12 setembro 2014

Ebola já deixou mais de 2.400 mortos na África Ocidental, segundo OMS

De acordo com balanço, ao todo 4.784 pessoas foram infectadas.
Cuba enviará 165 médicos e enfermeiros a Serra Leoa.


France Presse

A epidemia de ebola na África Ocidental já matou mais de 2.400 pessoas, de um total de 4.784 casos, segundo um balanço anunciado nesta sexta-feira (12) pela diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan.

"No dia 12 de setembro, há 4.784 casos" e "mais de 2.400 mortos", declarou Chan, em uma coletiva de imprensa na sede da OMS, em Genebra, de acordo com a AFP.

Não foi informado, no entanto, se estes números incluem a Nigéria ou se é um balanço dos três países mais afetados: Guiné, Libéria e Serra Leoa.

O balanço anterior publicado na terça-feira pela OMS informava sobre 2.300 mortos de um total de 4.293 casos em toda a África Ocidental.

"Nos três países mais afetados", o número de casos "aumenta mais rápido que a capacidade para tratá-los", advertiu nesta sexta-feira Margaret Chan, que pede uma maior mobilização da comunidade internacional. Ela lembrou que já não resta nenhum leito disponível para tratar esses pacientes na Libéria.

A epidemia de ebola que atinge atualmente a África Ocidental é a mais grave já registrada. Outra epidemia de ebola se desenvolve de forma independente em uma área remota do noroeste da República Democrática do Congo, com 32 vítimas mortais em quase um mês.

Cuba envia 165 médicos

Em uma coletiva de imprensa conjunta com Margaret Chan, o ministro da Saúde cubano, Roberto Morales Ojeda, anunciou nesta sexta-feira que seu país enviará 165 médicos e enfermeiros a Serra Leoa durante seis meses para ajudar as autoridades a combater a epidemia de ebola. Trata-se do envio mais importante de especialistas à região, destacou Chan.

"Se vamos para a guerra contra o ebola, precisamos de recursos para lutar", disse ela, de acordo com a Reuters. "Cuba é mundialmente famosa por sua capacidade de formação de médicos e enfermeiros, por sua generosidade excepcional em ajudar outros países no caminho para o progresso."

O pessoal cubano incluirá médicos, enfermeiros, epidemiologistas, especialistas em controle de infecção em cuidados intensivos e profissionais de mobilização social. Em uma entrevista à imprensa na sede da OMS, Ojeda disse que os primeiros trabalhadores de seu país começarão a chegar a Serra Leoa no início de outubro.


11 setembro 2014

Com medo do ebola, PF no Acre quer equipe da Saúde na fronteira

'A imigração está sendo feita de forma indiscriminada', diz sindicato da PF.
Equipe do Ministério da Saúde foi enviada ao Acre e avalia situação.


Aline Nascimento e Janine Brasil
Do G1 AC

Agentes da Polícia Federal que atuam nas fronteiras do Acre com o Peru e Bolívia querem a presença constante de uma equipe do Ministério da Saúde na região fronteiriça para garantir o controle sanitário na entrada de imigrantes senegaleses no país. Os profissionais temem o vírus ebola, em decorrência da epidemia da doença, que atinge o oeste da África.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Acre (Sinpofac), Franklin Albuquerque, não tem sido feita qualquer avaliação sanitária na fronteira.

"Não há triagem nenhuma, não há avaliação sanitária. A imigração no Brasil está sendo feita de forma indiscriminada. Com a confirmação do vírus ebola no Senegal e, em virtude de estarem entrando muitos senegaleses pelas fronteiras do Acre, nosso temor ficou ainda maior", diz Albuquerque.

Segundo ele, todos os agentes estão preocupados e pedem uma equipe permanente nos locais. "É responsabilidade do Ministério da Saúde fazer essa triagem e avaliar as condições dos imigrantes que entram no Brasil. A reclamação é generalizada, todos os policiais da imigração estão preocupados. Nós sabemos que o risco é pequeno, mas queremos uma solução", completa.

Procurado pelo G1, o Ministério da Saúde ressaltou que não há risco de contaminação do vírus ebola no Brasil, mas informou, que diante do temor da doença, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou uma equipe ao estado.

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, disse ao G1 que a equipe enviada ao Acre é composta por duas pessoas que vão avaliar quais as dificuldades que o governo vem enfrentando na fronteira. A equipe deve ficar no estado até sexta-feira (12).

