19 abril 2014

Macacos-prego 'invadem' rodovia Marechal Rondon em Araçatuba

Segundo a polícia, animais são atraídos por alimentos dados por motoristas.
Nenhum acidente foi registrado e macacos voltaram para reserva.


Do G1 Rio Preto e Araçatuba

Dezenas de macacos-prego foram flagrados às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na tarde de sexta-feira (18), em Araçatuba (SP). Os animais vivem em uma reserva da mata atlântica localizada ao lado do campus da Faculdade de Odontologia da Unesp, próxima à estrada.

A Polícia Rodoviária diz que que os macacos costumam “passear” pelas margens da pista no sentido capital-interior, atraídos por alimentos – há um pé de manga ao lado da base da corporação – e pela curiosidade dos motoristas que trafegam na região.

Ainda segundo a polícia, a presença de macacos-prego no acostamento da rodovia chega a ser corriqueira na região. Viaturas foram acionadas para evitar acidentes e os animais retornaram para a mata.


Macacos chegaram a invadir a pista no sentido interior (Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região)Macacos chegaram a invadir a pista no sentido interior (Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região)
Motoristas e curiosos aproveitaram para dar comida aos macacos (Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região)Motoristas e curiosos aproveitaram para dar comida aos macacos (Foto: Valdivo Pereira/Folha da Região)

18 abril 2014

Disputa pela água entre São Paulo e Rio de Janeiro causa preocupação

Pela primeira vez na história do Brasil, São Paulo e Rio de Janeiro tornaram pública a disputa pela água
A questão não foi resolvida e mexe com os interesses da região mais populosa e economicamente importante do país



André Trigueiro | Cidades e Soluções


Assista ao programa aqui



Crise da energia elétrica: Brasil corre risco de novos apagões e de racionamento

O consultor Mário Veiga, que tem uma das mais respeitadas consultorias de energia do mercado, acha que é “recomendável” que o governo decrete racionamento a partir de maio.


Miriam Leitão | GloboNews

O consultor Mário Veiga, que tem uma das mais respeitadas consultorias de energia do mercado, acha que é “recomendável” que o governo decrete racionamento a partir de maio. Sabe que isso não será feito e o risco é o de que se chegue ao fim do ano com apenas 10% de água nos reservatórios, o que seria uma situação “desesperadora” e forçaria um racionamento mais drástico.

Veiga, em entrevista que me concedeu na Globonews, deu um número assustador para a conta que está se acumulando entre 2013 e 2014 pela decisão da presidente Dilma de reduzir o preço da energia:

— Em 2013, a compensação pela redução ficou em R$ 18 bilhões, sendo que R$ 10 bilhões serão pagos pelo consumidor a partir do ano que vem, o resto o contribuinte pagou através de subsídios do Tesouro. Em 2014, serão R$ 10 bilhões do Tesouro e mais empréstimos às distribuidoras entre R$ 12 bi a R$ 24 bi. Ao todo, a conta chega a R$ 50 bilhões no pior cenário, e isso será pago em parcelas em cinco anos, o que dá 7% de aumento real por ano sem falar em outros custos.

A situação chegou nesse ponto por vários motivos. Um deles é que o governo errou e não fez os leilões necessários para permitir que as distribuidoras contratassem toda a energia que têm que fornecer:

— As distribuidoras têm zero de culpa. O governo falhou ao não fazer o leilão. Pela lei, as empresas têm que comprar em leilão toda a energia que vão vender. É como se fosse assim: como vai chover, a pessoa tem que comprar guarda-chuva. A lei manda que todos tenham guarda-chuva. Sempre houve pequenos problemas, mas que as distribuidoras pagavam e depois, no reajuste anual da tarifa, se compensavam. Só que agora houve um grande vencimento de contratos. Uma quantidade brutal de energia ficou sem contrato. Venceram 8.600 megawatts médios.

Isso desequilibrou as empresas financeiramente, porque elas têm que pagar um custo muito maior do que podem cobrar dos consumidores:

— Elas foram ao governo e disseram que iriam quebrar. O custo é de R$ 10 bi e isso é mais do que toda a renda das empresas somadas.

