09 maio 2014

Parque do Iguaçu pode perder título de Patrimônio Natural da Humanidade

Unesco cobra medidas para garantir segurança ambiental da área, no PR.
Relatório dá prazo até 2015 para o governo brasileiro se adequar.


Luiz Haab
Do G1 PR

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) coloca em risco o título de Patrimônio Natural da Humanidade do parque onde ficam as Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná. Conforme o documento, a principal atração turística de Foz do Iguaçu pode entrar para a lista vermelha de patrimônios mundiais ameaçados.

Dois motivos são apontados pela organização: o primeiro é a construção da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu, que começou em julho de 2013 em Capanema, no sudoeste do estado, a quinhentos metros do início do parque. O outro ponto levantado pela Unesco é a possibilidade de reabertura da Estrada do Colono, trecho de 18 km que corta a mata entre as cidades de Serranópolis do Iguaçu e Capanema.

A primeira vez que a Justiça fechou a estrada foi em 1986. Porém, moradores da região reabriram ilegalmente o caminho em 1997. Em consequência disso, em 1999 o Parque Nacional do Iguaçu já havia entrado para a lista vermelha da Unesco, o que só mudou em 2001, depois que a estrada foi fechada novamente.

A organização deu um prazo até 2015 para que o governo brasileiro garanta que a estrada permanecerá fechada e pede ainda a interrupção imediata da obra da usina, até que seja realizado um estudo detalhado sobre os impactos ambientais no local. “Se o Brasil deixa que a sua mais importante catarata entre numa lista vermelha, é uma vergonha; é dizer que nós não temos capacidade de cuidar de um espaço tão pequeno, em país tão grande e que tem tantos recursos,” lamenta a diretora da Organização Não-Governamental (ONG) WWF Brasil, Maria Cecília Wey de Brito.

Risco para o turismo

A ameaça de perda do título causa preocupação no setor turístico de Foz do Iguaçu. “Acreditamos que a possível perda possa se refletir no resultado da demanda turística,” teme Paulo Angeli, presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur).

Atualmente, o Parque Nacional do Iguaçu recebe mais de 1,5 milhão de turistas brasileiros e estrangeiros por ano. A direção informou que, por enquanto, não vai se pronunciar sobre o levantamento da Unesco. Até a publicação desta reportagem, o Governo Federal também não havia se manifestado sobre o assunto.

O projeto de reabertura da Estrada do Colono está em discussão no Senado, mas ainda não tem prazo para ser votado. Já a Usina do Baixo Iguaçu, que deve ficar pronta em 2016, vai gerar energia para atender 1 milhão de consumidores. De acordo com o consórcio responsável pela obra, o projeto respeita as leis ambientais.

Baixa no nível do rio Tietê provoca demissões e ameaça parar hidrovia

De 21 que fazem transporte de cargas no local, apenas 7 poderão navegar.
'Se o setor elétrico não colaborar, a hidrovia pode parar', alerta diretor.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Uma das maiores hidrovias do país, a Tietê-Paraná, está parcialmente interditada por causa da seca. Com a estiagem, dos 21 comboios que navegam por ela, somente sete vão conseguir passar. O nível do rio Tietê baixou quase quatro metros no ponto mais crítico da passagem das embarcações, em Buritama (SP).

Uma equipe monitora 24 horas trechos do local para tentar evitar que embarcações encalhem. Mesmo assim, várias já ficaram presas ao leito do rio. Os comboios de grande porte - com mais de 2.29 metros de calado, que é a parte da embarcação que fica submersa - não tem condições de atravessar os pontos mais críticos onde há pedras e bancos de areia, que é o caso da eclusa da Usina Nova Avanhandava. A determinação passa a valer nesta sexta-feira (9) à meia-noite.

A seca representa mais do que dificuldade para navegar. Com a proibição, a direção da maior empresa que realiza o transporte de cargas pela hidrovia, e é responsável por dois terços das barcaças que fazem esse trabalho, anunciou o aviso prévio de 280 dos 350 funcionários, a partir da próxima semana.

Algumas barcaças já estão encalhadas e quatro milhões de toneladas de grãos e açúcar já precisaram ser transportadas por caminhões. Para desencalhar é preciso fazer uma operação chamada "onda de vazão". Para aumentar o nível da água nos reservatórios, é preciso que a usinas gerem energia. Quando as turbinas funcionam, a água é liberada. Somente com elas é possível seguir viagem. O problema é que os reservatórios estão sendo poupados por causa da estiagem.

A hidrovia agora opera com apenas 30% da capacidade. Com isso, o caminho para exportação da soja que segue do centro oeste para o Porto de Santos é bem mais difícil. A seca também atrasa a viagem das barcaças que tem que aguardar mais para passar pelas hidrelétricas. A viagem que durava sete dias agora só é feita em três semanas.

Para não encalhar, as barcaças têm viajado com apenas dois terços da capacidade. O resto da carga vai de caminhão, o que acaba sobrecarregando as rodovias do estado de São Paulo.

Para que a navegação continue, a hidrovia agora não depende apenas da chuva, mas também das usinas hidrelétricas. “É muito importante que agente tenha uma atenção para a elevação do nível do reservatório, no mínimo a manutenção desse nível para que a hidrovia continue funcionando. Se o setor elétrico não colaborar, a hidrovia pode parar”, alerta Caseiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário


08 maio 2014

Dinamarca estabelece meta de energia 100% limpa até 2050

Pioneiro em mudanças na matriz energética, país pretende utilizar somente fontes de energia renováveis. Para especialistas, medidas adotadas pelo governo dinamarquês podem servir de modelo para outros países europeus.


Helle Jeppesen | Deutsch Welle

Até 2050, a Dinamarca pretende produzir somente energia e calor limpos, eliminando as emissões de dióxido de carbono no setor. Para 2020, a meta é produzir cerca de 70% da energia a partir de fontes renováveis. Hoje, já são 43%.

"Atualmente, a energia renovável correspondente a 25% do consumo total de energia na Dinamarca", diz Kristoffer Böttzauw, vice-diretor da Agência de Energia Dinamarquesa, convencido de que é possível alcançar a meta prevista até 2050.

A Dinamarca é pioneira absoluta na União Europeia nesse setor, segundo Tobias Austrup, consultor político para mudança da matriz energética do Greenpeace na Alemanha. "Aqui fica claro ser possível que países europeus industrializados realizem uma verdadeira e rápida mudança energética", afirma.

