05 fevereiro 2014

Apagão também atingiu Acre e Rondônia, segundo ONS

Em pouco mais de 4 anos, Brasil teve 8 apagões de grandes proporções


LUCAS VETTORAZZO
DO RIO | FOLHA DE SP

O apagão ocorrido na tarde de terça-feira (4) atingiu também o Acre e Rondônia, elevando para 13 o número de Estados que foram atingidos pela falta de energia, além do Distrito Federal.

A informação consta do chamado IPDO (Informativo Preliminar Diário de Operação), divulgado nesta quarta pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

A interrupção do fornecimento de energia no país durou cerca de 40 minutos e atingiu ao menos 6 milhões de pessoas. De acordo com o IPDO, a interrupção foi equivalente a 5 mil MW (megawatts) de carga.

O boletim informa ainda que a causa do desligamento ainda não foi identificada. Explica apenas que às 14h03 ocorreu o desligamento automático de 12 linhas de transmissão que compõe a interligação entre os sistemas do Norte e do Sudeste do país.

Com o isso, houve outros desligamentos por medida de segurança, o que levou a um corte de energia para os estados de "Tocantins, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Espirito Santo, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul".

De acordo com o boletim, o ONS precisou fazer um corte adicional de carga de 1.800 MW com o objetivo de sincronizar o sistema para sua volta, que começou a ocorrer por volta das 14h40.

Ontem, o presidente do ONS, Hermes Chipp, disse que o problema teve origem em curtos-circuitos em 2 das 3 linhas de transmissão entre Miracema (TO) e Serra da Mesa (GO). Com a queda das duas linhas, a terceira teria ficado sobrecarregado e caído também. Segundo o órgão, foi cortado o equivalente a 7% da carga total das áreas afetadas.

Editoria de Arte/Folhapress

04 fevereiro 2014

Apagão atinge consumidores de quatro regiões do país

Uma falha no sistema elétrico interrompeu parte da transmissão de energia entre o Norte e o Sudeste do país


FOLHA DE SP
DE BRASÍLIA
DO RIO
DE SÃO PAULO

Uma falha no sistema elétrico interrompeu parte da transmissão de energia entre o Norte e o Sudeste do país na tarde desta terça-feira (4), causando falhas no abastecimento de cidades e deixando mais de 3 milhões de unidades consumidoras sem energia.

Em coletiva de imprensa convocada após o apagão, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse que o problema não foi causado por sobrecarga no sistema. Zimmermann não disse o que teria motivado a falha.

"Não tem nada a ver com estresse do sistema", afirmou. Segundo ele, cerca de 8% das regiões Sul e Sudeste foram afetadas.

Na avaliação do presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, o sistema "funcionou como deveria", uma vez que "evitou que todo o Sudeste apagasse".

"Conseguiram evitar um efeito dominó, de apagar uma região inteira", afirmou.

De acordo com o governo, todos os demais detalhes sobre o caso estão sendo investigados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema), que ficará responsável por divulgá-los.

Mais cedo, o ONS informou, por meio de nota, que o problema foi corrigido, mas que algumas das áreas afetadas ainda estavam sendo religadas.

A "perturbação" no sistema, conforme apontou o operador, ocorreu na linha de transmissão de energia, entre 14h03 e 14h41. A ligação interrompida está entre Colinas (TO) e Serra da Mesa (GO), interrompendo o fluxo de 5 mil MW.

O ONS não informou que tipo de problema ocorreu, se de ordem física (incidente com a rede), ou ainda se o episódio está relacionado ao fato de a demanda estar atingindo níveis históricos, em período de estiagem nos reservatórios.

O incidente ocorre quase 24 horas depois de o ONS ter registrado recorde de demanda instantânea de energia, no Sistema Integrado Nacional, de 84.331 MW, às 15h32 desta segunda-feira, e no subsistema Sudeste-Centro Oeste, de 50.854 MW, um minuto depois.

A causa dos picos de consumo, segundo o operador, são as elevadas temperaturas registradas em todo o país.

SÃO PAULO E RIO

A Eletropaulo, que atende a capital paulista, além de municípios da região metropolitana de São Paulo, informou que 1,2 milhão de unidades consumidoras foram afetadas no Estado.

A companhia disse que o fornecimento foi afetado nos bairros de Capão Redondo, Pedreira, Cidade Ademar, Mooca, São Mateus, Vila Prudente, Itaquera, Vila Mariana, Guaianases e Vila Matilde.

Também ficaram sem energia clientes nos municípios de Cotia, Vargem Grande Paulista, Embu das Artes e Diadema.

Ainda segundo a Eletropaulo, o fornecimento já foi normalizado.

Também houve queda de energia em cidades atendidas pela CPFL, no interior do Estado.

A companhia afirma que o abastecimento já foi normalizado às 14h58 em Americana, Campinas, Piracicaba, Louveira, Jundiaí, Praia Grande, Santos, Itaí, São Roque, Hortolândia, Baguaçu, Birigui, Monte Azul Paulista, Guaíra, Sorocaba, Porto Feliz, São Bento do Turvo, Santa Cruz do Rio Pardo, Jaguariúna, Pedreira e São José do Rio Pardo.