"Recebemos um ofício do governador, mas como não tinha nenhum pedido concreto sobre controle sanitário na fronteira, resolvemos mandar essa equipe para fazer uma avaliação e identificar quais as necessidades em relação a entrada de imigrantes no estado. Depois de um diagnóstico concreto veremos se o Acre está precisando, por exemplo, de mais uma ambulância do Samu, ou se é necessário treinar os servidores", diz.

Ele explica que a triagem de imigrantes não é feita na fronteira, mas no abrigo em Rio Branco. "Na fronteira não tem como atendê-los e fazer uma triagem, a não ser que seja detectado que o imigrante esteja visivelmente doente", explica.

Jarbas esclarece ainda as medidas aplicadas aos imigrantes no Acre são as mesmas feitas nos aeroportos e que não se pode separar os imigrantes por país de origem. "A medida para ser efetiva não pode ser discriminatória para um país ou para outro. No Acre, não está acontecendo nenhuma situação diferente da que ocorre nos aeroportos. Não é feito atendimento de saúde no próprio local. Se a pessoa entra no país e está visivelmente doente, ela precisa ser colocada em uma área afastada", afirma.

Ele informa também que orientações sobre o ebola foram repassadas à Polícia Federal. "Mandamos para eles informações sobre o ebola, que talvez os agentes não saibam. Esse vírus não se transmite pelo ar, só quem tiver contato direto com sangue e secreções, se não tiver, não tem risco. Não faz parte do recebimento de imigrantes ter contato com secreção", diz.

O Ministério da Saúde esclarece ainda que 'é pouco provável a possibilidade de transmissão do vírus Ebola em decorrência da entrada de haitianos e africanos - especialmente de países como Senegal, República Dominicana - no Acre pela fronteira com o Peru. A epidemia de Ebola está concentrada na África Ocidental, atingindo os países da Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria (cidade de Lagos)'.

E ressalta que o fato ocorrido recentemente, de um paciente da Guiné que se deslocou para o Senegal em busca de atendimento médico, 'não representou, até o momento, a transmissão naquele país'.

A Polícia Federal também esclareceu, em nota, que o atendimento de controle migratório no Estado do Acre é normal e não há nenhuma orientação de restringir o acesso de africanos ao território nacional. "Deve-se ressaltar que o Ministério da Saúde afastou o risco de contaminação do vírus Ebola no Brasil. Caso forem constatadas irregularidades cometidas por servidores da PF serão tomadas as medidas disciplinares cabíveis".


Dos 450 imigrantes instalados até esta quarta-feira (10) no abrigo em Rio Branco, 80 são senegaleses, 22 dominicanos, 1 nigeriano, 1 colombiano e os demais haitianos. Segundo a Secretaria Estadual de Direitos Humanos do Acre (Sejudh), os estrangeiros saem de Dacar, capital do Senegal, fazem escala em Madri, na Espanha, e depois seguem direto para Quito, no Equador. Quando chegam em Quito, se juntam aos haitianos e usam a rota pelo Peru para entrar no Acre.

Desde 2011, o Ministério da Saúde presta assistência ao Acre para atendimento aos imigrantes que chegam ao estado. Em parceria com a Sesacre e a Secretaria Municipal de Brasiléia, foi criado o Plano de Ação para o Enfrentamento da Questão da Migração de Haitianos. O plano estabeleceu diversas ações em saúde, na atenção básica, vigilância e atenção especializada.

Preocupação vai além

Segundo o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre (Sejudh), Nilson Mourão, a preocupação não se restringe apenas aos agentes da Polícia Federal, atinge também os servidores da Receita Federal, Ministério do Trabalho e Emprego, e até as secretarias que trabalham diretamente com os imigrantes senegaleses.

"Todos nós que entramos em contato direto com os imigrantes ficamos preocupados. Há um problema sim, grande e grave frente a esse caso. Nós já havíamos nos manifestado junto aos órgãos pertinentes pedindo o envio imediato de uma equipe técnica do Ministério da Saúde para fazer controle e monitoramento do ingresso dos imigrantes senegaleses. Isso já está lá no Ministério da Saúde há aproximadamente 40 dias e nós não obtivemos, até o presente momento, um retorno oficial dessa demanda", falou

De acordo com a coordenação da Anvisa no Acre, o titular do órgão esteve na terça-feira (9) em uma reunião nos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia, para definir a situação da entrada de imigrantes senegaleses e tomar providências em relação a inspeção sanitária. Nesta quarta-feira (10), está marcada outra reunião, em Assis Brasil, também para tratar sobre o mesmo assunto. A reunião será feita entre funcionários dos Centros Integrados de Vigilância Epidemiológica daqueles municípios e representantes de órgãos da Saúde no Acre.

