21 março 2014

Demanda dos emergentes agrava tensões por recursos, diz ONU

Água e energia terão forte incremento em sua demanda nos próximos anos.
ONU advertiu para o risco de esgotamento dos recursos do planeta.



Da France Presse

O crescimento econômico e demográfico, principalmente nos países emergentes, provocará nas próximas décadas um forte incremento na demanda de água e energia, com risco de esgotamento dos recursos do planeta, adverte a ONU nesta sexta-feira (21).

O consumo de água e de energia estão estreitamente ligados, destaca a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) em um relatório sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, publicado na véspera do Dia Mundial da Água.

"A produção energética representa quase 15% das extrações de água, e a tendência é de alta", já que 90% da produção de energia mundial utiliza importantes volumes de água, destaca o documento.

Diante disto, o acesso à água corrente e à eletricidade de centenas de milhões de pessoas gera enormes desafios, tendo em conta que "20% dos aquíferos do planeta estão superexplorados", adverte a UNESCO.

Segundo as previsões, a demanda por eletricidade crescerá 70% até 2035 e mais da metade deste crescimento se produzirá na China e na Índia.

"A demanda por água doce e energia seguirá aumentando nas próximas décadas para atender às necessidades das populações e das economias em crescimento e as mudanças de estilo de vida e de consumo, amplificando de forma importante as pressões sobre os recursos naturais limitados e os ecossistemas", destaca o documento, apresentado em Tóquio.

Atualmente, 768 milhões de pessoas carecem de acesso seguro e regular à água, mais de 1,3 bilhão vivem sem eletricidade e quase 2,6 bilhões utilizam combustíveis sólidos - biomassa em particular - para cozinhar.

O relatório prevê um aumento de 55% na demanda de água nos próximos 35 anos. "Em 2050, 2.300 milhões viverão em zonas submetidas a um estresse hídrico severo, em particular no Norte da África e na Ásia Central e do Sul".




Tensões geopolíticas

Na Ásia, a questão da água deverá provocar um aumento considerável das tensões políticas, já que os mananciais dos rios geralmente ficam nas fronteiras.

"As zonas de conflito incluem o Mar de Aral e as bacias do Ganges e do Brahmaputra, do Indus e do Mekong", destaca a ONU.

A demanda energética aumentará em mais de um terço até 2035, e mais da metade deste aumento ocorrerá na China, Índia e Oriente Médio.

Em relação à água consumida pelo setor energético, passará de 66 bilhões de metros cúbicos de água doce em 2010 para quase o dobro (+85%) em 2035.

A busca de alternativas energéticas - como os biocombustíveis - exige igualmente o uso de enormes volumes de água.

"Desde o início dos anos 2000 são desenvolvidos cultivos agrícolas em grande escala para a produção de biocombustíveis, que consomem enormes volumes de água".

"A exploração do gás de xisto também registrou uma grande expansão nos últimos anos, em particular nos Estados Unidos, mas esta energia fóssil só pode ser extraída por fratura hidráulica, um método que exige grandes volumes de água e comporta riscos importantes de contaminação dos lençóis freáticos".

"A energia hidroelétrica cobre hoje 16% das necessidades energéticas do mundo" e há um grande potencial de construção de represas na América Latina, em particular no Brasil e na África, mas estas obras também representam desafios.

"A construção das represas para se produzir hidroeletricidade tem um custo social e ambiental considerável, especialmente porque reduz a biodiversidade".

As energias eólica e solar, que consomem muito pouca água, "estão ganhando terreno', mas "proporcionam um serviço intermitente que deve ser complementado por outras fontes de energia".

Além disso, as energias renováveis não poderão desempenhar um papel de verdadeira alternativa enquanto as energias fósseis (petróleo, gás, carvão) receberem fortes subsídios, conclui a UNESCO.


20 março 2014

Investigação do MPF/MS revela que controle de agrotóxicos na água potável é deficiente no país

Laboratório responsável pela qualidade da água em todo o país analisa apenas 55% do que é determinado pela legislação


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul


Representantes do governo federal afirmaram que o Instituto Evandro Chagas, responsável pelos exames do Vigiagua, vigilância da qualidade da água para consumo humano no país, não tem condições de detectar a presença de quase metade dos agrotóxicos definidos pelo Ministério da Saúde como prejudiciais ao consumo humano. A informação foi repassada ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal de Dourados em audiência para discussão dos parâmetros de análise da água que abastece o Município de Dourados, fruto de processo ajuizado pelo MPF, que encontrou indícios de contaminação na água consumida pela 2ª maior cidade de Mato Grosso do Sul.