Austrup vê a Dinamarca como modelo para a Europa. "Até a agora a mudança da matriz energética alemã, por exemplo, foi apenas no setor de energia elétrica", diz.

Segundo ele, há várias ideias dinamarquesas que poderiam ser implementadas na Europa: "A proibição do aquecimento com combustíveis fósseis e a ampliação da cogeração. Essas usinas são supereficientes. Elas utilizam o calor perdido na produção de energia elétrica para o aquecimento". Para Austrup, também é possível aprender sobre o uso de energia eólica com o país vizinho.

Parques offshore

Com 7.300 quilômetros de costa, as condições para a produção de energia eólica na Dinamarca são tão favoráveis como quase em nenhuma outra região europeia. O país fica entre dois mares – o do Norte e o Báltico – e, por isso, aposta na geração de energia eólica offshore, ou seja, no mar.

Um parque eólico com capacidade de geração de 600 megawatts está sendo construído na região de Kriegers Flak, no Mar Báltico. O parque é resultado de uma cooperação sueco-alemã-dinamarquesa e deve começar a produzir energia até 2020.

No ano passado, outro parque offshore com capacidade para a produção de 400 megawatts foi inaugurado próximo à ilha Anholt, situada no estreito de Kattegat, entre a Dinamarca e a Suécia. As turbinas eólicas foram fornecidas pela empresa alemã Siemens.

Entretanto, os parques offshore não são suficientes para alcançar a meta energética. Assim, usinas eólicas também estão sendo construídas em terra. No passado, iniciativas locais impediram a construção das cada vez maiores turbinas eólicas. Em 2008, o governo conseguiu o apoio da população com novas regras.

Primeiro, os moradores são indenizados diretamente, conta Böttzauw. Ou seja, quando uma casa perde valor imobiliário devido à instalação de uma turbina eólica, que pode ter até 150 metros de altura, a operadora precisa ressarcir o proprietário do imóvel por essa perda.

Além disso, pelo menos 20% dessa energia devem ser oferecidos localmente, possibilitando aos moradores uma participação direta no investimento. E há também um rateio por megawatt pago ao município, afirma Böttzauw. Por trazer vantagens diretas tanto para o município quanto para os moradores, a construção de turbinas eólicas passou a ser mais aceita pelas populações locais.

Transmissão e armazenagem

Na Dinamarca, o problema das linhas de transmissão foi resolvido com a construção de cabos subterrâneos. Böttzauw admite que a solução é cara, mas construir torres elétricas além das turbinas eólicas seria demais para a população. A energia elétrica produzida pelos parques offshore deverá ser distribuída pelo país por meio de três novas linhas de transmissão.

Segundo Böttzauw, o grande problema da extinção de fontes energéticas de origem fóssil está no setor de transporte. Uma parte dele poderia ser solucionada com carros elétricos. "Não dá para decidir quando há vento. Mas veículos elétricos podem ser usados para armazenar o excesso de energia eólica", reforça. Quando há pouca energia, a rede geral pode ser alimentada com a energia armazenada na bateria dos carros.

A Dinamarca também investe em grandes aquecedores elétricos e bombas de calor. Assim, a energia eólica excedente é transformada em calor. "Quando há bastante vento, não existe energia mais barata que a eólica", completa Böttzauw.

E quando não há vento suficiente, talvez haja sol. Por isso, a Agência de Energia Dinamarquesa está investindo cada vez mais em energia solar. O resto da demanda de energia pode ser suprida com biomassa, somada à economia e à eficiência. Os dados da agência falam por si só: desde 1980, a economia no país cresceu 78%, mas o consumo de energia permaneceu quase o mesmo.

Cooperação com a China

Na Dinamarca, o governo optou por um caminho diferente para rebater o argumento da falta de competitividade de fontes renováveis. As empresas recebem um subsídio se usam energia renovável e aumentam a eficiência energética. Em 2010, a tecnologia dinamarquesa no setor de energia representou cerca de 10% das exportações.

Para alcançar a liderança global nesse setor do futuro, o país investe em pesquisa e financiamentos para fontes renováveis, eficiência tecnológica e sistemas de aquecimento renováveis. Assim, entre 6 e 8 mil novos postos de trabalho deverão criados no país de 5,5 milhões de habitantes por ano.

A experiência do país escandinavo interessou até à China. Desde 2006, há uma cooperação intensiva entre esses dois países nesse setor, conta Böttzauw. Começou com energia eólica, e desde 2010 há um projeto conjunto para o desenvolvimento de fontes de energia renovável.

"A China tem um interesse grande nos nossos sistemas de aquecimento à distância e também em biomassa e parques eólicos offshore", diz Böttzauw. Os interesses econômicos são o ponto central da cooperação. "Nós fomos à China para ajudar a resolver os problemas energéticos e climáticos que acompanham o crescimento econômico."



Entre 100 maiores cidades do país, 34 não têm plano de saneamento básico

Levantamento foi feito pelo Instituto Trata Brasil este ano.
Decreto prorrogou prazo de obrigatoriedade do plano para o final de 2015.


Clara Velasco
Do G1, em São Paulo

Das 100 maiores cidades do país, 66 têm Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSB) para universalizar o serviço, segundo levantamento do Instituto Trata Brasil feito entre 24 de janeiro e 14 de abril, com base em dados fornecidos pelas prefeituras ou publicados nos diários oficiais. Nas outras 34 cidades analisadas, embora haja áreas com saneamento, os planos para atingir toda a população ainda estão em curso, em fase de contratação ou não há informações sobre o andamento do projeto.

A criação dos PMSB foi determinada em 2007 pela Lei n° 11.445, que estabelece diretrizes para que o país alcance a universalização dos serviços de saneamento básico.

Os planos devem abranger metas de curto, médio e longo prazos, diagnósticos e mecanismos de avaliações sistemáticas sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, e drenagem e manejo de águas pluviais urbanas.

Apesar de a lei ser clara quanto à necessidade de os PMSB contemplarem todos esses serviços, apenas 34 municípios brasileiros apresentaram o projeto em sua abrangência completa, de acordo com o levantamento do Trata Brasil.

Entre os 63 planos elaborados cujos componentes foi possível identificar, o esgotamento sanitário foi o mais contemplado (em 58 deles), seguido pelo abastecimento de água (55), manejo de resíduos sólidos (44) e drenagem urbana (35).

