07 novembro 2014

Conheça soluções para a crise da água em 6 cidades do mundo

Regiões com problemas de abastecimento recorrem a alternativas como dessalinização, transposição e exploração de aquíferos. Será que esses métodos ajudariam São Paulo?


Paula Adamo Idoeta e Rafael Barifouse
Da BBC Brasil em São Paulo

A crise da água no Sudeste brasileiro, que afeta milhões de pessoas, desperta discussões sobre mudanças climáticas, consumo, investimentos e alternativas de abastecimento.

Diversas cidades do mundo também enfrentam ou enfrentaram desafios semelhantes, envolvendo seca, desperdício e excesso de consumo. A experiência delas pode servir de lição para São Paulo e as demais cidades brasileiras que sofrem com a falta d’água?

A BBC Brasil identificou seis cidades que tentam solucionar suas crises de abastecimento e perguntou ao Instituto Socioambiental (ISA) até que ponto as medidas se aplicariam à realidade paulista:

Pequim: transposição de água

A China está entre os 13 países listados pela ONU com grave falta d’água: com 21% da população mundial, o país tem apenas 6% da água potável do planeta.

Cerca de 400 cidades do país enfrentam obstáculos de abastecimento, e Pequim é uma delas: com uma população crescente, a capital já consome mais água do que tem disponível em seus reservatórios.

China realiza transposição de água do sul para abastecer Pequim (Foto: Reuters/BBC)China realiza transposição de água do sul para abastecer Pequim (Foto: Reuters/BBC)

Além disso, diversos rios chineses secaram recentemente em decorrência de secas prolongadas, crescimento populacional, poluição e expansão industrial.

Para enfrentar a questão, a companhia de água de Pequim está apostando em um projeto multibilionário para redirecionar rios, o Projeto de Desvio de Água Sul-Norte, cuja primeira etapa deve ser concluída neste ano.

O objetivo é mover bilhões de metros cúbicos de água do sul ao norte (mais árido) anualmente ao longo de uma distância superior à que separa o Oiapoque do Chuí (extremos do Brasil), a um custo que deve superar os US$ 60 bilhões. Seria necessária a construção de 2,5 mil km de canais.

- É viável em São Paulo? O governador paulista, Geraldo Alckmin, propôs uma obra de transposição para interligar o Sistema Cantareira à bacia do rio Paraíba do Sul - proposta polêmica, já que este último é a principal fonte de abastecimento do Estado do Rio de Janeiro, mas vista como "viável" pela Agência Nacional de Águas (ANA). O custo estimado é de R$ 500 milhões.

No entanto, para Marussia Whately, consultora em recurso hídricos do ISA (Instituto Socioambiental), São Paulo estaria avançando sobre outras fontes de água sem cuidar da água que tem disponível atualmente.

"Vamos investir em grandes obras antes de pensar na gestão das perdas de água, no consumo e na degradação das fontes de água atuais?", questiona.

Perth (Austrália) - Dessalinização

Perth é a "cidade mais seca" entre as metrópoles da Austrália. Segundo a presidente da Western Australia Water Corporation, Sue Murphy, as mudanças climáticas ocorreram mais rápido e antes do que era esperado no oeste do país. "Nos últimos 15 anos, a água de nossos reservatórios foi reduzida para um sexto do que havia antes", disse à BBC em junho.

A cidade construiu duas grandes estações para remover o sal da água coletada no Oceano Índico e torná-la potável.

Hoje, Perth obtém metade de sua água potável a partir do mar. Mas os ambientalistas criticam o processo por ser caro e demandar muita energia. Os moradores sentiram o impacto em suas contas de água, que dobraram de valor nos últimos anos.

A cidade também está fazendo experimentos com o sistema Gnangara, sua maior fonte hídrica subterrânea. Por uma década, Perth injetou nos aquíferos subterrâneos a água que foi usada pela população, já tratada. A água é filtrada naturalmente pelo solo arenoso e depois extraída para ser consumida pela população ou usada na irrigação agrícola. O teste foi considerado bem-sucedido, e um programa oficial foi estabelecido – sua meta é obter desta forma 7 bilhões de litros por ano.

"Com um clima mais seco, precisamos ser menos dependentes de chuva, por isso apoiamos estes projetos", disse Mia Davies, ministra de Água e Florestas do Leste da Austrália. Ao mesmo tempo, houve uma campanha pelo uso racional da água, o que fez com que a demanda por água hoje seja 8% menor do que em 2003, apesar de a população ter crescido mais de 30%.

- É viável em São Paulo? A dessalinização não seria uma opção coerente, diz Whately, do ISA, já que São Paulo não é cidade costeira e o Brasil tem um enorme patrimônio de água doce. Ao mesmo tempo, já se fala em recorrer ao uso emergencial de água usada: o governo paulista anunciou nesta semana planos de construir uma Estação de Produção de Água de Reúso na zona sul de São Paulo.

Nova York - Proteção de mananciais

Uma das maiores cidades do mundo, Nova York iniciou nos anos 1990 um amplo programa de proteção aos mananciais de água, para prevenir a poluição nessas nascentes e, assim, evitar gastos volumosos com tratamento ou busca de novas fontes de abastecimento.

