15 agosto 2014

Seca reduz estoques de café para exportação e consumo interno no país

Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de São Paulo

Os estoques de passagem de café do Brasil estão se esgotando e o principal produtor global deverá ter dificuldades para acumular excedentes nos próximos anos, depois da maior seca de sua história recente, disse o presidente Centro do Comércio do Café do Estado de Minas Gerais, Archimedes Coli Neto. O Brasil consumiu cerca de 16 milhões de sacas entre abril e julho, para exportação e consumo interno, estimou o executivo em entrevista à Reuters, citando um volume superior aos estoques estimados pelo governo em 31 de março, de 15,2 milhões de sacas.

– Teoricamente este ‘carryover’ não existiria mais, mas ele se confunde porque nós tivemos uma safra antecipada este ano e o café novo está sendo misturado com o ‘carryover’ – disse ele.

Minas Gerais, principal Estado produtor de café, está na fase final de colher, com quebra de safra entre 30 e 35% em algumas áreas. As exportações foram fortes no primeiro semestre, e Coli Neto disse que o Brasil deverá exportar entre 34 milhões e 35 milhões de sacas em 2014, com consumo interno de 20 milhões de sacas.

A safra 2014 deverá ficar abaixo de 45 milhões de sacas, provocando aperto na oferta, e já há preocupações sobre os efeitos da seca para a colheita de 2015.

Isso significa que o Brasil, que no século passado chegou a acumular estoque de 100 milhões de sacas e até queimou o produto para elevar os preços internacional, vislumbra um futuro sem precedentes, sem estoques de café em seus armazéns.

– Dificilmente o Brasil vai conseguir formar estoques reguladores de novo – disse Coli Neto, que representa produtores, exportadores e operadores, como presidente do centro de comercialização com sede em Varginha.

Abaixo da média

Engenheiros agrônomos estão indicando um crescimento de galhos abaixo da média nos cafezais atingidos pela seca, além de problemas incomuns como ferrugem das folhas em agosto.

Coli Neto disse que muitos produtores podem optar por podar seus pés de café no próximo ano, na esperança de colocá-los em forma para o desenvolvimento de frutos em 2016. Os preços do café arábica subiram para máximas de dois anos devido às preocupações com a seca, mas muitos produtores brasileiros não estão vendendo sua safra 2014, convencidos de que os preços irão subir ainda mais, disse o executivo.

Mesmo antes da seca, que foi considerada a pior dos últimos 42 anos, os produtores já planejavam ajustes e meios de melhorar a produtividade das plantas, reduzindo as oscilações dos ciclos bianuais, disse Coli Neto.

– Acredito que vamos oscilar entre 45 milhões e 50 milhões de sacas, a não ser que tenhamos problemas climáticos – disse.

Em anos anteriores, a poda era feita em não mais do que 5% dos cafezais a cada ano, mas agora eles estão optando por desbastar 25 a 30% das plantas, o que adia a produção para a temporada posterior.

– Estamos cada dia mais produzindo o que o mercado demanda – disse.



14 agosto 2014

Retenção de água de usina pela Cesp pode levar a ‘colapso’, diz ONS

Cesp reduziu produção de energia na usina de Jaguari para poupar água.
Aneel informou nesta terça (12) que estatal paulista pode ser multada.


Fábio Amato
Do G1, em Brasília

A decisão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de reduzir a produção de energia na hidrelétrica de Jaguari para poupar água pode levar ao esvaziamento dos reservatórios de outras três usinas e ao “colapso do abastecimento de água” em cidades do Rio e São Paulo. A informação está em nota divulgada nesta terça-feira (12) pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Mais cedo nesta terça, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que a Cesp, que é controlada pelo governo paulista,pode ser multada pela retenção de água, que leva a uma menor produção de energia que o determinado para Jaguari pelo ONS.

A Cesp alega que adota a medida seguindo orientação do Departamento de Água e Energia Elétrica de São Paulo (Daee), que visa poupar a água para ser usada para consumo humano. O estado de São Paulo enfrenta uma de suas piores crises de abastecimento de água, provocada pela falta de chuvas nos últimos meses. Em algumas cidades, já há racionamento.

