07 setembro 2015

Alertas de desmatamento da Amazônia sobem 68% em um ano

IstoÉ

O número de alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto do ano passado e julho deste ano subiu 68,7% na comparação com o período de agosto de 2013 a julho de 2014, de acordo com dados divulgados nessa segunda-feira, 31, pelo Deter, sistema de monitoramento em tempo real do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).




O levantamento por satélite registrou uma perda de 5.121,92 km2 de floresta no ano que passou, contra 3.035,93 km² no ano anterior. É o número mais alto dos últimos seis anos e equivale a 3,5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Com agilidade para observar em tempo real o que está acontecendo e enviar alertas para a fiscalização, o Deter é rápido, porém impreciso, e não enxerga desmatamentos pequenos. Desse modo ele não serve para fornecer o número oficial de perda da cobertura florestal, mas em geral dá uma boa pista de como ele pode se comportar.


Mundo tem três trilhões de árvores e perde 10 bilhões por ano, diz estudo

BBC Brasil

Um estudo da Universidade de Yale, publicado pela revista científica Nature, calcula que o número de árvores no mundo passa de três trilhões. Isso significa que há 420 árvores para cada habitante do planeta.

Trata-se de um total que supera em oito vezes a medição anterior, de 400 bilhões de espécimes.





Coníferas

A nova contagem foi coordenada pela equipe de Thomas Crowther, usando desde análises topográficas a análises de fotos de satélite. Este cálculo mais "refinado" servirá de base para uma gama de pesquisas, estudos sobre biodiversidade a modelos de mudanças climáticas - isso porque árvores têm papel fundamental na remoção do dióxido de carbono da atmosfera.

"Não se trata de boas ou má notícias que chegamos a esse número. Estamos simplesmente descrevendo o estado do sistema global florestal em números que as pessoas entendam e que cientistas e responsáveis por políticas ambientais possam usar".

Apesar do uso de alta tecnologia, um ponto crucial do estudo de Yale foi o uso de medições locais. O time de Crowther coletou dados sobre densidade arbórea em mais de 400 mil áreas florestais ao redor do mundo. Isso ajudou a compensar as limitações das análises por satélite, cujas fotos são boas para mostrar as extensões de florestas, mas que não são muito úteis para revelar números individuais de espécimes.

Dos três trilhões de árvores do mundo, os cientistas estimam que 1,39 trilhão esteja em regiões tropicais, como a Amazônia, ou subtropicais. Cerca de 0,61 trilhão estariam em locais de clima temperado e 0,74 trilhão nas florestas boreais - os imensos grupos de coníferas que circulam o globo logo abaixo do Polo Norte.

E é justamente nessas regiões em que foram encontradas as maiores densidades florestais.

Efeito humano

Mas o que ficou evidente durante o estudo foi a dimensão da influência humana sobre o número de árvores no planeta. A equipe de Yale estima que, enquanto 15 bilhões de árvores são removidas por ano, apenas cinco bilhões são plantadas.

"Estamos falando de 0,3% de perda global anual", explica um dos coautores do estudo, Henry Glick.

"Não é uma quantia insignificante e deveria levar a uma reflexão sobre o papel do desflorestamento nas mudanças em ecossistemas. Sem falar que essas perdas de árvores estão ligadas à exploração madeireira e à atividade agrícola. Com o crescimento da população mundial poderemos ver essas perdas aumentarem".

Glick exemplifica essa ameaça com a estimativa de que, desde a última Era do Gelo, há 11 mil anos, o homem pode ter removido mais de três trilhões de árvores.

"A Europa antigamente era coberta por uma floresta gigante e agora é praticamente campos e pastos. O homem controla as densidades arbóreas", afirma Thomas Crowther.


Poluição em lagoa do Rio causa morte de milhares de peixes

Agência Brasil

Cerca de uma tonelada de peixes mortos foram recolhidos da Lagoa de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio, em função dos fortes ventos da semana passada, que remexeram o fundo da lagoa e provocaram a mortandade de peixes, que começou na última sexta-feira (28).



De acordo com a Secretaria de Estado de Ambiente, uma equipe de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) esteve na lagoa na manhã do último sábado (29) e constatou baixa oxigenação na água coletada no local.

