28 junho 2014

OMS teme disseminação internacional de ebola

África Ocidental vive maior surto em números de casos, mortes e em relação à distribuição geográfica


James Gallagher | BBC 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse considerar necessário que sejam tomadas "medidas drásticas" para conter o surto de ebola na África Ocidental.

Cerca de 400 pessoas morreram desde o início do surto, que começou na República da Guiné e se espalhou para as vizinhas Serra Leoa e Libéria.

É o maior surto em números de casos, mortes e em relação à distribuição geográfica.

A OMS teme a possibilidade de "propagação internacional".

A organização enviou 150 especialistas para a região para ajudar a prevenir a propagação do vírus, mas admite que "houve aumento significativo" no número de casos e mortes.

O surto começou há quatro meses e continua a se espalhar.

Até agora houve mais de 600 casos e cerca de 60% das pessoas infectadas com o vírus morreram.

A maioria das mortes ocorreu no sul de Guekedou, na região da República da Guiné.

O diretor regional da OMS para a África, Luis Sambo, disse: "Este não é mais um surto específico de cada país, mas a crise de uma sub-regional e é preciso uma ação firme."

"A OMS está seriamente preocupada com a propagação transfronteiriça em curso para os países vizinhos, bem como o potencial de disseminação internacional", disse.

A organização MSF (Médicos Sem Fronteiras) alertou que o surto de ebola está fora de controle. A entidade teme que a epidemia se alastre mais ainda caso não haja uma forte resposta internacional.

Ebola

O ebola é uma febre hemorrágica grave causada pelo vírus ebola e não tem vacina ou cura.

A doença é transmitida pelo contato com os fluidos de pessoas ou animais infectados, como urina, suor e sangue. Os sintomas incluem febre alta, sangramento e danos no sistema nervoso central.

A taxa de mortalidade do ebola pode atingir 90% dos casos. O período de incubação é de dois a 21 dias.



27 junho 2014

Protótipo de reator de nêutrons rápidos ganha vida na Rússia

Voz da Rússia

Um reator de nêutrons rápidos BN-800, o primeiro na história moderna da Rússia, que deverá se tornar protótipo de reatores comerciais para o setor de energia nuclear do futuro, começou a funcionar esta sexta-feira na usina nuclear de Beloyarsk após uma reação nuclear em cadeia controlada ter sido lançada nele.

O BN-800 é um reator de nêutrons rápidos e com refrigerante de sódio líquido. Unidades geradoras com reatores "rápidos" poderão diversificar significativamente as modalidades de combustível utilizadas na energia nuclear, minimizando ao mesmo tempo os resíduos radioativos devido à circulação do combustível nuclear em ciclo fechado. Muito poucos países possuem tecnologia de nêutrons rápidos, e a Rússia é o líder mundial neste campo.

Operando as varas reguladoras, os especialistas lançaram o processo de crescimento controlado do fluxo de nêutrons na zona ativa do BN-800 para iniciar uma reação em cadeia auto-sustentável.

E o reator, como dizem metaforicamente os especialistas, "ganhou vida".



Falha em frigorífico causa 'rio de sangue' em Lençóis Paulista

Coloração vermelha na água assustou os moradores da região.

Cetesb foi informada do problema, mas ainda não fiscalizou o local.


Do G1 Bauru e Marília

Uma mancha vermelha no Rio Lençóis assustou moradores da cidade de Lençóis Paulista. Um deles registrou a mancha na água e enviou ao TEM Notícias. As imagens, feitas na quinta-feira (26), mostram as águas com uma coloração vermelha, parecida com sangue.

Nesta sexta-feira (27), por meio de nota, a empresa Frigol assumiu que houve uma falha operacional no processo dos efluentes e ocorreu um vazamento de dejetos orgânicos no rio por um período de 5 minutos.

Segundo informações da empresa, a mancha se trata realmente de sangue. O frigorífico informou ainda que a falha foi contida a tempo e para evitar qualquer problema à população e ao meio ambiente.

A Cetesb também foi informada do problema, mas até a publicação desta reportagem não havia dado um parecer sobre o assunto. O órgão também informou ainda não foi ao local para apurar a situação, pois não recebeu nenhuma denúncia.