Dos 27 agrotóxicos listados na Portaria nº 2914/2011 do Ministério da Saúde, o laboratório analisa a presença de apenas 15 substâncias nas amostras colhidas em todo o país. A juíza Adriana Zanetti afirmou que é “incongruente a existência de uma portaria ampla visando a garantia da qualidade da água no País e não haver laboratório apto a cumprir o comando legal”. Ela determinou que o Instituto Evandro Chagas passe a obedecer a legislação, apontando a presença, ou não, das 27 substâncias. Caso não haja tecnologia suficiente, a União deve nomear novo laboratório, “cuja tecnologia seja condizente a investigar todas as substâncias contidas na portaria”.



FILTRO PESSOAL MYWATER


Processo

O Ministério Público Federal em Dourados ajuizou ação, pedindo que fosse determinada a análise da água do Rio Dourados, após receber laudos que atestavam presença de agrotóxicos em valores acima do permitido. Foi encontrada a presença do agrotóxico clorpirifós etílico - inseticida, pesticida e formicida, classificado como altamente tóxico pela Anvisa - e o temefós - larvicida comumente utilizado contra proliferação de mosquitos. Não só o consumo de água com estes produtos é prejudicial à saúde, como também afeta a alimentação dos peixes do rio, que concentram altos níveis das substâncias nocivas.

A Justiça determinou a análise da água do Rio Dourados e também das fontes subterrâneas da região. O objetivo é apurar possível relação entre a contaminação da água por resíduos de agrotóxicos provenientes das lavouras e a saúde dos moradores do município.

A Vigilância Sanitária recorreu da decisão mas o Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou o recurso e manteve a decisão de 1ª instância.


Proposta de Alckmin sobre captação de água pegou Vale do Paraíba de surpresa

Governador pediu a Dilma que liberasse o Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro, para sanar falta d’água em São Paulo


Tatiana Farah | O Globo

SÃO PAULO - A decisão do governador Geraldo Alckmin de pedir à Agência Nacional de Águas (ANA) autorização para bombear água dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul surpreendeu as autoridades da região, que prometem reagir contra a medida. Embora o governo tenha iniciado os estudos para uma eventual realização da obra em 2009, Alckmin procurou a presidente Dilma Rousseff sem alertar as prefeituras e comissões que lidam com as bacias do rio. Líder do movimento suprapartidários de defesa do Paraíba do Sul, a vereadora de São José dos Campos Renata Paiva (DEM) se disse revoltada com a notícia e afirmou que as entidades já convocaram reuniões de emergência para tentar barrar o projeto. O presidente do Consórcio de Desenvolvimento Integrado do Vale do Paraíba (Codivap), Vito Ardito Lerário, confirmou que os prefeitos da região se reunirão nesta sexta-feira para tratar do assunto.

— O governador passou por cima das lideranças da região. Vamos realizar uma grande ofensiva, pode ter certeza. Porque essa é uma decisão que pode agravar a qualidade da nossa água e comprometer nosso pacto federativo firmado desde os anos 50 com o Rio de Janeiro. O Paraíba do Sul é praticamente a única fonte de água do Rio de Janeiro. Depois que condenar a região, nós vamos buscar água aonde?— disse Renata Paiva.

A vereadora lembrou que o reservatório de Jaguari, no município de Igaratá, de onde a água seria bombeada para o sistema Cantareira, está operando com menos de 40% de sua capacidade, segundo dados da ANA. As bacias do Paraíba do Sul atingem 39 municípios do Vale do Paraíba, além de cidades de Minas Gerais e do Rio.

— O reservatório está baixando 10% ao mês. Imagine como estará em outubro. Por que São Paulo e Rio não fazem um acordo para ir buscar água no Vale do Ribeira, onde podem garantir o abastecimento por mais de cem anos? — questionou a vereadora que, apesar de combater os estudos feitos pelo governo desde 2009, disse que a decisão do governador pegou toda a região "de surpresa".

Prefeito de Pindamonhangaba, cidade onde Alckmin nasceu e cresceu politicamente, Vito Lerário (PSDB) tentou amenizar a tensão.

— A gente é cristão. Momentaneamente, a gente teria de ajudar o irmão que está sem água— disse ele, referindo-se aos moradores da Grande São Paulo.

Presidente do Codivap, Lerário lembrou, no entanto, que o bombeamento de água não resolveria o problema imediato de falta de água na capital. Isso porque a obra levaria mais de um ano e meio para ser feita, "por causa das questões ambientais":

— Isso tudo é técnico. Mesmo que quiséssemos, não conseguiríamos fazer uma adutora para ajudar São Paulo rapidamente. Eu sou a favor de ajudar, mas é preciso ser explicado tudo o que será feito, qual o volume de água que será retirado, e ver como ficará a situação do Rio de Janeiro.


