06 março 2014

Governo chinês deve reduzir ritmo dos investimentos

Nível dos investimentos deve ser o mais baixo em uma década; China busca crescimento mais sustentável


O Estado de S.Paulo | Reuters

Pequim - A China emitiu o mais claro sinal até agora de que os dias de crescimento econômico estonteante chegaram ao fim, ao prometer travar uma guerra contra a poluição e reduzir o ritmo dos investimentos ao menor nível em uma década para buscar uma expansão mais sustentável.

Em um pronunciamento anual ao Parlamento para apresentar um balanço da sua gestão, o primeiro-ministro Li Keqiang disse ontem que a meta de crescimento econômico para este ano é de 7,5%, maior índice entre as grandes potências mundiais, mas salientou que o crescimento não poderá atrapalhar as reformas.

Usando termos cuidadosamente selecionados, Li disse que a China, segunda maior economia mundial, buscará promover reformas que afetarão do setor financeiro ao ambiental, criando ao mesmo tempo mais empregos e aumentando a renda.

Após três décadas de um crescimento superior a 10% ao ano, o que tirou milhões de pessoas da pobreza - mas também contaminou o ar e a água do país e deixou a nação fortemente endividada -, a China deseja reequilibrar sua economia.

"A reforma é a maior prioridade para o governo", disse Li a cerca de 3 mil delegados cuidadosamente escolhidos, no seu primeiro pronunciamento no amplo plenário do Parlamento, no centro de Pequim.

Fábricas ociosas serão fechadas, os investimentos privados serão estimulados, a burocracia governamental será reduzida, e a preparação de um novo imposto para a proteção ambiental será acelerada a fim de criar uma economia mais limpa e alimentada principalmente pelo consumo, e não mais pelos investimentos, segundo Li.

Para contribuir com essa transição, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma informou ao Parlamento que o governo terá como meta um crescimento de 17,5% nos investimentos em ativos fixos neste ano, o menor índice em 12 anos.

Os investimentos responderam por mais de metade do crescimento chinês de 7,7% no ano passado. Em 2013, esse quesito teve alta de 19,6%, acima da meta de 18%.

As moedas asiáticas tiveram alta com a notícia de que o PIB chinês, de US$ 9,4 trilhões por ano, permanecerá em viés estável depois do começo turbulento deste ano. Investidores temiam que o governo fosse anunciar uma redução na sua meta de crescimento para o ano.


Sistema Cantareira volta a baixar nível de água, recua a 16,1% nesta 4a feira

O governo do Estado de São Paulo vem negando que vá adotar racionamento na região metropolitana apesar de várias cidades do interior paulista terem adotado medidas de economia de água


Por Alberto Alerigi Jr. | Reuters

SÃO PAULO, 5 Mar (Reuters) - O Sistema Cantareira, que abastece com água mais da metade da região metropolitana de São Paulo, voltou a registrar queda em seu nível de armazenamento, segundo dados da companhia de saneamento do Estado, Sabesp.

Nesta quarta-feira, o índice atingiu 16,1 por cento de armazenamento, ante 16,6 por cento no sábado passado, quando os reservatórios do sistema tinham registrado leve elevação ante os 16,4 por cento apurados no final de fevereiro.

O baixo nível das represas fez a Sabesp anunciar no início de fevereiro um plano de incentivo à economia de água, com descontos de até 30 por cento nas tarifas de clientes atendidos pelo Sistema Cantareira que reduzirem o consumo em 20 por cento. Na ocasião, o nível do sistema era de 21,4 por cento.

O governo do Estado vem negando que vá adotar racionamento na região metropolitana apesar de várias cidades do interior paulista terem adotado medidas de economia de água. Representantes da Sabesp não estavam disponíveis para comentar o assunto nesta quarta-feira.

Chuvas previstas para os próximos dias em algumas áreas de São Paulo e Minas Gerais podem superar o volume registrado durante os dois primeiros meses do ano, podendo melhorar o nível de reservatórios de hidrelétricas e de represas de água para consumo da população, segundo dados da empresa de meteorologia Somar.

