13 maio 2014

'Água do volume morto é perfeita', diz Alckmin sobre fundo do Cantareira

Qualidade da água foi questionada pelo MP, que teme metais pesados.
Volume morto começa a ser utilizado nesta quinta-feira (15).


Amanda Previdelli
Do G1 São Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira (13) que a água do "volume morto" do Sistema Cantareira é "perfeita". Diante da falta de chuvas dos últimos meses, o governo paulista decidiu antecipar o uso da água que sobrou no fundo do Cantareira para quinta-feira (15). O nível acumulado de água no sistema caiu para 8,6% nesta terça-feira (13).

A qualidade da água foi questionada pelo Ministério Público do estado, que teme que ela possa ter resíduos nocivos à saúde, como metais pesados. O governo nega e diz que já realizou todos os testes necessários.

"O volume não é morto, água é vida. Ele só não era utilizado", disse o governador. Ele preferiu chamar o volume morto de "reserva tecnica" e reiterou que "a reserva técnica é águal igual às outras".

O volume morto é um reservatório que abriga 400 milhões de metros cúbicos de água, quantidade suficiente para elevar o nível do sistema em 18,5%, segundo estimativa dos técnicos da Sabesp. "Dos 400 milhões de metros cúbicos, só vai utilizar 182 milhões. Isso daria para superar, para passar o período do inverno", disse Alckmin.

Desde 17 de março, a Sabesp faz um serviço emergencial para captar a água que fica no nível abaixo das comportas. Segundo a companhia, o volume morto poderá abastecer a Grande São Paulo por quatro meses. A obra está orçada em R$ 80 milhões.

Apesar de bairros da capital paulista e cidades do estado relatarem que passam por rodízio de água, Alckmin voltou a dizer que não há e "não vai ter racionamento". "Esses são casos pontuais que têm que ser verificados", disse.

Nesta manhã, Alckmin voltou a explicar que a economia de água em cidades abastecidas por outros sistemas pode contribuir para atender bairros originalmente cobertos pelo Cantareira. Segundo o governador, os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga aliviaram a situação do Cantareira. A partir de setembro, o Riacho Grande também deverá atuar nesse sentido.

Reservatórios interligados

O governador voltou a defender obra que interligará o Sistema Cantareira à Bacia do Rio Paraíba do Sul. Ele explicou que será construído um canal entre as represas de Atibainha, que faz parte do sistema que abastece a Grande São Paulo, e o reservatório Jaguari, um afluente do Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro.

"Ninguém vai mexer no Paraíba. Você interliga essas duas, são apenas 15km", explicou.

"Na hora que você integra as duas, você começa a ter uma capacidade de reservação de R$ 2 bilhões de reais sem prejudicar ninguém e com uma segurança e capacidade de reservação muito maior", disse Alckmin. O governador afirmou que a obra já estava prevista para 2020 , mas foi antecipada pelo governo.

Nível acumulado em queda

Em maio, o reservatório perdeu 1,9 ponto percentual de sua capacidade. Nas primeiras duas semanas do mês, choveu apenas 0,6 milímetro na região. No dia 22 de abril, Alckmin anunciou que os moradores da Grande São Paulo abastecidos pelo Sistema Cantareira teriam um acréscimo na conta de água caso aumentem o consumo.

De acordo com o governador, o usuário que gastar acima da média em maio pagará 30% a mais em junho. Já os consumidores de 31 cidades atendidas pela Sabesp que conseguirem economizar 20% receberão um desconto de 30%.


12 maio 2014

Nível do Sistema Cantareira volta a cair e chega à marca dos 8,9 %

Índice foi registrado pela Sabesp na manhã deste domingo (11).

Governo diz que água do 'volume morto' começa a ser usada dia 15.


Do G1 São Paulo

O nível acumulado de água do Sistema Cantareira caiu para 8,9 % neste domingo (11), segundo relatório divulgado pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Nos últimos sete dias, o reservatório perdeu 1,2 pontos percentuais de sua capacidade. Diante da falta de chuvas, o governo decidiu antecipar o uso da água que sobrou no fundo do sistema Cantareira, o chamado "volume morto".

Nesta quinta (8), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que a água do volume morto do reservatório deve começar a ser utilizada pela Sabesp no dia 15 de maio. "A utilização da reserva técnica provavelmente começará no dia 15 de maio", afirmou.