Desde dezembro de 2010, entraram no Brasil, pelas fronteiras do Acre, mais 20 mil imigrantes.

No Acre, senegalês quer trazer família ao Brasil

O marinheiro Ibramahima Diona é senegalês e veio para o Brasil há menos de um mês em busca de uma oportunidade de emprego. Ele foi convidado por um primo, também senegalês, para trabalhar na cidade mineira de Poço Fundo.

"Trabalhei como marinheiro na Espanha, depois voltei para Senegal. Quando meu primo, que está aqui há mais de um ano, me convidou para trabalhar com ele em Poço Fundo, deixei minha esposa e três filhas. Vim procurar emprego, novas condições de vida, mas quero mandar buscar minha família", diz.

Apesar dos rumores sobre o medo de servidores do estado de entrar em contato com os imigrantes por causa do ebola, Diona diz que não sofreu nenhum tipo de preconceito nem rejeição no Acre e afirma que nenhum caso foi confirmado em seu país.

"Ouvi falar que já morreram pessoas no Senegal com o vírus, mas falei com um parente que mora lá e ele disse que ainda não tem nenhum caso registrado. Espero que não tenha mesmo, porque é uma doença muito perigosa, seria muito ruim para o nosso país. Não senti nenhum tipo de preconceito quando cheguei, fui bem recebido", disse.

O delegado da Polícia Federal de Epitaciolândia, Valdir Celestino da Costa, informou ao G1 que naquele município nenhum agente se opôs a atender os imigrantes até o momento. "Nós aqui não

temos problema, a fiscalização está ocorrendo normalmente. Ainda não temos nenhuma orientação sobre esse assunto. É claro que nós temos algum receio de contrair a doença, mas como o Ministério da Saúde até agora não nos deu nenhum indicativo de risco, nós continuamos trabalhando normalmente", garantiu.



Bombeiros e Defesa Civil tentam controlar incêndios em serra do TO

Serra do Carmo, que fica próximo a Palmas, queima há três dias.
Equipes reclamam que o acesso à mata fechada dificulta o trabalho.


Monique Almeida e Jesana de Jesus
Do G1 TO

Um incêndio na Serra do Carmo, próximo a Palmas, preocupa as autoridades do estado. O fogo começou no último domingo (7) e ainda persiste. Segundo o Corpo de Bombeiros, as chamas se alastram rapidamente por causa do vento e da vegetação seca e ameaçam parte da rede elétrica.

Fogo na Serra do Carmo pode causar danos à rede elétrica (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Fogo na Serra do Carmo pode causar danos à rede elétrica (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

O major Primo, do Corpo de Bombeiros, disse que há vários focos na serra, principalmente às margens da TO-050 e que os bombeiros e as brigadas estão monitorando constantemente a área. "Os focos têm surgido com rapidez. Nós combatemos um e às vezes, duas horas depois, surgem outros. O período de estiagem está crítico".
O desafio dos profissionais é não deixar com que as chamas atinjam a vegetação fechada e de difícil acesso. "Quando surge um foco na margem, nós buscamos controlar rapidamente para evitar que o fogo chegue na parte fechada e não percamos o controle. Estamos nos desdobrando, mas tem surgido novos focos constantemente", disse.

Nesta quarta-feira (10), os bombeiros e os brigadistas da Defesa Civil estiveram às margens da rodovia estadual, saída para Taquaruçu, distrito de Palmas, na tentativa de combater o fogo. O trabalho também foi realizado nesta terça-feira (9) em uma área composta por chácaras localizadas na saída para Aparecida do Rio Negro.

"O problema é que a equipe de combate é limitada em relação ao grande número de pessoas que utilizam o fogo para abrir pastagens", explicou o superintendente da Defesa Civil de Palmas, Iranilto Sales. Segundo ele, neste mês de setembro foi lançada a campanha "Setembro sem fogo" com a intenção de "reunir instituições de combate e fiscalização para ajudar na diminuição dos focos, já que o clima quente do Tocantins favorece a disseminação das queimadas". No próximo sábado (13), haverá o "Dia D", segundo o superintendente. As equipes se juntarão para fazer um trabalho de educação ambiental e fiscalização em toda a zona rural da capital.