Efeitos

De acordo com o ONS, desde o início de agosto a Cesp vem mantendo a vazão na represa de Jaguari em 10 metros cúbicos por segundo (m3/s), um terço do determinado. Ela fica entre Jacareí e São José dos Campos, no Vale do Paraíba, em São Paulo. De acordo com o operador, isso reduz a quantidade de água que chega às represas das hidrelétricas de Paraibuna, Santa Branca e Funil, situadas rio à frente.

Se essa vazão for mantida em Jaguari, e não chover significativamente nos próximos meses, as represas dessas três usinas podem ficar vazias “antes do final da estação seca”, ou seja, antes de novembro, diz o ONS. A redução na produção de energia por Paraibuna, Santa Branca e Funil equivaleria a 130 megawatts (MW) médios.

O operador aponta ainda que a queda no volume de água saindo de Jaguari pode resultar no “colapso do abastecimento de água de cidades situadas a jusante [rio abaixo], nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, até a foz do [rio] Paraíba do Sul.” Os dois estados dependem da água da mesma bacia, tanto para geração de energia quanto para consumo da população.

A Aneel informou que essa é a primeira vez que uma empresa no país descumpre ordem do ONS para geração de energia. A Cesp foi notificada nesta terça a voltar a cumprir as determinações e terá 15 dias para se defender. Ao final desse processo, ela pode ser multada pela desobediência.

Cidade de Quito declara emergência em áreas afetadas por terremoto

Tremor de magnitude 5,1 deixou ao menos 2 mortos e 8 feridos.
Governo trabalha para retirar moradores de regiões atingidas pelo abalo.


EFE

A cidade de Quito declarou nesta terça-feira (13) situação de emergência em várias áreas rurais afetadas pelo tremor de magnitude 5,1 que atingiu a capital equatoriana à tarde e que deixou, até agora, ao menos dois mortos e outras oito pessoas feridas.

Umas das vítimas morreu em um deslizamento de terra em Catequilla, onde funcionava uma pedreira ilegal. Neste local, quatro pessoas continuam soterradas. A outra morte confirmada foi de uma criança de quatro anos no bairro San Isidro de El Inca, no norte da cidade.

As regiões de Pomasqui, Guayllabamba, Calacalí, San Antonio de Pichincha, Puéllaro e Calderón foram declaradas em emergência para agilizar a ajuda aos afetados, indicou o prefeito de Quito, Mauricio Rodas.

"Mediante a declarativa de emergência agilizamos procedimentos de ajuda e evacuação às pessoas que estão em risco em Catequilla", onde ocorreu um deslizamento de terra depois do tremor, escreveu Rodas em sua conta no Twitter.

A declaração de emergência implica também "na retirada das pessoas que estão nos setores afetados". "Por enquanto não é possível continuar com a operação de resgate porque a área é inacessível e o terreno está em condições de instabilidade", acrescentou Rodas na rede social.

A prefeitura solicitou ao governo "a imediata suspensão das atividades de exploração e extração de materiais pétreos e áridos na zona de Pomasqui e San Antonio de Pichincha, para proteger a segurança dos moradores da região e suas zonas de influência".

O prefeito acrescentou que por enquanto foram registradas 25 réplicas do sismo principal, a maior delas de 4,1 graus.


12 agosto 2014

Missionário espanhol com ebola morre em Madri

Miguel Pajares, de 75 anos, contraiu a doença na Libéria.
Ele havia sido transferido para um hospital espanhol em 7 de agosto.


Reuters

O missionário espanhol Miguel Pajares, o primeiro europeu infectado pela epidemia de ebola que já matou mais de mil pessoas na África Ocidental, morreu em um hospital de Madri, informaram as autoridades de saúde da cidade espanhola nesta terça-feira (12).

"Ele morreu às 9h28 (4h28 de Brasília)", afirmou um porta-voz do hospital La Paz-Juan Carlos III.

