27 janeiro 2015

Americano quer instalar fábrica de painéis de bambu no Acre

Empresário estima investimento de até R$ 150 milhões, em cinco anos.
'É um legado que quero deixar', diz Mark James Neeleman.


Yuri Marcel
Do G1 AC

Ajudar a preservar a floresta acreana através do manejo florestal de bambus. Esse é o objetivo do empresário americano Mark James Neeleman, de 36 anos. No Acre, ele se prepara para instalar uma fábrica de painéis para construção civil, feitos a partir do bambu, no município acreano de Xapuri, distante 188 km da capital Rio Branco, e já prevê um investimento de até R$ 150 milhões no projeto pelos próximos cinco anos.

Bambu deve ser usado como material de construção sustentável (Foto: Bruno Imbroisi/ Arquivo pessoal)Bambu deve ser usado como material de construção sustentável (Foto: Bruno Imbroisi/ Arquivo pessoal)

"Queremos instalar um novo modelo de negócios focado no manejo de bambu nas áreas nativas e reflorestamento em áreas degradadas utilizando o bambu como catalisador para incentivar a 'agroecologia'. Vamos plantar nessas áreas, além do bambu, açaí, seringueiras e outros produtos", explica dizendo que além da construção civil tem planos de utilizar o bambu para fabricar biocombustíveis.

Nascido em Salt Lake City, no estado americano de Utah, Neeleman conta que desde cedo entendeu a importância de se preservar o meio ambiente. Parte dessa consciência veio do fato de crescer próximo a parques nacionais como Bryce Canyon e Canyonlands e parte se deveu à influência do pai, o jornalista Gary Neeleman, de 80 anos, que na década de 60, atuou como correspondente no Brasil e possui três livros escritos sobre a Região Amazônica.

O empresário viveu no Brasil no final da década de 90 atuando como missionário, quando aprendeu a falar português. Em 2008 voltou para ajudar o irmão, David Neeleman, na fundação da Azul Linhas Aéreas, onde atuou como gerente.

O empresário diz acreditar que pode ajudar a salvar as florestas e ao mesmo instalar um negócio favorável para os pequenos produtores. "Você não consegue fazer nada de bom se for pelo dinheiro, é preciso fazer um negócio com a visão de mudar o mundo para melhor. É um projeto social, capitalista e altruísta", afirma.

O empresário conta que a ideia do negócio surgiu há quatro anos, em 2011. No dois anos seguintes ele passou a fazer pesquisas sobre o assunto, até encontrar um grupo havaiano que faz construção de casas com o material.

Chico Mendes

Sobre a escolha do Acre como sede do empreendimento, ele explica que tem a ver com o legado deixado pelo líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, na cidade Xapuri por fazendeiros que discordavam de sua luta pela preservação das florestas e dos povos que vivem dela.

"Ele ajudou a criar no Acre, uma consciência ambiental que nunca vi igual em nenhum outro estado da região Norte", explica.

O empresário diz acreditar que conseguindo levar o empreendimento adiante pode servir de exemplo para os outros estados que fazem parte da floresta amazônica. "É um legado que quero deixar", diz.

Outro fator que ajudou na escolha do estado, segundo ele, foi um estudo que ele diz ter tido acesso sobre a quantidade de bambu no território acreano, que seria suficiente para suprir a demanda. "Tem áreas de floresta compostas 90% de bambu aqui no Acre", diz.

Investimentos

Até maio de 2015, ele espera que o processo para a colheita do bambu possa começar, ao mesmo tempo ele diz que novas mudas deverão ser plantadas em uma área degradada de aproximadamente mil hectares. "Isso apenas no primeiro ano. Temos uma meta de conseguir até cinco mil hectares de plantio em cinco anos", ressalta.

O investimento inicial deve ser de R$ 30 milhões no primeiro ano, mas o empresário diz querer alçar voos maiores. "Queremos usar essa fábrica de Xapuri para começar e nos próximos anos queremos construir uma nova fábrica na Zona de Processamento de Exportação do Acre. Nos próximos cinco anos esperamos investir até R$ 150 milhões nesse projeto", especula.

A medida que o negócio for crescendo ele espera também aumentar o número de empregos diretos gerados pelo empreendimento. "A princípio vamos contratar 200 pessoas, mas queremos chegar a mil funcionários e ainda vai ter muito mais gente trabalhando conosco através de cooperativas e associações que serão pagas para fazer a colheita dos bambus", afirma.

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