Uso de água do rio Paraíba do Sul por São Paulo ameaça interior do Rio de Janeiro

Cedae diz que mudança afetaria abastecimento, indústrias e lavouras

Prefeitos criticam proposta do governo paulista


Marcelo Remígio e Luiz Ernesto Magalhães | O Globo

RIO — Um dia depois de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), pedir à presidente Dilma Rousseff autorização para captar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Estado do Rio (Cedae) alertou para os riscos da proposta. De acordo com a área técnica da empresa, a captação no Rio Jaguari, um dos principais afluentes do Paraíba do Sul, provocaria reflexos no abastecimento de água de cidades do Sul e do Norte Fluminense, além de comprometer a irrigação de lavouras e aumentar a chamada língua salina, que já atinge a foz do rio, em São João da Barra.

A língua salina é o fenômeno natural de invasão da água do mar no curso do rio, que destrói as margens e aumenta a salinidade da água, impedindo o seu uso na agricultura. Na capital fluminense, a redução do volume d’água do Paraíba do Sul prejudicaria empresas de grande porte que fazem a captação direta do Rio Guandu. Entre elas estão a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), a siderúrgica Gerdau e a Termelétrica de Santa Cruz, todas na Zona Oeste do Rio.

A bacia do Rio Paraíba do Sul já abastece cerca de 15 milhões de pessoas, cerca de 8,5 milhões só na Região Metropolitana do Rio. Pela lei, em caso de crise no abastecimento de água, o fornecimento à população é prioritário. Como possui a outorga do uso da água, a Cedae detém a prioridade.

Transposição socorreria Cantareira

Em nota, o secretário do Ambiente do Estado do Rio, Indio da Costa, manifestou preocupação com a proposta. Segundo ele, estudos do Comitê da Bacia Hidrográfica do Paraíba do Sul, ainda em elaboração, apontam que já há problemas para captação de água no período de estiagem: “A segurança hídrica do Estado do Rio é fortemente dependente da Bacia do Rio Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de mais de 11 milhões de habitantes e pela sustentação de parcela expressiva da atividade econômica do estado.”

A proposta de Alckmin é fazer a transposição no Rio Jaguari, afluente do Paraíba do Sul, na cidade de Igaratá. Um canal seria construído para integrá-lo à Represa do Atibainha, do Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo. Essa adutora teria de 15 a 30 quilômetros. Pelo fato de o Paraíba do Sul ser um rio federal — passa por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, há a necessidade do aval da presidente à proposta.

A disputa entre Rio e São Paulo pela água do Paraíba do Sul se arrasta desde 2008, quando o governo paulista intensificou estudos para a transposição. Desde então, cidades do Sul e do Norte Fluminense se mobilizam para evitar a mudança. Em maio de 2010, uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio, reunindo representantes de municípios, governo do estado, Alerj, Igreja Católica e ambientalistas, terminou aprovando parecer contrário à proposta.

A maioria das cidades do Sul e do Norte Fluminenses é abastecida por pequenos consórcios de água. As empresas têm no Paraíba do Sul sua principal fonte de captação. O anúncio do governador paulista provocou na quarta-feira reações. O prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto (PMDB), mencionou a possibilidade de entrar na Justiça para tentar impedir a captação caso exista algum risco de o abastecimento do município ser prejudicado.

Para ele, a discussão deve permanecer na esfera técnica. De acordo com o prefeito, há pelo menos seis anos discute-se a possibilidade de os paulistas fazerem captação de água no Rio Paraíba do Sul. Mas técnicos da prefeitura são contrários.

— Essa é uma questão que não pode ser analisada pela esfera política. Qualquer que seja a decisão, ela tem de ser técnica. No verão deste ano, em Volta Redonda, já tivemos problemas de abastecimento em alguns bairros — disse Neto.

A avaliação do prefeito de Barra do Piraí, Jorge Babo (PPS), é semelhante:

— A cidade não tem problemas de abastecimento. Mas qualquer discussão sobre o assunto tem que ser técnica. É preciso levar em conta não apenas as necessidades, mas o futuro. Qualquer decisão só pode ser tomada se houver análise do impacto sobre o Sul Fluminense pelo menos até 2040.

Na avaliação do secretário Indio da Costa, mesmo que São Paulo construa reservatórios para aumentar a disponibilidade hídrica nas cabeceiras do Rio Paraíba do Sul, a captação adicional de água pelo estado vizinho pode levar a problemas de abastecimento, como temem os prefeitos, em especial durante o período de seca, quando não é possível contar com a capacidade máxima dos reservatórios.

Em Campos dos Goytacazes, no Norte, a falta de chuva no Sudeste reflete na calha do Paraíba do Sul. O rio apresenta, no momento, trechos com o nível de água bem abaixo do normal. No Centro, há partes assoreadas, e pequenas ilhas se formaram. Há reflexos também em cidades mineiras.

