18 outubro 2016

Chuva provoca cheia de rios e causa prejuízos em diversas regiões do RS

Em São Sebastião do Caí, rio chegou a 12 metros acima do nível normal.
Desde o final de semana, estado registra prejuízos em 38 cidades.


Do G1 RS

A Região Metropolitana de Porto Alegre foi uma das mais afetadas pela chuva que atinge o estado desde a noite de domingo (16). Desde o final de semana, o Rio Grande do Sul registra prejuízos em, pelo menos, 38 cidades, sendo que quase 1 mil residências foram afetadas.


Chuva provocou alagamento em São Sebastião do Caí (Foto: Reprodução/RBS TV)
Cheia do Rio Caí alagou ruas em São Sebastião do Caí (Foto: Reprodução/RBS TV)

Na segunda-feira (17) a Defesa Civil apontava com 52 famílias fora de casa, mas o número aumentou na madrugada desta terça-feira (18) e a tendência é seguir em elevação. Os vales do Caí e do Rio Pardo também sofrem as consequências da chuva, com cheias de rios e moradores retirados de suas residências.

São Sebastião do Caí

 
Na cidade de São Sebastião do Caí, o rio Caí chegou aos 14,27 metros às 7h desta terça-feira (18). O normal são 2 metros. Com isso, 65 famílias tiveram que ser retiradas de suas casas - cerca de 210 pessoas. Elas foram levadas para um abrigo da cidade, localizado no Parque Centenário, onde passaram a noite. A Defesa Civil estima que o rio deve chegar aos 14 metros acima do normal, o que deve aumentar ainda mais o número de desabrigados e desalojados.

Durante a madrugada desta terça-feira (18), moradores tiveram que deixar as suas casas por conta do avanço da água em cinco bairros, onde a água brotava dos bueiros.

“A preocupação é com a água entrar dentro da nossa casa”, dizia a diarista Elizete Loureiro, que não conseguiu dormir por conta da situação.

“Nós temos um levantamento de todas as famílias, de 20 em 20 centímetros. Quando o rio sobe, sabemos quantas famílias tem que ser retiradas”, afirma o prefeito de São Sebastião do Caí, Darci Lauremann.

Novo Hamburgo

 
Na segunda-feira (17), 300 casas foram atingidas por alagamentos provocados pela cheia de arroios com o Gauchinho, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e as famílias tiveram que ser levadas para abrigos. “Tem bastante lodo, sujeira, e a água está entrando nas casas”, afirmou a agente comunitária Maria Eva da Luz.

Em 10 horas, choveu 50% mais que o esperado para todo o mês de outubro em Novo Hamburgo, e a situação preocupa para os próximos dias por conta da vazão dos rios. “Nós temos ainda toda a água que vem do rio do Sinos, da Região Norte, dos municípios de Rolante e Três Coroas”, afirma o major Alexandro Nascimento Goi, da Defesa Civil.

Por conta da situação, um abrigo foi montado no Centro de Referência de Assistência Social, localizado no bairro Santo Afonso, onde também é possível fazer doações. “A gente sempre precisa de lençóis, travesseiros, (material) higiene pessoal, roupa de criança, fraldas e alimentos em gerl”, afirma a assistente social da prefeitura de Novo Hamburgo Tatiana Heckler.

Pantano Grande

 
De acordo com a Defesa Civil estadual do Rio Grande do Sul, a cidade de Pantano Grande, na Região Central, é uma das que mais teve casas afetadas, cerca de 400 de acordo com o último levantamento oficial divulgado na noite de segunda-feira (17).

Seis bairros de Pantano Grande foram afetados pelas enchentes, uma vez que a chuva causou transbordamentos, e a água que deveria escoar pela BR-290, acabou ficando represada pela rodovia.

Em protesto, eles resolveram bloquear a rodovia por cerca de sete horas, na altura do km 217, e só deixaram o local após ouvirem do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) a promessa de que o problema seria resolvido.

Caxias do Sul

 
A Serra gaúcha também foi muito atingida pelas chuvas. Caxias do Sul teve 73 milímetros de chuva, 50% do esperado para todo o mês, em apenas seis horas. Os temporais provocaram ainda bloqueios na região, com a BR-116 totalmente bloqueada em Nova Petrópolis, próximo ao acesso de Ninho das Águas. O Dnit informou que vai avaliar as condições do asfalto.

Na ERS-122, entre Farroupilha e São Vendelino, uma árvore caiu e deixou o tráfego em meia pista. A ERS-446, entre Carlos Barbosa e São Vendelino, teve queda de barreira, que deixa o trânsito parcialmente interrompido.

Santa Cruz do Sul

 
A preocupação na cidade é com o Rio Pardinho, que deve invadir casas do bairro Várzea nesta terça-feira. Ainda na segunda-feira (17), moradores da localidade de Júlio de Castilhos, no interior da cidade, levaram o susto após uma ponte de concreto entregue há pouco tempo ser levada pela correnteza do Arroio Castelhaninho. Uma ponte de madeira, que fica ao lado, também desabou.

O prefeito da cidade, Telmo Kirst, afirmou que vai buscar ajuda junto ao Exército porque sem as pontes, os moradores precisam percorrer um trajeto de oito quilômetros.

Nova Petropólis

 
A chuva obrigarou 29 pessoas a deixarem suas casas no município de Nova Petrópolis. Destas, 21 estão em um abrigo no centro da cidade. De acordo com o Corpo de Bombeiros Voluntários, 21 moradores da localidade de São José do Caí estão no salão da igreja luterana. Esses moradores tiveram as casas alagadas.

Outras oito pessoas estão na casa de parentes. São moradores de duas casas no bairro Pousada da Neve. As residências foram inteditadas por risco de desabamento e passarão por nova avaliação nesta terça-feira (18). No município vizinho, Picada Café, cinco famílias foram para a casa de parentes porque tiveram as casas alagadas.

Cachoeira do Sul

 
Os moradores de Cachoeira do Sul também enfrentam problemas devido à chuva. Na Vila Piquiri, no interior do município, são cerca de 15 famílias prejudicadas pela cheia do arroio que passa pela região. Pessoas tiveram que ser resgatadas de casa. Quem precisou de abrigo foi levado, pelo Exército e pela Defesa Civil, ao Pavilhão da Comunidade.

Vera Cruz

 
Em Vera Cruz, Vale do Rio Pardo, a ventania de domingo (16) levou parte do telhado de um Centro de Tradições Gaúchas (CTG). A área de 300 metros quadrados, usada para jogos de bocha da entidade, teve a cobertura de madeira e zinco arrancada. Ninguém estava no local no momento do temporal.

Venâncio Aires

 
No interior de Venâncio Aires, três estradas vicinais ficaram interrompidas: Linha Antão, Linha Armando e Marechal Baixo. Três escolas suspenderam as aulas na segunda-feira.



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