29 março 2017

Morte de macacos por febre amarela é considerada desastre ambiental

No Espírito Santo, já morreram mais de 1.100, principalmente bugios.Não se deve matar macacos; eles mostram para onde o surto avança.


Jornal Nacional

A morte de mais de mil macacos por febre amarela no Espírito Santo pode ser considerada um desastre ambiental no estado, segundo pesquisadores da universidade federal.

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Bugio morto

No alto das árvores, é uma algazarra com o som característico do bugio, também conhecido como barbado.

Agricultores que moram perto da Mata Atlântica no Espírito Santo sempre ouviam e viam os bugios. Agora eles sumiram.

“O barulho que eles faziam acabou. Não tem mais aquela roncadeira deles. Só tem assim, eles morto”, contou o agricultor Donaldo Renselmann.

O bugio é o macaco mais atingido pela febre amarela. Pesquisadores calculam que, somando com outras espécies, a doença já matou 1.100 macacos no Espírito Santo.

Na mata, os pesquisadores marcam o local exato onde o macaco foi encontrado morto. Isso é importante porque eles podem fazer um mapeamento e identificar para onde o surto de febre amarela está avançando.

Mas esse trabalho que começa na mata continua em laboratórios. Primeiro, eles fazem um exame das características físicas do animal: pelo, tamanho, peso, e já podem afirmar que, antes da febre amarela, os macacos não tinham nenhum tipo de problema grave. Eram animais saudáveis.

“O vírus da febre amarela veio da África. Os macacos brasileiros não evoluíram, não tem uma história evolutiva com esse vírus, então eles não são adaptados. São muito sensíveis. Em poucos dias depois de contaminados eles morrem”, explicou o professor de zoologia Sérgio Lucena, da Universidade Federal do Espírito Santo.

Nos laboratórios da Universidade Federal do Espirito Santo, os pesquisadores também analisam o DNA dos macacos que morreram com febre amarela.

“Com essa caracterização genética da população, a gente consegue entender como essa doença poderia se disseminar no futuro”, afirmou o professor Yuri Leite.

O bugio é um macaco ameaçado de extinção. Tem um filhote a cada dois ou três anos. Por isso, para recuperar essa a população serão necessários pelo menos 30 anos.

“Sem dúvida, nós vivemos um desastre ecológico porque os primatas interagem com diversos animais e plantas. Eles dispersam sementes, comem sementes, ajudam a recuperar a floresta levando as sementes para outros lugares. Então a ausência de primatas nas matas causa um impacto grande para as florestas”, disse o professor de zoologia.

O JN lembra mais uma vez: macaco não transmite febre amarela; macaco é vítima da febre amarela e é importantíssimo que eles existam porque eles são marcadores da doença, eles indicam o local onde a doença está chegando. Por isso eles são úteis aos seres humanos, e tem muita gente matando macacos por ignorância.

Ciclone 'Debbie' toca solo na Austrália com ventos de 270 km/h

Mais de 20 mil pessoas estão sem eletricidade e outras 30 mil tiveram que trocar suas casas por abrigos. Ao menos uma pessoa ficou ferida.


Por G1


O ciclone Debbie chegou à costa da Austrália e tocou o solo por volta de meio-dia desta terça-feira (28) - horário local, 23 horas de segunda (27) no horário de Brasília – com ventos de 270 km/h. 

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Uma das mais potentes tormentas dos últimos anos, o ciclone alcançou a categoria 4 (só um grau abaixo do nível mais perigoso) ao atingir a Ilha Hamilton. Fortes ventos e chuvas atingem a região de Airlie Beach, na costa do Oceano Índico.

Rajadas de vento de mais de 260 km/h foram registradas em resorts turísticos ao longo da mundialmente famosa Grande Barreira de Coral. Mais tarde a tormenta foi rebaixada para categoria dois, segundo a Reuters.

Mais de 20 mil pessoas estão sem eletricidade e outras 30 mil tiveram que trocar suas casas por abrigos.

Ao menos um homem ficou gravemente ferido depois que uma parede desabou em Proserpine, cerca de 900 km da capital de Queensland, Brisbane. As autoridades ainda não conseguem avaliar plenamente os impactos do ciclone e não descarta que mortes possam ser registradas, segundo a Reuters. 

"Também iremos receber mais relatos de ferimentos, senão de mortes. Precisamos estar preparados para isso", disse o comissário de polícia de Queensland, Ian Stewart, a repórteres em Brisbane.

