado.

Segundo informações de funcionários, os caçadores, em grupos de até 30 pessoas, passam dias no interior da mata. Montam ranchos com camas, colchonetes e até fogão.

A caça na região, que antes era de subsistência, hoje tem fins lucrativos- tráfico ou venda da carne para restaurantes. Relatos indicam que os caçadores montam armadilhas para os animais com fios de náilon amarrados nas árvores, que acionam armas.

Neste ano, os fiscais já apreenderam 42 armas e 300 cartuchos de munição e desarmaram pelo menos cinco ranchos. Os fiscais admitem ser difícil identificar os caçadores porque a maioria vem de fora e atua nas áreas menos visitadas.

Correm perigo 16 de 48 espécies de mamífero da região e aves como arapongas, águias-cinzentas e gaviões-pega-macaco. Algumas aves, como a jacutinga e o macuco, já estão quase extintas da reserva.

Agenciadores

Os caçadores se utilizam de outras estratégias. Há aqueles que contratam guias para ajudá-los a percorrer o parque. Há casos em que eles soltam cachorros na floresta. Os fiscais dizem também que há agenciadores de caça, pessoas que alugam residências dentro do parque e em seu entorno para que caçadores possam se hospedar.

Em pequeno número, os fiscais ficam sujeitos a retaliações. No mês passado, após um rancho ter sido desmontado na mata, caçadores efetuaram pelo menos cinco disparos em direção à sede do parque, em Cachoeiras de Macacu.

As armadilhas para caça já causaram uma tragédia. Em julho, o pedreiro Clair Nunes Filho, que iria acampar no local, morreu com um tiro ao tentar destruir uma tocaia montada por caçadores na reserva.

A caça não é o único problema no parque Três Picos. A extração de vegetais, como palmito, bromélias e orquídeas, é constante. Só em abril, por exemplo, foi apreendida em Teresópolis uma tonelada de palmito furtado do parque.

Segundo relatos de funcionários, cada palmiteiro tem condição de retirar do parque, a cada três dias, pelo menos 70 kg do produto. Suspeita-se que 250 palmiteiros atuem na área.

A questão fundiária não foi resolvida. Quando o parque foi criado, várias famílias já moravam por lá e até agora apenas cerca de 10% do problema foi solucionado. As residências trazem risco porque muitos moradores criam gado e realizam queimadas para pastagem. Só neste ano, seis hectares de florestas foram destruídos.

Segundo Flávio de Jesus, administrador do parque, Três Picos é custeado por um acordo de compensação ambiental entre o governo estadual e a empresa TermoRio, que construiu uma termelétrica na Baixada Fluminense. Pelo acordo, serão repassados R$ 6 milhões para a reserva, mas, até agora, pouco mais de R$ 1 milhão foi gasto.

20 novembro 2006

Iceberg avistado no litoral da Nova Zelândia

No ano passado, icebergs foram vistos em águas territoriais neozelandesas pela primeira vez em 56 anos; pesquisadores reultam em culpar o aquecimento global

AP

WELLINGTON - Pela primeira vez em 75 anos, um iceberg foi avistado a partir do litoral neozelandês. Trata-se de um de aproximadamente 100 que estão à deriva ao sul do país. O enorme pedaço de gelo era visível, na quinta-feira, a partir de Dunedin, na Ilha Sul, mas desde então já se afastou, impelido por ventos e correntes marítimas. A flotilha de icebergs - alguns, do tamanho de casas - já tinha sido avistada ao sul da Nova Zelândia no início do mês.

No ano passado, icebergs foram vistos em águas territoriais neozelandesas pela primeira vez em 56 anos. Mas a última vez em que um foi avistado a partir do litoral ocorreu em junho de 1931, de acordo com Mike Williams, oceanógrafo do Instituto Nacional Pesquisa Aquática e Atmosférica.

Cientistas relutam em culpar o aquecimento global pelo fenômeno.