O Paraíba do Sul é o principal afluente do Guandu, que abastece o Rio, Baixada Fluminense e parte da Região Metropolitana. Segundo a Cedae, inicialmente nessas áreas o fornecimento de água não seria comprometido em função de o sistema receber a transposição do lago da hidrelétrica de Ribeirão das Lajes, em Piraí.


19 março 2014

Maior cheia do Rio Madeira completa um mês, e rio continua a subir em Rondônia

Rio atingiu o nível de 19,14 metros nesta segunda.


Ivanete Damasceno
Do G1 RO

O nível do rio Madeira continua a subir 31 dias após bater o recorde histórico de 17,52 metros - de 17 anos atrás - e desabrigar e desalojar mais de 12,5 mil pessoas em Rondônia. Segundo a Defesa Civil Estadual existe uma tendência de estabilização do nível já que as chuvas na Bolívia diminuíram. A Agência Nacional de Águas (ANA) informou que a cota do Madeira atingiu nesta segunda-feira (17) uma nova máxima: 19,14 metros. E a Defesa Civil não sabe dizer quando ou se as famílias desabrigadas poderão retornar às suas casas. Oficialmente nenhuma morte relacionada à cheia foi confirmada.

O governo estadual recebeu do Ministério da Integração Social R$ 5 milhões, dos quais só foi liberada a primeira parcela, cerca de R$ 500 mil, utilizada para a compra de alimentos, água, colchões, dentre outros produtos para os desabrigados, diz a Defesa Civil. Não há previsão ainda para a liberação dos R$ 4,5 milhões restantes.

Rosângela Alves dos Santos, de 40 anos, vive desde o dia 25 de fevereiro na Escola Estadual Orlando Freire, e, junto com a família, recebeu doações de roupas, colchões, e, diariamente, recebe alimentos. “Saí de São Carlos com cinco peças de roupa. Nossas coisas ficaram tudo lá. A minha casa já não existe mais. O rio cobriu”, diz.

Além de Porto Velho e os distritos localizados no eixo da BR-364, Baixo e Médio Madeira e margem esquerda do rio, foram afetados pela maior enchente os municípios Nova Mamoré, Guajará-Mirim e Candeias do Jamari. Os distritos de Porto Velho localizados no Baixo Madeira mais afetados foram São Carlos onde toda a população foi retirada do local e Nazaré com mais de 90% das famílias retiradas.

Início da cheia

Anualmente, com o período de chuvas na região amazônica – dezembro a abril -, o nível do Rio Madeira aumenta. O rio atinge o máximo em abril. A cheia deste ano, ao contrário, começou a preocupar as famílias desde dezembro de 2013, quando atingiu a cota de 14,12 metros, cinco metros acima que o mesmo período do ano anterior. Naquele mês, o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) já sinaliza maior risco de inundações e desmoronamentos para quem mora em bairros próximos ao Madeira.

No dia 27 de dezembro de 2013, o rio atingiu 14,12 metros e foi decretado estado de alerta. No dia 7 de fevereiro deste ano, o Rio Madeira chegou a cota de 16,45 metros e a prefeitura de Porto Velho decretou estado de emergência. No dia 26 de fevereiro, o prefeito Mauro Nazif decretou estado de calamidade pública em Porto Velho. O nível estava em 18,60 metros.

A prioridade, diz a Defesa Civil, foi evitar mortes. Objetivo alcançado até o momento. Porém, começou a exposição a doenças, como diarreias, malária, dengue, leptospirose e ainda houve aumento do número de picadas de cobras e ferradas de outros animais peçonhentos. “Não somente os desabrigados, aqueles que perderam suas casas, mas toda a população de Porto Velho está afetada indiretamente pela cheia do Rio Madeira. Durante sobrevoos, nós vemos um rio que virou mar”, afirma o tenente-coronel Demargli Farias.

A maior enchente em Rondônia já deixou pelo menos 800 famílias vivendo em abrigos na capital, nos distritos e municípios atingidos pela cheia. Em Porto Velho, as famílias de Rosângela Alves dos Santos, Rosione Batista e Ana Paula da Silva Correia foram retiradas do distrito de São Carlos e levadas para a Escola Estadual Orlando Freire, onde tentam viver de forma comunitária.

Lá, as mulheres são responsáveis por preparar a alimentação, cuidar da limpeza do refeitório, enquanto os homens devem limpar o pátio e fazer a segurança do novo lar. Nas salas de aula, cada família alojada é responsável pela higienização. “É uma organização que já veio do abrigo em São Carlos onde eles estavam. Foi apenas adaptado para que as responsabilidades sejam divididas com as famílias que vivem aqui”, diz Nilva Lopes, assistente social da Secretaria Municipal de Assistente Social, que está todos os dias na escola no intuito de manter uma organização, verificar as necessidades e ainda, escutar os próprios desabrigados.