“A provável razão dessa redução de oxigênio na água é o revolvimento da matéria orgânica, depositada no fundo das lagoas, que ocorre no caso da entrada de uma frente fria com fortes rajadas de vento, como houve na semana passada”, explicou, em nota, a secretaria.

O biólogo Mario Moscatelli, que estuda há anos as lagoas da região de Jacarepaguá, constatou que a maioria dos peixes mortos é da espécie tilápia e estava concentrada às margens do Parque Olímpico. Segundo ele, a causa da mortandade está intimamente associada com a chegada de esgoto dos rios que desembocam na lagoa, principalmente os rios Arroio Pavuna e Pavuninha.

Moscatelli afirmou que a água no local fedia muito por causa dos dejetos jogados na lagoa. “Hoje quando você passa pela Lagoa de Jacarepaguá, você não consegue respirar devido ao mau cheiro. A vida marinha naquele local foi embora. Tudo que estava dentro d'água e precisava de oxigênio foi embora.”

A secretaria informou que o projeto de recuperação ambiental do complexo lagunar da cidade do Rio prevê a dragagem de sedimentos poluídos do fundo das lagoas, desde a embocadura do Canal da Joatinga, na orla da Barra, até as lagoas de Marapendi, Tijuca, Camorim e Jacarepaguá, além do Canal de Marapendi, na zona oeste da cidade.

No início de junho, o órgão montou um canteiro de obras para dar início à limpeza pesada (retirada de lixo como pneus, sofás e madeira), necessária para o trabalho de desassoreamento do complexo lagunar. Além disso, os serviços de limpeza de manguezais, batimetria (medição da profundidade) e sondagem (medição da capacidade de resistência do solo) das lagoas já foram finalizados.

A Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) disse que até 2007, a região da Barra da Tijuca não tinha tratamento de esgoto, mas que, desde então, recebeu cerca de R$ 1,9 bilhão de investimentos da companhia. Segundo a empresa, com a implantação do emissário submarino, construção e entrada em operação da Estação de Tratamento de Esgoto da Barra e a instalação de mais de 20 elevatórias de grande porte, houve um incremento do índice de coleta e tratamento de esgoto da região da Barra de zero para 85%; no Recreio dos Bandeirantes de zero para 70%, e em Jacarepaguá de zero para 60%.

Em nota, a prefeitura do Rio afirmou que a construção das unidades de Tratamento de Rios na Bacia Hidrográfica de Jacarepaguá só será executada caso haja um avanço no planejamento e implementação do saneamento de esgoto da região.

“A prefeitura entende que, enquanto o tratamento de esgoto não avançar, a construção das estações de tratamento não é uma alternativa eficaz.” A administração municipal informou ainda que a Secretaria Municipal de Obras está fazendo intervenções de macrodrenagem nos rios da Bacia de Jacarepaguá. 


Incidência de raios no Brasil já pode ser prevista com 24 horas de antecedência

Agência Brasil

Um serviço inédito de previsão de raios foi lançado nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, São Paulo, durante cerimônia de comemoração dos 54 anos do Intituto. O sistema permite prever a incidência de descargas atmosféricas com 24 horas de antecedência. 




De acordo com o INPE, a partir do próximo verão as informações do sistema estarão disponíveis para os veículos de comunicação, como já ocorre com a previsão do tempo.

O sistema foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar de físicos, matemáticos, geógrafos, engenheiros e técnicos de computação do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), vincualdo ao INPE. O coordenador do ELAT, Osmar Pinto Junior, informou que o objetivo do serviço é evitar mortes e acidentes causados por raios.

“Hoje temos cerca de 120 mortes por ano e 500 pessoas feridas, ou seja, 620 pessoas são atingidas por ano no Brasil. A proposta é que a divulgação da previsão permita que as pessoas se organizem para evitar acidentes.”

O Brasil é o país com maior incidência de raios no mundo. “São entre 50 e 60 milhões de descargas por ano, com maior volume no verão”, disse Osmar. Segundo ele, todas as regiões do país têm áreas com alta incidência de raios, como a parte oeste dos estados da Região Sul e a área da Grande São Paulo, no Sudeste, e o estado do Piauí, no Nordeste.