Por causa das queimadas, na tarde da última quinta-feira (4), foram registradas duas quedas de energia em Palmas. Conforme a Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins (Celtins), um incêndio na zona rural de Miracema do Tocantins, próximo ao município de Lajeado, danificou uma das três linhas de alta tensão que abastecem a capital.

Números


O Tocantins está em quarto lugar entre os estados com maior número de focos de incêndio no país em 2014. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), até esta quarta-feira (10) foram registrados no estado 7.436 focos, que correspondem a cerca de 30% mais queimadas do que todo o ano de 2013. Mato Grosso ficou em primeiro com 15.795 focos. No Pará são 11.754, ficando em segundo e o Maranhão em terceiro com 9.866.

Clima

Segundo o meteorologista Luis Cabral, da Fundação Universidade do Tocantins (Unitins) setembro tem apresentado maiores picos de temperatura em relação aos outros meses. "O normal é registrarmos uma temperatura em torno de 35º, mas hoje [quarta-feira, dia 10], por exemplo, a temperatura atingiu 38,5. Ou seja, ela tem variado de 3 a 4º cima da média climatológica".

O calor e a seca, que contribuiu para o aumento das queimadas, tem como causa a forte massa de ar seco em algumas regiões do país, sobretudo no Tocantins, conforme Cabral. “Estamos em situação de alerta. Esta massa favorece alta temperatura e baixa umidade, em torno de 20%. A temperatura deve continuar assim até o próximo fim de semana". De acordo com o meteorologista, não há previsão de chuva para os próximos dias.

10 setembro 2014

São Paulo tem dia mais seco do ano e entra em estado de alerta

Capital paulista registrou umidade do ar de 19% nesta quarta, diz Inmet.
Temperatura máxima de 31,2°C também foi a mais alta do inverno.


Do G1 São Paulo

A cidade de São Paulo entrou em estado de alerta na tarde desta quarta-feira (10) por causa do tempo seco, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). O índice de umidade do ar de 19%, registrado na estação do Mirante de Santana às 15h, foi o mais baixo do ano na capital, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que possui os dados históricos e oficiais da capital. Na terça-feira (9), o índice chegou a 21%, no mesmo local.

O estado de alerta é decretado quando a umidade fica entre 12% e 20%. Em algumas estações do CGE, os registros foram ainda mais baixos na cidade: 18% no Ipiranga e na Vila Prudente. Na Mooca, o índice chegou a 19%, no Centro a 20%, no Butantã a 23% e em Parelheiros a 25%. A média da umidade do ar ficou na marca de 24%.

Dia mais quente do inverno

O Inmet também registrou a maior temperatura do inverno de 2014, com máxima de 31,2°C às 15h, que superou os 31°C registrados na terça-feira e no dia 31 de agosto. Em comunicado, o instituto de meteorologia informou que os termômetros ainda pode subir alguns décimos até o fim da tarde.

O calor e a baixa umidade são resultado da atuação de uma massa de ar quente e seco que atua no estado de São Paulo e impede a formação de nuvens de chuva, de acordo com o meteorologista do Centro de Gerenciamento de Emergências Thomaz García.

O meteorologista do Inmet Franco Villela explica que a mudança na direção dos ventos, que passam a soprar do sul do país nesta quinta-feira (11), melhora a qualidade do ar, mas sem previsão de chuva na capital. A sexta-feira (12), segundo Franco, segue ensolarada e a umidade mínima atinge índices de 40%.

A passagem de uma frente fria no estado de São Paulo causa mudança no tempo a partir do começo da próxima semana, com previsão de chuva e queda de temperatura entre segunda (15) e terça-feira (16).

Cuidados

Quando a umidade do ar atinge índices entre 20% e 30% e é decretado estado de atenção, a orientação é evitar exercícios físicos ao ar livre entre 11h e 15h, umidificar o ambiente com vaporizadores, toalhas molhadas, recipientes com água e, sempre que possível, permanecer em locais protegidos do sol, além de beber água à vontade.