Barragem rompe em Ponte Serrada e deixa cidade de Arvoredo em alerta

Incidente foi em unidade particular perto das 14h30 na Barragem do Vacaro.
Previsão da Prefeitura de Arvoredo é que água atinja a cidade às 18h.


Do G1 SC

Uma barragem particular de médio porte situada no Rio Irani estourou em Ponte Serrada, no Oeste de Santa Catarina. O rompimento aconteceu por volta das 14h30 na tarde desta sexta-feira (27). O tempo chuvoso e o excesso de água provocou o rompimento da estrutura, de acordo com a Prefeitura do município.

Acidente aconteceu por volta de 14h30 na Barragem do Vacaro.  (Foto: Caroline Zanchet/Divulgação)Acidente aconteceu por volta de 14h30 na Barragem do Vacaro. (Foto: Caroline Zanchet/Divulgação)

Segundo o chefe de gabinete de Ponte Serrada, Mario Rodrigues, o município não foi atingido. “A Barragem do Vacaro fica depois da BR-282 que está interrompida e separa o município do local”, afirma.

O volume de água do Rio Irani deve subir devido ao escoamento de água da represa. No caminho que as águas seguem existe outros três lagos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), de Plano Alto, Alto Irani até chegar no lago de Arvoredo.

De acordo com a Prefeitura Municipal de Arvoredo, equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros estão trabalhando na retirada de aproximadamente 30 famílias que moram próximas ao Rio Irani por medida de segurança.

“Não sabemos quanta água vai chegar até a cidade, demora mais ou menos umas quatro horas para chegar aqui. Nossa prioridade é retirar as famílias e os comércios, todos serão encaminhados para abrigos”, afirma a prefeita do município Janete Bianchin. Ainda segundo a prefeita, como medida de segurança as equipes do Corpo de Bombeiros da região serão mobilizados.

Rodovias interditadas

Rodovias de Santa Catarina seguem interditadas nesta sexta-feira (27) por danos causados em vias que interligam municípios do Oeste catarinense. Segundo a Polícia Militar Rodoviária (PMRv), pelo menos 13 rodovias têm trechos interditados. Já segundo o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), responsável pelas estradas federais, cinco vias apresentam pontos com problemas.

A Ponte que liga Santa Catarina ao Rio Grande do Sul está interditada em Palmitos (SC). A BR-153, que interliga os estados está interditada sobre a estrutura que passa sobre o Rio Uruguai. Devido à cheia do manancial, nenhum carro passa pelo local. Segundo o Deinfra, há a previsão de abertura das comportas da represa, o que pode aumentar o fluxo d´água.

Chuvas em SC

Defesa Civil de Santa Catarina registrou, até 16h desta sexta-feira (27), mais de 1 mil pessoas entre desalojadas e desabrigadas, após as chuvas que atingiram o Oeste do estado nos últimos dias. São cerca de 30 cidades atingidas até a tarde desta sexta-feira. Os dados são preliminares, pois o órgão prioriza o atendimento às famílias em risco.

Três cidades decretaram situação de emergência: Chapecó, Rio das Antas e Palmitos, mas apenas as duas últimas encaminharam documentação para a Defesa Civil estadual. No primeiro município, a chuva fez com que os transformadores da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) tivessem que ser desligados na quinta (26), deixando 43 mil unidades consumidoras sem água. Essa situação foi normalizada na madrugada desta sexta.

Aulas canceladas

Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Educação Escolas de mais de 30 cidades catarinenses cancelaram as aulas devidos às chuvas que atingem sobretudo o Oeste catarinense. A Secretaria emitiu um comunicado que nas unidades da rede pública estadual das Secretarias de Desenvolvimento Regional (SDR) de Videira, Chapecó, Joaçaba, Seara e Concórdia todas as atividades foram parcialmente suspensas. A Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) também suspendeu as aulas.

A previsão é que as aulas sejam retomadas na próxima segunda-feira (30). De acordo com a Secretaria, as aulas foram canceladas nas cidades de Videira, Fraiburgo, Iomerê, Pinheiro Preto, Concórdia, Peritiba, Ipira, Irani, Alto Bela Vista, Piratuba, Presidente Castelo Branco, Joaçaba, Herval d’Oeste, Capinzal, Ouro, Lacerdópolis, Erval Velho, Luzerna, Ibicaré, Jaborá, Catanduvas, Vargem Bonita, Água Doce, Arabutã, Arvoredo, Ipumirim, Itá, Lindóia do Sul, Paial, Seara, Xavantina, Guatambu e Nova Itaberaba.