Além disso, apenas 12 dos PMSB apresentaram, além dos serviços, as demais exigências da legislação: estudos sobre a viabilidade econômica dos projetos e a presença de agências reguladoras – cujo papel é acompanhar o cumprimento dos planos.

"O grande desafio não é apenas elaborá-los, mas as prefeituras administrá-los, pois muitas não têm estrutura técnica para isso. Por isso, a presença das [agências] reguladoras é importante", diz Alceu Galvão, pesquisador do Trata Brasil.

Já entre as cidades brasileiras sem PMSB, a maioria (55,9%) estava com os planos em andamento, com previsão de conclusão até dezembro. Já 23,5% estavam com os projetos em fase de contratação. Em sete municípios, não foi possível identificar o andamento do processo.

Dos 100 municípios da amostra, que contam com mais de 260 mil habitantes e representam 40,3% da população brasileira, 49 estão na Região Sudeste, 20 no Nordeste, 16 no Sul, 8 no Norte e 7 no Centro-Oeste.

Legislação

De acordo com a lei, o prazo inicial para que todos os municípios do país tivessem o PMSB era dezembro de 2013. Em 21 de março deste ano, porém, um decreto presidencial prorrogou a data para 31 de dezembro de 2015.

De acordo com o decreto, após essa data, "a existência de plano de saneamento básico (...) será condição para o acesso a recursos orçamentários da União ou a recursos de financiamentos geridos ou administrados por órgão ou entidade da administração pública federal, quando destinados a serviços de saneamento básico".

Apesar de a maioria das grandes cidades do país ter um plano, o número ficou abaixo do esperado pelo instituto. "[Mesmo com a prorrogação], a nossa expectativa este ano era que todos os 100 maiores municípios que consultamos já tivessem cumprido seus deveres. Afinal, em janeiro, completaram-se sete anos da legislação, então há sete anos as cidades já sabiam da obrigatoriedade dos planos", afirma Galvão.

"Esses números trazem um alerta de que a velocidade que o país precisa para universalizar os serviços [de saneamento básico] está aquém do desejável. Afinal, não é apenas elaborar o plano, mas fazer com que ele se transforme em uma ferramenta de universalização", conclui o pesquisador.

Cidades com PMSB

Uberlândia - MG
Limeira - SP
Franca - SP
Piracicaba - SP
Campinas - SP
Florianópolis - SC
Juiz de Fora - MG
Mogi das Cruzes - SP
Mauá - SP
Itaquaquecetuba - SP
Juazeiro do Norte - CE
Canoas - RS
Santos - SP
Suzano - SP
Santo André - SP
Salvador - BA
Cascavel - PR
Pelotas - RS
Sorocaba - SP
São José dos Campos - SP
Curitiba - PR
Taubaté - SP
Praia Grande - SP
São Paulo - SP
Diadema - SP
São Vicente - SP
Guarujá - SP
Campos dos Goytacazes - RJ
Campo Grande - MS
Anápolis - GO
Cuiabá - MT
Aparecida de Goiânia - GO
Santarém - PA
Maringá - PR
Ponta Grossa - PR
São Bernardo do Campo - SP
São José dos Pinhais - PR
Petrolina - PE
Joinville - SC
Nova Iguaçu - RJ
São Luís - PA
Porto Velho - RO
Belém - PA
Ananindeua - PA
Belo Horizonte - MG
Serra - ES
Guarulhos - SP
Rio de Janeiro - RJ
Mossoró - RN
Blumenau - SC
Cariacica - ES
Londrina - PR
Porto Alegre - RS
Boa Vista - RR
Recife - PE
Paulista - PE
Olinda - PE
Foz do Iguaçu - PR
Betim - MG
Fortaleza - CE
Jundiái - SP
Ribeirão Preto - SP
Contagem - MG
Caruaru - PE
Osasco - SP
São João do Meriti - RJ

Cidades sem PMSB

Uberaba - MG
Montes Claros - MG
Brasília - DF
Vitória - ES
Goiânia - GO
Vitória da Conquista - BA
Ribeirão das Neves - MG
Campina Grande - PB
João Pessoa - PB
Feira de Santana - BA
Manaus - AM
Natal - RN
Caucaia - CE
Gravataí - RS
Rio Branco - AC
Teresina - PI
Niterói - RJ
São José do Rio Preto - SP
Volta Redonda - RJ
Petrópolis - RJ
Governador Valadares - MG
Bauru - SP
Caxias do Sul - RS
Carapicuíba - SP
Santa Maria - RS
Vila Velha - ES
Aracaju - SE
Belford Roxo - RJ
Maceió - AL
São Gonçalo - RJ
Várzea Grande - MT
Duque de Caxias - RJ
Jaboatão dos Guararapes - PE
Macapá - AP


Ooho, o recipiente comestível para armazenar água

Procedimento de esterificação feito com algas e cloreto de sódio questiona indústria de garrafinhas



eCycle

E se as garrafas plásticas simplesmente sumissem depois que você bebesse a água contida nelas? É mais ou menos essa a ideia por trás do projeto vencedor do concurso Lexus Design 2014, a "garrafa" Ooho.

Desenvolvida pelos estudantes de design Rodrigo Garcia Gonzalez, Pierre Paslier e Guillaume Couche, ela é uma espécie de bolha feita com algas e cloreto de sódio, por meio de um processo chamado de esterificação. O resultado é uma membrana gelatinosa que consegue reter a água em seu interior e é biodegradável, podendo ser ingerida, compostada ou destinada ao lixo comum (por ser biodegradável), após o uso.

Muito frágil? Pouco higiênica? Pode ser, mas o simples questionamento sobre a imensa quantidade de garrafinhas plásticas produzidas diariamente já é válido. Ah, e ela pode até ser feita em casa. Confira o vídeo abaixo:





Fundo criado por Google investirá US$ 250 mi para popularizar energia solar

Atualmente, tecnologia ainda é cara em diversas partes do mundo


eCycle

Você já pensou em gerar energia solar com painéis fotovoltaicos no telhado da sua casa? Se sim, sabe que não é tão simples assim. O preço do investimento, que no Brasil beira os R$ 20 mil, ainda é um empecilho a se considerar, mesmo que haja retorno no médio e longo prazo.