Mário Veiga disse que há um mistério no setor de energia: mesmo em anos em que a hidrologia é boa e começa-se com um nível alto nos reservatórios — isso aconteceu em 2010 e 2012 — o ano termina com baixo volume de água nos reservatórios. Ele fez cálculos, simulou o que houve em anos anteriores e como deveria ter se comportado o nível de água. Pelo modelo do governo, dá sempre mais do que realmente há de água poupada:

— Diante de um mistério como esse, tem que se fazer como Sherlock Holmes: eliminar todas as causas impossíveis e aí a causa possível é a mais provável.

A causa possível é que as hidrelétricas estão gastando mais água para gerar o volume previsto de energia:

— Alguns reservatórios são enormes, maiores que a Baía de Guanabara, e se medem calculando a profundidade. Mas é necessário atualizar o cálculo do fundo do reservatório porque pode haver assoreamento e sedimentos. Há décadas ninguém atualiza essas contas.

Então, mais do que não fazer investimento em aumento da eficiência das atuais hidrelétricas, o governo não tem sequer feito análises para saber quanto de água realmente há nos reservatórios e qual a dimensão deles. Toma como garantido a situação inicial desses reservatórios. Veiga compara o comportamento a uma pessoa que compra um carro zero que faz 30 quilômetros por litro e que com o passar do tempo perde eficiência, mas o dono continua contando com aquele mesmo consumo:

— O comportamento das hidrelétricas, a água que elas gastam para produzir cada MWh é maior do que está nas projeções oficiais.

Ele disse que é possível ver esse desequilíbrio avaliando as projeções do governo nos anos recentes em que, mesmo quando a situação estava normal, a queda de água foi maior do que o previsto. Este ano, piorou.

— Este ano, a situação está ruim. Vamos chegar ao fim de abril com 37% de água armazenada nos reservatórios. Numa análise de 18 anos, este é o segundo pior número. Só superado por 2001, o ano em que houve aquela coisa que não se pode falar a palavra.

Ele acha que seria prudente o governo começar a falar a palavra racionamento e no próximo mês, mas sabe que ele não será prudente. Isso aumenta a conta hidrológica e financeira para 2015. Até 2020 estaremos pagando essa conta.



17 abril 2014

Fechamento das comportas de Três Marias esvazia leito do São Francisco

Em BH, chuvas dos últimos dias causaram inundações, prejuízos e morte


Por Luiz Ribeiro | Portal do Meio Ambiente

Enquanto Belo Horizonte e a região metropolitana enfrentam temporais, inundações e alagamentos, como os ocorridos na capital na terça, na quarta e na quinta-feira, em alguns locais no Norte de Minas o leito do Rio São Francisco está praticamente seco, em decorrência da redução da vazão da Usina de Três Marias. A diminuição do volume de água liberado pelas comportas da represa, determinada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), criou um cenário de desolação que moradores mais antigos da região afirmam nunca ter visto desde a inauguração da usina, em 1962.

Em Pirapora, o problema é mais grave e visível nas chamadas duchas do Rio São Francisco, localizadas próximo à histórica ponte Marechal Hermes e consideradas uma atração turística do município. A drástica diminuição do volume do Velho Chico gera danos ambientais, ameaçando a sobrevivência dos cardumes. Também dificulta a navegação e provoca outra apreensão: a possibilidade de comprometer a captação de água para o abastecimento da cidade.



O leito do São Francisco está praticamente seco em alguns trechos em Pirapora, como nas proximidades da histórica ponte Marechal Hermes

A situação piorou devido à falta de chuvas nos últimos três meses. De acordo com o Centro de Climatologia (Climatempo) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), o índice pluviométrico na região de Três Marias no primeiro trimestre foi o pior dos últimos 10 anos, em torno de 150 milímetros, enquanto a média histórica no período varia de 300 a 400 milímetros. Por conta da falta de chuvas, o reservatório de Três Marias está com apenas 19% de sua capacidade. A ordem do ONS levou à redução da vazão da usina de 500 mil litros por segundo para 250 mil. E o pior ainda está por vir, pois já há orientação para que a partir do dia 15 a vazão passe para 200 mil litros por segundo. O quadro só vai melhorar quando voltar a chover. Porém, segundo o serviço de meteorologia, pelo menos para este mês não existe previsão de quantidade de chuvas suficiente para reverter a situação.