26 junho 2014

Chuva no Oeste de SC deixa desalojados e rodovias interditadas

Famílias precisaram sair de casa por causa da precipitação desta quinta.
Quatro rodovias foram interditadas e aulas foram suspensas em 19 locais.


Do G1 SC

Várias cidades do Oeste catarinense já apresentam problemas devido à forte chuva que atinge a região desde a madrugada desta quinta-feira (26). Municípios como Joaçaba, Herval do Oeste, Luzerna, Capinzal e Lacerdópolis fazem levantamentos dos prejuízos para avaliar as medidas que serão tomadas para auxiliar as vítimas das enchentes. Até a tarde de quinta foram registrados desalojados, desabrigados, vias alagadas e desmoronamentos de terra. Os números ainda estão sendo levantados, segundo a Defesa Civil regional. Ao menos quatro rodovias apresentam problemas e 19 escolas suspenderam as aulas.

Confira fotos dos estragos das chuvas em SC

De acordo com o órgão, os municípios de Mondaí e Luzerna foram os que tiveram maior incidência de volume de água. Além de danos materiais, famílias estão desalojadas.

Em Mondaí, Rio Uruguai transbordou e inundou comunidades (Foto: Eliza Suelo/Divulgação)Em Mondaí, Rio Uruguai transbordou e inundou comunidades (Foto: Eliza Suelo/Divulgação)

Segundo o meteorologista Leandro Puchalski, o volume de chuva registrado em algumas cidades do Oeste já ultrapassa em três vezes o esperado para o mês inteiro, que seria 300 milímetros. A tendência é que a chuva se intensifique ao longo da tarde desta quinta e tenha ainda mais força na madrugada de sexta (27). Um ciclone extratropical deve chegar a Santa Catarina entre sexta e sábado (28).

Tráfego interrompido

Na manhã desta quinta-feira, algumas rodovias apresentaram problemas de interdições por quedas de barreira e alagamentos. Houve deslizamento de terra e rios começaram a transbordar. Segundo a prefeitura de Joaçaba, a rua Amábile Falavinha teve erosão do asfalto por falta de escoamento de água. Já na Sete de Setembro, ocorreu desmoranamento de terra, pedras e árvores e o trânsito ficou em meia pista.

Rodovias federais e estaduais também apresentam problemas. Ocorreu queda de barreira na BR-282, no km 224, em Lages, na Serra catarinense. A pista ficou totalmente interrompida e o trânsito foi desviado para uma estrada secundária. Já em Cunha Porã e Palmitos, no Oeste do estado, quedas de barreira com deslizamento de encostas prejudicaram o tráfego. O trânsito na BR-158 segue praticamente todo interrompido, pela incidência de diversos desmoronamentos, segunda a PRF.

Segundo a PMRv de Concórdia, houve queda de barreira no km 31 da SC- 283, no município de Arabutã. A estrada que liga Seara a Concórdia, no Oeste, está interditada por quedas de árvores e lama na pista. Já o km 133 da SC-155, próximo ao município de Itá, está completamente fechado por rachaduras na pista. O trânsito foi desviado para o perímetro urbano. Entre os município de Riqueza e Caíba, a PMRv de Iporã do Oeste avalia a necessidade de fechar o acesso a ponte da SC-283.

Escolas

Muitas escolas da rede pública municipal e estadual estão com as aulas suspensas no Oeste de Santa Catarina devido as chuvas que estão caindo na região. No total, 19 educandários informaram no final da manhã desta quinta-feira (26) que não abrirão. Segundo a Secretaria de Estado da Educação, o órgão e suas regionais estão em alerta e monitorando todas as unidades escolares nesta quinta-feira (26).

Cidades mais atingidas

Joaçaba

De acordo com o secretário de Desenvolvimento de Joaçaba, Jorge Ronaldo Pohl, a Defesa Civil constatou que o solo da cidade não tem mais condições de receber a água das chuvas e está vulnerável à sedimentação. “Mesmo com menos de 60 milímetros de volume de chuva na cidade hoje, a topografia da região e o volume crescente dos rios possibilitou as enchentes. Estamos trabalhando em conjunto para atender a população”, informa.

Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Rodoviária e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência atuam em conjunto com a Defesa Civil. Segundo o secretário, já há um grande número de desalojados e desabrigados ainda não contabilizado pelas prefeituras. Igrejas e ginásios municipais foram adaptados para abrigos temporários. “Muitas pessoas estão se mobilizando em torno da causa. Temos vários voluntários e alguns caminhões-baú foram disponibilizados pela população”, explica.

A região central da cidade, banhada pelo Rio Tigre, teve a população afetada pelas águas que transbordaram. Situação semelhante às margens do Rio do Peixe. Comunidades ribeirinhas já foram desalojadas pelas inundações.

Mondaí

O Rio Uruguai, que banha o município de Mondaí, no Oeste, estvam com aproximadamente 13 metros de altura no final da tarde desta quinta. As ruas do interior do município que são banhadas pelos córregos que abastecem o rio transbordaram. O manancial principal sobe acima de 20 centímetros por hora.

De acordo com o secretário de planejamento do município, Marcos Dischkaln, pelo menos cinco famílias foram encaminhadas para a casa de parentes. Dentre os registros mais expressivos, a comunidade da Vila Catre foi inundada e um posto de combustível está embaixo d´água.

Luzerna

Segundo o oficial da Defesa Civil de Luzerna, no Oeste, Regis Weiseer, oito famílias já foram encaminhadas para um abrigo municipal, montado no Centro de Eventos da cidade. O Rio Limeira, no centro da cidade, transbordou e afetou toda a população da região.

A Defesa Civil monitora o Rio Pinheira, na entrada do município, que é represado pelo Rio do Peixe. “Até chegar a noite, se continuar no mesmo volume, teremos que interditar a ponte de entrada do município”, diz Weiseer.

Ciclone extratropical

A Defesa Civil de Santa Catarina emitiu um alerta esta semana para a previsão de chuva forte no estado, especialmente no Oeste, Sul e Serra. A frente fria mais intensa está prevista para sexta-feira (27) e sábado (28), quando deve ocorrer a formação de ciclone extratropical que deve passar pelo Litoral Sul do estado. Outras áreas também podem ser afetadas com fortes precipitações, como Norte, Vale do Itajaí e Grande Florianópolis. Segundo o hidrólogo da Epagri/Ciram, Guilherme Miranda, o Litoral Sul apresenta maior possibilidade de cheias.

Prejuízos das chuvas de 6 a 8 de junho

No início deste mês, fortes chuvas atingiram o estado, principalmente, no Norte e Vale do Itajaí. Até esta quinta-feira, ao menos 12 municípios permaneciam com pontos de alagamentos. Porto União é o que apresenta maior área inundada.

A estimativa da Defesa Civil é de que os danos ocasionados pelas chuvas do início de junho passem dos R$ 519 milhões. O levantamento indica que aproximadamente 53 mil unidades tiveram prejuízos materiais no estado. No que diz respeito às perdas econômicas a organizações privadas, as administrações municipais estimam valores de R$ 42 milhões.

Conforme relatório da Defesa Civil de Santa Catarina, mais de 460 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas do início do mês. Pelo menos 7 mil ficaram desabrigadas e cerca de 50 mil desalojadas. Em torno de 30 ficaram feridas e duas morreram, em Guaramirim e Mafra.

Foram atingidos 42 municípios pelas chuvas que caíram no início de junho. Destes, dois decretaram calamidade pública: Guaramirim e Rio Negrinho. Outros 37 declararam situação de emergência: Araquari, Balneário Barra do Sul, Bela Vista do Toldo, Benedito Novo, Calmon, Campo Alegre, Canoinhas, Corupá, Dona Emma, Doutor Pedrinho, Guaramirim, Irineópolis, Itaiópolis, Jaraguá do Sul, José Boiteux, Laurentino, Lebón Régis, Mafra, Major Vieira, Matos Costa, Monte Castelo, Papanduva, Porto União, Presidente Getúlio, Rio das Antas, Rio do Campo, Rio do Oeste, Rio dos Cedros, Rio Negrinho, Santa Terezinha, São Bento do Sul, São João do Itaperiú, Taió, Timbó, Timbó Grande, Três Barras e Vitor Meireles.