"Estamos monitorando essas coisas há pouco tempo, é impossível dizer. Dizer que isso é incomum e ligado ao aquecimento global simplesmente não é possível", afirmou o professor de geologia Paul Augustinus à imprensa local.

Os especialistas tentam determinar o ponto exato da onde os icebergs se soltaram da Antártida.

19 novembro 2006

Amazônia poderá perder 20% da água

Fonte: PrimaPagina
por ALAN INFANTE

Volume de água na região amazônica deve cair um quinto até 2050; Nordeste perderá um terço da água de chuva, prevê relatório

As alterações climáticas decorrentes do aquecimento global poderão reduzir em pelo menos um quinto a disponibilidade de água na Amazônia e provocar uma queda de 30% ou mais no escoamento da água de chuvas no Nordeste brasileiro até 2050. O alerta é do RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) 2006, lançado pelo PNUD. O estudo adverte que as mudanças hidrológicas devem ter impacto na agricultura dos Estados nordestinos e agravar a situação de vulnerabilidade em que vivem as famílias pobres da região.

“As simulações do impacto das alterações climáticas na produção agrícola no Brasil apontam para uma diminuição de 12% a 55% nas colheitas das regiões áridas dos Estados do Ceará e de Piauí, que apresentam concentrações extremamente elevadas de pobreza e de desnutrição nas zonas rurais”, afirma o estudo. Além do semi-árido nordestino, o litoral da região e toda a Bacia Amazônica sofrerão o impacto da redução da disponibilidade de água, segundo um mapa com projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU apresentado no relatório.

O impacto no Brasil é parte de um problema global. O RDH prevê que as quedas de produção decorrentes da escassez de água aumentarão a fome. “Qualquer projeção que façamos será inevitavelmente arriscada (...). Mesmo assim, os sinais de aviso são claramente visíveis nos resultados das projeções. Essas projeções sugerem que as alterações climáticas poderão aumentar entre 15% e 26% a subnutrição mundial [até 2080]”, afirma o relatório.

Isso significa que entre 75 milhões e 125 milhões de pessoas entrariam para a população de subnutridos até 2080. Mas, se nada for feito, “a ameaça da pobreza sistêmica vai afetar um número de pessoas muito mais elevado. As quebras na produção agrícola originarão efeitos múltiplos que terão repercussão em economias inteiras, fazendo alastrar a pobreza das zonas rurais para as áreas urbanas”, prevê o documento.

O relatório ainda aponta que as mudanças de clima poderão ter impacto no comércio internacional: a produção de cereais deve expandir nos países desenvolvidos e diminuir nos países em desenvolvimento, o que acarretaria uma maior dependência de importação de alimentos e traria implicações para a segurança alimentar. “Para uma larga percentagem da população mundial residente nos países em desenvolvimento, as previsões relativas às alterações climáticas apontam para uma menor garantia de meios de subsistência, uma maior vulnerabilidade à fome e à pobreza, um agravamento das desigualdades sociais e uma maior degradação ambiental”, diz o documento.

O RDH salienta que as mudanças no clima devem causar danos muito mais graves que os recentes desastres naturais na Ásia. “As alterações climáticas — ao contrário do tsunami no Oceano Índico ou do terremoto na Caxemira — ameaçam provocar não propriamente uma catástrofe pontual, mas antes um desastre que vai desenrolar-se lentamente no tempo”.
O estudo frisa que já não é possível evitar os danos futuros. “As alterações climáticas perigosas são agora inevitáveis. [...] Uma prioridade imediata consiste em providenciar estratégias com vista a minimizar os efeitos das alterações climáticas com estratégias que apóiem a adaptação às inevitáveis mudanças do clima”, destaca.

