02 setembro 2014

Incêndio é controlado após atingir 40 hectares de reserva ecológica em SP

Fogo na Mata de Santa Tereza, em Ribeirão Preto, começou no domingo.
Segundo os bombeiros, 30% da vegetação foi destruída pelo incêndio.


Do G1 Ribeirão e Franca

Foi controlado no início da manhã desta terça-feira (2) o incêndio que atingiu a Mata de Santa Tereza, em Ribeirão Preto (SP). Segundo o Corpo de Bombeiros, 40 hectares da reserva ecológica foram destruídos pelo fogo, que teve início no domingo (31).

Aviões foram usados para ajudar no combate ao incêndio na reserva ecológica em Ribeirão Preto, SP (Foto: Chico Escolano/EPTV)Aviões foram usados para ajudar no combate ao incêndio na reserva ecológica em Ribeirão Preto, SP (Foto: Chico Escolano/EPTV)

Apesar de as chamas terem sido controladas, equipes dos bombeiros permaneceram no local para fazer um trabalho de prevenção e evitar novos focos de incêndio. Parte do Anel Viário Sul, cercado pela mata, continuava coberto de fumaça durante a manhã, o que dificultou a visibilidade dos motoristas no trecho. Apesar disso, a pista não foi interditada.

As causas do incêndio ainda serão investigadas. Contudo, há suspeitas de que o fogo tenha começado em um ritual religioso dentro da mata, no qual teriam sido utilizadas velas.

Combate ao fogo

Mais de 30 homens participaram da operação de combate às chamas. Para chegar ao local, foi necessário o uso de helicópteros e aviões, segundo o tenente coronel Cássio Augusto Amaral. O incêndio se concentrou no meio da mata, que é fechada, e caminhões tiveram dificuldades de acesso. A ação do vento, associada ao tempo seco, também dificultou a operação.

Reserva ecológica

De acordo com os bombeiros, 30% da vegetação foi atingida pelo incêndio. Com uma parte remanescente da Mata Atlântica, a Mata de Santa Tereza tem área de 150 hectares e é conhecida como a maior estação de preservação ambiental em Ribeirão Preto.

A mata é usada para pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) e é considerada um importante refúgio da natureza em meio a área urbana. "Tínhamos mais de 200 espécies de árvores, ipês amarelos, ipê roxo, jacarandá, jequitibá", informou a professora de botânica da USP, Elenice Mouro.

O trabalho de recuperação pode levar anos. "Provavelmente a gente vai ter que estudar, mas vai ter que fazer um plantio de espécies nativas para ajudar na recuperação, o que pode levar décadas", comentou o ambientalista José Ricardo Borsela.

O vigia Rafael da Silva Martins, que trabalha na reserva, não se conformava com a situação. “A mata de Santa Tereza é qualidade de vida para Ribeirão Preto e para os bairros aqui na região. Isso aí que fizeram é um descaso total. Moradia de animais, moradia de pássaros, tudo no chão”, lamentou.

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