A família de Ana Paula foi uma das primeiras a ter a casa invadida pela água. Ela conta que construiu um assoalho mais alto na casa, acreditando que a água não subiria tanto. “Hoje eu não sei onde está minha casa. Virou tudo um mar. Os móveis que ficaram dentro de casa, estão todos perdidos”. Ana Paula perdeu ainda uma plantação de 1,5 mil pés de açaí, o que gerava uma renda de R$ 500 mensais. Atualmente ela vive de doações.

As doações também ajudam Rosione Batista, de 29 anos, que perdeu casa, plantação de macaxeira (mandioca), criação de galinhas e até um motor usado para gerar energia elétrica. “Subi o assoalho da minha casa três vezes. Mas a água subiu rápido demais e não consegui tirar quase nada. Perdi tudo. Agora estamos esperando uma resposta para saber o que será feito de nós”.

A mesma inquietação tem Rosângela Alves dos Santos. Ela diz que, da sua casa, conseguiu tirar apenas um colchão e um aparelho de TV. O restante ficou na casa que já está coberta pela água do Rio Madeira. “Na terça-feira (11), meu marido foi em São Carlos para tirar um cavalo de dentro do rio. Conseguiu tirar, mas a nossa casa não presta para mais nada. Até o telhado está todo coberto”.

Na escola onde estão abrigadas as três mulheres, há 30 famílias de São Carlos. Todos vivem a mesma situação de perda e esperam uma resposta, sem saber para onde serão levados. “As pessoas que viviam em São Carlos há mais tempo, não acreditam até hoje que a água cobriu as casas. Eu não quero mais voltar. Ninguém quer ficar num local para ter a casa alagada todos os anos. Porque a conversa é que isso vai se repetir de agora em diante”, comenta Rosângela.

Para melhorar a assistência a essas e as outras famílias desabrigadas, a Defesa Civil está preparando o parque de exposições de Porto Velho com o objetivo de reuni-las em um só local, desocupando, desta forma, escolas e igrejas que cederam o espaço. Segundo o tenente-coronel Demargli Farias, deixar todas as famílias próximas demanda uma logística melhor para assistência.

Farias diz que não é possível saber quando as famílias poderão sair dos abrigos. "Em muitos lugares, não há condições para que elas voltem para suas antigas casas. Muitos moravam em locais proibidos e hoje tudo está contaminado", diz Farias.

Guinchos e barcos: lucro com a cheia

Pelo menos 14 empresas de guinchos disputam a travessia em quatro dos cinco pontos alagados da BR-364 em 230 quilômetros entre Porto Velho e o distrito Abunã, no sentido do Acre, em decorrência da lâmina de água com cerca de 90 centímetros que cobre a pista da rodovia. O preço do serviço pode chegar a R$ 200 por trecho.

No Porto Organizado de Porto Velho, houve um aumento de cerca de 500% no movimento influenciado pela cheia do Rio Madeira, segundo a Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (Soph). Diariamente, o Porto operava com uma média de 6,2 mil toneladas em circulação e saltou para 20 mil desde o início da cheia.

Outros que estão lucrando com a cheia são os donos de voadeiras – pequenas emabarcações a motor - que fazem a travessia do rio, pelo valor de R$ 2 até R$ 50 para pessoas (o valor varia conforme o percurso) que desejam fazer um "turismo de enchente". O passageiro - que são locais ou visitantes de ocasião.

O barqueiro Manoel de Oliveira trabalha em uma fazenda na margem esquerda do Madeira que foi alagada. Para não ficar sem trabalho, pegou a voadeira e resolveu ir a Porto Velho para fazer a travessia das pessoas de uma margem a outra do rio. No entanto, o que ele diz que mais acontecem são turistas querendo passear na enchente. O preço dele é de R$ 5 por 15 minutos. Se o percurso for maior, o valor também será maior. "Eu estava sem trabalho e, como já tinha a voadeira, resolvi trabalhar aqui. Por mês eu tô tirando uns R$ 3 mil", diz.

Doenças

O diretor-geral do Laboratório Central de Rondônia (Lacen), Luiz Tagliari afirmou houve um aumento de mais de 300% de casos de leptospirose nos primeiros 72 dias deste ano, comparando mesmo período de 2013. "Certamente teremos um surto da doença em no máximo 60 dias”, enfatizou Tagliari.

Já a Agência Estadual em Vigilância em Saúde (Agevisa) diz que está realizando ações de prevenção de doenças desde o início de fevereiro, mas ressalta que ainda não é possível saber se houve aumento de casos de malária, diarreias, dengue, entre outros, por causa da cheia. "Estamos trabalhando em parceria com a Funasa e o município de Porto Velho e todos estão sendo atendidos, com prioridade para prevenção de leptospirose, leishimaniose, dengue e toda a enchente de um modo geral", explica Arlete Baldez, coordenadora da Agevisa.

