24 janeiro 2015

Diante de crise no Sudeste, ministra pede que população economize água e energia elétrica

Izabella Teixeira descreveu a situação da região como 'sensível' e 'complexa' e pediu a colaboração de todos


Glauce Cavalcanti, Luiza Damé e Luiz Ernesto Magalhães | O Globo

BRASÍLIA e RIO — Em meio à crise hídrica, que atinge os estados do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais, e de fornecimento de energia no país, o governo federal fez, nesta sexta-feira, um apelo para que a população economize. Os problemas com água e energia levaram seis ministros a se reunirem no Palácio do Planalto para discutir o cenário. Ao fim do encontro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, classificou a situação de “sensível e preocupante". No Rio de Janeiro, onde o principal reservatório do Rio Paraíba do Sul já atingiu o volume morto, o governador Luiz Fernando Pezão também pediu à população para evitar o desperdício de água.



A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira: 'precisamos da colaboração de todos' - André Coelho / Agência O Globo

Izabella Teixeira lembrou que o nível de chuvas no Sudeste, no ano passado, foi o pior da série histórica, iniciada em 1930. E que, nestes primeiros dias de 2015, o nível está abaixo do de 2014.

— Temos um problema sensível, complexo, e precisamos da colaboração de todos. Todos têm de saber poupar água, poupar energia. É uma situação atípica. Nunca se viu no Sudeste brasileiro uma situação tão sensível e tão preocupante — afirmou a ministra, acrescentando que deverá ser feita uma campanha para orientar a população sobre o uso racional da água.

A ministra lembrou que a previsão é de chuva nos próximos dez dias no Sudeste, mas sem indicações de onde ela ocorrerá e do potencial das precipitações. Segundo Izabella, o Palácio do Planalto dará apoio técnico e financeiro para a realização de obras necessárias para garantir o fornecimento de água à população.

RACIONAMENTO PODE CHEGAR A INDÚSTRIAS

Nesta sexta-feira, a situação das represas que atendem ao Estado do Rio voltou a piorar. Em 24 horas, o nível do Jaguari caiu de 2% para 1,93%. Em Santa Branca, oscilou de 0,65% para 0,41%, enquanto que no Funil, de 4,15% para 3,89%. Por sua vez, o Paraibuna já opera no volume morto. Pezão afirmou que o Rio vive uma situação sem precedentes. Por isso, pediu a colaboração da população:

— Nunca o estado viveu um momento como este. A população precisa ajudar. Já começamos uma campanha de orientação para que as pessoas economizem água.

Pezão acredita que a população responderá positivamente aos apelos, como aconteceu na década passada quando houve racionamento de energia.

O pedido do governador, porém, ocorre em um momento no qual a economia fluminense começa a ser atingida pela estiagem. No Rio, a seca matou duas mil cabeças de gado em quatro meses. A Secretaria estadual de Agricultura e Abastecimento estima em R$ 10 milhões até agora os prejuízos de 13 mil pequenos agricultores das regiões Norte e Noroeste Fluminense, além das cidades de São Sebastião do Alto, Cantagalo e Trajano de Moraes, na Região Serrana. O governo anunciou ainda que na segunda-feira vai liberar R$ 30 milhões de um plano de contingência para auxiliar esses agricultores. Os recursos, oriundos do Banco Mundial, serão aplicados em ações como a perfuração de poços artesianos, para a água do gado e a irrigação das lavouras.

Outros setores também enfrentam dificuldades. Quase um terço (30,6%) das empresas fluminenses reconhecem sofrer efeitos da escassez. Destas, metade já registra aumento no custo de produção. Os dados estão em pesquisa realizada pela Firjan em novembro de 2014, para mapear os efeitos da crise hídrica na economia do estado. Como a situação dos reservatórios piorou, o atual retrato pode ser mais grave, alerta Luís Augusto Azevedo, gerente geral de Meio Ambiente da Firjan.

E esse cenário pode ficar ainda pior. O secretário estadual do ambiente, André Corrêa, admitiu, nesta sexta-feira, que empresas instaladas ao longo do canal de São Francisco, na foz do Guandu, podem ser obrigadas a racionar água para preservar o consumo humano, se a seca perdurar por mais seis meses. Na região, estão instaladas cerca de 140 empresas, muitas de grande porte, como o Grupo Gerdau, a Thyssen-Krupp Companhia Siderúrgica do Altântico (CSA), Furnas e a Fábrica Carioca de Catalisadores (FCC).