Por essa razão, o Google criou um fundo de US$ 250 milhões, em parceria com a fabricante de painéis SunPower, que torna a instalação desses sistemas mais barata para os norte-americanos.

Por meio do fundo (US$ 100 milhões do Google e US$ 150 milhões da SunPower), o Google compra os sistemas de painéis solares e os aluga aos proprietários de casas a um custo que é menor do que a fatura de eletricidade normal

Este é 16º investimento da gigante da internet em energia renovável e o terceiro em programas para instalação de painéis solares residenciais (os outros são com SolarCity e a Clean Power Finance). No geral, o Google já investiu mais de US $ 1 bilhão em projetos no setor em todo o mundo.

07 maio 2014

Parques nacionais no Brasil sofrem com falta de recursos

Falta dinheiro para infraestrutura básica, manutenção e pagamento de funcionários. Segundo ONU, visitantes poderiam render 1,8 bilhão de reais em turismo para regiões, mas só 18 dos 69 parques do país controlam entrada.


Clarissa Neher | Deutsch Welle

No início do ano, a fundação que administra o Parque Nacional Serra da Capivara anunciou a demissão de quase todos os seus cem funcionários. Desde então, eles trabalham sob aviso prévio. Se o dinheiro for liberado pelo estado do Piauí e pelo governo federal, eles terão o emprego garantido. Se não, uma área de 100 mil hectares, maior concentração de sítios pré-históricos das Américas e Patrimônio Cultural da Humanidade, vai ficar sem qualquer proteção.

A situação não é exclusiva da Serra da Capivara – ela se repete em todos os outros 68 parques nacionais brasileiros. Um estudo de 2008, feito pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, mostrou que os parques nacionais precisariam de um investimento de cerca de 189 milhões de reais em infraestrutura.

O estudo também projetou um valor que seria necessário somente para a manutenção anual dos parques: cerca de 49,6 milhões de reais, sem a despesa com funcionários. Segundo Rosa Trakalo, coordenadora de projetos da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), que administra a Serra da Capivara, não há verba para o pagamento dos salários e para manter as estruturas funcionando.

Ela explica que o orçamento, em parte público, era completado com patrocínio de empresas privadas e outras instituições. Mas os recursos foram sendo reduzidos, e agora a fundação tenta firmar novas parcerias.

"É difícil conseguir patrocínio de empresas privadas, pois elas alegam que o parque não tem visibilidade", conta Trakalo. De acordo com ela, a visibilidade é medida pelo número de visitantes, mas devido às dificuldades para o acesso ao parque, que fica no interior do estado do Piauí, as visitas não passam de 20 mil por ano.

Potencial bilionário

Mas um estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) mostrou que os parques nacionais têm potencial para gerar anualmente entre 1,6 e 1,8 bilhão de reais em turismo para as regiões, considerando as estimativas de fluxo de turistas projetadas para o país até 2016.

"Nem todos os parques terão a mesma demanda ou potencial de visitação, dada as condições de acesso e atrativos, mas esse potencial precisa ser identificado e desenvolvido para que essas áreas também cumpram a sua função de possibilitar maior integração entre as pessoas e a natureza", diz a especialista em políticas públicas do WWF-Brasil Mariana Napolitano e Ferreira.

Segundo ela, apenas 26 dos parques brasileiros estão abertos a visitação e somente 18 possuem um infraestrutura satisfatória, com controle de fluxo de visitantes e cobrança de ingressos.

Em parques onde houve investimentos para facilitar as condições de acesso e a região possuiu uma estrutura turística mais consolidada, o número de visitantes é maior. Em 2012, mais de três milhões de visitantes foram registrados somente nos Parques Nacionais da Tijuca, no Rio de Janeiro, e do Iguaçu, no Paraná.

Tanto os estudos do Pnuma e do Funbio como especialistas afirmam que uma parte do valor para a manutenção dos parques poderia vir da receita gerada pela cobrança de ingressos. Mas, para isso, os locais precisam ter uma infraestrutura básica, com centro de visitantes, banheiros, mapas, lanchonetes e trilhas sinalizadas.

"Sabemos que as Unidades de Conservação ainda não recebem recursos suficientes para arcar com todos os custos de manutenção", diz o estudo do Funbio.

Cortes no orçamento

O orçamento do ICMBio sofreu dois cortes em 2013. E ficou em torno de 516 milhões de reais. Do total, mais da metade é destinada para despesas fixas, como folha de pagamento dos servidores. Com o restante, o órgão tem que fazer malabarismo para pagar despesas básicas de todas as unidades de conservação do país, inclusive os parques.

"O Parque Nacional da Serra da Capivara não é exceção, é a regra. Eles estão mal, porque nunca foram prioridade política e a população, em geral, também não sabe bem o que é um parque nacional e seus importantes objetivos, em especial, na proteção da biodiversidade", opina Maria Tereza Jorge Pádua, membro da comissão mundial de Parques Nacionais da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

Além da falta de recursos, na maioria dos parques nacionais há um déficit de funcionários. "Existe um funcionário para 150 mil hectares e menos de um dólar por hectare. Parece brincadeira, mas é a situação. O que mais revolta é que o país gasta bilhões em estádios de futebol ou em uma hidrelétrica e não aplica recursos para a implantação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação", afirma Pádua.

Outro problema é a regularização fundiária. Mais da metade dos parques estão em situação irregular. Segundo Ferreira, a criação das unidades de conservação é um fenômeno recente no Brasil, surgida, em grande parte, nos últimos 30 anos.

"A criação destas novas unidades não foi acompanhada pelos investimentos na escala necessária a sua efetiva implantação. Nem mesmo a regularização fundiária, prioridade para implantar uma área, foi realizada em muitas unidades", afirma a especialista do WWF-Brasil.

Mas, apesar dos problemas, especialistas reforçam que a criação dessas áreas são fundamentais para a preservação dessas regiões. "Apesar de todas as dificuldades, uma vez criada essas unidades, oficializadas e reconhecidas, elas já cumprem um papel importantíssimo de frear as intervenções e perturbações no ambiente natural", reforça Luiz Paulo de Souza Pinto, diretor de biomas da ONG Conservação Internacional.

Procurado pela reportagem, o ICMBio não se manifestou até o fechamento da matéria.



