28 novembro 2016

USP identifica contaminação em área de recarga do Aquífero Guarani em SP

Substâncias tóxicas estão no fundo de lagoa na zona leste de Ribeirão Preto.
Em longo prazo, lixo depositado no local pode prejudicar reserva, diz DAEE.


Do G1 Ribeirão e Franca

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Brasília (UnB) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) encontraram substâncias tóxicas na Lagoa do Saibro, importante área de recarga do Aquífero Guarani, em Ribeirão Preto (SP).


Pesquisador alerta para o perigo de contaminação dos peixes na Lagoa do Saibro (Foto: Reprodução/EPTV)
Pesquisador alerta para o perigo de contaminação dos peixes na Lagoa do Saibro (Foto: Reprodução/EPTV)

Apesar de o estudo não apontar se os contaminantes já atingiram a maior reserva de água doce da América do Sul, o resultado alerta para o risco de que isso aconteça no futuro, uma vez que os produtos podem penetrar no solo.

Além disso, a pesquisa destaca que a contaminação está diretamente relacionada ao descarte inadequado de lixo na lagoa, como produtos eletrônicos, computadores, televisores, fiação elétrica, pilhas e até material hospitalar.

O pesquisador e docente do curso de química da USP Daniel Junqueira Dorta explicou que, a partir da coleta de materiais sedimentados no fundo do lago, foi possível identificar a presença de compostos químicos chamados “éteres difenílicos polibromados” (PBDEs).

“A gente encontrou substâncias que são utilizadas pela indústria para evitar que os bens de consumo peguem fogo. Uma vez jogados no ambiente, essas substâncias vão se soltar desse produto, seja ele têxtil ou eletrônico, e acabar contaminando a lagoa”, afirmou.

Dorta disse que estudos anteriores já apontavam a presença de agrotóxicos e praguicidas no fundo da Lagoa do Saibro, que acabaram infectando os peixes. Por isso, a recomendação é que os moradores não pesquem e nem consumam a água do local.

“É uma situação problemática, principalmente porque nessa região a gente encontra várias pessoas pescando e, com certeza, os peixes estão contaminados. Essas substâncias se acumulam e são persistentes, não se degradam facilmente”, explicou.

Ainda segundo Dorta, pesquisas já demonstraram que os PBDEs podem provocar graves problemas de saúde, como alterações hormonais, deficiência de aprendizagem e memória, além de induzir o crescimento de órgãos reprodutivos femininos.

“Ela causa uma disfunção hormonal, ou seja, altera a resposta do organismo aos hormônios em geral e causa problemas reprodutivos, de tireoide, porque elas agem como se fossem o hormônio, vai fazer o mesmo efeito”, disse.

Não há contaminação

 
Diretor regional do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), o engenheiro Carlos Eduardo Alencastre reconheceu a importância do estudo, mas destacou que não há comprovação sobre a contaminação do Aquífero Guarani.

“Não está acontecendo isso. Não temos nenhuma pesquisa que foi realizada, nenhum resultado laboratorial, que indique que a água que nós consumimos em Ribeirão Preto tem algum problema. Isso não existe”, reforçou.

Por outro lado, Alencastre afirmou que o descarte inadequado de lixo pode prejudicar o solo e a lagoa. Por esse motivo, o diretor disse que o poder público deve manter constante fiscalização e vigilância, principalmente em áreas de preservação e recarga do aquífero.

“O lixo não pode ser descartado em qualquer lugar, principalmente o lixo que pode servir para coleta seletiva e que pode chegar até o Aquífero Guarani. Ainda não chegou, mas pode estar a caminho, se a população tiver o hábito de lançar em local inapropriado”, concluiu.



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