Órgãos públicos atingidos

A cheia do Rio Madeira também fez órgãos públicos paralisarem temporariamente as atividades. Dentre os atingidos, está o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a Receita Federal que mudaram de endereço. Segundo TRE, a maior preocupação era com as urnas eletrônicas que são avaliadas em R$ 7 milhões. No dia 14 de fevereiro, as urnas começaram a ser levadas para o depósito do Tribunal de Justiça. No dia 19 de fevereiro, o acesso ao prédio já estava prejudicado.

Ainda de acordo com o TRE, quando baixar o nível do rio será preciso contratar uma empresa para fazer reparos, quando serão calculados os prejuízos, principalmente por causa do transbordamento de fossas sépticas e dano às instalações elétricas.

Já a Receita Federal teve suas instalações interditadas no dia 29 de fevereiro. A água já havia coberto 70% do pátio, e também o piso de depósito de mercadorias apreendidas. Muitos dos serviços da Receita Federal podem ser feitas pela internet. Por este motivo, somente os serviços que só podem ser feitos na sede do órgão foram paralisados, dentre eles, o parcelamento previdenciário. O órgão passou 11 dias sem atendimento ao público.

Os serviços mais prejudicados foram: emissão de certidões eletrônicas, certidões negativas, alteração no CNPJ de empresas e a baixa de valores pagos pelo contribuinte para fins de quitações de débitos com o Fisco. “Estou constrangido e decepcionado”, reclamou o representante de vendas Adilson Marques, que dependia de um documento que o autorizaria a viajar com seu caminhão. “Isto aqui é um desserviço”, concluiu ele, referindo-se a um aviso, afixado na tela da guarita, que dizia: “serviços suspenso por tempo indeterminado. Informações pela mídia”.

Não há registros de prejuízos aos contribuintes. No entanto, em ato declaratório, quem foi intimado para prestar algum esclarecimento ou comprovar algum dado e o prazo venceu quando da suspensão do expediente, de 5 a 12 de março, os prazos foram automaticamente prorrogados para o dia 13, informa o órgão.

Produtos armazenados

A Defesa Civil informa que não foi registrada falta contínua de produtos nos municípios afetados pela enchente. Apenas em Guajará-Mirim e Nova Mamoré que há dificuldade por causa do tráfego pela rota alternativa criada após o isolamento dos dois municípios. A BR-425, que liga Porto Velho até a fronteira com a Bolívia está coberta pela água do Madeira.

Na sexta-feira (14), Guajará-Mirim e Nova Mamoré, cidades de Rondônia que ficaram isoladas pela cheia dos rios Madeira, Araras e Ribeirão, estavam há sete dias sem receber nenhuma mercadoria essencial, como mantimentos, água, gás de cozinha e combustível, devido a um protesto que bloqueou a Linha 28, em um distrito de Nova Mamoré, usada como rota alternativa para se chegar à região.

Nos supermercados, há mercadoria para mais uma semana. "Recebemos tudo o que estava faltando. Parte também veio por balsa. Nosso estoque de perecíveis está completo para uma semana”, informa o gerente de supermercado Eliseu Dambros. A gasolina chegou, mas em poucas horas o reservatório de um posto de combustíveis esvaziou. O estoque de água mineral foi reforçado, mas o galão de 20 litros custa quase três vezes mais.

De outra forma, alimentos e água mineral estão sendo armazenados pela própria Defesa Civil para dar assistência aos desabrigados. Até agora, foram distribuídos mais de 300 mil litros de água e mais de 8 mil toneladas de alimentos para os desabrigados, diz a Defesa Civil Municipal. Somente a Defesa Civil Estadual entregou cerca de 60 toneladas de alimentos e em torno de 30 mil litros de água.

Histórico: a cheia em 1997

O atual chefe de operações da Defesa Civil Municipal, Paulo Afonso, diz que para se ter uma ideia da diferença entre a cheia atual e a de 2007, quando ele já atuava no órgão, apenas no dia 9 de abril daquele ano que o Madeira chegou ao ápice, 17,52 metros. A enchente invadiu bairros, distritos e afetou cerca de 1,6 mil famílias somente em Porto Velho. No eixo da BR-364, apenas o antigo distrito Mutum-Paraná, hoje conhecido como Velha Mutum, foi afetado, no entanto, a água não cobriu a rodovia, informa Paulo Afonso.