Já com a umidade do ar entre 12% e 20% - estado de alerta - além das recomendações para o estado de atenção, os exercícios físicos e trabalhos ao ar livre devem ser evitados entre 10h e 16h, é indicado o uso de soro fisiológico para olhos e narinas. O estado de emergência é decretado quando os índices ficam abaixo de 12% e devem ser seguidas as recomendações para os estados de atenção e de alerta.



Cantareira opera abaixo de 10% pela 1ª vez após retirada do volume morto

Nível do sistema atingiu índice de 9,8% nesta quarta-feira (10).
Reserva das represas Jaguari-Jacareí e Atibainha já é retirada pela Sabesp.


Do G1 São Paulo

Mesmo com a captação de água da reserva técnica das represas Jaguari-Jacareí e Atibainha, o nível do Sistema Cantareira atingiu índice de 9,8% nesta quarta-feira (10), segundo medição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Esta é a primeira vez que o nível dos reservatórios fica abaixo dos 10% desde o início da exploração do chamado volume morto, em maio.



O Cantareira abastece, atualmente, cerca de 6,5 milhões de pessoas só na Grande São Paulo. A Sabesp admite que a situação é crítica por causa da falta de chuva desde o início do ano, mas afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que tem adotado medidas para o problema, como interligação dos sistemas, redução de perdas na distribuição, uso do volume morto e bonificação aos moradores que economizarem água.

Queda constante


Quando a reserva técnica da Jaguari-Jacarei começou a ser usada, o nível do Cantareira subiu de 8,2% para 26,7% no dia 16 de maio. Segundo a Sabesp, com a entrada de 182,5 bilhões de litros de água do volume morto, foram acrescidos 18,5% sobre o volume total do sistema (982,07 bilhões de litros).

Mesmo assim, o sistema registrou 101 dias de queda. As represas tiveram
recuperação após a chuva no início de setembro, mas voltaram a baixar depois disso. O sistema não consegue aumentar seu nível há 145 dias. Desde 25 de maio, quando o nível estava em 25,6% da capacidade das represas, foram mais de três meses com queda nos índices.

Em agosto, a Sabesp
começou a retirar água da reserva técnica da Represa Atibainha, entre Mairiporã e Nazaré Paulista. O reservatório foi o segundo a ter a captação na área mais profunda, abaixo das comportas. Segundo a companhia, as novas ações já eram previstas, com custo total de R$ 80 milhões.

Um dos principais motivos para a constante queda é a seca que atinge o estado de São Paulo. O mês de agosto, a exemplo de outros seis meses do ano, terminou com chuva abaixo da média histórica. Foram 22,7 milímetros contra o esperado: 36,9 milímetros.

Dos oito meses completos do ano até agora, apenas em março choveu mais do que a média. Entre janeiro e agosto de 2014, a precipitação acumulada foi de 58% do esperado, o que agravou a crise no abastecimento da Grande São Paulo.

Os índices de chuva, no entanto, ainda estão dentro da média para setembro. Foram registrados, até esta quarta-feira, 30,1 milímetros nas represas que integram o Cantareira. O esperado até o fim do mês são 91,9 milímetros, levando em consideração a média histórica para o período.

Motivo da crise


A crise no Cantareira começou por causa da pouca chuva e das altas temperaturas no último verão. No inverno, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, os níveis de chuva estão próximos do esperado para a estação.

“Todo o problema de abastecimento de água na Grande São Paulo é decorrente da falta de chuva que aconteceu especialmente no verão 2013/2014”, disse.

Segundo ela, a expectativa é de voltar a chover regularmente apenas em outubro. “O quadro de seca vai continuar. A expectativa é que a chuva comece a cair com alguma regularidade mais no final de setembro e principalmente em outubro”, diz. Ainda assim, a possibilidade de as chuvas atrasarem não está descartada.

O Sistema Cantareira é formado pelas represas Jaguari, Jacareí, Cachoeira e Atibainha. Elas ficam no estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. Juntas, as represas fornecem água, atualmente, para cerca de 6,5 milhões de pessoas na cidade de São Paulo (zonas Norte, Central e parte das zonas Leste e Oeste), além de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba, Barueri e Taboão da Serra, São Caetano do Sul, Guarulhos e Santo André. Parte do interior do estado também recebe água do sistema.