Segundo a empresa, deve chover bem na área de Bragança Paulista, onde fica um dos reservatórios do Sistema Cantareira. O volume estimado para a região até o dia 10 é de 100 milímetros.



Defesa Civil esvazia distritos atingidos pela cheia histórica do Madeira, em RO

Rio atingiu 18,73 nesta segunda-feira. No sábado, 1, estava em 18,62.

São Carlos, distrito do Baixo Madeira, 100% das famílias foram retiradas.


Ivanete Damasceno
Do G1 RO

Cerca de 200 famílias estão sendo removidas dos distritos e localidades do Baixo Madeira para Porto Velho, segundo a Defesa Civil Estadual. As famílias atingidas pela cheia histórica do Rio Madeira devem ser acomodadas no Ginásio de Esportes Cláudio Coutinho. O nível do rio chegou a 18,73 metros, às 07h desta segunda-feira (3), segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), sendo o aumento de 11 centímetros desde o sábado (1). O prefeito de Porto Velho, Mauro Nazif, decretou estado de calamidade pública e aguarda reconhecimento da Secretaria Nacional de Defesa Civil. A cheia recorde do Rio Madeira já ultrapassa em mais de um metro o último registro de enchente, com grandes consequências, registrado em 1997 de 17,52 metros.

Ponte foi improvisada na Praça Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para desembarque das famílias (Foto: Ivanete Damasceno/G1)Ponte foi improvisada na Praça Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para desembarque das famílias (Foto: Ivanete Damasceno/G1)

Em São Carlos, 100% das famílias foram retiradas, informa a Defesa Civil, porque o distrito está completamente debaixo d’água. Algumas dessas famílias foram levadas para Nazaré, distrito também bastante atingido pelas águas do Madeira. “Os que não conseguiram se alojar na parte alta de Nazaré, estão sendo trazidas para Porto Velho”, garante o tenente coronel Demargli da Costa Farias, da Defesa Civil Estadual.

Para abrigar as famílias que ficaram no Baixo Madeira, 500 barracas da Defesa Civil Nacional foram encaminhadas para Rondônia. Farias diz, que em cada barraca, cabe uma famílias de até 10 pessoas. Como a maioria das famílias já foram identificadas e retiradas das áreas alagadas, a fase atual, diz a Defesa Civil, é de assistência aos atingidos pela cheia, mais de 2 mil famílias.

A cheia histórica já atinge plantações e criadouros de Porto Velho e dos distritos São Carlos, Calama e Nazaré. A estimativa é de que os prejuízos cheguem a R$ 55 milhões.

Nos distritos do Eixo da BR-364 - Fortaleza do Abunã, Jacy-Paraná e Abunã - 30 famílias estão desabrigadas e 126 desalojadas. Já em Nova Mamoré, 15 estão desabrigadas e 41 famílias desalojadas, mas a Defesa Civil ressalta que todos os moradores são indiretamente atingidos, porque o município está isolado. O ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, esteve em Porto Velho duas vezes e reconheceu que a situação encontrada "é o maior desastre natural da Amazônia".

A cheia do Madeira está ainda impedindo que caminhões do tipo cegonha cheguem até o Acre, por causa de uma lâmina d'água que cobre a BR-364. Por conta disso, os veículos estão sendo deixados em depósitos em Porto Velho, fazendo com que as transportadoras tenham prejuízos, pois precisam alugar um espaço e depois deverão custear a viagem até a cidade acreana, explica Luís Augusto de Oliveira, dono de depósito.


Novo porto é construído e travessia sobre o Rio Abunã é liberada, em RO

Atracadouro foi liberado nesta quarta e fica distante 9,5 quilômetros do antigo.

Liberação restabeleceu única via de acesso terrestre até o Acre.