Com a situação, foi decretado então estado de primeiros socorros, o que hoje equivale a calamidade pública. Para as famílias atingidas pela cheia, lembra Afonso, foram distribuídos filtros de água, mosquiteiros, redes e colchões. Água não era distribuída. Não foram registradas mortes e prédios públicos não foram alagados. “A água chegou até o posto de combustível da Rogério Weber, mas não tinha TRE nem Receita Federal ali perto, então nenhum prédio foi atingido. Se for comparar, a cheia daquele ano foi um riozinho. Hoje a gente ver um mar”, afirma Afonso.

Foram afetados os bairros Nacional, São Sebastião, Baixa da União, Triângulo e Belmont. Na Praça Estrada de Ferro Madeira-Mamoré a água ficou perto dos galpões. No entanto, no Baixo e Média Madeira, quase todos os distritos foram atingidos e os moradores retornaram para suas casas depois que o rio baixou o nível de água, no final de maio.

Falta de saneamento afeta educação e produtividade do país, diz estudo

País tem 35,5 milhões de moradias sem coleta de esgoto, aponta estimativa.

Brasil precisaria aplicar R$ 313 bi até 2033 para ter 100% de saneamento.


Eduardo Carvalho

Do G1, em São Paulo

Estudo brasileiro divulgado nesta quarta-feira (19) indica que a falta de saneamento básico nas cidades pode afetar a economia nacional por reduzir a produtividade do trabalhador, impactar o aprendizado de crianças e jovens, além de afastar o interesse turístico de regiões que sofrem com o despejo de esgoto e ausência de água encanada.

A pesquisa sugere que a queda na eficiência de trabalhadores e estudantes é causada por doenças provocadas pela ausência de saneamento, como as infecções gastrointestinais, que levam a diarreia e vômito – resultantes do consumo de água contaminada.

Segundo o relatório "Benefícios econômicos da expansão do saneamento brasileiro", lançado nesta quarta-feira (19), essa deficiência de infraestrutura influencia a posição do país nos principais índices de desenvolvimento, como o de mortalidade infantil e longevidade da população.

No contexto mundial, o país ocupa a 112ª posição num ranking de saneamento que engloba 200 países. A pontuação do Brasil no Índice de Desenvolvimento do Saneamento -- indicador que leva em consideração a cobertura por saneamento atual e sua evolução recente -- foi de 0,581 em 2011, inferior às médias da América do Norte e da Europa. O índice brasileiro também está abaixo ao de países latino-americanos como Honduras (0,686) ou Argentina (0,667).

"Queremos mostrar que o saneamento traz também outras formas de riqueza, como a geração de trabalho, evolução do turismo, melhora na escolaridade e que a falta dele pode provocar uma crise de produtividade", disse Édison Carlos, presidente-executivo do Instituto Trata Brasil, um dos organizadores do documento com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, o CEBDS.

Crise econômica

O estudo estima que 14,3 milhões de moradias não têm água encanada e 35,5 milhões de moradias vivem sem coleta de esgoto. As informações são provenientes do cruzamento de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o novo relatório, o Brasil precisa investir pouco mais que R$ 313 bilhões até 2033 para que o saneamento básico alcance 100% da população.

Para exemplificar os danos que a ausência desses serviços básicos podem causar à população, foram formuladas estatísticas baseadas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e em outros levantamentos do governo federal.

De acordo com a pesquisa, ausências no trabalho de funcionários que tiveram sintomas de infecção gastrointestinal representam por ano a perda de 849,5 mil dias de trabalho – baseado em dados de 2012 e que para cada afastamento por diarreia ou vômito, o trabalhador precisa de três dias para se recuperar.

Estima-se que ao ano, as empresas gastam R$ 1,11 bilhão em horas pagas não trabalhadas, dinheiro que, segundo o estudo, poderia ser revertido em investimentos e contratações.

A análise apontou também que os trabalhadores sem acesso à coleta de esgoto ganham salários, em média, 10,1% inferiores aos daqueles com as mesmas condições de empregabilidade.

Para as organizações que elaboraram o levantamento, a universalização dos serviços de água e esgoto reduziria em 23% o total de dias de afastamento por diarreia e diminuiria o custo das empresas em R$ 258 milhões.

"Quisemos fazer correlações para ver como a falta de saneamento impacta a vida do cidadão, mostrando os custos que temos nas empresas e como isso impacta a produtividade do trabalho. Para conseguirmos um país mais competitivo, temos que resolver esses problemas", disse Marina Grossi, presidente do CEBDS.

Impacto na educação e no turismo

De acordo com o relatório, alunos sem acesso à coleta de esgoto e água tratada sofrem um atraso escolar maior em comparação com estudantes com as mesmas condições socioeconômicas, mas que moram em locais onde há saneamento.

A pesquisa aponta que a universalização do saneamento reduziria em 6,8% o atraso escolar, com reflexos no ganho de produtividade do trabalho e aumento na remuneração futura.