O volume morto é um reservatório que abriga 400 milhões de metros cúbicos de água – quantidade suficiente para elevar o nível do sistema em 18,5%, segundo estimam os técnicos da Sabesp.

O reservatório nunca foi utilizado porque o sistema de bombeamento não chegava a essa profundidade. O governo estadual realizou obras para conseguir bombear a água após o nível do Sistema Cantareira atingir os menores índices da história e ficar abaixo dos 10%.

A Sabesp faz um serviço emergencial desde o dia 17 de março para retirar água do fundo dos reservatórios do Cantareira. Segundo a companhia, o "volume morto" poderá abastecer a Grande São Paulo por quatro meses. A obra está orçada em R$ 80 milhões e vai tornar útil uma reserva de 300 bilhões de litros de água que fica abaixo do nível das comportas.

Conta mais cara

No dia 22 de abril, Alckmin anunciou que os moradores da Grande São Paulo abastecidos pelo Sistema Cantareira terão um acréscimo na conta de água caso aumentem o consumo. De acordo com o governador, o usuário que gastar acima da média em maio pagará 30% a mais em junho. Já os consumidores de 31 cidades atendidas pela Sabesp que conseguirem economizar 20% receberão um desconto de 30%.

Alckmin voltou a explicar que a economia de água em cidades abastecidas por outros sistemas podem contribuir para atender bairros originalmente cobertos pelo Cantareira. Segundo o governador, os sistemas Alto Tietê e Guarapiranga aliviaram a situação do Cantareira. A partir de setembro, o Riacho Grande também deverá atuar nesse sentido.

Falta de água

Moradores da Zona Norte de São Paulo dizem que fornecimento é interrompido à noite desde março. Segundo relatos, há falta de água entre o fim da tarde e o início da manhã. O fornecimento é retomado somente após 6h dos dias seguintes. Eles reclamam de não terem sido informados sobre o desligamento da água. O governo de São Paulo, entretanto, nega que clientes da Sabesp sejam afetados por racionamento.


11 maio 2014

Cientistas descobrem 14 novas espécies de 'rãs dançarinas' na Índia

Nome é devido a movimento de patas traseiras dos machos durante cortejo.
Anfíbios são endêmicos de cordilheira ao oeste da Índia.


EFE

Um grupo de cientistas descobriu na Índia 14 novas espécies de um tipo de rã único no mundo, consideradas "relíquias viventes", embora seu habitat esteja cada vez mais ameaçado. Esse anfíbio conhecido como "rã dançarina", pelo movimento das patas traseiras dos machos durante o cortejo, só é encontrado em Western Ghats, uma cordilheira ao oeste da Índia em frente ao mar da Arábia, disse o cientista Sathyabhama Dás Biju.

O trabalho científico foi dirigido por este especialista em anfíbios, um reconhecido biólogo da Universidade de Délhi, que estudou durante 12 anos essas espécies com outros especialistas de diferentes centros do gigante asiático.

A investigação, publicada no "Ceylon Journal of Science", é fruto do trabalho de campo realizado nos estados indianos de Kerala, Tamil Nadu, Karnataka e Maharashtra. Análises de DNA e características morfológicas foram indispensáveis na identificação das novas espécies.

As rãs pertencem à família das Micrixalidae e a um gênero único da Índia, denominado Micrixalus, do qual eram conhecidas outras 11 espécies até agora e cujas origens se remetem há 85 milhões de anos, o que justifica a consideração de "relíquias viventes".

Estes pequenos animais vivem em correntes rápidas de água nas montanhas, em um habitat no qual 75 novos anfíbios foram descobertos nos últimos 15 anos. Segundo a fonte, uma centena de espécies ainda pode ser descrita cientificamente no local.

No entanto, os locais onde vivem se mostram cada vez mais ameaçados pela ação humana. Por isso as novas espécies "requerem ações imediatas para sua conservação", já que a maioria vive em áreas sem proteção ambiental, advertem os cientistas.

O trabalho realizado pelos cientistas pôs em evidência a fragilidade do local, "altamente degradado e ameaçado pela pressão humana", com consequências como a dissecação dos riachos vitais para a sobrevivência dessas rãs consideradas "espécies raras".