08 abril 2015

Biólogos da UFSC acham menor flor de orquídea do mundo, com 0,5 mm

Espécie foi nomeada Campylocentrum insulare por causa da Ilha de SC.
Descoberta foi catalogada e publicada na revista Systematic Botany (EUA).


Mariana Faraco
Do G1 SC

Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) descobriram em Florianópolis a menor flor de orquídea já identificada no mundo, com menos de meio milímetro. A descoberta foi catalogada e publicada na revista científica Systematic Botany, dos Estados Unidos, em fevereiro deste ano.

Pesquisadores da UFSC encontraram menor flor de orquídea do mundo (Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC)Flor foi fotografada por uma câmera em microscópio (Foto: Carlos Eduardo de Siqueira/PPGFAP/UFSC)

A nova espécie foi batizada como Campylocentrum insulare, em homenagem à ilha de Santa Catarina, onde a descoberta foi feita. “Foi quase por acaso”, conta o pesquisador em botânica Carlos Eduardo de Siqueira.

Em 2010, ele estudava no Departamento de Botânica uma subtribo de microorquídeas quando sua orientadora de mestrado, Ana Zannin, trouxe de uma saída a campo uma planta que poderia pertencer ao grupo. “Parecia uma planta comum, não dei muita importância, mas coloquei na estufa.”

'Parecia um fungo'

Tempos depois, Siqueira notou um pequeno pontinho branco na planta. “Achei que era um fungo. Estava indo embora, mas parei e achei que estava meio diferente”. O pesquisador, então, resolveu olhar mais de perto e percebeu a minúscula inflorescência – seis pequenas pétalas brancas com um miolo amarelo, sem folhas.

Siqueira, então, partiu para o laboratório e começou a fazer todos os procedimentos científicos para confirmar sua descoberta. “Tirei fotos com um microscópio com uma câmera embutida, dissequei a flor, desmontei as partes, montei cartões. Foi um trabalho bem minucioso”, conta.

A etapa seguinte foi a da identificação. “Comparei com o que existe através de bibliografia, pesquisei. Não tem menor do mundo. Não digo que seja a menor orquídea, porque fica difícil comparar com uma que tenha folhas. Mas é a menor flor de orquídea do mundo”, afirma o pesquisador.

Siqueira chamou um especialista em Campylocentrum, o pesquisador Edlley Max Pessoa da Silva, que viajou de Pernambuco para Florianópolis para ver a planta e também acabou assinando o artigo publicado nos Estados Unidos. Da proposta do artigo à publicação, a descoberta foi submetida a várias avaliações de especialistas ao longo de um ano.

Sonho de menino

O achado é a realização de um sonho de menino. “Começou quando eu tinha 12 anos e ganhei da minha mãe um livro chamado 'O naturalista amador’”, conta Siqueira, que fez a faculdade de biologia mais tarde, depois de se formar em análise de sistemas.

“Tentei desde o começo fazer biologia, mas não passei e rolou uma pressão familiar”, conta o estudioso, que trabalha como funcionário público em um centro de informática. “Falo que sou botânico pela manhã e tecnólogo à tarde”.

Aos 40 anos, ele se prepara para ingressar no doutorado e, quem sabe, viver da biologia. “Quero fazer novas descobertas”, conclui.


05 abril 2015

Seca no sudeste pode durar 30 anos, aponta especialista

Cleyton Vilarino | EFE

São Paulo, 4 abr (EFE).- O cenário da atual seca no sudeste, que passa pela pior crise hídrica dos últimos 85 anos, pode durar por 30 anos mais, segundo afirmou neste sábado um especialista em meteorologia.




O meteorologista e sócio da empresa de consultoria especializada Somar Meteorologia, Paulo Ethichury, explicou à Agência Efe que o clima atual no país obedece a um ciclo de esfriamento do Oceano Pacífico nos últimos anos, que se opõe às décadas de 1980, 1990 e 2000, quando o clima era mais quente.

O início do ano assustou, em termos climáticos, a agroindústria, com um atraso do cultivo da soja e perspectivas de queda da produtividade em outras matérias-primas agrícolas, como o café.

Segundo Ethichury, os períodos de seca mais amplos podem se repetir no ano que vem.

"A atual fase é a mesma que vivemos nos anos 1940, também com menores volumes de chuva. Trata-se de um novo ciclo, também chamado de 'interdecadal', no qual estamos voltando para esta fase seca", assinalou o especialista, que aponta que os ciclos têm intervalos, às vezes, de 30 anos.

De acordo com Ethichury, é "um ciclo que traz um comportamento climático de padrão mais seco".

"Isso significa que, por exemplo, antes se cultivava milho em ciclos de 130 a 140 dias e hoje esses cultivos são feitos entre 100 e 105 dias para que sejam mais efetivo na época de chuvas", destacou Ethichury.

A crise hídrica do sudeste deixou em alerta os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e, principalmente, São Paulo.

O sistema Cantareira, que abastece 6,5 milhões de pessoas, um terço da região metropolitana de São Paulo, já utilizou as duas cotas do chamado "volume morto", uma reserva técnica adicional dos reservatórios.

As chuvas de fevereiro e março, que superaram a média para esses meses, elevaram parte dos níveis das reservas, mas não o suficiente para melhorar a situação.

A 3ª Conferência da Agroindústria, da qual participaram na semana passada centenas de empresários e executivos do setor, expressou a preocupação pelo atual cenário climático do país, que também pode afetar a geração de energia.

"Sabemos que está chovendo, mas chove menos e por isso estamos com problemas nos reservatórios. O calendário agrícola torna-se, então, menor", acrescentou o meteorologista.

O aquecimento pelo fenômeno do El Niño, segundo Ethichury, ameniza em parte os efeitos do esfriamento do Pacífico, mas a formação de chuvas foi insuficiente e a previsão é similar para os próximos anos.

"Sem alarmismo, trata-se de um momento de adequação na alternância de períodos ou décadas mais ou menos chuvosas", concluiu Ethichury.

Por outro lado, o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Mauricio Antônio Lopes, a seca ajudou a incorporar novas tecnologias e a fomentar a produção de transgênicos no país.

Lopes concordou com Ethichury sobre o fato de que "há uma tendência muito forte na agricultura de produzir com ciclos mais curtos", principalmente pela falta de chuvas e de abastecimento de água para os cultivos de soja, milho, algodão e feijão.