Chuva deixa mais de 20 municípios do RS em alerta, diz Defesa Civil

Órgão diz que não há números concretos de desabrigados e desalojados.
Cidades mais atingidas foram Caiçara, Três Passos e Santa Rosa.


Do G1 RS

O acumulado de chuva nas últimas horas provocou alerta na Defesa Civil do Rio Grande do Sul. Ao menos 22 cidades registraram problemas com alagamentos e cheias de rios entre esta quarta (25) e quinta-feira (26). As regiões Norte e Noroeste foram as mais afetadas. O órgão ressalta, no entanto, que são problemas pontuais e que não há números concretos de desabrigados e desalojados.

Os municípios atingidos, segundo a Defesa Civil, foram Cruzaltense, Barão do Cotegipe, Getúlio Vargas, Erechim, Ponte Preta, Viadutos, Unistalda, Caiçara, Campo Novo, Tenente Portela, Jabuticaba, Palmitinho, Pinheirinho do Vale, Cristal do Sul, Três Passos, Iraí,Barra do Guarita, Vicente Dutra, Nova Candelária, Três de Maio, Morro Machado e Porto Mauá.

Os estragos maiores ficaram restritos a algumas cidades. Em Três Passos, no Noroeste, a cheia do rio invadiu plantações, destruiu pontes e abriu valetas em algumas estradas. O transporte escolar e o recolhimento da produção leiteira estão prejudicados em sete localidades, conforme a prefeitura. Em Caiçara, no Norte, seis famílias foram removidas para casas de parentes por causa da chuva, que inundou parte do distrito de Ipuaçú.

Em Cruzaltense, cidade próxima a Erechim, no Norte, pelo menos seis famílias foram desalojadas. Uma idosa de 78 anos foi resgatada por uma equipe dos bombeiros após um riacho cruzar a estrada e invadir casas. Ela foi encaminhada ao Hospital de Campinas do Sul, e passa bem. Moradores precisaram deixar o trabalho no campo para limpar a ponte que dá acesso às propriedades de sete famílias da comunidade Dourado.

Segundo a prefeitura de Cruzaltense, um loteamento popular deve ser finalizado até a metade do ano que vem, para que as famílias possam ser realocadas. O excesso de chuvas também causa preocupação para os agricultores. Em toda a região do Alto Uruguai, 60% do trigo ainda não foi plantado devido ao mau tempo.

Em Porto Mauá, na Região Noroeste, a travessia de balsa até Alba Posse, na Argentina, foi suspensa pela cheia do Rio Uruguai. Choveu 100 milímetros nas últimas horas. Desde domingo (22) o acumulado foi de 250 milímetros. O nível da água do Rio Uruguai estava em 11,7 metros às 10h desta quinta-feira (26).

Em Santa Rosa, na mesma região, uma ponte na Vila Balneário ficou alagado. A água invadiu algumas casas, mas nenhum morador precisou ser retirado. Na Vila Sulina, o Rio Pessegueirinho transbordou e pátios ficaram alagados. Segundo a Defesa Civil do município choveu mais de 200 milímetros na cidade, mas não há desabrigados.

O município foi o segundo com maior acúmulo de chuva no Sul do país. Desde as 21h de quarta até as 8h de quinta Santa Rosa somou 73,6 milímetros. Santo Augusto foi a primeira cidade com maior acumulado: 74,8 milímetros.

Em Nova Candelária, 22 vacas foram arrastadas pela correnteza do Rio Reúno, na localidade de Vila Rica, no interior do município. Três foram encontradas mortas.

Chuva nos próximos dias

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a chuva nesta quinta deve ser forte nas áreas de divisa com Santa Catarina, no Norte do estado, também na Região dos Campos de Cima da Serra, na Região de Erechim, em Soledade, Santa Rosa e Iraí. Só não chove nesta quinta no extremo Oeste, região de Uruguaiana.

Na Região Central deve chover 30 milímetros até domingo (29), 50 milímetros na Região Metropolitana e Porto Alegre, e na parte Norte do estado pode chover entre 50 e 70 milímetros. No Litoral Norte e na Serra deve chover 100 milímetros.


25 junho 2014

Após 5ª maior cheia, vazante do Rio Negro inicia em Manaus, diz CPRM

Nível do rio apresentou primeira diminuição desde outubro de 2013.
Vazante deve ser intensificada em agosto deste ano, de acordo com órgão.