Equipe transporta o missionário espanhol Miguel Pajares em sua chegada a hospital em Madri nesta quarta-feira (7). Ele foi infectado pelo vírus ebola na Libéria (Foto: Ignacio Gil-ABC/Reuters)Equipe transporta o missionário espanhol Miguel Pajares em sua chegada a hospital em Madri nesta quarta-feira (7). Ele foi infectado pelo vírus ebola na Libéria (Foto: Ignacio Gil-ABC/Reuters)

Pajares, de 75 anos, contraiu a doença no hospital Saint Joseph de Monróvia, onde trabalhava na Libéria para uma organização governamental. Ele foi levado para a Espanha no dia 7 de agosto, se tornando a primeira pessoa a ser tratada da doença na Europa.

Esta é a quarta morte nos últimos 10 dias de um funcionário do hospital Saint Joseph da capital da Libéria, vinculado à ordem religiosa de São João de Deus e fechado pelas liberianas desde 1 de agosto.

Pajares chegou muito debilitado à Espanha na última quinta-feira, em um avião militar, com a freira Juliana Bonoha, também espanhola, que não tem o vírus.

O religioso, internado sob fortes medidas de segurança sanitária, havia pedido que a evolução de seu estado de saúde não fosse divulgada.

O Ministério da Saúde disse que ele estava sendo tratado com o medicamento experimental ZMapp, fabricado pela companhia norte-americana Mapp Biopharmaceutical. Dois trabalhadores humanitários norte-americanos infectados pela doença têm mostrado alguns sinais de melhora desde que receberam o medicamento.

O número de mortos infectados pelo vírus Ebola foi a 1.013, segundo último balanço divulgado nesta segunda-feira (11) pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O número de casos registrados foi a 1.848, de acordo com o organismo.

Pouca segurança

Nos últimos dez dias, a epidemia matou quatro funcionários do hospital São José de Monróvia, incluindo seu diretor, o camaronês Patrick Nshamdze.

O centro, dependente da ordem religiosa espanhola San Juan de Dios, foi fechado no dia 1 de agosto pelas autoridades liberianas.

A porta-voz da ordem reconheceu na segunda-feira à AFP falhas na tomada de precauções após um exame defeituoso realizado no falecido diretor que não mostrava nenhum sinal de ebola.

"Teme-se que, como o exame de Patrick primeiro deu negativo, muitos relaxaram. Certamente não seguiram tomando as mesmas medidas de segurança tão rígidas", afirmou Adriana Castro.

"É provável que assim Pajares tenha sido contagiado e possivelmente o vírus se espalhou de Pajares entre as pessoas que estão ali", afirma.

O ebola, que provoca febre e nos piores casos hemorragias constantes, é transmitido pelo contato com uma pessoa infectada através de fluidos corporais como suor, sangue ou secreções.

Em uma carta dirigida a sua família publicada pelo jornal espanhol El Mundo, Pajares lamentava a falta de precauções: "Hoje tivemos a primeira morte por Ebola no hospital. Muitos dos que trabalham aqui, incluindo eu, estiveram em contato com o falecido, e não tínhamos luvas para nos proteger", escreveu no dia 9 de julho.

Cinco dias mais tarde disse: "Parece mentira, mas nos faltam as coisas mais elementares para a prevenção: luvas, roupas isolantes, máscaras, desinfetantes, etc".

Em abril, a OMS recomendou que os trabalhadores do setor de saúde tomassem precauções devido ao risco de contágio mesmo quando o Ebola não estivesse confirmado nos pacientes.

O último surto deste vírus, que segundo esta organização é o pior desde a descoberta desta doença, há quatro décadas, matou mais de 1.000 pessoas, de 55% a 60% das pessoas infectadas.

OMS aprova uso de tratamentos não homologados contra o ebola

Comitê de ética aprovou uso diante das circunstâncias da epidemia.
Ebola já matou mais de mil pessoas na África Ocidental.


France Presse

O Comitê de Ética da Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou em uma reunião na segunda-feira (11) o uso de tratamentos não homologados para lutar contra a febre hemorrágica do ebola, segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira (12).