O projeto incluiu aquisição de terras pelo governo nas nascentes de água, com o objetivo de proteger sua vegetação e garantir que os lençóis freáticos continuassem a ser alimentados; assistência financeira a comunidades rurais nessa região em troca de cuidados com o meio ambiente; e mitigação da poluição nos mananciais. Com isso, a cidade conseguiu ampliar em décadas a vida útil de seus mananciais.

O programa também envolveu campanhas pela redução do consumo. Dados oficiais apontam que o consumo per capita da cidade era de 204,1 galões de água por dia em 1991 e caiu para 125,8 galões/dia em 2009.

- É viável em São Paulo? Para Whately, trata-se da opção mais adequada para a realidade paulista: "A ideia (em Nova York) foi pensar o recurso que eles tinham disponíveis e cuidar deles, em vez de investir em obras", diz.

Zaragoza (Espanha) - Conscientização e metas

Secas severas nos anos 1990 deixaram milhões de espanhóis temporariamente sem água. Mas um relatório da Comissão Europeia aponta que o maior problema no país não costuma ser a falta de chuvas, e sim "uma cultura de desperdício de água".

A cidade de Zaragoza, no norte, encarou o problema com uma ampla campanha de conscientização em escolas, espaços públicos e imprensa pelo uso eficiente da água e o estabelecimento de metas de redução de consumo. Dos cerca de 700 mil habitantes, 30 mil se comprometeram formalmente a gastar menos água.

A estratégia incluiu incentivos para a compra de aparelhos domésticos econômicos (chuveiros, vasos sanitários, torneiras e máquinas de lavar louça eficientes, cujas vendas aumentaram em 15%); melhoria no uso da água em edifícios e espaços públicos, como parques e jardins; e cuidados para evitar vazamentos no sistema.

A meta estabelecida em 1997, de cortar o consumo doméstico de água em mais de 1 bilhão de litros água em um ano, foi atingida. Antes da campanha, diz a Comissão Europeia, apenas um terço das casas de Zaragoza praticava medidas de economia de água; ao final da campanha, eram dois terços. O consumo total caiu mesmo com o aumento no número de habitantes.

"O projeto mostrou que é possível lidar com a falta d’água em um ambiente urbano usando uma abordagem economicamente eficiente, rápida e ecológica", diz o 2030 Water Resources Group, consórcio que reúne ONGs, governos, ONU e empresas em busca de soluções ao uso da água no mundo.

- É viável em São Paulo? Não apenas viável como necessário, diz Whaterly, do ISA. "Se houvesse, por exemplo, um amplo programa de incentivos à aquisição de hidrômetros individuais (em vez de coletivos) nos edifícios de São Paulo, haveria uma economia brutal de água", opina. "Também são necessários incentivos à construção de cisternas e sistemas individuais de reúso da água."

Whately opina também que, ante a urgência da situação, a cidade precisa fixar metas e incentivos à redução do consumo mais duras do que as promovidas atualmente pela Sabesp - por exemplo, forçando consumidores maiores a cortar mais seu gasto de água e debatendo a imposição de multas a quem aumentou o consumo em plena estiagem.

Cidade do México - Novos aquíferos

Em junho, o presidente mexicano Enrique Peña Nieto afirmou que 35 milhões de habitantes do país têm pouca disponibilidade de água, tanto em qualidade como em quantidade.

Essa escassez é grave na própria capital, a Cidade do México, onde uma combinação de fatores – como grande concentração populacional, esgotamento de rios e tratamento insuficiente da água devolvida ao solo – causa extrema preocupação.

Em 2009, partes da cidade foram submetidas a racionamento de água após uma forte seca; e autoridades ouvidas pela imprensa local afirmam que, no ritmo atual, a cidade pode não ter água o suficiente em 2030.

Uma aposta da Cidade do México são aquíferos identificados no ano passado, cuja viabilidade está sendo estudada. Estão sendo perfurados poços para não apenas confirmar a existência das fontes subterrâneas de água, mas também avaliar sua qualidade para consumo humano.

Até 2016, as autoridades dizem que será possível saber se os aquíferos serão ou não uma alternativa de abastecimento para a megalópole. O problema, dizem, é que a perfuração, a 2 km de profundidade, deve sair muito mais cara do que perfurações de fontes mais próximas à superfície.

E muitos dizem que, além de buscar novas fontes, a cidade precisa aprender a evitar os desperdícios do sistema e a utilizar a água atual de forma mais eficiente.

- É viável em São Paulo? Para Whately, o uso de água subterrânea já é uma realidade para diversas cidades brasileiras, mas, por serem importantes reservas de água para o futuro, seu uso deve ser racional. "Ainda temos pouco conhecimento a respeito de nossos aquíferos. Eles precisam ser melhor estudados e mais bem cuidados – por exemplo, há locais em que o uso de agrotóxicos (no solo) pode prejudicá-los."

Cidade do Cabo (África do Sul) - Guerra do desperdício

Khayelitsha, a 20 km da Cidade do Cabo, é uma das maiores "townships" (como são chamadas as comunidades carentes sul-africanas) do país, com 450 mil habitantes. No início dos anos 2000, uma investigação descobriu que cerca de uma piscina olímpica era perdida por hora por causa de vazamentos em sua rede de água.