Diego Toledano
Do G1 AM

O nível do Rio Negro começou a registrar baixa nesta semana, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM). Após atingir o ápice em junho deste ano, com 29,48m, o rio apresentou a primeira queda de nível em nove meses, de um centímetro, de segunda-feira (23) para esta terça-feira (24). Para o órgão que acompanha o nível do rio, o decréscimo significa o início do processo de vazante do Rio Negro. A cheia deste ano foi a quinta maior registrada na capital.


Carregadores precisam se equilibrar com mercadorias nas passarelas de madeira instaladas pela Defesa Civil (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Ruas no Centro de Manaus ficaram alagadas com cheia do Rio Negro (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)


Em entrevista ao G1, o superintendente do CPRM, Marco Antônio de Oliveira, informou que o processo é reflexo de uma atividade climática na região. "Quase todas as estações dos rios Solimões e Amazonas já estão em processo de vazante. Dificilmente, vamos ver alguma elevação a partir de agora", explicou.

A diminuição do nível do Rio Negro, segundo o superintendente, é resultado do início do período de verão no Amazonas. "A cheia é provocada por chuvas que caem por toda a bacia amazônica. À medida que entramos em transferência para um período mais seco e com menos precipitação, a vazante é iniciada", disse.

A partir de agora, Oliveira afirmou que a intensidade da baixa do Rio Negro deve aumentar gradativamente, com maior decréscimo a partir do próximo mês. "Estamos bem no início da vazante, então devemos perceber diminuição de até um centímetro por dia até o final de julho. Já a partir de agosto, as diminuições podem chegar a 10, 15 cm", previu.

A cheia deste ano ficou pouco menos de 40 cm abaixo da cheia histórica de 2012, quando alcançou 29,97m. Com as inundações, Manaus decretou situação de emergência ainda em maio. Pelo menos 14 bairros da área central da cidade foram afetados pela cheia.

Ainda segundo o CPRM, as águas do Rio Negro têm subido lentamente em 2014. Do dia 5 para o dia 6 deste mês, por exemplo, o órgão apontou que o nível do rio não se alterou. Antes disso, houve o aumento de 2cm consecutivo por dois dias seguidos. Além disso, do dia 1º deste mês para o dia 2, houve elevação de apenas 1 cm.

Sobre outros municípios que enfrentaram problemas sérios por conta da cheia - como Humaitá e Boca do Acre -, o superintendente informou que é possível dizer que estão em "franca vazante". "Humaitá, por exemplo já saiu da cota de emergência. Municípios do Alto Purus e da calha dos Rios Solimões e Amazonas também já apresentam melhorias que devem ser aprimoradas nos próximos meses", disse.


ONS prevê nova redução no nível dos reservatórios no país

O sistema Cantareira está buscando água no volume morto


Correio do Brasil
Por Redação - de Brasília e São Paulo

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) prevê que a capacidade dos reservatórios de água estará ligeiramente mais baixo nesta semana (de 21 a 27) do que na semana anterior, em todo o país. O Relatório Executivo do Programa Mensal de Operação (PMO) mantém, no entanto, a previsão de vazões para os quatro subsistemas no fechamento do mês: na Região Sul, acima da média histórica; no Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, os níveis estão próximos da média; no Norte, um pouco abaixo da média; e no Nordeste a situação é mais desfavorável, com níveis em torno de 43% da média histórica.

Apesar da melhora do sistema como um todo, em razão das fortes chuvas que elevaram a capacidade de armazenamento no Subsistema Sul, o ONS prioriza a preservação dos estoques armazenados nos reservatórios das usinas localizadas nas cabeceiras dos rios Grande, Paranaíba e São Francisco. Explora, prioritariamente, os recursos energéticos das regiões Norte e Sul, além da Hidroelétrica de Itaipu, complementados pela geração de usinas térmicas do Sistema Interligado Nacional.

O diagnóstico do ONS diz que praticamente não houve alteração entre uma semana e outra quanto à capacidade de geração de energia, e salienta que a carga prevista para o mês de junho, no Nordeste, é de crescimento de 2,5%, em relação ao mesmo mês do ano passado.