Protocolo de Quioto

O RDH 2006 sugere a inclusão do Brasil numa eventual próxima etapa do Protocolo de Quioto. “Os países ricos têm de se empenhar mais no sentido de ‘descarbonizar’ suas economias. Ao mesmo tempo, o crescente impacto ambiental dos países em desenvolvimento não pode ser ignorado. Daí a necessidade de o eventual sucessor do Protocolo de Quioto abranger não apenas todo o mundo desenvolvido, mas também os países em desenvolvimento mais importantes, como o Brasil, a China e a Índia”, afirma o texto.

Ministério do Meio Ambiente promove feira ambiental da Região Hidrográfica Atlântico Leste em Feira de Santana

Fonte: Coordenação de Comunicação Social
Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente

A feira ambiental será realizada na Universidade Estadual de Feira de Santana, no dia 22 de novembro

A Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente (SRH/MMA), com apoio da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), promoverá a feira ambiental da Região Hidrográfica Atlântico Leste na UEFS (Avenida Universitária, s/n - Km 03 da BR 116, Campus Universitário), no dia 22 de novembro, a partir das 10h. O evento acontecerá simultaneamenteà IV Feira do Semi-Árido: Desertificação e Desenvolvimento Sustentável, a ser realizada de 21 a 24 de novembro.

Na abertura do evento, o secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, João Bosco Senra, fará uma apresentação sobre a participação da sociedade no processo de implementação do Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e sobre o Caderno da Região Hidrográfica Atlântico Leste. Além disso, atividades artísticas como teatro, jogos infantis, poesia e mostra de vídeos serão realizadas no decorrer dos encontros.

A SRH/MMA levará para a feira, que será de livre acesso a toda a população, a exposição fotográfica do PNRH “Águas brasileiras”, que traz imagens das 12 regiões hidrográficas: Amazônica, Atlântico Nordeste Oriental, Atlântico Nordeste Ociental, Parnaíba, Tocantins-Araguaia, Paraguai, Paraná, São Francisco, Uruguai, Atlântico Leste, Atlântico Sudeste, Atlântico Sul.

Organizadas pela SRH/MMA em parceria com Conselho Federal de Direitos Difusos (CFDD) e com as Comissões Executivas Regionais (CERs), as feiras ambientais serão realizadas nas 12 regiões hidrográficas do país, para informar e sensibilizar a sociedade sobre a gestão dos recursos hídricos e a implementação do PNRH.

Região Hidrográfica Atlântico Leste contempla as capitais dos estados de Sergipe e da Bahia, alguns grandes núcleos urbanos e um parque industrial significativo, estando nela inseridos, parcial ou integralmente, 526 municípios. A área abrangida por esta região hidrográfica corresponde a 8% do País, incluindo porções dos estados do Sergipe, Bahia; Minas Gerais e Espírito Santo.

Para os interessados em participar da feira como voluntário ou como expositor, é necessário realizar um cadastramento prévio pelo sítio do PNRH (http://pnrh.cnrh-srh.gov.br/). O calendário e a programação das feiras ambientais já estão disponíveis no mesmo sítio eletrônico.

"Cerrado – Berço das Águas"

"Cerrado – Berço das Águas" é o tema da Agenda 2007 do ISA

Mais ameaçado bioma do País e abrigo de nascentes de grandes rios brasileiros, o Cerrado é o tema da Agenda Socioambiental 2007. Com ensaio fotográfico de Rui Faquini, mapa de seus remanescentes e informações sobre o Cerrado, a agenda já está à venda na loja do ISA.

Depois das fotos tiradas pelas crianças Panará (2004), das Comunidades Tradicionais (em 2005) e a Campanha `Y Ikatu Xingu (em 2006), chegou a vez do Cerrado ser o tema da Agenda Socioambiental para 2007. Pouco valorizado e muito ameaçado, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro – menor apenas que a Amazônia – e é nele que nascem alguns dos principais rios brasileiros, como o Xingu, o São Francisco, o Tocantins, o Araguaia, o Paraná (os tributários de sua margem direita), o Parnaíba, o Tapajós e todos os que formam o Pantanal. É por isso que o Cerrado é considerado o berço das águas brasileiras.