A principal fonte de desperdício eram os encanamentos domésticos, muitos dos quais deficientes e incapazes de resistir alta à pressão de bombeamento da água.

Com isso, aumentavam o consumo de água e também a inadimplência, já que muitas pessoas não conseguiam pagar as contas mais caras. Além disso, a Cidade do Cabo vive sob constante ameaça de falta d’água.

Um projeto-piloto de US$ 700 mil, iniciado em 2001, funcionou em duas frentes: a reforma de encanamentos ruins e a redução da pressão da água fornecida ao bairro, para evitar os vazamentos.

Segundo um relatório do governo da Cidade do Cabo, o projeto custou menos de US$ 1 milhão e o investimento foi recuperado em menos de seis meses.

Com a iniciativa, aliada a uma campanha de conscientização para evitar desperdícios, Khayelitsha conseguiu economizar 9 milhões de metros cúbicos de água por ano, equivalente a US$ 5 milhões, segundo o consórcio 2030 Water Resources.

- É viável em São Paulo? Para Whately, as perdas de água também são um "problema enorme" em São Paulo. "Quase um terço da água é perdida (no caminho ao consumidor), o que equivale a todo o volume do Guarapiranga e Alto Tietê juntos", diz. "Em alguns casos, encanamentos antigos podem contribuir para isso. Seria necessário mapear, com a ajuda das prefeituras, áreas onde há grandes perdas de água e identificar os motivos."

Para especialista da OMS, ebola pode ter matado milhares além do oficial

Especialista diz que famílias podem ter enterrado pessoas em segredo.
Cálculo é baseado em taxa de mortalidade de países mais afetados.


France Presse

O número real de vítimas mortais da letal epidemia de Ebola provavelmente excederá em milhares as 4.818 do último balanço, difundido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), advertiu nesta quinta-feira (6) um especialista desta organização.

"Há muitíssimas mortes não registradas nesta epidemia", afirmou à AFP Christopher Dye, responsável pela Estratégia da OMS, considerando que as vítimas mortais fora do registro oficial podem chegar a 5 mil.

Para chegar a este número, ele se baseou na taxa de mortalidade da doença nos países mais afetados (Guiné, Serra Leoa e Libéria), que é de 70%.

Na quarta-feira, a OMS estimou haver um total de 13.042 casos diagnosticados, o que significa que muitas mortes não foram comunicadas.

Segundo Dye, a explicação mais provável para esta diferença é que as pessoas teriam enterrado seus familiares em segredo, talvez para evitar que as autoridades interferissem em seus ritos funerários, que incluem lavar e tocar o morto.

O contato com pessoas portadoras do vírus é o responsável por boa parte dos contágios, razão pela qual as autoridades sanitárias dos países afetados no oeste da África estão realizando um forte trabalho de conscientização para que os corpos das pessoas infectadas sejam incinerados.

06 novembro 2014

Nível do Cantareira volta a cair após um dia de estabilização

Com índice em 11,8%, apelo pela economia de água continua.
Níveis de Alto Tietê e Guarapiranga também registraram queda.


Do G1 São Paulo

O nível do Sistema Cantareira voltou a cair nesta quarta-feira (5) após um dia de estabilização. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) registrou índice de 11,8% nesta manhã, 0,1 ponto percentual a menos que o registrado na terça (4).

Na terça-feira (5), o nível permaneceu estável em relação à medição do dia anterior: 11,9%.

Após um fim de semana e uma segunda-feira com chuvas, as precipitações perderam força na região do Cantareira.

Com precipitação de 3,6 milímetros, o nível caiu novamente, mas abaixo da média dos últimos meses, que é de 0,14 pontos por dia.

Os números da Sabesp mostram que a escassez das chuvas já é menos crítica. Nos primeiros cinco dias de novembro já choveu mais que durante os 31 dias de outubro: 43,2 milímetros contra 42,5 milímetros no mês anterior. O apelo pela economia de água, no entanto, continua.

O nível de 11,8% já conta com a segunda cota da reserva técnica do sistema, que ainda não está sendo utilizada segundo a Sabesp. Sem isso, o atual índice estaria em 1,1%.

Sequência interrompida

A estabilização no nível do Cantareira, que se manteve em 11,9% de segunda para terça, interrompeu uma sequência de quedas no nível que já vinha desde 27 de setembro.

O volume acumulado nos reservatórios só caia há 38 dias. Apesar disso, o nível não sobe há 203 dias. A última vez que isso ocorreu foi em 16 de abril, quando o nível subiu de 12% para 12,3%.

O Cantareira sofre, desde então, com constantes quedas e poucos dias de estabilização. O ritmo de baixa, nesse período de 203 dias, é de 0,14 ponto percentual por dia. No último dia de acréscimo, choveu 27,1 milímetros. Não haviam ainda sido incorporadas as cotas do volume morto.

Alto Tietê e Guarapiranga

Os níveis de Alto Tietê e Guarapiranga também registraram queda nesta quarta-feira (5), segundo a Sabesp.