Quase 90% da população urbana mundial respira ar poluído, alerta OMS

Relatório mostra que maioria das cidades do mundo apresenta níveis de poluição acima do limite estabelecido pela organização. No Brasil, entre os municípios avaliados, apenas Salvador ficou dentro dessa média.


Deutsch Welle

A qualidade do ar está piorando na maioria das cidades do mundo, revelou um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta quarta-feira (07/05). Quase 90% da população urbana mundial respira um ar cujo grau de poluição está acima dos níveis de segurança.

No Brasil, das 40 cidades analisadas, apenas em Salvador, na Bahia, a média anual de partículas inaláveis ficou abaixo do limite de 20 microgramas por metro cúbico estabelecido pela OMS.

"Em muitos centros urbanos, o ar está tão poluído que é impossível ver os prédios no horizonte", afirma a diretora-geral adjunta da OMS para a Saúde da Família, Criança e Mulher, Flavia Bustreo. É perigoso respirar esse ar, destaca.

O relatório mediu a poluição em 1.600 cidades de 91 países do mundo, entre 2008 e 2012, sendo a maioria dos dados de 2011. Somente 12% dos habitantes das cidades analisadas vivem dentro dos níveis de poluição seguros estabelecidos pela OMS.

Cerca da metade da população urbana monitorada vive em regiões onde os níveis ultrapassam pelo menos 2,5 vezes o limite, acarretando grandes riscos para a saúde. As regiões mais poluídas ficam na África e na Ásia. A média mundial de partículas inaláveis registrada ficou em 71 microgramas por metro cúbico.

Metrópoles brasileiras como Brasília, Recife, Manaus e Porto Alegre não constam no relatório.

Acima do limite

Na América Latina, a média ficou em 51 microgramas por metro cúbico. No Brasil, as cidades mais poluídas são Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, onde foi registrada uma concentração de 81 microgramas por metro cúbico, seguida pelo Rio de Janeiro (67 microgramas por metro cúbico) e Belo Horizonte (52 microgramas por metro cúbico).

Entre as cidades brasileiras incluídas no estudo, as de ar mais limpo são Salvador da Bahia (17 microgramas por metro cúbico), Marília (21 microgramas por metro cúbico) e Presidente Prudente (22 microgramas por metro cúbico), ambas em São Paulo.

O aumento da concentração de partículas inaláveis no ar está ligado ao uso de combustíveis fósseis, o aumento dos veículos motorizados nas cidades, a utilização ineficiente da energia em habitações e à utilização de biomassa para o aquecimento e na cozinha.

Em 2012, a poluição do ar foi responsável pela morte de cerca de 3,7 milhões de pessoas abaixo dos 60 anos, segundo a OMS. O elevado número de partículas sólidas finas e pequenas é associado ao aumento de morte por doenças cardíacas e respiratórias, acidente vascular cerebral (AVC) e câncer.

Mais bicicletas, menos carros

Para a OMS, é possível mudar o quadro atual. "Podemos vencer a luta contra a poluição do ar e reduzir o número de pessoas que sofrem de doenças respiratórias e cardíacas, além de câncer de pulmão", afirma a diretora de Saúde Pública da organização, Maria Neira.

A especialista cita como exemplo a capital colombiana, Bogotá, que conseguiu melhorar a qualidade do ar ao aprimorar significativamente o transporte coletivo e a oferta para ciclistas e pedestres. Copenhague, capital da Dinamarca, também atingiu bons resultados ao incentivar o uso da bicicleta.

Segundo a OMS, políticas públicas voltadas para melhorar o transporte coletivo, incentivar o uso da bicicleta, reduzir a utilização de carvão para aquecimento e promover a produção de energia a partir de fontes renováveis são essenciais para melhorar a qualidade do ar nas cidades.


Sabesp descumpriu condições para operar Cantareira, diz parecer do MP

Companhia atrasou planos e não instalou monitoramento no Rio Piracicaba.
Plano de contingência não contemplou emergências por seca, diz documento.


Araripe Castilho
Do G1 Piracicaba e Região

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que opera o Sistema Cantareira, descumpriu uma série de exigências estabelecidas em 2004 para a outorga de captação de água nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), segundo um parecer técnico emitido pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema), do Ministério Público Estadual (MPE) em Piracicaba. A Sabesp afirmou que ainda não foi notificada oficialmente sobre o documento.

Entre as condições desrespeitadas pela concessionária, estão prazos para revisão de estudos hidrológicos e entrega do plano de contingência para situações emergenciais, além da não implantação, manutenção e operação de estações de monitoramento e da inexistência de ações para reduzir a dependência do Cantareira no abastecimento da Grande São Paulo.

Um inquérito civil do Gaema acompanha o processo de renovação da outorga. A autorização de uso das bacias vence em agosto. Devido à crise hídrica no estado de São Paulo, as negociações que seriam feitas em 2014 foram suspensas no início do ano, e não há previsão para serem retomadas.

A promotora Alexandra Facciolli Martins, do MPE, disse que a prioridade do inquérito é garantir que a nova outorga dê segurança às bacias PCJ. Apesar disso, segundo ela, não estão descartadas ações para tentar punir os eventuais responsáveis pelo descumprimento das obrigações previstas há dez anos.

Emergência só em cheias

Segundo o parecer técnico incluído no inquérito do MPE, a Sabesp entregou um plano de contingência para represas do Sistema Cantareira com dois anos e meio de atraso e, ainda assim, o documento não contemplou as situações de emergência para períodos seca, como previa a portaria de 2004 do Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee).

A análise técnica da promotoria cita como situação de emergência e de "risco iminente para o meio ambiente" a mortandade de peixes ocorrida no Rio Piracicaba em fevereiro, devido à baixa vazão da água. Contudo, segundo o parecer, o plano de contingência adotado pela Sabesp, com aprovação do Daee e da Agência Nacional de Águas (ANA), "restringe-se apenas aos eventos extremos em períodos de cheias, com ênfase ao risco para estruturas hidráulicas". Ainda conforme o MPE, a obrigação que era da Sabesp de elaborar o plano de contingência foi "transferida" para os Comitês das Bacias PCJ há três meses.

Monitoramento

Outra exigência feita à Sabesp em 2004 era implantar, manter e operar estações de monitoramento contínuo dos níveis de água em pontos de controle do sistema. O parecer técnico da promotoria afirma que há equipamentos instalados e operados com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), mas destaca que a Sabesp "não participou em quaisquer das etapas de implantação, manutenção e operação das estações de monitoramento contínuo do Rio Piracicaba", que é um dos afluentes do Cantareira.