Desde fevereiro, a Sabesp oferece bônus para os consumidores abastecidos pelo Sistema Cantareira que atingirem a meta de 20% de redução ou mais. Para esses consumidores, há desconto de 30% na conta. Dados da companhia, no entanto, mostram que bairros considerados de alto padrão tiveram a pior média de economia de água na capital no primeiro semestre de 2014.

A região dos Jardins, na Zona Oeste, foi a que menos reduziu o consumo na cidade entre janeiro e junho deste ano. Os bairros da região do Jaçanã, na Zona Norte, foram os que mais conseguiram reduzir a conta de água,
com economia de 20,43% no primeiro semestre.

Senegal anuncia que paciente com ebola está curado

Estudante da Guiné recebeu atendimento em hospital de Dacar.
67 pessoas que estiveram em contato com o guineano são monitoradas.


France Presse

O jovem guineano que era o único caso confirmado de paciente com o vírus do ebola em Senegal está curado, anunciou o ministério da Saúde do país. "Realizamos exames de controle em duas oportunidades. Não tem mais o vírus. Está curado", declarou o médico Pape Amadou Diack, diretor do departamento de saúde do ministério. "Era um caso importado a Senegal. Assumimos o caso e, graças a Deus, temos este resultado", completou Diack.

O paciente, um estudante, recebeu atendimento no hospital Fann de Dacar. O Senegal, depois de vários alertas falsos, se tornou no fim de agosto o quinto país afetado pela epidemia de febre hemorrágica na África Ocidental, após a entrada do estudante guineano um pouco antes do fechamento das fronteiras com Guiné em 21 de agosto.

Sessenta e sete pessoas que estiveram em contato com o guineano são monitoradas em Dacar, segundo o ministério da Saúde. Até o momento não apresentaram sintomas. O ebola foi detectado na Guiné no início do ano e depois se propagou a Serra Leoa, Libéria e Nigéria.

A epidemia, a mais grave desde a identificação do vírus em 1976, provocou 2.296 mortes em 4.293 casos, segundo o balanço mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 6 de setembro.

Emissão de gás carbônico no mundo tem maior salto desde 1984

Recorde não se deve apenas a mais emissões, mas a uma redução na capacidade de absorção de carbono pela biosfera.


BBC

A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera atingiu níveis recordes em 2013, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Entre 2012 e o ano passado, a taxa de acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera teve o crescimento mais rápido em um ano desde 1984. A OMM afirmou que o relatório ressalta a importância de um acordo mundial para limitar a emissões de gases do efeito estufa.

Em 2009, líderes de todo o mundo concordaram em fechar um tratado para manter um aumento na temperatura global de no máximo 2ºC até 2020.

O Boletim anual de Gases do Efeito Estufa não mede a produção de emissões, mas registra a quantidade de gases que permanecem na atmosfera depois das interações com terra, ar e oceanos.

Cerca de metade das emissões acaba absorvida por mares, florestas e seres vivos.

Mesmo assim, a concentração de CO2 na atmosfera bateu 396 partes por milhão (ppm) em 2013, um aumento de quase 3ppm em comparação com o ano anterior.

Crescimento recorde


"O boletim mostra que, bem longe de estar caindo, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera de fato subiu no último ano na taxa mais rápida em quase 30 anos", disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.

A concentração de CO2 atual é de 142% dos níveis de 1750, ou seja, antes do início da Revolução Industrial. O acúmulo de outro potente gás de efeito estufa, o metano, foi de 253%.

O estudo também indica que o crescimento recorde do CO2 em 2013 não se deve apenas a mais emissões, mas a uma redução na capacidade de absorção de carbono pela biosfera.

A descoberta intrigou cientistas da OMM. A última vez que se constatou uma redução no nível de absorção da biosfera foi em 1998, quando houve um pico de queima de biomassa, aliado a um intenso El Niño.

"Já em 2013 não houve impactos óbvios na biosfera, portanto, é ainda mais preocupante", disse o chefe da divisão de Pesquisa Atmosférica da OMM, Oksana Tarasova. "Não entendemos se isso é uma coisa temporária ou permanente, e isso é preocupante."

Tarasova afirma que a descoberta pode indicar que a biosfera atingiu o seu limite, mas destaca que é impossível confirmá-lo no momento. Os dados compilados pela OMM cobrem os anos de 1990 a 2013 e mostram que gases como CO2, metano e óxido nitroso (N20), que sobrevivem na atmosfera por muitos anos, contribuíram para um aumento de 34% no aquecimento global.