Pirapora , cidade com cerca de 51 mil habitantes, sofre mais com os efeitos da diminuição da vazão de Três Marias por causa da sua localização, a apenas 168 quilômetros da represa. No trecho entre a hidrelétrica e o município, o São Francisco recebe água de apenas um afluente de maior porte, o Rio Abaeté. Outro fator negativo é que, com a vizinha Buritizeiro, o município fica situado acima da foz do Rio das Velhas, um dos principais afluentes da margem direita do Velho Chico. Assim, as chuvas em algumas áreas, como a Região Metropolitana de Belo Horizonte, contribuem para melhorar a vazão do Rio das Velhas e chegam ao São Francisco, mas não beneficiam o município.

“Estamos muito preocupados. Se não chover nos próximos dias, a situação vai piorar e o impacto no turismo será muito grande”, alerta Anselmo Matos, presidente da Empresa Municipal de Turismo de Pirapora (Emutur). Morador de Pirapora, o ambientalista Roberto MacDonald salienta que a redução da vazão ameaça a vida no Velho Chico, diminuindo a quantidade de peixes. Ele frisa que as lagoas marginais servem para a reprodução dos peixes da bacia. “Mas, neste ano, muitas lagoas estão secando com os peixes dentro delas. Isso será uma catástrofe. Os cardumes estão sendo dizimados de forma gradativa”, diz MacDonald. “A vazão do São Francisco foi reduzida de tal forma que, nos lugares em que o rio tinha 700 metros de largura, hoje está com 200 ou 300 metros”, observa o ambientalista.

ABASTECIMENTO EM RISCO 


A situação também é muito preocupante no que diz respeito ao abastecimento de água em Pirapora. O diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) do município, Esmeraldo Pereira Santos, disse que já estão sendo enfrentadas dificuldades para captar a água do rio. Ele informou que, com a redução da vazão do São Francisco, o SAAE teve que fazer alguns serviços emergenciais, como a limpeza e desassoreamento do canal onde a água é recolhida. “Estamos no nosso limite. A situação é gravíssima. Se não chover e o volume liberado baixar para até 200 metros cúbicos por segundo, o abastecimento de Pirapora será comprometido”, disse Esmeraldo. Ele lembra que cerca de 70% da população da cidade (aproximadamente 40 mil pessoas) são abastecidos com água retirada do Rio São Francisco.

Além de Pirapora, outros municípios do Norte de Minas estão tendo dificuldades causadas pela determinação do ONS de diminuir a vazão de Três Marias. Em praticamente toda a extensão do rio, o nível da água baixou muito e em vários pontos surgiram ilhas e bancos de areia, deixando o leito com poucos centímetros de água. Nos municípios de São Francisco e Itacarambi, o baixo volume das águas dificulta a travessia de balsa. Os pontos de travessia tiveram que ser mudados. Também já começam a aparecer obstáculos para travessia de balsa entre Manga e Matias Cardoso. “Na verdade, o São Francisco vem perdendo volume ano a ano, mas agora a situação está pior, totalmente fora do normal”, lamenta o barranqueiro Francisco Guedes da Silva, de 55 anos, o “Marujo”, que vive praticamente dentro do Velho Chico, em Januária, também no Norte do estado. Ele ganhou o apelido porque é dono de um barco, que aluga para pescadores ou pessoas que queiram passear no São Francisco.


Morador se esforça para liberar rodovia

A tempestade de quinta-feira também atingiu a MG-020, uma das ligações entre BH e Santa Luzia. O temporal causou problemas em pelo menos cinco pontos da rodovia, o que complicou a circulação dos veículos ontem. O maior problema foi um alagamento que interrompeu o trânsito nos dois sentidos , além do o afundamento no asfalto que bloqueou uma das pistas. No Km 14, onde a água inundou todas as faixas em direção à capital, a atitude de um morador do Bairro Monte Azul chamou a atenção dos vizinhos e de quem passava pelo trecho. Sozinho, ele entrou na área alagada e conseguiu encontrar um bueiro. Após tirar pedaços de plástico e até um vidro de automóvel, em poucos minutos a água escoou e resolveu o problema.