Dependência

Estudos apresentados pela companhia de saneamento para redução da dependência do sistema, segundo exigências feitas em 2004, foram reprovados pelo Daee e pelo governo paulista, apontou o parecer técnico. Em 2008, o estado criou um grupo de trabalho para propor alternativas de aproveitamento de água na Macrometrópole de São Paulo. Os resultados eram previstos para maio de 2009, de acordo com o MPE.

Após quatro anos, em agosto de 2013, foi apresentada a minuta do Plano Diretor de Aproveitamento de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista. O parecer técnico do Ministério Público Estadual conclui que "não existe nenhuma ação concreta para que a Sabesp reduza, de fato, a dependência do Sistema Cantareira através da redução das vazões outorgadas".

Sabesp, Daee e ANA

A Sabesp informou, por meio de nota, que ainda não foi notificada pela promotoria sobre o parecer técnico. A mesma resposta foi dada pelas assessorias do Daee e da ANA, também em nota. Apesar do entendimento do Ministério Público Estadual de que houve descumprimento das condições para a outorga de 2004, a promotora Alexandra afirmou que o Daee e a ANA entendem que não houve falhas da Sabesp no cumprimento das obrigações.


Represa Jaguari-Jacareí no interior de São Paulo, na divisa com sul de Minas Gerais. Responsável pelo abastecimento de metade de toda a Grande São Paulo, o sistema Cantareira registrou nesta quarta-feira, 30, novo recorde negativo (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)

Represa Jaguari-Jacareí, do Sistema Cantareira, no dia 30 de abril (Foto: Luis Moura/Estadão Conteúdo)

Histórico da outorga

A primeira autorização para retirada de água das bacias PCJ foi feita em 1974, com vigência de 30 anos e permissão para captação máxima de 33 metros cúbicos por segundo. Em 2004, a outorga foi renovada por mais uma década, e houve a redução da vazão permitida para os atuais 31 metros cúbicos por segundo.

Em 2013, no início dos debates sobre a nova outorga, os Comitês PCJ encaminharam uma proposta para que a vazão nas cidades do interior paulista suba de 5 para pelo menos 8 metros cúbicos por segundo na nova fase.


Volume de água do Sistema Cantareira cai abaixo de 10% pela primeira vez

O nível do sistema, criado na década de 1970, era de 9,8% nesta terça-feira, bem abaixo dos cerca de 62% no mesmo período do ano passado


Correio do Brasil
Por Redação, com Reuters - de São Paulo

O volume de água armazenado do Sistema Cantareira recuou pela primeira vez para abaixo de 10% nesta terça-feira, mantendo tendência de esgotamento do mais importante conjunto de represas para o abastecimento dos cerca de 9 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo.

O nível do sistema, criado na década de 1970, era de 9,8% nesta terça-feira, bem abaixo dos cerca de 27 % do início do ano e dos 62% exibidos um ano antes, segundo dados da companhia de águas do Estado, Sabesp.

Na véspera, o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), voltou a descartar racionamento de água, apesar do baixo nível do sistema, e afirmou que multa para quem aumentar o consumo de água na região metropolitana pode começar a valer a partir das contas de maio.

A Sabesp, que está reduzindo a captação de água do Cantareira, está investindo cerca de R$ 80 milhões para a construção de 17 bombas que vão sugar água do fundo das represas, abaixo do nível da captação das comportas.

A empresa está fazendo transferência de água dos sistemas de armazenagem Alto Tietê, que está com nível de 34,8% ante 65,7 % um ano atrás, e Guarapiranga, que mostra 76,5% de capacidade ocupada ante 87,9% no mesmo período de 2013.

Além disso, a companhia estendeu até o final do ano e para todas as 31 cidades que atende na região metropolitana do Estado programa de desconto em contas de quem reduzir o consumo de água em 20% sobre a média dos últimos 12 meses.

Seco

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) afirma que não há previsão de chuvas significativas para a região do Cantareira nos próximos dias, em um momento em que o país ingressa em temporada normal de baixa pluviosidade que costuma se estender até setembro.

Segundo o meteorologista Gustavo Escobar, do CPTEC, chuvas significativas podem até cair na região do Canteira em junho e julho, mas devem ser episódios esporádicos e insuficientes para a recomposição do volume de água.

- Estamos dentro da normalidade agora. Este período, até o final de agosto, chove muito pouco na região (…) Nunca foi tão seco quanto este ano”, afirmou o meteorologista que trabalha há 11 anos no centro. “Agora é difícil que se normalize a situação dos reservatórios. Mesmo tendo chuvas atípicas não deve ser suficiente para reverter situação – afirmou.

Para a presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), Jussara Cabral Cruz, a adoção de racionamento do consumo de água em algum nível seria prudente diante das incertezas geradas por previsões climáticas de longo prazo, que dependem de múltiplas variáveis.

- Não podemos afirmar que vai chover em setembro. No Nordeste, por exemplo, a região está no terceiro ano de estiagem (…) É importantíssimo que se pense em racionamento em algum nível, por menor que seja – afirmou a especialista em recursos hídricos e saneamento ambiental.

Em seu blog, Maria Frô, a professora Conceição Oliveira abordou o sucateamento da Sabesp:

“Enquanto os paulistas estão vivendo um grande racionamento, porque o governo tucano sucateou a Sabesp, durante mais de 20 anos não trocando tubulações e a água tratada escorre literalmente pelo cano, o PAC, um dos programas do governo Lula e PAC 2 do governo de Dilma Rousseff, já tem 92% de suas obras ou concluídas ou em execução próximas de conclusão. Os 8% restantes esperam licitação nos estados e municípios. 69% do PAC foram obras de saneamento básico. Ou seja, foi preciso eleger um ex-operário para de fato passar a ter uma política pública de saúde que fornecesse um direito básico aos brasileiros: acesso à esgoto e direito de água tratada para consumo.

“Proteja-se, informe-se! E você não conseguirá informação de qualidade lendo a mídia bandida. Consulte o Portal da Transparência, consulte as fontes oficiais e compare os dados, leia a mídia independente que tem lado sim, o do povo brasileiro e não o do capital. Não permita que te enganem, porque esta mídia velha, bandida, tem um único interesse: manter seu monopólio midiático, tornar-se Estado”, concluiu.


