09 setembro 2014

Mais de 400 mil estão isolados por inundações na Índia e no Paquistão

Mais de 400 pessoas morreram após enchente na região da Caxemira.
Segundo socorristas, faltam barcos para resgatar todos os desabrigados.


France Presse

Socorristas tentavam ajudar nesta terça-feira (9) centenas de milhares de habitantes do norte da
Índia e do Paquistão, isolados do resto do mundo pelas recentes inundações que provocaram a morte de mais de 400 pessoas.

Os serviços de socorro se esforçavam para colocar a salvo as pessoas resgatadas que estavam bloqueadas na parte indiana da região montanhosa da Caxemira, entre Índia e
Paquistão, onde centenas de localidades desapareceram sob a água.

Cerca de 400 mil pessoas seguem bloqueadas nas zonas invadidas pela água do lado indiano, segundo a agência Press Trust of India (PTI).

Além disso, 200 pessoas morreram na parte indiana, indicou Rajesh Kumar, funcionário policial de alto escalão da região. As autoridades paquistanesas registraram, por sua vez, 206 mortos, a maioria deles na província de Punyab, segundo as autoridades.

Milhares de soldados, policiais e outros funcionários de emergência se mobilizaram nos dois países para distribuir água potável, cobertores e material de ajuda.

"A situação no vale da Caxemira (...) é muito crítica", disse Kumar à AFP. Muitas pessoas estão "presas com água no pescoço e precisam ser resgatadas o quanto antes", acrescentou, embora não tenha fornecido um número exato.

Em Srinagar, principal cidade da parte indiana da Caxemira, muitos habitantes contaram como conseguiram se salvar sem os socorristas.

Abdul Latif Rather, um professor aposentado, disse que havia esperado longas horas no domingo com sua esposa enquanto a água invadia sua casa. Finalmente, jovens de seu bairro conseguiram salvá-los em um barco improvisado.

"Arriscaram a vida por nós", declarou sentado na rua.

Em um salão de festas dos subúrbios de Srinagar, 400 pessoas tentavam se recuperar, sentadas ou encostadas em pequenos grupos no chão, depois de terem visto a água tomar conta de suas casas.

"Tudo aconteceu muito rápido", explica Ruqsat Banu, ao mesmo tempo em que tenta reconfortar seus sogros, já idosos.

Os socorristas "tinham prioridades. Primeiro levaram as mulheres e crianças e deixaram os homens", acrescenta, explicando que teve que sair sem seu marido.

Com a melhora do tempo, os socorristas puderam intensificar suas tarefas. No total, 42.500 pessoas foram resgatadas, segundo o ministério da Defesa.

"'Faltam barcos para socorrer as pessoas nas zonas inundadas", disse o comissário de divisão da Caxemira, Rohit Kansal, à PTI.

As redes de água e eletricidade foram restabelecidas em algumas das zonas menos afetadas, explicou.

"A principal estrada segue isolada. Felizmente, muitas outras estradas conseguiram ser recuperadas em grande parte", afirmou.

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