Perde força

Os meteorologistas disseram que os ventos fortes provavelmente irão persistir até quarta-feira (29), embora a tempestade deva enfraquecer rapidamente em seguida e diminuir para a categoria um na madrugada de quarta. A um ciclone só atinge a categoria 5 quando a velocidade dos ventos ultrapassa 280 km/h.

Como precaução, um total de 3.500 pessoas foram retiradas de cidades como Home Hill e Proserpine, 100 km ao sul da cidade turística de Townsville, ponto de partida de excursões para a Grande Barreira de Coral. Mais de 100 escolas foram fechadas.

As companhias aéreas Jetstar, Virgin e Qantas cancelaram vários voos a Townsville, Hamilton e Mackay, segundo a agência local "AAP". 

A primeira-ministra do Estado, Annastacia Palaszczuk, pediu para as pessoas ficarem em ambientes fechados à medida que a tempestade rumava lentamente terra adentro após o cair da noite. "Este é um evento sério, e não queremos ver vidas perdidas", disse ela à Australian Broadcasting Corporation. "Será uma noite difícil para as pessoas de nosso Estado".


Macaco é encontrado morto em Duque de Caxias e levado para análise

Cíntia Cruz | Extra

Um macaco foi encontrado morto, no último sábado, no bairro Taquara, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O animal, um sagui, estava próximo à entrada do sítio onde a técnica de contabilidade Katia Regina Nunes de Oliveira, de 48 anos, mora. Ela caminhava com o irmão, por volta das 14h, quando viu o bicho no chão e logo associou a morte à febre amarela. 


O animal foi levado para verificação da causa da morte: resultado sai nos próximos dias
O animal foi levado para verificação da causa da morte: resultado sai nos próximos dias Foto: Foto da leitor Kátia Regina Nunes de Oliveira

— Moramos há quatro anos aqui e nunca tínhamos visto nenhum animal morto. Comecei a ligar para as autoridades, mas ninguém atendia. Postei a foto no Facebook, e começaram a compartilhar. Por volta das 22h, o secretário de Saúde me ligou — conta Kátia.

A notícia foi veiculada pelo perfil “O Caxiense” no Facebook. Segundo Kátia, a orientação dada pelo secretário foi que congelasse o animal. Ela o colocou no freezer dentro de sacolas plásticas. No dia seguinte, o macaco foi levado. Os moradores do sítio foram vacinados contra febre amarela.

De acordo com a prefeitura, o animal foi levado para o Instituto de Veterinária Jorge Vaitsman, no bairro da Mangueira, para análise e verificação da causa da morte. O resultado do exame deve sair entre sete e dez dias.

A Secretaria de Saúde disse que a vacinação de bloqueio na região será feita esta semana pelo PSF Taquara e que será realizado o bloqueio vetorial pela Equipe de Combate à Dengue. A prefeitura ressaltou que, com as ações, a população pode ficar tranquila e que não há motivos para pânico.

A vacinação contra febre amarela começou na última semana no município.


Análise: Ato de Trump praticamente tira os EUA do Acordo de Paris

Trump nem precisou cumprir sua meta de campanha de abandonar o acordo climático; sem o Plano de Energia Limpa, dificilmente o país vai cumprir sua parte de reduzir as emissões de gases de efeito estufa de 26% a 28% até 2025 e o impacto para o planeta pode ser enorme


Giovana Girardi | O Estado de S.Paulo

Desde que Donald Trump ganhou as eleições americanas, há rumores e temores de que a qualquer momento ele vai pular fora do Acordo de Paris, o tratado assinado por 196 países em dezembro de 2015 que estabeleceu um compromisso de todos de combater as mudanças climáticas. Trump ainda não o fez oficialmente, mas a ordem executiva assinada nesta terça-feira (28) é certamente o mais próximo disso.



Trump discursa antes de assinar a ordem executiva de Independência Energética na sede da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Crédito: Jim Watson/AFP
Trump discursa antes de assinar a ordem executiva de Independência Energética na sede da Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Crédito: Jim Watson/AFP

Quando Obama se comprometeu a reduzir de 26% a 28% das emissões de gases de efeito estufa do país até 2025 como a contribuição americana ao Acordo de Paris, ele o fez baseado principalmente no mesmo Plano de Energia Limpa que Trump agora começa a desmontar. Sem as regulações que definiam quanto as termoelétricas a carvão podem emitir, muito provavelmente os Estados Unidos não vão cumprir suas metas.