Risco de racionamento de energia elétrica é seis vezes menor que em 2001, diz ministério

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann afirmou que não há necessidade de medida adicional para garantir o fornecimento diante dos baixos níveis dos reservatórios


Correio do Brasil
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro

O risco de racionamento de energia elétrica no Brasil é seis vezes menor do que em 2001, afirmou nesta terça-feira o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Representando o ministério no Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico, que começou nesta terça no Rio, Zimmermann afirmou que não há necessidade de medida adicional para garantir o fornecimento diante dos baixos níveis dos reservatórios.

- O sistema na época estava desequilibrado. Hoje, ele é equilibrado e qualquer um pode observar (na comparação da série histórica) que os riscos chegavam a ser seis vezes maiores do que são agora – disse o ministro, ao acrescentar que amanhã, na reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico, serão divulgados mais detalhes sobre os riscos de déficit no sistema elétrico, após o fim do período chuvoso.

Zimmermann antecipou que o risco de déficit na série histórica em maio deste ano está em 3,7%, enquanto em 2001 a possibilidade chegou a 24,7%. Na série sintética, o risco está em 6,7%, enquanto em 2001 os dados indicavam 18,7%.

No Nordeste, onde o risco em maio de 2001 chegou a 44,4% na série histórica, o valor atual é zero. Na série sintética, a diferença é semelhante, de 44% para 1,9%.

Para 2015, Zimmermann afirma que também não há necessidade de medidas diferentes: “pelos dados de maio, também não está caracterizada nenhuma situação além do alerta atual”.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, fez uma avaliação parecida com a de Zimmermann, ao mencionar que o aumento da capacidade instalada e a diversificação da matriz energética contribuem para o menor risco, apesar da situação climática semelhante.

- Temos uma situação estrutural totalmente distinta de 2001 – disse o presidente, que destacou ainda a capacidade das linhas de transmissão, que dobrou: “Em 2001, sobrou energia no Sul, mas não havia capacidade de transmiti-la para o Sudeste. Aumentou-se enormemente a capacidade de intercâmbio entre as regiões.”


Rio: Manifestantes protestam contra fim de projetos ambientais

Os projetos Fábrica Verde, Eco Buffet, EcoModa, e Comunidades Verdes foram encerrados pelo atual secretário estadual do Ambiente, Carlos Portinho, sem nenhuma justificativa


Correio do Brasil
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro

Cerca de 30 pessoas, entre funcionários, alunos e simpatizantes de projetos da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), fizeram uma manifestação nesta terça-feira contra o encerramento das atividades dos programas implementados para os moradores das comunidades da Ladeira dos Tabajaras, na Zona Sul, e do Fogueteiro, na região central da capital Fluminense.

O protesto aconteceu na calçada em frente a sede da SEA, na zona portuária da cidade, e contou com cartazes, bateria de samba e um carro de som. De acordo com osmanifestantes, os projetos Fábrica Verde, Eco Buffet, EcoModa, e Comunidades Verdes foram encerrados pelo atual secretário estadual do Ambiente, Carlos Portinho, sem nenhuma justificativa.

- Esse projeto, no núcleo do Fogueteiro, pegou, especificamente, as pessoas de mais idade. Elas foram profissionalizadas, tiveram um curso e assim que começaram a engrenar, a nova gestão resolveu encerrar o projeto sem dar nenhuma explicação: ‘não deixem mais ninguém vir porque vocês não recebem mais salário a partir de hoje’ – explicou a coordenadora do projeto Comunidades Verdes, Cintia Luna.

Segundo Cintia, o projeto na comunidade do Fogueteiro começou em outubro de 2012 e foi renovado em 2013, com término previsto para outubro de 2014. Porém, por meio de um telefonema da SEA, o programa foi encerrado no dia 10 abril. Esses projetos realizados nas duas comunidades envolviam mais de 100 pessoas. O Fábrica Verde, por exemplo, lidava com reciclagem de tecnologia para montagem de novos computadores e também oferecia qualificação e montagem e manutenção de equipamentos. O EcoBuffet oferecia curso em técnica de culinária com aproveitamento integral de alimentos, como biscoitos; o EcoModa, oferecia formação em corte e costura e desenho de moda com modelagem, além de utilizar retalhos e sobras de tecidos para a criação de bolsas, roupas e acessórios.

- Ele (o projeto) estava profissionalizando as pessoas de dentro da comunidade, resgatando lixões e transformando em jardins comunitários, que eram cuidados pelas pessoas. Hoje, sem esse projeto, a gente não tem como remunerar as pessoas para cuidarem desses jardins, que vão voltar a ser lixões. Foi muito antiético. Eles deveriam explicar o porquê do encerramento do projeto – concluiu.

Até o fechamento desta matéria, a Secretaria Estadual do Ambiente não atendeu à Agência Brasil para se posicionar sobre as denúncias feitas pelos moradores.



06 maio 2014

Área de árvore incendiada no AM deve levar 300 anos para se recuperar

Árvore queimada teve idade estimada em 500 anos e media 35 metros.
Segundo botânico, este é o primeiro caso do tipo registrado no Amazonas.


Adneison Severiano
Do G1 AM

Trezentos anos. Esse é o tempo que a área degradada pelo incêndio de uma árvore centenária na Reserva Florestal Adolfo Ducke (RFAD), em Manaus, precisa para se recuperar dos prejuízos causados pelo fogo à vegetação do local. A estimativa é do botânico do Museu da Amazônia (Musa), Mário Fernandez. A árvore de cerca de 45 metros de comprimento e 500 anos de vida foi destruída pelas chamas supostamente durante um ritual religioso realizado na madrugada de sábado (3).

Da espécie Angelim-pedra, a árvore foi encontrada com a parte interna do tronco em chamas. Uma equipe do Corpo de Bombeiros apagou o fogo na parte externa, no sábado (3), mas não conseguiu conter focos no interior do tronco. Na manhã desta segunda-feira (5), equipes ainda estavam no local para conter focos de brasa na estrutura da árvore e impedir que o fogo voltasse a se alastrar.