"Diante das circunstâncias da epidemia e sob certas condições, o comitê concluiu que é ético oferecer tratamentos - cuja eficácia ainda não foi demonstrada, assim como os efeitos colaterais - como potencial tratamento ou de caráter preventivo", afirma a nota da OMS.

Até o momento não existe nenhum tratamento de cura ou vacina contra o ebola, epidemia que levou a OMS a decretar uma emergência de saúde pública mundial.

Mas o uso do medicamento experimental ZMapp em dois americanos e um padre espanhol - que faleceu nesta terça-feira em Madri - infectados com o vírus quando trabalhavam na África provocou um intenso debate ético.

O medicamento, do qual existe pouca quantidade, parece apresentar resultados promissores nos dois americanos, mas o religioso espanhol morreu nesta terça-feira em um hospital de Madri.

A empresa americana Mapp Biopharmaceutical, que produz o medicamento, informou na segunda-feira que enviou o estoque para o oeste da África.

Médicos de todo o mundo participaram nos debates da OMS na segunda-feira em Genebra.

O comitê condicionou o uso dos tratamentos a uma "transparência absoluta sobre os cuidados, a um consentimento informado, à liberdade de escolha, à confidencialidade, ao respeito das pessoas e a preservação da dignidade e a implicação das comunidades".

Também estabeleceu "a obrigação moral de obter e compartilhar as informações sobre segurança e eficácia das intervenções", que devem ser objeto de avaliação constante.

Mortes

O número de mortes provocadas pelo vírus ebola superou a barreira de mil, com 1.013 óbitos e 1.848 casos registrados, segundo o balanço mais recente da OMS.

O balanço não conta o missionário espanhol Miguel Pajares, o primeiro europeu infectado, que morreu em um hospital de Madri, segundo informaram as autoridades de saúde da cidade espanhola nesta terça-feira (12).

Pajares, de 75 anos, contraiu a doença no hospital Saint Joseph de Monróvia, onde trabalhava na Libéria para uma organização governamental. Ele foi levado para a Espanha no dia 7 de agosto, se tornando a primeira pessoa a ser tratada da doença na Europa.

O Ministério da Saúde disse que ele estava sendo tratado com o medicamento experimental ZMapp, fabricado pela companhia norte-americana Mapp Biopharmaceutical. Dois trabalhadores humanitários norte-americanos infectados pela doença têm mostrado alguns sinais de melhora desde que receberam o medicamento.


11 agosto 2014

Romeno com sintomas de Ebola é colocado em quarentena

Homem de 51 anos voltou da Nigéria em 25 de julho.
Ele está em quarentena em hospital da capital Bucareste.


France Presse

Um romeno que esteve na Nigéria e apresenta sintomas do vírus do Ebola foi colocado em quarentena neste domingo (10) em um hospital de doenças infecciosas de Bucareste, informaram fontes médicas.

Partícula infecciosa do vírus Ebola em imagem colorida (Foto: Reuters)Partícula infecciosa do vírus Ebola em imagem colorida (Foto: Reuters)

O homem de 51 anos, que voltou da Nigéria em 25 de julho passado, chegou pela manhã ao um hospital de Ploiesti apresentando um quadro clínico de febre, diarreia com sangue e desidratação, informou o diretor do estabelecimento, Alexandru Baloi.

Ele foi transferido rapidamente para o principal hospital de doenças infecciosas de Bucareste, Matei Bals, designado pelas autoridades para tratar de qualquer caso suspeito de Ebola.

Com 13 casos (confirmados, prováveis ou suspeitos), sendo que dois fatais, a Nigéria é o quarto país afetado pela epidemia, além de Serra Leoa, Libéria e Guiné.

Em oito meses, o Ebola matou quase mil pessoas, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar estado de emergência de saúde pública mundial.

Filhotes de onça nascem em parque zoobotânico no sudeste do PA

Casal de onça preta e onça-pintada recebe cuidados especiais.
É a segunda vez que parque reproduz espécie ameaçada de extinção.