No Rio de Janeiro, cerca de 600 mil unidades consumidoras foram prejudicadas pelo desligamento de 17 subestações de energia. O desligamento foi feito por determinação do ONS.

A Light informou que o fornecimento de energia elétrica foi normalizado às 16h24, com o religamento das subestações que tinham sido desligadas às 14h03.

A decisão, segundo o ONS, teve como objetivo evitar a propagação dos danos causados pela "perturbação" no sistema. O fornecimento de energia foi interrompido em bairros da Zona Norte e Zona Oeste, na capital fluminense, além de áreas da Baixada.

MINAS GERAIS

O apagão deixou sem energia elétrica cerca de 230 mil consumidores, de um total de 7,5 milhões, segundo a Cemig. Foram atingidos 63 municípios, entre eles parte de Belo Horizonte e cidades do leste, oeste, sul e Triângulo Mineiro. O apagão se estendeu por no máximo 56 minutos.

PARANÁ

No Paraná, o desligamento atingiu parcialmente 61 municípios em diferentes pontos do Estado. Segundo a Copel (Companhia Paranaense de Energia), o desligamento atingiu 548 mil consumidores —cerca de 13% do total de atendidos. O fornecimento foi completamente restabelecido às 15h38, informou.

SANTA CATARINA

A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) informou que o desligamento afetou cerca de 315 mil unidades consumidoras em diferentes pontos do Estado -o que corresponde a cerca de 13% do total de unidades atendidas pela empresa.

Segundo a Celesc, por motivos de segurança, foram desligados cerca de 520 MW no Estado. O sistema começou a ser restabelecido a partir das 14h52. Às 15h36, o ONS autorizou o restabelecimento do restante.

RIO GRANDE DO SUL

No RS, três concessionárias respondem pela maior parte da distribuição de energia no Estado.

Segundo a concessionária RGE, a ocorrência gerou o corte de 10% da carga, afetando dez subestações e dez cidades do Estado. Ao todo, 90 mil clientes foram afetados.

A empresa CEEE informou que foram atingidos parcialmente 11 municípios de sua área de concessão. São eles: Alvorada, Bagé, Canguçu, Dom Pedrito, Guaíba, Mostardas, Pelotas, Porto Alegre, Santo Antônio da Patrulha e Viamão. Ao todo, 140 mil clientes foram afetados. O serviço foi normalizado por volta das 16 horas, informa.

Já a concessionária AES Sul disse que foram desligados 96 MW em cinco subestações que atendem cinco cidades: Venâncio Aires, Alegrete, Itaqui, Uruguaiana e São Borja.

TOCANTINS

Em nota, a Celtins informou que houve falta de energia nas regiões central, sul e sudeste do Tocantins. O problema ocorreu das 13h03 às 13h07 (horário local), segundo a empresa, e atingiu 362 unidades consumidoras em 95 municípios.

MATO GROSSO DO SUL

No Estado, 84.748 mil imóveis foram afetados com o apagão. A falta de energia, que durou uma hora e meia, envolveu parte da capital, Campo Grande, e mais seis cidades, a maioria da região oeste.

Segundo a Enersul, a orientação do ONS foi a de reduzir a carga elétrica principalmente em pontos de maior consumo de energia, como indústrias e shoppings.

MATO GROSSO

A interrupção de energia em Mato Grosso afetou 111 mil imóveis. Foram atingidos moradores de Cuiabá e mais seis cidades. O apagão durou aproximadamente uma hora e meia.

GOIÁS

Segundo o leitor da Folha Renato Campos, o apagão afetou a cidade de Itumbiara, no Estado de Goiás.

"A energia acabou por volta das 15 horas na indústria em que trabalho, parando as máquinas e deixando quase 800 funcionários sem ter o que fazer", conta. Campos conta que o fornecimento foi restabelecido 40 minutos depois.

A Celg (Companhia Energética de Goiás) confirmou uma redução de carga, mas disse que ainda está levantando o impacto do corte.

DESABASTECIMENTO

Para explicar a situação, o Ministério de Minas e Energia convocou uma coletiva de imprensa às 17 horas desta terça-feira (4).

O ministro Edison Lobão não confirmou presença. Devem explicar o caso o secretário executivo do Ministério, Márcio Zimmermann, e o presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim.

Nesta segunda-feira (3), em evento no Palácio do Planalto, o ministro chegou a afirmar que o baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas no país não representava "nenhum risco de desabastecimento".

Estimativas da EPE indicam que os reservatórios no Sudeste enfrentam a pior situação desde 1953.

Por causa da necessidade de uso de termelétricas para atender a demanda (usinas que funcionam com a queima de carvão e óleo combustível, por exemplo) o governo já estuda fazer novos desembolsos do Tesouro, que a partir do ano que vem podem recair sobre a tarifa do consumidor.

A mesma fórmula foi usada ano passado para cobrir os gastos também com uso das usinas térmicas.