Bem verdade que o Plano de Energia Limpa não estava ainda em ação. Ele foi congelado pela Suprema Corte americana ainda no final da gestão Obama depois que vários Estados republicanos alegaram que ele era inconstitucional. Mas agora é certo que ele não vai mesmo ser implementado, ao menos não nos mesmos termos definidos por Obama.

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gás carbônico do mundo, perdendo somente para a China. Mas, historicamente, foram os grandes responsáveis pela quantidade de gases de efeito estufa que estão na atmosfera e já fizeram a temperatura média do planeta subir mais de 1°C desde a Revolução Industrial. É esse cobertor de gases retendo o calor da Terra que está por trás das quebras consecutivas de recorde de temperatura que o planeta tem enfrentado nos últimos anos.

Se o acordo, da forma como foi fechado, já parece ser insuficiente para manter o aquecimento do planeta a menos de 2°C até o final do século, como foi definido pelos países, sem os Estados Unidos fazendo a sua parte – ao menos pelos próximos quatro ou oito anos –, essa meta fica quase impossível de ser alcançada.

O curioso é que o argumento de Trump de que o plano de Obama é o grande “matador de empregos” do setor energético do país é uma grande falácia. Primeiro porque, justamente por ele estar congelado pela Suprema Corte, ainda não tirou o emprego de ninguém. Em segundo lugar porque outros fatores bem mais complexos estão levando a isso.

“Os empregos da mineração de carvão estão declinando nos Estados Unidos há décadas, principalmente por causa de mudanças tecnológicas, como a mecanização, que aumentaram a produtividade do setor, e recentemente por causa dos baixos preços do gás natural, que o tornaram muito mais competitivo que o carvão. E não primariamente por causa de regulações ambientais e certamente não por causa de regulação que nem sequer foi implementada”, afirmou ao Estado Robert Stavins, diretor do Programa de Economia Ambiental da Universidade Harvard e um dos maiores especialistas em política climática dos Estados Unidos.

Por outro lado, diversos indicadores mostram que o setor de energias renováveis está muito bem atendendo a essa demanda de empregos. Levantamento do Fundo de Defesa do Ambiente (EDF) calculou, por exemplo, que as indústrias eólica e solar estão criando empregos 12 vezes mais rapidamente que o restante da economia dos EUA.

Outra falácia é ele falar que vai conseguir tudo isso sem comprometer o ar ou a água dos Estados Unidos. “Vamos ter carvão limpo, realmente limpo”, disse.

Há alguns anos, na Conferência do Clima de Varsóvia, o governo da Polônia, altamente dependente de carvão, defendeu essa mesma ideia, de que seria possível ter uma carvão verde, não poluente. Um grupo de pesquisadores se reuniu na ocasião para mostrar por A + B que simplesmente não existe tal coisa. Carvão é o combustível que mais emite gás carbônico. Deixá-lo verde, só com uma tecnologia capaz de sequestrar carbono da atmosfera e enterrá-la no solo, o que ainda só existe em escala experimental e a altos custos.

Guerra ao carvão


As declarações e atos de Trump, nesse sentido, são claramente para agradar a um público muito específico. Cercado de mineradores na assinatura da ordem executiva, disse “nós amamos os mineradores de carvão” e “estamos colocando um fim à guerra contra o carvão”. Totalmente na contramão do que o Acordo de Paris demanda: um guerra, sim, contra os combustíveis fósseis, ou vamos enfrentar uma catástrofe climática.

Para Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, há que se lembrar que o cenário internacional hoje está muito mais mobilizado nesse sentido.

“Há uma lógica profunda na economia global que começou a mudar nos últimos anos quando o complexo solar, eólico e de inteligência de baterias se tornou mais competitivo. Isso faz com que o processo de descarbonização da economia seja profundo, apesar de lento. Há dez anos um posicionamento como esse de Trump teria sido um golpe fortíssimo nesse cenário. Agora é um golpe transitório e limitado, porque Trump é uma variável em algo mais amplo”, disse ao Estado.

“Mas ainda assim dá um sinal negativo para governos e países que não estão muito interessados em implementar seus compromissos. Um exemplo poderia ser o governo brasileiro”, complementou.

Se dependesse apenas de Trump, talvez ele já tivesse chutado o Acordo de Paris há tempos. Mas pode ser que para o governo não valha a pena o estresse de ter a maior parte da comunidade internacional chiando, com a alemã Angela Merkel na liderança. A verdade é que ele nem precisa. Enterrar a questão domesticamente é muito mais fácil. E, infelizmente para o planeta, pode ser tão danoso quanto.