Do G1 PA

Um casal de filhotes de onça preta e onça-pintada nasceu em um parque zoobotânico localizado em Parauapebas, no sudeste do Pará. Os irmãos, uma fêmea preta e um macho pintado, estão em local reservado, onde recebem cuidados especiais dos tratadores.

Fêmea preta e macho pintado recebem cuidados especiais dos tratadores em parque zoobotânico de Parauapebas, no PA. (Foto: Salviano Machado/Vale)Fêmea preta e macho pintado recebem cuidados especiais dos tratadores em parque zoobotânico de Parauapebas, no PA. (Foto: Salviano Machado/Vale)

É a segunda vez que a espécie, ameaçada de extinção, consegue se reproduzir no parque, a primeira foi em 2002. Os pais, que assim como os filhos, são da cor preta e pintada, já vivem no local há três anos desde que foram doados pelo Ibama do Pará.

"O nascimento dos filhotes no Parque da Vale aumenta a expectativa de conservação da espécie já que a reprodução de indivíduos pretos (melânicos) é raríssima. Para se ter uma ideia, na natureza a população de onça-preta é estimada em apenas 10%", explica Leandro Maioli, biólogo do Parque Zoobotânico Vale (PZV).

A onça-pintada é tida como o animal símbolo da fauna brasileira. O felino vive em regiões quentes e temperadas do continente americano, desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina. No Brasil, a espécie é encontrada em todos os biomas.

Inaugurado em 1985, o parque ocupa uma área na Floresta Amazônica de 30 hectares, localizada no coração da Floresta Nacional de Carajás, Unidade de Conservação Federal administrada, protegida e fiscalizada pelo ICMBio. Dos 30 hectares que ocupa, 30% foram utilizados para a construção de recintos e área de apoio. O parque mantém atualmente um plantel de mais de 260 animais. Entre as espécies existem algumas ameaçadas de extinção, como a onça-pintada, arara-azul-grande, ararajuba, macaco-aranha-da-testa-branca e macaco-cuxiú.

O local é aberto à visitação pública diariamente, das 9h às 15h30. A entrada é gratuita.


Baleia encalhada em praia do Rio será retirada nesta segunda-feira

Inea informou que jubarte será içada inteira e levada a Seropédica.
Mamífero de 15 metros foi achado morto na noite de sábado na Macumba.


Do G1 Rio
A baleia da espécie jubarte encontrada encalhada e morta na Praia da Macumba, no Recreio, Zona Oeste do Rio, na noite deste sábado (9), será retirada do local na manhã desta segunda-feira (11). Segundo o Instituto Estadual do Ambiente, uma operação conjunta dos serviços de emergência da Defesa Civil e da Comlurb, com apoio do Inea, vai içar o corpo do mamífero inteiro, colocá-lo em um caminhão e, então, transportá-lo para o Centro de Tratamento de Resíduos Rio (CTR Rio), em Seropédica, na Baixada Fluminense.



O local foi isolado para evitar contato de banhistas com o animal, já em estado de decomposição. O animal, de cerca de 12 metros, tem entre 10 e 12 anos, segundo os pesquisadores.

Migração comum

O biólogo Rafael Carvalho, do Laboratório de Mamíferos Aquáticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que é comum que jubartes encalhem nessa época do ano. O inverno, segundo ele, é o período do ano em que a espécie sobe de águas perto da região da Antártica em direção ao litoral do Brasil, em especial a Bahia. De acordo com Rafael, biólogos do laboratório estiveram no local de sábado, mas o animal já estava morto.


Criticado por ambientalistas, mineroduto Minas-Rio está prestes a funcionar

Ao longo de 525 quilômetros, maior mineroduto do mundo transportará todos os anos 26 milhões de toneladas de minério de ferro. Destino principal da matéria-prima é a China.


Clarissa Neher | Deutsch Welle


Após cinco anos de atraso, o maior mineroduto do mundo, o Minas-Rio, deve entrar em operação no final deste ano. As 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro que serão transportadas anualmente por esse sistema de Minas Gerais até o porto no Rio de Janeiro já têm um destino: siderúrgicas na Ásia, principalmente na China.