O coordenador do ELAT acrescentou que a previsão funciona a partir de programas de computador que medem dados que indicam o comportamento atmosférico. “É um processo parecido com o da previsão do tempo. Nesse caso, identificamos as variáveis que influenciam a formação dos raios.”

Para saber onde ocorrerão raios, o sistema compara informações da Rede Brasileira de Detecção de Descargas Atmosféricas sobre vento, temperatura, umidade e concentração de gelo em diferentes alturas na atmosfera, dentro das nuvens e no solo. 




06 setembro 2015

Como um país pode despoluir suas águas

Gero Rueter | Deutsch Welle

Melhorar a qualidade da água e do tratamento de esgoto na Alemanha exigiu que as autoridades se desdobrassem em busca de soluções. "O estado dos rios melhorou significativamente e o problema de descarte tóxico por parte da indústria está praticamente resolvido", diz Gehard Wallmeyer, membro fundador do Greenpeace no país.


© Fornecido por Deutsche Welle

Nos anos 1980, os ambientalistas da ONG usaram um navio laboratório para analisar o que a indústria despejava nos rios. "As autoridades permitiam o descarte de resíduos como as empresas desejavam. Praticamente não havia restrições e tudo ocorria em segredo. Com a nossa pesquisa e análise, a prática tornou-se pública – o que gerou muito tumulto político", conta Wallmeyer.

Catástrofes ambientais também chamaram a atenção da população e de políticos para o assunto. Em maio de 1986, a usina nuclear de Chernobil, na antiga União Soviética, explodiu e contaminou boa parte da Europa com radioatividade. Meio ano depois, após um grande incêndio na empresa química Sandoz, pesticidas e mercúrio altamente tóxicos foram despejados no Rio Reno, na altura da cidade de Basileia – na fronteira franco-suíça – matando peixes e pequenos organismos ao longo de mais de 400 quilômetros. A água potável também foi contaminada em diversos lugares.

Como reação, o então chanceler federal alemão Helmut Kohl criou, em 1986, o Ministério do Meio Ambiente. "Todos esses acontecimentos tiveram como consequência a introdução de medidas drásticas: leis foram estabelecidas, as autoridades reagiram, e as empresas procuraram alternativas mais ecológicas", explica Wallmeyer.

Política ambiental

Nas décadas seguintes, a qualidade da água nos rios melhorou visivelmente. A indústria buscou processos de produção que respeitassem a natureza, e por toda parte foram construídas estações de tratamento de águas residuais, onde o esgoto é tratado principalmente com a ajuda de bactérias.

O tratamento de efluentes é financiado proporcionalmente: quem suja menos, gasta menos, quem suja mais – e descarta água muito contaminada – paga mais caro.

Os fosfatos, que até a década de 1980 podiam ser usados nos detergentes alemães, representavam outro problema sério. Descartado de forma irregular, o elemento promove a proliferação de algas, que diminuem os níveis de oxigênio na água e contribuem para a mortandade dos peixes.

Com a proibição de fosfatos nos detergentes e a extensão da restrição a outros produtos de limpeza, "a qualidade da água ficou muito melhor", diz Stephan Köster, do Instituto de Gestão de Águas Residuais e Proteção da Água da Universidade de Hamburg-Harburg. "A redução de fosfatos nos detergentes e o desenvolvimento do tratamento da água residual foram os marcos importantes."

A tecnologia para o tratamento de esgoto está tão avançada "que as águas residuais podem virar água para consumo de alta pureza", diz Köster. Até onde irá o tratamento do esgoto, porém, depende de empenho político. "Na Alemanha, podemos fazer ainda mais. O tratamento baseia-se exatamente no que a lei exige."

Hormônio na água

Os remédios são um grande problema para as águas. O tratamento de esgoto não retém os medicamentos, que acabam sendo levados para os rios. "Hormônios deixam caracóis e anfíbios com características femininas, reduzindo a população de machos e interrompendo a reprodução", explica Wallmeyer.

A Agência Federal do Meio Ambiente (UBA, na sigla em alemão) busca medidas para conter o problema. "Algo precisa ser feito a respeito. Os medicamentos não podem ser jogados no vaso sanitário, e as estações de águas residuais precisam de uma etapa adicional de purificação", recomenda Jörg Reichenberg, da UBA.