Essas empresas já enfrentam problemas hoje. A FCC vem reduzindo a captação de água com interrupções diárias de cerca de quatro horas de duração, explica Abílio Faia, coordenador de Segurança e Meio Ambiente da empresa. É que, com a baixa vazão, a água do mar, que chega na montante do rio, vem em maior quantidade. Se não for possível puxar água do canal de São Francisco, a FCC poderá recorrer ao sistema da Cedae, ao qual está conectada. Mas, segundo Abílio, o custo seria 25 vezes maior que o da captação direta. Além disso, as despesas da produção aumentariam em 11% .

CSA DESLOCA PONTO DE CAPTAÇÃO

A CSA, por sua vez, decidiu deslocar o atual ponto de captação três quilômetros acima do atual. Com a crise hídrica, já reduziu em 20% a captação de águas no canal do São Francisco, e passou a desligar as bombas quando há aumento de salinidade.

Em entrevista ao “Bom Dia Rio”, da TV Globo, Corrêa chegou a anunciar a criação de um plano de contingência para enfrentar a falta de água, que poderia incluir um aumento de tarifas para os consumidores que gastassem mais. Horas depois, o governador Pezão, porém, afirmou o contrário: o Rio não deve enfrentar racionamento e a Cedae já sinalizou não haver necessidade de aumentar tarifas. Corrêa, então, convocou uma entrevista coletiva e mudou o tom.

— Hoje, no Rio não tem nenhum tipo de racionamento. No horizonte de seis meses, pode acontecer. Mas, como a prioridade é o abastecimento humano, se tivermos alguma dificuldade, o que não esperamos que aconteça, as empresas localizadas no final do Guandu poderão, sim, ter problemas de operação — admitiu o secretário.

Para tentar minimizar o impacto na indústria, o secretário do Ambiente disse que pretende se reunir semana que vem com diretores das companhias. Ele vai propor que as empresas reaproveitem água de reúso da Cedae, descartada de estações de tratamento e do próprio processo de produção de água potável do Guandu.

FIESP ESTÁ MAPEANDO SUBSOLO DE SÃO PAULO

A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) está mapeando o subsolo paulista para identificar os locais onde há potencial de uso de águas subterrâneas. A ideia é sugerir às indústrias a perfuração de poços artesianos, evitando a dependência total da rede da Sabesp e a consequente exposição a crises hídricas como a atual.

O estudo deve ficar pronto em dois meses. Nas primeiras fases de pesquisa, a Fiesp já constatou que a vazão do subsolo é de dez metros cúbicos por segundo. No Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana da capital, a vazão hoje é de 12 metros cúbicos por segundo.

— Poço artesiano é uma alternativa coerente para a atual crise. Ele serve muito bem como fonte complementar de abastecimento. O que não dá é ficar sem água — disse Nelson Pereira dos Reis, diretor de Meio Ambiente da Fiesp.

Com o objetivo de reduzir os custos, a entidade também quer sugerir a instalação dos poços em consórcios de indústrias, o que também diminuiria o processo burocrático para conseguir autorização para fazer a perfuração.

— Agora é preciso pensar no médio e longo prazos e ter consciência de que o uso da água deve ser racional. E fazer conglomerados de indústrias com um único poço é muito recomendável — afirmou Reis.

*Colaboraram Célia Costa, Dayana Resende, Renan Almeida e Roberta Scrivano


22 janeiro 2015

Pescadores capturam raro tubarão 'pré-histórico' na Austrália

Tubarão-cobra existe há mais de 80 milhões de anos.
Espécie tem corpo parecido com o de uma enguia e aspecto pré-histórico.


EFE

Um grupo de pescadores capturou um exemplar de um raro tubarão-cobra, conhecido como o "fóssil vivo", nas águas do sudeste da Austrália, informaram nesta quarta-feira (21) os meios de comunicação locais.

Tubarão-cobra foi encontrado por pescadores australianos: corpo parece o de uma enguia (Foto: www.setfia.org.au/Divulgação)Tubarão-cobra foi encontrado por pescadores australianos: corpo parece o de uma enguia (Foto: www.setfia.org.au/Divulgação)

Este tubarão, cujo nome científico é Chlamydoselachus anguineus, tem a cabeça e a cauda como as de qualquer tubarão, mas seu corpo é mais parecido com o de uma enguia. Ele tem cerca de 300 dentes distribuídos em 25 fileiras. Já foram encontrados fósseis dessa espécie com mais de 80 milhões de anos.