“Já fiz isso outra vez, é muito lixo que as pessoas jogam. Como ninguém apareceu para resolver a questão, achei melhor desentupir de novo”, afirma Paulo da Silva Gomes, 48 anos. Ele conta que há cerca de 12 anos, quando uma grande obra ampliou a rodovia, os alagamentos se tornaram frequentes. A parte antiga da pista virou marginal, que corta o Bairro Monte Azul. “O problema é que como estava alagado, eles desviaram o trânsito para a marginal, passando pelo bairro. Carretas e ônibus começaram a rodar em um lugar muito perigoso, onde várias crianças brincam o tempo todo. A chance de alguém ser atropelado é muito grande”, diz o pintor.

Uma curva muito perigosa esconde os veículos pesados da vista dos transeuntes, o que realmente cria um risco para a população local. Na quinta-feira, Paulinho conta que ficou no local até a noite, como se fosse um guarda de trânsito. “Eu orientava os motoristas a passar nos trechos mais rasos, onde a água não tinha subido muito. Fiquei até tarde”, completa.

Depois que a água escoou muita lama restou no local, assim como em outros três pontos entre os kms 11 e 14. No Km 12, a estrada se transformou numa pista de terra, com desnível típico de rodovias vicinais sem pavimento. No Km 11 o temporal causou o afundamento da pista da direita. Cavaletes foram colocados para bloquear o trecho e evitar acidentes.

NOTA DO DER 

Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER/MG) não explicou os motivos de um morador ter resolvido o problema do alagamento antes que o órgão tomasse uma providência. O DER/MG informou apenas que com a desobstrução do bueiro o tráfego foi liberado. Sobre os problemas do Km 12, foi informado que houve queda de barreira e que funcionários da autarquia já estavam providenciando a limpeza. Quanto ao Km 11, onde há indícios de rompimento da galeria pluvial, segundo as primeiras avaliações, o DER informou que “não há prazo para a resolução total do problema. Provavelmente será demandado um projeto e abertura de licitação para as obras”, diz o texto. (GP)

14 abril 2014

Quatro municípios do Norte do RS decretam situação de emergência

Erebango, Tapejara, Trindade do Sul e Três Palmeiras emitiram alerta.
Mais de mil famílias estão desabrigadas e algumas estão ilhadas.


Caetanno Freitas
Do G1 RS

Quatro prefeituras decretaram situação de emergência neste domingo (13) devido ao temporal que atingiu o Rio Grande do Sul. A Defesa Civil recebeu comunicados oficiais de Erebango, Tapejara, Trindade do Sul e Três Palmeiras, todos da Região Norte.

O levantamento de estragos, incluindo prejuízos econômicos e sociais, assim como o tipo de fenômeno ocorrido em cada área, será avaliado nesta segunda-feira (14) pelo órgão estadual.

“As duas primeiras, Erebango e Tapejara, tiveram prejuízos maiores com famílias desabrigadas e muitas residências destruídas. As outras duas registraram problemas de volumes elevados de precipitação. Choveu 200 milímetros, o que equivale a mais de um mês de chuva. Oito pontes foram interditadas entre os dois municípios e temos de seis a oito famílias ilhadas em regiões isoladas de Três Palmeiras”, relata ao G1 o coordenador em exercício da Defesa Civil, tenente-coronel Luiz Henrique Oliveira.

Conforme Oliveira, a tendência é de que o governo homologue os decretos de situação de emergência de Erebango e Tapejara. “Os municípios vão apresentar amanhã (segunda) todas essas informações e tudo indica que serão homologados”, adianta.

O governador Tarso Genro determinou “ações imediatas” e auxílio total aos dois municípios. Tarso deve visitar a região nesta semana para acompanhar os trabalhos da Defesa Civil. O governo informou que já fez contato com o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, em busca de auxílio.

O levantamento da Defesa Civil indica que cerca de 1,1 mil famílias estão desabrigadas na Região Norte do estado. Tapejara concentra 800 e Erebango, onde um homem morreu ao proteger o filho, outras 300. Cerca de quatro mil kits de ajuda humanitária, com lençóis, cobertores, edredons e travesseiros, foram distribuídos nas cidades, além de mil peças de roupas para crianças.