No Alto Tietê, o índice foi de 8,7% para 8,6%, com chuva fraca de 3,4 milímetros na região dos reservatórios.

Já no Sistema Guarapiranga, a chuva veio, mas não impediu uma nova queda de 0,4 ponto percentual. O nível foi de 37,9 para 37,5 mesmo com uma precipitação de 12,2 milímetros.

O nível do Alto Tietê só está em 8,7% porque a Sabesp realizou uma ligação entre o Alto Tietê e a represa de Biritiba. Com o rompimento de um dique, a água que estava no reservatório e não era usada no abastecimento acresceu em 1,8 ponto percentual o nível do sistema. A obra foi autorizada pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE).

Veja a situação em outros sistemas:

- No Alto Cotia, o nível subiu de 29,7% para 29,9%;

- No Rio Grande, ele se manteve em 67,9%;

- O sistema Rio Claro foi de 40,7% para 40%.

Bônus

A ampliação da faixa de bônus para quem economizar água em São Paulo começou a valer a partir de sábado (1°). A decisão, aprovada pela Agência Reguladora de Saneamento e energia do Estado de São Paulo (Arsesp), vale para as cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Bragança Paulista e Campinas que já eram beneficiadas com o desconto.

Os imóveis que reduzirem em 10% ou 15% terão desconto de 10% na conta. Aqueles que diminuírem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20%. O cálculo é feito em relação à média de consumo entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. Desde fevereiro, os clientes que economizam 20% ou mais recebem desconto de 30% na conta de água. A ampliação do bônus faz parte das ações adotadas pelo governo para amenizar os reflexos da crise hídrica no estado.

O balanço mais recente aponta que 49% dos clientes da Sabesp tiveram o bônus porque reduziram em pelo menos 20% seu consumo. Outros 26% economizaram, mas não receberam a bonificação. Ainda de acordo com a companhia, 25% gastaram mais água do que a média.

05 novembro 2014

Tecnologia permite reutilizar calor perdido em combustão

Estudo de cientistas da Universidade Federal do Extremo Oriente, da cidade de Vladivostok, provou que é possível fazer com que o calor anteriormente perdido em câmaras de combustão seja reutilizado, poupando combustível.


Olga Sobolévskaia | Voz da Rússia

Cientistas russos, orientados por um colega japonês, desenvolveram uma nova tecnologia que permite poupar até 30% de combustível e reduzir os gases nocivos lançados na atmosfera por processos de combustão.

Segundo a nova tecnologia, o calor resultante da produção de energia regressa à caldeira para ser utilizado novamente. A ideia de um grupo internacional de cientistas já atraiu atenção de representantes de estruturas tecnológicas de ciência no Japão e de corporações energéticas na Rússia.

A maior parte da energia no mundo é produzida em resultado da combustão. Por isso quaisquer projetos que permitem poupar combustível são especialmente importantes.

A própria tecnologia de retorno de uma parte de materiais para uma segunda utilização no mesmo processo tecnológico não é uma novidade. Esses processos estão sendo aplicados na indústria química durante a limpeza e secagem de gases, a clarificação de soluções e a separação de vapores misturados.

O grupo russo-japonês de cientistas propõe um setor mais amplo de recuperação – a produção de energia. Pesquisadores ocidentais também se aproximaram disso, mas são especialistas russos que aplicaram a ideia na prática.

É possível fazer com que o calor que anteriormente se perdia volte à câmara de combustão; ou seja, ele é utilizado novamente, poupando combustível, provaram cientistas da Universidade Federal do Extremo Oriente da cidade de Vladivostok, situada na parte asiática do país. O projeto está sendo orientado pelo professor Kaoru Maruta, da Universidade Tohoku (Japão). A tecnologia já foi testada, diz o especialista japonês:

“Os processos de combustão produzem gases de escapamento muito quentes que habitualmente vão para o meio ambiente. É necessário fazer voltar o calor desses gases para a caldeira, aumentando desse modo a eficácia do processo. A nova tecnologia poupa até 30% do combustível e permite diminuir o tamanho dos dispositivos de combustão.”

Os autores não revelaram por enquanto os detalhes técnicos, mas afirmam que o retorno do calor pode ser utilizado de maneira eficaz em quaisquer dispositivos de combustão, inclusive motores de automóveis e de aviões, assim como turbinas de gás. O projeto pode ser aplicado também na construção de casas ecológicas com consumo de energia reduzido.

Ambiente

A nova tecnologia energética tem mais uma vantagem ecológica evidente, permitindo reduzir a fuga de substâncias nocivas para o meio ambiente. O novo método torna possível o regime de combustão sem chama visível. Neste caso, reações de queima decorrem na totalidade da câmara de combustão e, por isso, a chama é praticamente invisível sem ajuda de aparelhos óticos.

Graças à combustão sem chama se produz um efeito importante –entram no ar menos óxidos azóticos e carbônicos. Os dispositivos de recuperação e de combustão sem chama podem ser utilizados amplamente na metalurgia, na produção de tijolos e na fundição, apontam especialistas do grupo russo-japonês.