O exemplar, de cerca de dois metros de comprimento, foi capturado perto dos lagos Entrance, no estado australiano de Victoria, e segundo Simon Boag, da Associação da Indústria de Pesca com Rede do Sudeste (SETFIA), é a primeira vez que o animal é visto na região.

"Realmente parece que existe há 80 milhões de anos. Tem um aspecto pré-histórico, parece ser de outro tempo", disse Boag à emissora local "ABC".

Os cientistas da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade da Austrália (CSIRO) confirmaram que se trata de um tubarão-cobra, uma espécie conhecida pela comunidade científica, mas raramente avistado por pescadores.

Geralmente este animal é visto em profundezas de mais de 1,2 mil metros, embora o exemplar capturado estava a cerca de 700 metros.

21 janeiro 2015

Sabesp desperdiça 32% da água que distribui

Diagnóstico mostra que um terço da água de São Paulo não chega às torneiras. Mas esse índice, extremamente alto se comparado a cidades europeias, é pequeno perto das perdas de outras regiões do país


Bruno Calixto | Época

Parece inacreditável, mas mesmo em meio a uma grave seca, 37% da água distribuída nos mais dos 5 mil municípios do país simplesmente não chega ao consumidor. Essa água é perdida em vazamentos, falhas de tubulações, fraudes e até roubo. A informação é do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), um diagnóstico feito pelo Ministério das Cidades.

O diagnóstico foi concluído em dezembro do ano passado e divulgado nesta semana. Os dados do trabalho se referem ao ano de 2013, e foram repassados ao ministério pelas empresas prestadoras de serviço que atuam na área de abastecimento e saneamento de todo o país.

O estudo completo pode ser encontrado aqui.

A perda de água existe em todo o mundo – não há um sistema de abastecimento 100% seguro. Mas quanto menos se perde, melhor a eficiência do sistema. No diagnóstico, a equipe do Ministério da Cidade considera principalmente dois fatores: as perdas reais (água que não chega aos consumidores por vazamentos e problemas operacionais) e as perdas aparentes (água que não foi contabilizada, mas foi consumida por meio de ligações clandestinas). Infelizmente, o estudo não separa os números, então não é possível saber quanto de água se perde e quanto é "roubada" por meio de ligações ilegais.

Segundo o estudo, a Sabesp perdeu, em 2013, 32,8% da água distribuída na rede. No Estado de São Paulo, onde vários municípios sofrem com a seca, o índice de perdas é ligeiramente maior: 34,3%. Mas o que mais impressiona é que esses números, extremamente altos se comparados a cidades europeias, são pequenos perto de outras regiões do país. A situação mais desesperadora é no Amapá. Segundo o diagnóstico, 76% da água distribuída no Estado acaba se perdendo antes de chegar às torneiras. Vários Estados do Norte e Nordeste apresentam índice de perdas acima de 50%, como Sergipe, Roraima, Rio Grande do Norte e Rondônia. "Os dados demonstram a necessidade de as empresas atuarem em ações para a melhoria da gestão, a sustentabilidade da prestação de serviços, a modernização de sistemas e a qualificação dos trabalhadores", diz o estudo.

Entre as capitais, nenhuma cidade ficou na faixa recomendada pelo estudo, com perdas abaixo de 20%. A capital com melhor índice é Goiânia, seguida por Porto Alegre e Brasília, como mostra o gráfico abaixo.


Gráfico mostra o índice de perda de água em todas as capitais do país (Foto: Ministério das Cidades/Reprodução)Gráfico mostra o índice de perda de água em todas as capitais do país em 2013. Goiânia é a capital mais eficiente, enquanto Macapá tem o pior índice. A linha vermelha representa a média nacional (Foto: Ministério das Cidades/Reprodução)
Outro dado interessante do diagnóstico é o índice de consumo de água por pessoa em cada Estado. O estudo mostra que cinco unidades da federação gastam mais água do que a média nacional, que é de 166,3 litros. São eles: Rio de Janeiro, Maranhão, Espírito Santo, Distrito Federal, São Paulo e Rondônia. Campeão de consumo, o Rio de Janeiro aparece com gasto de 253 litros por pessoa por dia, o que significa 86 litros acima da média nacional. Em São Paulo, houve redução do consumo em 2013, mas de apenas 0,6%. No total, São Paulo consumiu 188 litros por pessoa por dia. Não há dados ainda para 2014, quando as medidas e campanhas para reduzir o consumo começaram a ser aplicadas, e portanto esse valor pode cair na próxima edição do diagnóstico. Segundo a ONU, todo o cidadão tem o direito de ter de 50 a 100 litros de água por dia.
Gráfico mostra o consumo per capita de água por dia nos 26 Estados e Distrito Federal (Foto: Ministério das Cidades/Reprodução)Gráfico mostra o consumo per capita de água por dia nos 26 Estados e Distrito Federal. Rio de Janeiro é o Estado que mais gastou água em 2013. Linha vermelha representa a média nacional (Foto: Ministério das Cidades/Reprodução)