Em 2008, a empresa britânica de mineração Anglo American comprou os planos do complexo Minas-Rio, idealizado pelo grupo EBX, de Eike Batista, e inicialmente orçado em 5 bilhões de dólares. O primeiro transporte de ferro foi planejado para 2009, mas falhas no projeto e impasses com a Justiça, devido a questões socioambientais, atrasaram – e também encareceram – as obras.

Além disso, o Ministério Público Federal (MPF) questionou os impactos socioambientais causados na Serra do Espinhaço, reserva da biosfera da Unesco, na bacia hidrográfica da região e também em comunidades tradicionais. Assim, o valor para a instalação do complexo quase dobrou, chegando a 8,8 bilhões de dólares. Com o início da construção também surgiram os problemas. A empresa enfrentou ações judiciais movidas pelo Ministério Público de Minas Gerais, que questionou as obras de uma linha de transmissão de energia elétrica, a atuação da empresa perto de sítios arqueológicos e também a passagem do duto por uma caverna que abriga animais ameaçados de extinção.

O MPF também criticou o processo de licenciamento da obra, no qual o complexo foi dividido em três partes – mina, mineroduto e porto – e, para cada uma delas, as licenças ficaram a cargo de órgãos ambientais diferentes.

Obra problemática

"Essa fragmentação causa uma série de problemas, pois o impacto da obra como um todo não é avaliado, mas só suas partes. Além disso, o licenciamento por órgãos diferentes também fragmenta o controle social, o monitoramento por parte da sociedade, dificultando a participação pública, já que as pessoas não sabe a qual órgão recorrer", avalia a socióloga Andréa Zhouri.

A pesquisadora, que é coordenadora do grupo de estudos em temáticas ambientais da Universidade Federal de Minas Gerais, questiona também o expressivo número de condicionantes da obra. "Elas chegaram a 300, é um número grande, que mostra a deficiência, a insuficiência ou o subdimensionamento dos impactos desse projeto", opina.

Além desse aspecto, a construção do complexo se viu envolta em escândalos sociais. Por duas vezes, a fiscalização do Ministério do Trabalho flagrou trabalhadores em condições análogas à escravidão. As negociações de indenizações para proprietários de terras localizadas no percurso do mineroduto também são alvos de críticas por falta de transparência.

Segundo a pesquisadora Denise de Castro Pereira, da PUC-Minas, as negociações de indenizações foram feitas de forma desigual, e famílias com baixo grau de instrução acabaram lesadas no processo. Ela afirma que o corte feito pela faixa de servidão do duto [faixa de segurança que acompanha, na superfície, o traçado do duto] inviabiliza a agricultura ou pecuária em algumas pequenas propriedades.

"Cria-se uma situação que o Banco Mundial chama de 'deslocado econômico': a pessoa não é retirada de sua terra, pois do ponto de vista empresarial e das regras estabelecidas a retirada não se justifica, mas perde as condições de vida e trabalho naquele lugar", comenta.

Alternativas de transporte

Entretanto, especialistas avaliam a construção de dutos para transportar minérios como a opção menos poluente e mais barata do que as outras alternativas, como o transporte por caminhão ou trem, apesar dos impactos iniciais.

"Como qualquer obra de infraestrutura, a parte de instalação e construção causa alguns transtornos. Mas, no momento que a obra estiver pronta, as pessoas vão esquecer que a canalização do mineroduto passa por baixo de seu terreno, pois não gera vibração nem ruído", afirma o engenheiro Enrique Munaretti, chefe do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Segundo ele, os impactos da obra são menores do que os da construção de uma rodovia ou ferrovia. Além disso, para transportar a quantidade de ferro estimada pela empresa seriam necessárias 800 mil viagens de caminhão, o que gera emissões de poluentes como dióxido de carbono e enxofre, sem contar com os riscos de acidente na estrada.