A Agenda Socioambiental 2007 inclui um mapa dos remanescentes do Cerrado, a carta SOS Cerrado, divulgada pela Rede Cerrado, dados e informações sobre o bioma, além de um ensaio fotográfico assinado pelo fotógrafo Rui Faquini, um dos mais compromissados documentaristas da região. A agenda, publicada com duas opções de capa, custa R$ 20,00 (R$ 18,00 para os filiados ao ISA) e pode ser adquirida pela loja do ISA.

Riqueza socioambiental

O Cerrado abriga um terço da biodiversidade do Brasil, incluindo 10 mil espécies vegetais e espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção. Essa grande diversidade está relacionada ao fato do Cerrado apresentar zonas de transição com os biomas Pantanal, Amazônia, Mata Atlântica e Caatinga. Boa parte da biodiversidade do Cerrado é conhecida e utilizada pelas populações tradicionais que o habitam, como etnias indígenas, comunidades quilombolas, caboclos, caipiras e quebradeiras de coco, entre outros. Além destes grupos sociais únicos, 25 milhões de brasileiros (15 % da população nacional) têm no Cerrado sua morada.

Localizado em um grande território do Brasil Central, em área contínua por 10 estados brasileiros (Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, São Paulo e Tocantins) e Distrito Federal, o Cerrado é um dos ambientes mais ameaçados do mundo. Cerca de 60% de sua área original já foram completamente destruídos. Além disso, metade das áreas remanescentes está bastante alterada, com reduzida capacidade de conservação da biodiversidade.

De acordo com estudo da Conservação Internacional (CI), o Cerrado perde 30 mil quilômetros quadrados por ano, ou 2.6 campos de futebol por minuto, de cobertura vegetal. É um ritmo de devastação de 1,5% ao ano - superior ao da Amazônia - e que, se mantido, pode acarretar no completo desaparecimento das paisagens naturais do bioma até 2030. Nos últimos 40 anos, mais da metade do Cerrado foi tomada pelas monoculturas de soja, algodão, milho, café, eucalipto e por pastos. Neste processo, degradaram-se nascentes, rios e veredas que são fundamentais para a sobrevivência de plantas, animais e populações humanas, cujas atividades produtivas também dependem da conservação destes mananciais.

Cerrado desamparado

Apesar de sua importância, o Cerrado é dos mais desamparados biomas brasileiros. Diferentemente da Amazônia, da Mata Atlântica, da Zona Costeira e do Pantanal, o Cerrado (e a Caatinga) não figura como Patrimônio Nacional na Constituição Federal. A proposta de emenda constitucional (PEC 115/95) para elevar o Cerrado a essa condição tramita desde 1995 no Congresso Nacional sem ser votada. A principal resistência é feita pela bancada ruralista.

Até outubro de 2006, apenas 3% do Cerrado encontram-se protegidos em Unidades de Conservação de proteção integral. Terras Indígenas homologadas respondem por mais 4% do território. Se somarmos as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e parques estaduais, o índice de áreas protegidas chega a 10% do Cerrado. Ou seja, 90% do bioma não têm proteção alguma.

A principal iniciativa governamental para promover a preservação e o uso sustentável do Cerrado é o Programa Cerrado Sustentável, instituído em novembro de 2005 por meio de um Decreto Presidencial (5.577/2005). O decreto também criou a Comissão Nacional do Programa Cerrado Sustentável (Conacer) para acompanhar e avaliar a implantação das ações previstas no programa, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente com contribuições de representantes de outros órgãos do governo federal e de entidades da sociedade civil, como ONGs, universidades, centros de pesquisa e movimentos sociais, com destaque para a presença de organizações quilombolas e indígenas.