"A partir do momento que a pessoa fica doente, ela se afasta do estudo. Isso tem consequência para a sociedade: se ela estuda menos, seu desempenho no mercado de trabalho será pior e sua remuneração poderá ser inferior em comparação com a dos demais", disse Fernando Garcia, um dos autores do estudo e consultor do Trata Brasil.

Outro problema apontado é que o país poderia arrecadar anualmente R$ 7,2 bilhões com atividades turísticas em áreas onde atualmente não há serviços de coleta de esgoto e água encanada. O setor geraria 500 mil postos de trabalho com o saneamento e valorização ambiental das áreas beneficiadas.

"Não é a toa que países do Caribe e Oceania, que dependem do turismo, têm saneamento total. Eles cuidaram dessas condições para evitar essa perda de renda", explica Garcia.

Ele complementa dizendo que o governo "investe metade do que deveria" por falta de capacitação humana, indispensável para elaboração de projetos para as cidades. "Nós temos dinheiro para a universalizar o saneamento", conclui.

De acordo com o Ministério das Cidades, entre 2011 e 2014 foram investidos R$ 45 bilhões para a área de saneamento dentro do Plano de Aceleração do Crescimento 2, o PAC.


17 março 2014

Última parte estável de gelo na Groelândia está derretendo rapidamente

Manto de gelo na região nordeste, considerado inabalável, encolheu 20 km na última década. Entre 2003 e 2013 a Groelândia perdeu anualmente cerca de 10 bilhões de toneladas de gelo.


Deutsch Welle


A última porção de gelo considerada estável da Groelândia deixou de ser firme. A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na revista especializada Nature Climate Change neste domingo (16/03).

A pesquisa analisou a perda causada pelo recuo de uma geleira de descarga conectada a uma corrente de gelo que, por sua vez, drena o gelo do interior do manto. Essa corrente de gelo, batizada de Zachariae, encolheu 20 quilômetros na última década. Em termos de comparação, a corrente de gelo Jakobshavn, localizada no sudeste da Groelêndia e considerada uma das mais dinâmicas, recuou 35 quilômetros nos últimos 150 anos.

"O nordeste da Groelândia é muito frio e era considerado a última parte estável do manto de gelo dessa região. Esse estudo mostra que a perda de gelo no nordeste está aumentando. Assim, parece que todas as margens do manto da Groelândia são instáveis", afirma Michael Bevis, um dos autores da pesquisa e coordenador da Rede GPS da Groelândia (GNET).

O manto de gelo da Groelândia tem 1,7 milhão de quilômetros quadrados – aproximadamente o tamanho do estado do Amazonas. Segundo a nomeclatura dos glaciologistas, manto de gelo é uma massa de neve e gelo com grande espessura e área maior que 50 mil km2. Além da Groelândia, a Antártida é o único outro lugar na Terra a abrigar um manto de gelo atualmente, com área de 13,9 milhões km2.

Assim como rios, as correntes de gelo retiram o gelo dos mantos. A velocidades de deslocamento do gelo pode atingir centenas de metros por ano, e geralmente, a corrente se estende por centenas de quilômetros e tem milhares de metros de largura. As margens podem ser fraturadas com fendas expostas. A maior delas é a Zachariae, que abrange 16% do manto da Groelândia – uma área duas vezes maior do que a da Jakobshavn.

A Zachariae costumava drenar o gelo lentamente, pois tinha que passar por detritos de gelos flutuantes. Mas agora, com o recuo da camada, essa barreira está menor, fazendo com que a velocidade da corrente aumente e retire o gelo das profundezas do manto.

"Isso sugere um possível mecanismo de feedback positivo, no qual o recuo da geleira de descarga é causado, por um lado, pelo aquecimento do ar e, por outro, por dinâmicas glaciais, conduzindo ao aumento da dinâmica de perda do gelo superior. Isso sugere que a contribuição da Groelândia para a elevação do nível do mar pode ser bem maior no futuro", afirma Bevis.

Nível do mar

Para o diretor da pesquisa, Shfaqat Abbas Khan, a descoberta é preocupante. "Já sabíamos sobre o aumento da perda de volume do manto de gelo da Groelândia ao longo da última década, mas a crescente contribuição da região nordeste é nova e muito surpreendente", reforça o pesquisador.

A GNET usa a elasticidade natural da Terra para medir a massa do manto de gelo. Mais de 50 estações da rede estão instaladas na Groenlândia. Com as medições, os pesquisadores descobriram que o manto de gelo dessa região perdeu cerca de 10 bilhões de toneladas por ano entre abril de 2003 e abril de 2012.

O gelo derretido do manto da Groenlândia é um dos maiores responsáveis pelo aumento do nível do mar nos últimos 20 anos, sendo a fonte de 0,5 milímetros dos 3,2 milímetros de elevação por ano.