No Norte, a elevada taxa de crescimento prevista, de 24,1%, decorre, principalmente, da interligação de Manaus ao Sistema Interligado Nacional a partir de julho de 2013. Retirando o efeito dessa interligação, a carga prevista para o mês de junho apresenta decréscimo de 0,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Nos subsistemas Sul e Sudeste/Centro-Oeste, as taxas de crescimento previstas, 1,3% e 0,5%, respectivamente, além de incorporar os efeitos do feriado de Corpus Christi e dos jogos da Copa do Mundo ao longo do mês de junho, segue o desempenho recente da indústria, que se mantém em baixa.

Cantareira mais seco

O nível do Sistema Cantareira caiu 0,2 pontos perceituais nesta segunda-feira. Segundo dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). o reservatório passou de 22,1% registrado neste domingo para 21,9%. Há exatamente um ano, o volume de água era de 56,8%. Outros reservatórios também apresentaram quedas no nível de água. O reservatório do Alto Tietê chegou aos 27,4%, com redução de 0,1 ponto percentual. O Sistema Guarapiranga passou de 73,4% para 73,2%.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, afirmou na última quarta-feira que a campanha para economia no consumo de água deverá ser mantida pelo seu governo mesmo que volte a chover e a situação se normalize nos reservatórios de armazenamento de água.



24 junho 2014

Obras de hidrelétricas e desvio de curso de rios alarmam ambientalistas no Pantanal

São 154 barragens num dos biomas mais frágeis do país, segundo levantamento


Cleide Carvalho | O Globo

SÃO PAULO - Um ano depois do fim da “trégua” na construção de barragens no Pantanal, decretado pela Justiça, o número de projetos em elaboração e andamento supera bastante aquele que alarmou procuradores federais e sul-mato-grossenses. Em agosto de 2012, eram 126 barragens planejadas ou em execução para o emprego em hidrelétricas ao longo dos rios que abastecem um dos biomas mais frágeis do país. A ausência de um estudo estratégico de impacto ambiental levou o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Mato Grosso do Sul a pedir — e obter — uma liminar suspendendo todas elas. Dez meses depois, em junho de 2013, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou a retomada das obras. Agora, segundo levantamento da pesquisadora Débora Calheiros, da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, o número de projetos já chega a 154.

As usinas hidrelétricas pretendidas na região são de potências variadas, de menos de mil a mais de 200 kw, e se concentram na Bacia do Alto Paraguai. Até hoje a decisão final em primeira instância não foi proferida, o que provoca críticas de ambientalistas e outros especialistas preocupados com o futuro de um refúgio onde se abrigam milhares de espécies de plantas, aves, peixes, répteis, anfíbios e mamíferos.

— É um absurdo, mas a Justiça se senta em cima das decisões e julga quando quer. Não podemos fazer nada — lamenta Émerson Siqueira, procurador da República em Campo Grande e um dos responsáveis pela ação do Ministério Público Federal que pede a interrupção dos projetos.

É a Bacia do Alto Paraguai que irriga a planície pantaneira. Nas áreas de planalto estão as cabeceiras dos principais rios. Embora os mais conhecidos sejam os rios Paraguai e Cuiabá, a bacia inclui também os rios Manso, Correntes, Itiquira, Taquari e Miranda. No conjunto, eles se somam aos rios Uruguai e Paraná e formam a Bacia do Prata, que drena quase 20% das águas doces do continente sul-americano.

— O Pantanal não vive sem os rios que o cercam. As barragens feitas alteram todo o sistema de inundação. Com elas, não há mais funcionamento ecológico. O nível de água nos rios passa a variar de acordo com a demanda de energia, com o horário de pico de consumo. Isso altera a biodiversidade da planície e toda a cadeia alimentar — avalia Débora.

SÓ NUM RIO, 55 PROJETOS

Um estudo de Edvard Elias Souza Filho, do Programa de Pós-Graduação em Ecologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Estadual de Maringá (PR), de 2013, mostrou que, apenas na sub-bacia do Rio Cuiabá, havia 14 barragens já construídas e outras 41 planejadas, ao mesmo tempo em que praticamente inexistiam estudos sobre as condições dos rios antes e depois das obras. É justamente a ausência de uma avaliação estratégica que gera incertezas quanto ao futuro do bioma.