O Programa Cerrado Sustentável conta com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), do Banco Mundial, da ordem de US$ 13 milhões, com contrapartida nacional de US$ 26 milhões, somando um total de U$ 39 milhões. Os recursos deverão ser aplicados em ações de uso sustentável, criação e implementação de unidades de conservação de proteção integral no bioma, apoio à comercialização de produtos do Cerrado e no fortalecimento de suas comunidades tradicionais. O programa vai focar suas ações nos remanescentes mais preservados do Bioma, parte deles localizada no sul do Piauí. A criação de sete novas Unidades de Conservação de proteção integral deve ser executada até o fim de 2006.

Perdas relacionadas a catástrofes ambientais dobram a cada década

por Juliana Radler

Estudo divulgado durante Conferência da ONU sobre mudanças climáticas, que ocorre essa semana em Nairóbi, no Quênia, alerta que os gastos das empresas seguradoras vem dobrando a cada 12 anos devido a desastres ambientais cada vez mais frequentes e intensos.

Furacões, tempestades tropicais, longas secas e outras adversidades relacionadas ao clima estão sendo estimulados pelo aquecimento do planeta que, por sua vez, ocorre devido ao aumento das emissões dos gases do efeito estufa. Na visão de especialistas da UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), nas próximas três ou quatro décadas, os gastos poderão alcançar um trilhão de dólares.

Um grupo de trabalho formado por algumas das maiores empresas seguradoras do mundo, como Swiss Re, Munich Re, Insurance Australia Group (IAG), entre outros, alertam para a necessidade de se promover projetos de adaptação e de contenção dos efeitos negativos causados pelas mudanças climáticas, principalmente nos países em desenvolvimento.

Entre as maiores perdas ocorridas esse ano foram citados o tufão Shanshan, que afetou o Japão em setembro e causou perdas de US$ 2,5 bilhões, seguido de tornados nos Estados Unidos (1,5 bilhão de dólares) e o tufão Saomai, que afetou a China e as Filipinas em agosto e acarretou danos calculados em US$ 1,4 bilhão.

Ártico continua a esquentar; geleiras seguem derretendo

Relatório sobre os efeitos do aquecimento global afirma que a cobertura de gelo no Ártico, em março, foi a menor já vista desde o início das medições por satélite

AP

WASHINGTON - Sinais de aquecimento continuam a aparecer no Ártico, com uma redução do gelo sobre o mar, um aumento no número de arbustos na tundra e preocupações cada vez maiores com o capa de gelo da Groenlândia. "Já houve períodos de aquecimento regional antes, mas o que estamos vendo agora são mudanças em todo o Ártico", disse o oceanógrafo James Overland, do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico, no Estado de Washington (EUA).

Em cada um dos últimos cinco anos, a temperatura em todo o Ártico ficou 1º C acima da média, durante o ano inteiro, disse ele.

O novo relatório sobre o Estado do Ártico, divulgado pela Administração Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA), do governo americano, também informa um aumento no deslocamento de água quente pelo Estreito de Bering no período 2001-2004, o que pode ser uma das causas da contínua redução da massa de gelo no mar.

Nesse período, a cobertura de gelo sobre o mar da região atingiu baixas históricas, segundo Overland. Neste ano, a cobertura em Bering foi mais normal, mas houve baixa recorde na parte atlântica do Ártico.

No passado, esse tipo de mudança representava uma mera redistribuição do gelo, com perdas em uma parte da região ártica sendo compensadas por aumentos em outras áreas, mas agora existe uma perda líquida de gelo, disse o oceanógrafo.

O relatório afirma que a cobertura de gelo no Ártico, em março, foi a menor já registrada, desde o início das medições por satélite.

O estudo foi planejado para avaliar o impacto geral do aquecimento global no Ártico, e será atualizado anualmente. Foi compilado por pesquisadores dos EUA, Canadá, França, Alemanha, Polônia, Noruega, Suécia e Rússia.