Segundo os cientistas, a ideia da combustão com o retorno de calor e de massa deve ser estendida a diferentes tipos de combustível, cuja elaboração já provocou interesse de representantes da indústria pesada e da agência espacial do Japão, assim como de companhias energéticas da Rússia.



04 novembro 2014

Infestação de tanajuras surpreende banhistas em Camburi, Vitória

Insetos mortos ocupavam 50 metros da orla neste domingo (2).
Segundo bióloga, explicação é período reprodutivo da espécie.


Do G1 ES, com informações de A Gazeta

Quem decidiu desfrutar da ensolarada manhã de domingo (2), na Praia de Camburi, em Vitória, se deparou com um fenômeno estranho sobre a faixa de areia, na altura do Banco do Brasil: uma grande quantidade de tanajuras mortas ocupava cerca de 50 metros da orla. De acordo com a doutoranda em Biologia Animal, Daniele Ferreira Mugrabi, uma possível resposta ao caso curioso é a chegada do período reprodutivo da espécie, em que os machos morrem após a cópula.

Infestação de tanajuras surpreende banhistas em Camburi (Foto: Camila Altoé/ VC no ESTV)Infestação de tanajuras surpreende banhistas em Camburi (Foto: Camila Altoé/ VC no ESTV)

Segundo Daniele, esses insetos, popularmente conhecidos como tanajuras, são formigas que pertencem ao gênero Atta. Para a bióloga, trata-se de um grupo de machos da espécie, caracterizados pelo tamanho reduzido da cabeça e pela presença de asas.

A especialista acredita que as tanajuras podem ter voado para se reproduzir, o que faz parte de um fenômeno natural chamado voo nupcial. “O período reprodutivo dessas formigas ocorre, geralmente, no início da estação chuvosa e de forma sincronizada, unindo centenas de formigas de ninhos diferentes em um único evento de cópula. Os machos, cujo único papel na colônia das formigas é de copular com a rainha, não retornam ao formigueiro e acabam morrendo de fome e exaustão pouco após a cópula”, explicou Daniele Mugrabi.

A bióloga também indicou que o fenômeno não proporciona nenhum risco à saúde dos banhistas, já que se trata de um evento natural.

Bom Dia Brasil percorre Rio São Francisco e mostra escassez de água

Equipes foram da nascente até a foz e encontraram cenário assustador.
Famílias ribeirinhas tiveram que se mudar por causa do nível baixo.


Gabriel Senna e José Raimundo | Bom Dia Brasil

O Bom Dia Brasil fala da agonia do São Francisco. As equipes percorreram o rio da nascente, na Serra da Canastra, até a foz, entre Alagoas e Sergipe, e encontraram um cenário assustador: a fartura de água virou escassez, famílias ribeirinhas tiveram de se mudar e onde passavam barcos agora passam carros.



São os efeitos da pior seca dos últimos 100 anos, agravada pela ação do homem. Veja na reportagem de Gabriel Senna e José Raimundo.

No meio da segunda maior barragem do estado, as cenas, impensáveis até bem pouco tempo, hoje chocam. “O rio está morrendo, o rio está desidratado, o rio está maltratado”, diz um homem.

“Nós não vamos conseguir captar água para levar para a casa das pessoas. Nós não estamos conseguindo captar água para irrigar as nossas plantações”, afirma a representante do Comitê da Bacia de Três Marias Sílvia Freedman Durães.

A Barragem de Três Marias foi construída para armazenar 19,5 bilhões de metros cúbicos de água. Mas, agora, o volume útil chegou a menos de 3% da capacidade. Ela pode parar de gerar energia elétrica a qualquer momento e cortar o fluxo d’água rio abaixo, colocando 122 municípios em risco de desabastecimento. Um trecho de 40 km do São Francisco pode secar.

Vertedouro mostra o onde seria o nível normal da água na barragem. (Foto: Valdivan Veloso/ G1)Marca no vertedouro (à direita) mostra onde seria o nível normal da água na barragem (Foto: Valdivan Veloso/ G1)

“Nós temos cidades de 80, cem anos na região do Alto São Francisco que nunca tiveram o curso de água cortado. Nós nunca tivemos desabastecimento de água nos municípios”, afirma o representante do Comitê dos afluentes do São Francisco Lessandro Gabriel da Costa.

Segundo a Copasa - a Companhia de Abastecimento de Minas Gerais - esta é a pior seca do Rio São Francisco dos últimos 100 anos.

O Velho Chico nasce na Serra da Canastra, centro-oeste de Minas. São mais de 2,8 mil km que cortam cinco estados, até desaparecer nas águas do Atlântico, na divisa de Sergipe e Alagoas.

Onde sempre houve fartura, agora há escassez: 85 cidades da Bacia do São Francisco já decretaram situação de emergência por causa da seca em Minas.

Em Morada Nova de Minas, as raízes das palmeiras buritis já estão expostas faz tempo. Em Pedras de Maria da Cruz, pela primeira vez, expectadores chegaram à exibição do projeto ‘Cinema no Rio’ de ônibus, já que a barca não pode mais navegar.

“Quando o barco chega, a sensação é de a cidade toda vem. Então dá uma alegria. Agora, chega de ônibus dá uma tristeza”, lamenta uma moradora.