Ivanete Damasceno
Do G1 RO com informações da TV RO

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) construiu um novo porto onde devem atracar as balsas que fazem a travessia sobre o Rio Abunã, no sentido Porto Velho (RO) – Rio Branco (AC). O novo atracadouro foi liberado nesta quarta-feira (5), restabelecendo a única via de acesso terrestre ao estado do Acre e fica distante 9,5 quilômetros do antigo, informa a Polícia Rodoviária Federal (PRF). O antigo porto está alagado e oferecendo riscos aos motoristas por causa da cheia histórica do Rio Madeira que já atinge 18,83 metros, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Já na região de Jacy-Paraná, a BR-364 está cedendo e o Dnit trabalha na recuperação do local.


Na estrada de acesso à balsa, no antigo porto, um caminhão caiu ao lado da pista (Foto: Reprodução/TV Rondônia)Na estrada de acesso à balsa, no antigo porto, um caminhão caiu ao lado da pista (Foto: Reprodução/TV Rondônia)

O tráfego na balsa estava totalmente interrompido desde a segunda-feira (3), por conta dos perigos aos motoristas. Os motoristas parados há dias na região reclamam de prejuízos com cargas e necessidade de manutenção dos veículos. Um deles, chegou a perder o controle do veículo e tombou fora da pista, que já tinha sido elevada por causa da cheia. “Ele já está ali há uns cinco dias. Segundo informações, ele vinha filmando no celular e se esqueceu da estrada e imbicou ali dentro. Mas agora está sendo feito o transbordo da carga e ele vai ser retirado dali”, diz o inspetor João Ribeiro, da PRF.

De acordo com a PRF, o porto foi vistoriado e por conta da subida da água, optou-se por construir em novo local. "A água aumentou muito. Qualquer caminhão que entrar ali vai ter problema. Só vai ser liberado para embarcar pela balsa no porto novo aberto em Abunã", frisa o inspetor.

Já no quilômetro 799 da BR-364, próximo a Jacy-Paraná, a rodovia começou a ceder. Ribeiro diz que a correnteza da água é muito forte, mas que o Dnit tenta recuperar a pista para que não seja interditada totalmente. Se não houver como recuperar, o Acre deverá ficar totalmente isolado. O Dnit trabalha na recuperação, colocando pedras para desviar a correnteza e aterro para fechar buracos, diz a PRF.

Em Abunã, distrito distante cerca de 220 quilômetros de Porto Velho, a água está praticamente na cobertura das casas. Na BR-364, a PRF diz que a lâmina d'água já ultrapassa a marca dos 90 centímetros.

Cenário da cheia

Na segunda-feira (3), a BR-364, única via terrestre de acesso entre Rondônia e Acre, foi interditada pelo Dnit e PRF para análise das condições de passagem dos veículos, por causa da cheia histórica do Rio Madeira. Em Porto Velho, o prefeito decretou estado de calamidade pública.

A cheia histórica está ainda impedindo que caminhões do tipo cegonha cheguem até o Acre, por causa de uma lâmina d'água que cobre a BR-364. Por conta disso, os veículos estão sendo deixados em depósitos em Porto Velho, fazendo com que as transportadoras tenham prejuízos, pois precisam alugar um espaço e depois deverão custear a viagem até a cidade acreana, explica Luís Augusto de Oliveira, dono de depósito.

Também na segunda-feira, 200 famílias do Baixo Madeira foram removidas para Porto Velho, porque tiveram suas casas inundadas pela água do Madeira. Outras foram levadas para a parte alta de Nazaré. Segundo a Defesa Civil Estadual, 500 barracas foram encaminhadas para Rondônia e devem ser levadas, principalmente, para os moradores do Baixo Madeira que foram acomodados em regiões mais altas dos distritos e localidadades.

Por causa da cheia, a produção agropecuária está prejudicada nas cidades atingidas, de acordo com a Associação de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater). A água inundou plantações e criadouros de Porto Velho e distritos como São Carlos, Calama e Nazaré. A estimativa é de que os prejuízos cheguem a R$ 55 milhões.

Na região central de Porto Velho, mais famílias deixam casas alagadas

Servidora pública resistiu mas foi obrigada a sair de casa nesta quarta-feira.