Na avaliação do botânico do Musa, a área da reserva afetada com o incêndio da árvore vai precisar de, pelo menos, 20 anos para se regenerar inicialmente a partir das plantas de recomposição. Ele estima que o local deve voltar a ter a mesma vegetação de antes do incêndio no período de cem a 300 anos. "A árvore sozinha já é um ecossistema. Uma desse porte tem outros seres vivos que dependem dela, como plantas parasitas e não-parasistas, além de animais que utilizavam da estrutura da árvore, como as aranhas. Assim, a perda é maior. Essa árvore fazia sombra para várias plantas ao redor. Nos próximos 30 dias haverá mortalidade de plantas nessa área por causa do excesso de luminosidade que vai entrar na área. Algumas plantas não vão resistir", disse. Esse é o primeiro caso do tipo registrado no Amazonas, segundo Mário Fernandez.

Ainda de acordo com o botânico, a árvore poderia chegar a mais de mil anos de vida. "É possível que a idade seja maior que 500 anos. Ficou difícil fazer a verificação de idade, porque os anéis de crescimento foram queimados, o que impossibilita algum especialista estimar precisamente a idade dela, isso acaba atrapalhando a verificação. Uma árvore dessa espécie chega a ter um tempo de vida de mais de mil anos", informou.

Inicialmente, funcionários do Musa estimavam que a árvore tivesse cerca de 35 metros de altura. Após a árvore tombar no domingo (4), uma nova avaliação da espécie apontou que a árvore destruída tem cinco metros de circunferência, 45 metros de comprimento, incluindo galhos. São 25 metros somente de tronco.

Entenda o caso

A centenária árvore da espécie Angelim-pedra foi encontrada com a parte interna do tronco em chamas. Uma equipe do Corpo de Bombeiros apagou o fogo na parte externa, mas não conseguiu conter focos no interior do tronco. Velas coloridas e alimentos foram encontrados no local.

O Corpo de Bombeiros foi acionado logo após a descoberta da árvore em chamas. Uma equipe da corporação apagou o fogo. Entretanto, no fim da tarde de sábado, o G1 esteve no local e constatou que ainda havia focos de fumaça e brasas no interior do tronco. "O âmago da árvore continuou sendo consumido pela brasa mesmo após a intervenção dos bombeiros. É lamentável, mas a árvore não sobreviverá e o risco agora é que ela continue queimando, atingindo as demais árvores da mata", explicou a monitora do Musa, Larissa Rodrigues, na ocasião.

A Reserva Florestal Adolpho Ducke tem uma área de aproximadamente 10 mil hectares. O local tem igarapés e trilhas em meio à mata fechada. A RFAD é administrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Duas empresas terceirizadas são responsáveis pela segurança da reserva. Porém, há apenas três vigilantes na área, sendo um na guarita da reserva, um no Posto Sabiá 1 e outro segurança no Posto Sabiá 3.


Angelim Pedra foi completamente consumido pelas chamas (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)Angelim Pedra foi completamente consumido pelas chamas (Foto: Marcos Dantas/G1 AM)

Ave usa algodão com pesticida para fazer ninho e elimina ameaça parasita

Pássaros das Ilhas Galápagos são ameaçadas por larvas de moscas.
Pesquisadores deixaram algodões com pesticida perto de locais de ninhos


Reuters

Cientistas desenvolveram um método curioso para ajudar pássaros ameaçados nas Ilhas Galápagos a se defender contra uma ameaça parasita.

Os tentilhões-de-Galápagos - pássaros famosos por terem inspirado Charles Darwin a criar a teoria da evolução por seleção natural - são frequentemente ameaçados por larvas de moscas parasitas que matam os filhotes nos ninhos.

O que os pesquisadores fizeram foi colocar bolas de algodão com um suave pesticida perto de onde os pássaros faziam seus ninhos. Os pássaros pegavam pedaços do algodão com seus bicos e os incorporavam aos ninhos, matando as larvas de moscas sem prejudicar seus filhotes. A descoberta foi publicada na revista "Current Biology"

O pesticida escolhido foi a permetrina, geralmente usado para tratar piolhos em pessoas. Ele também é capaz de matar a espécie de mosca Philornis downsi, aparentemente introduzida involuntariamente por pessoas nas Ilhas Galápagos. Essa espécie tem sido responsabilizada pelo declínio dos tentilhões-de-Galápagos, incluindo duas espécies ameaçadas.

"Esse parasita não era encontrado nas Galápagos historicamente, por isso os tentilhões-de-Galápagos não tiveram tempo de desenvolver defesas contra os parasitas", disse o biólogo Dale Clayton, da Universidade de Utah, um dos autores do estudo.

As moscas provavelmente chegaram às ilhas a bordo de navios ou aviões. O problema foi notado pela primeira vez em 1997. As moscas põem ovos nos ninhos dos pássaros e, ao nascerem, as larvas se alimentam do sangue dos filhotes e de suas mães.

"Atualmente, não há métodos de combater efetivamente o parasita", diz a pesquisadora Sarah Knutie, também na Universidade de Utah.

A pesquisa mostrou que, quando os pássaros usaram pedaços de algodão com pesticida, a quantidade de larvas reduziu para ao menos a metade. Nos ninhos em que a quantidade de algodão com pesticida chegava a um grama, quase todos ficaram completamente livres do parasita.


04 maio 2014

Peru: vulcão expele pedras incandescentes do tamanho de um carro

Voz da Rússia

Pesquisadores do Observatório Vulcanológico da cidade de Arequipa (sul do Peru) informaram neste sábado que o vulcão Ubinas expulsou rochas de grande tamanho nos últimos dias e recomendaram às autoridades que apressem a retirada dos habitantes da região.

"Algumas rochas são do tamanho de um automóvel Volkswagen, e, ao se chocarem com a superfície terrestre, deixam grandes buracos, de até um metro e meio de profundidade, a uma distância de dois quilômetros do vulcão", disse à imprensa o coordenador do Observatório, Jersy Marino.

Ele explicou que são rochas incandescentes e que as explosões vão continuar, motivo pelo qual se recomenda às autoridades evacuar a população próxima ao vulcão.

Segundo Marino, a lava fundida sai como um projétil e pode alcançar zonas povoadas.

Há algumas semanas, brigadas de socorristas retomaram a retirada dos moradores do povoado de Querapi, que fica perto do vulcão Ubinas (cerca de 4 km), na zona andina da região de Moquegua.

Muitos moradores resistem, porém, a deixar suas casas, afirmou Marino.