Em Pirapora, passear no lendário barco à vapor Benjamim Guimarães, só na memória. As viagens hoje, estão canceladas.

A situação é tão séria, que até a principal nascente do São Francisco, na Serra da Canastra, secou este ano. Foi a primeira vez na história que isso aconteceu.

“Muito triste a gente saber que nós estamos do lado do Rio São Francisco, no berço do Rio São Francisco, na nascente do Rio São Francisco e já está passando por uma situação que cidades e cidades estão passando por escassez de água”, lamenta Lessandro Gabriel da Costa.

A estiagem tem afetado também a economia local. Com o nível da água baixo, os peixes vao embora, e os turistas também. Em alguns pontos do rio, por causa das pedras, o motor do barco não pode mais ser ligado. É possível descer e caminhar, uma cena antes impensável.

“Tem 50 anos que eu pesco aqui no Rio São Francisco é a primeira vez que eu vejo ele na situação ruim que está agora”, afirma o pescador José Geraldo de Souza.

A poluição e o assoreamento contribuem para tornar o São Francisco cada vez mais raso. E 77% das águas que saem do leito vão para a agricultura e pecuária. Os ambientalistas não têm dúvidas: estão exigindo demais do Velho Chico.

Com a estiagem, o rio vai perdendo força e vida. Mesmo assim ele continua seguindo o caminho, rompe as barreiras do estado e chega na Bahia.

Quando está cheio o Lago de Sobradinho, o maior do São Francisco, é do tamanho da Baía de Guanabara. Hoje, está irreconhecível: já encolheu 80%. Árvores da caatinga submersa reapareceram e comunidades que ficavam na beira da represa agora dependem do caminhão-pipa. E tem gente se aproveitando da situação para explorar os moradores.

“Mil litros é R$ 15”, diz o motorista Gilvan Ribeiro.

Quem vende chega a faturar R$ 1 mil por dia com a água que sai de graça do lago. “Se não pagar não bebe”, afirma o motorista.

“Um baldinho desse dá para seis tomar banho. As crianças vão para a escola só faz lavar os pés e escovar os dentes, não toma banho”, conta a dona de casa Roberta Ferreira.

A agua que não chega a Sobradinho também falta em grande parte do leito do São Francisco. Nos trechos onde balsas fazem a travessia de carros está muito difícil navegar.

“A profundidade desse canal é um metro e pouco”, afirma o motorista da balsa.

E em águas tão rasas até as balsas menores estão encalhando. “Tem uns 15 dias assim, encalhando”, diz um homem.

O porto da única hidrovia que transportava grãos, entre Ibotirama e Juazeiro, há três meses parou de operar. Da divisa da Bahia com Minas até o município de Xique-Xique, em vários pontos o assoreamento impede o rio de correr. Onde passavam barcos, agora passam carros, carroças. Dá até para apostar corrida de cavalos no leito do São Francisco.

Um dos motivos deste cenário assustador é a destruição das matas ciliares. Elas foram derrubadas em mais de 80% de toda a extensão do rio.

Pelas leis ambientais, margens de rios como o São Francisco, devem ter a proteção de pelo menos cem metros de mata em cada lado. Mas os pastos avançam até a calha e o desbarrancamento tem avançado tanto que comunidades que ficavam a um quilômetro da água agora estão a no máximo 30 metros. Famílias ribeirinhas já foram obrigadas a se mudar.

Os projetos de revitalização, que preveem o replantio das matas ciliares, até agora não plantaram uma árvore, segundo o presidente do Comitê da Bacia do São Francisco. “É preciso agora, finalmente, prestar atenção na realidade de que o São Francisco precisa efetivamente de ações de recuperação ambiental”, afirma Arivaldo Miranda.

Mesmo com pouca água, a barragem de Sobradinho, até agora, está conseguindo liberar a vasão mínima para garantir a geração de energia rio abaixo. O Velho Chico chega ao fim de sua longa viagem sem nenhuma força. Na foz, ele, que empurrava o mar, hoje, se deixa invadir pela água salgada.


Assista aqui ao vídeo


Chuva interrompe sequência de queda no nível do Cantareira

Índice se manteve em 11,9%, mesmo de segunda-feira (3).
Chuva foi de 15,7 mm, segundo a Sabesp; nível só caía desde setembro.


Do G1 São Paulo

A chuva que atingiu o Sistema Cantareira nesta segunda-feira (3) interrompeu uma sequência de quedas no nível dos reservatórios que vinha desde 27 de setembro. Nesta terça (4), o volume acumulado se manteve em 11,9%, o mesmo do dia anterior, segundo medição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

No dia de 26 de setembro, quando o nível estava em 7,2% - sem contar a segunda cota do volume morto - 22,7 milímetros de chuva atingiram as represas, o que garantiu a estabilidade no dia 27.

Nesta segunda-feira, a chuva sobre o sistema foi de 15,7 milímetros. A precipitação foi menor que a de domingo (2), de 19,1 milímetros. Essa chuva anterior, porém, não havia impedido a queda no nível dos reservatórios de 12,1% para 11,9% na medição desta segunda.