Rio chegou a cota de 18,83 metros. Mais de 2 mil famílias saíram de casa.


Suzi Rocha
Do G1 RO

Os moradores da Rua 13 de Setembro, no Bairro Areal, região central de Porto Velho, estão aflitos com o nível histórico do Rio Madeira que alagou parte da pista, inundando algumas residências e deixando outras isoladas. A água chega pelo Bairro Baixa da União e a situação se agrava devido aos bueiros entupidos. Na tarde desta quarta-feira (5), a servidora pública Sônia Veiga retirou o que ainda restava na casa onde mora com três filhos e a nora. A mãe dela, uma idosa de 75 anos, mora ao lado e também precisou abandonar o imóvel. O Rio Madeira chegou a cota de 18,83 metros, nesta quarta, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA). Mais de 2 mil famílias foram afetadas pela cheia histórica.


Cheia histórica do Rio Madeira, alaga BR-364 (Foto:  Sérgio Vale/Secom Acre)Cheia histórica do Rio Madeira, alaga BR-364 (Foto: Sérgio Vale/Secom Acre)

“Vamos passar esta noite em casa de parentes, mas são pessoas que, embora estejam nos socorrendo, não poderão nos acomodar por muito tempo. Pesquisei umas casas para alugar, mas os valores são absurdos. Vou amanhã a prefeitura, saber se posso contar com eles para alguma coisa”, disse Sônia, muito abalada. A família conta que a Defesa Civil retirou alguns móveis e eletrodomésticos, na semana passada, mas, como ainda não tinham para onde ir, a mudança não foi feita por completo. Dos moradores que vivem no trecho mais atingido da Rua 13 de Setembro, a família de dona Sônia foi a última a sair do local.

A assessoria de comunicação da Defesa Civil informou que muitas famílias resistem em sair das casas, dificultando os trabalhos. “Nosso trabalho é de assistência, mas principalmente preventivo. Estivemos na casa da dona Sônia, orientamos para que deixassem o local, oferecemos vaga em abrigo, mas não tivemos sucesso na retirada da família. A demanda é grande e hoje quando eles acionaram a Defesa Civil as equipes estavam em outras ocorrências. Amanhã a família dela deverá ser atendida”, afirmou o tenente coronel Demargli da Costa Farias.

Aos fundos da casa de Sônia está a residência de Ivo Monteiro, de 55 anos, que ainda não foi atingida pela cheia do Rio Madeira. No entanto, ele acredita que o local pode ser alagado e teme pela segurança da família. “Graças a Deus ainda não fomos diretamente atingidos. O nosso problema é o acesso até aqui. Estamos atrás da rua alagada e temos que entrar pela Avenida Campos Sales, por dentro da Escola Padre Chiquinho. Só assim chegamos em casa", reclama Ivo.

Os moradores da área dizem que o acesso pela escola, após as 22h fica impossibilitado. O vigia da instituição afirma que após esse horário as pessoas não podem mais sair de casa pelo acesso improvisado. Apenas aos moradores conhecidos, ele permite a entrada. “Estamos ilhados. Pedimos que a prefeitura venha tomar providência, improvise uma ponte, enfim, nos socorrer. Dá para improvisar o acesso dos moradores pelo posto de saúde que fica ao lado da escola, não sei, mas tem que existir uma alternativa”, apela a moradora Janice da Silva, grávida de sete meses.

Há três semanas, a família de João Batista deixou a casa invadida pela água. “Vim aqui só para fechar o portão que foi aberto por causa do banzeiro que a água faz quando os veículos passam. Precisam interditar logo essa rua, pois o pouco que ainda restou dentro da casa está pendurado, correndo o risco de ser perdido também”, disse Batista.

No Bairro Areal existem três abrigos onde centenas de pessoas estão vivendo: Escola Estadual Estudo e Trabalho, Escola Estadual Getúlio Vargas e Centro Salesiano do Menor, este último nas dependências da Paróquia Nossa Senhora de Fátima.