A Suíça é pioneira no assunto, porque tem leis a respeito sendo postas em prática. Segundo a UBA, os gastos de um tratamento adicional de águas residuais são aceitáveis. "Por ano e por pessoa, os custos adicionais seriam de 16 euros por ano", diz Reichenberg.

Adubo demais

Já a agricultura ameaça a água potável. Durante décadas, os agricultores fertilizaram o solo com esterco das fábricas de ração animal. O estrume – com o fosfato e o nitrato nele contido – se infiltra através do solo e contamina águas subterrâneas, rios e lagos.

Os danos são imensos. A concentração de nitratos cancerígenos nas águas subterrâneas aumenta cada vez mais e, com ela, o custo do tratamento da água, que deve ser pago pelos consumidores.

Até agora, pouco mudou na Alemanha a esse respeito. A Comissão Europeia ameaça abrir processo por infração devido a níveis elevados de nitratos na água potável.

O governo alemão quer enfrentar o problema. Prevê-se que, futuramente, os agricultores precisarão documentar exatamente o manejo do estrume. Se eles tiverem muito animais – e muito esterco – deverão exportá-lo. Fertilizar o campo como tem sido feito até agora deve render multa.

Céticos e otimistas

A aposta é que essas medidas vão melhorar bastante a qualidade da água. Mas também há quem duvide de uma mudança significativa enquanto a agricultura for industrializada.

Para melhorar a qualidade da água, na avaliação de Reichenberg, "é preciso promover a agricultura orgânica." Seu colega Dietrich Schulz, especialista em pecuária na Agência Federal do Meio Ambiente, concorda, mas é mais cético. "A economia agrícola vai, infelizmente, na direção oposta."



Sistema Alto Tietê recebe menos água há 21 meses seguidos

Estadão Conteúdo

Utilizado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para socorrer bairros da capital paulista que eram atendidos pelo Sistema Cantareira no início da crise hídrica, em 2014, o Sistema Alto Tietê é hoje o principal manancial paulista a ser socorrido.



© Fornecido por Notícias ao Minuto

Desde dezembro de 2013, quando tinha 50% da capacidade, o sistema formado por cinco represas situadas entre as cidades de Suzano e Salesópolis, na Grande São Paulo, recebe um volume de água abaixo da média histórica. Um ano depois, em dezembro de 2014, ele chegou próximo ao colapso, com apenas 4% do estoque.

Naquele momento, a Sabesp começou a recuar o que tinha avançado na distribuição de água do Alto Tietê sobre bairros da zona leste paulistana que eram atendidos pelo Cantareira, como Tatuapé, Penha e Cangaíba. A medida veio acompanhada da intensificação do racionamento de água feito pela companhia por meio da redução da pressão e do fechamento manual da rede. Hoje, o sistema atende cerca de 4,5 milhões de pessoas na porção leste da Grande São Paulo.

As chuvas acima da média entre fevereiro e maio ajudaram a salvar o segundo maior manancial da região do colapso, mas o agravamento da estiagem nos últimos meses acendeu o sinal de alerta novamente. A Represa Ponte Nova, em Salesópolis, ilustra o cenário crítico. Responsável por 57% da capacidade de todo o sistema, ele tem apenas 6% do estoque disponível. Vários de seus braços já desapareceram em meio à mata ou viraram pasto, a exemplo do que aconteceu na Represa Jaguari-Jacareí, em Joanópolis, que integra o Cantareira.

Simulações feitas pelo engenheiro José Roberto Kachel, ex-funcionário da Sabesp e membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, mostram que, se a entrada de água no sistema continuar ruim, até 60% abaixo da mínima histórica, como foi em agosto, o manancial pode secar completamente em novembro deste ano.

Para tentar evitar o colapso desse sistema, que entrou em operação na década de 1990 e foi fundamental para acabar com o rodízio permanente de água na zona leste, a Sabesp promete concluir neste mês a obra de transposição de água do Sistema Rio Grande, um braço da Billings, no ABC, para a Represa Taiaçupeba, em Suzano, onde fica a estação de tratamento do Sistema Alto Tietê.

A obra havia sido prometida pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para maio deste ano, mês em que foi iniciada. Segundo a Sabesp, ela só deve entrar em operação para transferir até 4 mil litros por segundo entre as represas a partir do mês de outubro.