O mês passado foi o mais seco dos últimos 12 anos no Sistema Cantareira, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Entre o dia 1º até esta sexta-feira (31), foram registrados 42,5 milímetros de chuva nos reservatórios. Isso corresponde a 32,5% do volume esperado, que era de 130,8 milímetros.

O nível de 11,9% já conta com a segunda cota da reserva técnica do sistema, que ainda não está sendo utilizada segundo a Sabesp. Sem isso, o atual índice estaria em 1,2%.

Alto Tietê e Guarapiranga

A chuva não chegou com a mesma intensidade na região das represas do Sistema Alto Tietê, que teve nova queda. O nível os reservatórios foi de 8,8% para 8,7%, queda de 0,1 ponto percentual. A precipitação foi de 4,2 milímetros.

Se no Alto Tietê faltou intensidade, no Sistema Guarapiranga a chuva sequer molhou o solo. A Sabesp não registrou precipitação nas represas, e o nível caiu 0,5 ponto percentual, indo de 38,4% para 37,9%.

Bônus

A ampliação da faixa de bônus para quem economizar água em São Paulo começou a valer a partir deste sábado (1°). A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) concederá o desconto na conta de água também para os imóveis que reduzirem o consumo entre 10% e 20%.

Agora, os imóveis que reduzirem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20%. Desde fevereiro até então, apenas os clientes que economizavam 20% ou mais recebiam um desconto de 30% na conta de água.

A decisão, aprovada pela Agência Reguladora de Saneamento e energia do Estado de São Paulo (Arsesp), vale para as cidades das regiões metropolitanas de São Paulo, Bragança Paulista e Campinas que já eram beneficiadas com o desconto (veja lista e as novas regras abaixo). O bônus gradual foi solicitado pelo governador Geraldo Alckmin.

Regras para o novo bônus

Os imóveis que reduzirem em 10% ou 15% terão desconto de 10% na conta. Aqueles que diminuírem o gasto entre 15% ou 20% receberão bônus 20%. O cálculo é feito em relação à média de consumo entre fevereiro de 2013 a janeiro de 2014. Desde fevereiro, os clientes que economizam 20% ou mais recebem desconto de 30% na conta de água. A ampliação do bônus faz parte das ações adotadas pelo governo para amenizar os reflexos da crise hídrica no estado.

O balanço mais recente aponta que 49% dos clientes da Sabesp tiveram o bônus porque reduziram em pelo menos 20% seu consumo. Outros 26% economizaram, mas não receberam a bonificação. Ainda de acordo com a companhia, 25% gastaram mais água do que a média.

Cidades beneficiadas com o bônus:

- Região Metropolitana de SP: São Paulo, Arujá, Barueri, Biritiba-Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Mairiporã, Mogi das Cruzes (bairros da divisa), Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Suzano, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista.

- Região Metropolitana de Campinas e região bragantina: Bragança Paulista, Hortolândia, Itatiba, Joanópolis, Monte Mor, Morungaba, Nazaré Paulista, Paulínia, Pinhalzinho, Piracaia


Desmatamento acumulado na Amazônia cobra fatura e começa a afetar o clima, diz estudo

Lançado na quinta (30), em São Paulo, relatório sintetiza, pela primeira vez, cerca de duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático e conclui que reduzir a zero o desmatamento já não basta para garantir as funções climáticas do bioma


EcoDebate

Um relatório lançado nesta quinta-feira em São Paulo (30) sintetiza, pela primeira vez, cerca de duzentos dos principais estudos e artigos científicos sobre o papel da floresta amazônica no sistema climático, na regulação das chuvas e na exportação de serviços ambientais para áreas produtivas, vizinhas e distantes da Amazônia. A avaliação conclui que reduzir a zero o desmatamento já não basta para garantir as funções climáticas do bioma. Acesse o relatório aqui

Além de manter a floresta amazônica a qualquer custo é preciso confrontar o passivo do desmatamento acumulado e começar um amplo processo de recuperação do que foi destruído, que somente no Brasil alcança uma área de 763 mil Km2, o que equivale a três Estados de São Paulo ou a 184 milhões de campos de futebol.

Conduzido pelo pesquisador Antonio Donato Nobre, do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, a pedido da Articulación Regional Amazónica (ARA), o estudo O Futuro Climático da Amazônia mostra o potencial climático da floresta pristina, chamada pelos cientistas de “oceano verde”, e os impactos de sua destruição com o desmatamento e o fogo. Aponta ainda as ações para conter os efeitos no clima provocados pela ação humana sobre a maior floresta tropical do mundo.

O trabalho inova ao revelar os segredos que fazem da Amazônia um sistema único no planeta, com funções que começam a ser melhor compreendidas pelos cientistas. O primeiro deles é que a floresta mantém úmido o ar em movimento, o que leva chuvas para as regiões interiores do continente, distantes milhares de quilômetros do oceano. A Amazônia, explica o pesquisador, tem outra peculiaridade. Ela ajuda a formar chuvas em ar limpo. É que as árvores emitem aromas a partir dos quais se formam sementes de condensação do vapor d’água, cuja eficiência na nucleação de nuvens resulta em chuvas fartas.