Prefeitura de Vitória faz nova manobra para não fiscalizar pó preto

Caso constate irregularidades, o município faria apenas o papel burocrático de levar o caso ao Iema


Ubervalter Coimbra | Século Diário

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) da prefeitura de Vitória até participará da fiscalização anunciada na Vale e Arcelor Mittal pelo governo do Estado. Mas, se encontrar irregularidades, não notificará nem exigirá solução de nenhuma das poluidoras responsáveis por lançar o pó preto sobre a região da Grande Vitória. A prefeitura apenas repassaria a responsabilidade para o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).


po preto vitoria
Foto: O pó preto é um dos maiores dramas para quem vive na grande Vitória. Foto: Iury Marcondes
A posição do secretário de Meio Ambiente de Vitória, Cleber Guerra, foi revelada pelo presidente da Juntos SOS ES Ambiental, Eraylton Moreschi Júnior. Ele manifestou seu repúdio ao secretário, em e-mail postado na manhã desta quarta-feira (21).

O prefeito Luciano Rezende (PPS) é criticado pelos dirigentes das entidades ambientalistas por não cumprir a determinação constitucional de fiscalizar e punir os responsáveis pela poluição do ar que atormenta os moradores do município.

Na correspondência ao secretário de meio Ambiente, Moreschi se refere aos planos de ações para combater os elevados números de poluição do pó preto na Grande Vitória. Se reporta à reunião no Iema, que contou com a presença do novo secretário estadual de meio ambiente, Rodrigo Júdice, e participação da presidente do Iema, Sueli Tonini, e de técnicos do órgão, além dos secretários do meio ambiente dos municípios da Grande Vitória.

O objetivo era definir estratégias para combater a poluição da Vale e Arcelor Mittal. Estas empresas são as responsáveis pela emissão de material particulado, o pó preto, além de poluentes lançados pelas chaminés. No inventário de fontes poluentes da região foi constatado que em pontos de Vitória a Vale e Arcelor Mittal respondem com percentuais que variam de 50 a 80%.

Na reunião no Iema foi acertado que a Semmam realizará vistorias. Mas depois desta participação, já deixa o barco. Quer apenas notificar o Iema se confirmar irregularidades das poluidoras e aguardar as providências do órgão estadual.

O ambientalista lembra que o Iema é um órgão público desacreditado pela sociedade, e a presidente do Iema, Sueli Tonini, é cúmplice das poluidoras. “A história desta senhora não a qualifica para este cargo, na visão das entidades ambientais que compõem a Juntos – SOS ES Ambiental. Temos pedido de abertura de processo contra ela no Ministério Público Estadual, ação movida por parte de entidade integrante do Juntos”

Moreschi questiona a posição do secretário Cleber Guerra. Ele diz que na posição de representante do cidadão junto ao Comdema não concorda com esta postura da Semmam. “Questiono qual a legalidade e a legitimidade desta posição da Semmam”.

O ambientalista exige justificativa, e quer saber se a posição da Prefeitura de Vitória está de acordo com o regimento interno do Comdema; se atende ao Código Municipal de Meio Ambiente, Lei 4438. Indaga ainda se a posição do município atende o que está estabelecido do Estatuto das Cidades, Lei no 10.257, de 10 de julho de 2001. E finalmente quer saber se a Lei Complementar Nº 140/2011 e a Lei Federal nº 6938/1981 estão sendo cumpridas.

Considerando a gravidade da situação, o ambientalista quer que Cleber Guerra marque reunião urgente do Comdema para análise da postura do município face ao regimento interno do órgão colegiado municipal.