— Os empreendedores respeitam o que está estabelecido na legislação. A grande discussão é que não está previsto na legislação um estudo estratégico amplo, e para as empresas isso é ruim, pois dificulta a tomada de decisões e represa investimentos — diz Charles Lenzi, presidente executivo da Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa, que representa as pequenas centrais hidrelétricas.

Reservas da Biosfera como o Pantanal, assim declarado pela Unesco em 2000, são lugares habitáveis do mundo estrategicamente escolhidos para aliar conservação de paisagens, ecossistemas e espécies ao desenvolvimento econômico e humano sustentável. No Pantanal, porém, a ameaça vem justamente do crescimento. Para escoar a rica safra de grãos e os valiosos minérios do Centro-Oeste, pipocam também projetos destinados a aprofundar o leito do Rio Paraguai, onde a hidrovia já funciona historicamente em harmonia com a natureza. Planos de dragagem, derrocamento de bancos de areia e retificação de curvas em diversos trechos visam a tornar possível a navegação o ano todo. Hoje, no período de seca, os bancos de areia são um obstáculo à navegabilidade.

Incluído na Constituição de 1988 como patrimônio nacional, até hoje o Pantanal não tem as leis reguladoras de preservação e uso sustentável. Alcides Faria, da ONG Rios Vivos, lembra que a ideia de tornar o Rio Paraguai navegável o tempo todo, desrespeitando o movimento natural das águas, já foi amplamente questionada e derrotada na década de 1990. O projeto havia sido abandonado pelo governo federal, que ponderou sobre os riscos ao bioma.

— Agora as obras estão de volta. Já não se fala de um grande projeto nacional, mas de intervenções locais a serem feitas uma a uma, sem gerar alarde — argumenta Faria, para quem a ausência das curvas naturais do rio, responsáveis pelo alagamento periódico da região, ameaça a própria existência do Pantanal.

Em maio passado, todos os participantes da Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Peixes dos rios Paraguai e Uruguai assinaram moção na qual manifestaram preocupação com o efeito das barragens previstas na Bacia do Alto Paraguai na oferta de peixes. De acordo com o documento, as mais de 270 espécies não só desempenham papel fundamental no ecossistema, mas também garantem a economia da região, que vive de pesca, turismo e pecuária extensiva.

— O potencial de geração de energia hidrelétrica da Bacia do Alto Paraguai é de apenas 1,2% do potencial nacional. Mais de 70% do aproveitamento hidrelétrico da região já foram efetivados. O que resta a ser explorado é muito pouco diante da imensidão do prejuízo que pode causar ao ecossistema — avalia Débora.

Faria observa que os projetos são conflitantes: de um lado, as hidrelétricas barram os rios; de outro, querem leitos caudalosos e profundos para aumentar o tamanho das embarcações e torná-las mais velozes.

GOVERNO JÁ ADMITIU AMEAÇA

Também no caso da hidrovia, diversas obras se embrenham em decisões judiciais que demoram a ser tomadas. Segundo o Plano Hidroviário Estratégico, disponível no site do Ministério dos Transportes, os principais interessados nas obras da hidrovia são os produtores de soja e a Vale, além das empresas envolvidas em operação e transporte pela hidrovia do Paraguai.

Segundo Lucila Egydio, da ONGS SOS Pantanal, é preciso um marco legal de preservação e exploração. Previsto na Constituição, ele até hoje não saiu do papel. A única proposta é um projeto de lei do senador Blairo Maggi (PR-MT), ex-governador do Mato Grosso ligado ao agronegócio, que causou preocupação a milhares de ribeirinhos por ter incluído um artigo que proíbe a pesca por cinco anos.

No âmbito federal, a Agência Nacional de Águas (ANA) deve fazer o plano de gerenciamento integrado das Bacias Hidrográficas para o Pantanal e Bacia do Alto Paraguai. Mas o trabalho está apenas no começo, e a expectativa é que demore pelo menos dois anos.

Em 2003, a própria ANA publicou um relatório para gerenciamento integrado da Bacia do Alto Paraguai e do Pantanal, feito com apoio de pelo menos dez organismos e ONGs internacionais. As preocupações enumeradas eram as mesmas: obras de hidrovia, expansão de portos fluviais e barragens de hidrelétricas, além de desmatamento e contaminação por agroquímicos. Procurado, o Ministério do Meio Ambiente não se pronunciou sobre os projetos de hidrelétricas e hidrovias na região.