Outro segredo trazido à tona é que a floresta amazônica não mantém o ar úmido apenas para si mesma. Ela exporta essa umidade por meio de rios aéreos de vapor, os chamados “rios voadores,” que irrigam áreas como o Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil e outras áreas como o Pantanal e o Chaco, além da Bolívia, Paraguai e Argentina. “Sem os serviços da floresta, essas produtivas regiões poderiam ter um clima inóspito, quase desértico”, diz o autor.

Gêisers de madeira

Segundo Nobre, essa competência de regular o clima se dá principalmente pela capacidade inata das árvores de transferir grandes volumes de água do solo para a atmosfera através da transpiração. São 20 bilhões de toneladas de água transpiradas ao dia, o equivalente a 20 trilhões de litros. Para se ter uma ideia, o volume despejado no oceano Atlântico pelo rio Amazonas é de pouco mais de 17 bilhões de toneladas diariamente. “As árvores funcionam como gêisers de madeira, jorrando esse imenso volume de água vaporosa na atmosfera”.

Uma nova teoria física descrita no relatório sustenta que a transpiração abundante das árvores, casada com uma condensação fortíssima na formação das nuvens e chuvas – condensação essa maior que aquela nos oceanos contíguos –, leva a um rebaixamento da pressão atmosférica sobre a floresta, que suga o ar úmido sobre o oceano para dentro do continente, mantendo as chuvas em quaisquer circunstâncias. Para Nobre, esses efeitos favorecedores fazem da floresta a melhor e mais valiosa parceira de todas as atividades humanas que requerem chuva na medida certa, um clima ameno e proteção de eventos extremos.

Mas o desmatamento pode colocar todos esses atributos da floresta em risco. Reconhecidos modelos climáticos anteciparam variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima, previsões que vem sendo confirmadas por observações. Entre elas estão a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca nas zonas desmatadas. Outros efeitos não previstos, como o dano por fumaça e fuligem à dinâmica de chuvas, mesmo sobre áreas de floresta pristina, também estão sendo observados.

Vários estudos sugerem que a floresta, na sua condição original, tendo perseverado por dezenas de milhões de anos, tem grande resistência a cataclismos climáticos. Mas quando é abatida ou debilitada por motosserras, tratores e fogo sua imunidade é quebrada. Nos cálculos de Nobre, a ocupação da Amazônia já destruiu no mínimo 42 bilhões de árvores, ou seja, mais de 2000 árvores por minuto – ininterruptamente –, nos últimos 40 anos. O dano de tal devastação já se faz sentir no clima próximo e distante da Amazônia, e os prognósticos indicam agravamento do quadro se o desmatamento continuar e a floresta não for restaurada.

Entre as medidas mitigadoras, o estudo propõe “universalizar o acesso às descobertas científicas que podem reduzir a pressão da principal causa do desmatamento: a ignorância”. E é preciso agir, recomenda o documento, que fala em um “esforço de guerra” para reverter o quadro atual.

Para Sérgio Guimarães, coordenador da ARA Regional, O Futuro Climático da Amazônia é uma grande contribuição nesse sentido. “Nossa intenção ao promover essa publicação é justamente tornar esse conhecimento acessível a diversos setores da sociedade. Quando todos entenderem a importância das florestas para nossa economia e nossa vida, com certeza estará isso estará no centro dos nossos debates e das nossas políticas públicas”, diz Guimarães.

O relatório contou com o apoio do ISA, da Iniciativa Amazônia do WWF, do Observatório do Clima e do ICV.

(Com informações do WWF)

Moratória para o São Francisco

Documento defende que empreendimentos são os maiores causadores da falta de abastecimento


Rafaella Dotta | Brasil de Fato
Belo Horizonte (MG)

Mais de 30 entidades sociais protocolaram, na terça-feira (28), um pedido para suspender o uso das águas, solos e subsolos da Bacia do Rio São Francisco ao Ministério Público Federal (MPF) em Belo Horizonte. Dentre vários motivos, o documento explica que o atual cenário pode levar à falta de água e ao caos social nas cidades abastecidas pelo rio e que 16 milhões de pessoas podem ser atingidas diretamente.

O documento foi redigido pela Articulação Popular São Francisco Vivo e destaca a falta de confiança nas informações apresentadas pelos órgãos responsáveis pela gestão das águas (Agência Nacional de Águas e órgãos dos estados). Para a organização, é preciso um “amplo estudo, em caráter de urgência” para rever a atual utilização das águas, solos e subsolos do território.

“Os usos da água nos empreendimentos do agronegócio e minerários colocam em risco a disponibilidade e qualidade da água restante para os demais usos”, destaca trecho do documento. As organizações pedem que a Lei 9433, a Lei Nacional de Recursos Hídricos, seja cumprida, em que se destaca o item III do artigo 1º: “em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais”.

“A gente entende que o problema do baixo volume de água no São Francisco não é só resultante do período de estiagem. A água da chuva, rios e afluentes não está chegando no rio”, afirma Alexandre Gonçalves, integrante da Articulação São Francisco Vivo. Ele espera que os Ministérios Públicos estaduais realizem uma investigação conjunta sobre a situação ambiental da bacia, proposta firmada pelo promotor José Adércio Leite Sampaio, do MPF de Belo Horizonte.