30 novembro 2016

Desmatamento na Amazônia dispara e chega a quase 8 mil km²

Perda da floresta aumentou 29% entre agosto de 2015 a julho deste ano


Diário do Poder

O desmatamento na Amazônia disparou no último ano, chegando a 7.989 km², o equivalente a mais de cinco vezes a área do município de São Paulo. É o mais alto valor desde 2008, ano em que o combate ao problema se tornou mais efetivo e as taxas anuais de perda da floresta começaram, gradualmente, a cair. E é a primeira vez desde 2010 que a destruição do bioma supera a marca dos 7 mil km². 


Mato Grosso foi um dos campeões de perda da floresta no período de agosto do ano passado a julho deste ano (Foto: Ibama)

Os dados do Prodes, sistema de monitoramento por satélite que fornece o balanço anual do desmatamento na região, foram divulgados nesta terça-feira (29) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O valor observado entre agosto de ano passado e julho deste ano (período em que é medido o desmatamento) é 29% maior que o período de agosto anterior, que tinha registrado perda de 6.207 km².

É o segundo aumento consecutivo. O desmatamento de agosto de 2014 a julho de 2015 já tinha sido 24% maior do que o do período de agosto de 2013 a julho de 2014.

O governo federal já trabalhava há alguns meses com a expectativa de que a perda da floresta iria subir muito além da média que tinha se estabelecido nos últimos anos e já estudava novas medidas para o combate ao desmatamento. Na manhã desta terça, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, apresentou algumas dessas propostas, com novidades no Cadastro Ambiental Rural.

O líder de destruição da floresta foi o Estado do Pará, com 3.025 km², seguido de Mato Grosso, com 1.508 km², e Rondônia, com 1.394 km². Na comparação com o ano anterior, porém, merecem destaque o Amazonas, que teve um aumento de 54% no desmatamento (passando de 712 km² para 1099 km²); seguido de Acre, 47% de aumento (de 264 km² para 389 km²) e o próprio Pará (aumento de 41% - a perda em 2015 tinha sido de 2.153 km²).

No evento da manhã, Sarney Filho já tinha antecipado que houve um aumento do desmatamento na Amazônia nos últimos meses de governo Dilma Rousseff e no começo do mandato de Michel Temer, mas sem citar números.

Causas


“Isso se deu por várias razões. Mas nós estamos retomando o controle do desmatamento e temos certeza que essa tendência será revertida”, afirmou. “Embora seja uma herança, não vamos pelo caminho fácil de dizer que a responsabilidade é da gestão anterior. Temos de nos ater aos pontos fundamentais e dizer que os Estados também têm responsabilidade.”

O coordenador de políticas públicas do Greenpeace, Márcio Astrini, citou entre as causas do aumento do desmatamento ações tomadas pelo governo federal entre 2012 e 2015, como a anistia de multas por desmatamento ilegal, o abandono de áreas protegidas - reservas ambientais e territórios indígenas - e o anúncio “vergonhoso” das autoridades de zerar o desmatamento apenas em 2030. “A gente vê a floresta sendo morta a prazo”, disse.

No evento, Sarney Filho anunciou que dará concessões para exploração da Floresta Nacional do Caxiuanã, no nos municípios paraenses de Portel e Melgaço, uma área total de 176 mil hectares às madeireiras Benevides Madeiras Ltda e Cemal Comércio Ecológico de Madeiras. O Serviço Florestal Brasileiro (SFB), órgão responsável pelas concessões, não especificou quais madeiras serão arrancadas da floresta. As concessões florestais, instituídas por lei em 2006, tinham objetivo de combater o desmatamento.

Mas, especialmente no caso das concessões dadas pelos governos dos Estados, os planos de exploração apenas serviram para legalizar a destruição da floresta. A fiscalização é um gargalo no setor. (AE)




28 novembro 2016

USP identifica contaminação em área de recarga do Aquífero Guarani em SP

Substâncias tóxicas estão no fundo de lagoa na zona leste de Ribeirão Preto.
Em longo prazo, lixo depositado no local pode prejudicar reserva, diz DAEE.


Do G1 Ribeirão e Franca

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Brasília (UnB) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) encontraram substâncias tóxicas na Lagoa do Saibro, importante área de recarga do Aquífero Guarani, em Ribeirão Preto (SP).


Pesquisador alerta para o perigo de contaminação dos peixes na Lagoa do Saibro (Foto: Reprodução/EPTV)
Pesquisador alerta para o perigo de contaminação dos peixes na Lagoa do Saibro (Foto: Reprodução/EPTV)

Apesar de o estudo não apontar se os contaminantes já atingiram a maior reserva de água doce da América do Sul, o resultado alerta para o risco de que isso aconteça no futuro, uma vez que os produtos podem penetrar no solo.

Além disso, a pesquisa destaca que a contaminação está diretamente relacionada ao descarte inadequado de lixo na lagoa, como produtos eletrônicos, computadores, televisores, fiação elétrica, pilhas e até material hospitalar.

O pesquisador e docente do curso de química da USP Daniel Junqueira Dorta explicou que, a partir da coleta de materiais sedimentados no fundo do lago, foi possível identificar a presença de compostos químicos chamados “éteres difenílicos polibromados” (PBDEs).

“A gente encontrou substâncias que são utilizadas pela indústria para evitar que os bens de consumo peguem fogo. Uma vez jogados no ambiente, essas substâncias vão se soltar desse produto, seja ele têxtil ou eletrônico, e acabar contaminando a lagoa”, afirmou.

Dorta disse que estudos anteriores já apontavam a presença de agrotóxicos e praguicidas no fundo da Lagoa do Saibro, que acabaram infectando os peixes. Por isso, a recomendação é que os moradores não pesquem e nem consumam a água do local.

“É uma situação problemática, principalmente porque nessa região a gente encontra várias pessoas pescando e, com certeza, os peixes estão contaminados. Essas substâncias se acumulam e são persistentes, não se degradam facilmente”, explicou.

Ainda segundo Dorta, pesquisas já demonstraram que os PBDEs podem provocar graves problemas de saúde, como alterações hormonais, deficiência de aprendizagem e memória, além de induzir o crescimento de órgãos reprodutivos femininos.

“Ela causa uma disfunção hormonal, ou seja, altera a resposta do organismo aos hormônios em geral e causa problemas reprodutivos, de tireoide, porque elas agem como se fossem o hormônio, vai fazer o mesmo efeito”, disse.

Não há contaminação

 
Diretor regional do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), o engenheiro Carlos Eduardo Alencastre reconheceu a importância do estudo, mas destacou que não há comprovação sobre a contaminação do Aquífero Guarani.

“Não está acontecendo isso. Não temos nenhuma pesquisa que foi realizada, nenhum resultado laboratorial, que indique que a água que nós consumimos em Ribeirão Preto tem algum problema. Isso não existe”, reforçou.

Por outro lado, Alencastre afirmou que o descarte inadequado de lixo pode prejudicar o solo e a lagoa. Por esse motivo, o diretor disse que o poder público deve manter constante fiscalização e vigilância, principalmente em áreas de preservação e recarga do aquífero.

“O lixo não pode ser descartado em qualquer lugar, principalmente o lixo que pode servir para coleta seletiva e que pode chegar até o Aquífero Guarani. Ainda não chegou, mas pode estar a caminho, se a população tiver o hábito de lançar em local inapropriado”, concluiu.