No entanto, a temperatura global média não subiu paralelamente à elevação da concentração de CO2, o que levou muitos a afirmarem que o aquecimento global havia parado. "O sistema climático não é linear, não é simples. Não há necessariamente um reflexo da temperatura na atmosfera, mas se analisarmos o perfil de temperatura dos oceanos, vê-se que o calor está indo para os mares", disse Oksana Tarasova.

O relatório também inclui pela primeira vez dados sobre a acidificação do mar provocada pelo dióxido de carbono. A OMM diz que diariamente os oceanos absorvem cerca de 4kg de CO2 por pessoa. Os pesquisadores acreditam que a atual taxa de acidificação seja a maior dos últimos 300 milhões de anos.

Diante das evidências, a OMM urge líderes mundiais a tomarem decisões contundentes sobre a política climática. Em 23 de setembro será realizado em Nova York um encontro extraordinário sobre o clima, convocado pelo secretário-geral da
ONU, Ban Ki-moon.

No fim do ano, a ONU promove a sua reunião anual sobre mudanças climáticas, desta vez em Lima, no Peru. A expectativa é que os dois encontros cheguem ao consenso necessário para um novo acordo climático mundial na reunião anual da ONU de 2015, em Paris.

No entanto, até o momento não se tem qualquer previsão de como transformar o acordo em algo legalmente vinculante, para que seja, de fato, efetivo.



09 setembro 2014

Mais de 400 mil estão isolados por inundações na Índia e no Paquistão

Mais de 400 pessoas morreram após enchente na região da Caxemira.
Segundo socorristas, faltam barcos para resgatar todos os desabrigados.


France Presse

Socorristas tentavam ajudar nesta terça-feira (9) centenas de milhares de habitantes do norte da
Índia e do Paquistão, isolados do resto do mundo pelas recentes inundações que provocaram a morte de mais de 400 pessoas.

Os serviços de socorro se esforçavam para colocar a salvo as pessoas resgatadas que estavam bloqueadas na parte indiana da região montanhosa da Caxemira, entre Índia e
Paquistão, onde centenas de localidades desapareceram sob a água.

Cerca de 400 mil pessoas seguem bloqueadas nas zonas invadidas pela água do lado indiano, segundo a agência Press Trust of India (PTI).

Além disso, 200 pessoas morreram na parte indiana, indicou Rajesh Kumar, funcionário policial de alto escalão da região. As autoridades paquistanesas registraram, por sua vez, 206 mortos, a maioria deles na província de Punyab, segundo as autoridades.

Milhares de soldados, policiais e outros funcionários de emergência se mobilizaram nos dois países para distribuir água potável, cobertores e material de ajuda.

"A situação no vale da Caxemira (...) é muito crítica", disse Kumar à AFP. Muitas pessoas estão "presas com água no pescoço e precisam ser resgatadas o quanto antes", acrescentou, embora não tenha fornecido um número exato.

Em Srinagar, principal cidade da parte indiana da Caxemira, muitos habitantes contaram como conseguiram se salvar sem os socorristas.

Abdul Latif Rather, um professor aposentado, disse que havia esperado longas horas no domingo com sua esposa enquanto a água invadia sua casa. Finalmente, jovens de seu bairro conseguiram salvá-los em um barco improvisado.

"Arriscaram a vida por nós", declarou sentado na rua.

Em um salão de festas dos subúrbios de Srinagar, 400 pessoas tentavam se recuperar, sentadas ou encostadas em pequenos grupos no chão, depois de terem visto a água tomar conta de suas casas.

"Tudo aconteceu muito rápido", explica Ruqsat Banu, ao mesmo tempo em que tenta reconfortar seus sogros, já idosos.

Os socorristas "tinham prioridades. Primeiro levaram as mulheres e crianças e deixaram os homens", acrescenta, explicando que teve que sair sem seu marido.

Com a melhora do tempo, os socorristas puderam intensificar suas tarefas. No total, 42.500 pessoas foram resgatadas, segundo o ministério da Defesa.

"'Faltam barcos para socorrer as pessoas nas zonas inundadas", disse o comissário de divisão da Caxemira, Rohit Kansal, à PTI.

As redes de água e eletricidade foram restabelecidas em algumas das zonas menos afetadas, explicou.

"A principal estrada segue isolada. Felizmente, muitas outras estradas conseguiram ser recuperadas em grande parte", afirmou.