"O mineroduto é uma solução econômica muito boa e também ambientalmente excelente. No início, precisa-se fazer abertura de trincheiras e valas para os canos serem enterrados. Depois esses buracos são fechados e é feito um replantio da vegetação, além de marcação para que não se construa nada em cima. O ambiente volta a ser como era originalmente", afirma Munaretti.

O engenheiro de minas Eduardo Drummond reforça as vantagens. "Independe de condições climáticas para operação, e os custos por tonelada transportada, operacional e de manutenção são imbatíveis", argumenta.

Mais de 500 quilômetros

O projeto Minas-Rio engloba uma mina de exploração de minério de ferro em Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, um terminal no Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro, além do mineroduto de 525 quilômetros, que liga esses dois extremos, passando por 32 cidades nos dois estados.

A capacidade inicial de produção e transporte é de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Para percorrer a distância entre a mina e o porto através do duto, o minério é misturado com água, se transformando numa polpa. Esse líquido é impulsionado pelo trecho com o auxílio de duas estações de bombeamento.

A velocidade de transporte é de seis quilômetros por hora. A polpa leva cerca de quatro dias para chegar ao final do percurso. No porto, o minério é filtrado e separado da água, para que somente ferro seja embarcado nos navios.

O mineroduto já está pronto e agora estão sendo realizados testes necessários para colocá-lo em funcionamento. Além disso, a Anglo American, ainda precisa das licenças de operação que, segundo a empresa, devem sair no terceiro trimestre deste ano. Contactada, a Anglo American não respondeu às críticas sobre impactos causados pela obra até a conclusão desta matéria.


Brasileiro descobre novo morcego dourado na Bolívia

Uma nova espécie de morcego dourado foi descoberta na Bolívia pelo pesquisador brasileiro Ricardo Moratelli.


Por BBC

O Myotis midastactus foi descrito na revista científica "Mammalogy" por Moratelli, da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e Don Wilson, do Instituto Smithsoniano, de Washington.




Anteriormente, o animal vinha sendo erroneamente identificado na América do Sul como um Myotis simus.

No entanto, uma análise mais detalhada de espécimes de museu provou que se tratava de uma espécie diferente. Acredita-se que ela seja encontrada apenas na Bolívia.

A característica mais marcante deste morcego é a sua curta pelagem amarelo-dourada.

Existem mais de 100 espécies de myotis – morcegos com orelhas semelhantes a ratos – no mundo.

Toque de Midas

A coloração viva, única entre as espécies de myotis das Américas, rendeu à espécie o nome midastactus, ou toque de Midas, em alusão à lenda do rei da Grécia Antiga que transformava em ouro tudo o que tocava.

O mamífero vive na savana amazônica da Bolívia e se alimenta de pequenos insetos, dormindo durante o dia em tocas no chão, em árvores ocas ou telhados de palha.

O professor Moratelli já tinha publicado um estudo em 2011 analisando as diferenças entre morcegos da Amazônia boliviana e dos países vizinhos.
Depois de passar meses tentando capturar, sem sucesso, espécimes vivos do Myotis midastactus, Moratelli realizou análises de 27 exemplares guardados em museus dos Estados Unidos e do Brasil, até confirmar a existência da nova espécie.

"Posso dizer com confiança que várias novas espécies de grupos zoológicos distintos estão engavetadas em museus ao redor do mundo, aguardando reconhecimento e uma descrição formal", disse ele.

O novo estudo não esclarece a situação do Myotis midastactus no que diz respeito à sua conservação. No entanto, cientistas já disseram que a espécie Myotis simus da Bolívia está "quase ameaçada".

A publicação cientítica sugere que o verdadeiro Myotis simus - também conhecido como Myotis aveludado – não vive na Bolívia, mas nos países vizinhos Argentina, Brasil, Equador, Paraguai e Peru.

A Myotis midastactus foi a quinta espécie de morcego descoberta pelo professor Moratelli. Ele também foi responsável pela descrição do Myotis diminutus, um pequeno morcego que vive nos Andes equatorianos; do Myotis lavali no Nordeste; pelo Myotis izecksohni, que vive na Mata Atlântica; e pelo Myotis handleyi das montanhas do norte da Venezuela.